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Cervantes — Novelas Exemplares (Traduzidas por Aquilino Ribeiro)

Livraria Bertrand. Lisboa. (1967). In-8º gr. de 505, [7] págs. Br.

Segunda edição destas versões de Aquilino, anunciada pelo próprio como a primeira integral que por cá se fez. No seu extenso prefácio, em que tecia uma breve análise literária de cada uma das novelas e, en passant, de Cervantes e de toda a literatura espanhola, dizia delas o escritor “tantas vezes pitorescas, de leitura empolgante, estão cravejadas de lindas imagens, que brilham aqui e além como anémonas à flor das águas mortas dum lago”; mas ressalvando que “Sem o Quixote, todavia, ficariam amortecidas na sombra, nunca ultrapassando a segunda zona literária, onde chega já tamisado o sol da glória”.

Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir. Um quanto manchado de acidez e apresentando já ligeira folga da capa, que no entanto conserva a tarja editorial sobreposta. 

17€

Boris Pasternak ― O Doutor Jivago

O Doutor Jivago (Romance) / Prefácio de Aquilino Ribeiro / Tradução de Augusto Abelaira / Tradução das poesias por David Mourão-Ferreira

Livraria Bertrand. [S/d – 1959?]. In-8º gr. de 622, [2] págs. Br.

Primeira edição portuguesa do romance que a Pasternak valeu o Nobel, saída na série monumental da colecção «Autores Universais» e naturalmente valorizada pela tríade de escritores lusos que nela interveio; sendo de supor que a tradução de Abelaira tomasse como base a original italiana, publicada em 1957. Quanto a Aquilino, por entre pequenos retoques, louvou a bom louvar este romance no breve prefácio em que dele dizia “O seu sentimento da paisagem não tem rival. Os mil painéis que desenha do céu, da neve, da floresta, são todos diferentes e de uma incisão de traço e verdade que nem vistos com lentes de cristal. Nisto há um poder de incisão de miniaturista que nunca foi igualado”.

Exemplar com ligeiros defeitos exteriores.
 
14€

Boris Pasternak ― O Doutor Jivago

O Doutor Jivago (Romance) / Prefácio de Aquilino Ribeiro / Tradução de Augusto Abelaira / Tradução das poesias por David Mourão-Ferreira

Livraria Bertrand. [S/d – 1959?]. In-8º gr. de 622, [2] págs. Br.

Outro exemplar da mesma edição, mas com capa diferente - tenha ou não correspondido a tiragem diacrónica.

12€

Aquilino Ribeiro — Anatole France

Anatole France (conferência precedida do discurso de S. Ex.ª o sr. dr. Cardoso de Oliveira, embaixador do Brasil)

Livrarias Aillaud e Bertrand. 1923. In-8º de 77, [3] págs. Br.

O texto de Aquilino é antecedido pela elogiosíssima apresentação em que Cardoso de Oliveira planava por todos os títulos publicados pelo romancista até à época; e por uma gravura com o retrato do escritor francês. Primeira edição.

Exemplar por estrear, conservando as folhas fechadas.
 
14€

Aquilino Ribeiro — Filhas de Babilónia

Livrarias Aillaud e Bertrand. (MCMXXV). In-8º de 299, [5] págs. Enc.

Parte d'este livro escrevia-a há anos em Paris, a Babilónia, cuja taça d'ouro inebria toda a terra, como bradava e brada ainda do fundo dos séculos a voz irosa do profeta”, cidade em que também se passam e da qual falam ambas as novelas aqui acasaladas (termo bastante apropriado às duas narrativas): Os Olhos Deslumbrados e Maga.

Exemplar do sétimo milhar impresso (corresponde à 3.ª e definitiva edição), na série especial encadernada pelos editores em percalina conservando a frente da bela capa de publicação – composta por Stuart Carvalhais. Ou por defeito de tiragem, ou por supressão entretanto, não apresenta folha de rosto. Além disso, a encadernação tem já alguns sinais de desgaste.

10€

Frederick C. Hesse — Aquilino Ribeiro: Um Almocreve na Estrada de Santiago

Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1991. In-8º de 197, [III] págs. Br.

