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Sintra e Sintrenses no Ultramar Português

Lisboa (nas Oficinas Gráficas da Casa Portuguesa). MCMXLIX. In-4º de [4], 106, [2] págs. Br.

 
O estudo – necessariamente incompleto, como logo de início o autor sublinhava – procura dar conta de vários sucessos relativos à expansão portuguesa que foram decididos ou conhecidos em Sintra e de várias personagens, ligadas à povoação pelo nascimento ou por residência, que nela intervieram; começando nos primórdios dos Descobrimentos (abre o volume pela narração da recepção de João I, no Paço Real, aos primeiros emissários enviados a Ceuta para estudar as perspectivas de conquista) e acabando nos anos logo subsequentes às invasões francesas. Na parte final são reproduzidos em longo apêndice documentos diversos, quase todos pertencentes ao Cartório da Misericórdia, naquela curiosíssima prosa da época (de que é por inteiro respeitada a ortografia). Primeira edição.

Exemplar da série de 150 numerados e rubricados pelo autor, valorizado ainda por uma dedicatória manuscrita de oferta pelo próprio Silva Marques na folha de guarda, de que foi praticamente apagado o nome do dedicando.
 
35€ 

Salgueiro Maia — Capitão de Abril

Capitão de Abril: Histórias da Guerra do Ultramar e do 25 de Abril / Depoimentos

Editorial Notícias (1994). In-8º de 164, [II] págs. Br.

Primeira edição, de publicação já póstuma, várias vezes reeditada nesse mesmo ano e depois mais recentemente aproveitada para uma nova edição, deste testemunho na primeira pessoa do herói da nossa 2.ª República - com um pequeno «dossier» fotográfico em folhas destacadas impressas sobre papel couché.
Depois dos textos de Fernando Salgueiro Maia há alguns outros de civis e militares como Francisco Sousa Tavares e Vasco Lourenço.

10€ 

António Lobo Antunes ― D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto

D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto (Cartas da Guerra) / Organização: Maria José Lobo Antunes, Joana Lobo Antunes

Dom Quixote (2005). In-8º de 431, [1] págs. Cart.


Na sua breve nota introdutória, diziam as filhas do casal e detentoras do espólio que "qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos. / A escolha de as publicar não é nossa: é a vontade expressa da nossa Mãe, destinatária e conservadora deste espólio até há pouco tempo. Sempre nos disse que as poderíamos ler e publicar depois da sua morte, e esse momento chegou agora".
Ao longo de todo o volume há a reprodução de fotografias da família e da vida do escritor na sua comissão de serviço em África durante a guerra colonial, entre outros aspectos.
A capa foi cartonada pelo editor, pertencendo este exemplar à primitiva série, com uma fotografia dos noivos no casamento.

20€

Henrique Galvão — Por Angola

Por Angola (Quatro anos de actividade parlamentar)/1945-1949

Edição do Autor/Depositária: Livraria Popular, Lisboa. (Composto e impresso na Gráfica Santelmo). In-8º gr. de 367, [1] págs. Br.

“Não tem este livro, que ressuscita os trabalhos do autor, durante os quatro anos da quarta Legislatura, em que representou Angola na Assembleia Nacional, outro intuito senão mostrar àqueles que o elegeram como cumpriu o mandato que lhe foi confiado – e àqueles outros que desejariam ter sido representados por outro deputado e lutaram por outras ideias, que os interesses de Angola nem por isso deixaram de ser defendidos e apregoados com isenção e probidade”; Galvão, então ainda nas boas graças do Estado Novo, fôra convidado por Marcelo Caetano, pela época o Ministro das Colónias, a encabeçar uma nova lista às eleições em questão.
Primeira edição, pouco frequente.

25€

Henrique Galvão — Terras do Feitiço (contos africanos)

Depositária: Parceria António Maria Pereira, Lisboa. (Composto e impresso na oficina «Ottosgrafica, Ltd.ª. In-8º de 199, [5] págs. Br.

Primeira edição, publicada pelo próprio autor e já relativamente rara. Constam do volume os contos «A aventura de António Pais», «Mulheres Boers», «Pai, filho e dono», «O branco que odiava as brancas», «História sentimental dum leão e dum porco», «A valorização de M.me Gaudens», «O macaco e o macaqueiro», «Regresso às Trevas», «Feitiço», «Aquela branca no mato», «Terras do Feitiço (Usanças do gentio)», «Pretos e brancos» e «Era uma vez em África».

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita de Galvão, sobre a folha de anterrosto, a Pinheiro Torres.
 
38€

Henrique Galvão — O Vélo d’Oiro

O Vélo d’Oiro (Romance colonial)/1.º Prémio de Literatura Colonial – 1933//2.ª edição

Depositária: Parceria António Maria Pereira, Lisboa. (Composto e impresso na Ottosgrafica, ltd.). In-8º de 291, [1] págs. Br.

Edição do autor, já invulgar.

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita do próprio Henrique Galvão.
 
25€

Jaime Cortesão — A Carta de Pêro Vaz de Caminha

Portugália Editora |  Lisboa. (1967). In-8º de 377, [7] págs. Br.

Já póstuma, esta segunda edição (mas primeira portuguesa) reproduz basicamente a original, com o estudo preliminar de Cortesão e a reprodução em fac-simile da carta.

Exemplar por estrear, conservando as folhas por abrir.
 
14€

Augusto da Costa ― Portugal, Vasto Império (um inquérito nacional)

Lisboa: Imprensa Nacional, 1934. In-4º  de 166, [2] págs. Br.

