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Cervantes — O Velho Ciumento

Publicações Dom Quixote / Setembro de 1965. (Este livro foi composto e impresso na Sociedade Industrial Gráfica, Lisboa, para Publicações Dom Quixote, Rua da Misericórdia, 117, 2.º, em Junho de 1965). (Versão livre de Tomás Ribas / Capa de Homero Amaro). In-8º esguio de 38, [2] págs. Br.

Esta edição de estreia da editora lisboeta da sueca Snu Abecasis, cervantina como não poderia deixar de ser, aproveitava a “versão livre” de Tomás Ribas para a encenação que apresentou em Arganil, na famosa Casa da Comarca, em Junho de 1951 – exactos 14 anos antes da impressão deste pequeno volume exactos 60 antes de o assinalar neste verbete.
No final da peça aparecia a seguinte nota de apresentação: "Se chegou até aqui, é porque tem o hábito de ler os bons livros de ponta a ponta. E ainda bem, porque «Publicações Dom Quixote» - que ao iniciar a sua carreira lhe oferece esta pequena obra de Cervantes - vai publicar muitas obras exemplares, daquelas que vale a pena ler da primeira à última linha. / Essas obras, contudo, não serão já para oferecer; esperamos que no-las comprem, pois se é verdade - como disse Thomas Fuller por volta de 1630 - que «o saber mais tem progredido através dos livros que mais prejuízo têm dado aos editores», não será menos verdade que só poderemos vir a prestar ao saber e à cultura portuguesa aqueles serviços que de nós se hão-de esperar se os nossos prejuízos  não forem grandes de mais". 

12€  

Lídia Jorge — A Costa dos Murmúrios

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1988. In-8º de 259, [1] págs. Br.

Edição original do mais conhecido romance da actual Conselheira de Estado, passado no estertor dos tempos coloniais em Moçambique que ela própria lá viveu, entretanto adaptado para cinema com o casal Beatriz Batarda (interpretação) e o já falecido Bernardo Sassetti (música); sendo o par da actriz o também já falecido Filipe Duarte.
Foi o primeiro livro da romancista na Dom Quixote, para onde foi levada pelo agora igualmente falecido editor Nélson de Matos.

15€

Miguel Angel Asturias — O Senhor Presidente

Romances exemplares n.º 9 / Publicações Dom Quixote. (Este livro foi composto e impresso na Sociedade Industrial Gráfica Telles da Silva, Lda. em Março de 1968). In-8º de 358, [VI] págs. Br.

O livro que consagrou aquele que viria a obter o Prémio Nobel da Literatura em 1967, nesta primeira edição portuguesa com tradução de Lopes de Azevedo e capa de Lima de Freitas.

10€

Alejo Carpentier — Literatura e Consciência Política na América Latina

publicações dom quixote. (Lisboa, 1971). In-8º de 144, [4] págs. Br.

Primeira edição portuguesa deste interessante conjunto de textos do escritor cubano, publicada na série «Cadernos de Literatura» dois anos após a original espanhola. O volume reúne «Problemática do actual romance latino-americano», «Do folclorismo musical», «Literatura e consciência política na América Latina», «Ser e estar», «Do real maravilhoso americano» e «Papel social do romancista», ensaios que tomam o contexto ibero-americano como simples mote para digressões bem mais largas sobre a literatura de todos os tempos e continentes - quer respigando escritores e livros, quer deixando notas mais teóricas sobre a natureza e função do romance enquanto género literário.
8€

Eduardo Lourenço — Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 211, [1], [IV] págs. Br.

Foi a segunda edição, publicada na colecção «Estudos Portugueses», de um livro originalmente dado a lume em 1968. Colige os ensaios «João José Cochofel ou a Poesia da Imanência», «Joaquim Namorado ou a Epopeia Impossível» e «Carlos de Oliveira e o Trágico Neo-Realista».

10€ 

José Cardoso Pires — Lisboa, Livro de Bordo

Lisboa, Livro de Bordo (vozes, olhares, memorações)

Lisboa Expo’98 / Publicações Dom Quixote. (1998). In-4º de 123, [III] págs. Enc.

