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Pinheiro Chagas — História da Revolução da Communa de Paris

História da Revolução da Communa de Paris, por M. Pinheiro Chagas / edição illustrada com os retratos de Rossel, Cluseret, Délescluze, Flourens, Raoul Rigault e Rochefort
Editor: José Augusto Vieira Paré – Lisboa. In-8º de 304 págs.

Encadernado em conjunto com: 

Processo dos Membros da Communa de Paris / edição illustrada com os retratos de Ferré, Assi, Urbain, Billioray, Jourde, Courbet, Trinquet, Champy, Régère, Lullier, Paschal Grousset, Verdure, Ferat, Clement, Rastoul, Descamps, Parent e Lisbonne  
Editor: José Augusto Vieira Paré – Lisboa. In-8º de 359, [i] págs.

Apenas o primeiro dos dois volumes foi redigido por Pinheiro Chagas, que, classificando-se como um liberal progressista, como que a meio termo entre os revoltosos e os reaccionários, faz amiúde a figura destes últimos – «reaccionário» é mesmo a palavra que ocorre quando vamos lendo a sua interessante (retoricamente, não ideologicamente) prosa. De resto, os rapazes e as raparigas da Iniciativa Liberal regalar-se-iam com algumas das ideias de Chagas: desde logo, a do “mérito” individual, defendendo o autor, talvez sem se rir, que já naquela altura era perfeitamente possível ao homem do povo chegar a qualquer função pública que quisesse, desde que se esforçasse um bocadinho...   
 
Encadernação da época, com a lombada em carneira gravada a dourado; nenhum dos volumes conservando a primitiva capa de publicação. 

40€

Daniel Defoe — A Vida e as Aventuras de Robinson Crusoe

A Vida e as Aventuras de Robinson Crusoe (traducção de Pinheiro Chagas / com 42 illustrações)

Livrarias Aillaud, Bertrand (Paris, Boulevard Montparnasse / Lisbonne, Rue Garrett). In-8º peq. de 358 págs. Enc.

Volume publicado na «Bibliotheca Rosa Illustrada» - a cor da encadernação em percalina; que apresenta algum desgaste, como por regra sucede, o mesmo se podendo dizer das notas de oxidação típicas do papel utilizado na impressão.
Relativamente invulgar.

20€

A «austeridade» segundo Manuel Pinheiro Chagas

Os caprichos da sorte, que dão a certos homens todos os prazeres e todas as prosperidades e condenam outros à miséria, revoltam forçosamente os corações generosos. Este contraste [...] do luxo e da pobreza, da abundância e da fome, este agrupamento confuso dentro dos muros das capitais, dos que se sentam à mesa dos banquetes opíparos e dos esfaimados que esperam à porta dos palácios o pão da caridade, estas aproximações do palácio sumptuoso e da casinha de paredes nuas sem ar e sem luz, este espectáculo do prazer e da angústia, dos requintes da civilização e dos crimes selvagens do desespero, desenrolando-se à noite debaixo do mesmo céu estrelado, à mesma luz da lua que beija com os seus raios indiferentes a vidraça resplandecente do salão de baile e os caixilhos da janela sem vidros por trás da qual se ouvem os gemidos, os soluços, as maldições dos desvalidos, esta constante antítese, que se apresenta aos olhos e ao espírito do pensador, principalmente nos grandes focos de população, impressiona por força os homens de coração e de inteligência
 
[Voilá; e já nem se pedia  aqui  inteligência. Na abertura da tão crítica e hoje rara «Historia da Revolução da Communa de Paris, por M. Pinheiro Chagas», agora acabada de manusear. Muito haveria a dizer sobre o livro e alguns episódios, até anedóticos, subsequentes à publicação. Ficam duas só notas: não estando datada, há-de ela ter sido no último quartel do séc.XIX, entre 1871 (Comuna) e 1895, ano da morte do escritor; que não era, propriamente, como o livro justifica, conhecido por posições esquerdistas...]