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José Saramago — Democracia e Universidade
José Saramago — Discursos de Estocolmo
Edição comemorativa do 20º «aniversário» do único Prémio Nobel português, para o qual tinha já Pascoaes estado na short list nos anos 40 e outros nomes depois mais ou menos aventados: Aquilino, Ferreira de Castro e Torga, pelo menos. Reproduz o longo discurso pronunciado na Academia Sueca a 7 de Dezembro de 98 («De como a personagem foi mestre e o autor seu aprendiz») e o mais breve no banquete do Nobel, a 10; finalizando com uma pequena resenha biográfica de Saramago.
José Saramago ― Manual de pintura e caligrafia
editorial Caminho, "O Campo da Palavra" (1983). In-8º de 315, [V] págs. Br.
É bastante extenso - cerca de três dezenas de páginas - o texto do ensaísta acrescentado a esta segunda edição, começando por sublinhar o lugar cimeiro que já então atribuía a Saramago no contexto do "ressurgimento" da ficção portuguesa pós-25 de Abril e assinalando que "Um dos rasgos mais originais deste romance (...) está precisamente em mostrar, ao nível banal do quotidiano, o potencial de futurível que nele vive como lume de transformação".
Exemplar bem cuidado, salvo o ligeiríssimo desgaste da capa e uma discreta nota de compra da mão do antigo proprietário, conhecido médico portuense, bibliófilo e ele mesmo premiado (embora fugaz) escritor.
20€
Isabel da Nóbrega ― Solo para Gravador (contos)
Edição original do quarto título da segunda mulher de José Saramago – que, ao contrário do que muitas vezes se lê e ouve, ainda escreveu uns quantos; e que precisamente “Para o José” consagrava no pórtico de dedicatória.
15€
Jules Moch ― U.R.S.S.
Primeira edição portuguesa, sobre a original francesa, em tradução de José Saramago; com uma nota prévia dos editores – fora as ressalvas ideológicas ao objecto, destacando este estudo como “um impressionante relatório escrito por um observador cuidadoso, atento e cheio de reservas e que, ainda quando critica ou ataca, reconhece a grandeza das realizações materiais e o seu inegável significado” – a acompanhar a nota preliminar e o prefácio do próprio autor. Dos mais interessantes, simultaneamente impressionista e abrangente, documentos para a história da antiga União, compõe-se o livro das partições «O Espírito», «A Matéria» e «O Futuro», além de alguns anexos finais («Preços de retalho na U. R. S. S. e em França»; «Superfície das terras colectivizadas nos Estados comunistas da Europa», etc.).
José Saramago — Memorial do Convento (5.ª ed.)
“O seu Memorial do Convento é um dos romances do nosso tempo que mais me emocionaram e mais me engrandeceram como ser humano”, terá dito Umberto Eco, autor do não assim tão afastado O Nome da Rosa, a Saramago – que com ele viu sublinhada e reforçada a consagração já começada após Levantado do Chão, e nele tem até hoje o seu título mais célebre.
10€
José Saramago — O Ano da Morte de Ricardo Reis
Primeira edição daquele que muita gente considera o opus magnum de Saramago, mosaico da Lisboa dos anos inaugurais do Estado Novo com o início da guerra civil espanhola como pano de fundo – após a morte de Fernando Pessoa, em Novembro de 1935, o romancista põe o seu heterónimo das Odes a regressar desde o Brasil a Portugal, num exercício (duplamente) ficcional extraordinário.
José Saramago — A Bagagem do Viajante
Caminho, o Campo da Palavra. (1986). In-8º de 241, [3] págs. Br.
Segunda edição do livro originalmente dado a lume em 1973 pela Futura, que foi o quarto do escritor; junto com o terceiro, Deste Mundo e do Outro, um dos dois únicos volumes de crónicas que publicou.
José Saramago — A Jangada de Pedra
Primeira edição de um dos mais celebrados e mesmo internacionalmente aclamados livros do autor.