Dispensará apresentações este que é o livro de Cardoso Pires preferido por muita gente, mesmo que não lisboeta, e nem sequer demasiado apreciadora do escritor – como monumento de amor à sua cidade é dos mais bem conseguidos que a literatura portuguesa conta.
Álbum encadernado em tela, impresso sobre folhas de papel couché, ilustradas por fotografias e trabalhos artísticos de artistas variados.
Esta, em Fevereiro de 1998, era já a sua quarta edição sendo a original de Outubro de 1997. (Alguns meses mais tarde, outro lisboeta de nome José seria consagrado com o Nobel da Literatura, e Lisboa também não ficou nisso a perder: O Ano da Morte de Ricardo Reis chegaria bem para o efeito)

20€

Fr. Sá-Carneiro — Poder Civil, Autoridade Democrática e Social-Democracia

Publicações Dom Quixote. Lisboa. 1975. In-8º de 182, [2]. Br.

Primeira edição, publicada pela Dom Quixote – ao tempo, dirigida por Snu Abecasis, sua mulher –, de um volume em que Sá-Carneiro reunia entrevistas por si concedidas, conferências de imprensa e documentos vários (da sua lavra e dos orgãos do partido, como os textos emitidos pelo Conselho Nacional após o seu regresso – que tanta celeuma viria a dar, provocando a cisão do grupo afecto a Mota Pinto), a que acrescentou uma longa introdução em que fazia a defesa do P.P.D. e da social-democracia contra o comunismo.

12€

Mário Soares — Democratização e Descolonização

Democratização e Descolonização: Dez Meses no Governo Provisório

Publicações Dom Quixote (1975). In-8º de 290, [II] págs. Br.

Para o bem e para o menos bem, um documento incontornável sobre o processo de descolonização que teria o seu remate com os acordos do Alvor, em Janeiro de 1975 - ano politicamente mais agitado da nossa República desde que foi mais ou menos suprimida em 1926. Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Provisório, e chamando para a sua equipa Victor Cunha Rego, Sá Machado e Bernardino Gomes, entre outros nomes secundários, foi este o dossier a que Mário Soares, por todas as razões, quis dar prioridade imediata.

Volume inaugural da colecção «participar».

10€  

Álvaro Cunhal — A Revolução Portuguesa

publicações dom quixote (1975). In-8º de 472, [IV] págs. Br.

Terceiro título dado a lume na colecção «Participar», após os de Soares e Sá-Carneiro, o volume recolhe textos de diversa ordem (principalmente artigos, discursos e entrevistas) do líder comunista, agrupados pelo organizador, Francisco Melo, em três partições: «A luta pela instauração de uma ordem democrática», «A revolução democrática e a revolução socialista» e «O reforço do Estado democrático e a defesa das liberdades. A defesa da estabilidade económica e financeira com vista ao desenvolvimento. O prosseguimento da descolonização». A abrir está um curto texto com notas biográficas «Alguns dados sobre Álvaro Cunhal».

12€

Maria de Lurdes Pintasilgo — As Minhas Respostas

As Minhas Respostas (em diálogo com: Eduardo Prado Coelho, Jaime Nogueira Pinto, João Carlos Espada)

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1995. In-8º gr. de 149, [3] págs. Br.

“Este livro não é propriamente uma entrevista, mas um diálogo (…) trata-se de pôr quatro pessoas de idades, formações e percursos muito diferentes, em situação de diálogo, esperando de cada uma delas a abertura e a generosidade suficientes para que, de um modo sereno e desdramatizado, se definam claramente as grandes áreas de concordância e os pontos de divergência”.
26.º título publicado na colecção «participar», este de facto com bastante foco na democracia participativa; colecção de que temos alguns dos primeiros, publicados ainda nos anos 70.

10€

Soljenitsin — Arquipélago de Gulag

Arquipélago de Gulag (Tradução directa do russo de: Francisco A. Ferreira, Maria M. Llistó, José A. Seabra)

Livraria Bertrand – Amadora. (1975). 2 vols. in-8º gr. de 509, [3] e  págs. Br.

