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Annuario da Sociedade Nacional Camoneana

Annuario da Sociedade Nacional Camoneana — 1.º anno – 1881.

Porto: Sociedade Nacional Camoneana, editora – 1881. In-8º gr. de 317, [3] págs. Enc.

Publica-se hoje o primeiro Annuario d’esta sociedade, que foi inaugurada em 10 de Junho de 1880, anniversario do fallecimento de Luiz de Camões, quando tres seculos eram passados desde que o grande Epico deixára a terra, tendo cumprido a sua gloriosa missão. (...) A celebração do tri-centenario do passamento do poeta despertou a idéa de constituir-se uma sociedade litteraria e de instrucção, cujo objecto principal fosse continuar o culto, que no mundo litterario se estabeleceu, á memoria de Luiz de Camões, ao estudo das suas obras, á litteratura contemporanea das suas producções. / Este assumpto foi proposto á discussão em uma das sessões da commissão litteraria da grande reunião, que se fez no Palacio de Crystal Portuense, para organisar os festejos que nos dias 10, 11, 12 e 13 de Junho de 1880 se prepararam para commemorar condignamente o centenario. O iniciador da idéa foi o sr. Joaquim de Vasconcelos”, convidando-se de seguida a Câmara Municipal, que se associou oferecendo para a Sociedade uma das salas da Biblioteca Municipal, em São Lázaro, que passaria a ser a sede desta tão efémera associação – no final do volume convidavam-se os sócios a participar no segundo anuário, mas o certo é que já não saiu mais nenhum, sendo este o primeiro e único publicado, em bom papel de linho; com contribuições de, entre outros, A. M. Cabral, Tito de Noronha, Conde de Samodães, Oliveira Martins («A marinha portugueza na era das conquistas»), Fernando Palha («Bibliographia Camoneana», catálogo da sua própria biblioteca) e João Franco Barreto.

Exemplar bem encadernado com lombada em pele gravada a ouro, acrescentada com dois rótulos. Não conserva a capa primitiva, supondo que tenha existido.


45€

Catálogo - A «Geração de 70»

Cumpriram-se quinta-feira passada exactos 150 anos sobre o dia em que «Santo Antero» de Quental, após uma breve apresentação algumas noites antes, abria propriamente as «Conferências Democráticas do Casino» Lisbonense com as suas famosas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. O resto da história é conhecido, e parece um bom motivo para dedicar um catálogo inteirinho à Geração de 70. Aos cinco senhores do conhecido retrato tirado após um almoço no antigo restaurante do antigo Palácio de Cristal portuense - Antero, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão -, retrato esse que lhe serve de capa, foram acrescentados um mais e outro menos compagnons-de-route (Teófilo Braga e Gomes Leal) habitualmente associados e igualmente muito bem representados cá na livraria e, no final do catálogo, um pequeno suplemento com figuras hoje mais em segundo plano: Alberto Sampaio, António Cândido (a «Águia do Marão»), Luís de Magalhães e João Penha.
150 anos, 150 páginas de catálogo; só o senhor Eça de Queirós ocupa umas quarenta (e ainda assim foi preciso deixar muita coisa de fora...). Para vos incentivar a leitura, porém, aqui vai:
- Entre tantos livros e edições para todos os gostos e feitios, estão já por exemplo as originais de peças tão significativas como A Ilustre Casa de Ramires, O Conde d'Abranhos, A Morte de D. João e A Velhice do Padre Eterno (de que até há por cá 2 exemplares, como se fossem pãezinhos...)
- As dez melhores compras terão direito a um exemplar da outra comemoração planeada cá pela casa: um livro que em breve deverá entrar no prelo recolhendo textos vários de Eça, já meio «perdidos», acerca da Geração de 70. Podemos gostar mais ou menos dela, mas ninguém discutirá que merece.

O catálogo pode ser desde já consultado

Oliveira Martins ― Os Filhos de D. João I

Lisboa: Imprensa Nacional, M DCCC XCI. In-4º de VII, [I], 471, [3] págs. Enc.

