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Eugénio de Andrade — Traduções (Prefácio: Vasco Graça Moura)

Modo de Ler. (Impressão e acabamento: Norprint). (2012). In-8º gr. de 275, [iii], [XII] págs. Cart. 

“Não sendo muito extenso, o conjunto das traduções de Eugénio de Andrade abrange quatro títulos, reeditados ao longo dos anos com pequenas alterações, e assume uma importância fundamental para compreendermos o poeta e o seu ofício, além de, evidentemente, nos proporcionar um contacto privilegiado com os poetas que traduz”, assim começava Graça Moura o seu prefácio, no qual, entre outras coisas, se detém a explicar por que não devemos levar muito a sério aquela negação do próprio Eugénio quanto à decisiva influência do traduzido Lorca nas suas primícias no ofício – quer o de tradutor, quer o de versejador por conta própria. [É de crer que essa negação do óbvio, já obviamente sublinhado por tantos leitores e investigadores de Eugénio, se devesse à grandeza de Lorca, que o português estava consciente de não poder «imitar»]
Os quatro títulos a que o prefaciador alude são a antologia poética de Garcia Lorca, precisamente; as Cartas Portuguesas; os Poemas e Fragmentos de Safo; e Trocar de Rosa, conjunto de versões de poetas castelhanos (António Machado, J. J. Jiménez, Guillén, os andaluzes Alberti e Cernuda, etc.), franceses (Reverdy, Prévert, Char), italianos (Montale, Sandro Penna), etc. etc.
Edição com o cuidado gráfico habitual das casas do editor Cruz Santos, cartonada e revestida de sobrecapa de papel.

Exemplares novos.

28€

Granada: El poeta y su ciudad

Granada: El poeta y su ciudad (selección de textos con Granada como protagonista) / edición de Beñat Arginzoniz

Sierpe Editorial (Este libro se terminó de imprimir en octubre de 2022 en la imprenta Mundo de A Coruña). In-8º de 139, [vii], [II] págs. Br.

À parte alguns fragmentos poéticos e teatrais e cartas de Lorca reproduzidos no final, a maior parte do volume e seu principal ponto de interesse é a recolha dos seguintes textos em prosa: «Fantasia Simbólica» (1917), «Granada» (1918), «Banquete de «Gallo»» (1928), «Historia de Este Gallo» (1928), «Granada, Paraiso Cerrado para Muchos» (1926), «Como canta una ciudad de Noviembre a Noviembre» (1933) e «Semana Santa en Granada» (1936); alguns dos quais, se ninguém o fizer entretanto, talvez venhamos a traduzir para português um dia.

18€

Beñat Arginzoniz — Federico y los perros de plomo

Sierpe Editorial (Este libro se terminó de imprimir en septiembre de 2022 en la imprenta Mundo de A Coruña. El cuerpo de Lorca sigue desaparecido. Ya nadie lo busca.) In-8º de 105, [v], [II] págs. Br.

“El componente de lo que no se sabe está en este Federico y los perros de plomo, Beñat Arginzoniz ha sabido hacer lo que nadie ha hecho, dibujar la totalidad con retazos mágicos, construir un impresionismo de palabras rebosantes de alma. Vio un niño con cara redonda pegada contra el cristal y siguió la vida de ese niño, más que su historia; el alma de ese niño, más que los acontecimientos de su existir” (...) “Lo que no sabíamos (...) es que se podía decir con palabras, pocas y elegidas palabras, la verdad de la imagen y su sombra, la biografia de Lorca” [Enrique Montiel].

17€

Vila-San-Juan — García Lorca, Assassinado: Toda a Verdade

García Lorca, Assassinado: Toda a Verdade (Tradução de M. Rodrigues Martins)

Livraria Bertrand (Lisboa, 1976). In-8º de 243, [iii], [II] págs. Br.

Publicada no ano seguinte ao da original espanhola, em Barcelona, foi a edição portuguesa deste “estudo exaustivo de um dos episódios mais discutidos de toda a guerra civil espanhola. A morte de García Lorca foi durante tanto tempo silenciada por interesses políticos que se tornou cada vez mais necessário destrinçar este trágico acontecimento, e trazê-lo a público com a máxima clareza e isenção. Do assassinato foram dadas inúmeras versões, nenhuma delas, no entanto, suficientemente comprovada”. Nas palavras do autor, Federico “foi morto por uma série de circunstâncias que confluíram, num dado momento, como numa absurda tragédia grega. No presente livro estão reunidos todos os meus conhecimentos, se bem que alguns dados devam ser lidos nas entrelinhas”.

