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Luísa Costa Gomes — Arnheim & Desirée (Mitos para o século vinte)

Difel / Difusão Editorial, Lda. (1983). In-8º de 132, XXXVI, [4] págs. Br.

Um dos primeiros livros – salvo erro, o segundo – publicados pela escritora, que o terminava com um longo «Happylogo» de comentário não propriamente explicativo, do qual se passa a transcrever os parágrafos iniciais: 
"Era uma vez uma história que tinha uma grande vontade de ser contada. Sentava-se lá no céu das histórias e imaginava essa possibilidade, rebolava-se de impaciência, brilhavam-lhe os olhinhos.
Era uma história que não fazia muito sentido. As personagens, por exemplo, morriam num capítulo e renasciam no outro, não diziam coisa com coisa. Confundia o que as personagens pensavam com o que faziam realmente; evoluíam umas vagas mulheres e um homem de muitas faces e a gente perdia-se.
Quem escrevia lutara para a tornar numa história como as outras, dar-lhe uma certa moralidade, um fundo social até, ainda que implícito, mas a história sacudia-se e esbracejava, e contava-se depressa, contradizendo-se, omitindo pormenores fundamentais como quem, e onde e como, e sobretudo, hã?, a que propósito? E quanto mais quem escrevia lutava pela organização e pela boa ordem simbólica, mais a história dava de ombros, falava alto e assim se impunha.
Até que a certa altura quem escrevia deu uma forte palmada na testa e disse: espera lá! Mas eu já conheço esta história! Até me estou a lembrar do que vai acontecer!
E ficou muitíssimo satisfeita. As pessoas só gostam das histórias que já conhecem".

14€ 

Luísa Costa Gomes — O Céu de Sacadura

 
O Céu de Sacadura (Tragicomédia Ambígua)

Cotovia (Acabou de imprimir-se em Março de 1998 na Tipografia Guerra). In-8º de 96, [2], [ii] págs. Br.

"O Céu de Sacadura narra o surgimento, evolução e morte do último grande projecto de Sacadura Cabral, o que devia ter sido a primeira viagem aérea à volta do mundo. A peça foi escrita para ser integrada no «Festival dos Cem Dias»" e vem agora bem a propósito, depois de a escritora publicar uma in progress biografia do aviador. [A preliminar «Apresentação», texto certamente escrito pela própria Luísa Costa Gomes, incluía aliás uma interessante «biografia breve» do homem de Celorico da Beira.]

8€

Natália Nunes — As Batalhas que nós Perdemos (interpretações literárias)

livraria paisagem (Porto – Dezembro de 1973). In-8º de 197, [II], [i] págs. Br.

Recolhe o titular As Batalhas que nós Perdemos, dedicado a Abelaira, que ocupa por si só cerca de metade do volume; Metapoética de «O Delfim» de José Cardoso Pires; Delfim e Serafim (novamente o romance-mor de Cardoso Pires e Serafim Ferreira); A Metafísica de «Húmus»; O Sonhador de Águas Turvas (novamente o grande prosador portuense-vimaranense); O Homem que não sabia condensar fluidos (tentando demonstrar, forçadamente, que ainda Raul Brandão seria um sub-produto de Dostoievski, ideia mais do que discutível; a páginas tantas, a autora confessa ter ficado deslumbrada pela leitura de Húmus mas depois, descobrindo a restante «ficção» brandoniana, começar a pôr-lhe reservas – sem deixar, vá lá, de o considerar única na nossa literatura); e Frei Pantaleão de Aveiro e os Judeus.

12€

As Noites Brancas do Papa Negro

As Noites Brancas do Papa Negro: Romance de Manuel da Silva Ramos e de Alface / 2.ª edição

Fenda (esta obra foi composta e impressa na Tipografia Rolo & Filhos, Mafra (…) em Outubro de 1996). In-8º esguio de 101, [III] págs. Br.

Não valerá muito a pena tentar apresentar ou descrever um livro de Silva Ramos – quem conhece, conhece; quem não conhece, aqui tem um. Fique apenas o excerto transcrito na capa: “Tenho-me por português, terra de mulas à solta, das abóboras com cio, dos cães em filas de 12, da sopa de sangue de boi, dos auto-castrados javalis, dos íncubos e súcubos (valha-me Ludovico Maria Sinistrari de Ameno, reformado menor da escrita observância de São Francisco)”.

9€

Poesia de António Maria Lisboa

Poesia de (...) / Texto estabelecido por Mário Cesariny de Vasconcelos

Documenta Poética 5   assírio & alvim. (Este livro foi composto e impresso na Tip. Severo, Freitas & Freitas – Lisboa). In-8º q/quadrado de 409, [I], [ii] págs. Br.

