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Eça de Queirós — Alves & C.ª (terceira edição)

Porto: Livraria Chardron, de Léllo & Irmão, L.da  editores. – 1928. In-8º de XII, 215, [I] págs. Enc.

Reproduz em folha preliminar destacada o conhecido retrato a sépia do romancista por António Carneiro e depois, a apresentar o volume, a «Nota Previa» em que o filho, José Maria, se queixava por ter de reduzir desta vez “a habitual e pomposa Introdução ás proporções mais modestas de Nota”, dado que, ao contrário dos outros inéditos por si publicados, este “Não se sabe d’onde veio, nem de quando data. Não se sabe sequer o titulo que o auctor lhe destinava. (…) Nunca o auctor se lhe referiu n’uma carta, ou n’uma conversa, ou n’um artigo; nunca o offereceu ao editor; nunca sequer o mencionou!”; e destacava no romance do pai “a justeza dos seus typos, o seu intenso sabor lisboeta, a graça dos seus dialogos, o equilibrio da sua composição, a ironia das suas situações”.

Exemplar revestido de encadernação em bom tecido sintético, conservando a frente da capa de brochura ilustrada por Alberto de Sousa, infelizmente demasiado aparada no pé.

15€

Júlio Dantas ― O amor em Portugal no século XVIII

O amor em Portugal no século XVIII (Ilustrações de Alberto Sousa)

Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, editores (Rua das Carmelitas, 144) – 1916. In-4º de 364 págs. Enc.

Primeira edição em volume, graficamente apurada e por isso bastante apreciada, de um livro antes publicado em folhetins no vespertino lisboeta A Capital; com composição nas «Officinas do “Commercio do Porto”» rival. São alguns dos capítulos, ao típico estilo coloquial de Dantas, «Namôro de Bufarinheiro», «Namôro de estafermo e de estaca», «O beliscão», «O amor na côrte», «Mulheres-damas», «Senhoritas da comédia», «Cartas de amor», «O casamento», «Maridos cucos», «Bruxedos de amor», «As descidas de côche», «Minuetes brèjeiros», «Os marotinhos», «O passeio Público».

Exemplar da série encadernada pelos editores integralmente em percalina gravada por todo, lombada e pastas (atrás, o emblema da Lello; na frente, uma das  ilustrações, aí  a cor,  preparadas por Alberto de Sousa); conservando a face da capa de brochura e tendo nas guardas quatro engraçados medalhões a ouro, parecendo um deles figurar Mariana Alcoforado e o Cavaleiro de Chamilly. Em muito bom estado – praticamente, impecável, não fôra uma ligeira folga da lombada face ao volume. 
 
40€

Rocha Martins ― Os Grandes Amores de Portugal

Edição do Autor. [S/d - 1928?]. 12 fascículos in-8º encadernados em 2 volumes.
 
É  a primeira série completa, com encadernação do autor/editor em tela (além desta variante, a azul, existe pelo menos uma outra, avermelhada), conservando todas as capas de brochura. O primeiro volume agrega os seis primeiros fascículos, Linda Ignês, Desvario de Raínha, Flôr de Altura, A Amada do Camareiro, O Drama de Vila Viçosa e Relicário de Paixão; o segundo, os seguintes Senhora de Bem Fazer, Sóror Mariana (transcreve as cartas a Chamilly na versão do Morgado de Mateus), Sombra de Rei, Madre Paula, Dona Flor da Murta e O Bichinho de Conta.
Mais tarde, talvez já por 1930 ou ainda depois, viria a sair uma segunda série com outros tantos fascículos.  
 
Estes «quadros» de Rocha Martins, como quase tudo o que escreveu, cumpriam sobretudo um propósito de divulgação, romanceada q.b.; não se devendo deles esperar um rigor histórico particularmente aprimorado. Havendo isto em conta, cumprem.
Todos os fascículos tiveram a capa ilustrada em boa alternância por Alberto de Sousa e Raquel Roque Gameiro, no que talvez seja, hoje, o maior ponto de interesse.
 
45€

Lopes de Mendonça ― Capa e Espada

Lisboa: Portugal-Brasil Limitada, sociedade editora  (58 – Rua Garrett – 60). [S/d - 1922?]. In-8º de 231, [5] págs. Br.

Embora não o indique, saiu esta primeira edição na série Scenas de Vida Heróica, da que foi o quarto de muitos volumes publicados pelo autor do hino nacional; com desenho da capa por Alberto de Sousa. Alguns dos capítulos: «A sobrinha de Inês de Castro», «Uma façanha da Távola-Redonda», «Lágrimas do Infante», «O guião do Império», A volta de El-Rei», «Quinas e flores-de-lis».