14€  

Ian Gibson — El asesinato de Federico Garcia Lorca

Bruguera (noviembre, 1981). In-8º peq. de 413, [XIX] págs. Br.

Trabalho de investigação de muitos anos, desde que o hispanófilo irlandês Gibson chegou a Granada em meados da década de 60 para uma tese académica sobre a poesia de Lorca, que acabaria por ser trocada pela investigação biográfica – a qual viria a dar mais tarde aquela que é hoje a mais considerada biografia do nosso poeta. Publicado originalmente em 1971 (esta é uma versão revista e aumentada), o livro obteria em 1972 o Prémio Internacional de Imprensa, sob o louvor generalizado da crítica.

10€

Ian Gibson — Federico García Lorca: uma biografia

Editora Globo. In-8º de 601, [I] págs. Br.

Edição brasileira desta mesma biografia inédita em Portugal até hoje, a biografia de referência do grande poeta de Espanha, como de referência foi também a edição preparada pelo irlandês do Libro de Poemas igualmente inédito em Portugal mais de um século depois – mas disso estamos nós a tratar desde 2021 (edição original em 1921), e não deverá passar de 2026. 

Exemplar um tanto desvalorizado por algum engelhamento da segunda metade do volume, aparentemente devido a humidade.

15€

Ian Gibson — Federico García Lorca: A Life

faber and faber / London · Boston. (1990). In-8º de 551, [i] págs. Br.

“Magnificently  detailed  as  a  work  of  research  and beautifully  contoured  as  a  book”  [Seamus  Heaney,  Daily Telegraph
Federico García Lorca: A Life gives us not only the letter but he  spirit  of  Lorca:  the  charmer  who  still  charms  after decades  of being dead, the  mock-humble  egotist, the  daing young  man  on  a  poetical  flying  trapeze.  At  one  time  in  our  life  we  all  wanted  to know Lorca. After reading this book we know we have” [Guillermo Cabrera Infante, The Guardian

12€

Federico García Lorca — A morte da mãe de Charlot

A morte da mãe de Charlot / La muerte de la madre de Charlot (colección gallo verde, 19)

Ediciones El Gallo de Oro. (Esta edición se terminó de imprimir en el mes de mayo de 2022 en Printhaus, Bilbao). In-8º de 51, [I], [ii] págs. Br. 

Primeira edição portuguesa (bilingue, acompanhada do texto original castelhano) de um texto quase desconhecido por cá, redigido por Lorca antes da viagem aos Estados-Unidos e, curiosamente, dando à prosa uma toada surrealista semelhante à que de lá depois traria o seu esse sim tão conhecido Poeta em Nova Iorque.
Graficamente engraçadíssima, com capa e maquetes muito bem apanhadas de Yolanda Isasi, o único senão desta edição, ainda assim imperdível, foi algum descuido na tradução de Fernando Llarco – o que é pena, porque também teve soluções bastante boas ao verter o texto para o nosso idioma.

12€

Federico García Lorca — Seis poemas galegos

Seis poemas galegos de (...) / Prólogo de E. B. A.

Biblioteca Similar Compostelana // Ara Solis     Consorcio de Santiago. (O facsimile de Seis poemas galegos, de Federico García Lorca, rematouse de imprentar no Nadal de 1995, LX aniversario da edición príncipe e C do nacemento de Ánxel Casal, fundador da Editorial Nós). In-8º de págs. inums. Cart.

O volume teve tiragem de 1500 exemplares, 100 dos quais numerados e fora de mercado – pertencendo este à série comum posta à venda.
Cartonagem editorial com idêntica, mas a duas cores, sobrecapa de papel.

15€

Federico García Lorca — Seis poemas galegos

Editorial “Nós” – Compostela. [Aliás, Alvarellos Editora]. [“Esta edición facsimilar e ilustrada dos Seis poemas galegos de Federico Garcia Lorca reimprimiuse no mês de febreiro de 2024”]. In-8º q/quadrado de [30] ff. inums. Br.

