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Hélade: Antologia da Cultura Grega

Hélade: Antologia da Cultura Grega / organizada e traduzida do original por Maria Helena da Rocha Pereira (prof. extr. da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) / 2.ª edição

Coimbra – 1963 (Composto e impresso na «Imprensa de Coimbra, L.da»). In-4º de XVI, 522, [2] págs. Br.

Reproduz o prefácio à primeira edição e apresenta um próprio em que a helenista começava por explicar que esta ofereceria “ao leitor mais de cem textos novos, entre os quais se contam os de autores não incluídos na impressão anterior”, distinguindo-se ainda pela “introdução de um mapa do mundo helénico e de vinte e cinco gravuras”. Será escusado perorar sobre a importância deste cometimento no nosso panorama, traduzindo pela primeira vez para português muitos dos nomes importantes da Grécia (sentido amplo) Antiga que elenca: Homero, Hesíodo, Terpandro, Calino, Tirteu, Arquíloco, Álcman, Mimnermo, Alceu, Safo, Estesícoro, Sólon, Íbico, Anaximandro, Anacreonte, Xenófanes, Heraclito, Alcméon, Hecateu, Parménides, Zenão, Teógnis, Simónides, Píndaro, Baquílides, Ésquilo, Empédocles, Hipócrates, Heródoto, Anaxágoras, Demócrito, Sófocles, Protágoras, Górgias, Pródico, Antifonte, Eurípides, Tucídides, Isócrates, Lísias, Aristófanes, Timóteo, Êupolis, Xenofonte, Platão, Antífanes, Aristóteles, Demóstenes, Teofrasto, Menandro, Cleantes, Teócrito, Calímaco, Euclides, Aristarco, Apolónio de Rodes, Arquimedes, Diodoro, Estrabão, Plutarco, Pausânias, Galeno, Ptolomeu, Luciano e Diofanto.

Exemplar ligeiramente desgastado na capa. Ténues vestígios de acidez no corte lateral e de humidade nas últimas folhas, já de índice. O papel mantém-se geralmente incólume, mas aparecem marcas de manuseio.
 
23€

A Vida Quotidiana no Tempo de Homero

A Vida Quotidiana no Tempo de Homero (Tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen)

Edição «Livros do Brasil» Lisboa (Rua Luz Soriano, 47-57). [S/d]. In-8º gr. de 260, [12] págs. Br.

“Os poemas homéricos são um dos mais belos e imperecíveis monumentos da poesia universal. Mas corresponderam a uma realidade civilizacional, primitiva e bárbara, que está imensamente longe, no seu pitoresco e no seu encanto, da imagem que todos nós fazemos da Grécia Clássica. A reconstituição saborosa da vida quotidiana dessa Grécia primitiva fê-la Émile Mireaux com profunda erudição e admirável leveza”, na crença de que “embora subsistam lacunas como num vaso quebrado que se tenta reconstituir juntando os pedaços dispersos, não é impossível tentar fazer reviver este passado longínquo para o qual nos chamam invencivelmente os prestígios da sua [de Homero] poesia”. Lá tentar, não é.
Além de Sophia, tem o nome ligado a esta edição Bernardo Marques, que ilustrou a capa, como amiúde fazia para a Livros do Brasil.
 
Exemplar por estrear, conservando os cadernos por abrir. Tem um recorte de jornal (Público, 5-6-2005) com o texto - «O que é que eu tenho a ver com Homero» - da reportagem assinada por Kathleen Gomes da tarde em que na Feira do Livro de Lisboa se apresentou a versão da Ilíada de Frederico Lourenço.
 
15€

Homero — Odisseia

Odisséia (Texto em português de Marques Rebêlo / Recontado da obra original de Alfred J. Church / Ilustrações de Nico Rosso)

Editor: Victor Civita / 1972, Abril Cultural. In-8º gr. de 167, [3] págs. Enc.

Uma das típicas edições da editora paulista, bem encadernada em tela, impressa sobre bom papel e ornada pelos desenhos a pena e tinta do conhecido ilustrador; em adaptação juvenil desta narrativa que, “bem diversa da militar Ilíada, com poucas lutas e nenhuma batalha campal, é tôda mar, murmurante ou turbulento, ilhas distantes, amenas ou fantásticas, povoadas de sereias, de ninfas, de monstros e de gigantes, doçuras pastoris, crença no amor e na fidelidade, deuses benévolos ou malignos influindo sôbre o destino dos homens, uma infinidade de cenas domésticas ou bucólicas, de espantoso realismo ou extremo romantismo, misturadas com atos de encantamento, em suma, uma verdadeira história de fadas”.

