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Maria Gabriela Llansol — Depois de Os Pregos na Erva

Depois de Os Pregos na Erva / (E Que Não Escrevia / Um Texto Decadadente / O Estorvo)

(Edição da Autora. Acabou de imprimir-se [sic] em 10 de Agosto de 1973 na Tipografia Nunes, Lda. Porto). In-8º gr. de 244, [8] págs. Br.

Segundo título da escritora, que começava já a marcar a transição de uma prosa ainda relativamente «linear» (a de Os Pregos na Erva) para aquela espécie de meta-linguagem/território único que a viria a distinguir; mesmo o «caderno» final, O Estorvo, é um conjunto de textos curtos a que já dificilmente se poderá chamar «contos».

Exemplar com ligeiro desgaste exterior, impecável no miolo.

24€

Maria Gabriela Llansol — Geografia de Rebeldes (3 vols.)

Colecção completa da trilogia nas edições originais, agregando:

- O Livro das Comunidades
Afrontamento / Porto (1977). In-8º de 87, [5] págs. Br.

- A Restante Vida
Edições Afrontamento, 1982. In-8º de 103, [9] págs. Br. 

- Na Casa de Julho e Agosto
Edições Afrontamento, 1984. In-8º de 141, [3] págs. Br.

Com capas de João Botelho, estes três volumes seguiram-se a Depois de os Pregos na Erva, já publicado nesta mesma colecção da Afrontamento; e vale a pena sublinhar os encómios ao primeiro que o segundo e o terceiro apresentavam na badana: de Isabel da Nóbrega ("cada pessoa que o lê seja mesmo arrebatada para 'Outro Lugar'. Não apócrifo. Juro, passam-se coisas. Fenómenos. Nunca, como aqui, o eu, o tu, o ele, o dentro, o fora, se confundiram, se confundem"), Eduardo Lourenço ("nesta obra para que não é fácil encontrar antecedentes nem parentesco, entre nós. Que Cultura corresponde a um tal Texto não é fácil dizê-lo. Ou melhor: é impossível"), João Gaspar Simões ("ordem de valores secretamente lógicos, absurdos verosímeis"), Jorge Listopad ("fascinante, a leitura") e Jacinto do Prado Coelho ("obra de espanto e alheamento, poesia do humano e do divino, entre o sono, o sonho e a vigília"). Não admira: foi já a partir de O Livro das Comunidades que a escritora encontrou esse inclassificável «tom» para o qual, ainda mais amplamente do que pretendia Lourenço, é impossível encontrar parentesco seja onde for.

Todos os exemplares por estrear, embora o do primeiro volume, mais antigo, com pequenos defeitos exteriores de armazenamento.  

40€

Maria Gabriela Llansol — Hölder, de Hölderlin

Hölder, de Hölderlin (ilustração fotográfica Loy Rolim)

colares editora. [S/d - 1985?]. In-8º esguio de págs. inums. Br.

Graciosa edição em pequeno formato, impressa sobre papel avergoado e enriquecida pelas bem conseguidas ilustrações a que o complemento de título alude. Se não falha a memória, este texto seria reaproveitado e integrado num título posterior.

Exemplares por estrear e completos, conservando o envelope (a colecção chamava-se «Livro Carta»), o marcador e o revestimento plástico de invólucro.

10€

Maria Gabriela Llansol — um beijo dado mais tarde

Edições Rolim. 1991. In-4º de 117, [3] págs. Br.

Segunda edição do livro vencedor do Grande Prémio APE em 1990, com capa de João Pedro Cochofel e reproduzindo nas abas apontamentos críticos inevitavelmente deslumbrados de Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão, António Guerreiro, Fernando Dacosta, Helena Buescu e Fernanda Abreu.

(A págs. 48, a escritora descrevendo o seu «processo» originalíssimo de encadeamento de imagens:)
"Numa história, há (ou não há) um momento de desvendamento a que se chama sublime. Normalmente breve. Como penso que um leitor treinado já conhece todos os enredos, quase só esse momento interessa à escrita.
Esse momento, tornado longa sequência sustentadora da vibração explícita, é o nome de escrita. É a face escondida - mas que me importa desvendar - das técnicas narrativas já tradicionais" 

12€

Maria Gabriela Llansol (& Julião Sarmento) — O raio sobre o lápis

Livro de Artistas (Comissariado para a Europália 91  Portugal). (Capa, layout e supervisão gráfica de Paulo da Costa Domingos / Desenhos a grafite e têmpera sobre papel, 1990 / Composição, impressão e acabamento de Eurolitho-Impressores Gráficos, Ld.ª).  In-4º de 45, [2], [i] págs. Br.

Parece bastante provável ter sido este o álbum mais interessante da colecção, com a escrita sempre surpreendente - sempre fulgor, para usar um termo que lhe era caro - da mais inclassificável escritora portuguesa.

Exemplar com uma pequena marca de acidez no corte lateral e ligeiros vestígios de manuseio no pé das folhas finais. 

20€ (reservado)

Scriptorium (V)

Se eu ficasse aqui, indefinidamente a escrever,
transformar-me-ia num tecido puído; desfeita quando
alguém, ou alguma coisa, me tocasse, deixando apenas
poeira com o brilho das palavras e dos seres
 
Jodoigne, 31 de Dezembro de 1976 - in Finita (Diário 2)
 
Maria Gabriela Llansol