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Ricardo Jorge ― De Ceca e Meca (Impressões e Estudos de Viagem)

Lisboa (Edição do centenário sob o patrocínio do Instituto de Alta Cultura. Composto e impresso nas oficinas gráficas da Editorial Minerva). In-8º de 292, [2] págs. Br.

Com este volume póstumo de Ricardo Jorge termina a série das suas Impressões e Estudos de Viagem. Ao que ficou dito pelo Autor no começo do Canhenho dum vagamundo e das Passadas de erradio – os dois volumes precedentes da mesma série –, nada há que ajuntar a respeito do teor genérico, que se mantém sem alteração. Como neles, os artigos enfeixados circularam na imprensa periódica, publicados na sua quase totalidade no Diário de Notícias”, juntando-se-lhes alguma prosa que por uma razão ou outra não tivesse chegado a sair. Os ditos artigos foram encaixados pelo editor nas secções «A Caminho do Próximo Oriente», «Terra Santa e Terras de Mafoma», «De Paris» (meia centena de páginas), «Paris-Genebra» (“Lusos além e aquém”: pelos vistos, já na altura havia emigração portuguesa naquelas bandas), «De Berlim», «De Lião», «De Zagreb», «Para o Brasil», «Portugal na Holanda», «De Dresde», «À Volta de Bucareste», «Imagens do Marroco Português» e «Além-Mar em África».

Exemplar globalmente bom no miolo, mas com a capa ligeiramente desgastada e uma ligeira quebra à cabeça das folhas finais provavelmente decorrente de queda. Pertenceu ao médico e bibliófilo coimbrão Júlio Formigal, de quem tem a discreta assinatura.

15€

Ricardo Jorge ― Camillo e Antonio Ayres

Camillo e Antonio Ayres (Seguido do poema “As Commendas”) / (Com um retrato de Camillo e outro de Antonio Ayres) / 1.º Milhar

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. (Tip. da Sociedade de Papelaria, L.da ● Pôrto ● 1925). In-8º de CCLVII, [I], [8], 84, III, [III] págs. Br.

O longo e hoje pouco interessante comentário da polémica, de que algumas peças são aqui transcritas, é frequentemente acompanhado de notas acerca da vida portuense na época a que respeita (grosso modo, a de infância e juventude do autor).

Exemplar ainda por estrear, conservando a totalidade dos cadernos por abrir; com uma etiqueta de biblioteca colada pelo respectivo anterior proprietário no pé.
 
15€

Ricardo Jorge ― Sermões dum Leigo

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. [S/d - 1925?]. In-8º de [8], 327, [3] págs. Br. 

Edição primeira destas “emissões oratorias, soadas ao sabor vario dos tempos e dos auditorios, (…) umas por imposição de dever, outras por condescendencia indeclinavel”, a saber: «Sousa Martins», «João Semana», «O Medico Penitente», «A Guerra e o Pensamento Medico», «A Intercultura de Portugal e Espanha no Passado e no Futuro», «Maximiano de Lemos» e «A Proposito de Pasteur».
Exemplar do primeiro milhar impresso.

15€

Ricardo Jorge ― Passadas de Erradio

Passadas de Erradio (Impressões e estudos de viagem ) / (1.º milhar)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. (1924). In-8º de 318, [2] págs. Br.

Segundo volume de um díptico de literatura de viagem, publicado como sequência de Canhenho dum Vagamundo. Apresenta os textos «Il Duce – Impressões de Florença» (o autor estava na belíssima cidade italiana quando Mussolini, subindo após a tomada de Roma, lá foi recebido em apoteose – aproveitando para assistir, e demasiado bem impressionado por Il Capo, deixava aqui dessa manifestação a reportagem), «A Cortina de Pedra de S. Marcos – De Coimbra a Veneza», «Pela Puerta del Sol», «Na Côrte das Nações», «No Centenário Pastoriano», «Aspectos de Paris» e o longuíssimo e anterior «Em Quarentena de Guerra» (em Paris no desenlace do primeiro conflito mundial).

Exemplar aparentemente já lido, e com ligeiro desgaste da capa, mas não apresentando defeitos de importância.
 
14€  

Ricardo Jorge ― Canhenho dum vagamundo (Impressões de Viagem)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da/Lisboa. (1923). In-8º de IX, [I], 296 págs. Enc.