Quarta tiragem desta edição em fac-simile originalmente publicada em 2018, com outras intermédias em 2019 e 2021 – vencedora do «Premio ao libro mellor editado» na Gala do Libro Galego de 2019. Ao fac-simile do livro de apenas seis poemas de que tanto porém haveria a dizer, e que um dia diremos numa nossa edição portuguesa, o editor Henrique [Quique] Alvarellos, fervoroso lorquiano, acrescenta uma recolha fotográfica de Federico na Galiza, que comenta – depois de ter procurado e descoberto as imagens em arquivos vários. O mesmo Quique afiança, como já nos afiançou em pessoa, serem estes os poemas galegos mais editados e reeditados (e traduzidos) em todo o séc.XX, mais do que os da própria Rosalia de Castro – que Lorca tanto apreciava, e a quem precisamente dedica uma destas maravilhosas composições. Maravilhosas e um nadinha lusas: foi o galego-luso Ernesto Guerra da Cal, natural da mesma Ferrol do caudilho Franco que lhe provocaria o exílio, quem verteu para galego tradicional os poemas que o amigo andaluz lhe ia ditando. É uma longa e misteriosa história… E “amigo”, incluindo o sentido medieval do termo, é vocábulo que vem muitíssimo a propósito, porque estas são cantigas de amigo «2.0».

Falando em Franco: o editor da edição original na Nós, Anxél Casal, seria assassinado no mesmíssimo dia de Lorca,pelas mesmíssimas (na Galiza como na Andaluzia, em Santiago como em Granada) matilhas fascistas.

15€



Henrique Alvarellos — Federico García Lorca en Santiago de Compostela

editora alvarellos (2020). In-8º de 201, [5] págs. Br.

Precioso trabalho de investigação de Quique Alvarellos, o simpatiquíssimo filho homónimo do fundador e actual responsável por esta casa galega fundada em Maio de 1977; se interessa aos assuntos galegos e à bibliografia lorquiana, interessa duplamente os interessados em ambas as coisas, como é o nosso caso. O filólogo, escritor e editor lucense fixado em Santiago dá detalhada conta das várias estadias do poeta na cidade e respectivas incidências: a primeira na juventude, durante a grande visita-de-estudo ao centro e ao norte de Espanha; e as três restantes no ano de 1932, duas consecutivas em Maio (para uma conferência sobre Rosalía) e a derradeira em Agosto, para a histórica representação da sua «Barraca» na praça compostelana da Quintana, à qual assistiram entre 6 mil e 7 mil almas - 1/4 da população da cidade.

Disponível nas duas edições/tiragens, uma em galego e outra em castelhano, ambas ricamente ilustradas (incluindo muitas fotografias inéditas).  

19€

El Gran Viaje de Estudios de García Lorca

El Gran Viaje de Estudios de García Lorca / Narrado en 1916 por su compañero Luis Mariscal / Incluye las cartas y escritos del propio Federico García Lorca / Edición al cuidado de Henrique Alvarellos

editora alvarellos (2023). In-8º esguio de 335, [III] págs. Br.

Auxiliaram o lorquiano editor na preparação deste volume Juan Luis Tapia, também editor e poeta, que aqui deixava sobre Mariscal - o discípulo dilecto do professor Berrueta, que não terá dado conta do diamante que tinha em mãos (até aí, Lorca tocava e estudava piano, raramente escrevia) - alguns apontamentos e uma resenha biográfica; e Carla Fernández, académica especialista em História da Arte. 
Quanto aos textos de Lorca, incluem cartas (como as que escreveu então à família) e algumas das primeiras prosas, entre as quais justamente das Impresiones y paisajes, seu primeiro livro publicado, constituído por notas tiradas nesta viagem. 
A edição primitiva saíra em 2018. 