Preparado no desejo de sublinhar Portugal “um grande império colonial, e o mais antigo de todos êles”, para o afirmar capaz “de manter no mundo a situação de terceira potência colonial” e invectivar na propaganda da sua defesa os intelectuais portugueses, a quem caberia “o dever sagrado de levantar as fôrças morais do País, acordando a consciência nacional”, o inquérito contou com a colaboração de, entre outros, Afonso Lopes Vieira (de quem aproveitou o título), Fernando Pessoa (com uma primeira resposta extensíssima, a mais longa do volume, naquela típica prosa enrolada do crítico, e defendendo genericamente, como de costume, a ideia do sebastianismo e de um «Quinto Império» português), Bento Carqueja, Sousa Costa, Marcelo Caetano (na altura, muito novo ainda, mas sendo-lhe já augurado pelo autor um promissor futuro), João Ameal, Paiva Couceiro, Fidelino de Figueiredo (talvez o nome a mais destoar num elenco francamente virado à direita) e Alberto de Monsaraz.

Exemplar em bom estado geral, tendo o papel bem conservado, só pontuado por alguns vestígios de acidez; mas em prejuízo pela falta da frente da capa, suprimida na encadernação.

25€

Tempo de Falar (Diário da invasão de Goa)

Edição do Autor. [S/d – 1961?]. In-8º de 94, [2] págs. Br.

Com várias dedicatórias e um prefácio ao «leitor», em que escrevia o autor, Arnaldo Bastos Martins, “Disse e repito que nada sei de política e que este meu diário não passa dum depoimento pessoal. Quero contar o que vi. Pretendo dizer a verdade, essa verdade sem disfarces nem enfeites que não consta dos discursos com que, em Goa, fomos bombardeados todos os dias, durante três anos, pela rádio, pelos jornais, pelos livros e pelas sessões públicas”; e, a propósito do abandono final da praça, “Que os meus juízes se lembrem de que é fácil ser-se patriota nos bairros chiques da Lapa ou do Restelo, nos cafés da Baixa e nas praias da linha do Estoril. É simples ser-se herói quando são os outros que enfrentam o perigo”.
 
Exemplar com marcas pronunciadas de acidez na capa e nas folhas preliminares; melhor ao longo do volume, apenas com um escurecimento marginal do papel.

10€

Past and Present Associations between Japan and Portugal

(Na capa: Souvenir Book relating to the Past and Present Associations between Japan and Portugal // compiled by F. X. da Silva e Souza, Kobe // for the Historical Exhibition to be held in Lisbon in 1940)

[Presumível nota de impressão em caracteres japoneses]. In-4º de 238, [1], 46, [2], 8, 9, 8, [1], 44, [1] págs. + [1] desd. Br.

Silva e Sousa, então o cônsul português em Kobe, explicava em nota preliminar ter optado pela língua inglesa por assim supor a edição acessível simultaneamente aos seus compatriotas e aos japoneses; lamentando-se do menor aprumo nesse idioma, que seria – e foi-o, de facto – mais do que compensado pela profusão de interessantes fotogravuras reproduzidas ao largo do volume. Afora os textos e apontamentos diversos sobre a história de cada um dos países e as descobertas lusíadas, com particular foco nas do oriente e nas sucessivas relações estabelecidas entre Portugal e o Nippon (delas constituindo o livro importantíssimo documento), desde as primeiras embaixadas e missões jesuítas, séculos fora, serão de destacar três dezenas de páginas dedicadas a Venceslau de Morais – a quem o autor sucedera no consulado e aqui dedicava notas várias, apresentando, entre outras coisas, alguns retratos e o longo texto do testamento, redigido dez anos antes da morte. Da riqueza e variedade das fotografias e geral ilustração talvez não valha a pena falar (porque seria isso quase outro testamento), cabendo apenas referir, no final do livro, um dossier dedicado à digressão do presidente Carmona pelas colónias africanas (perpassa, aqui e em mais alguns pontos, certa propaganda ao Estado Novo, como era então habitual), a que se seguem mapas estatísticos e publicidade.

O exemplar pertenceu ao polígrafo Neves Águas, de quem tem colado o ex-libris, e, ainda que em boa condição geral, está um tanto desdourado por algum desgaste da capa (cartonada): principalmente, da percalina que reveste o encaixe.
 
40€

Roteiro da costa do Brasil

Roteiro de todos os sinais, conhecimentos, fundos, baixos, alturas, e derrotas que há na costa do Brasil desde o cabo de Santo Agostinho até ao estreito de Fernão de Magalhães (Edição Fac-Similada do manuscrito da Biblioteca da Ajuda / Leitura, introdução e notas de Melba Ferreira da Costa)

Tagol / Lisboa, 1988. In-8º gr. de [14] págs. + 33, [20] ff. + [1] desd. Enc.

A que era à época directora da antiga biblioteca real dizia na sua introdução salientar-se dela, entre todo o acervo manuscrito e impresso, este roteiro (atribuído por Jaime Cortesão e outros a Luís Teixeira, e chegado à Ajuda por venda a D. José após o terramoto), ao que caberia “lugar de honra pela originalidade que o destaca das demais espécies quinhentistas como pela importância que assume na história cartográfica portuguesa”. Consistiu a edição, graficamente bem executada pela Litografia Tejo, em 3000 exemplares revestidos de uma boa encadernação integral em tecido sintéctico, imitando pele, gravado a ouro por todo, lombada e pastas (dois filetes de cercadura, rematados por floretes sobre cada um dos cantos; tendo a da frente ainda, sensivelmente ao centro, por super-libris, o emblema da antiga Real Bibliotheca com as armas da coroa portuguesa).

Exemplar a estrear, irrepreensível.

28€