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A corrente idealístico-gnóstica do pensamento português contemporâneo: Antero, Pascoaes, Pessoa

estratégias criativas (Impresso em Agosto de 2010 na gráfica Rainho & Neves, Portugal). In-8º de 134, [i], [I] págs. Br.

“O presente estudo contém, ampliada, a comunicação feita pelo autor, ao Seminário sobre a problemática da Criação – “De Creatione”. Ciência, Filosofia e Teologia no século XX, em Portugal –, organizada pela Secção Portuguesa da Associação Europeia para a Teologia Católica, no Porto, em Maio de 2009”.

Exemplar com dedicatória de oferta manuscrita pelo autor (Ângelo Alves) “À «Crítica» - Revista de Filosofia”, datada de 6 de Novembro de 2010.

12€

Joaquim de Carvalho — Reflexões sobre Teixeira de Pascoaes

Edições do Tâmega, 1991. (Acabou de se imprimir em Novembro de 1991 nas oficinas da Gráfica do Norte – Amarante). In-8º de 47, [I] págs. Br.

Conforme António José Queirós dava conta na sua nota final à edição, este importante texto foi a versão mais desenvolvida do discurso de homenagem ao poeta em Amarante em 1951 – versão originalmente publicada noutra homenagem, já póstuma, da Academia de Ciências de Lisboa, e depois recuperada nos Arquivos do Centro Cultural Português da Gulbenkian (1975) e, last but not the least, como introdução à 2.ª edição de Os Poetas Lusíadas, pela Assírio & Alvim (1987), enriquecidíssima pelo confronto (ora conjuntivo, ora disjuntivo) que Cesariny estabelece com as notas deste a quem alguém chamou “o maior historiador da cultura portuguesa” no séc.XX – e que assegurara o estudo preliminar do Epistolário Ibérico (Pascoaes e Unamuno), cuja edição original saíra em Angola da mão do seu filho, Joaquim Montezuma de Carvalho.

10€

Pascoaes — Embryões

Embryões (...) / Ilustrações de Joana Antunes // (Transcrição de Nuno Ribeiro a partir do fac-simile da edição original, publicado pelo Município de Amarante em 2015)

(Officina Noctua, Agosto 2025). (Impressão: Papelmunde). In-8º peq. de 98, [ii] págs. Br.

Edição de 300 exemplares, 30 dos quais numerados à parte. 
O prefácio ficou a cargo do nosso colega e amigo Francisco Brito, livreiro antiquário da Cólofon, de Guimarães, um dos poucos (e salvo erro o mais recente) que terão posto à venda um exemplar da raríssima edição original deste livro que, dado a ler a Junqueiro, mereceu deste a resposta “dize a teu filho que se deixe de versos”, o que levou o dito filho do Sr. Conselheiro – Pascoaes – a queimar os que lhe restavam. [Mais tarde, ao ler o terceiro/quarto, o Sempre, o poeta de Os Simples manifestou o desejo de conhecer a mãe do jovem poeta, para a abençoar. As voltas que a vida – e a musa... – dá...]

13€ [P.V.P.]

Pascoaes — O Bailado

Officina Noctua, 2024. 

Já cá aguardávamos há algum tempo esta edição especial, artisticamente ilustrada por Mário Peixoto, que vem também q.b. a propósito no ano em que se comemora o primeiro Manifesto do Surrealismo – deste livro que o seu grande divulgador e principal adepto, o nosso surrealista Cesariny, afirmava ser, 3 anos antes, “surrealista sem o surrealismo”. E por coincidência, ao chegar às oficinas gráficas onde ficou a preparar o nosso próprio livrinho de Natal, estava este a acabar de sair… O fantasioso português Pascoaes e o fantasista inglês Dickens, lado a lado; não parece mal.

Disponível, como de costume nas publicações desta galeria de arte e editora amarantina, em duas séries: uma comum, de 270 exemplares; e uma especial, dentro de estojo e acompanhada de uma serigrafia, numerada e assinada pelo artista, de apenas 30.