22€   

Quem liam os modernistas? O «saudosista» Pascoaes

[Lidas há pouco as memórias lorquianas de Rafael Alberti, uma das mais recentes entre as múltiplas leituras a que um tradutor português de um gigante como Federico García Lorca se deve entregar - não tem a desculpa da dificuldade do idioma. A páginas tantas, conta das sessões que o grupo da «Resi» (a madrilena Residencia de los Estudiantes), incluindo ele próprio, Lorca, Aleixandre, Guillen, Salinas e outros membros da «Geração de 27», o ex-estudante Juan Ramón Jiménez, etc., fazia pelos serões poéticos. Liam: Gide, Valéry, Aragon, Eluard e... "Teixeira de Pascoaes", que aliás os viria a visitar in loco / in Lorca 1 ou 2 vezes, uma das quais correspondendo ao convite para lá pronunciar uma conferência (1923). 4 franceses e... Pascoaes. Nem este vosso amigo, adepto devoto e confesso do amarantino, faz às vezes perfeita ideia do prestígio naquela época do nosso génio Europa fora, Espanha em particular - quando nele se falava para o Nobel, em cuja short list viria mesmo a figurar. Depois, muito pouco depois, começou o investimento do Estado Novo na monomania pessoana, que após o tão ou mais centralista 25 de Abril ainda aumentaria, e juntando isso à estreiteza de vistas (salvo raríssimas excepções) da Academia e ao golpe-de-sorte brasileiro (via Adolfo Casais Monteiro e Cecília Meireles, principalmente), foi o que se sabe. 
Eis o pouco interesse dos «cânones», literários ou religiosos. Valem o que valem, e com frequência espalham-se ao comprido, sendo disso bom exemplo o descaso do «saudosismo» e «passadismo» que atribuem a Pascoaes, e que significa apenas ou que não sabem ler, ou que não perceberam nada.
Os modernistas portugueses liam Pascoaes (é aludindo a Pascoaes que Pessoa se anuncia como "Super-Camões", porque seria deselegante anunciar-se como Super-Pascoaes...). Pelos vistos, os modernistas espanhóis também. Um surrealista como Cesariny considerava-o mesmo "o mais importante poeta português". Mas a douta academia lusa decreta que Pascoaes é do passado, e a douta academia é que sabe.]

Federico Garcia Lorca — A Sapateira Prodigiosa

C.I.T.A.C / Coimbra (Dactilografou: António da Silva / Rua Tenente Valadim. Coimbra). In-8º de 51, [I] págs. Br.

Como habitualmente em edições dactilografadas, a tiragem desta, do Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, deverá ter sido relativamente exígua - e daí aparecer tão pouco, sendo uma «peça» quase desconhecida do "Respeitável público" com que começa a peça propriamente dita.

Ou toda, ou este exemplar ostenta o carimbo - branco, em relevo - do referido CITAC. 

15€

Federico García Lorca — Yerma: poema trágico en tres actos y seis quadros

Editorial Losada, S. A. / Buenos Aires. In-8º peq. de 101, [XI], [ii] págs. Br.

"Presentamos hoy la decimoquinta edición de Yerma que, en la obra dramática de García Lorca, representa una de las culminaciones decisivas. Fue estrenada en el Teatro Español de Madrid en abril de 1934 por Margarita Xirgu, alcanzando luego numerosas representaciones. Yerma es la tragedia de la esterilidad, de la maternidad frustrada, envuelta en una atmósfera de poesía tan elemental como profunda". 

5€

Federico García Lorca

5-6-1898 / 5-6-2023

Comemoram-se hoje os 125 anos do nascimento na hoje mítica Fuentevaqueros do maior poeta de Espanha, o mesmo que disse "Como não me preocupou nascer, também não me preocupa morrer" [mas qualquer leitor minimamente atento sabe que a sua poesia desmente q.b. a segunda parte desta frase de efeito]

Nós por cá continuamos nos pouquíssimos tempos livres a traduzi-lo, e a traduzi-lo, e a traduzi-lo... E a rever as traduções, e rever, e rever, e rever, e rever, e rever... Mas a coisa há-de sair; e, modéstia à parte, não desmerecerá demasiado do maravilhoso original. 

[Na imagem: Federico no dia do primeiro aniversário]

Federico Garcia Lorca — Canciones

Primeras Canciones / Canciones / Seis Poemas Galegos (Segunda edición)

Editorial Losada, S. A. / Buenos Aires (1953). In-8º de 130, [VI] págs. Br.


Indicada como a segunda edição, é de crer que se trate apenas da segunda argentina em mais pequeno formato, uma vez que já em 1944 tinha o volume saído nesta mesma casa editora; abundaram as edições no mundo hispano-americano até pela dificuldade de publicar o grande poeta na sua Espanha durante o apogeu do franquismo que logo na proto-história o assassinou.
Não parece ter grande justificação esta opção do editor argentino por acoplar aos dois livros de canções o livrinho de poemas à moda galega, uma vez que este é já de 1935, enquanto aqueles são dos primeiros anos de actividade (início dos anos 20).

Exemplar com espúria dedicatória de oferta - portuguesa, lisboeta - no final de 54.

10€