“É minha idéa que a arte de escrever historia está atravessando um periodo de transformação. Reagindo contra as theorias abstractas dos racionalistas antigos, os escriptores do nosso tempo, absorvidos pelo cuidado indispensavel da veracidade crítica, esqueceram os modelos eternamente classicos. A historia ha de sempre ser uma resurreição; e o processo artistico ou synthetico ser-lhe-ha sempre o adequado. As analyses eruditas e as controversias críticas, bem como as theses doutrinarias dos systematicos, serão tambem sempre materiaes indispensaveis do artista; mas nunca poderão crear obras que tanto agradem ao sabio como ao ignorante, deliciando e educando quem quer que tenha ouvidos para ouvir, olhos para ver e coração para sentir”, palavras preliminares e proclamatórias do autor a este trabalho, que dividiu nos seguintes capítulos: «A côrte e o conselho»; «Ceuta»; «A villa do Infante»; «As viagens do Infante D. Pedro»; «Um estadista do XV seculo»; «O «Leal Conselheiro»»; «As Ordenações e os judeus»; «Tanger»; «Os tratos da Guiné»; «O regente»; «Alfarrobeira»; «A descendencia do condemnado». O final do volume apresenta ainda em apêndice a reprodução de uma série de documentos de época.

Primeira e formosíssima edição, impressa a duas cores, ela sim altamente artística, com capitais e belas vinhetas desenhadas decorando o livro.

Exemplar da tiragem encadernada pela Parceria A. M. Pereira com largos cantos e lombada em pele e pastas em percalina, ornamentalmente gravada a ouro no encaixe e na frente, tendo também sido dourado à cabeça o corte das folhas; e conservando por inteiro a capa de brochura.

80€

Oliveira Martins ― A Vida de Nun'Alvares

A Vida de Nun’Alvares (Historia do estabelecimento da dynastia de Aviz / Desenhos de Casanova)

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira – editor (50, 52 – Rua Augusta – 52, 54). MDCCCXCIII. In-4º de 469, [3] págs. Enc.

Edição original deste segundo trabalho de fôlego consagrado aos primórdios da dinastia de Avis, que consta dos capítulos «O prior do Hospital», «O fim da dynastia», «O Messias de Lisboa», «A guerra», «O throno de Aviz», «Aljubarrota», «Valverde», «Os inglezes», «A sociedade nova», «O Santo Condestavel», «Fr. Nuno de Santa-Maria»; aos quais se seguem, em apêndice, «Chronologia», »Bibliographia» e «A canonisação do Condestavel».

Exemplar da série encadernada pelo editor: encadernação em estilo amador, com larga lombada e cantos em pele e pastas revestidas a tela, tudo gravado a ouro. A pele dos cantos inferiores está porém corroída (no de trás, demasiado), e a da face inferior em geral apresenta pequenas marcas de sujidade - o que o desvaloriza um quanto.

50€

Oliveira Martins ― A Vida de Nun'Alvares

A Vida de Nun’Alvares (Historia do estabelecimento da dynastia de Aviz / Desenhos de Casanova / 2.ª edição)
Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira – livraria-editora (Rua Augusta, 50, 52 e 54) ― MDCCCCII. In-4º de 469, [5] págs. Enc.

Exemplar da mesma série encadernada pelo editor (que, neste caso, fez conservar por inteiro a capa de brochura); padecendo da mesma (mas aqui mais grave) marca de corrosão da pele nos cantos, a aconselhar pequeno restauro.

25€

Oliveira Martins ― O principe perfeito

O principe perfeito (Precedido De uma introducção ácerca do complemento e plano geral da obra por Henrique de Barros Gomes) / 3.ª edição

1923 – Parceria Antonio Maria Pereira, livraria editora (Rua Augusta – 44 a 54), Lisboa. In-4º de 297, [3] págs. Enc.
 