17€ / 45€

Pascoaes — Santa Teresa e Soror Mariana

Santa Teresa e Soror Mariana (Posfácio de Eduardo Brito / Tradução de Regina Guimarães)

Editora Exclamação (Agosto de 2023 / Impressão: Rainho & Neves / Grafismo: lina&nando). In-8º de 73, [I], [ii] págs. Br.

A edição baseia-se num manuscrito oferecido por Pascoaes em 1944 que deverá ter-se baseado – ou sido a base – no texto da conferência que sob o mesmo título proferiu, e de que há registo gravado da sua fabulosa leitura; manuscrito que se reproduz em fac-simile, seguindo-se-lhe a transcrição, as traduções de Regina Guimarães (cidade de Eduardo Brito, o já conhecido realizador de cinema irmão do nosso colega e amigo Francisco Brito) de alguns dos poemas da santa de Ávila e de passagens das cartas da não tão santa de Beja, e o referido posfácio.
O texto é basicamente um «remix» d’A Alma Ibérica – que estamos a preparar em edição independente (e logo duas, diferentes: uma em português e outra em castelhano), a que o amarantino misturou outras digressões. Parece coisa feita à pressa, bastante inferior a esse belo texto original de 1942 destinado a servir de prefácio ao Epistolário Ibérico. Ainda assim, a comprar e a guardar.

16€  

Pascoaes — Tierra Prohibida

Tierra Prohibida (traducida del portugués por Valentín de Pedro)

Calpe ● Los ● Poetas. (Este libro se acabó de imprimir en Madrid, por la «Tipográfica Europa», ela día trece de noviembre de MCMX). (Papel fabricado especialmente por «La Papelera Española»). In-8º peq. de 193, [I], [vi] págs. Br.

O tradutor: “Los líricos modernos suelen pecar de monocordes; Pascoaes abarca toda la lira, y va desde la elegía más breve y sutil, hasta el poema dantesco, como en su Regresso ao Paraiso. / No es un artista torturado por la forma. Por el contrario, se expresa con una divina simplicidad. (…) / En cierta ocasión le oímos expresarse de esta manera: — Yo no sé de literatura; sólo soy un poeta —.” 

12€

A Casa de Teixeira de Pascoaes (fotografias actuais de Sérgio Freitas)

Opera Omnia (Março de 2017). In-4º de 47, [VII] págs. Cart.

“A Casa de Pascoaes não deixa esquecer o Poeta. / Tão vetustas quanto robustas, as paredes do velho solar prometem resistir à efemeridade e perpetuar a memória de um dos maiores autores das letras lusas. / “Existir não é pensar: é ser lembrado”, escreveu Pascoaes, longe de imaginar que a sua casa, que elegeu como fortaleza e considerava o paraíso, seria, a par da sua obra literária, garante de uma existência perene”. [Não exageremos... A casa é  extraordinária, nem há que recear o adjectivo «mágica», mas é só a casa...]
Casa que Eugénio de Andrade defendia dever dar lugar a um «Museu Português da Poesia» / «Museu da Poesia Portuguesa», e até os que mais costumam torcer o nariz a essas coisas (como é o caso do nosso próprio órgão nasal) não conseguirão sequer discutir a justeza (para não dizer justiça) dessa ideia. Em vez disso, foi mais uma adaptada a turismo, aqui não “local” – embora mais local do que qualquer outra... – mas “rural”. Vá lá que a traça se manteve e as pessoas que lá estão a hospedar os turistas, incluindo os literários, são as mesmas que estavam e deveriam estar.

