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«Diário da minha Viagem a Inglaterra», por Almeida Garrett

Em 2020 (mais rigorosamente, 1820) deixámos o jovem Garrett de cama, aqui no Porto e chegado de Coimbra, onde recuperando de uma maleita mas rejubilando de liberalismo escreveu aquele que viria a ser o seu primeiro livro publicado (1821), «O Dia 24 de Agosto».
Em 2024 (mais rigorosamente, 1823) vamos reencontrar o mesmo jovem mais velho e sobretudo amargurado, recém-casado mas só, à espera de um navio em Lisboa que o levaria ao exílio inglês após a «Vila-Francada», para não ir preso ou acabar espancado ou numa forca; e 26 de Janeiro de 1824, faz hoje 200 anos, é a data da última entrada que redigiu no seu «Diário da Minha Viagem a Inglaterra», em Birmingham. Teria sido o seu terceiro livro publicado, mas não chegou a sair do rascunho. Só após a morte de Garrett este «Diário» apareceria, primeiro na biografia tri-volumosa de Gomes de Amorim e depois em edição conjunta com outros escritos ainda hoje menos conhecidos.

Pois bem: exactamente dois séculos depois, vamos finalmente dar ao livro a sua primeira edição independente, embora completada com outro desses escritos que directamente se lhe relaciona, «O Inglês».
Mas não é «para inglês ver», é para português comprar.

Em pré-venda, para encomendas confirmadas e pagas até 28 de Fevereiro, há 20% de desconto e oferta dos portes de envio em todo o território nacional. A publicação está prevista para Março/Abril.  

Pedidos para bibliographias@gmail.com     

Manuel da Fonseca — Aldeia Nova

Aldeia Nova (2.ª edição)

Inquérito (acabou de se imprimir, aos 29 de Março de 1944, nas oficinas da Imprensa Libânio da Silva). In-8º de 232, [VIII] págs. Br.

A edição original deste terceiro título do autor tinha saído em 1942 - seguindo-se aos livros de poemas Rosa dos Ventos (1940) e Planície (também de 1942); e antecedendo o  célebre romance Cerromaior (1943).

Integra os contos «Campaniça», «O primeiro camarada que ficou no caminho», «O ódio das vilas», «Sete-estrêlo», «Névoa», «A Tôrre da Má Hora», «A visita», «Viagem», «Mestre Finezas», «Aldeia Nova», «Maria Altinha» e «Nortada», que conheceria edição independente numa colecção de novelas.

12€

Manuel da Fonseca — Seara de Vento

Seara de Vento / romance / 2.ª edição (8.º milhar)

Portugália Editora. (1962). In-8º de 245, [7] págs. Br.

“Eis um novo camponês alentejano, fechado em si, heróico na coragem, acossado por fomes cíclicas e que, històricamente, emerge da inércia secular, se liberta de um tempo onde não batem horas nem segundos, para, com as mãos ainda insuficientes do desespero, tentar moldar o seu destino. (...) Romance entre os maiores das letras portuguesas contemporâneas, aparece agora a sua segunda edição, há muito esperada”, com capa de Câmara Leme e apreendida pela PIDE sem grandes delongas. 

15€

Manuel da Fonseca — Seara de Vento

Colecção Atlântida. (Editora Ulisseia Limitada, 1958). In-8º de 171, [5] págs. Br. 

Primeira edição deste significativo romance recentemente adaptado para cinema, com uma bela sobrecapa do pintor Vespeira, que o exemplar conserva; não conservando porém a folha de anterrosto, que por alguma razão parece ter sido suprimida; mas estando, em contrapartida, valorizado pela  dedicatória manuscrita que o autor lhe apôs no rosto a Ramiro Teixeira, crítico com vários ensaios publicados na órbita do neo-realismo, que talvez arrancasse a dita folha em falta...: “A Ramiro Teixeira com «inveja» desta primeira edição que  não  tenho  /  Manuel  da  Fonseca  /  Porto  29-5-83”. [Já em relação a Aldeia Nova e a O Fogo e as Cinzas houve quem contasse histórias semelhantes: Manuel da Fonseca queixando-se de não ter guardado nenhum exemplar da edição original, os dedicandos a oferecerem-lho e ele a recusar, avançando para a dedicatória pedida ou oferecida]. 

