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Boavida Portugal — Inquérito Literário

Inquérito Literário (I. Depoimentos dos senhores: Dr. Julio de Matos – H. Lopes de Mendonça – Teixeira de Pascoais – Dr. Augusto de Castro – Gomes Leal – João Grave – Gonçalves Viana – Dr. F. Adolfo Coelho – Dr. Veiga Simões – Julio Brandão – Visc. de Vila Moura – Malheiro Dias – etc. II. Réplicas de outros escritores. III. Comentários da imprensa.

Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1915. In-8º de 368 págs. Br.

Primeira edição em volume, impressa em bom papel de linho, dada a lume três anos depois da publicação faseada no «República» e acrescentada de depoimentos posteriores e de uma resenha dos comentários e críticas antretanto saídos na imprensa. Reproduz a espécie de prefácio «Sinfonia de Abertura», do próprio Boavida Portugal, em que se começava por ler que “Apesar de nos jornais não ser muito habitual tratarem-se largamente assuntos literários, com muita fé, muita tolerancia e muito trabalho, podemos agora dar ao publico este repasto intelectual, que imaginamos da sua utilidade. Não que esses assuntos não sejam simpaticos; mas porque os intelectuais são pessoas mais de apreciar quando precisam dos jornais do que quando estes precisam dêles.”
Celebrizado, de início, pelas várias polémicas a que deu azo – desde as já pouco mansas entre saudosistas e detractores como Júlio de Matos e Adolfo Coelho, até à ferocíssima que estalou entre Júlio Brandão e Pascoaes (à deselegância insultuosa e aparentemente gratuita do primeiro respondeu o segundo com uma violência que lhe nunca tinha sido vista); todas aqui apresentadas através da transcrição das muitas cartas enviadas aos jornais e por eles publicadas –, o «Inquérito» viria mais tarde a ser destacado pela longa (neste volume com 13 páginas) réplica, também a Adolfo Coelho, de Fernando Pessoa (à época, ainda um obscuro colaborador da «Águia»), em que faz a defesa da «Renascença Portuguesa» e, de passagem, da sua auto-centrada teoria/profecia do Super-Camões, considerando Camões como “verdadeiramente grande, mas longe de ser um Dante ou um Shakespeare”.
Exemplar de uma plausível série não declarada encadernada pelo editor em percalina com gravações a dourado e a seco, incluindo o símbolo da sua casa na pasta superior (um pequeno selo do conhecido encadernador A. David, Lisboa, não desmente mas põe dúvidas a esta hipótese); não conservando a capa da série em brochura. Carimbo da brasileira Livraria Académica, em Manaus, na folha de guarda. Na de anterrosto, o sinete de Henrique Perdigão, fundador da portuense Livraria Latina que viria a publicar precisamente de Pascoaes precisamente O Penitente que em breve reeditaremos.

40€

Gomes Leal — Patria e Deus e A Morte do Máo Ladrão (1.º milhar)

1914 / Livraria de João Carneiro & C.ª (T. de S. Domingos, 58), Lisboa. In-8º de 64 págs. Br.

O prefácio do poeta, dedicado a António Cabral, é curioso em pelo menos dois aspectos: por vituperar à larga as gralhas tipográficas que lhe perseguiam os livros, e curiosamente haver só neste prefácio várias; e pela quase monárquica severidade («graxa» ao dedicando?) com que julga os anos republicanos iniciais, “toda esta vil e actual tragi-comedia: toda esta debochada e criminosa decadencia actual: toda esta bambochata ensanguentada, porcalhona, enigmatica, apóz o cinco de Outubro, e até hoje”.

15€

Catálogo - A «Geração de 70»

Cumpriram-se quinta-feira passada exactos 150 anos sobre o dia em que «Santo Antero» de Quental, após uma breve apresentação algumas noites antes, abria propriamente as «Conferências Democráticas do Casino» Lisbonense com as suas famosas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. O resto da história é conhecido, e parece um bom motivo para dedicar um catálogo inteirinho à Geração de 70. Aos cinco senhores do conhecido retrato tirado após um almoço no antigo restaurante do antigo Palácio de Cristal portuense - Antero, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão -, retrato esse que lhe serve de capa, foram acrescentados um mais e outro menos compagnons-de-route (Teófilo Braga e Gomes Leal) habitualmente associados e igualmente muito bem representados cá na livraria e, no final do catálogo, um pequeno suplemento com figuras hoje mais em segundo plano: Alberto Sampaio, António Cândido (a «Águia do Marão»), Luís de Magalhães e João Penha.
150 anos, 150 páginas de catálogo; só o senhor Eça de Queirós ocupa umas quarenta (e ainda assim foi preciso deixar muita coisa de fora...). Para vos incentivar a leitura, porém, aqui vai:
- Entre tantos livros e edições para todos os gostos e feitios, estão já por exemplo as originais de peças tão significativas como A Ilustre Casa de Ramires, O Conde d'Abranhos, A Morte de D. João e A Velhice do Padre Eterno (de que até há por cá 2 exemplares, como se fossem pãezinhos...)
- As dez melhores compras terão direito a um exemplar da outra comemoração planeada cá pela casa: um livro que em breve deverá entrar no prelo recolhendo textos vários de Eça, já meio «perdidos», acerca da Geração de 70. Podemos gostar mais ou menos dela, mas ninguém discutirá que merece.