Primeira edição portuguesa, sendo o segundo volume significativamente mais raro do que o primeiro – diz-se que por mão dos militantes do PCP, que o teriam adquirido em massa para que não circulasse normalmente no mercado, mas precisaríamos de saber se a tiragem foi ou não a mesma antes de arriscar conclusões. 

No conjunto dos volumes, é a única completa, uma vez que a mais recente, de acordo com as recensões que dela foram saindo, não reproduz integralmente o texto.

30€ (reservado)

Soljenitsin — agosto, 1914

agosto, 1914 (Traduzido directamente do russo por Francisco Augusto Ferreira e José Augusto Seabra)

Publicações Dom Quixote. (1973-1974). 2 vols. in-8º de 718, [2] págs. nums. em conjunto. Br.

“Agosto, 1914 é a narrativa minuciosamente documentada de uma epopeia, ou melhor, antiepopeia, o ataque do exército russo, em 1914, à Prussia Oriental, que termina com a sangrente derrota das tropas de Nicolau II, em Tannenberg, esmagadas pelas forças do chefe do Estado-Maior alemão Hindenburgo. // Soljenitsine reconstitui toda uma sociedade num momento em que ela se vê alterada por acontecimentos excepcionais. O autor «observa-a», assim, nesse momento privilegiado, desvenda-a nas suas estruturas e nas suas aparências, aproveitando uma altura em que a vida das pessoas se vê conturbada e em que os sentimentos e as paixões são exacerbados sob a acção de forças que substituem os pequenos ou grandes destinos individuais por um vasto destino colectivo que parece escapar ao contrôle dos homens. // Levantamento rigoroso de um momento exemplar da história russa, Agosto, 1914 é susceptível de outros níveis de leitura que não deixarão de se impor ao leitor atento. Esta, talvez, a razão por que incomoda uma obra que conta factos velhos de mais de cinquenta anos.” 

Primeira edição portuguesa, precisamente com os mesmos tradutores – o «Chico da CUF» e Seabra, que viria a ser pouco depois conduzido ao PPD pela mão do amante da editora, Sá Carneiro – da de «Arquipélago do Gulag».

14€ (reservado)

Marguerite Yourcenar — A Obra ao Negro

A Obra ao Negro (Tradução de António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1993. In-8º gr. de 275, [1] págs. Br.

Fôra na Inova a primitiva edição portuguesa deste romance que muitos preferem da escritora francesa, "a história de uma dissolução: a da ordem de valores que a Idade Média chegou a admitir como incontestáveis mas que, mercê de quase imperceptíveis alterações, acabaram por perder o seu sentido, abrindo-se à metamorfose".

10€

Pablo Neruda — Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

Publicações Dom Quixote (Este livro acabou de se imprimir em 5 de Setembro de 1974 nas oficinas de Guide - Artes Gráficas). In-8º de 111, [V] págs. Br.

Volume inaugural da colecção «poesia século XX», com tradução de Fernando Assis Pacheco e desenhos de Cipriano Dourado; aqui na quarta de muitas edições, primeira após o 25 de Abril.

Exemplar com algum desgaste exterior.

8€  

Raul Proença — Polémicas

Polémicas (Organização, Prefácio e Cronologia de Daniel Pires)

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1988. In-8º gr. de 995, [1] págs. Br.

Igualmente publicada na colecção Memória Portuguesa, esta monumental recolha de um milhar de páginas apresenta, antes e depois, uma «Apresentação», uma extensíssima «Cronologia da vida e da obra de Raul Proença» que é quase uma biografia (cerca de cem páginas) e uma também longa q.b. tábua bibliográfica final. Entre os interlocutores e opositores contam-se nomes como Ribera y Rovira, Alfrado Pimenta, Trindade Coelho, Alberto de Monsaraz, Jaime Brasil, António Ferro, Fidelino de Figueiredo, Júlio de Matos, Agostinho da Silva, Sant’Ana Dionísio, Ana de Castro Osório, etc. Há ainda textos de Pascoaes, Cortesão, Sérgio, David Ferreira e José Rodrigues Miguéis, intervenientes ao lado de Proença em polémicas «colectivas».