 Exemplar da série encadernada pelo editor com largos cantos e lombada em pele e as pastas em tela, tendo ornamentais gravações a ouro na frente e sobre o encaixe; sendo o corte das folhas carminado à cabeça e conservando por inteiro a capa de brochura. Em bom estado global, apresenta porém dois defeitos significativos: ligeiras marcas de corrosão na pele e um pequeno furo de traça ao longo de todo o volume, encadernação incluída. 

20€

Oliveira Martins ― O principe perfeito

O principe perfeito (Precedido De uma introducção ácerca do complemento e plano geral da obra por Henrique de Barros Gomes)

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira - editor (50, 52 - Rua Augusta - 52, 54) / 1896. In-4º de VI, 268, XXV, [I] págs. Br.

Seria este o primeiro de uma série de três estudos históricos consagrados a D. João II, Afonso de Albuquerque e D. Sebastião – mas a morte por doença de Oliveira Martins apenas lhe permitiu terminar o primeiro capítulo, «Toro», sendo as outras duas centenas de páginas ocupadas pela tentativa de exegese do amigo Barros Gomes a partir do plano geral que o autor já esboçara e das impressões que com ele trocara em Setúbal e em Lisboa; começando logo por louvar “O pensador pujante, que possuia faculdades de abstracção tão raras em homens da nossa raça, que, primeiro entre nós, avistára, rasgando-os mais tarde para a nação inteira, horisontes novos, os quaes n’ella deviam modificar as concepções philosophicas, os principios do direito publico e da economia nacional em que assentára a sua historia durante mais de meio seculo; o historiador que, recorrendo a processos menos severamente scientificos, é certo, com faculdades fundamentalmente diversas das de Herculano, veio talvez em mais alto grau do que este, popularisar entre nós a historia patria, engrandecendo-a de facto (...)”.  
 
Exemplar da série em brochura, conforme saiu dos prelos.

40€ (indisponível)

Oliveira Martins ― História de Portugal

História de Portugal, por (...) / 12.ª edição / Com a publicação de algumas cartas recebidas pelo autor quando do aparecimento da obra

1942 / Parceria António Maria Pereira, Livraria Editora (Rua Augusta, 44 a 54) – Lisboa. 2 tomos in-8º de 332 e 348 págs. Enc.

São sete as cartas referidas, apresentadas em apêndice final: quatro de Camilo Castelo Branco (como sempre, interessantes, e com reparos quanto a matérias propriamente históricas e bibliográficas), uma de Bulhão Pato (elogiando de modo encomiástico este livro, mas censurando o trato desrespeitador que nele via ao adorado Herculano – a cuja memória, de “Mestre e Amigo”, foi porém dedicado), outra de Sousa Monteiro e outra de Lobo de Moura. Transcreva-se o início da primeira de Camilo: “Conclui a leitura da História de Portugal, e venho agradecer-lhe estas 20 horas boas que me deu. O seu livro há-de causar estranhesa pela novidade do processo; tem um destaque de escola que V. Ex.ª inicia entre nós, um modo de ver para o interior das coisas que violentará os míopes a aumentarem o grau dos vidros. Uns hão-de aprender, outros beliscados nas suas convicções históricas adquiridas com o Doria e o Mota Veiga, dirão que V. Exª é um visionário”.
Ambos os tomos revestidos de encadernação relativamente modesta com lombada (gravada a dourado) e cantos em percalina; que conserva por inteiro as capas originais.

20€

Oliveira Martins ― Historia da Republica Romana

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira, Editor. [S/d]. 2 tomos in-8º de XXXVII, [I], 454, [2] e [4], 472, [2], 11, [3] págs. Enc.

