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Fernando Namora ― Deuses e Demónios da Medicina

Livros do Brasil, Limitada Lisboa. In-8º de 316, [2] págs. Br.

Edição original de um dos mais célebres livros deste escritor-médico, com capítulos dedicados aos seus colegas antepassados Hipócrates, Galeno, Avicena, Paracelso, Vesálio, Ambroise Paré, Harvey, Sydenham, John Hunter, Mesmer, Jenner, Laennec, Claude Bernard, Virchow, Lister, Koch, Pavlov, Ramon y Cajal, Freud e Osvaldo Cruz: nem um compatriota para amostra. Justificando as escolhas, dizia o autor no prefácio ter descurado nomes de maior prestígio científico, deixando-se tentar “por certas figuras que, por tão inesperadas ou tão ricas de romanesco, sempre apetece biografar”.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita pelo próprio Namora a um jornalista e crítico literário português, ainda vivo, muito ligado precisamente ao neo-realismo.

35€

Fernando Namora — Retalhos da Vida de um Médico

Retalhos da Vida de um Médico (Capa e ilustrações de Manuel Ribeiro de Pavia)

Editorial «Inquérito» Limitada, Lisboa. (1949). In-8º de 217, [7] págs. Br.

Foi a edição original do título mais célebre do autor, uma série de contos – com mais ou menos ficção – retratando a sua experiência como médico de província na Beira Baixa e no Alentejo; adequadamente ilustrada pela mão desse também célebre artista alentejano, Pavia, nome de povoação em que Namora esteve aliás em actividade. «História de um parto», «A mulher afogada», «A prima Cláudia», «Reputação», «Um homem do norte», «Meia dúzia de histórias pitorescas», «Malandro», «Um conde na ilha fria», «Outra história de um parto», «A tuberculosa», «O canudo e a estátua». 

À parte pequenas manchas de acidez na capa, não apresenta defeitos significativos este exemplar – com o ex-libris de Mário Vinhas, precisamente um dos nossos principais ex-libristas e director da Ex-Libris, que se começaria a publicar dois anos depois.
 
35€

Dicionário Enciclopédico de Medicina

Dicionário Enciclopédico de Medicina / Baseado no Black's Medical Dictionary (...) / 2.ª Edição, completamente revista e ampliada por Artur do Céu Coutinho, Médico

Argo Editora, Lisboa. (Composto e impresso nas oficinas gráficas de Bertrand (irmãos), Lda). [S/d - pref. 1957]. 2 vols. in-4º de XII, [III], 2193, [IV] págs. nums. em conjunto. Enc. 

Edição bastante aumentada em relação à primitiva e igualmente ilustrada ao longo dos dois volumes; ambos encadernados pelo editor em pele com gravações a dourado e medalhões em relevo nas pastas.


50€

Armando Moreno ― História da Medicina Universal

Lisboa (1998 / Impressão: Printipo). In-4º de 237, [3] págs. Enc.

A panorâmica pela história da medicina, desde a Pré-História e depois a Antiguidade até aos nossos dias, com escalas na Idade Média (capítulos sobre a medicina judaica e a árabe) e no Renascimento, ocupa pouco mais de metade do volume; seguindo-se capítulos parcelares como «As grandes epidemias», «Ética médica: apenas uma discussão académica?», «Medicinas tradicionais, medicinas alternativas», «Filatelia médica mundial», etc.

Abundantemente ilustrado, o álbum foi encadernado em bom tecido sintético imitando pele, revestido de sobrecapa em papel também ilustrada.


20€

Pedro Hispano ― Liber de Conservanda Sanitate

Liber de Conservanda Sanitate /
Livro sobre a Conservação da Saúde / Compendio sulla Conservazione della Salute // a cura di Ugo Carcasse

Carlo Delfino Editore (Roma, 1997). In-4º gr. de 115, [V] págs. Cart.

Boa edição promovida sob patrocínio pelo clube Rotary International, cartonada e impressa sobre bom papel canelado, aproveitando a edição em latim e respectiva tradução portuguesa que a nossa principal classicista, Prof.ª Maria Helena da Rocha Pereira, preparara em 1973 para as “Acta Universitatis Conimbrigensis”, incluída nas «Obras Médicas de Pedro Hispano»; sendo a tradução para italiano assegurada por Giovanni Varsi (o texto latino é apresentado a página inteira nas pares e as duas traduções a meia página nas ímpares). Após dois rápidos textos preliminares, merece destaque a introdução de Carcassi, cheia de apontamentos de interesse sobre a vida e a obra daquele que foi o nosso quase único filósofo, único papa e (se não falha a memória) único cidadão a ter a honra de ser chamado por Dante para a Divina Commedia, ainda por cima num bom lugar do Paraíso…

Só para exemplo, transcreva-se o período introdutório deste livro, que já merecia edição independente em Portugal: “Considerando eu, Pedro Hispano, que os diversos padecimentos mórbidos se originam no corpo humano por negligência, encontrei e provei com razão verdadeira algumas observações úteis e experimentadas para conservar a saúde da vida humana, as quais se não encontram no seio da arte da Medicina. Uma vez que é melhor preservar a saúde do que lutar com a doença, deve tratarse [sic] da dita saúde”.


25€

Ricardo Jorge ― Sermões dum Leigo

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. [S/d - 1925?]. In-8º de [8], 327, [3] págs. Br. 

Edição primeira destas “emissões oratorias, soadas ao sabor vario dos tempos e dos auditorios, (…) umas por imposição de dever, outras por condescendencia indeclinavel”, a saber: «Sousa Martins», «João Semana», «O Medico Penitente», «A Guerra e o Pensamento Medico», «A Intercultura de Portugal e Espanha no Passado e no Futuro», «Maximiano de Lemos» e «A Proposito de Pasteur».
Exemplar do primeiro milhar impresso.