25€

António Sérgio — Correspondência para Raul Proença

Correspondência para Raul Proença (Organização e Introdução de José Carlos González/Com um Estudo de Fernando Piteira Santos)

Publicações Dom Quixote e Biblioteca Nacional. Lisboa. 1987. In-4º de 276, [2] págs. Br.

Publicada na série «Memória Portuguesa», a recolha integra a maior parte da correspondência de Sérgio no espólio de Raul Proença na BN – juntando-lhe no fim a longa carta de Londres a Pascoaes e várias a Cortesão, entre algumas outras – e é um documento do maior relevo para o estudo do teatro político na 1ª República. O prefácio de Piteira Santos tem como título «Um tema polémico na correspondência de António Sérgio e de Raul Proença: a Monarquia e a República».

17€

José Cardoso Pires — O Burro-em-Pé (Contos / 2ª edição)

Publicações Dom Quixote. (Impressão e acabamento: Gráfica Manuel Barbosa & Filhos, Lda. / Fevereiro de 1999). In-8º de 258, [ii] págs. Br.

Esta primeira reedição do livro teve a seguinte nota do editor Nélson de Matos: “Esta obra foi publicada originalmente pela Moraes Editores, em Dezembro de 1979, ilustrada com pinturas de Júlio Pomar e capa de Sebastião Rodrigues. / Esta edição não voltou a ser reeditada, com ou sem ilustrações. / Nela está incluído o texto Dinossauro Excelentíssimo que, apesar de existir em edição original isolada, sofreu para esta edição de 1979, da parte do Autor, revisões e anotações que o distinguem dessa versão original”. 

Exemplar por estrear, mas com um ligeiro vinco ao alto das primeiras folhas preliminares.

9€

Voznessenski ― Antimundos

publicações dom quixote (1970). In-8º de 77, [III] págs. Br.

Armando Silva Carvalho assinava um extenso prefácio a esta recolha de poemas, propositadamente feita pelo poeta russo para a colecção Cadernos de Poesia. Entre nós menos conhecido e mais surrealizante do que os seus compatriotas mais célebres, a verdade é que, segundo aqui aparece indicado, o autor «chamava» 14.000 pessoas a ouvi-lo num estádio; e teria, à época, 100.000 leitores a esgotarem rapidamente as suas primeiras tiragens nas livrarias.  

7€

Carlos de Oliveira ― O Aprendiz de Feiticeiro

Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1971. In-8º de 289, [5] págs. Br.

Primeira edição de um livro que, entre apontamentos literários e pequenas notas de recorte auto-biográfico (viagens; memórias; diário), resulta na melhor aproximação possível ao próprio trabalho do autor – o curto capítulo dedicado a «Micropaisagem», por exemplo, é, a esse título, bem elucidativo; e que, se não falha a memória, será talvez o mais interessante caderno de notas alguma vez publicado por um escritor português.

Com fotografias «hors-texte» de Augusto Cabrita e capa do pintor Lima de Freitas (que teve, como Carlos de Oliveira, uma passagem inicial mais ou menos demorada pelo neo-realismo).

18€

Frederick C. Hesse — Aquilino Ribeiro: Um Almocreve na Estrada de Santiago

Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1991. In-8º de 197, [III] págs. Br.

"Vulto sem dúvida maior da nossa literatura contemporânea, Aquilino Ribeiro tem vindo, após a sua morte, a ser esquecido pelo público e pela crítica. Em tal contexto, que nada justifica, a presente obra do ensaísta brasileiro (...) constitui um oportuno convite à redescoberta de um autor em cujos livros se espelham, com superior qualidade narrativa, alguns dos traços fundamentais da fisionomia portuguesa do século XX". O autor era à época professor em universidades americanas (a Militar e a de Nova Iorque, após uma passagem por Harvard). 

10€