O catálogo pode ser desde já consultado

Gomes Leal — O Anti-Cristo

O Anti-Cristo: Segunda edição do poema refundido e completo, e acrescentado com As Téses Selvagens

Aillaud & C.ª, Casa Editora e de Commissão (96: Boulevard Montparnasse – Paris / Filial, 247, Rua Aurea, 1.º – Lisboa) – 1907. In-8º de XVIII, 497, [1] págs. Enc.

Edição impressa a duas cores em bom papel couché cortado esguio – semelhante à 2.ª edição do , de António Nobre, publicada pela mesma casa, mas neste caso sem ilustrações. Bastante alterada e «amaciada» em relação à primeira, como que prenunciando a reconversão católica, integra também uma longa «Carta Aberta» do poeta à própria mãe, cuja morte três anos depois seria o mote imediato dessa pública reconversão.

Exemplar muito bem encadernado com cantos e lombada em boa pele, nesta última gravada a ouro. Conserva por inteiro a capa primitiva e foi carminado à cabeça.
 
40€

Gomes Leal — O Anti-Cristo

O Anti-Cristo: terceira edição do poema refundido e completo, e acrescentado com As Teses Selvagens

Livraria Popular de Francisco Franco (14, Rua Barros Queiroz, 18), Lisboa. [S/d]. In-8º de XIX, [1], 443, [1] págs. Br.

Edição já consideravelmente mais frequente; não datada, deverá ter saído no início da década de 30.

O exemplar conserva-se como saiu dos prelos, em brochura, com o corte por aparar; mas acusando algum desgaste da capa, sobretudo no encaixe e nas extremidades.
 
20€ 

Gomes Leal — Serenadas de Hylario no Ceo: Phantasia Mystica em Um Acto

Imprensa Economica (Rua do Caes, 56 a 58) –=– Villa Franca de Xira. [S/d - 1900?]. In-8º de 56, VIII págs. Enc.

Primeira edição, já bastante rara, desta engraçadíssima peça em que Gomes Leal consegue transpor para humor, em forma de teatro, o seu indiscutível génio – de rir, de uma ponta à outra. Alternando trechos em prosa e em verso, alguns destes últimos com publicação adiantada, salvo erro, em periódicos da imprensa, e depois musicados várias vezes ao longo do séc.XX (Paulo de Carvalho, por exemplo), a «Phantasia» é a entrada no Paraíso do célebre boémio, fadista e guitarrista, coimbrão Hilário; sob o protesto de São Pedro mas deliciando à passagem toda a gente, desde Santa Cecília e São Jerónimo até às Marias, a Madalena e a Virgem. Uma pérola.

Exemplar bem encadernado com cantos e lombada em pele gravada a ouro; conservando a capa de brochura, carminado à cabeça e mantendo as restantes margens intactas.
 
33€

Gomes Leal — O Senhor dos Passos da Graça

O Senhor dos Passos da Graça: Memorias de um Revoltado, por (...)

Lisboa: Empreza da Historia de Portugal, Sociedade editora / 1904. In-8º de 338, [2] págs. Br.

Após um prefácio de apresentação do livro, «Preludios de Orgão», divide-se este atípico e algo desajeitado «romance» (um génio do verso já pede demais em querer sê-lo da prosa...) na «Introdução: Em que se encontra um personagem nada vulgar» e nas quatro partes «O Sofá de velúdo preto», «A Guerra das Procissões», «O Senhor dos Passos no Tribunal» e «O caso da alucinação mistica. O Inesperádo».


Exemplar médio/bom, sem defeitos a destacar.
 
33€ 

Gomes Leal — A Mulher de Luto

A Mulher de Luto: Processo ruidoso e singular

Lisboa: Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor. 1902. In-8º de 202, [6] págs. Enc.

O volume apresenta, a terminar, uma «Nota Ortográfica» em que o poeta bradava pela simplificação da língua e clamava contra os académicos, que dizia deverem remeter-se ao seu papel subalterno (só registar a influência, essa, sim, decisiva, de povo, poetas e escritores) em vez de sobre ela legislarem; defendendo várias das medidas que se viriam a impor durante a década de 1920, como a supressão dos «y» e dos «ph». Primeira edição.

Exemplar da série encadernada pela Lello em percalina com gravações a ouro na lombada e na pasta superior; em muito bom estado.
 
35€ (indisponível)

Gomes Leal — A Mulher de Luto

A Mulher de Luto: processo ruidoso e singular/Polyanthéa/Prefacios de Boavida Portugal, Fernando Reis e Luis Cebola//2.ª edição, ilustrada
 
Lisboa: Livraria Central, Editora, de H. E. G. de Carvalho. 1924. In-4º de XXXII, 192 págs. Br.