Exemplar em bom estado, apesar de ligeiros desgaste da capa e vestígios de acidez no miolo.

7€

Xenofonte — A Retirada dos Dez Mil

A Retirada dos Dez Mil (trad. e prefácio de Aquilino Ribeiro)

Livraria Bertrand * Lisboa (2.ª edição). [S/d – 1938?]. In-8º de 351, [1] págs. Br.

Foi a versão ensaiada por Aquilino – cujo prefácio tem tantos desarranjos ortográficos e sintácticos como dificilmente se lhe terá alguma outra vez notado – da Anabasis, com a capa ilustrada por um trabalho alusivo, ao estilo grego, de Eduardo Faria. Apesar de anunciada segunda edição, é de facto uma simples reimpressão ou até um fundo da primeira – crê-se que publicada no mesmo ano, como talvez ainda uma dita «terceira».

Exemplar desdourado por vários  defeitos na capa e uma assinatura de propriedade, embora não espalhafatosa, no anterrosto, no rosto e numa das folhas do prefácio.

12€

Ésquilo & Sófocles — Tragédias

Tragedias (Traducción directa del griego por Fernando Segundo Brieva Salvaterra / Prólogo de Amaranto A. Abeledo / Notas de Felix F. Corso)

Libreria Perlado, Editores. (1943). In-8º peq. de XX, 237, [11] págs. Br.

O  volume congrega as sete peças chegadas até nós do primeiro trágico, perdidas que foram muitas mais, entre as largas dezenas escritas, sobrevindo o tristemente célebre incêndio da Biblioteca de Alexandria.

Exemplar com miolo quase impoluto, mas já desgastado na capa.
 
  
 

Tragedias (Prólogo de Felix F. Corso)

Libreria Perlado (1944). In-8º peq. de 290, [4] págs. Br.

Publicado na mesma Biblioteca Clásica Universal, o volume reúne «Electra», «Áyax», «Edipo rey», «Edipo en Colono», «Antígona», «Las Traquinias» e «Filoctetes», com traduções para castelhano de J. C. Bardé (Ájax e Electra) e de Alemany Bolufer (as restantes).

Exemplar um quanto mais desgastado; sobretudo na capa, também.
 
 

14€

Eurípedes — Iphigenie

Se vend a Paris en la Rue de Beaune a l'Enseigne du Pot Cassé. (MCMXXIX). In-8º de 253, [5] págs. Br.

O volume, publicado na colecção «Antiqua» com o grande apuro gráfico habitual na série, engloba as peças «Iphigénie en Aulis» e «Iphigénie en Tauris», traduzidas ambas do grego por Nicolas-Louis Artaud (que, no seu prefácio, pretendia Eurípides o mais moderno dos três trágicos); tendo sido ilustrado por bons trabalhos a tinta de Andrée Riquier adaptando motivos e o estilo da arte da Grécia Antiga (quer do tipo arcaico, quer do clássico).

Exemplar um tanto desvalorado por uma pequena/média falha de papel na capa, à cabeça do encaixe. Também na capa algumas das letras estão já ligeiramente remoçadas, mesmo se isso não é nítido na fotografia que aqui se apresenta.

16€

Virgilio — Les Bucoliques et les Géorgiques

Se vend a Paris en la Rue de Beaune a l'Enseigne du Pot Cassé. (MCMXXIX). In-8º de 215, [3] págs. Br.

Edição de finíssimo recorte gráfico, ilustrada ao longo do volume por trabalhos alusivos a tinta de Geneviève Rostan, com as páginas decoradas por frisos à maneira romana. É transcrito no começo um longo texto («Notice sur Virgile») do escritor Sainte-Beuve, abundante em apontamentos biográficos, literários e até da história de Roma à época, durante o império de Octávio (como se sabe, chamar-se-ia a esse «século de ouro», precisamente, O Século de Augusto); tendo ficado a tradução a cargo de M. Charpentier. Tiragem de 2800 exemplares numerados em duas séries (à parte uma de 25 fora do mercado), sendo este da mais corrente, em bom papel «Papyrus de Tsahet». Da mesma bela colecção Antiqua.

