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Arpad Szenes / Vieira da Silva - pintura

Câmara Municipal de Aveiro (Execução gráfica: Rainho & Neves, Lda., Santa Maria da Feira). In-4º gr. de 109, [III] + 100, [II] págs. Enc.

“Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher” ou vice-versa? Por trás de uma grande pintora há sempre um grande pintor ou vice-versa? Nem, nem. Só muito às vezes, e esta foi uma delas, a mais feliz – artisticamente falando – que em Portugal se viu, sem necessidade de pedir licença ao ainda contemporâneo casal Almada/Sara Afonso, por exemplo. 
Belíssimo álbum 2 em 1, de dupla face, uma para cada membro do casal; impresso em bom papel com várias reproduções em folha desdobrável; encadernado em tela com sobrecapa de papel.

60€

Vieira da Silva / por Jacques Lassaigne e Guy Weelen

Publicações Europa-América (1978). In-4º de 343, [i] págs. Br. 

Além da abundante reprodução de trabalhos da nossa maior pintora, sempre proveitosa, o que torna única esta edição (publicada em Barcelona pela editora Polígrafa, detentora dos direitos) é a igualmente abundante recolha fotográfica de – o mínimo que se pode dizer é que, por regra, são de fabulosas para cima.
A tradução dos textos ficou a cargo de Maria Teresa Tendeiro e o crítico de arte Rui Mário Gonçalves.

Encadernação editorial em tela com sobrecapa de papel ilustrada por um dos trabalhos de Maria Helena, que no exemplar padece de pequenos defeitos.  

35€

Vieira da Silva: Obra Gráfica 1933-1991

Vieira da Silva: Obra Gráfica 1933-1991 (Colecção Gérard A. Schreiner)

De 1 a 28 de Março/1993, Convento de São Francisco, Câmara Municipal de Tomar. (Fotografia: CML – Gabinete de Comunicação Social – Lisboa / José Barbosa. Fotolito, impressão  e acabamentos: SIG – Sociedade Industrial Gráfica, Lda. / Camarate). In-4º de 110, [III], [iii] págs. Enc. 

“Maria Helena Vieira da Silva preferia o buril entre as técnicas de gravura que praticou ou foi instada a praticar. Não por desinência técnica mas por estética. Para a autora a gravura devia  servir os mesmos objectivos e efeitos que perseguia na pintura. Por isso, não confiava nas possibilidades das [sic] cores impressas puderem [sic] traduzir a preocupação de luminosidade da sua  pintura (...) O pictural absorve o linear (ou vice-versa) no sentido do primado do movimento. É um  modo dinâmico do olhar. Um olhar resolutamente afastado dos limites do espaço. Um olhar que funciona por relações e não por repartições entre as formas” – e apesar das gralhas no português não está nada desinteressante este texto preliminar mais longo de António Rodrigues, entre outros, incluindo um do coleccionador cuja colecção aqui se apresentava, depois de exposição inicial em Lisboa.
Abre o volume uma magnífica imagem (fotografia ou montagem fotográfica?) de Denise Colomb, impressa a página inteira, retratando a nossa mais genial pintora no seu atelier.

Encadernação editorial em tela gravada a dourado, recoberta de sobrecapa de papel.

20€

Vieira da Silva / Arpad Szenes

Vieira da Silva (1908-1992) / Arpad Szenes (1897-1985) // «Pinturas - Desenhos - Serigrafias»  

Galeria Alvarez, arte contemporânea. Porto. (2004). In-4º gr. de [48] págs. Enc.
 
Bom catálogo da exposição comemorativa do meio século da galeria, encadernado, impresso sobre papel couché, com tiragem limitada a 300 exemplares. O texto de apresentação («Evocação de Vieira da Silva e Arpad Szenes») é de Jaime Isidoro, que fôra o fundador da Alvarez, seguindo-se-lhe, em repescagem, um outro de Agustina Bessa-Luís, originalmente publicado em 1972.

Exemplar por estrear.
 
15€

Retratos de Vieira por Arpad Szenes

Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian. 1985. In-4º gr. de [30] págs. Br.

O pequeno catálogo inclui textos introdutórios de Sommer Ribeiro, Guy Weelen e Agustina Bessa Luís, uma tábua biográfica de Arpad e duas fotografias suas, uma delas com Maria Helena; a que se seguem a reprodução de alguns dos trabalhos seleccionados (da mão, que se diria mágica, do húngaro) e a ficha técnica de todos. Tiragem de 1500 exemplares, estando este por estrear, em óptima condição.
 
8€

A Poesia está na Rua (e no Cartaz)


Sob proposta de Sofia de Melo Breiner, que já para o 1.º de Maio de 74 escrevera o verso em composição dedicada aos militantes do P.S. (partido pelo qual integraria as listas à Assembleia Constituinte, vindo nela a ser deputada após essas primeiras eleições livres, a 25 de Abril de 1975), Maria Helena Vieira da Silva concebeu, pelo menos - quem isto assinala estava capaz de garantir já ter visto terceira versão -, dois cartazes ilustradores de «A Poesia está na Rua», saídos a público nesse primeiro aniversário e agora aproveitados para a exposição homónima que hoje, comemorando os exactos 40 anos da Revolução, vai a inaugurar na Galeria do Palácio de Cristal, no Porto. Dos dois, um, não menos genial, apresenta o típico traço que celebrou a pintora, a que certa escolástica artística chama abstracto. O outro, de belo efeito, que aqui se mostra, foi na sua figuração mais fácil e apropriado ao propósito que lhe deu azo, permanecendo por isso até aos nossos dias o propriamente icónico e em regra reproduzido. Dessa figuração terá um olhar atento, ou apenas insistente, muito a dizer.

Não sabendo se alguém o notou, nem se a pintora alguma vez o chegou a referir, parece indiscutível ser o primeiro rosto - fileira da frente, à esquerda - o de Pascoaes (que Maria Helena dizia apreciar): é, sem tirar nem pôr, o desenho de um dos seus, assumidamente toscos, auto-retratos. A custo se discutirá que à direita na segunda linha estejam os de Pessoa e Eça. E, em subida progressiva, quase se juraria ainda reparar nos de Régio, Cesariny, Aquilino e Ruben A. (primo da escritora), para não jurar que o (ainda mais) taciturno ao lado de Pascoaes seja o de Camilo, e que a mulher à porta do prédio fosse a própria Sophia, e a mais ao alto a própria Maria Helena - hipóteses, mesmo assim, nada de descurar. Escusado reforçar o ponto com alguns casos já de dúvida, entre gente nacional e estrangeira, sobretudo francesa (Proust e Char, por exemplo). O que temos como certo chega para perceber que o mote, A Poesia está na Rua, foi levado à letra e de maneira radical: não era só a poesia, era a palavra em sentido amplo. Dirão os neo-cépticos / neo-austeros / neo-liberais (paremos por aqui, para o novo parar de estragar o velho...) que a simples ideia disso não passa de literatura.