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José Gomes Ferreira — O Enigma da Árvore Enamorada

O Enigma da Árvore Enamorada: divertimento em forma de novela quase policial (1980)

Moraes editores (Composição: Gris Impressores, SARL). In-8º de 87, [iv], [I] págs. Br.

Além da principal peça que deu título ao volume, inclui depois «Diálogo de Cosme com o Diabo», um texto de 1923 que o escritor apresenta no intermezzo «Papéis Velhos»: “Não há escritor em que o tempo, sujo de pó e traças, não acumule nas gavetas, nos armários, nas malas e arcas, para confundir o futuro, papéis velhos do tamanho da indisciplina dos pesadelos de cada um”.

Primeira edição.

Exemplar quase impecável.

14€

Natália Correia — Antologia da Poesia do Período Barroco

Círculo de Poesia ——————— Moraes Editores, Lisboa / 1982. In-8º de 342, [II] págs. Br.

A introdução de Natália Correia espraia-se por mais de três dezenas de páginas, constituindo nas palavras da própria “uma proposta de reabilitação da nossa poesia barroca que terá de ser lograda por críticos que se especializem não em denegrir o Seiscentismo mas em compreendê-lo e estimá-lo”, estimando ela e recenseando aqui, entre outros, Tomás de Noronha, Violante do Céu, Francisco Manuel de Melo, Frei António das Chagas, Gregório de Matos, Soror Maria do Céu, Ribeiro da Costa.

20€

Maria Velho da Costa — Casas Pardas

Moraes editores, 1977. In-8º de 394, [6] págs. Br.

Primeira edição de um dos títulos principais da escritora, publicada na conhecida série «círculo de prosa» onde saíram também vários títulos em destaque na literatura portuguesa da época – de Saramago a Nuno Bragança, passando por Sophia e pelo primo Ruben A.

Exemplar ainda em razoável condição, mas um quanto desdourado por uma assinatura de propriedade manuscrita em Maputo, cuja caligrafia é difícil desvendar, logo ao ano da publicação.

17€

Urbano T. Rodrigues ― um novo olhar sobre o Neo-Realismo

Moraes editores (1981). In-8º gr. de

O volume recolhe os textos «O Real e o Imaginário em Esteiros de Soeiro Pereira Gomes», «Barranco de Cegos, a obra-prima de Alves Redol», «O Vento – Coro da Tragédia, Signo do Espanto e da Violência em Seara de Vento», «Três Textos sobre Carlos de Oliveira» («Micropaisagem», «Finisterra ou de como o realismo objectal pode tornar-se interveniente», «O desenho e a hipoteca – a esterilidade e o fogo»), «Análise da Obra de Fernando Namora a partir de Retalhos da Vida de um Médico e de O Trigo e o Joio» e «Manuel Tiago: Cinco Dias, Cinco Noites: Viagem e Aprendizagem». [De quase todos os livros aqui tratados dispomos das edições originais.]

12€

José Cardoso Pires — Cartilha do Marialva

Cartilha do Marialva ou das Negações Libertinas redigida a propósito de alguns provincianismos comuns e ilustrada com exemplos reais. Agora, em sexta edição, documentada com retratos de algumas personagens essenciais por João Abel Manta

Moraes Editores. (Composição e impressão: Tipografia Guerra, Viseu. 6.ª edição, Dezembro de 1976). In-8º de 207, [1] págs. Enc.

Bom exemplar, com ligeiro desgaste da capa mas aparentemente por estrear; selo da cooperativa livreira portuense Unicepe.

10€ (reservado)

José Cardoso Pires — O Delfim (romance / Sexta edição, revista)

Moraes editores (Outubro 1975). In-8º peq. de 362, [IV], [ii] págs. Br.

"Escrito em 1968, O Delfim é apontado pela crítica especializada na obra de José Cardoso Pires como a obra-chave da sua produção literária. Em linhas gerais, tem-se aí a história de um escritor-caçador que volta, depois de um ano, às terras da Gafeira. A propriedade (fictícia) pertencente a Tomás Manuel da Palma Bravo, o delfim, um marialva em declínio à moda de José Amaro, o coronel falido de Fogo Morto, do brasileiro José Lins do Rego, está sob suspense, devido à morte de sua esposa, Maria das Mercês; em seguida, se descobre que o criado, Domingos, também foi morto. E o delfim, desaparecido. Instala-se aí o mistério." [Pedro Fernandes]

10€

José Cardoso Pires — O Delfim (romance / segunda edição)

Moraes editores. In-8º peq. de 362, [II], [iv] págs. Enc.

Uma nota na anteportada indicava ser este o décimo milhar impresso do livro, de uma segunda edição publicada em Outubro depois da original num célebre Maio de 68.

Encadernação em percalina verde, revestida de sobrecapa ilustrada de papel, com arranjo gráfico de Sebastião Rodrigues, já ligeiramente distinta da primitiva (alterado o logo da editora). 

15€ 

Alçada Baptista — Conversas com Marcello Caetano

Moraes editores / Lisboa - 1973. In-8º de 274, [II] págs. Br.

