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Eça de Queirós & Ramalho Ortigão — O Mistério da Estrada de Sintra

O Mistério da Estrada de Sintra (Cartas ao «Diário de Notícias»)

1967 / Lello & Irmão ― editores (144, Rua das Carmelitas) ― Porto. In-8º de 277, [ii], [I] págs. Br.

A edição reproduz, na anteportada, em folha à parte, uma gravura colorida da litografia com o retrato de Eça publicada por Rafael Bordalo Pinheiro no seu «Álbum das Glórias»; e uma outra, mais à frente, com um de Ramalho para o mesmo álbum.
Transcreve a nota preliminar à 4.ª edição em que Ramalho se queixava da morte do amigo mais novo (e ex-aluno no Porto); e a «Carta ao editor (...)» deste romance sob a forma de livro antes publicados em folhetim no «DN», onde se lia: "O que pensamos hoje do romance que escrevemos há catorze anos? Pensamos simplesmente - louvores a Deus! - que ele é execrável; e nenhum de nós, quer como romancista, quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual. Porque nele há um pouco de tudo quanto um romancista lhe não deveria pôr e quase tudo quanto um crítico lhe deveria tirar".  

8€  

Camões — Os Lusiadas

(Edição consagrada a commemorar o terceiro centenario do poeta da nacionalidade portugueza, pelo Gabinete Portuguez de Leitura no Rio de Janeiro / Revisão do texto do Poema e observações philologicas, por Adolfo Coelho; prefacio critico, de Ramalho Ortigão; noticia historica do Gabinete Portuguez de Leitura, de Reinaldo Carlos Montoro)

Anno MDCCCLXXX. Lisboa: Na officina de Castro Irmão Impressor (Rua da Cruz de Pau n.o51, a Santa Catharina). In-4º de XCIII, [III], 422, [VIII] págs. Enc.

É bem conhecida esta edição de luxo sob o patrocínio do Real
Gabinete Português de Leitura então fundado, numa rua que se passou a chamar Luís de Camões, em pleno centro do Rio de Janeiro; graficamente apuradíssima, tendo as páginas capitulares ilustradas com graciosidade. Bastante extenso o famoso prefácio de Ramalho, «Luís de Camões, a Renascença e os Lusíadas», de que logo haveria edição autónoma em língua francesa (também temos um exemplar).
Luxuosa q.b. igualmente a encadernação da própria editora, em percalina espessa gravada com abundância a ouro sobre ambas as pastas e a lombada, sendo ainda dourado por inteiro o corte das folhas. Houve outras variantes para a capa: azul, verde, etc.

Exemplar bem conservado no miolo, mas algo prejudicado pela condição da lombada, com falhas nas extremidades, um rasgão e dois restauros, já antigos, em consequência disso; e a precisarem de ser renovados.

60€ 

Ramalho Ortigão — Ultimas Farpas

Ultimas Farpas (na capa: Cartas portuguesas: homens e factos dos derradeiros tempos / 1910 - 1915)

Livraria Francisco Alves | Livrarias Aillaud e Bertrand. In-8º de 340 págs. Br.

Algumas das «cartas», referentes não apenas ao período tratado mas também aos anos anteriores e, em geral, ao panorama temporal da «Geração de 70», da qual Ramalho conta alguns episódios engraçados: «A revolução de outubro», «Portugal antigo», «O sebastianismo nacional», «A comedia politica», «Bom anno!», «O natalicio da Republica – A menina-deusa», «Como nós eramos – Como elles são», «Uma sessão parlamentar», «Embaixadores de letras brasileiras na Europa – Medeiros e Albuquerque – Conferencia brasileira na Sorbonne», «A raça», «A nova Lisboa», «Carta de um velho a um novo». Em apêndice apresenta-se ainda «Rei D.Carlos, o martirisado», artigo publicado no Brasil logo após a morte do monarca, que conhecera edição autónoma em Portugal pouco depois (apresentamo-la em baixo).  

20€

Ramalho Ortigão — Rei D.Carlos: o martyrisado

Lisboa. Typographia «A Editora». 1908. In-4º gr. de 20 págs. Br.

