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Antero de Quental — Sonetos
Prosa Doutrinal de Autores Portugueses
Portugália Editora, Lisboa (este livro foi impresso para a Portugália Editora na Tipografia Labor). [S/d]. In-8º de 472, [IV] págs. Cart.
É extenso de duas dezenas de páginas o exórdio preliminar de Sérgio, começando depois a recolha de textos de Duarte I, Fernão Lopes, Francisco de Morais, Francisco de Holanda, Amador Arrais, António Vieira, Luís António Verney, Ribeiro Sanches, Francisco Xavier de Oliveira, José Agostinho de Macedo, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Moniz Barreto e Sampaio Bruno.
Primeira edição, primeira série.
Exemplar artesanalmente cartonado, mas aproveitando todas as faces da capa primitiva.
15€
António Sérgio — Sôbre Educação Primária e Infantil
"Permitam-me notar, antes de mais, que a incompetência da escola não seria tão grande se o objectivo do ensino fôsse encher, digamos assim, os estudantes, com o abstracto conhecimento das afirmações da ciência. Mas o objectivo não é, não deve ser êsse: é fazer a cultura de cada espírito, emancipar os indivíduos, servir o progresso social; é treinar as inteligências, a fim de as tornar cada vez mais plásticas, universalistas e libertas de limitações, como exige a moderna democracia (...) preparando os Portugueses para uma vida mais humana, mais progressiva, mais fecunda, dentro de uma forma social mais justa", era o início do exórdio.
Exemplar com algum desgaste exterior.
António Sérgio — Sobre Educação Primária e Infantil
Não estando datada, pode supor-se que esta nova edição saísse dos prelos já uns bons anos depois da primeira, dadas as cinco dezenas de títulos então constantes desta série dos Cadernos Culturais da editora de Eduardo Salgueiro.
Exemplar por estrear, conservando os cadernos inteiramente por abrir.
Campos Matos — Diálogo com António Sérgio
“Levaram-nos os trabalhos preparativos de nova edição da Bibliografia de António Sérgio, que havíamos publicado pela primeira vez na Vértice, em 1971, ao manuseamento de uma enorme quantidade de escritos sergianos, sobretudo de publicações periódicas sepultadas nos arquivos, de suma importância para o conhecimento da sua personalidade de escritor. / Assim surgiu a ideia de publicação deste «diálogo», que foi surgindo em paralelo com a Bibliografia e pretende proporcionar uma imagem tão completa quanto possível do pensamento do autor dos Ensaios, neste ano comemorativo do centenário do seu nascimento. / Aqui se transcrevem depoimentos feitos pelo escritor à rádio, a jornais, a revistas literárias e musicais; alguns documentos inéditos e desconhecidos e, naturalmente, textos extraídos dos seus livros”.
10€
António Sérgio — Correspondência para Raul Proença
Correspondência para Raul Proença (Organização e Introdução de José Carlos González/Com um Estudo de Fernando Piteira Santos)Publicações Dom Quixote e Biblioteca Nacional. Lisboa. 1987. In-4º de 276, [2] págs. Br.
Publicada na série «Memória Portuguesa», a recolha integra a maior parte da correspondência de Sérgio no espólio de Raul Proença na BN – juntando-lhe no fim a longa carta de Londres a Pascoaes e várias a Cortesão, entre algumas outras – e é um documento do maior relevo para o estudo do teatro político na 1ª República. O prefácio de Piteira Santos tem como título «Um tema polémico na correspondência de António Sérgio e de Raul Proença: a Monarquia e a República».
17€
Depoimento contra Depoimento
Edição dos Serviços Centrais da Candidatura, Lisboa — 1949. (Gráfica Lisbonense). In-8º peq. de 63, [I] págs. Enc.
Gilberto Freire ― O mundo que o Português criou
1940, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 164, [4] págs. Enc.
Embora esse leit-motiv de toda a sua bibliografia aflorasse já de forma bastante clara desde os seus primeiros trabalhos, apesar das nuances que pontuam por exemplo Casa Grande & Senzala, pode e deve considerar-se este o tratado propriamente fundador do lusotropicalismo – o tempora, o mores, com extenso prefácio de um dos mais encartados opositores ao Estado Novo, o qual de passagem se insurgia contra a “retórica histórico-patrioteira” a que hoje o pós-colonialismo reduz com alguma ignorância a coisa. Na introdução, Freire explicava que esta edição original (sob o título) se baseava em Conferencias na Europa, saída dois anos antes – mas acrescentando quer texto, quer apensos às quatro conferências em causa: «Aspectos da influencia da mestiçagem sobre as relações sociaes e de cultura entre portugueses e luso-descendentes»; «Importancia dos estudos de historia social e cultural para as relações entre portugueses e luso-descendentes»; «Suggestões para a cooperação luso-brasileira no estudo de problemas de historia de arte culta e popular»; «O Nordeste do Brasil e seus pontos de contacto com outras areas americanas especializadas na producção do açucar».