"Vulto sem dúvida maior da nossa literatura contemporânea, Aquilino Ribeiro tem vindo, após a sua morte, a ser esquecido pelo público e pela crítica. Em tal contexto, que nada justifica, a presente obra do ensaísta brasileiro (...) constitui um oportuno convite à redescoberta de um autor em cujos livros se espelham, com superior qualidade narrativa, alguns dos traços fundamentais da fisionomia portuguesa do século XX". O autor era à época professor em universidades americanas (a Militar e a de Nova Iorque, após uma passagem por Harvard). 

10€   

Aquilino Ribeiro & Ferreira de Mira — Brito Camacho

Livraria Bertrand * Lisboa (2.ª edição). [S/d – 1942?]. In-8º de 295, [5] págs. Cart.
 
No prefácio conjunto datado de 1942, diziam os autores que ainda então o nome de Brito Camacho suscitava alvoroço de partidários e detractores, mas que eles, apesar de amigos do visado, fugiriam o mais possível a julgá-lo – pretendendo apenas carrear «matéria» para crítica futura: “Fornecem-se alguns dados; é o mais capital do livro. A homenagem essa passa tão breve e escoteira que mal se vê.”

Exemplar artesanalmente cartonado aproveitando a frente da capa de publicação.

10€

Aquilino Ribeiro — É a Guerra

Livraria Bertrand * Lisboa (3.º milhar). [S/d – pref. 1934]. In-8º de 302, [2] págs. Br.
 
Vinte anos depois, estacionando uma vez mais na Alemanha que começara a habitar por via da primeira mulher (Grete Tillman – conhecida precisamente em Paris), publicava Aquilino o diário que compusera em França pelo início da primeira Grande Guerra – de 1 de Agosto a 26 de Setembro de 1914. Na carta-prefácio ao correligionário republicano, também exilado em Paris, Gomes Mota, Aquilino começava por justificar talvez demasiado o crescimento da águia nacional-socialista dada a humilhação germânica em Versalhes para depois prever com apurada intuição praticamente o que iria acontecer: “Apesar de tudo era [a de Bismarck] bem mais simpática que a Alemanha dos nossos dias, que ferve na mística mais descabelada, acende autos de fé dos livros que divergem do credo estreitamente nazi, provoca o êxodo dos judeus e encurrala em campos de concentração, até se renderem à mercê, os que não comungam na religião nascente. (...) Acabou-se; são chegados os tempos mais trágicos e fecundos na história do género humano; cinco anos para a Alemanha se armar; um até dois de hecatombe; dois de diabo à solta, e o dies irae. Para a treva, para a claridade?”

Exemplar da edição original; geralmente bem conservado no miolo, mas com ligeiros defeitos na capa.
 
20€

Quando o Nobel era uma «Forêt Vierge»...


Ainda a propósito de prémios, do Nobel e de Ferreira de Castro. Que várias vezes fôra já apontado no estrangeiro como merecedor do galardão mas, em 1959, o foi com particular insistência. Conta Jaime Brasil na biografia «A Obra e o Homem» que o Figaro indicava o romancista português e Alberto Moravia como os dois candidatos a vencer nesse ano - aos quais outros jornais parisienses acrescentavam o nome de Jean-Paul Sartre. Em Portugal, e sobretudo no Brasil, a ideia ganhou asas. Porém, quando Aquilino Ribeiro vê apreendido pela Censura Quando os Lobos Uivam, e se lhe abre o famoso processo criminal, um conjunto de escritores sugere à SPE a apresentação de uma candidatura em seu nome - e à qual Ferreira de Castro manifesta desde logo apoio, desistindo de uma própria.
Não sabendo até que ponto isto seria assim, e uma candidatura nessa época requeresse a anuência do candidato, aqui fica a história. E aqui fica a desistência «oficial» de Ferreira de Castro em carta ao vespertino República igualmente para 1960:
 
(...)
Mas como, na segunda parte da notícia, se diz que a Sociedade de Escritores, na sua próxima reunião, poderá manifestar a sua concordância com as presumíveis candidaturas de Aquilino Ribeiro e de Ferreira de Castro, bem como a de Miguel Torga, para o prémio deste ano, eu gostaria de esclarecer também que não pretendo ser candidato, pois não desejo estabelecer qualquer concorrência, por insignificante que fosse, com aqueles meus dois ilustres camaradas de letras, cujas obras tanto admiro.
 