Primeira edição em volume, reproduzindo um longo artigo que Ramalho publicara 4 dias antes na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, a expensas e sob a direcção (e anuência do autor) de um grupo de portugueses residentes na cidade; com a capa ornada de relevos dourados e uma gravura de Tomás Bordalo, representando o monarca, em folha preliminar destacada de papel couché. O estudo, panegírico declarado do rei morto na véspera, era nas palavras do escritor “um bem modesto tributo de saudade a dois mortos e de homenagem a um vivo, depois de vencido ferozmente insultado na derrota, escarnecido na dor, ultrajado na desgraça” (o ditador João Franco). 

20€

Ramalho Ortigão — O Culto da Arte em Portugal

O Culto da Arte em Portugal / (Monumentos architectonicos – Restaurações – Desacatos – Pintura e esculptura – Artes industriaes – O genio e o trabalho do povo – Indifferença official – Decadencia – Anarchia esthetica – Desnacionalisação da arte – Dissolução dos sentimentos – Urgencia de uma reforma)

Lisboa: Antonio Maria Pereira, Livreiro-Editor (50 – Rua Augusta – 52) ― 1896. In-8º gr. de [8], 176 págs. Enc.

Primeira edição, já rara.

Exemplar revestido de uma boa encadernação recente com pastas em marmoreado e cantos e lombada em pele gravada a ouro, tendo a lombada ainda, entre duas das casas abertas, rótulos também em pele que a sobre-recobrem; não conservando a capa primeva. Aparado e carminado à cabeça, estando as restantes margens por aparar.

45€

Ramalho Ortigão — A Hollanda (oitava edição)

1935 – Parceria Antonio Maria Pereira, livraria editora / (Rua Augusta, 44 a 54) Lisboa. In-4º de  págs. Enc.

Uma mais das várias edições ilustradas saídas durante a primeira metade do século passado com a chancela da editora lisboeta – que fez imprimir esta nos prelos da Sociedade Industrial de Tipografia.

O exemplar aqui apresentado é da série encadernada em percalina com gravações a dourado, conservando a face superior da capa comum à série vendida em brochura.

18€

Ramalho Ortigão — A Hollanda (segunda edição)

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira, editor (50, 52 – Rua Augusta – 52, 54) / 1894. In-8º de 463, [1] págs. Enc.

Publicada uma década depois da original, esta edição integra um prefácio (curto e redundante) do próprio Ramalho – de quem é apresentado o retrato na anteportada, em gravura sobre papel encorpado tipo moldura; que falha amiúde nos exemplares que ainda vão aparecendo, estando este por isso mesmo valorizado, embora em contrapartida desdourado por falhas marginais no papel floreado que recobre as guardas e as pastas –  e apresentando uma dedicatória manuscrita que se passa a transcrever: “Ao bom e distinto amigo José Gomes da Silva offereço em signal de estima e amizade que lhe consagro / Adolpho Saboia Figueira de Mello. / Bordo do vapor Nacional (ilegível) amarrado no Rio de Janeiro, 29 Abril 1896.”

Encadernação do próprio editor em percalina graciosamente gravada a ouro e a seco. 

25€

Catálogo - A «Geração de 70»