Edição original e salvo erro única deste livro em que o autor reproduz uma série de entrevistas sobre política (em particular, a portuguesa de então) mantidas com o Presidente do Conselho - no dizer do romancista, "uma pessoa que muito respeito e admiro e para quem as divergências ideológicas que mantemos nunca foram obstáculo a uma relação e a um diálogo que muito prezo e muito desejo manter".

15€ 

Eduardo Prado Coelho — A Letra Litoral

A Letra Litoral (ensaios sobre a literatura e seu ensino)

Moraes editores (1979). In-8º gr. de 276, [4] págs. Br.

Colectânea de textos vários antes publicados na imprensa, conferências, prefácios e posfácios, recensões críticas e até uma entrevista; acerca de Pessoa, Casais Monteiro, Carlos de Oliveira, Mourão-Ferreira, Ramos Rosa, Pedro Tamen, Roland Barthes, Marguerite Duras, etc.

12€

José Cardoso Pires — O Burro-em-pé (ilustrações de Júlio Pomar)

Moraes editores (1979). In-8º gr. de 175, [I] págs. Br.

Primeira edição, na variante propriamente princeps, com capa de Sebastião Rodrigues a partir de trabalho também de Pomar. O livro integra «Os Reis-Mandados», «O Conto dos Chineses», «Nós, aqui por entre o fumo», «Dinossauro Excelentíssimo» e «Por cima de toda a folha»; sendo as ilustrações reproduzidas sobre folhas destacadas.

Exemplar de resto bem conservado, mas com ligeira descoloração marginal da capa e ainda mais ligeiro amarelecimento, também marginal, das folhas no miolo.

20€

Adolfo Casais Monteiro — A Poesia da «Presença»

A Poesia da «Presença» (estudo e antologia / nova edição)

Círculo de Poesia ―― Moraes Editores, Lisboa / 1972. In-8º de 364, [4] págs. Br.

O estudo introdutório de Casais Monteiro ocupa cerca de quatro dezenas de páginas e foi alinhado nas secções «História e situação da Presença», «Breve panorama da moderna poesia portuguesa» e «Plano e razão de ser desta antologia» - que por sua vez se divide em «António Nobre», «A geração do «Orpheu»», «Contemporâneos brasileiros» (Ribeiro Couto, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Vinicius de Morais) e «Contemporâneos portugueses» (trinta nomes seleccionados, na maioria presencistas mas também os «novos» do Novo Cancioneiro, neo-realistas em formação, que chegaram a publicar na revista).
A edição primitiva saíra no Brasil em 1959.

20€

Ana Hatherly ― 63 Tisanas (40-102)

Círculo de Poesia ———— Moraes Editores, Lisboa / 1973. In-8º de [VI], 40-102, [I] págs. Br.

Espécie de sequela de 39 Tisanas, publicado quatro anos antes.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita pela autora a um médico e escritor também portuense e também publicado (mas no Círculo de Prosa) pela Moraes, a ele e à "sua mulher, lembrando o prazer que tive em conhecer-vos"; integra ainda um folheto turístico de promoção à Quinta do Robalo, na Caparica, com o cartão de visita de Henry Hatherly.

25€ (reservado)


George Orwell — Mil Novecentos e Oitenta e Quatro

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (Prefácio de José Pacheco Pereira)

Moraes editores (1984). In-8º de 301, [III] págs. Br.

No seu relativamente longo prefácio, um já desencantado do marxismo Pacheco Pereira chamava a atenção para aquela que entendia (decerto com razão) ser a leitura correcta do contexto que inspirou esta «distopia» hoje já muito pouco distópica – o totalitarismo comunista, não o capitalismo, apesar do Big Brother que nos anos 90 pauperrimamente se basearia na coisa – e terminava apelando “Leiam pois o Mil Novecentos e Oitenta e Quatro por outras razões que não 1984, porque é muito possível que seja necessário lembrarem-se dele lá para o fim do milénio”. Aproveitando a data e a procura, várias tiragens se sucederam logo em Janeiro e Fevereiro e depois ao longo do ano.

10€

Emmanuel Mounier — introdução aos existencialismos

introdução aos existencialismos (Tradução de João Bénard da Costa)

O Tempo e o Modo / Livraria Morais Editora, Lisboa   1963. In-8º peq. de 238, [2] págs. Br.

Embora demasiado católica e portanto conservadora, é interessante esta digressão do fundador do personalismo cristão, constante das secções «O Tema do Despertar Filosófico», «A Concepção Dramática da Existência Humana», «O Tema da Conversão Pessoal», «O Tema do Compromisso», «O Tema do Outro», «A Vida Exposta», «Existência e Verdade» e «O Reino do Ser está entre nós». Saliente-se que foi neste livro que se publicou a conhecida ilustração, tão usada até hoje, «A Árvore Existencialista».
A edição original francesa é de 1947, sendo bastante competente esta tradução de Bénard da Costa, que valorizou este exemplar com uma dedicatória de oferta por ele próprio manuscrita e assinada.