Primeira edição desta recolha a todos os títulos fundamental, e particularmente importante porque a reedição, nesta mesma casa, muitos anos mais tarde, retiraria grande parte do material que aqui se reproduzia – desde logo, o longo anexo epistolar, além do prefácio em que Cesariny se «atirava» a Luís Pacheco (o que deu azo a duas curiosas notas, uma do editor e outra do director da colecção, E. M. de Melo e Castro, aquele dizendo que não subscrevia algumas partes e este afirmando não se responsabilizar pelo conteúdo do volume, e que ninguém lho teria sequer ainda dado a ler; belos tempos...); e ainda textos de, entre outros, Alfredo Margarido, António Barahona, Carlos Felipe Moisés (este de 1977, talvez para esta edição), Natália Correia e Sarmento de Beires. 

Toda a vida, em tantas ocasiões, incluindo uma ao vivo e de viva voz ao livreiro, Cesariny, com bom critério, se fartou de repetir que “ele [A.M.L.] é que era...”

30€

Joaquim Manuel Magalhães — Os Dois Crepúsculos

Os Dois Crepúsculos (sobre poesia portuguesa actual e outras crónicas)

a regra do jogo, 1981 (Composição e impressão de Guide – Artes Gráficas). In-8º de 372 págs. Br.

Recolha de crónicas todas ou quase todas antes publicadas na imprensa, com destaque para A Capital mas também o Expresso, a Colóquio/Letras, a Raiz e Utopia e A Gazeta do Mês. Uma primeira parte, principal, agrupou as dedicadas a  indivíduos: Nemésio, Sena, Pedro Homem de Melo, Cinatti, Carlos de Oliveira (o livreiro dá-se assim conta de alguém, muito antes dele, ter defendido a centralidade do magnífico Cantata não só no corpus do poeta da Gândara mas na da própria poesia portuguesa da segunda metade do séc.XX em geral), Agustina, Eugénio de Andrade, Cesariny, Herberto, Cristovam Pavia, Ruy Belo, António Osório, Pedro Tamen, Fernando Assis Pacheco, Luiza, A. M. Pires Cabral, João Miguel Fernandes Jorge, António Franco Alexandre, Al Berto, Hélder Moura Pereira e Fátima Maldonado; e uma segunda a, assim se intitulava a primeira delas, «Coisas gerais». 

Exemplar com algum desgaste exterior.

17€

Brasil 2000: Antologia de Poesia Contemporânea Brasileira

Brasil 2000: Antologia de Poesia Contemporânea Brasileira / Organização de: Álvaro Alves de Faria

Alma Azul (Outubro · 2000 / Impressão: G. C. – Gráfica de Coimbra, Lda.). In-8º gr. de 156, [II], [ii] págs. Br. 

Entre outros, foram alguns dos antologiados Adélia Prado, Alberto da Costa e Silva, Alexei Bueno, o próprio organizador, Carlos Felipe Moisés, Carlos Nejar, Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Ivan Junqueira, Lya Luft; tendo alguns deles prestado pequenos depoimentos em prosa sobre poesia, ser poeta e a própria poética.

Edição patrocinada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.

15€ 

Vinicius de Morais — Livro de Letras (Texto: José Castello)

Companhia Das Letras (1991). In-8º de 253, [III] págs. Br.

"Antonio Carlos Jobim, Baden Powell, Carlos Lyra, Toquinho, Edu Lobo, Chico Buarque, Francis Hime, Pixinguinha. A lista de parceiros musicais que o poeta Vinicius de Morais acumulou ao longo da vida é impressionante. Parceiros de todas as origens, de todos os estilos e temperamentos, que transformaram Vinicius em um poeta da pluralidade e da surpresa. / Resultado de rigorosa pesquisa nos arquivos da Fundação Casa de Rui Barbosa (que tem sob sua guarda um valioso acervo de inéditos e manuscritos), nas gravadoras, nas editoras musicais e de longas conversas com alguns de seus parceiros, familiares, ex-mulheres e amigos, este livro procurou reunir toda a obra musical de Vinicius".

Exemplar em 2.ª mão, com pequenos defeitos.

10€

Vinicius de Morais — A Mulher e o Signo

litoral edições (1986). In-8º de 28, [II], [ii] págs. Br.