25€ 

Joaquim Namorado — Incomodidade

Incomodidade (Invenção do Poeta / Aviso à Navegação / Viagem ao País dos Nefelibatas / Agora)

Atlântida – Livraria Editora, L.da   Coimbra/1945. (Composto e impresso na Casa Minerva, Av. Navarro – Coimbra). In-8º de 219, [1] págs. Br.

"Quem fazia a Vértice a sério era um senhor chamado Joaquim Namorado com mais três ou quatro. Eu e os outros estudantes, o Manuel Alegre, o José Carlos Vasconcelos, éramos mais para compor o ramalhete. Não sei se estavam a fazer de nós a geração seguinte do Neo-Realismo. Se o tencionavam fazer comigo perderam a batalha. O Joaquim Namorado foi uma das pessoas mais leais que conheci, com um sentido de amizade como é raro haver. Era um homem mais velho vinte ou trinta anos, mas tinha esse raríssimo condão para interessar gente mais nova a leituras que de outra maneira não iam descobrir, e, sobretudo, para criar uma certa inquietação nos rapazinhos de vinte anos como eu" [Fernando Assis Pacheco].

Uma das mais conhecidas, e mais habitualmente reproduzidas em antologias do design gráfico editorial português, capas de Victor Palla.

Exemplar por estrear, ainda conservando os cadernos por abrir; em contrapartida, prejudicado por um vinco à cabeça de grande parte deles.  

25€  

Eduardo Lourenço — Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 211, [1], [IV] págs. Br.

Foi a segunda edição, publicada na colecção «Estudos Portugueses», de um livro originalmente dado a lume em 1968. Colige os ensaios «João José Cochofel ou a Poesia da Imanência», «Joaquim Namorado ou a Epopeia Impossível» e «Carlos de Oliveira e o Trágico Neo-Realista».

10€ 

Mário Sacramento — Há uma Estética Neo-Realista?

Há uma Estética Neo-Realista? (2.ª edição)

vega (1985). (Execução gráfica: Artipol – Águeda). In-8º de 57, [VII] págs. Br.

(Por mais limitações que se possa pôr ao neo-realismo português, ninguém discutirá esta lúcida premissa, a págs. 20: “O neo-realismo foi colhido ou tolhido (…) por uma adversidade a que não conseguiu eximir-se: a de a literatura ser a única expressão viável de aspectos da vida social que, noutras circunstâncias, teriam cabido ao jornalismo, à política e ao livro doutrinário”).

A edição original deste ensaio fôra em 1968, inaugural da colecção «Cadernos de Literatura» da Dom Quixote.

Exemplar assinado na folha de guarda pelo colega ensaísta José Palla e Carmo (irmão de Victor Palla, autor de várias capas de livros do neo-realismo português), antepenúltimo e presumível primitivo proprietário.

10€

Mário Sacramento — Diário

limiar (Edição: 1.ª / Junho 1975). In-8º de 362, [VIII] págs. Enc.

“Este Diário foi anunciado por Mário Sacramento com o título de «Aqui Jaz Quem Me Matou», mas nos cadernos onde ele o escreveu figura sempre o título «Envelhecer»” (Jornal e Memórias) – com numerosos apontamentos e entradas relativos a vários dos escritores mais ou menos compagnons-de-route
Primeira edição, encadernada em tela com sobrecapa de papel – transcrevendo uma recensão de Óscar Lopes numa das abas – e ilustrada num corpo central de folhas de papel couché.

20€ (reservado)

Mário Dionísio — As Solicitações e Emboscadas (poemas)

Atlântida. (1945). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Outro exemplar, este revestido de boa encadernação com cantos e lombada em pele gravada a ouro e pastas recobertas de papel marmoreado; conservando por inteiro a capa de brochura, mesmo essa em bastante melhor condição que a do anterior.

30€ (reservado)

Mário Dionísio — As Solicitações e Emboscadas (poemas)

Atlântida. (1945). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Quarto título do autor.

Exemplar com algumas marcas de acidez (sobretudo na capa, ilustrada por Teresa de Arriaga) e uma assinatura de propriedade.

15€

Mário Dionísio — O Dia Cinzento (contos)

Coimbra Editora, Limitada – 1944. In-8º de 215, [7] págs. Br.

Primeira edição, integrada na colecção «Novos Prosadores», com capa de Leandro Gil. O livro integra os contos «Nevoeiro na Cidade», «Véspera», «O Doloroso Corte das Raízes», «Morena-Vulcão», «Assobiando à Vontade», «Os Sapatos da Irmã», «A Lata de Sardinhas», «A Corrida», «Uma Principiante» e «Os Bonecreiros Vão de Terra em Terra».