18€

Quem liam os modernistas? O «saudosista» Pascoaes

[Lidas há pouco as memórias lorquianas de Rafael Alberti, uma das mais recentes entre as múltiplas leituras a que um tradutor português de um gigante como Federico García Lorca se deve entregar - não tem a desculpa da dificuldade do idioma. A páginas tantas, conta das sessões que o grupo da «Resi» (a madrilena Residencia de los Estudiantes), incluindo ele próprio, Lorca, Aleixandre, Guillen, Salinas e outros membros da «Geração de 27», o ex-estudante Juan Ramón Jiménez, etc., fazia pelos serões poéticos. Liam: Gide, Valéry, Aragon, Eluard e... "Teixeira de Pascoaes", que aliás os viria a visitar in loco / in Lorca 1 ou 2 vezes, uma das quais correspondendo ao convite para lá pronunciar uma conferência (1923). 4 franceses e... Pascoaes. Nem este vosso amigo, adepto devoto e confesso do amarantino, faz às vezes perfeita ideia do prestígio naquela época do nosso génio Europa fora, Espanha em particular - quando nele se falava para o Nobel, em cuja short list viria mesmo a figurar. Depois, muito pouco depois, começou o investimento do Estado Novo na monomania pessoana, que após o tão ou mais centralista 25 de Abril ainda aumentaria, e juntando isso à estreiteza de vistas (salvo raríssimas excepções) da Academia e ao golpe-de-sorte brasileiro (via Adolfo Casais Monteiro e Cecília Meireles, principalmente), foi o que se sabe. 
Eis o pouco interesse dos «cânones», literários ou religiosos. Valem o que valem, e com frequência espalham-se ao comprido, sendo disso bom exemplo o descaso do «saudosismo» e «passadismo» que atribuem a Pascoaes, e que significa apenas ou que não sabem ler, ou que não perceberam nada.
Os modernistas portugueses liam Pascoaes (é aludindo a Pascoaes que Pessoa se anuncia como "Super-Camões", porque seria deselegante anunciar-se como Super-Pascoaes...). Pelos vistos, os modernistas espanhóis também. Um surrealista como Cesariny considerava-o mesmo "o mais importante poeta português". Mas a douta academia lusa decreta que Pascoaes é do passado, e a douta academia é que sabe.]

Pascoaes — Poesia I

Poesia I // Sempre · Terra Proibida / Belo · À Minha Alma · À Ventura / Embriões · Cantigas para o Fado e para as «Fogueiras» do São João · Profecia // Edição: José Rui Teixeira

Officium Lectionis edições. (2023). In-8º gr. de 276, [IV] págs. Br.

Primeiro volume publicado de uma projectada e ambiciosa série de cinco, estando o segundo já em preparação; retomando o fio à meada do poeta e de Jacinto do Prado Coelho nas duas séries das «Obras de Teixeira de Pascoaes» (a Assírio & Alvim segui-la-ia nos anos 80 num formato interessante mas algo diverso), só que acrescentando-lhe algumas peças menos conhecidas e nunca (ou quase nunca) entretanto reeditadas, como neste caso o embrionário Embriões (de que apenas saiu um fac-simile), Profecia (de par com Afonso Lopes Vieira) e as pueris cantigas que apenas talvez um em cada dez adeptos «Pascoaes» conheça.
Parece muito bem apanhada esta divisão em três, assumidamente despreocupada de cronologias, juntando as duas primeiras peças-fortes Sempre e Terra Proibida, depois os livrinhos preliminares, e depois as primícias, por ordem decrescente de importância. E recorde-se a este respeito o arco de 180 graus que a opinião do poeta mais velho Guerra Junqueiro percorreu, porque como é sabido só os burros não o fazem: após a publicação de Embriões, o parecer dado ao pai do estreante (o seu amigo Conselheiro Teixeira de Vasconcelos) foi “Dize a teu filho que se deixe de versos”; lido alguns anos mais tarde o Sempre, passou a “Dize a teu filho que breve vou a Amarante para o conhecer e abençoar a mãe” – o mesmo critério que serve para insultar os árbitros de futebol, mas ao contrário. E, já agora, a propósito do mesmo Sempre, a impressão de outro poeta, este o mais novo José Gomes Ferreira: “juro que, na minha vida de leitor, nunca senti maior choque, como naquela manhãzinha no parque de entrada para a aula do sétimo ano do Liceu de Gil Vicente, quando li, pela primeira vez, uma das edições do Sempre (Teixeira de Pascoaes emendava, emendava, emendava sem descanso), impresso com palavras fantasmáticas que me abriram as portas da manhã para outra visão do mundo e da Arte. / Mal acabei de lê-lo senti que nascia um deus novo não sei onde.”  
Fosse onde fosse, não será boa ideia perder isto.

