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Raoul Vaneigem [1934-2026]

Foi-se deste mundo o venerabilíssimo ancião Raoul Vaneigem, autor «cá de casa» e nosso situacionista (ou ex-situacionista) preferido, que se finou com uns respeitáveis e invejáveis 92 aninhos.
Felizmente, foi sendo (embora não muito) publicado em Portugal, graças a editoras como a Afrontamento, a Antígona e a Teorema (esta ordem bate certo no alfabeto e na cronologia*), e encontrarão alguns dos seus títulos sem dificuldade pelo menos na meia-dúzia de livrarias portuguesas assumidamente libertárias, a nossa incluída. 
Figura de proa da parte ultra-libertária do já de si libertário q.b. Maio de 68 em Paris, este belga filho de um sindicalista quase se diria tão anti-comunista como anti-capitalista, e dizer isto é dizer muito, pois raramente alguma alma deste mundo terá vociferado tanto, e de modo tão lúcido (mas ele próprio um tanto utópico), contra a selvagem sociedade do lucro que nos tolhe. E existe acerca disso um breve texto dele, uma pequena pérola inédita por cá, que há anos andamos a pensar publicar mas, lá está, a economia de mercado ainda não deu tempo para isso. Fica desde já combinado, Raoul. 

* A Afrontamento inaugurou-o com «Arte de Viver para a Geração Nova», a Antígona publicou-lhe entre outros «As Heresias», «Aviso aos alunos do básico e do secundário» e [sob pseudónimo] «História Desenvolta do Surrealismo», e a Teorema o tão fundamental quão pouco conhecido «Pela Abolição da Sociedade Mercantil por uma Sociedade que Exalte a Vida»

Boletim bibliográfico 1/2026

Depois de três meses de quase paragem, os nossos boletins estão de volta à praça pública e o primeiro deste ano tem em destaque, entre algumas novidades, antiguidades como a primeira edição do Pendennis, de Thackeray; uma oitocentista d'As Mil e uma Noites; outra oitocentista franco-brasileira d'Os Lusíadas; quatro-em-três (ou três-em-quatro) igualmente oitocentistas da Carta de Guia de Casados; etc.
 

Pode desde já ser consultado

Columbano

Columbano (Catálogo da Exposição) / (Este Catálogo foi subsidiado pelo Fundo de Fomento Cultural)

Museu Nacional de Arte Contemporânea (Composto e impresso na Litografia Tejo, Lisboa). [S/d – 1983?]. In-4º de 169, [ii], [I] págs. Br.

Como na exposição de que este catálogo ficou para memória, há sobretudo quadros e desenhos, mas também alguns exemplos de aguarelas, gravuras, cerâmica, tapeçaria e esculturas. 

14€

Paysages du Portugal par Sérgio Telles

Paris, 1971. (Editions Primeia). In-4º de [60] págs. inums. Br.

Catálogo da exposição promovida em Paris pelo Centro Cultural Português, da Gulbenkian; impresso sobre papel couché com reproduções a cores e p/b de alguns dos trabalhos expostos. A mais do prefácio de Joaquim Veríssimo Serrão (à época, o director do Centro, depois de alguns anos como leitor na capital francesa) e de uma relação biográfica acerca do pintor, são ainda transcritos alguns textos («Testemunhos») para o efeito compostos por Jorge Amado, Henry Dauberville, François Baboulet, Óscar Lopes, Fernando de Pamplona, Mário de Oliveira e Nuno de Miranda.

15€

Exposition Sérgio Telles: Tableaux et Gravures de la Période de Paris

Exposition Sérgio Telles: Tableaux et Gravures de la Période de Paris (6 juin 1980- 3 juillet 1980 / Wildenstein Tokyo)

(Édition ------ Wildenstein Tokyo / Réalisation --- Create M). In-8º gr. q/quadrado de págs. inums. Br.

Uma primeira série destas cenas da vida parisiense foi impressa a cores e depois a maioria a p/b.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita pelo pintor na folha preliminar de papel canelado, precisamente em Tóquio e 1980, "Para os queridos amigos Fernanda, Ruy e Fernando Russell Cortez, com as saudades do (...)".

20€

Lima de Freitas — Voz Visível

Lisboa – 1971. (Composto e impresso na União Gráfica, S. A. R. L.). In-8º de 191, [iii], [II] págs. Br.