23€

Arqueologia Literária (VII)

Concedo passaporte a Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, solteiro, literato, natural d'Amarante, que tambem usa o nome Teixeira de Pascoaes, filho de João Pereira Teixeira de Vasconcellos. É portuguez de nascimento. / para Hespanha e França
 
[O filho só tem - e bem - direito a um dos 'l's do «Vasconcellos», o pai tem-no aos dois. Distracção ou confusão do Senhor Governador Civil do Porto já uns bons anos após a primeira, bem feita, convenção ortográfica (imagine-se o que nos espera agora, com esta mal feita...)? Respeitinho, muito bonito, pelo nome do Senhor Desembargador? A antiguidade é um posto? Vá-se lá sabê-las.]   

Mário Cesariny — Horta de Literatura de Cordel

Horta de Literatura de Cordel: O Continente Submerso/O Grande Teatro do Mundo/Os Sobreviventes do Dilúvio: Monstros Nacionais/Monstros Estrangeiros (Selecção, Fixação do Texto, Prefácio e Notas de Mário Cesariny)

Assírio e Alvim. (1983). In-8º gr. de 256, [4] págs. Br.

(Do prefácio de Cesariny, «Explicação do Objecto; porque foi que Bernardim Ribeiro morreu doido no Hospital de Todos os Santos em 1532; notas ao texto», poder-se-ia dizer, quanto à segunda parte, o mesmo que ele dizia do título de um dos opúsculos recenseados: não faz mais do que chamar a atenção, porque do tema nem “há, no texto, a justificação” de lá não estar…). A edição, resultante, conforme explicava nesse prefácio, de 3 meses de investigação na BN a instâncias de Palma-Ferreira, contou com ilustrações de Ilda David na capa e em várias gravuras no início do volume, além de reproduções (ilustrações, frontispícios e folhas de texto) de vários dos livros e folhetos antologiados. Tiragem de 3000 exemplares, conservando-se este em óptimo estado.
 
24€

Alfred Jarry — Os Dias e as Noites / O Amor Absoluto

Os Dias e as Noites seguido de O Amor Absoluto

Editorial Estampa. Lisboa, 1981. In-8º de 167, [1] págs. Br.

Edição na conhecida série «Novas Direcções» da Estampa (em que publicaram Herberto, Luiz Pacheco, Mário-Henrique Leiria, etc.); com um prefácio – Jarry Alucinante – do tradutor, Manuel João Gomes, que assegurou também o aparato crítico e compôs uma tábua com a «Cronologia Járrica».

Exemplar por estrear.
 
8€

Franco Fortini — O Movimento Surrealista

Editorial Presença/Lisboa – 1965. In-8º de 238, [6] págs. Br.

Primeira edição portuguesa, publicada na colecção «Perspectivas» com tradução de António Ramos Rosa a partir da original. O livro compreende o longo estudo teórico inicial do autor e, depois, quatro partes: «Os Precursores» (ficha biográfica e trechos de Rimbaud, Lautréamont, Jarry, Apollinaire, etc.), «Documentos do Surrealismo» (transcreve textos dos manifestos, comunicações, cartas abertas, etc.), «Os Poetas Surrealistas» (biografia e poemas de, entre outros, Breton, Éluard, Tzara, Artaud, Char e Césaire) e «Alguns juízos sobre o Surrealismo» de Riviére, Sartre, Camus e Adorno.

Exemplar em bom estado.
 
15€

Intertexto (II): Asnos, cavalos, bestas

Uma das engraçadas anedotas acerca de Camilo que ficaram na tradição popular, quase apetecendo jurá-la verídica, conta que, passando ele algures perto de Seide montado num burro, se cruzou com um (morgado? «brasileiro»? novo-rico qualquer? não recordo onde a li) figurão da terra, a cavalo, que lhe perguntou, provocador: "Como vai Sua Excelência o burro?" Resposta pronta: "Vai muito bem, vai a cavalo".
 