15€

Ricardo Jorge ― Demographia e Hygiene da cidade do Porto

Demographia e Hygiene da cidade do Porto ― I: Clima-População-Mortalidade (illustrado com quadros estatisticos, tabellares e graphicos, referentes ao Porto, Lisboa e Reino, e confrontos internacionaes / por / Ricardo Jorge (Medico municipal, lente de hygiene e medicina legal na Escola Medico-Cirurgica do Porto, socio correspondente da Academia Real das Sciencias, do Instituto de Coimbra, e da Sociedade das Sciencias Medicas.))

Editado pela Repartição de Saude e Hygiene da Camara do Porto, 1899. In-4º de 444, [4] págs. Cart.
 
 
Tomo inaugural de um projectado «Annuario do Serviço Municipal de Saude e Hygiene da Cidade do Porto» que, salvo erro, não teria continuação, foi este um dos primeiros livros do higienista e é hoje raro – e bastante desconhecido mesmo entre os coleccionadores de bibliografia portuense, à qual interessa e não pouco.

“Quando em fins de 1892 se installou a Repartição municipal de Saude e hygiene, um dos serviços que a ex.ma camara nos auctorisou logo a crear, foi o da estatistica demographica da cidade. Era litteralmente uma vergonha que uma grande cidade como o Porto não tivesse um registro seu do movimento da sua gente. (...) O Porto vive no esquecimento d’essas cifras; se a semana foi boa ou ruim no mercado dos generos ou nas operações bancarias, ha muito quem escrupulise em sabe-lo; mas se os cemiterios enguliram mais cadaveres, se a tisica ou a febre typhoide diminuem o rebanho, a quem se lhe dá isso?! (...) Tentou-nos, como preliminar, a historia populacional do Porto, as causas e a marcha do seu desenvolvimento, rastreadas principalmente atravez dos documentos archivados no cartorio municipal. E’ um ensaio de demogenia local e estatistica historica, e ao mesmo tempo um esboceto da evolução social d’esta cidade que a historia tam ingratamente tem despercebido, esta cidade do Porto tam digna de rememoração como «velha burgueza, mãe do Portugal, que ella criou, vestiu de ferro, e fez nação, robusta e destemida, entre os seus braços e sobre a amurada das suas naus (Camillo)”, assim apresentava o autor num longo prefácio este seu trabalho, que dizia pioneiro na estatística e no qual destacava “a construcção dumas taboas de vida, mortalidade e sobrevivencia, raro tentada lá fóra em grupo urbano, e pela primeira vez ensaiada para um grupo social portuguez”.

Antes do tratado propriamente dito, também a longa exposição inicial acerca da história da cidade merece atenção, apesar de padecer um tanto dos mesmos defeitos e insuficiências que R.J. criticava a outros – v.g. a confusão entre Cale e Gaia, porém desculpável numa altura em que ainda se começava a desfazer esse e outros equívocos sobre a origem do burgo que ainda hoje confundem tanta gente...

Compõe-se das secções «Meteorologia – Clima», «Demographia – População» (com os capítulos «Origens e Desenvolvimento», «Composição censuaria» e «Movimento da população») e «Mortalidade» («Mortalidade geral», «Mortalidade especial», «Taboas de mortalidade e sobrevivencia» e «Mortalidade local»); apresentando, no texto e em folhas destacadas, toda uma profusão de gráficos, mapas, quadros e tabelas com diversíssimos dados geográficos e higiénico-sanitários relativos, sobretudo, ao último quartel do séc.XIX.

50€

Glórias da Medicina Portuguesa

Tip. da «União Gráfica» / Rua de Santa Marta, 48, Lisboa // Desenhos de João Carlos. (1949). In-8º gr. de 379, [5] págs. Br.

Boa edição de autor, a original, valorizada pelas ilustrações em medalhão no início de cada capítulo com os retratos dos homenageados da pena de João Carlos/Celestino Gomes (ele mesmo, além de artista e escritor, médico), que seriam, em parte, aproveitadas na colecção de médicos escritores promovida pelo Instituto Pasteur de Lisboa. O estudo, ainda hoje importante, consagra capítulos a «Gil de Valadares (Frei Gil de Santarém)», «Pedro Julião (O Papa João XXI)» (Pedro Hispano), «Valesco de Taranta», «Garcia da Orta», «João Rodrigues de Castelo-Branco (Amato Lusitano)», «Rodrigo de Castro», «Zacuto Lusitano», «João Curvo Semedo», «Ribeiro Sanches», «Manuel Constâncio», «Francisco Sobral», «Sousa Martins», «Câmara Pestana», «José António Serrano» e «Miguel Bombarda». No prefácio, dizia Evaristo Franco querer mostrar «Aos Médicos Portugueses» colegas de ofício “a grandeza moral e científica desses imortais servidores da humanidade”, todos exemplo da “ânsia de atenuar sofrimentos ao verme expulso do paraíso”, demonstrando assim “aos clínicos mais novos, quando os espinhos da profissão lhes lacerarem as carnes, como sofreram os maiores vultos da nossa arte na luta contra a dor e contra o poder infinito da morte”.

Exemplar bem conservado, tendo mesmo todos os cadernos por abrir até cerca de meio do volume (o inaugurante só lhe tomou o gosto a partir de Ribeiro Sanches). Sem qualquer defeito de tomo, salvo uma ligeiríssima marca de esboroamento à face da capa.
 
35€