Alguns dos dezasseis ensaios aqui recolhidos: «Sobre Manet, Gauguin e Braque»; «Razão, inconsciente, figura»; «Iconografias e fraseologia»; «Picasso, invasor vertical»; «O gosto da novidade e a arte moderna portuguesa»; «Vieira da Silva e os seres de espelho»; «Pintura, embalagem e crítica profissional»; «A arte consumida e a arte consumada»; «O ponto de fuga».

Exemplar nº 93 da “Tiragem especial de 150 exemplares numerados e assinados pelo autor”, infelizmente algo desdourado por pequenos rasgões (sem falha de papel) e vincos na capa.

20€

Arpad Szenes / Vieira da Silva - pintura

Câmara Municipal de Aveiro (Execução gráfica: Rainho & Neves, Lda., Santa Maria da Feira). In-4º gr. de 109, [III] + 100, [II] págs. Enc.

“Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher” ou vice-versa? Por trás de uma grande pintora há sempre um grande pintor ou vice-versa? Nem, nem. Só muito às vezes, e esta foi uma delas, a mais feliz – artisticamente falando – que em Portugal se viu, sem necessidade de pedir licença ao ainda contemporâneo casal Almada/Sara Afonso, por exemplo. 
Belíssimo álbum 2 em 1, de dupla face, uma para cada membro do casal; impresso em bom papel com várias reproduções em folha desdobrável; encadernado em tela com sobrecapa de papel.

60€

Vieira da Silva / por Jacques Lassaigne e Guy Weelen

Publicações Europa-América (1978). In-4º de 343, [i] págs. Br. 

Além da abundante reprodução de trabalhos da nossa maior pintora, sempre proveitosa, o que torna única esta edição (publicada em Barcelona pela editora Polígrafa, detentora dos direitos) é a igualmente abundante recolha fotográfica de – o mínimo que se pode dizer é que, por regra, são de fabulosas para cima.
A tradução dos textos ficou a cargo de Maria Teresa Tendeiro e o crítico de arte Rui Mário Gonçalves.

Encadernação editorial em tela com sobrecapa de papel ilustrada por um dos trabalhos de Maria Helena, que no exemplar padece de pequenos defeitos.  

35€

Vieira da Silva: Obra Gráfica 1933-1991

Vieira da Silva: Obra Gráfica 1933-1991 (Colecção Gérard A. Schreiner)

De 1 a 28 de Março/1993, Convento de São Francisco, Câmara Municipal de Tomar. (Fotografia: CML – Gabinete de Comunicação Social – Lisboa / José Barbosa. Fotolito, impressão  e acabamentos: SIG – Sociedade Industrial Gráfica, Lda. / Camarate). In-4º de 110, [III], [iii] págs. Enc. 

“Maria Helena Vieira da Silva preferia o buril entre as técnicas de gravura que praticou ou foi instada a praticar. Não por desinência técnica mas por estética. Para a autora a gravura devia  servir os mesmos objectivos e efeitos que perseguia na pintura. Por isso, não confiava nas possibilidades das [sic] cores impressas puderem [sic] traduzir a preocupação de luminosidade da sua  pintura (...) O pictural absorve o linear (ou vice-versa) no sentido do primado do movimento. É um  modo dinâmico do olhar. Um olhar resolutamente afastado dos limites do espaço. Um olhar que funciona por relações e não por repartições entre as formas” – e apesar das gralhas no português não está nada desinteressante este texto preliminar mais longo de António Rodrigues, entre outros, incluindo um do coleccionador cuja colecção aqui se apresentava, depois de exposição inicial em Lisboa.
Abre o volume uma magnífica imagem (fotografia ou montagem fotográfica?) de Denise Colomb, impressa a página inteira, retratando a nossa mais genial pintora no seu atelier.

Encadernação editorial em tela gravada a dourado, recoberta de sobrecapa de papel.

20€

Sophia — os três reis do oriente

os três reis do oriente (Ilustrações de Fedra Santos)

figueirinhas (Impressão e Acabamento / ITC - Porto). [S/d - DL 2010]. In-8º quadrado de 42, [II], [iv] págs. Br.

Texto integrado nos «Contos Exemplares», aqui publicado numa de várias edições autónomas.

Exemplares novos.

8€