Exemplar cuidado, mas com assinatura de propriedade em folha preliminar. 

25€ (reservado)

Eduarda Dionísio — Comente o Seguinte Texto:

Plátano Editora (1972). In-8º peq. de 209, [3] págs. Br.

Começava assim a nota de Augusto Abelaira a este livro: “Quarenta jovens (mas de só uma dúzia – mais? menos? – ouvimos a voz) prestam as suas provas, comentando um texto, sob a vigilância do professor, também jovem, de resto. Não só. Porque, tanto para os alunos como para o professor, o mundo não deixou de existir (aquele exame é um simples parêntesis), e esse mundo que ficou lá fora vem ter com eles através das janelas, transforma-se ele próprio num texto (o tal livro da natureza de que falava Galileo), exige também um comentário. Então, indiferenciadamente, os dois textos a comentar (o do exame e o do mundo) interpenetram-se. E certas personagens, não todas, passam pela crise de concluir que ambos os textos são incompreensíveis, e mais: que até o texto que elas estão a escrever é incompreensível”. 
Note-se apenas que a recentemente falecida autora (filha de Mário Dionísio) era ela própria à época, claro, professora.
Segundo título publicado na colecção Poliedro, que teria continuação.

12€

Manuel Seabra — Terra de Ninguém

Lisboa 1959. (Este livro, que é uma edição do autor dirigida gràficamente por António de Macedo, foi composto e impresso na Scarpa, Lda. (...) e é distribuído pelo Clube Bibliográfico Editex, Lda. (...) A capa é da autoria de Victor Palla). In-8º peq. de 156, [ii] págs. Br.

"Apesar da sua já longa carreira literária, pode dizer-se que Manuel de Seabra se estreia agora (...) na literatura de ficção. No entanto, já em 1950 publicara uma novela e em 1954 um livro de poesia e desde há anos desenvolve uma intensa actividade como tradutor e articulista. Agora, porém, (...) vai começar a apresentar o fruto da sua experiência, dos anos de agitação e angústia em que, expatriado, vagabundeou sem rumo pela Europa", escolhendo o tempo e o espaço da Guerra Civil espanhola - onde sobretudo na Catalunha é até hoje mais valorizado do que neste seu país natal.   

15€

Manuel Seabra — Os Exércitos de Paluzie

Círculo de Leitores (1982). In-8º de 191, [1], [ii] págs. Enc.

"Escrito directamente em catalão - pois Manuel de Seabra é o primeiro escritor português que faz obra de criação noutra língua - Os Exércitos de Paluzie retrata quatro gerações de uma família de Barcelona que atravessam mais de meio século de história da Catalunha, contra o pano de fundo das imaginárias guerras do neto Edmond, que brinca com soldados de cartolina no chão da Casa Velha. / Desde uma manhã soalheira de 1893, em que o avô Edmond conhece a futura avó Eduvigis a apanhar hortaliças caídas, passando pela revolta popular de 1909, conhecida como "Semana Trágica", em que o proletariado ocupou Barcelona, até à Guerra Civil de 1936-39, esta saga familiar apresenta uma visão irónica do mundo e dos homens (...)"

Mas esta de Seabra ter sido o primeiro escritor luso a escrever directamente em idioma alheio... assim de repente, só no período filipino apontaríamos, de memória, uma ou duas dezenas deles.

9€

Teresa Veiga ― Jacobo e outras histórias

Círculo de Leitores (1981). In-8º de 171, [V] págs. Enc.

Encadernada pelo editor em tela com sobrecapa ilustrada, depois da composição na Fototexto e da impressão na Printer Portuguesa, foi esta a primeira edição do primeiro livro da contista - incluindo, entre outros, «Aristocracia» (tríptico), «Correio Sentimental», «A Noviça», «Culinária» (tríptico), «Conselhos às mães sobre a educação das raparigas», «Porto Fundo».

15€  (reservado)

Hélia Correia ― O Separar das Águas

Imagem do Corpo n.º 28 (Ulmeiro / Janeiro de 1986). In-8º de 103, [2], [iii] págs. Br.