Edição original deste repositório de apontamentos de viagem (por Londres, Paris, Suíça, Mónaco e Catalunha), cada uma “projectada na taboa raza dum espirito, facil de adivinhar por inteiro, porque nos seus refêgos mesmo se retrata ao trasladar das impressões que o animaram”; dedicada à memória da mulher (morrera em 1922), Leonor Maria dos Santos, e ilustrada em folha destacada preliminar pela reprodução de uma caricatura do autor tirada precisamente durante a estadia londrina.
Recorde-se que o livro foi recentemente publicado em fac-simile pelo jornal Público, sendo o escolhido de Ricardo Jorge na colecção Médicos Escritores.

Exemplar do primeiro milhar impresso.
 
18€

Ricardo Jorge ― Canhenho dum vagamundo (Impressões de Viagem)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da/Lisboa. (1923). In-8º de IX, [I], 296 págs. Enc.

Outro exemplar da mesma edição primitiva, este da série encadernada pelo editor – em percalina gravada a ouro – do primeiro milhar.

22€   


Ricardo Jorge ― I – H – S

I – H – S (Discurso pronunciado na sessão academica consagrada a S. S. Pio XI e celebrada na Sala Portugal da Sociedade de Geografia a 6-2-29 / Com um Postfacio)

Lisboa – 1929. (Composto e impresso na Imprensa Lucas & C.ª). In-4º de 29, [3] págs. Br.

Palestra em defesa do cristianismo por um assumido católico nada praticante, que para o efeito invocava e comentava os casos de mais inveterados predecessores ilustres, alguns deles – os do Porto – ainda por ele conhecidos: Antero, Gomes Leal, Junqueiro, Basílio Teles, Sampaio Bruno. “A cruzada hoje é outra: não há que estremar dissidências entre fieis nem pelejar contra infieis. A Igreja não enrista nem afia espadas, quer que elas se abaixem e se embotem. Ha sim que implantar a paz do mundo, estandardizada pelos braços abertos do crucifixo: a paz que com a glória a Deus nas alturas seja a paz na terra aos homens de bôa vontade, que não são muitos, e aos de má vontade, que são legião”.

Exemplar com alguns picos de acidez na capa. 

12€  

Ricardo Jorge ― Demographia e Hygiene da cidade do Porto

Demographia e Hygiene da cidade do Porto ― I: Clima-População-Mortalidade (illustrado com quadros estatisticos, tabellares e graphicos, referentes ao Porto, Lisboa e Reino, e confrontos internacionaes / por / Ricardo Jorge (Medico municipal, lente de hygiene e medicina legal na Escola Medico-Cirurgica do Porto, socio correspondente da Academia Real das Sciencias, do Instituto de Coimbra, e da Sociedade das Sciencias Medicas.))

Editado pela Repartição de Saude e Hygiene da Camara do Porto, 1899. In-4º de 444, [4] págs. Cart.
 
 
Tomo inaugural de um projectado «Annuario do Serviço Municipal de Saude e Hygiene da Cidade do Porto» que, salvo erro, não teria continuação, foi este um dos primeiros livros do higienista e é hoje raro – e bastante desconhecido mesmo entre os coleccionadores de bibliografia portuense, à qual interessa e não pouco.

“Quando em fins de 1892 se installou a Repartição municipal de Saude e hygiene, um dos serviços que a ex.ma camara nos auctorisou logo a crear, foi o da estatistica demographica da cidade. Era litteralmente uma vergonha que uma grande cidade como o Porto não tivesse um registro seu do movimento da sua gente. (...) O Porto vive no esquecimento d’essas cifras; se a semana foi boa ou ruim no mercado dos generos ou nas operações bancarias, ha muito quem escrupulise em sabe-lo; mas se os cemiterios enguliram mais cadaveres, se a tisica ou a febre typhoide diminuem o rebanho, a quem se lhe dá isso?! (...) Tentou-nos, como preliminar, a historia populacional do Porto, as causas e a marcha do seu desenvolvimento, rastreadas principalmente atravez dos documentos archivados no cartorio municipal. E’ um ensaio de demogenia local e estatistica historica, e ao mesmo tempo um esboceto da evolução social d’esta cidade que a historia tam ingratamente tem despercebido, esta cidade do Porto tam digna de rememoração como «velha burgueza, mãe do Portugal, que ella criou, vestiu de ferro, e fez nação, robusta e destemida, entre os seus braços e sobre a amurada das suas naus (Camillo)”, assim apresentava o autor num longo prefácio este seu trabalho, que dizia pioneiro na estatística e no qual destacava “a construcção dumas taboas de vida, mortalidade e sobrevivencia, raro tentada lá fóra em grupo urbano, e pela primeira vez ensaiada para um grupo social portuguez”.