21€ (PVP)

Boavida Portugal — Inquérito Literário

Inquérito Literário (I. Depoimentos dos senhores: Dr. Julio de Matos – H. Lopes de Mendonça – Teixeira de Pascoais – Dr. Augusto de Castro – Gomes Leal – João Grave – Gonçalves Viana – Dr. F. Adolfo Coelho – Dr. Veiga Simões – Julio Brandão – Visc. de Vila Moura – Malheiro Dias – etc. II. Réplicas de outros escritores. III. Comentários da imprensa.

Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1915. In-8º de 368 págs. Br.

Primeira edição em volume, impressa em bom papel de linho, dada a lume três anos depois da publicação faseada no «República» e acrescentada de depoimentos posteriores e de uma resenha dos comentários e críticas antretanto saídos na imprensa. Reproduz a espécie de prefácio «Sinfonia de Abertura», do próprio Boavida Portugal, em que se começava por ler que “Apesar de nos jornais não ser muito habitual tratarem-se largamente assuntos literários, com muita fé, muita tolerancia e muito trabalho, podemos agora dar ao publico este repasto intelectual, que imaginamos da sua utilidade. Não que esses assuntos não sejam simpaticos; mas porque os intelectuais são pessoas mais de apreciar quando precisam dos jornais do que quando estes precisam dêles.”
Celebrizado, de início, pelas várias polémicas a que deu azo – desde as já pouco mansas entre saudosistas e detractores como Júlio de Matos e Adolfo Coelho, até à ferocíssima que estalou entre Júlio Brandão e Pascoaes (à deselegância insultuosa e aparentemente gratuita do primeiro respondeu o segundo com uma violência que lhe nunca tinha sido vista); todas aqui apresentadas através da transcrição das muitas cartas enviadas aos jornais e por eles publicadas –, o «Inquérito» viria mais tarde a ser destacado pela longa (neste volume com 13 páginas) réplica, também a Adolfo Coelho, de Fernando Pessoa (à época, ainda um obscuro colaborador da «Águia»), em que faz a defesa da «Renascença Portuguesa» e, de passagem, da sua auto-centrada teoria/profecia do Super-Camões, considerando Camões como “verdadeiramente grande, mas longe de ser um Dante ou um Shakespeare”.
Exemplar de uma plausível série não declarada encadernada pelo editor em percalina com gravações a dourado e a seco, incluindo o símbolo da sua casa na pasta superior (um pequeno selo do conhecido encadernador A. David, Lisboa, não desmente mas põe dúvidas a esta hipótese); não conservando a capa da série em brochura. Carimbo da brasileira Livraria Académica, em Manaus, na folha de guarda. Na de anterrosto, o sinete de Henrique Perdigão, fundador da portuense Livraria Latina que viria a publicar precisamente de Pascoaes precisamente O Penitente que em breve reeditaremos.

40€

Jacinto Prado Coelho — A Poesia de Teixeira de Pascoaes (ensaio e antologia)

Coimbra, 1945. (Comp. e Imp. na Gráfica Santelmo – Lisboa para a Atlântida Livraria Editora, Lda. – Coimbra). In-8º de 206, [II] págs. Br.

É como sempre importantíssimo, e neste caso extensíssimo - cerca de nove dezenas de páginas, quase metade do volume - o estudo de Prado Coelho acerca deste seu poeta de estimação, inequívoca prova de bom gosto; e se contarmos com o texto final «Nota sôbre o movimento saüdosista», é mesmo de metade que se trata.

Exemplar com a capa já um quanto manchada de acidez.  

22€     

Teixeira de Pascoaes ― Hieronymus, der Dichter der Freundschaft

Rhein Verlag - Zürich und Leipzig. (Printed in Holland 1942). (Aus dem Portugiesischen übertragen von Albert Vigoleis Thelen / Titel des Originals: São Jerónimo e a Trovoada). In-8º de 381, [V] págs. Enc.