“Aquele foi o ano em que os santos tremeram e cravaram em Deus os seus olhares perplexos. As forças do demónio, que a espada e a fogueira por tanto e tanto século haviam sepultado, ganhavam para o Mal um terço do planeta: os Bolcheviques tinham triunfado. / Foi o ano em que Deus, envelhecido, e já um tudo‑nada cauteloso, mandou a sua mãe que abalasse em recado a terras portuguesas que, apesar da República, pareciam ser ainda as de melhor ouvido para admoestações", assim começava este livro, o primeiro da autora, aqui em segunda edição (a original em 1981 n'«A Regra do Jogo»). 
10€

Silvina Rodrigues Lopes ― E Se-Pára

(Hiena Editora / Lisboa, Janeiro de 1988). (Execução gráfica da Tipografia Lousanense, Lda. / Lousã — Março/88). In-8º de 56, [2], [ii] págs. Br.

Volume publicado na mui recomendável colecção «Ideias e Atitudes» em que pontuavam outras mui recomendáveis personagens tais Herberto, António José Forte, Ernesto Sampaio, Fernando Assis Pacheco, etc.; com tiragem declarada de 1000 exemplares, este ainda por estrear e apenas levemente marcado na capa.  

10€ (reservado)

Graça Pina de Morais — A Mulher do Chapéu de Palha

A Mulher do Chapéu de Palha (conto inédito)

Edições Antígona / Lisboa 2000. In-8º de 45, [2], [i] págs. Br.

"Quando a política estava na ordem do dia, uma mulher nem nova nem velha sai de casa para ir à praia. À luz clara da manhã, rememora a
sua vida. «O que poderá ter para mim ainda um sentido?», interroga-se na viagem de eléctrico que a leva de Leça ao mercado de Matosinhos. Aí, um vendedor apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males. No regresso, a nortada da tarde vai desagregando a seus olhos a limpidez que a manhã revelara no mar nas ruas e nas gentes. Outras impressões e devaneios infrutíferos a acompanham."
"A Mulher do Chapéu de Palha, conto inédito, foi escrito por Graça Pina de Morais, no início de 1986, durante umas férias no Rio de Janeiro". 

8€

Maria Gabriela Llansol — Depois de Os Pregos na Erva

Depois de Os Pregos na Erva / (E Que Não Escrevia / Um Texto Decadadente / O Estorvo)

(Edição da Autora. Acabou de imprimir-se [sic] em 10 de Agosto de 1973 na Tipografia Nunes, Lda. Porto). In-8º gr. de 244, [8] págs. Br.

Segundo título da escritora, que começava já a marcar a transição de uma prosa ainda relativamente «linear» (a de Os Pregos na Erva) para aquela espécie de meta-linguagem/território único que a viria a distinguir; mesmo o «caderno» final, O Estorvo, é um conjunto de textos curtos a que já dificilmente se poderá chamar «contos».

Exemplar com ligeiro desgaste exterior, impecável no miolo.

24€

Maria Gabriela Llansol — Geografia de Rebeldes (3 vols.)

Colecção completa da trilogia nas edições originais, agregando:

- O Livro das Comunidades
Afrontamento / Porto (1977). In-8º de 87, [5] págs. Br.

- A Restante Vida
Edições Afrontamento, 1982. In-8º de 103, [9] págs. Br. 

- Na Casa de Julho e Agosto
Edições Afrontamento, 1984. In-8º de 141, [3] págs. Br.

Com capas de João Botelho, estes três volumes seguiram-se a Depois de os Pregos na Erva, já publicado nesta mesma colecção da Afrontamento; e vale a pena sublinhar os encómios ao primeiro que o segundo e o terceiro apresentavam na badana: de Isabel da Nóbrega ("cada pessoa que o lê seja mesmo arrebatada para 'Outro Lugar'. Não apócrifo. Juro, passam-se coisas. Fenómenos. Nunca, como aqui, o eu, o tu, o ele, o dentro, o fora, se confundiram, se confundem"), Eduardo Lourenço ("nesta obra para que não é fácil encontrar antecedentes nem parentesco, entre nós. Que Cultura corresponde a um tal Texto não é fácil dizê-lo. Ou melhor: é impossível"), João Gaspar Simões ("ordem de valores secretamente lógicos, absurdos verosímeis"), Jorge Listopad ("fascinante, a leitura") e Jacinto do Prado Coelho ("obra de espanto e alheamento, poesia do humano e do divino, entre o sono, o sonho e a vigília"). Não admira: foi já a partir de O Livro das Comunidades que a escritora encontrou esse inclassificável «tom» para o qual, ainda mais amplamente do que pretendia Lourenço, é impossível encontrar parentesco seja onde for.