Chega imediatamente ao adro da memória, mesmo por ínvios caminhos, quando se lê esta composição de João Penha, minhoto ele mesmo:


Dois asnos

Um cavallo, que tinha o rei no bojo,
Disse ao magro jumento de um moleiro
- Da minha raça, tu ! causas-me nojo;
Tu fazes rir ; és menos que um sendeiro.
      A mim me adornam selas e xaireis,
      Magnificos arreios e gualdrapas ;
      Em mim cavalgam principes e reis,
      Homens de guerra e belas damas guapas.
E tu, que sobresaes pelas orelhas,
Sobre essa albarda que te adorna a espinha,
Que levas, asno? diz. Canastras velhas,
Teu dono: um ôdre, ou saccos de farinha.
      - E' verdade o que dizes - disse o burro, -
      Sou humilde, nem pompas alardeio;
      Mas trago a bôca livre, e livre zurro,
      E tu, pedaço de asno, andas de freio. 

António Cabral — Homens e Episódios Inolvidáveis

Homens e Episódios Inolvidáveis (Cartas Inéditas de Camilo/O Berço de Eça/Páginas de Memórias Políticas)

Livraria Bertrand. Lisboa. (1947). In-8º de 218 págs. Br.

O volume inclui os capítulos «Camilo e Eça de Queirós», «Algumas páginas de Memórias Políticas», «Cartas régias», «Páginas tristes», «Páginas alegres» e «Quatro prefácios».
 
16€

António Ramos de Almeida — Eça

Livraria Latina Editora – Porto. (1945). In-8º de 402, [2] págs. Br. 

Primeira edição deste extenso estudo, publicada a pretexto do centenário do nascimento de Eça de Queirós. O trabalho de Ramos de Almeida, ainda hoje dos mais considerados da bibliografia passiva queirosiana, apresenta dela, no final do volume, uma ampla relação.

Exemplar por estrear, com as folhas por abrir e ainda em muito bom estado, salvo o quase inevitável escurecimento marginal das folhas no miolo.

20€

Alberto Pimentel ― O Romance do Romancista

Parceria A. M. Pereira, 1974. In-4º de 495, [5] págs. Enc.

Anunciada como a segunda, foi de facto a terceira (última até hoje, salvo erro) das  edições da biografia, aqui na série especial encadernada pela editora e impressa em maior formato sobre papel superior, com tiragem limitada a 350 exemplares numerados. Teve introdução e notas de Alexandre Cabral, que passou todo esse prefácio a «cascar» – quase sempre com bom critério... – na ingenuidade confiante de boa parte dos biógrafos de Camilo, Pimentel incluído, para no final dizer que, apesar de tudo, valia a pena reeditar a coisa. Quem na Parceria lhe encomendou o trabalho não há-de ter gostado muito, quer-se supor.
 
35€

Uma velha disputa

 
Começou  ainda no séc.XIX, pela consagração do segundo, desenvolveu-se sobretudo durante as primeiras décadas do XX, e, mais ou menos atenuada, com mais ou menos concessões a uma pouco plausível neutralidade, dura até hoje. Os nomes de  Camilo e Eça são, em sentido quase político, dois partidos, a que correspondem duas «ideologias» que parecem fáceis de precisar, mesmo se tantos os campos em que se manifestam.
Desde logo, o literário: posto que o romantismo do primeiro fosse mais de feitio do que de literatura, sempre se lhe opôs com afinco doutrinal o realismo de José Maria, descontando a fronteira, chamemos-lhe, «naturalista» que ambos frequentavam. Também o ambiental: A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires não mitigam o fundo mais urbano da bibliografia do seu autor (que mal conheceu outra coisa), bem distinta da daquele que quando não escrevia sobre o Porto, estava, por regra, a compor cenários campestres, numa apologia da ruralidade que, em franca (e não irónica; também dessa houve muita...), raramente quis disfarçar a motivação reaccionária. O pessoal: vida fácil e convencional do cônsul, vida difícil, desregrada e "atormentada de um profissional das letras" pioneiro por cá, com os naturais ressentimentos acumulados; disse-se já, e bem, haver a impressão permanente, ao ler Eça, de alguém que escreve recostado numa poltrona, e ao ler Camilo a de alguém inclinado sobre a banca em que, é verdade, trabalhava. E até, se quisermos, o político: legendária (o mais crível) ou não a história do ajudante de campo de Mac Donnell, oficial de D. Miguel, faria decerto menos espécie aquele ultramontanismo absolutista e religioso à criatura da Samardã do que ao diplomata, sem grandes dúvidas do lado constitucional e com movimentação fluente pelos meandros da Corte. 