Esta edição da mão do grande divulgador de Pascoaes no mundo germanístico, Thelen, inclui um glossário explicativo de termos, topónimos, personagens da literatura e da história portuguesa aludidas na prosa, etc.; e um texto final do próprio tradutor que ganharia em ser repescado para as futuras edições portuguesas, coisa que até hoje, salvo lapso de memória, não foi ainda. Ambos redigidos em 1941 na companhia e com o auxílio do próprio poeta no Solar de Gatão, onde como se sabe viveu refugiado o amigo e tradutor durante quase toda a segunda Grande Guerra. Mais tarde, em várias cartas de 1942, escritas durante períodos pontuais em que não coincidiam em Amarante, Thelen referia a Pascoaes as dificuldades de promover o livro no meio editorial alemão por receios dos editores relacionados com a (na cabeça deles) possível entrada de Portugal na guerra pelo lado aliado. Apesar disso, lá acabou por o conseguiu editar.

Encadernação original em percalina gravada a dourado.

30€

Teixeira de Pascoaes ― São Jerónimo e a trovoada

1936 / Livraria Lello & Irmão, Editores. In-8º de 305, [3] págs. Br.

[São Jerónimo era, é, um dos santos mais invocados durante as trovoadas pelas mulheres do povo, que bem já podiam ir pensando mudar de patrono, e trocar este biografado pelo biógrafo – por um lado, tratava, como se sabe, a tempestade por tu, com «directas» mais ou menos mediúnicas, em noites de temporal, na clarabóia mandada para o efeito construir no piso elevado do Solar de Gatão; por outro, devido a um qualquer também altamente mediúnico fenómeno, deitaria “fogo da cabeça”, frase ouvida várias vezes a vários espantados camponeses dos lugares vizinhos que com ele se cruzavam ao alvorecer; por outro ainda, trocando o paranormal pelo metafórico, é bem capaz de se tratar do maior clarão de génio que jamais brilhou sobre a terra portuguesa. De outro – clarão – , diziam até meados do séc.XX muitas mães portuenses aos filhos: “Come a sopa, senão vem aí o Camilo”. Mas não estamos a ver beatas senhoras benzendo-se, ao ribombar do trovão, no Marão ou alhures, “Valha-nos Pascoaes”.]

Edição original, dedicada ao amigo Unamuno, com a capa ilustrada por Alberto de Sousa.

Bom exemplar, sem nada a apontar. 
 
40€   

Teixeira de Pascoaes — António Carneiro

Câmara Municipal de Amarante / 1980 (composição, impressão e acabamento / Rocha / artes gráficas, Vila Nova de Gaia). In-8º gr. esguio de 25, [3] págs. Br.
 
Composto em 1950, duas décadas após a morte do artista em 1930 (ano que levara ainda a Pascoaes outro grande amigo poucos meses depois: Raul Brandão), o texto só aqui foi reeditado, numa série «Subsídios para a História da Cultura em Amarante» a cujo nome dificilmente se poderia adequar melhor – Pascoaes, que nesta memória várias vezes alude a várias trindades, forma justamente com António Carneiro e o cometa Amadeo a Santíssima Trindade de uma pequena terra que ainda se pode ufanar de celebridades como António Cândido e Agustina Bessa-Luís, só por exemplo. A evocação do pintor pelo poeta é interessantíssima, naquela toada ligeira, associativa e humorística muito típica desses anos finais, e inclui notas biográficas sobre ambos dos tempos de Amarante aos do Porto, episódios curiosos variados e até uma velada mas eloquente alusão ao abandono da direcção d’A Águia onde coincidiu e estreitou relações com o amigo, um na parte literária e o outro na artística.
Tiragem declarada de 1000 exemplares, este em bom estado no miolo mas com a capa já um pouco marcada e manchada.

10€ (reservado)

Olhando para trás vejo Pascoaes

Livraria Portugal, Lisboa. (1971). In-8º de 184, [8] págs. Br.
 
