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A corrente idealístico-gnóstica do pensamento português contemporâneo: Antero, Pascoaes, Pessoa
Homenagem a Vasco da Gama
Lisboa, Assírio & Alvim/Fundação Oriente. 1998. In-4º gr. de 35, [7] págs. Enc.
Edição esmerada e de bom recorte gráfico, impressa em grande formato sobre papel de alta gramagem Munken Pure, com tiragem limitada a 1000 exemplares – de que pouco mais de metade deverão ter entrado directamente no mercado, destinados desde logo 300 à Fundação Oriente. Publicada também por ocasião da exposição lisboeta de 98, inclui uma nota introdutória do editor, Manuel Hermínio Monteiro, e os poemas dedicados ou meramente alusivos ao Gama de Mallarmé («Au seul souci de voyager») , Hölderlin («Wünscht' ich der Helden einer zu sein») e Pessoa («Ascensão de Vasco da Gama»), acrescidos os dois primeiros de comentários dos tradutores respectivos, José Augusto Seabra e Maria Teresa Dias Furtado.
20€
Boavida Portugal — Inquérito Literário
Egyd Gstättner — Viagem ao Tejo com Pessoa na bagagem
Alfredo Antunes — Saudade e Profetismo em Fernando Pessoa
Fernando Pessoa — O Banqueiro Anarquista e outros contos de raciocínio
Fernando Pessoa — O Banqueiro Anarquista
João Gaspar Simões — Vida e Obra de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa — Obra Poética e em Prosa
Obra Poética e em Prosa (Introduções, organização, biobibliografia e notas de António Quadros e Dalila Pereira da Costa)
1986 / Lello & Irmão – Editores, Porto. 3 vols. in-8º de 1212; 1352; e 1502 págs. Enc.
Edição monumental, daquelas típicas da Lello em papel-bíblia (a.k.a. papel-da-índia), com encadernação em pele profusamente gravada a ouro na lombada e na pasta superior – complementando, por via da prosa, as que no mesmo género Maria Aliete Galhoz preparara para a brasileira Aguilar na década de 60. A introdução de António Quadros, «Introdução Cronológico-Biográfica», espécie de biografia (demasiado psicologizante mas rica de apontamentos com interesse) do poeta, é extensíssima, espraiando-se pela primeira centena de páginas; seguindo-se a da escritora portuense, «Uma Demanda», com três dezenas. O resto do primeiro volume foi ocupado pela antologia poética, sendo o segundo e o terceiro dedicados à prosaica: «Páginas Íntimas», «Cartas», «Ficção», «Textos de Intervenção na Vida Cultural e Literária Portuguesa» (vol.II); «Estética, Teoria e História da Literatura», «Páginas de Reflexão Filosófica», «A Realidade Transcendente», «Sobre Portugal e o homem português», «Pensamento Político (Páginas Polémicas e Doutrinárias)», «Teoria Económica», «Poemas Traduzidos do Inglês», «Biobibliografia», «Apêndice» (vol.III).
Bom conjunto, globalmente por estrear, apesar de ligeiros vestígios de manuseio no início do vol.I.
Fernando Pessoa — Obra Poética
Círculo de Leitores (1986). 3 vols. in-4º. Enc.
Encadernados pelo editor com gravações a dourado, impressos sobre bom papel canelado e ilustrados por Ilda David e Manuel Rosa, com organização e prefácio, cronologia e bibliografia de João Gaspar Simões no primeiro, os volumes recolhem respectivamente: Mensagem, À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, Quinto Império e Cancioneiro; Poemas de Alberto Caeiro, Odes de Ricardo Reis, Poesias de Álvaro de Campos e Para Além Doutro Oceano de Coelho Pacheco; Poemas Dramáticos (O Marinheiro / Primeiro Fausto), Poesias Inéditas, Novas Poesias Inéditas, Poemas Ingleses, Poemas Franceses, Poemas Traduzidos e Quadras ao Gosto Popular.
Cartas de Amor de Ofélia a Fernando Pessoa
Cartas de amor de Fernando Pessoa
Cartas de amor de Fernando Pessoa (Organização, prefácio e notas de David Mourão-Ferreira / Preâmbulo e estabelecimento do texto de Maria da Graça Queiroz)
Edições Ática, Lisboa. (1978). In-8º de 222, [6] págs. Br.
São bastante extensos os textos da própria destinatária Ofélia Queirós e sobretudo o de David Mourão-Ferreira que, respectivamente, abrem e encerram o volume: «O Fernando e Eu» (estruturado pela sobrinha-neta Maria da Graça) e «Estas «Cartas de Amor» de Fernando Pessoa»; um e outro já não reproduzidos na edição posterior dada a lume pela Assírio & Alvim que também apresentamos.
16€
António Quadros — Fernando Pessoa: Vida, Personalidade e Génio
arcádia (1981). In-8º de 316, [IV] págs. Br.