Cumpriram-se quinta-feira passada exactos 150 anos sobre o dia em que «Santo Antero» de Quental, após uma breve apresentação algumas noites antes, abria propriamente as «Conferências Democráticas do Casino» Lisbonense com as suas famosas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. O resto da história é conhecido, e parece um bom motivo para dedicar um catálogo inteirinho à Geração de 70. Aos cinco senhores do conhecido retrato tirado após um almoço no antigo restaurante do antigo Palácio de Cristal portuense - Antero, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão -, retrato esse que lhe serve de capa, foram acrescentados um mais e outro menos compagnons-de-route (Teófilo Braga e Gomes Leal) habitualmente associados e igualmente muito bem representados cá na livraria e, no final do catálogo, um pequeno suplemento com figuras hoje mais em segundo plano: Alberto Sampaio, António Cândido (a «Águia do Marão»), Luís de Magalhães e João Penha.
150 anos, 150 páginas de catálogo; só o senhor Eça de Queirós ocupa umas quarenta (e ainda assim foi preciso deixar muita coisa de fora...). Para vos incentivar a leitura, porém, aqui vai:
- Entre tantos livros e edições para todos os gostos e feitios, estão já por exemplo as originais de peças tão significativas como A Ilustre Casa de Ramires, O Conde d'Abranhos, A Morte de D. João e A Velhice do Padre Eterno (de que até há por cá 2 exemplares, como se fossem pãezinhos...)
- As dez melhores compras terão direito a um exemplar da outra comemoração planeada cá pela casa: um livro que em breve deverá entrar no prelo recolhendo textos vários de Eça, já meio «perdidos», acerca da Geração de 70. Podemos gostar mais ou menos dela, mas ninguém discutirá que merece.

O catálogo pode ser desde já consultado

Eça de Queirós ― Cartas Inéditas

Cartas Inéditas (Introdução, comentários e notas de Beatriz Berrini)

Lisboa, Edições «O Jornal». 1987. In-4º de 71, [1] págs. Br.

Primeira edição de um conjunto epistolar integrado no espólio de Jaime Batalha Reis que a Biblioteca Nacional adquirira pouco antes. Inclui vinte cartas enviadas pelo escritor ao próprio Batalha Reis desde a mocidade (no que estará porventura o principal interesse da edição, não sendo muitas as missivas conhecidas dessa época) até perto da sua morte (a última é de Setembro de 1899); e, em apêndice, outras de Ramalho ao mesmo Batalha Reis e, sobretudo, deste a Eça. Capa ilustrada na frente pelo retrato do romancista com a mulher, Emília, e atrás pela reprodução aumentada da sua caligrafia.

Exemplar por estrear, em condição praticamente impecável – descontando uma pequeníssima marca de esboroamento na capa.
 
7€

Ramalho Ortigão ― O Culto da Arte em Portugal

O Culto da Arte em Portugal / (Monumentos architectonicos – Restaurações – Desacatos – Pintura e esculptura – Artes industriaes – O genio e o trabalho do povo – Indifferença official – Decadencia – Anarchia esthetica – Desnacionalisação da arte – Dissolução dos sentimentos – Urgencia de uma reforma)

Lisboa: Antonio Maria Pereira, Livreiro-Editor (50 – Rua Augusta – 52) ― 1896. In-8º gr. de [8], 176 págs. Enc.

Primeira edição, já rara.

Exemplar revestido de uma boa encadernação recente com pastas em marmoreado e cantos e lombada em pele gravada a ouro, tendo a lombada ainda, entre duas das casas abertas, rótulos também em pele que a sobre-recobrem; não conservando a capa primeva. Aparado e carminado à cabeça, estando as restantes margens por aparar.
 
45€

Ramalho Ortigão ― Quatro grandes figuras literárias

Quatro grandes figuras literarias: Camões – Garrett – Camilo e Eça (2.ª Edição)

Emprêsa Literária Fluminense, L,da (125, Rua dos Retroseiros, 125) / Lisboa. In-8º de 185, [3] págs. Br.

Ocupa praticamente dois terços do volume o texto sobre Camões, nem mais nem menos o conhecido prefácio à edição do tri-centenário promovida pelo Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro; também ainda extenso o dedicado a Camilo, esse como prefácio da edição monumental do Amor de Perdição; sendo os outros dois meros discursos circunstanciais (pedido de transladação dos ossos de Garrett para o Panteão e leitura feita na inauguração do monumento a Eça em Lisboa), mais retórica que outra coisa.
Edição inaugural da série «Obras completas de Ramalho Ortigão».
 
12€

Ramalho Ortigão ― Em Paris

Emprêsa Literária Fluminense, L.da (125, Rua dos Retroseiros, 125) / Lisboa. In-8º de 263, [1] págs. Br.
 