Edição original, já relativamente rara, de um livro que serve de complemento ao Livro de Memórias e a O Advogado e o Poeta que o irmão chegou a deixar (este último, aliás, seria publicado depois – em 1978). Dizia no preâmbulo Maria da Glória, senhora já de avançada idade ao compor estas linhas, usando o mesmo registo ligeiro e engraçado com que as redigiu, “os poetas de hoje não gostam dos versos antigos, tal como eu, que não gosto de todos os versos modernos. Gosto muito, mesmo muito, do Miguel Torga. Sinto-o, compreendo-o. E ainda de outros, como Sofia Andressen [sic], Eugénio de Andrade, Domingos Monteiro, Homem de Mello e Lambert da Fonseca, e poucos mais conheço. / Há um poeta moderníssimo, e porque nos obriga a fazer a pontuação eu me neguei a lê-lo por três vezes e por fim acabei por gostar imenso dele. É o Éluard. Aconteceu-me isso mesmo com a Peste de Camus. Com mais dois passos, vejo-me metida no modernismo, aos 86 anos!” 
Várias folhas ilustradas extratexto sobre papel couché, na da anteportada o busto de Pascoaes esculpido por António Duarte.

Exemplar valorizado por expressiva dedicatória de oferta manuscrita pela própria autora, datada de 25-7-71 (o volume apresenta nota de impressão indicando o mês anterior), Lisboa.


35€

Cortesia do professor Leonardo Coimbra...

E juro que, na minha vida de leitor, nunca senti maior choque, como naquela manhãzinha no parque de entrada para a aula do sétimo ano do Liceu de Gil Vicente, quando li, pela primeira vez, uma das edições do Sempre (Teixeira de Pascoaes emendava, emendava, emendava sem descanso), impresso com palavras fantasmáticas que me abriram as portas da manhã para outra visão do mundo e da Arte.
Mal acabei de lê-lo senti que nascia um deus novo não sei onde.

Foi "bom", foi.

"Cá vim encontrar o Raul Brandão morto, com a esposa desolada, a beijá-lo e a afagar-lhe uns restos de cabelos brancos que lhe fugiam do alto da testa mais ampla e cor de cera. Parecia dormir, emagrecido, o nariz mais saliente e fino, a boca desaparecida quase, como o bigode e as sobrancelhas dando-lhe ao rosto o aspecto duma verdadeira máscara de cera ou de marfim: a máscara ascética dum Santo.
Numa salinha contígua, um cunhado, três sobrinhos e duas sobrinhas (uma delas cho...rava constantemente) e o Mário Beirão. Lá fora, a rua deserta, num deserto que abrangia toda a cidade.
Demorei-me, com a Miquelina, até às 8 horas da manhã. Descansámos até à uma hora e voltámos para junto do querido morto que foi o melhor amigo que tive em Portugal e um dos maiores intérpretes da Dor humana.
Às três horas, saiu o enterro, com meia dúzia de pessoas, debaixo duma chuva constante. No cemitério, um cavalheiro de exótica figura, pede a palavra para dizer só três palavras: foi um bom!
E aqui tens o elogio fúnebre do maior escritor de Portugal!"

A 5 de Dezembro de 1930 morria Raul Brandão. O outro grande gigante da prosa portuguesa escrevia no dia seguinte esta carta à irmã Maria da Glória, que a reproduziu em Olhando para Trás Vejo Pascoaes.

Scriptorium (X)

Só escrevo, às horas mortas, quando o grande silêncio nasce do último ruído que se extingue...
O silêncio é o Verbo divino, o sopro de Deus que desperta o nosso espírito -, e beija-nos também na face.

Teixeira de Pascoaes ― Senhora da Noite

Porto: Magalhães & Moniz, L.da – Editores. 1909. In-8º de 54, [2] págs. Br.

Edição original, já consideravelmente rara.

Bom exemplar, sem defeitos significativos.

35€

Teixeira de Pascoaes ― Regresso ao Paraiso

Edição de A Renascença Portuguesa / Pôrto-1912. In-8º de [4], 218, [2] págs. Br.

Primeira edição de um dos mais procurados – e por isso relativamente raro – livros do poeta, o décimo da sua bibliografia.

Exemplar com alguma fragilidade exterior e esparsos vestígios de acidez ao longo do volume. Deverá ter pertencido a Augusto Cortês, de quem parece ter a assinatura no rosto.
 
60€ (reservado)