Outro exemplar da biblioteca brasiliana de Aurélio Pereira Martins, com uma boa encadernação mas infelizmente desprovida da capa de brochura.
António Sérgio — Considerações Historico-Pedagogicas
Edição da «Renascença Portuguesa», Porto. (1915). In-8º de 73, [7] págs. Br.
Foi um dos primeiros livros publicados pelo autor, cuja curta bibliografia prévia aparece (embora incompletamente) indicada.
14€
António Sérgio — Ensaios (Tomo II)
“É este o segundo volume dos meus Ensaios, que sai uns oito anos depois do primeiro. Fazendo da pena uma charrua, e não um buril, trago um objectivo de acção prática, e é este tomo uma contribuição, como aquele, para o estudo da reforma da mentalidade e da formação social do Português”, apresentava Sérgio o seu livro publicado em edição de autor, constituído pelos seguintes ensaios e conferências: «O Reino Cadaveroso ou O problema da cultura em Portugal»; «As duas políticas nacionais»; «O clássico na educação»; «A propósito dos «Ensaios Políticos»»; e «Divagações pedagógicas».
Exemplar artesanalmente cartonado, conservando a face inferior da capa primitiva (da superior parece ter sido tirada uma cópia aposta sobre a pasta).
António Sérgio — Antígona
Primeira edição da peça, já invulgar.
17€
António Sérgio — Pátio das Comédias
1958 / Editorial Inquérito Limitada, Lisboa. 6 vols. in-8º. Br.
Postas em forma de diálogo às vezes caricato, ou para fintar a Censura ou apenas porque sim, a cada uma das jornadas correspondem temas típicos de Sérgio, da democracia às cooperativas e às indústrias.
António Sérgio — Confissões de um Cooperativista
Editorial Inquérito Limitada. [S/d]. In-8º de 37, [3] págs. Br.
“Sempre o considerei [o cooperativismo] como uma fórmula de vida, uma estrutura de sociedade, uma visão de paz; como um sistema, uma solução, um ideal, um alvo – um objectivo para todos, um ideal para todos, que a todos se dirige, que se não recusa a ninguém. (...) para o advento de uma democracia que não há-de ser fictícia, porque dispensa os políticos e a actuação pelo Estado (...) Vi nele um socialismo, em suma, mas não estadualista: um socialismo libertário, acolhedor de todos, sem distinção de classes de teor económico”
António Sérgio — Sobre o Espírito do Cooperativismo
Longa digressão sobre as suas teorias cooperativistas (que advogavam explicitamente a «democracia popular» e o «socialismo libertário», entre toda uma profusão terminológica que nos poderá hoje parecer confusa), o estudo de Sérgio invoca a todo o tempo a experiência e a história dos países do Norte da Europa – em particular, da Inglaterra, onde as primeiras investidas nesse sentido remontariam já, segundo ele, a Rochdale e a meados de Oitocentos. Com referências detalhadas a Oliveira Martins, Ramalho e Antero, o volume integra ainda em apêndice uma série de «Pensamentos condicentes com o espírito cooperativo», transcrevendo períodos de Marco Aurélio, do Evangelho Segundo S.João e S.Mateus, de Antero (estes, especialmente extensos e acompanhados da transcrição de 3 sonetos), etc.
Exemplar em muito bom estado, descontando manchas de acidez na capa e de escurecimento marginal do papel no miolo. Pertenceu ao polígrafo e ministro salazarista Cortês Pinto, de quem tem a assinatura no frontispício.
António Sérgio — Crimes perpetrados pela Editorial Labor...
Editorial Inquérito Limitada, Lisboa. [S/d]. In-8º de 13 [aliás, 11], [1] págs. Br.
“A Editorial Labor empreendeu segunda edição da minha História de Portugal sem me prevenir, encarregando de a desfigurar um indivíduo destituído de senso moral e com ideias acentuadamente contrárias [sic] às minhas”, que por exemplo resolveu introduzir no volume notas de louvor a Salazar e a Franco, ao Estado Novo e ao fascismo espanhol, com bastante descaro. Optando por este folheto de desagravo em vez de, supomos, a correspondente acção nos «tribunais» que, em Espanha como cá, talvez não lhe trouxesse grande sorte, Sérgio termina esta sua queixa com uma nota curiosa: a de que sempre recusou aos editores portugueses um compêndio de história pátria para não prejudicar (não se entende muito bem porquê, até porque houve versões em inglês e em alemão...) a editora espanhola.