“Hoje em dia um viajante que se não apeie d’um balão com notícias da lua, precisa de nos ser muito simpatico para o não termos por um semsaborão quando vier contar o que viu. Este mundo está visto e revisto.”, avisava Ramalho ainda a bordo, tendo depois já em terra firme composto os capítulos «No asfalto parisiense», «Uma visita a Ferdinand Denis», «O doutor Véron – O necrologio – Os cabeças de turco», «Jantares e jantantes», «A parisiense», «Ponson du Terrail», «O «petit crevé»» e «A mocidade».
 
10€

Hemetério Arantes ― Ramalho Ortigão

1915 – Livraria Ferreira, Ferreira L.da – Editores / Lisboa. In-8º gr. de 36, [2] págs. Enc.

Dedicado a Sabugosa e a António Cândido – ainda dois «Vencidos da Vida» –, o ensaio, palavrosamente monótono e bastante escusado, parece pretender uma qualquer coroa de glória na hipótese que alega de mesmo os que toma, em disparate, como mais encarniçados iconoclastas de uma época (o próprio Ramalho, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins, Antero, Fialho, etc.; ficando por perceber como caberiam o terceiro e o quinto na tese...) se converterem, com a maturidade e a senescência, ao princípio conservador, quando não mesmo monárquico e católico; parecendo também ter sido escrito e publicado mais para fazer «currículo» do que outra coisa, qualquer que fosse. Posto tudo o dito, invulgar.

Exemplar encadernado em percalina gravada a ouro sobre a lombada, com a frente da capa original.
 
 
15€

Júlio de Sousa e Costa — Ramalho Ortigão: Memórias do seu Tempo

Edição Romano Torres ―― Lisboa. [S/d]. In-8º de 220, [4] págs. Br. 
  
 
Destas memórias, redigidas por alguém que dizia ter convivido de perto com o escritor entre 1895 e 1915, ano em que morreu, foram os capítulos «Os políticos do seu tempo», «Ramalho duelista», «O crítico», «Ramalho e o seu amigo Eça de Queiroz», «Ramalho e Camilo», O Conselheiro Pacheco», «O Rei, seu amigo», «Ramalho e João Franco», «Os «Vencidos da Vida»», «Guerra Junqueiro», «Após o «Cinco de Outubro»», «Os detractores», «A Juliana do «Primo Basílio»», «O «Padre Amaro» e as opiniões de Ramalho», «As «Farpas»» e «Nos últimos anos». Extra-texto, reproduz-se uma fotografia dos Vencidos da Vida (dada como completa, com os onze cavalheiros, menos conhecida do que aquela em que aparecem dez; uma e outra, sem Antero, que aparece na mais famosa de todas, com os cinco elementos mais célebres: ele mesmo, Eça, Oliveira Martins, Junqueiro e o próprio Ramalho).

Bom exemplar, sem defeitos significativos, só a capa estando ligeiramente marcada por acidez. 


15€

História do Futuro (VI)

A doença da escrita, o mal d'écrire, como lhe chamam em França, ataca indistintamente toda a gente, sem diferença de idade, nem de sexo, nem de caligrafia, nem de coisa nenhuma, - pessoas vacinadas e por vacinar, livres do recrutamento ou ainda sujeitas ao tributo de sangue, com folha corrida ou sem haverem corrido essa folha, sãos como sãos, doentes como doentes, em maca, ou pelo seu pé. É a grande epidemia cerebral do nosso fim de século, caracterizada pelas hemoptises da tinta, pelo vómito negro da prosa. E o grande horror deste contágio, é que o contaminado engorda na mesma peçonha que destila, e, maçando em tão prodigiosa maneira os outros, nem morre, como tanto seria para desejar, nem sequer sofre nada ele mesmo; antes se tem notado, com estupefacção, que quem pior escreve melhor passa!
 
Ramalho Ortigão, «Carta a D. Guiomar Torrezão», 1892 (Almanach das Senhoras para 1893). A prosa é de há 123 anos. Não viu o homem da missa a metade. A bem dizer, não viu nem um décimo.