Engraçado exercício poético (um «zodíaco» em verso dedicado ao género feminino, com uma composição para as nativas de cada signo) numa graciosa edição (acompanha cada página de texto uma ilustração de Augusto T. Dias, em desenho linear).

Bom exemplar, apesar do leve desgaste da capa.

11€

Alphonsus Guimaraens — Cantos de Amor, Salmos de Prece (Poemas Escolhidos)

Biblioteca Manancial (Em convênio com o Instituto Nacional do Livro-MEC, 1972). In-8º de 192 págs. Br. 

Além da selecção, foram também do homónimo filho do poeta a nota editorial e a extensa «Cronologia da Vida e da Obra»; do irmão João Alphonsus a «Notícia Biográfica»; reproduzindo-se ainda o poema «Luar para Alphonsus», de Drummond de Andrade, o estudo «A Poesia de Alphonsus de Guimaraens», da biógrafa e poeticamente «discípula» modernista Henriqueta Lisboa, e algumas apreciações de Manuel Bandeira. 

Exemplar com ligeiro desgaste exterior.

10€ 

Rubem Braga — Os Trovões de Antigamente (crónicas)

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. In-8º de 337, [iv], [III] págs. Br.

"Recolhem-se neste livro algumas das crónicas mais expressivas e significativas de Rubem Braga", a saber: «O Conde e o Passarinho», «Morro do Isolamento», «Crónicas de Guerra (Com a Força Expedicionária Brasileira na Itália»), «Um Pé de Milho», «O Homem Rouco», «A Borboleta Amarela», «A Cidade e a Roça», «Ai de ti, Copacabana!» e «A Traição das Elegantes». Texto de apresentação por Baptista-Bastos, «Aí está Rubem Braga (ou o repórter apresenta o repórter».

Exemplar por estrear, conservando os cadernos por abrir. Carimbo assinalando «Oferta dos editores» no frontispício.

10€

Malcolm Lowry — Ultramarina

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. In-8º de 261, [VIII], [iii] págs. Br.

Na sua extensa nota introdutória à edição de 1962, Margerie Lowry começava por resumir no primeiro parágrafo que "Ultramarina foi escrita na sequência de uma viagem marítima que Malcolm Lowry fez aos dezoito anos como moço de convés, criado de bordo e, por fim, ajudante de chegador num tramp steamer. A viagem forneceu-lhe o material de fundo para o romance, mas o seu verdadeiro tema é a necessidade que o rapaz, Dans Hilliot, sente de provar que é um homem entre outros homens."

Exemplar com pequeníssima marca de corrosão na face superior da capa e uma breve nota de compra no frontispício. 

9€

Malcolm Lowry — através do Canal do Panamá

ouve-nos senhor do céu que é a tua morada: através do Canal do Panamá

Iniciativas Editoriais, Lisboa. (1976). In-8º de 92, [4] págs. Br.

Provável primeira edição lusa deste interessantíssimo Through the Panama, com tradução de Ana Hatherly e capa e arranjo gráfico de Henrique Ruivo, saída na colecção «real-imaginário». Mais tarde, a versão seria recuperada pela Relógio d'Água, como se demonstra abaixo.

15€

Malcolm Lowry — Através do Canal do Panamá

Através do Canal do Panamá (Tradução de Anna Hatherly)

Ficcções (Relógio d’Água Editores, 1991). In-8º de 92, [II], [iv] págs. Br.

“É esta “uma das oito novelas de «Ouve-nos Senhor do Céu que é a Tua Morada», livro que Malcolm Lowry começou a escrever em 1949 e ficou incompleto, só depois da sua morte sendo publicado. O livro fazia parte de um conjunto de obras entre si relacionadas, sob a designação de «A Viagem que Nunca Acaba»”

Exemplar novo.

8€

Jean-Philippe Touissant — O Banho

O Banho (La Salle de Bain) / Tradução: Luís Nogueira

Fenda (esta obra, numa tiragem de mil exemplares, foi composta e impressa na Minigráfica (...) em Março de 1990). In-8º de 76, [II], [ii] págs. Br.

Se uma personagem de Italo Calvino, traduzida para português (mas não no do Brasil...) por Barão Trepador, resolveu que não queria sair de cima de uma árvore – aqui é uma que resolveu ir viver para a casa de banho, e, naturalmente, uma das primeiras coisas que fez foi deitar fora um saco com os utensílios de toilette, para assim deixar os armários vazios e prontos para receberem a biblioteca; foi nesse momento que a namorada se preocupou e achou melhor chamar os pais dele, mas era uma namorada comme il faut e fez-lhe amiúde companhia, incluindo da mais travessa, na dita casa de banho. O resto, leiam. Quer dizer, leia o primeiro que o apanhe, que só cá há um exemplar.