Todos os exemplares por estrear, embora o do primeiro volume, mais antigo, com pequenos defeitos exteriores de armazenamento.  

40€

Maria Gabriela Llansol — Hölder, de Hölderlin

Hölder, de Hölderlin (ilustração fotográfica Loy Rolim)

colares editora. [S/d - 1985?]. In-8º esguio de págs. inums. Br.

Graciosa edição em pequeno formato, impressa sobre papel avergoado e enriquecida pelas bem conseguidas ilustrações a que o complemento de título alude. Se não falha a memória, este texto seria reaproveitado e integrado num título posterior.

Exemplares por estrear e completos, conservando o envelope (a colecção chamava-se «Livro Carta»), o marcador e o revestimento plástico de invólucro.

10€

Maria Gabriela Llansol — um beijo dado mais tarde

Edições Rolim. 1991. In-4º de 117, [3] págs. Br.

Segunda edição do livro vencedor do Grande Prémio APE em 1990, com capa de João Pedro Cochofel e reproduzindo nas abas apontamentos críticos inevitavelmente deslumbrados de Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão, António Guerreiro, Fernando Dacosta, Helena Buescu e Fernanda Abreu.

(A págs. 48, a escritora descrevendo o seu «processo» originalíssimo de encadeamento de imagens:)
"Numa história, há (ou não há) um momento de desvendamento a que se chama sublime. Normalmente breve. Como penso que um leitor treinado já conhece todos os enredos, quase só esse momento interessa à escrita.
Esse momento, tornado longa sequência sustentadora da vibração explícita, é o nome de escrita. É a face escondida - mas que me importa desvendar - das técnicas narrativas já tradicionais" 

12€

Maria Gabriela Llansol (& Julião Sarmento) — O raio sobre o lápis

Livro de Artistas (Comissariado para a Europália 91  Portugal). (Capa, layout e supervisão gráfica de Paulo da Costa Domingos / Desenhos a grafite e têmpera sobre papel, 1990 / Composição, impressão e acabamento de Eurolitho-Impressores Gráficos, Ld.ª).  In-4º de 45, [2], [i] págs. Br.

Parece bastante provável ter sido este o álbum mais interessante da colecção, com a escrita sempre surpreendente - sempre fulgor, para usar um termo que lhe era caro - da mais inclassificável escritora portuguesa.

Exemplar com uma pequena marca de acidez no corte lateral e ligeiros vestígios de manuseio no pé das folhas finais. 

20€ (reservado)

Al Berto (& José Pedro Croft) — Canto do amigo morto

Livro de Artistas (Comissariado para a Europália 91  Portugal). (Capa, layout e supervisão gráfica de Paulo da Costa Domingos / Desenhos a grafite e têmpera sobre papel, 1990 / Composição, impressão e acabamento de Eurolitho-Impressores Gráficos, Ld.ª). In-4º gr. de 38, [ii] págs. Br.

Título inaugural de uma colecção que juntava sempre, a par, escritor/poeta e artista plástico; e que ao texto em português, impresso em folhas de papel couché, fazia seguir a tradução para francês, esse em tipo mais pequeno e sobre papel ligeiramente avergoado.
Teve o apoio espalhafatoso do Banco Comercial Português e da Portugal Telecom, «pormenor» a que o supervisor, sempre pródigo em arengas anti-capitalistas (o mal não está obviamente no anti-capitalismo, e sim no despropósito moralista, sentencioso-infrene, das arengas), parece ter fechado os olhos. "Bem prega Frei" etc.

20€ (reservado)

desfocados pelo vento (A Poesia dos Anos 80 Agora, Antologia)

desfocados pelo vento (A Poesia dos Anos 80 Agora, Antologia) / Selecção e organização de valter hugo mãe

edições quasi (Maio de 2004). In-8º gr. de 298, [8], [vi] págs. Br.