Antero de Figueiredo ― D. Pedro e D. Inês, "O Grande Desvayro"

D. Pedro e D. Inês, “O Grande Desvayro!” (Fernão Lopes) ― 1320-1367

Livrarias Aillaud e Bertrand / Paris-Lisboa. [S/d]. In-8º de 318, [4] págs. Enc.

Tendo muito que se lhe diga (resumindo: ler-se pelo menos tanto como um romancezinho de ficção quanto como um romance propriamente histórico, pois nem é um nem é outro, pretendendo fazer a espargata; naquele tom típico do autor, quase omnisciente...), o certo é integrar já o livro o core da bibliografia inesiana. E, não tendo outro especial mérito, tem pelo menos o de apresentar dela, a terminar o volume, uma bem extensa relação.

Exemplar do 12º milhar impresso, na série encadernada pelo editor em tela relevada com gravações a ouro, conservando a frente da capa primitiva. Em muito boa condição global no miolo, mas apresentando alguns pequenos defeitos. 

12€ 

Natália Correia ― Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses

Editorial Estampa. (Lisboa, 1970). In-8º de 295, [5] págs. Br.

Primeira edição, dada a lume em número duplo na série de «Clássicos de Bolso». Para além da adaptação dos textos, foram também de Natália Correia a selecção, a introdução (que se estende por mais de trinta páginas) e as notas, tendo o arranjo gráfico sido da responsabilidade de Alda Rosa e Eduardo Dias.  
 
Bom exemplar.
 
23€ 

Júlio Dantas ― O amor em Portugal no século XVIII

O amor em Portugal no século XVIII (Ilustrações de Alberto Sousa)

Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, editores (Rua das Carmelitas, 144) – 1916. In-4º de 364 págs. Enc.

Primeira edição em volume, graficamente apurada e por isso bastante apreciada, de um livro antes publicado em folhetins no vespertino lisboeta A Capital; com composição nas «Officinas do “Commercio do Porto”» rival. São alguns dos capítulos, ao típico estilo coloquial de Dantas, «Namôro de Bufarinheiro», «Namôro de estafermo e de estaca», «O beliscão», «O amor na côrte», «Mulheres-damas», «Senhoritas da comédia», «Cartas de amor», «O casamento», «Maridos cucos», «Bruxedos de amor», «As descidas de côche», «Minuetes brèjeiros», «Os marotinhos», «O passeio Público».

Exemplar da série encadernada pelos editores integralmente em percalina gravada por todo, lombada e pastas (atrás, o emblema da Lello; na frente, uma das  ilustrações, aí  a cor,  preparadas por Alberto de Sousa); conservando a face da capa de brochura e tendo nas guardas quatro engraçados medalhões a ouro, parecendo um deles figurar Mariana Alcoforado e o Cavaleiro de Chamilly. Em muito bom estado – praticamente, impecável, não fôra uma ligeira folga da lombada face ao volume. 
 
40€

Rocha Martins ― Os Grandes Amores de Portugal

Edição do Autor. [S/d - 1928?]. 12 fascículos in-8º encadernados em 2 volumes.
 
É  a primeira série completa, com encadernação do autor/editor em tela (além desta variante, a azul, existe pelo menos uma outra, avermelhada), conservando todas as capas de brochura. O primeiro volume agrega os seis primeiros fascículos, Linda Ignês, Desvario de Raínha, Flôr de Altura, A Amada do Camareiro, O Drama de Vila Viçosa e Relicário de Paixão; o segundo, os seguintes Senhora de Bem Fazer, Sóror Mariana (transcreve as cartas a Chamilly na versão do Morgado de Mateus), Sombra de Rei, Madre Paula, Dona Flor da Murta e O Bichinho de Conta.
Mais tarde, talvez já por 1930 ou ainda depois, viria a sair uma segunda série com outros tantos fascículos.  
 
Estes «quadros» de Rocha Martins, como quase tudo o que escreveu, cumpriam sobretudo um propósito de divulgação, romanceada q.b.; não se devendo deles esperar um rigor histórico particularmente aprimorado. Havendo isto em conta, cumprem.
Todos os fascículos tiveram a capa ilustrada em boa alternância por Alberto de Sousa e Raquel Roque Gameiro, no que talvez seja, hoje, o maior ponto de interesse.
 