Cabe recordar que o vencedor do Nobel em 1959 seria Salvatore Quasimodo e em 1960 o muito recomendável Saint-John Perse (em 1958 tinha sido Pasternak, de quem Aquilino era adepto, e em 1957 Albert Camus, que era adepto de Ferreira de Castro).
E que tamanho prestígio do romancista português em terras francesas talvez se devesse ao 
sucesso estrondoso de A Selva, lá editado dezenas de vezes desde 1938 até ainda hoje, com a honra de o tradutor ter sido nem menos que o poeta Blaise Cendrars - que conheceu e se tornou amigo de Ferreira de Castro muito antes, no Brasil.            

De-Coração das Casas

[Aquilino Ribeiro, (primeira) mulher, filho e biblioteca; Ferreira de Castro, mulher, filha e biblioteca]

31 de Janeiro

A República republicana teve aqui a sua universidade. Os mestres davam lição como no liceu, peripatetizando. Quem do meu tempo e do Norte não ouviu e viu Guerra Junqueiro, altas horas, com as pontas do seu cache-call a flutuar, e a dizer ao vento da inspiração?
Já tive ensejo de declarar que foram eles os meus mestres de verdade, e me varreram do espírito os miasmas da política ancestral e das ideias fuliginosas professadas através de três dinastias.
Uma fatalidade bio-educacional levou-me para o Sul, mas a doutrina que me aquecia a alma partiu daqui, desses que vingaram a batalha perdida em 31 de Janeiro.

(Aquilino Ribeiro)

Aquilino Ribeiro — Jardim das Tormentas

Livrarias Aillaud e Bertrand. 1923. In-8º de 326, [2]. Enc.

Edição revista do primeiro livro de Aquilino, por ele “corrigido em S.to Amaro de Oeiras, Dezembro de 1922”. Reproduz, da primeira edição (1913), o longo prefácio de Carlos Malheiro Dias – que, nas palavras do próprio, teria como melhor mérito “o facto de demonstrarmos ser possível a dois adversários políticos o darem-se cordialmente as mãos” – e a dedicatória impressa à mulher, a alemã Grete.

Exemplar da série encadernada pelos editores em percalina com relevos e gravações a ouro. Em muito bom estado, com as folhas bastante limpas e sem qualquer defeito de monta.
 
20€  

Aquilino Ribeiro — Estrada de Santiago

Estrada de Santiago (contos)

Livraria Bertrand * Lisboa (6.ª ed.). In-8º de 398, [2] págs. Br.

Exemplar bem conservado, com o papel quase impoluto; apenas na capa apresentando algumas manchas de acidez.
 
10€

Aquilino Ribeiro — Terras do Demo

Lisboa – Livrarias Aillaud e Bertrand (73, Rua Garrett, 75), 1919. In-8º de 316, [2] págs. Br.

Foi a edição original, hoje já consideravelmente invulgar, de um dos mais célebres romances de Aquilino (terceiro livro que publicou) e de dois séculos de ficção portuguesa, no qual, segundo as palavras do próprio autor, “os campónios, vítimas do anátema divino ou da injustiça social, cândidos ou apenas dionisíacos nas horas vagas, a estalar de felícia e lirismo, entraram na história consagrados como quem são: escravos da terra ou dos terra-tenentes, minados de preconceitos e taras, mais propensos ao mal que ao bem”.
O exemplar, do primeiro milhar impresso, está parcialmente desconjuntado, tendo por isso sobre o encaixe um reforço e parecendo aconselhável mais tarde ou mais cedo encaderná-lo.
 
24€ 

Aquilino Ribeiro — Terras do Demo

Terras do Demo: Romance por Aquilino Ribeiro (quarta edição)

Livraria Bertrand ― Livraria Francisco Alves. [S/d]. In-8º de 318, [2] págs. Br.

