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Scriptorium (X)

Só escrevo, às horas mortas, quando o grande silêncio nasce do último ruído que se extingue...
O silêncio é o Verbo divino, o sopro de Deus que desperta o nosso espírito -, e beija-nos também na face.

Scriptorium (VIII)

Impressa nas oficinas de Koberger - a quem de resto é atribuída, de modo um tanto temerário, tanta a gente que nelas trabalhava -, esta gravura sobre madeira representa Santa Brígida  numa justíssima  pausa entre Revelationes. 

Scriptorium (VII)

Nas caladas noites de inverno, quando despego o olhar dos papéis, encontro sempre os teus olhos que me envolvem de ternura. Isto é quási nada - e revolve o mundo. 
 
(in O Silêncio e o Lume - Memórias, Vol. II)

Scriptorium (VI)

Eleanor (como é belo este nome)  Fortescue-Brickdale foi artista da impropriamente chamada terceira geração pré-rafaelita, de que deverá ter parecido um dos casos de mais profusa actividade, sobretudo repartida entre pintura e ilustração. A imagem aqui reproduzida, figurando Heloísa e Abelardo, é  das que ilustram o seu Golden Book of Famous Woman, publicado pela Hodder and Stoughton em 1919 e até hoje várias vezes reeditado.

Scriptorium (V)

Se eu ficasse aqui, indefinidamente a escrever,
transformar-me-ia num tecido puído; desfeita quando
alguém, ou alguma coisa, me tocasse, deixando apenas
poeira com o brilho das palavras e dos seres
 
Jodoigne, 31 de Dezembro de 1976 - in Finita (Diário 2)
 
Maria Gabriela Llansol

Scriptorium (IV)


Tendo sido encarregado dessa ilustração para o renovado edifício da já então famosíssima Biblioteca do Congresso norte-americano fundada por Thomas Jefferson, compôs Alexander, terminando o séc.XIX, um conjunto de seis pinturas murais sobre «The Evolution of the Book». A que aqui se reproduz foi a dedicada ao livro manuscrito medievo.

Scriptorium (III)


As sílabas de cedro, de papel,
A espuma vegetal, o selo de água,
Caindo-me nas mãos desde o início.
 
O abat-jour, o seu luar fiel,
Insinuando sem amor nem mágoa
A noite que cercou o meu ofício.
 
(Soneto Fiel, in Sobre o Lado Esquerdo, 1968)


Carlos de Oliveira

Scriptorium (II)

(Primeira das ilustrações sobre folhas à parte desenhadas por Lima de Freitas para a tiragem especial de Maria Benigna, de Aquilino Ribeiro / Bertrand, 1958)

Scriptorium (I)

Eu, que vivo de lado, sou à esquerda de quem entra

(in Água Viva, 1973)









Clarice Lispector