Parece discutível, e vai aqui tentar-se brevemente demonstrá-lo, um velho apontamento que confere a Afonso Ribeiro lugar destacado, ainda que de rodapé, na história da literatura portuguesa, enquanto precursor do nosso neo-realismo (do qual o autor destas linhas está, em todo o caso, longe de ser especialista).
Do ponto de vista geracional, nem há debate: o escritor nasceu em 1911, ano de nascimento de Redol e Manuel da Fonseca; Soeiro Pereira Gomes, antes, em 1909; para não chamar agora José Gomes Ferreira. E a actividade de editor e colaborador da revista portuense Sol Nascente, durante os anos das polémicas com os presencistas que serviram de incubação ao movimento, não se pode dizer antecessora (nessa, n'O Diabo e em Altitude, como em muitas outras revistas literárias não tão vinculadas, escreviam pela mesma altura Álvaro Cunhal, Álvaro Salema, Alves Redol, Joaquim Namorado, José Rodrigues Miguéis, Mário Dionísio, exemplos). Pelo que o mote só poderia ser a data de edição - 1938 - de Ilusão na Morte, seu primeiro livro, de pequenas novelas e contos, publicado.