45€

Silva Tavares ― Vida Amorosa de D. Pedro IV

Vida Amorosa de D. Pedro IV (Inês de Castro e a Marqueza de Santos)

Livraria Clássica Editora / Lisboa    1934. In-8º de 190, [2] págs. Br.

Integra «Sinfonia de Abertura», «O Cenário», «Personagens», «Amores de Príncipe», «As duas Castros», «O Homem», «A Mulher», «Notas e Documentos» e «Bibliografia», Primeira edição.

Exemplar geralmente bem cuidado, mas a ameaçar desconjunções parciais.
 
10€

(Corte livros e cabelos, 2 em 1)

Começando um livro tão pouco conhecido quão interessante para a bibliografia portuense - O Passado: história leve e fantasia -, aliás já aqui recenseado, lamentava-se João Grave por, ao descer em passeio a Rua da Restauração alguma tarde de domingo de há um século, ter percebido a transformação do Convento de Monchique, notabilizado pelo Amor de Perdição camiliano, numa fábrica de rolhas de cortiça. Senti, suponho, mais ou menos o mesmo quando, mal passado o ano, cruzei a Rua de Ceuta e percebi o corpo principal, primitivo, da livraria Leitura devindo cabeleireiro. Durante muitos anos, chegaram lá, pela mão de Fernando Fernandes, os livros que não chegavam a mais lado nenhum, censurados de antemão ou simplesmente estrangeiros. Herdeira da Divulgação, era, reconhecida até por lisboetas, a mais importante livraria do país, quer pelos fundos, quer pela frequência. Agora, caem-lhe cabelos como outros quaisquer. Quem ainda, ingénuo, acreditasse nas virtudes da concentração capitalista editorial e livreira ou no Pai Natal, pode talvez começar a desenganar-se. A Latina já não é a Latina, a Leitura já não é a Leitura. Sobra, por enquanto, a Lello, e é ir rezando para que Chardron, lá do alto, vá movendo cordelinhos contra o destino previsível das 3 L's.

O Porto está muito lindo, muito arranjado, muito espevitado, muito turístico, muito na moda e tudo o mais. Seja. Mas uma cidade que perde as melhores livrarias é uma cidade pior. Além do cabelo, perde alma.

Urbano Tavares Rodrigues ― Nus e Suplicantes (novelas)

Livraria Bertrand. 1960. In-8º de 147, [5] págs. Br.

Primeira edição de um dos títulos iniciais do autor, contendo as novelas «Crescei e Multiplicai-vos», «O Falso Pesquisador», «Oxalá», «A Dama de Trunfo» e «Nus e Suplicantes». Reproduz, nas abas, excertos de recensões críticas de Óscar Lopes, Álvaro Salema, João Gaspar Simões e Álvaro Campos, além de um retrato de Urbano T. Rodrigues à época.
 
Exemplar com pequenos defeitos.

12€

Um Natal português

Em Canelas, Vila Nova de Gaia, a população protesta há meses pela substituição do pároco - pretende o regresso do anterior e vitupera o actual, que vai insultando, entre outras razões, por ter cabelos e barbas compridos. Se não erro, todas as crónicas mais ou menos garantem que Cristo, precisamente, passou a vida nesse tipo de preparos (para além de não ter biblioteca nem perceber patavina de finanças, como sugeria o outro, também não consta que o Nazareno usasse cabelo rapado e brinquinho na orelha, como os gunas tugas - citadinos e aldeãos - contemporâneos). A Igreja esteve-se, desde o início, quase sempre nas tintas para o próprio fundador. Agora, estão até as populações, outrora o "rebanho", cada vez mais nas tintas para a Igreja e para o fundador. Querem rezar os seus próprios dogmas. "Creio em Jesus Cristo, filho unigénito de Deus, rapado e barbeado". Ou, tão-só, um CR derivado, de igual modo dado ao 7, 70x7, mas talvez algo menos à complicação metafísica: "Creio em Cristiano Ronaldo". Amen.
 
É Portugal/Carnaval, ninguém leva a mal. Bom Natal.

Jean-François Six ― Jésus

Éditions Aimery – Somogy. (1974). In-8º de 245, [11] págs. Br.