17€ (reservado)

José Gomes Ferreira — Aventuras de João Sem Medo

Aventuras de João Sem Medo: Panfleto Mágico em Forma de Romance (13.ª edição)

Moraes editores (Composição: Gris Impressores SARL). In-8º de 171, [iv], [I] págs. Br.

Reproduz no final o longo posfácio da segunda edição em que o autor discorria mais sobre os tempos das primeiras versões (a dos anos 30 e a dos 60) do que propriamente as respectivas diferenças – depois dessa de 1963 na Portugália, o livro apenas seria reeditado após 1974, e a partir de então abundantemente.

Exemplar com o carimbo da madeirense Livraria Esperança, que já visitámos. 

8€

José Gomes Ferreira ― O Sabor das Trevas

O Sabor das Trevas (Romance-alegoria dos tempos amargos) / 2.ª edição

Moraes editores (1978). In-8º de 125, [3] págs. Br.

Edição publicada na série pouco rigorosamente chamada «obras completas».

Exemplar aparentemente por estrear, embora com algumas marcas do tempo.

10€


José Gomes Ferreira ― 5 Caprichos Teatrais

5 Caprichos Teatrais inspirados na Revolução Portuguesa de 1974 e escritos em 1977-78
Moraes (1978). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Conjunto de pequenas peças que em nota final o autor sugeria pudessem ser reunidas numa única encenação: «Manhã Morta», «O Subterrâneo», «O Patamar», «O Comício» e «Os Novos e os Velhos». Dedicatória inicial “À Memória de Manuela Porto cujo milagre de criar poesia diante do público ninguém até hoje conseguiu repetir com tanta pureza. À amiga que quando me encontrava sempre me pedia como quem ordena, súplice: - Zé Gomes: escreva-me uma peça” (contado com maior desenvoltura no «diário» Imitação dos Dias). O final da dedicatória lamentava uma Revolução que “por infelicidade dos Portugueses, já nasceu abortada” – excesso retórico marxista que se compreende pela data, 1978, e que talvez o próprio autor temperasse mais tarde.
 
10€ 

José Gomes Ferreira ― Poeta Militante: Viagem do Século Vinte em mim

Círculo de Poesia – Moraes Editores, Lisboa /1977. 3 vols. in-8º de XXII, 217, [3]; 283, [3]; e 316, [4] págs.

“Poeta militante é a viagem do século vinte em mim. Ou melhor: o testemunho poético – a princípio involuntário – da aventura da sombra de um anti-herói que perdido nos meandros dos caminhos exíguos do tempo, atravessou em bicos de pés os segundos, os minutos, as horas, as semanas, os anos de quase todo um século, mais preocupado com as coisas vulgares do quotidiano nos cafés, nas ruas, nas praias, nos campos, do que com os acontecimentos merecedores no futuro de longos tratados de estudo volumosos que me inspiraram muitas vezes apenas poema e meio.
De quando em quando, grito. Grito muito. Berro. Apaixono-me. Calo-me. (Que outro protesto poderia fazer senão com o silêncio, quando rebentou a primeira infame bomba atómica?) Amo. Odeio, torço pescoços de fantasmas. E sobretudo denuncio. E espanto-me. Do que afinal sempre espantou os poetas dos séculos de sempre. De haver injustiças e estrelas.  
Enfim, quando os homens pisaram a lua, dormi profundamente toda a noite como um anjo sem insónias.”

O primeiro volume, que tivera edição prévia no ano anterior, é apresentado por um longo prefácio de Mário Dionísio. O segundo e o terceiro são neste conjunto da tiragem especial, encadernada pelos editores em tela e impressa sobre melhor papel, limitada a 500 exemplares numerados e assinados pelo próprio José Gomes Ferreira; integrando o segundo em extra-texto a reprodução de um retrato a óleo do autor por Ofélia Marques e o terceiro a de um outro por Nikias  Skapinakis.

60€ (reservado)

Sofia de Melo Breiner ― Antologia (2.ª edição, aumentada)

Círculo de Poesia – Moraes Editores, Lisboa / 1970. In-8º de 243, [1] págs. Br.

Recolhe composições de Poesia, Dia do Mar, Coral, No Tempo Dividido, Mar Novo, O Cristo Cigano, Livro Sexto e Geografia, acrescentando o apêndice final Arte poética. A edição original saíra dois anos antes, na igualmente famosa colecção «Poetas de Hoje», da Portugália.
Exemplar usado e desvalorizado precisamente por algumas marcas de uso – sendo as principais um pequeno rasgão na capa, sobre a base do encaixe, e uma assinatura de propriedade.

15

Eça de Queirós — A Tragédia da Rua das Flores

Lisboa, Moraes-Editores, 1980. In-4º de 468, IV págs. Br.

Primeira edição do romance de Eça que mais tempo permaneceu inédito, com um amplo trabalho de fixação do texto a cargo de João Medina e de Campos Matos. João Medina assina também o longo prefácio – estende-se até à pág.41 – em que, para além da sinopse do livro, da sua «história» e da exegese crítica, se explicam precisamente as opções tomadas na reprodução do texto manuscrito.

Exemplar da série especial encadernada em tela e numerada (tendo-lhe cabido o nº405) pelo editor.
 
35€