10€

Lautréamont — Cantos de Maldoror

Cantos de Maldoror seguidos de Poesias / tradução: Pedro Tamen / prefácio: J. M. G. Le Clézio

Fenda (esta obra, numa tiragem de dois mil exemplares, foi impressa na Tipografia Manuel A. Pacheco, para a editora Fenda, em Maio de Dois Mil e Quatro). In-8º gr. de 217, [V] págs. Br.

À versão anterior, com capa diversa (mais bonita), esta nova edição acrescenta o prefácio do escritor francês (que nada de especial acrescenta - mas que prefácio poderia acrescentar o que quer que fosse a este livro?), traduzido por Miguel Serras Pereira, assegurando o que ninguém discutirá: "Esta obra primitiva é única. Não há nada de comparável na literatura."
Entretanto, refira-se que a incomparável prosa - deu nome a uma recente editora portuguesa, a Maldoror - teve uma nova tradução da mão do poeta Manuel de Freitas, publicada já noutras duas casas editoras.

Exemplar novo.

15€

Charles Fourier — o novo mundo amoroso

Estúdios Cor (Composto e impresso nas Oficinas da «Gazeta do Sul» / Montijo). (prefácio e tradução de Franco de Sousa / capa de Manuel Correia). In-8º de 247, [7], [iv] págs. Br.

Este (pré-)socialista utópico (e amiúde distópico), com cujos escritos bastante alucinados, quando comparados, fazem fraca figura tratados semelhantes de comunistas (v.g. Lenine) defendendo o «amor livre» (não há amor preso), era autor de culto para muitos dos surrealistas compatriotas.
“«Terão de passar vinte anos para que nele reconheçam o sonhador sublime», escreveu Stendhal a propósito de Fourier. /  Foi preciso muito mais tempo”.  

12€

Sarane Alexandrian — História da Literatura Erótica

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. (1991). In-8º de 512, [VI], [ii] págs. Br.

"Ensaísta, romancista e historiador de arte, Alexandrian foi amigo pessoal [sic] de André Breton, com quem relançou o surrealismo internacional depois da libertação, esta sua História da Literatura Erótica constitui a súmula de largos anos de pesquisas (...) A equilibrada associação de erudição e não-conformismo proporciona, tanto aos apreciadores como aos simples curiosos, o conhecimento do que é essencial saber", eis a nota editorial na capa que, a bem dizer, nada diz sobre esta «enciclopédia» - demasiado focada em França, como até certo ponto nunca poderia deixar de ser, dá-nos conta de dezenas e dezenas de títulos ainda hoje inéditos e desconhecidos no nosso país.

A tradução foi da filha de Humberto Delgado, Iva.  

15€

Salvador Dali — Diário de um Génio

Diário de um Génio / (tradução de José Luís Luna)

editora Ulisseia (composto e impresso nas oficinas gráficas da Empresa Tipográfica Casa Portuguesa, sucessores, limitada em Novembro de 1965). In-8º de 242, [II], [ii] págs. Br.

“Numa equação tipicamente daliana, ele completa André Breton e o surrealismo na medida em que sendo este o seu papa, é aquele o «grande iniciado»: a consequência biológica, o surrealista integral”. Pois sim... (Mas lá alguma graça, lá isso tinha-a... Às vezes)

Reeditado recentemente, o livro teve aqui a sua primeira edição lusa.   

20€

Feira do Livro do Porto

Decorre até domingo (6 de Setembro) a 13.ª edição da «nova» Feira do Livro do Porto, ao ar livre dos 
jardins do Palácio de Cristal; sendo esta a 12.ª participação cá da casa, que só a falhou em 2021.
O nosso pavilhão é o n.º3, logo à entrada do recinto, e lá poderão encontrar as habituais novidades e os ainda mais habituais fundos de editoras independentes variadas, algumas das quais representamos no certame - como voltamos a representar também a Biblioteca Nacional, cujas publicações estão em destaque no balcão principal.
Last but not the least, temos um brinde muitíssimo especial: um livreto em forma de pré-edição do livro que se está a preparar com e sobre os poemas galegos de Federico García Lorca (& C.ª). Este pequeno livro consta «apenas» dos poemas, o livro propriamente dito terá muito mais coisas a acompanhá-los.
Em todo o caso, é uma tiragem fora de mercado, reduzidíssima, e é de borla (basta fazer compras mínimas acima de 10€, e os bons clientes da casa nem isso precisam de).