Dado a público na colectânea «Livre de Vie (les meilleurs livres de vie chrétienne)», o estudo do teólogo francês compreende as secções «La situation», «Au-dela de son pays: Jésus pour tout le monde», «L’humanité et la tendresse de Dieu», «Le pain et le vin, l’amour et la mort», «La ville sacrée», «La présence et le présent», «Nuit, silence et paix», «Et puis après?» e «Aujourd’hui, vingt siècles après sa naissance».

Bom exemplar, sem defeitos de maior.
 
6€

Emilio Bossi ― Jesus Christo nunca existiu

Jesus Christo nunca existiu / (Edição completa) / Traducção de Augusto de Castro // 4.ª edição

Editor: João Carneiro, Livraria do Povo Silva & Carneiro – Travessa de S. Domingos, 60. Composto e impresso na Typographia A. M. Antunes – Calçada da Glória, 6 a 10 – Trav. do Fala-Só, 1 e 5. Lisboa. 1909. In-8º peq. de 78, [4] págs. Br.

Pretendido um “exame que é absolutamente estranho a qualquer conceito theologico ou anti-theologico” e que “não visa outro fim que, só por amor á verdade, demonstrar que Jesus Christo nunca existiu”, o livro inclui as grandes secções de capítulos: «Christo na Historia», «Christo na Biblia», «Christo na Mythologia» e «Formação Impessoal do Christianismo»; tendo a capa – no exemplar, já com pequenas falhas – decorada por uma ilustração, não alusiva, em estilo Arte-Nova. Publicada na colectânea «Bibliotheca Popular», esta tradução foi uma das poucas conhecidas e um dos primeiros trabalhos literários de Augusto de Castro.

8€

Arqueologia Literária (VI)

A casa fica a meia encosta. Por trás o mar bravo dos pinheiros, em frente os montes solitários: a tarde tinge-os de oiro e à noite o granito compacto esvai-se ao luar como um fantasma. Este cantinho rústico criei-o eu palmo a palmo. Tudo isto foi pedra e uma árvore contemporânea da fundação da monarquia. O carvalho centenário cobria todo o eido. Era enorme, era prodigioso. No tronco, que nem seis homens podiam abranger, tinham os bichos as luras, e a ramada imensa era a moradia de todas as aves. Seu hálito sentia-se ao longe. Logo que o vi fiquei apaixonado. - Vamos viver juntos, vou envelhecer ao pé de ti. - Nós não ouvimos as árvores, mas a sua alma comunica sempre connosco: sua força benigna toca-nos e penetra-nos... Quando voltei de Lisboa o caseiro tinha-o deitado abaixo. Ainda hoje faz parte da minha vida, ainda hoje sonho com ele.
Construí a casa, plantei as árvores, minei as águas. Absorvi-me. Uma pedra basta, basta-me um tronco carcomido... Este tipo esgalgado e seco, já ruço, que dorme nas eiras ou sonha acordado pelos caminhos, sou eu. Sou eu que gesticulo e falo alto sòzinho, envolto na nuvem que me envolve e impregna. Que força me guia e impele até à morte?... Este sonho, reconheço-o, não é só meu - é o de minha mãe realizado, é o dos outros mortos que me rodeiam. E o meu sonho? - pergunto - o meu sonho quem o realizará jamais?...
 
(Não nenhum filho, que Raul Brandão os não teve, nem por isso nenhum consequente descendente, cuja tarefa seria aliás árdua: não fez o homem outra coisa senão sonhar, só nos intervalos escrevendo. A casa era a do Alto, em Nespereira, Guimarães. E o texto - mais tarde publicado no segundo volume das Memórias, com alterações pontuais e de plano - inicia Sombras Humildes: Páginas de Memórias, e saiu no n.º1 da Seara Nova, em 1921) 

César de Frias ― Poesias Religiosas da Língua Portuguesa

Cem das melhores poesias religiosas da língua portuguesa: coligidas por César de Frias

Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1932. In-8º de 167, [1] págs. Br.

A recolha começa em Sá de Miranda e acaba nos poetas do início do séc.XX. Como em qualquer antologia, os critérios serão mais ou menos discutíveis, havendo aqui dois a notar: um deles, a ausência dos trovadores medievais (essa, o antologiador explica), o outro o aparente desequilíbrio que confere um peso, apesar de tudo, excessivo ao séc.XIX. É, ainda assim, uma recensão com interesse, e inspirou directamente José Régio para a que preparou com Alberto de Serpa, a apresentar já de seguida.

