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Afonso Lopes Vieira — O Povo e os poetas portugueses

O Povo e os poetas portugueses (conferência lida pelo autor no teatro D.Maria II em 12 de Janeiro de 1910)

Lisbôa (na Typ. «A Editora»). [S/d]. In-8º de 62, [4] págs. Br.

Edição de autor impressa a duas cores em bom papel de linho, com o texto da conferência – uma panorâmica breve sobre a história da poesia portuguesa – e um «post-scriptum» final de alguns apontamentos sobre o fado.
Exemplar em bom estado, sem defeitos de relevo salvo ligeiros rasgões marginais por má abertura das folhas.
 
14€

Afonso Lopes Vieira — Canto Infantil

Canto Infantil: versos de Affonso Lopes Vieira • musica de Thomás Borba, illustrações de Raul Lino
(Composto e impresso na tipografia de «A Editora» em papel nacional. Grav. de Th. Bordallo Pinheiro. Edição de «A Editora», Conde Barão, 50, Lisboa. Primavera de 1912). In-8º de 72, [6] págs. Enc.

Edição primitiva, impressa em bom papel; de grande apuro gráfico e nesse aspecto um marco na literatura infantil entre nós publicada – tal como Animaes Nossos Amigos, dos mesmos autor e ilustrador. As ilustrações e as pautas musicais antecedem cada uma das composições.

Exemplar recoberto de boa encadernação (embora de cores pouco condizentes) em estilo amador com os largos cantos e lombada em pele demarcados a ouro, também aplicado entre as casas abertas da lombada; e as pastas em excepcional papel marmoreado. Conserva por inteiro a capa de brochura. Único «defeito» de relevo: como habitualmente sucedia nestas edições, alguns dos desenhos foram preenchidos a lápis de cor – mas, vá lá, neste caso bem preenchidos...

37€ (reservado)

Augusto da Costa ― Portugal, Vasto Império (um inquérito nacional)

Lisboa: Imprensa Nacional, 1934. In-4º  de 166, [2] págs. Br.

Preparado no desejo de sublinhar Portugal “um grande império colonial, e o mais antigo de todos êles”, para o afirmar capaz “de manter no mundo a situação de terceira potência colonial” e invectivar na propaganda da sua defesa os intelectuais portugueses, a quem caberia “o dever sagrado de levantar as fôrças morais do País, acordando a consciência nacional”, o inquérito contou com a colaboração de, entre outros, Afonso Lopes Vieira (de quem aproveitou o título), Fernando Pessoa (com uma primeira resposta extensíssima, a mais longa do volume, naquela típica prosa enrolada do crítico, e defendendo genericamente, como de costume, a ideia do sebastianismo e de um «Quinto Império» português), Bento Carqueja, Sousa Costa, Marcelo Caetano (na altura, muito novo ainda, mas sendo-lhe já augurado pelo autor um promissor futuro), João Ameal, Paiva Couceiro, Fidelino de Figueiredo (talvez o nome a mais destoar num elenco francamente virado à direita) e Alberto de Monsaraz.

Exemplar em bom estado geral, tendo o papel bem conservado, só pontuado por alguns vestígios de acidez; mas em prejuízo pela falta da frente da capa, suprimida na encadernação.

25€

Um anti-decreto afonsino

De Afonso Lopes Vieira [1878-1946], muito tradicionalista (não, não  se fala aqui de praxes) toda a vida, ficaram  famosos  alguns dos versos satíricos, improvisados durante as  aulas em Coimbra, com que  ia dando o sal possível aos anos de vida académica. Pascoaes, Augusto Gil, Faria e Maia e gente vária, colegas de curso ou não, deixaram à posteridade  exemplos, reproduzidos com maior ou menor rigor. Aqui uma quadra (dela dava conta Diamantino Calisto  in Costumes Académicos de Antanho), de impecável métrica, que por muitos anos teria persistido na «tradição oral» da universidade coimbrã - sobretudo, naturalmente, na Faculdade de Direito. Dizia-a Calisto dedicada a um  Guimarães Pedrosa, catedrático da casa.

Decretos e mais Decretos
De Decretos não se farta,
Só não cita aquele que o mande
Pro grão raio que o parta