Antes do tratado propriamente dito, também a longa exposição inicial acerca da história da cidade merece atenção, apesar de padecer um tanto dos mesmos defeitos e insuficiências que R.J. criticava a outros – v.g. a confusão entre Cale e Gaia, porém desculpável numa altura em que ainda se começava a desfazer esse e outros equívocos sobre a origem do burgo que ainda hoje confundem tanta gente...

Compõe-se das secções «Meteorologia – Clima», «Demographia – População» (com os capítulos «Origens e Desenvolvimento», «Composição censuaria» e «Movimento da população») e «Mortalidade» («Mortalidade geral», «Mortalidade especial», «Taboas de mortalidade e sobrevivencia» e «Mortalidade local»); apresentando, no texto e em folhas destacadas, toda uma profusão de gráficos, mapas, quadros e tabelas com diversíssimos dados geográficos e higiénico-sanitários relativos, sobretudo, ao último quartel do séc.XIX.

50€

O Porto em Quarentena

Todos temos lido nestes dias muitas reportagens e foto-reportagens sobre um Porto em quarentena "como nunca esteve". Será que não? Em quarentena, já esteve, e bem mais severa. A diferença é que as pessoas podiam sair à rua...
 
Há cerca de 120 anos, no Verão de 1899, o burgo viu-se assolado por uma epidemia de peste bubónica (terceira vaga da velha conhecida «Peste Negra» também com origem, para não variar, na China). Começou no coração da Ribeira e rapidamente se foi espalhando sobretudo pelos bairros operários mais modestos. Chamado a auscultar, o nosso patrício Ricardo Jorge, director dos serviços municipais de saúde e já à época especialista máximo em todo o país, tomou as devidas anotações e medidas, das quais deu conta ao governo. Entre muitas hesitações, o progressista («mutatis mutandis» o correspondente ao socialista de agora) primeiro-ministro José Luciano de Castro acabou por decretar o isolamento forçado da cidade, com um cordão sanitário que começava em Matosinhos, seguia o rio Leça (São Mamede, Ermesinde, etc.) e dava a volta pelo Douro (Oliveira do Douro e Avintes) até chegar ao mar, mais ou menos entre as actuais praias da Madalena e de Valadares. Tropas auxiliares do Minho e do Douro (Viana, Guimarães, Chaves, Vila Real, etc.) asseguravam o confinamento por entre os protestos e manifestações - sim, manifestações !, os portuenses podiam adoecer, não podia é chegar ao resto do país... - locais; mas nessa altura, claro, já grande parte da população se tinha escapulido, o que ia dar ao mesmo. Ricardo Jorge passou a ter de andar sob escolta na sua cidade e entre os seus conterrâneos, talvez também por isso acabando por perder a paciência e se fixar em Lisboa, como Garrett e como Ramalho antes. Isto apesar de se ter sempre oposto (este ponto é importante) ao cordão sanitário. Em Lisboa, além de «patrocinar» o Instituto Nacional que depois lhe viria a tomar o nome, foi dirigir e reformar de alto a baixo a recém-fundada... Direcção-Geral de Saúde. Quanto à peste, se servir de termo de comparação, duraria cerca de três meses e pelas contas oficiais saldar-se-ia «apenas», salvo erro (desculpem o livreiro que leu sobre isto há muito tempo), em pouco mais de três centenas de infectados e pouco mais de uma centena de mortos. Muito à portuguesa, o isolamento terminava simbolicamente na véspera de Natal.

Em 1900 seriam pela primeira vez eleitos deputados republicanos às Côrtes, e os três pelo círculo do Porto - incluindo um jovem Afonso Costa que advogava e começava a conspirar politicamente na cidade. Supõe-se que a crise sanitária do ano anterior tenha sido um dos factores decisivos (além do velho republicanismo da Invicta) para a eleição.