Exemplar em razoável estado geral, mas algo desvalorizado por manchas de humidade, de forma mais ou menos pronunciada ao longo do volume.

10€

Cancioneiro da Virgem: Compilação de Anthero Pacheco Moreira

Porto, Casa Editora de A. Figueirinhas, 1926. In-8º de 192 págs. Br.

Primeira edição de uma recolha de “algumas das melhores poesias que o estro portuguez compoz sob a inspiração da Virgem Maria (…) desde a quadra popular, simples, imperfeita, ingenua, por vezes sem rima, ao soneto impecavel de metrica e prodigioso de inspiração, de tudo, de tudo se encontra no presente volume, no qual vibra, luminosa e cantante, a alma de Portugal”.
Composições de Gil Vicente, Bocage, Garrett, João de Deus, Camilo, Júlio Dinis, Antero, Junqueiro, Pascoaes, etc.

Exemplar em muito bom estado, apenas com algum escurecimento das margens do papel.
 
12€

8 de Dezembro, dia de Florbela

Passam 120 anos sobre o nascimento de Florbela Espanca, que em 365 teve o mesmo dia para nascer e morrer; se disso soubesse em vida, mais supersticiosa ficaria.

[Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 ― Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930] 

Fernando Pessoa ― Rosea Cruz

Rosea Cruz (Textos em grande parte inéditos, coordenados e apresentados por Pedro Teixeira da Mota)

Edições Manuel Lencastre, 1989. In-8º de 268, [4] págs. Br.

Conjunto de textos (a maioria, inéditos, segundo afiançava o organizador na «Apresentação») do espólio em depósito na Biblioteca Nacional, recolhidos pela inspiração ocultista que faz este volume complementar os que Pedro Veiga publicara ainda durante a primeira metade do século na sua «Arte e Cultura». Como ilustração foram reproduzidos alguns manuscritos de Pessoa e gravuras antigas.

Exemplar por estrear, em condição irrepreensível.
 
25€

Fidelino de Figueiredo ― Mariana Alcoforado

Coimbra: Imprensa da Universidade, 1920. In-4º de 12 págs. Br.

Primeira edição independente, em separata de «O Instituto», com tiragem limitada a 50 exemplares; estando este relativamente bem conservado (dada a fraca qualidade do papel), mas com alguma acidez na capa.
 
8€ 

António José Saraiva ― Inquisição e Cristãos-Novos

Editorial Inova □ Porto. (1969). In-8º de 319, [9] págs. Br.

Publicado na colecção «Civilização Portuguesa» da Inova com o habitual arranjo gráfico de Armando Alves, o estudo de Saraiva, aqui em primeira edição, é com os de Herculano, António Baião e Raul Rego já um dos nossos mais considerados títulos sobre o tema.

Exemplar em bom estado, sem defeitos a destacar. 

20€ 

O Livro na Arte (IX)

Ao autor destas linhas (tem também o lume aceso, e põe agora mesmo mais uma acha na fogueira: 4º lá fora) sempre pareceu haver duas coisas que combinam particularmente bem com bons livros: o vinho tinto maduro e o fogo, lá está. Quanto à primeira combinação, já deve ter vindo nos genes paternais, e não haverá muito como a explicar a um abstémio ou a um iletrado. Quanto à segunda, dá pano para várias mangas. Desde logo, a de pensar na obsessão que os mais fanáticos dos não leitores - se lessem, passava-lhes depressa o fanatismo: remédio santo contra a guerra santa - sempre tiveram em queimar livros: é um clássico desde os inquisidores, com passagem pelos nazis, todos menos dados a ler do que apregoavam. Hipótese 1: quem não tem neurónios para queimar, e não escapa à pulsão pirómana do descendente de Neanderthal, opta pelos livros. Hipótese 2, nada incompatível mas de mais consequências: quem não lê, gosta de fazer arder os livros e mais quem os lê; quem não pensa, gosta de queimar quem pensa e o próprio pensamento (nota: ainda na chamada era digital, nada que simbolize o pensamento tão bem como um livro; não é só por não serem tão combustíveis, nem por serem consideravelmente mais caros, que ninguém queima e-books).

Alheia a todas estas e quaisquer outras considerações, a rapariga lê, e o fogão de sala, ao fundo, trabalha o tempo.
[Florence Fuller, que por 1900 pintou a óleo o quadro, chamou-lhe «Inseparáveis»]