Por estranho que pareça, é até hoje a única história de Roma minimamente monumental ensaiada por historiador português, e o mais que temos – apesar da tipicamente deficiente cientificidade, também tipicamente compensada pelo fantasioso, ambicioso e largo de vistas poder de síntese do autor – para responder aos empreendimentos de um Mommsen, por exemplo (que O.M. leu e cita). O estudo foi com bom critério dividido nas grandes secções «A cidade romana», «Unificação da Italia», «As guerras punicas», «Conquista do mundo», «Socialismo e capitalismo» (postas assim as coisas, soam um tanto forçadas, mas reportam-se obviamente ao período das reformas sociais) , «Os tyrannos» e «O Cesarismo».
Primeira edição.

Exemplares da série em brochura que se crê mais rara e propriamente a  princeps, depois bem encadernados com cantos e lombadas em pele, estas últimas copiosamente gravadas a ouro; mantendo ambas as faces da capa original.

55€

Oliveira Martins ― Historia da Republica Romana

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira – Editor. (1897). 2 tomos in-8º de XXXVII, [I], 454, [2] e [4], 472, [2], 11, [3] págs. Enc.

Exemplares da série encadernada pelo editor em percalina gravada a ouro e a seco, com a efígie do autor na pasta frontal, para integrar a conhecida colecção «Obras de Oliveira Martins»; e que apenas diverge da anterior pelas folha de anterrosto e rosto, com o tipo ligeiramente diferente, um travessão no lugar da vírgula na linha de descrição da editora e referência à data de publicação. A percalina apresenta-se já um tanto corroída nas lombadas.
 
30€

Oliveira Martins ― Correspondencia

Correspondencia de J. P. Oliveira Martins ― prefaciada e anotada por Francisco d’Assis Oliveira Martins (Acompanhada dum autógrafo inédito de El-Rei D. Carlos)

1926 – Parceria Antonio Maria Pereira, Livraria (Rua Augusta, 44 a 54) Lisboa. In-8º de 290 págs. Enc.

Destacam-se em quantidade neste útil repositório as missivas enviadas a Eça e a Luís de Magalhães; havendo várias também a Bulhão Pato, Juan de Valera, António Cândido, Henrique Barros Gomes, Magalhães Lima, Ramalho, Anselmo Braancamp, José Luciano de Castro, Menendez Pelayo e Martins Sarmento; e esparsas a Camilo, a Carolina Michaelis, a Emídio Navarro, ao editor António Maria Pereira, ao rei D. Carlos, etc. Lacunas principais, reconhecia-as o próprio organizador, as que Oliveira Martins expedira ao dilecto amigo Antero e ao mestre Herculano.
Edição primitiva. 

Exemplar da série com encadernação editorial em percalina gravada a dourado na lombada e em ambas as pastas, apresentando a da frente um retrato colado em cliché do ministro no seu gabinete; que conserva ambas as faces da semelhante capa de brochura. Quer a pasta inferior, quer o referido cliché têm já discretas manchas e escoriações. De resto, sem defeitos significativos a assinalar.
 
20€

«Portugal Contemporaneo - Oliveira Martins»


Afora a literatura propriamente dita, Portugal não tem hoje senão um só escritor realmente superior: é Oliveira Martins, autor da Bibliotheca das Sciencias sociaes. Definir o seu género e classificá-lo numa palavra parece-me coisa quase impossível, pela simples razão de que essa palavra não existe ainda: socialista tem um sentido ao mesmo tempo estreito e vago; sociologista seria um barbarismo.
(...) Oliveira Martins, apesar de ainda jovem, merece, pela profundidade das suas investigações, pela originalidade e pela amplitude das suas vistas e pela firmeza do seu método, ser considerado entre os mestres e promotores destes novos estudos. Além disso, o seu estilo, pelas suas qualidades de vigor, de vida e de elevação, ainda que com demasiada frequência incorrecto e desdourado às vezes pelo mau gosto, faz do autor da
Bibliotheca das Sciencias um escritor de primeira ordem.
 
[Antero de Quental, in Revue Universelle et Internationale, 1884)

Antero de Quental ― Oliveira Martins

Oliveira Martins (O critico litterario – O economista – O historiador – O publicista – O politico)

Lisboa: Typographia da Companhia Nacional Editora. 1894. In-8º de 52, [4] págs. Br.