Exemplar em bom estado, descontando alguns vestígios de acidez e uma discreta assinatura de propriedade na primeira página, de anterrosto; inteiramente por aparar.
 
12€

Gustavo de Matos Sequeira (et.al.) ― Figuras Históricas de Portugal

Figuras Históricas de Portugal (Direcção artistica de Alberto de Sousa: 10 retratos coloridos, 90 a uma côr)
 
1933 / Livraria Lello, Limitada – Editora / Proprietária da Livraria Chardron (144, Rua das Carmelitas)- Pôrto. In-folio de 202, [2] págs. + [100] ff. ilust. Enc.
 
Foi do maior aprumo a composição deste álbum monumental, a cargo da portuense Artes Gráficas, com encadernação em percalina gravada a ouro (pasta superior e lombada) e a seco (ambas as pastas, a superior para ornatos) e impressão sobre bom papel, sendo ainda as ilustrações correntes em folhas couché  e as polícromas em cliché  sobre robustas folhas granuladas; acrescendo-lhes, no texto, as belas capitais de fantasia; tudo devido à mão que Alberto de Sousa tinha, como é sabido, para estas coisas: embora monótona e repetitiva, funcionava. A cada uma das cem personagens escolhidas é traçado um breve perfil/capítulo que ocupa uma folha, começando com D. Isabel, a Rainha Santa, e terminando em Junqueiro.
 
Exemplar francamente bem cuidado, sem falhas dignas de menção.
 
55€

Raul Brandão - Portugal Pequenino

Lisboa, 1930. (Composto na Tipografia da «Seara Nova»/Impresso na «Gráfica, L.ª» –   Rua da Assunção, 18 a 24). In-8º de 258, [6] págs. Br.

Tomando como mote a reedição em fac-simile que o Público hoje faz sair, aqui se apresenta a edição dos autores (qualquer leitor  efémero de Raul Brandão reconhecerá pelo estilo o autor primário, mesmo se com algumas demãos de sua mulher, Maria Angelina, que lhe entremeou talvez algum inédito humor e o registo infantil; algo a mais neste caso d'“aquela porção que em tudo o que era dêle lhe cabia” falada por Nemésio à senhora a outro propósito) primitiva do livro, último original publicado em vida do escritor, apreciada também, afora o propriamente literário e principal, pelas ilustrações que o enriqueceram: desenhos a tinta de Carlos Carneiro (ao longo do volume, nas folhas mesmas de texto) e Alberto de Sousa (o da capa) e duas aguarelas, reproduzidas nas suas cores sobre folhas destacadas, ainda de Carneiro (vista do rio e da ponte de D. Luís, da Sé, do Barredo e dos Guindais portuenses a partir da margem de Gaia, lado nascente) e de José Tagarro (vista lisboeta do que parece outrossim a Sé da cidade, pertíssimo dela tendo o casal morado, na rua da Madalena, em casa várias vezes referida na correspondência com Pascoaes e noutros contextos), colaborador frequente da Seara Nova que, de vida fugaz, viria a morrer no ano seguinte (Brandão logo nesse, por Dezembro; a edição imprimira-se em Fevereiro). São os capítulos – ou, em rigor, quadros autónomos de personagens comuns - «Março», «A bruxa das Portelas», «As andorinhas», «O Marão», «Duas gotas de água», «O mar», «O reino encantado», «Do Algarve ao Ribatejo», «O Ribatejo», «Os pardais de Lisboa», «A Serra – Coimbra», «Memórias dum grilo» e «Uma estrêla no céu».

Deste livro, dir-se-ia não haver razão significativa para o relativo esquecimento a que sempre foi votado, devendo até, com Os Pescadores (expoente mor) e As Ilhas Desconhecidas, formar uma plausível trilogia da melhor composição mais solar que Brandão conseguiu (demasiado taciturno, sempre a desvalorizava em injustificado rigor). Será, de resto, erro tê-lo por «literatura infantil», ideia que não serviu senão de pretexto: é o mais rematado adulto quem facilmente sucumbirá a esse tão peculiar tom  - enfumado e enfeitiçador, hipnótico, ele mesmo quase sonâmbulo - que termina, por exemplo, o trecho sobre o Porto  final de «Duas gotas de água», e que  pairara já por um desses encantadores prefácios e passagens esparsas dos vários volumes de Memórias, descrevendo a Foz natal. Do Porto e da Foz, como aliás de muita coisa, nunca mais ninguém, antes ou depois, assim escreveu neste país.   

Exemplar em condição ainda simpática, mas ligeiramente desvalorizado por alguns defeitos: vincos e ínfimos rasgões na capa, pequena assinatura de propriedade na folha inicial de guarda e vestígios (mesmo se com aparecimento irregular) de acidez pelo volume fora.

35€