catálogo on-line

Livraria / Editora / Alfarrabista } { Porto bibliographias@gmail.com

.

.

Mostrar mensagens com a etiqueta Fiodor Dostoievski. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fiodor Dostoievski. Mostrar todas as mensagens

De volta, com livros

Depois de um mês em terras castelhanas, onde teve a cargo o Pavilhão de Portugal na Feira do Livro de Madrid representando a Rede de Livrarias Independentes, a vossa livraria está de regresso - e os vossos livros podem voltar a ser consultados no Porto ou encomendados online, quer aqui, nesta página principal, quer na plataforma.

Vieram connosco os livros de algumas das melhores editoras independentes espanholas, que passam assim a ter casa portuguesa a representá-las: esta vossa, à vossa espera.

Dostoievski: 200 anos

Se por cá o dia 11 de Novembro é de São Martinho (de Tours, que costumamos confundir com o nosso de Dume...), na Rússia é de São Teodoro (de Moscovo) - de quem hoje se comemora o segundo centenário de nascimento. Fiodor Dostoievski veio ao mundo faz hoje 200 anos.
E já ao terminar o primeiro parágrafo está o leitor a perguntar-se "mais outro?" Pois é verdade; e é normal. Por alguma misteriosa razão, grandes senhores da literatura têm o hábito de nascer e até de morrer em catadupa, uns a seguir aos outros. O exemplo clássico é o de Cervantes e Shakesperare, dois iluminadíssimos monstros que deixaram o mundo duplamente mais escuro em 1616. Por cá, lembramo-nos logo do milagroso ano de 1867, no qual nasceram os portuenses Raul Brandão e António Nobre e o coimbrão Camilo Pessanha (Lisboa ficou a ver navios à barra do Tejo, como o que levaria Pessanha para Macau). Em 1821 saíram dos prelos das respectivas progenitoras os franceses Baudelaire e Flaubert, e na francófila Rússia o autor de «Crime e Castigo», «Os Irmãos Karamazov», «O Idiota», etc. E quem idiota não quiser parecer, já sabe: é só servir-se no catálogo cá da casa. (Que será aumentado em breve, juntamente com um próximo boletim de novidades inteiramente dedicado ao escritor e à literatura/cultura russa)  

Otto Kaus — Dostoïevski et son Destin

Dostoïevski et son Destin (traduit de l’allemand par Georges Cazenave)

Les Éditions Rieder / L’Églantine, MCMXXXI. In-8º de 282, [2] págs. Cart.

Primeira edição francesa.

Exemplar com cartonagem aparentemente «livre» que recuperou tiras da capa original.
 
8€

Dostoievski ― Obras Completas

Editora Arcádia Limitada (1964). 10 vols. in-8º gr. Enc.

Edição monumental abrangendo toda a produção conhecida do autor até à época; sendo os dois últimos volumes dedicados aos raramente traduzidos, e em Portugal então ainda inéditos, «Cadernos de um Escritor».
Todos os volumes encadernados pelo editor e revestidos invariavelmente da mesma sobrecapa em papel.
 
100€

Dostoievski ― Crime e Castigo

Crime e Castigo (Versão de Maria Franco e Cabral do Nascimento / 3.ª edição)

Portugália Editora, Lisboa. (1966). In-8º gr. de 513, [5] págs. Br.

Edição portuguesa publicada na colecção «Os Romances Universais».

Exemplar desvalorizado por um rasgão na capa.

10€

Dostoievski ― Les Frères Karamazov

Les Frères Karamazov (traduit et adapté par E. Halpérine-Kaminsky et Ch. Morice/Avec un portrait de Th. Dostoievsky)

Paris: Librairie Plon/E. Plon, Nourrit et Cie, Imprimeurs-Éditeurs. [S/d - 1888]. 2 tomos in-8º de [8], 291, [3] e [4], 332, [2] págs. Enc.

Primeira edição francesa, publicada sete anos após a original russa.

Ambos os volumes revestidos de encadernação relativamente modesta em percalina granulada feita pela Livraria Moraes para o Gabinete Francês, falha, como era então habitual, da capa primitiva de cada um.
 