Edição de homenagem ao poeta, impressa em maior formato e bastante aumentada em relação à original, a que acrescentou os textos da introdução («Duas palavras», com vários apontamentos biográficos, «Analise psicologica da obra de Gomes Leal» e «Gomes Leal e a sua obra», respectivamente), a longa série de dispersos aqui reunidos sob o título de Polyanthéa (quase todos publicados na imprensa, mas alguns também em volume, como O Tributo de Sangue, que tivera mesmo já edições independentes – pelo menos, duas – no séc.XIX) e as ilustrações, em folhas destacadas de papel couché, com retratos, desenhos, caricaturas e fotografias de Gomes Leal no leito de morte e do funeral. No fim, o volume expõe ainda uma nota justificativa do editor.
 
25€

Gomes Leal — A Senhora da Melancolia: Avatares de um Ateu

Livraria Moderna, Editora. Lisboa – 1910. In-8º de 23, [1] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada por desenhos alusivos na capa e ao longo do volume (que tem também frontões decorativos); apresenta, no final, uma «Nota ácerca dos Avatares de um Ateu» em que o reconvertido – ao cristianismo – autor defende a teoria, como de costume algo heterodoxa, das sucessivas encarnações de Jesus.

Exemplar recoberto por uma sobrecapa de papel transparente para protecção. Pertenceu a Ribeiro dos Santos, de quem está aposto o ex-libris, composto por Abel Salazar.

22€

Gomes Leal — A Duqueza de Brabante

A Duqueza de Brabante / versos / traducção franceza de Henry Faure

1902. Livraria Editora Guimaraes, Libanio & C.ª. Lisboa. In-8º peq. de 9, [3] págs. Br.

Primeira e rara edição independente do poema originalmente publicado pelo autor nas «Claridades do Sul». O texto é reproduzido em português e em francês, segundo a versão aqui acompanhante.

Exemplar com algum desgaste exterior (pequenos rasgões marginais na capa e no miolo), ainda que conservando o papel quase limpo - salvo uma discreta assinatura antiga de propriedade.
 
17€

Gomes Leal — A Senhora Duquesa de Brabante

Plaquette comemorativa da inauguração do mausoléu do poeta Gomes Leal / XVII de Dezembro de MCMXXV. (Tipografia Torres – Lisboa). In-8º gr. de 19, [1] págs. Br.

“Desta edição, que se destina a socorrer a publicação da Antologia de Gomes Leal, fez-se uma tiragem de mil exemplares, dos quais o presente é o N.º 176, rubricados pela Comissão Organizadora do mausoléu” – mais precisamente, pelo seu impulsionador, Humberto Pelágio, que também manuscreveu esse número atribuído ao exemplar. O volume começa por uma nota de apresentação («Algumas Palavras») do próprio Pelágio, transcreve depois uma longa passagem das Memórias de Raul Brandão relativas ao poeta e, por fim, este conhecido excerto d’As Claridades do Sul, que mesmo antes conhecera já edição independente.
 
O exemplar, em bom estado (salvo uma pequena mancha na capa), conserva ainda os cadernos por abrir; ostentando na folha inicial de anterrosto o carimbo da lisboeta Livraria Profissional (Rua Anchieta, 5 a 7).
 
15€

Homenagem Poética a Gomes Leal

Homenagem Poética a Gomes Leal no primeiro centenário do seu nascimento (…)

Coimbra, 1948. (Composto e impresso na Casa Minerva). In-8º de 126, [2] págs. Br.

O volume, organizado por João José Cochofel e Armindo Rodrigues, integra composições de, entre outros, Carlos de Oliveira («A Gomes Leal», que viria depois a ser recolhido em Trabalho Poético), Edmundo de Bettencourt, Eugénio de Andrade, João de Barros, o próprio Cochofel, Joaquim Namorado, Jorge de Sena, José Gomes Ferreira, Torga e Raul de Carvalho; por suponível falha tipográfica, onde deveriam estar as de Afonso Duarte, Alfredo Guisado e António de Navarro foram outras repetidas.
 
22€

Gomes Leal — Poesias Escolhidas

Poesias Escolhidas (Introdução: destino de Gomes Leal por Vitorino Nemésio)
 
Depositária: Livraria Bertrand. (Composto e impresso na Imprensa Portugal-Brasil). Lisboa. [S/d]. In-8º de CXVI, 199, [5] págs. Br.
 
A edição, inteiramente preparada e organizada por Nemésio – cujo longo aparato crítico se espraia pelas mais de cem páginas preliminares, integrando os estudos «Destino de Gomes Leal» e «Nota sôbre a Poesia de Gomes Leal» (a que se seguem uma «Advertência», uma «Cronologia de Gomes Leal» e as «Bibliografia de Gomes Leal» e «Bibliografia sôbre Gomes Leal») – é ainda hoje tida por muita gente como a mais importante alguma vez consagrada ao poeta das Claridades do Sul; de que são naturalmente recolhidas composições, tal como de «A Fome de Camões», «Fim de um Mundo», «O Anti-Cristo», «A Mulher de Luto», «História de Jesus» e «Senhora da Melancolia», além de alguns folhetos secundários e de uma selecção de dispersos.
 
19€