José Saramago — História do Cerco de Lisboa
Edição original de um dos principais romances do autor – amiúde considerado, com Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis, como lhe devendo integrar o pódio.
28€
José Saramago — Todos os Nomes
Foi a edição original do romance, último título publicado por Saramago antes de receber em 1998 o Nobel.
José Saramago — Levantado do Chão
editorial Caminho / Colecção «O Campo da Palavra». (1982). In-8º de 366, [2] págs. Br.
Segue a segunda edição pouco precedente, de que aproveita a capa e a mancha gráfica.
O Nobel de Saramago na imprensa internacional
A 9 de Outubro de 1998, conhecido o premiado com o Nobel da Literatura, começou uma longa sequência de notícias e reportagens acerca de José «Saramágico» na Europa Ocidental e na América Latina. Durariam semanas, e na Península Ibérica meses. As linhas de força das reacções à atribuição do prémio foram duas: a de finalmente ser reconhecida a língua portuguesa, senhora de uma literatura muito respeitável desde o Cancioneiro medieval luso-galaico, passando por Camões, depois Garrett e desembocando no «século de ouro» XX com Pessoa em destaque (perdoai-lhes, que não sabem mais...); e a de o Nobel voltar a contemplar a literatura-a-sério, depois de algumas derivas bastante discutíveis (ainda não tinham visto nada...).Em Espanha, logo nesse dia seguinte o escritor português - já então a viver em Lanzarote, após a polémica com O Evangelho Segundo Jesus Cristo e o governo português de Cavaco e do secretário de Estado Sousa Lara a tomar-se das dores da ortodoxia católica - faz capa em grande parte da imprensa de referência, que apresenta quantidade considerável de peças assinadas por outros escritores, espanhóis, como Manuel Rivas, Enrique Vila-Matas, Arturo Perez-Reverte, Manuel Vasquez Montalban, etc. Aqui fica o início da de Juan Manuel de Prada no «ABC»:
Foi premiado um homem na plenitude dos seus recursos, entregue a uma obra que em cada título incorpora novos motivos de deslumbramento. Em 1985, quando foi publicado «O Ano da Morte de Ricardo Reis», Saramago era para nós um escritor quase secreto, mas desde aí a sua envergadura literária e moral continuou a crescer, com um vigor impetuoso, dono de uma coerência interna que distingue os mestres."
8 de Outubro de 1998
Faz hoje vinte anos que uma sua futura leitora muito ilustre celebrava o 16º aniversário e José Saramago era como nós todos informado de que a Academia Sueca lhe atribuíra o Nobel da Literatura. Foi a primeira - e, até hoje, única - vez que um escritor de língua portuguesa saiu premiado com o título. Pascoaes, Ferreira de Castro, Aquilino e Torga, portugueses, Guimarães Rosa e Jorge Amado, brasileiros, tinham sido entre muitos outros aventados em vão. Lobo Antunes auto-aventa-se todos os anos dizendo que não quer, mas não parece que venha a ter melhor sorte, coitado. O autor de «Todos os Nomes», publicado precisamente antes do prémio, foi o único nome a merecer a honra.Podemos desdenhar dos prémios literários em geral e do Nobel em particular, podemos distanciar-nos de algumas posições políticas de Saramago (e desde logo do seu credo comunista), podemos achar pouca graça a uma certa rigidez da personagem, podemos tudo. Mas repare-se num homem que é criado por avós camponeses ribatejanos analfabetos e por pais ainda iletrados, faz a sua aprendizagem com dificuldades económicas nas escolas públicas e as suas leituras nas bibliotecas públicas, descobre a literatura, torna-se tradutor e editor, primeiro, depois jornalista e escritor, escreve romance após romance após romance e ganha assim, vindo do nada, feito do nada, pela primeira vez o Nobel. É razão suficiente para lhe dedicarmos este mês de Outubro, em exclusivo.