Na sua explanação inicial de propósitos, o organizador do volume, que se iniciaria na década seguinte, justifica o «resgate» desta «geração de 80» por não existir “um qualquer efeito aglutinador, por não existirem vanguardas de qualquer espécie, é certo, mas também por, num contexto em que essa realidade está perfeitamente assumida e assimilada, não existirem sequer grupos mais ou menos persistentes, editoras ou colecções particularmente promotoras do que surge na década e tudo quanto tenha representado estrear nesse período. Qualquer convergência só se poderá realizar agora, por meios extrínsecos, através da convocação dos poetas numa recolha antológica, sobretudo como método privilegiado de os assinalar e colocar em diálogo”.
Com duas ligeiríssimas excepções, o critério foi o de incluir quem se tivesse estreado a publicar durante a década de 80; abrangendo a recolha Adília Lopes, Amadeu Baptista, Carlos Poças Falcão, Daniel Maia-Pinto Rodrigues (a quem se deve o título da antologia, um dos seus versos), Fernando Luís Sampaio, Francisco José Viegas, Francisco Duarte Mangas, Gil de Carvalho, Helga Moreira, Inês Lourenço, Isabel de Sá, João Luís Barreto Guimarães, Jorge de Sousa Braga, José Emílio-Nelson, Luís Adriano Carlos, Luís Filipe Castro Mendes, Manuel Cintra, Paulo Teixeira, Rosa Alice Branco e Rui Duarte Mangas; boa parte deles editados nesta mesma Quasi.

Exemplar com alguns picos de acidez, bastante habituais nesta edição. 

23€

Poetas Eslovenos e Portugueses do Século XX

Poetas Eslovenos e Portugueses do Século XX / Slovenski in Portugalski Pesniki XX. Stoletja [na ficha gráfica: Continuação de Duas Antologias Inacabadas]

Guimarães 2012 / Maribor 2012. (Organização e coordenação: Mateja Rozman com colaboração de Casimiro de Brito). In-4º de 765, [III] págs. Cart.

"Esta antologia poética é editada no âmbito do programa de Pensamento de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, com a colaboração de Maribor 2012 Capital Europeia de Cultura", mesmo assim com uma curiosamente curta tiragem de 500 exemplares, cartonados e revestidos de sobrecapa, ilustrada por uma fotografia do nosso colega Paulo Ferreira, da livraria alfarrabista e editora portuense In-Libris.
Na parte lusa, e acrescendo aos poetas já incluídos na recolha Treze Vozes Portuguesas aqui recuperada (Ramos Rosa, Fernando Guimarães, Ana Hatherly, António Osório, Pedro Tamen, Fiama, Casimiro de Brito, Gastão Cruz, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Jaime Rocha e Maria do Rosário Pedreira), juntavam-se então mais 25, começando por Camilo Pessanha e terminando em Ana Marques Gastão. O posfácio relativo a esta «secção» portuguesa foi assegurado por Maria João Reynaud, que consegue a proeza de, numa antologia dedicada à poesia lusíada do séc.XX, chutar Pascoaes para um canto do alto do lugar-comum já tão desmentido, até academicamente, da "poesia saudosista, voltada para o passado"; Almada Negreiros foi também excluído, esse sem direito sequer a uma linha justificativa; enquanto se incluem, e isto sem desprimor para ninguém, João Rui de Sousa, Albano Martins, Rosa Alice Branco, etc. Quase impossível não supor uma "antologia para amigos (e amigas)", coisa demasiado habitual mas mais criticável tratando-se de dinheiros públicos. Ainda assim, e esquecendo essa ambição representativa bastante fracassada ou nem mesmo tentada, não deixa de ser um objecto apetecível a qualquer colecção de poesia.

35€    

Augusto Gil — Avena Rústica

Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.a, s/d [1927?]. In-8º de 126, [6] págs. Br.

Primeira edição, dedicada pelo autor a Fausto Guedes Teixeira. 

Bom exemplar, sem defeitos significativos (apenas algumas esporádicas marcas).

15€

Augusto Gil — Luar de Janeiro

Edições Ática  MCMXLV. (Acabou de se imprimir durante o mês de Novembro de 1944, nas oficinas de Bertrand (Irmãos), L.da). In-8º de 185, [3], [IV] págs. Br.

“Aos que me censurem pela circunstância de não ter logrado, na minha subalterna categoria de poeta menor, afirmar-me numa posição de equilíbrio estável, pregunto, em tom humilde, quem é que neste confuso século de latente misticismo humanitário, de demolidora negação e de ansiedade conjuntamente aflitiva e céptica, terá a coragem de dizer que o encontrou” (do prefácio da edição de 1909).

Exemplar com ligeira mancha exterior na frente da capa. 

12€