Volume publicado na conhecida colecção de biografias da Arcádia, embora neste caso menos biográfico e mais exegético, como seria de esperar tratando-se do esotérico-compulsivo Quadros – que após uma «Introdução cronológica à vida e à obra» dividiu o seu estudo principal, «Personalidade, génio e destino», em nove secções de capítulos, uma delas «O Poeta visto pelos seus contemporâneos (Um retrato-robot), entre os quais Almada, Ofélia e Carlos Queirós, Pierre Hourcade, etc.). Como de costume, há um conjunto de folhas centrais ilustradas, impressas sobre papel couché.
Em complemento a este primeiro volume, independente por si só, sairia depois um ainda mais exegético Iniciação Global à Obra ; salvo erro, um caso único na série.
Fernando Pessoa — Odes de Ricardo Reis
Primeira edição, impressa em bom papel e incluindo no final uma lista das variantes apostas por Pessoa nos manuscritos, até então inéditos.
Exemplar ainda em muito bom estado, salvo pontuais e pouco pronunciados vestígios de acidez.
30€
António Botto — O Livro das Crianças
Poetas Novos de Portugal (selecção e prefácio de Cecília Meireles)
Do longo – estende-se por quase cinquenta páginas – texto introdutório da escritora brasileira, como de costume, nestas circunstâncias, proclamador de intenções e explicador de critérios, poder-se-ia, entre outras coisas, reportar: a indicação habitual de Cesário, Nobre e Antero como as raízes desta «nova» poesia portuguesa, atribuindo-lhes depois como «caules» Pessanha e, até certo ponto, Afonso Duarte, o que hoje parecerá quase uma extravagância (salvo o caso de alguns nomes do Novo Cancioneiro, Carlos de Oliveira – que aqui nem aparece –, confessado tributário do poeta da Ereira, à cabeça), para não dizer um contra-senso, mesmo cronológico (Sá-Carneiro, por exemplo, era mais velho, pelo que ainda aí não se entende que influência haveria o Orpheu de lhe ir beber...); a inclusão, aliás com algum destaque, de Irene Lisboa (João Falco) e Fernanda de Castro neste contexto, talvez explicável por simpatia feminina, ou nem isso (se por aí fôssemos, antes a lamurienta Florbela); a colação larguíssima de um Fernando Pessoa então quase inédito, mas já credor do maior – de longe – destaque e assinalado “o caso mais extraordinário das letras portuguesas”, o que as amizades portuguesas de Cecília explicariam; e a atribuição à Presença de mais méritos dos que comummente, e com bom juízo, por estes dias se lhe reconhecerá. Cronologia, gostos, tendências, compadrios e presumível «mão» lusa (de Casais Monteiro, de Cortes-Rodrigues, ou ambas; não a de Cortesão, director desta «Coleção Clássicos e Contemporâneos» e também a viver no Brasil, que decerto ditaria outras escolhas) a esmo: tudo certamente cheio de boas intenções, mas demasiado confuso, atabalhoado, desequilibrado e falho de critério.
São os principais representados Pessanha, Sá-Carneiro, Pessoa, João Falco, Régio, Nemésio, Botto, Alberto de Serpa, Carlos Queirós, Casais Monteiro, Saul Dias e J. J. Cochofel.
Primeira edição; rara em Portugal (e mesmo no Brasil pouco frequente). Este exemplar, da série encadernada pelo editor, pertenceu também a Laureano Barros, que nos típicos apontamentos a lápis sobre a guarda indicou isso mesmo - a série e a raridade. A encadernação apresenta-se porém um tanto manchada e escurecida junto às margens.
"Il faut être absolument moderne"
No ano em que se comemoraram 150 do nascimento de Raul Brandão, muito se falou da sua literatura como um modernismo alternativo ao canónico que cá teve epicentro em Lisboa - e que fatalmente ficaria na sombra devido a Fernando Pessoa. Este ponto de vista é curioso pelo que tem de curioso no que está certo, no que está errado e no assim-assim.Primeiro, note-se que esta «sombra» é a do grande público e da Academia (mas já não da crítica). Porque, de resto, até se pode traçar um evidente paralelo entre a influência mais ou menos assumida que estes dois senhores exerceram respectivamente sobre a prosa e a poesia portuguesas ao longo do século passado.
Se não houve quase nenhum dos nossos grandes poetas que lhe foram posteriores a negar o estro de Pessoa, também não houve um só dos principais prosadores que não afirmasse de forma explícita a dívida a Brandão - Aquilino (que com ele fundou a Seara Nova e lhe terá facilitado a edição na Bertrand frequentada por ambos), Ferreira de Castro, Torga (veja-se o que Os Bichos herdam do Portugal Pequenino...), Vergílio Ferreira e Saramago, já para nem falar nos devotos Nemésio, Gomes Ferreira e Cardoso Pires, nem em senhoras como Agustina (que apesar de tudo deve ainda mais a Camilo e a Pascoaes, de quem parece um sobre-valorizado sub-produto) e a tão outra e inclassificável Gabriela Llansol, segunda grande aventura nas bordas da prosa portuguesa desde... Raul Brandão, pois. Ninguém, ninguém escapa.