40€

Dostoievski ― Os Irmãos Karamazov

Os Irmãos Karamazov (Tradução de Maria Franco / Introdução de Eliseo Vivas)

Estúdios Cor. 2 vols. in-8º de XXXI, [I], 385, [7] e 426, [10] págs. Br.

Capa de Luís Filipe Abreu. O texto introdutório do ensaísta colombiano é bastante extenso.

Ambos os volumes com assinatura de propriedade, o primeiro com dedicatória de oferta que suponho alheia a editora e tradutora.

15€

Dostoievski — Um clube da má-língua

Porto, Livraria Civilização Editora, 1936. In-12º de 237, [3] págs. Enc.

Uma das primeiras edições portuguesas do livro (com certeza a primeira em formato popular), publicada na conhecida «Colecção Civilização».

Encadernação da época, vulgar mas conservando a capa de brochura.
 
5€

«A Literatura e o Mal» vs. A Política e o Mal

" (...) O desvio entre Dostoiewski e os marxistas é devido a uma consideração diferente do que é o mal. Para os marxistas o mal é a usurária, ou seja a burguesia. Dostoiewski, tendo primeiramente aceitado esta tese, repudia-a e chega à conclusão cristã de que o mal não é tanto a usurária quanto o meio usado, isto é, a violência. Este mal de Dostoiewski, no romance, não é somente representado pela morte violenta da usurária, mas também e sobretudo pela outra, da inocente e piedosa Lizaveta, irmã da usurária, que Raskolnikov mata, para suprimir uma testemunha do seu crime. Afinal, para os marxistas, na realidade o mal não existe desde que se trate unicamente de um mal social que pode ser liquidado com a revolução. Em vez disso, para Dostoiewski o mal existe como facto individual no coração de cada homem e exprime-se exactamente nos meios violentos dos quais se serve a revolução. Os marxistas lavam com a justificação histórica e social mesmo as consciências mais negras, Dostoiewski nega esta lavagem e afirma a existência inalienável do mal.
Assistimos portanto na U.R.S.S., de há noventa anos para cá [sic], a uma espécie de match entre Dostoiewski e Marx. O primeiro round foi ganho por Dostoiewski na medida em que escreveu uma obra-prima; o segundo por Marx, pelo facto de as suas teorias terem desencadeado uma revolução; mas o terceiro round parece ter sido ganho por Dostoiewski; o mal expulso pela janela pelo marxismo reentrou em torrente na U.R.S.S. pela porta do estalinismo, ou seja, dos meios usados pela revolução para se afirmar e se manter. E que coisa é, este mal? Disse-o Kruschev no seu discurso, assinalá-lo-ei mais brevemente: o mal na U.R.S.S. são as numerosas Lizavete, ou sejam, os numerosos inocentes torturados, aprisionados, mortos em nome da revolução e que agora são reabilitados, mas aos quais não se poderá jamais restituir a vida que lhes foi arrancada. O mal, em conclusão, é a dor, a imensa quantidade de dor que submergiu a Rússia nos últimos cinquenta anos. (...)"
(Alberto Moravia, Um Mês na U.R.S.S.)
 
Notas:
a) Não foi pela porta do estalinismo que o mal descrito por Moravia entrou/reentrou. Sabemos hoje que já tinha entrado antes
b, mais interessante) Moravia era comunista.

Dostoievski ― A Voz Subterrânea

A voz subterrânea (Zapiski iz podpolia) — Tradução de Aurora Jardim Aranha
Porto – 1926 – Livraria e Imprensa Civilização / Américo Fraga Lamares & C.ª, L.da – Editores (75, Rua das Oliveiras, 77). In-8º de 223, [1] págs. Br.
Edição portuguesa saída na colecção «Biblioteca do Lar», com a capa bem ilustrada por um trabalho de Raul que será hoje a sua única mais-valia; e um tanto manchada, no exemplar, principalmente sobre a face inferior. De resto, um só defeito a destacar, assinatura de propriedade no rosto.

10€