Preparado como homenagem a Oliveira Martins, que morrera nesse ano, o volume reúne vários artigos de Antero na imprensa da época (1872 e 1884) sobre o amigo, em recensão crítica a livros por ele publicados, e uma interessantíssima carta a Sebastião Botelho por ocasião do ingresso do escritor nas listas do Partido Progressista, que o faria Ministro do Reino (e louvando o seu passo e defendendo-o dos ataques do Partido Republicano a esse propósito). Dos artigos - «Os Lusiadas, ensaio sobre Camões e a sua obra, em relação á sociedade portugueza e ao movimento da Renascença», «Theoria do socialismo, evolução politica e economica das Sociedades da Europa» e «Le Portugal contemporain – Oliveira Martins» – merece destaque o primeiro, particularmente lúcido, em que se salienta uma espécie de dissimulado fascínio e, ao mesmo tempo, de censura aos Descobrimentos (“Tinha fatalmente de se corromper essa orgulhosa idéa nacional, fundada na violencia da conquista, na intolerancia religiosa e no despotismo politico”, dissolução essa já prevista pelo próprio Camões em “estrophes sombrias, que são como um lugubre eras enim moriebur lançado no meio das alegrias daquelle festim heroico. Era o futuro velado e lutuoso que o poeta entrevia num deslumbramento prophetico. A nação estava, com effeito, condemnada”).

Exemplar ainda em boa condição, tendo só um ligeiro escurecimento das margens do papel, mas com alguma fragilidade exterior – não estando já os cadernos perfeitamente conjuntados –, pelo que, tarde ou cedo, deverá precisar de encadernação.
 
18€  

Arqueologia Literária (I) - Uma carta de Oliveira Martins


(Carta enviada pelo publicista a Albertina Paraíso, que lhe pedia colaboração - a ele, como a toda a fina flor da nossa literatura segundo-oitocentista, cuja anuência mais ou menos prestável terá tornado este volume dos mais bem concorridos no género por cá publicados - para o seu Almanach das Senhoras Portuguezas e Brazileiras para 1888 por Albertina Paraizo/(3.º anno). [Nas duas edições anteriores chamava-se Almanach das Senhoras Portuenses].  
O exemplar que tenho em mãos pertence à rara tiragem especial de 25  impressos  sobre  papel  de linho,  numerados e presumivelmente em maior formato, destinados a "bibliophilos e camonianistas". A capa, decerto comum com a tiragem corrente, é, veja-se pela fotografia, castiça q.b.
Já se sabe da devoção à estância de Eça, que lá fez a côrte a Emília Resende, e de Ramalho, que lhe erguera panegírico n'«As Praias de Portugal», por exemplo. Fica-se a saber - quem  ainda  não  soubesse, assim o autor destas linhas - da dest'outro Vencido da Vida, que no Porto morou muito tempo, e talvez até então morasse.)
 
 
             Ex.ma Senhora
 
     No remanso desta praia, onde vim buscar algumas raras horas de socego, recebo a carta de V. Ex.ª.
     Entre as tyrannias mais crueis, que affligem a raça dos escriptores, estão, permitta-me V. Ex.ª a franqueza, os albuns e os almanachs.
     Que quer V. Ex.ª que lhe diga para o seu? Deseja algum parecer sobre o intrincado problema dos tabacos? Ou variações lyricas ácerca das ondas do mar? Ou finalmente opiniões sábias com respeito á eficácia dos banhos?
     São os motivos mais de occasião; mas infelizmente não tenho que dizer, a respeito de nenhum delles. Dos tabacos fujo com medo dos espirros, das ondas com medo do rheumatismo. Só me agrada agora o socego e o silencio.
     E' tudo o que lhe posso mandar para o seu almanach, isto é, cousa nenhuma, além dos meus mais respeitosos e sinceros cumprimentos.

     Granja, 16 de Setembro
                                                                                       J. P. Oliveira Martins