Na dedicatória a Carlos Malheiro Dias, apresentava-lhe Aquilino o livro dizendo pretender com ele “pintar dessas aldeias montesinhas que moram nos pícotos da Beira, olham a Estrêla, o Caramulo, a cernelha do Douro e, a norte, lhes parece gamela emborcada o Monte-Marão. O vale, que as explora, trata-as despicientemente por Terras do Demo.” 
Exemplar com marcas de acidez na capa e nas folhas preliminares e uma assinatura de propriedade na folha de rosto; de resto, sem defeitos significativos a salientar.

12€

Aquilino Ribeiro — Terras do Demo (romance)

Livraria Bertrand, Amadora. (1963). In-8º de 352, [4] págs. Br.

Edição publicada nas «Obras Completas».
O exemplar conserva a sobrecapa e mantém-se em boa condição, mas prejudicado por uma assinatura na folha de guarda.
 
7€

Aquilino Ribeiro — Andam Faunos pelos Bosques

Andam Faunos pelos Bosques: romance por (...)

Livrarias Aillaud e Bertrand (Paris, Lisboa). (1926). In-8º de XV, [I], 329, [3] págs. Br.

Primeira edição de um dos mais apreciados títulos do autor, com capa de João Abel Manta.
Vale a pena transcrever algumas passagens do prefácio no qual Aquilino dedicava o romance ao igualmente republicano e escritor Brito Camacho (de quem escreveria, recorde-se, uma biografia):
“Ao refundir a minha obra, sinto a tenacidade teimosa, um pouco absurda, talvez indefensàvelmente idealista, dos camponeses da Beira, meus avós, que viviam e morriam no sonho de converter chavascais em floridos vergéis. Êsse meu empenho – seja questão de probidade, seja atavismo da rija e obsessa alma beiroa – é superior ao meu raciocínio, aos raciocínios mais robustos dêste mundo”
[Dizendo aqui terminar o seu primeiro ciclo literário] “Vou descer à urbs, depondo a pena que a crítica suficiente qualificou de regionalista. Em verdade, se regionalista é ter descrito outra coisa que não Lisboa, não reclamo melhor diploma (...)
Quero ainda dizer ao pio leitor – só a êsse – que, melhor que romance, êste livro é uma fábula. Fábula em onze jornadas, tragicómica, sorte de rapsódia pagã em bemol. Sinto que passa nela um sôpro da loucura que vai dobrando a canavial secular das ideas e dos bons costumes. Por aí perde, ou por aí ganha.”
 
O exemplar (do quinto milhar impresso) pertenceu ao tenente Pina Cabral, de quem tem a assinatura carimbada na folha de guarda; em boa condição no miolo, mas exteriormente pouco cuidado, com alguns defeitos.
 
15€

Aquilino Ribeiro — Andam Faunos pelos Bosques

Andam Faunos pelos Bosques: romance por (...)

Livraria Bertrand / (3.ª Ed.) Lisboa. (MCMXXI). In-8º de XV, [I], 339, [1] págs. Br.

Foi a terceira edição (sendo este, no total, o décimo milhar que se imprimiu do livro, já com alterações tipográficas em relação às tiragens iniciais). 
O exemplar ostenta o ex-libris de Adalberto Simões de Carvalho – que não lhe deixou quaisquer outros sinais de uso.
 
15€

Aquilino Ribeiro — Filhas de Babilónia

Livrarias Aillaud e Bertrand. (MCMXXV). In-8º de 299, [5] págs. Enc.

Exemplar do sétimo milhar impresso (corresponde à 3.ª edição), na série especial encadernada pelos editores em percalina conservando a frente da bela capa de publicação – composta por Stuart Carvalhais. Ou por defeito da própria tiragem, ou por ter sido entretanto suprimida (mas não há sinais nítidos disso), não apresenta folha de rosto. 

10€

Aquilino Ribeiro — Maria Benigna/Antecipação

Livraria Bertrand. Lisboa. (1958). In-8º gr. de 349, [3] págs. Br.

O romance «Maria Benigna» foi aqui publicado em segunda edição, sendo a novela «Antecipação» inédita; de ambos falando Aquilino no texto de apresentação ao “Leitor Pio ou Ímpio” que se reproduz nas abas do volume.

Exemplar manchado na capa mas em aceitável estado no miolo, que só acusa alguns vestígios de acidez e o habitual – nesta série – escurecimento das folhas nas margens.
 
8€