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António Ramos Rosa — O Princípio da Água

centro cultural do alto minho (Impressão: Gráfica Casa dos Rapazes - Viana do Castelo). [S/d - DL 2000]. In-8º gr. de 42, [iv], [II] págs. Br.

Como habitualmente nas publicações da casa, não deverá ter sido muito ampla a tiragem desta edição.

Exemplar por estrear.

10€

Marguerite Yourcenar — A Obra ao Negro

Editorial Inova sarl (composto e impresso na Emp. Gráfica Feirense, L.da — Março 1973). In-8º gr. de 348, [X] págs. Br.

Começava assim a nota final da própria Yourcenar: "O romance que se acaba de ler tem, como ponto de partida, uma narrativa de cinquenta páginas, D'après Dürer, publicada juntamente com duas outras novelas, também de fundo histórico, no volume intitulado La Mort conduit l'Attelage, ed. Grasset, 1934. Essas três narrativas, unificadas e ao mesmo tempo contrastantes (...), mais não eram, afinal, que fragmentos isolados de um enorme romance concebido e parcialmente escrito entre 1921 e 1925" e só três décadas mais tarde, após a conclusão das Memórias de Adriano, começado a recuperar até esta muitíssimo aumentada forma definitiva.  

Primeira edição portuguesa, com tradução de António Ramos Rosa, revisão tipográfica de João de Almeida Arrepia e composição gráfica de Armando Alves.

15€

Marguerite Yourcenar — A Obra ao Negro

A Obra ao Negro (Tradução de António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes)

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1993. In-8º gr. de 275, [1] págs. Br.

Fôra na Inova a primitiva edição portuguesa deste romance que muitos preferem da escritora francesa, "a história de uma dissolução: a da ordem de valores que a Idade Média chegou a admitir como incontestáveis mas que, mercê de quase imperceptíveis alterações, acabaram por perder o seu sentido, abrindo-se à metamorfose".

10€

António Ramos Rosa ― Figura: Fragmentos

Figura: Fragmentos/com um desenho de Victor Fortes

(Dezembro/1980. Colecção o oiro do dia, executada na Inova/Artes Gráficas - Porto). In-4º gr. de 14, [2] págs. Br.
 
Primeira edição, impressa no figurino habitual da série «o oiro do dia», em folha inteira por abrir, recoberta por capa tripartida de cartolina; com o desenho de Fortes gravado em plaquette destacada, também solta, de papel couché.
Tiragem limitada a 250 exemplares numerados, em parte fora do comércio.
 
15€

Franco Fortini — O Movimento Surrealista

Editorial Presença/Lisboa – 1965. In-8º de 238, [6] págs. Br.

Primeira edição portuguesa, publicada na colecção «Perspectivas» com tradução de António Ramos Rosa a partir da original. O livro compreende o longo estudo teórico inicial do autor e, depois, quatro partes: «Os Precursores» (ficha biográfica e trechos de Rimbaud, Lautréamont, Jarry, Apollinaire, etc.), «Documentos do Surrealismo» (transcreve textos dos manifestos, comunicações, cartas abertas, etc.), «Os Poetas Surrealistas» (biografia e poemas de, entre outros, Breton, Éluard, Tzara, Artaud, Char e Césaire) e «Alguns juízos sobre o Surrealismo» de Riviére, Sartre, Camus e Adorno.

Exemplar em bom estado.
 
15€

Intertexto (I)

(Sobre ombros, por ordem decrescente de cronologia e de altura)

                                                                               
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
                         É uma onda            
Seus ombros beijarei, a pedra pequena                                  que quer estender-se
do sorriso de um momento.                                                   sobre a página
Mulher quase incriada, mas com a gravidade                         e quer durar  

de dois seios, com o peso lúbrico e triste                              como um ombro 
da boca. Seus ombros beijarei.                                             amante
(Herberto Helder)                                                                 que descalço 
                                                                                            vai abrindo a sombra
                                                                                            e as pupilas
                                                                                           que atónitas se esquecem
                                                                                           ao ver a folha ou face                                                                                            em que o centro se demora                                                                                             (António Ramos Rosa)

Gosto daquela mulher alta e esbelta que passa vestida com um fato de verão que lhe mostra a quase nudez de uns ombros que apetece beijar lentamente, até a pele dos nossos lábios não nos pertencer e ser a pele dos ombros da mulher
(Armando Ventura Ferreira)
                                                                                             

(Sobre e tão antes de isto destacado, muito evidentemente, Camões: Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar. E sobre isto, por sua e outra vez, Herberto, Transforma-se  o amador na coisa amada com seu feroz sorriso, os dentes, as mãos que relampejam no escuro etc.)

António Ramos Rosa (1924-2013)

  A  última oportunidade é sempre
esta
corre
um pouco mais e o sol e o sangue
invadirá a árvore
a seiva empapará tua língua

eia! um homem
sem nada para a morte

(Poemas Nus, in Viagem Através Duma Nebulosa, 1960)

(J. Silva)