E nisso, goste-se mais ou menos, não há discussão: Pessoa (não gosto muito) e Brandão (gosto de um modo imenso) são incomparavelmente os dois nomes de maior influência na literatura portuguesa do séc.XX e ainda talvez no que se leva até agora do XXI, apesar do Super-Herberto e de Saramago.
Segundo, este par serve de exemplo para demonstrar que, mais do que a Academia, o que mormente concorre para firmar o canône e estabelecer a fortuna da opera é apenas o investimento, desde o estadual (público) ao privado (editorial etc.). Sabe-se, embora pouco se fale, como Pessoa deve a fama ao «lobbying» que começou com António Ferro, em pleno Estado Novo, e continuou e continua com milhões de contos e euros - desde logo do erário público - após o 25 de Abril; promoção no Brasil cedo apoiada desde Casais Monteiro e Cecília Meireles. Isto quando o poeta era pouco mais do que desconhecido e Pascoaes, por exemplo, traduzido em várias línguas no estrangeiro e lá apontado para o Nobel - mas cá proscrito pelo Estado Novo e pela ortodoxia católica e vigiado pela PIDE por outras razões.
Claro: Pessoa vingou porque, além do mérito versejador, se presta ao gosto quase sempre fácil, popular, às vezes quase kitsch, parecendo nesse domínio imbatível e universal. Vingou principalmente onde não é moderno. Mas se também parece difícil pôr o leitor comum a mergulhar maravilhado no Húmus, parece facílimo pô-lo a gostar do nada moderno mas espantoso lado «solar» brandoniano, sobretudo esse tríptico extraordinário formado por Os Pescadores, As Ilhas Desconhecidas e Portugal Pequenino. Basta que os leia.
Terceiro, e quanto ao modernismo: "a angústia da influência". Fernando Pessoa, que de tudo lia e de tudo falava, nunca se referiu a Raul Brandão. Como não parece possível que o não lesse, tratando-se de alguém que publicava na Renascença e na Bertrand, fácil será perceber-lhe o silêncio. O Húmus é o livro mais influente de toda a prosa portuguesa do séc.XX - e, conforme já muita gente notou (por exemplo: os pessoanos Prado Coelho), influenciou desde logo o Livro do Desassossego.
Se na poesia, de um pré-moderno Cesário a um finissecular Pessanha, as influências de Pessoa são óbvias e assumidas, na prosa não. O que não significa que não estejam lá. Sobretudo neste caso, pode e deve falar-se de algo mais do que simples «influência»...
Mais: o Livro do Desassossego é escrito já bastante depois de Os Cadernos de Malte Laurids Brigge e pouco antes (na melhor das hipóteses) de As Ondas. O Humus sai pouco depois do primeiro e muito antes do segundo. Sublinhe-se este ponto, imaginando como seria se a Europa e o Mundo também o conhecessem...
Eduardo Lourenço — Fernando Pessoa Revisitado
Fernando Pessoa Revisitado: leitura estruturante do drama em genteMoraes editores (1981). In-4º peq. de 196, [4] págs. Br.
12€
Fernando Pessoa — Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação
Primeira edição.
Fernando Pessoa — Obra Poética e em Prosa
Edição monumental, daquelas típicas da Lello em papel-bíblia (a.k.a. papel-da-índia), com encadernação em pele profusamente gravada a ouro na lombada e na pasta superior – complementando, por via da prosa, as que no mesmo género Maria Aliete Galhoz preparara para a brasileira Aguilar na década de 60. A introdução de António Quadros, «Introdução Cronológico-Biográfica», uma espécie de biografia (demasiado psicologizante mas rica de apontamentos com interesse) do poeta, é extensíssima, espraiando-se pela primeira centena de páginas; seguindo-se a da escritora portuense, «Uma Demanda», com três dezenas. O resto do primeiro volume foi ocupado pela antologia poética, sendo o segundo e o terceiro dedicados à prosaica: «Páginas Íntimas», «Cartas», «Ficção», «Textos de Intervenção na Vida Cultural e Literária Portuguesa» (vol.II); «Estética, Teoria e História da Literatura», «Páginas de Reflexão Filosófica», «A Realidade Transcendente», «Sobre Portugal e o homem português», «Pensamento Político (Páginas Polémicas e Doutrinárias)», «Teoria Económica», «Poemas Traduzidos do Inglês», «Biobibliografia», «Apêndice» (vol.III).