Da edição original (1929) dessa História de Portugal nunca em Portugal publicada temos dois exemplares, um dos quais já apresentado nesta mesma página, aqui .
7€ (reservado)
António Sérgio — Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real
Esta segunda edição inclui a abrir uma «Nótula Preambular» de apresentação redigida pelo autor.
Bom exemplar, mas como de costume afectado por acidez nalgumas folhas.
7€
Antero de Quental ― Odes Modernas
Propriedade e Edição de Couto Martins. 1952. Lisboa. In-8º gr. de 207, [1]. Br.
O prefácio de Sérgio estende-se até à pág.33, tratando sobretudo da influência de correntes e autores vários no pensamento político de Antero e transcrevendo excertos de cartas suas a Storck, Canizzarro e Manuel Sardenha.
Exemplar em bom estado, descontando só alguma acidez na capa e uma pequena assinatura de propriedade (nas primeiras páginas do prefácio e do texto).
António Sérgio ― Antero de Quental e António Vieira
Biblioteca Fenianos. Porto – 1948. In-8º de 32, [2] págs. Br.
Primeira edição, já invulgar. Da conferência – vigorosa, revolucionária – de Sérgio ressaltava a radical ideia de nunca ter existido, em lado algum, uma «civilização» cristã, fazendo a crítica global da sociedade europeia até ao séc.XX, apoiada no pensamento de Antero e do Padre António Vieira (este, abundantemente citado).
Exemplar um quanto manchado na capa. Miolo em relativo bom estado, apesar de pequenas marcas pontuais e de algum escurecimento marginal das folhas, natural dado o tipo de papel usado.
10€
António Sérgio ― Historia de Portugal
Editorial Labor, S. A. : Barcelona - Buenos Aires. (1929). In-8º de 190, [2], XVI, [2] págs. Enc.
Foi mesmo esta espanhola a primeira edição, hoje valorizada q.b., de um livro que, apenas previsto, não chegou por cá a sair (só mais de dez anos corridos se publicaria «História de Portugal - Interpretação Geográfica», primeiro, e depois «Breve Interpretação da História de Portugal», ambas já outra coisa). Pouco passando de um esboço de síntese, tem ainda assim, hábito nos escritos de Sérgio, muito que se lhe diga: bastará de exemplo o breve capítulo final, que plana sobre três supostas gerações românticas da literatura portuguesa (a terceira seria a de 70, Eça, pasme-se, incluído, perfeito disparate forçado só para encarreirar entre os pares um «romantismo» que se quer atribuir a Antero de Quental...) ignorando, olimpicamente, o nome de Camilo Castelo Branco, apenas um de vários escritores reunidos “em torno de Castilho”, para logo a seguir conferir destaque individual, entre muitos mais, a... Moniz Barreto. Criteriosíssimo, portanto.
Exemplar, em especial, duplamente valorizado: por conservar a sobrecapa em papel (que tem, contudo, pequenas falhas) normalmente em falta, aqui como em Espanha, nos volumes desta Colección Labor; e pela dedicatória – embora pareça tardia – que Sérgio nele depois manuscreveu “A José Neves Águas [polígrafo mais conhecido como biógrafo de Cortesão, ligado também à Seara Nova], com apreço”. De Neves Águas sendo ainda o ex-libris que lhe foi aposto ao lado.
40€
António Sérgio - Educação Cívica (2.ª edição)
O curto prefácio que Sérgio compôs de propósito para esta edição fazia estilo dizendo ser o seu livro – publicado de início em 1915, e constante dos capítulos «O «self-government» e a escola», «Objecto e princípios do Município Escolar. Papel do professor», «Organização dos Municípios Escolares», «A justiça e a disciplina. Os resultados», «Combinação do «self-government» e do «self-support». A «Junior Republic»», acrescidos no final de espraiadas notas - naquela década de 50 só próprio para portugueses que fossem “tão afastados da indisciplina como do totalitarismo fascista”, leia-se logo Primeira República (que não o tratou nada mal, e da qual ainda em 1923 era Ministro...) e Estado Novo (aqui, como outras vezes, a precisão em teoria política não parecia a mais acurada: se o regime de Salazar era ou não, em sentido estrito, fascista, ainda agora se discute, defendendo alguma direita que não; do que não há discussão, como já na altura não haveria, é a natureza autoritária – e não totalitária – de uma ditadura também imprecisamente mesmo hoje chamada, ou, pelo menos, subentendida, segunda «república»: in medio virtus).
Exemplar em bom estado, salvo ligeiras manchas sobre a frente da capa.
