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Catálogo - A «Geração de 70»

Cumpriram-se quinta-feira passada exactos 150 anos sobre o dia em que «Santo Antero» de Quental, após uma breve apresentação algumas noites antes, abria propriamente as «Conferências Democráticas do Casino» Lisbonense com as suas famosas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. O resto da história é conhecido, e parece um bom motivo para dedicar um catálogo inteirinho à Geração de 70. Aos cinco senhores do conhecido retrato tirado após um almoço no antigo restaurante do antigo Palácio de Cristal portuense - Antero, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão -, retrato esse que lhe serve de capa, foram acrescentados um mais e outro menos compagnons-de-route (Teófilo Braga e Gomes Leal) habitualmente associados e igualmente muito bem representados cá na livraria e, no final do catálogo, um pequeno suplemento com figuras hoje mais em segundo plano: Alberto Sampaio, António Cândido (a «Águia do Marão»), Luís de Magalhães e João Penha.
150 anos, 150 páginas de catálogo; só o senhor Eça de Queirós ocupa umas quarenta (e ainda assim foi preciso deixar muita coisa de fora...). Para vos incentivar a leitura, porém, aqui vai:
- Entre tantos livros e edições para todos os gostos e feitios, estão já por exemplo as originais de peças tão significativas como A Ilustre Casa de Ramires, O Conde d'Abranhos, A Morte de D. João e A Velhice do Padre Eterno (de que até há por cá 2 exemplares, como se fossem pãezinhos...)
- As dez melhores compras terão direito a um exemplar da outra comemoração planeada cá pela casa: um livro que em breve deverá entrar no prelo recolhendo textos vários de Eça, já meio «perdidos», acerca da Geração de 70. Podemos gostar mais ou menos dela, mas ninguém discutirá que merece.

O catálogo pode ser desde já consultado

Amorim de Carvalho — Guerra Junqueiro e a sua Obra Poética

Guerra Junqueiro e a sua Obra Poética (análise crítica)

1945 / Livraria Figueirinhas – Pôrto. In-8º gr. de 325, [3] págs. Br.

“A crítica literária portuguesa quási se tem cingido, eruditamente, à investigação das fontes, à exegese e à biografia. Poucos ou breves são os juízos de avaliação estética, e êstes, ainda assim, mais pessoais e impressionistas do que objectivos e gerais”, assim apresentava o autor o seu propósito na nota de abertura. Num total de dezoito, foram alguns dos capítulos «O Romantismo e o Realismo de Junqueiro», «A formação poética de Junqueiro desde as influências de Soares de Passos», «A sátira e a caricatura na poesia de Junqueiro», «A versificação de Junqueiro», «O Simbolismo», «Guerra Junqueiro e António Nobre», etc.
 
15€      

Guerra Junqueiro — [Miscelânea]

O Seculo : I Baptismo de Amor / Oração á Luz / Oração ao Pão / O Crime (A propósito do assassinato do Alferes Brito)

Porto: Livraria Chardron, de Lello & Irmão. (Datas diversas). 4 vols. in-8º enc. em 1.

Miscelânea de vários títulos do poeta agregados numa encadernação conjunta, em boa percalina, da portuense casa Ribeiro; que não conservou as capas primitivas. De O Seculo/Baptismo de Amor, com a conhecida nota laudatória de Camilo Castelo Branco, o exemplar apresentado é da 3.ª edição; de Oração á Luz, da original; de Oração ao Pão, da 2.ª; e de O Crime, da 3.ª; nenhuma delas datada, mas todas, salvo erro, do princípio do século passado.

Todos os opúsculos de modo geral bem conservados, embora os anterrostos de Oração á Luz e Oração ao Pão apresentem a mesma assinatura de propriedade datada de Fevereiro de 1914.

35€

Guerra Junqueiro — Finis Patriae (– terceira edição)

Porto: Livraria Chardron, De Lello & Irmão, editores – 1903 (Todos os direitos reservados). In-4º de 62, [2] págs. Br.

Edição impressa a duas cores, variadamente ornada nos vários frontões e transcrevendo no início do volume uma série de excertos da Historia de Portugal de Oliveira Martins.

Exemplar ainda por estrear, conservando os cadernos por abrir.


14€


Guerra Junqueiro — Horas de Luta

Horas de Luta (com um prefácio de Mayer Garção) / Vitória de França – O Crime – Finis Patriae – Marcha do Ódio – Discursos e manifestos – Execução de uma quadrilha

Pôrto: Livraria Lello, Limitada – editora / Proprietária da Livraria Chardron. [S/d]. In-8º de XLIX, [I], 196, [2] págs. Br.

Nota do editor: “Depois de prévio entendimento com a ilustre família de Guerra Junqueiro, resolvemos reünir em dois volumes Vibrações Líricas, Horas de Luta – as composições poéticas e os trabalhos escritos em prosa do grande Poeta morto, dispersos em folhetos vários e que são propriedade da nossa casa. Por esta forma, quere-nos parecer que os admiradores do insigne autor dos Simples e de A Pátria terão alguma coisa a lucrar, pois encontrarão em dois únicos tomos uma vasta parte da sua obra excelsa”. Bastante extenso e com alguns apontamentos biográficos de interesse acerca de Junqueiro o prefácio do escritor seu discípulo hoje quase esquecido, como o «correspondente» portuense João Grave.


14€

Guerra Junqueiro — Vibrações Líricas

Porto, Lello & Irmão – Editores, 1950. In-8º de LX, 142, [VI] págs. Br.

Primeira edição conjunta dos vários títulos reunidos, especialmente apreciada pelo longo – mais de 50 páginas – prefácio sobre o poeta, preparado para este efeito por João Grave. Reproduz ainda os prefácios originais de O Caminho do Céu (também de João Grave) e de Prometeu Libertado (de Luís Magalhães), além de um retrato de Junqueiro gravado em folha destacada junto do frontispício.

12€

Guerra Junqueiro e Guilherme de Azevedo — Viagem à Roda da Parvónia

Viagem à Roda da Parvónia (relatório em 4 actos e 6 quadros) / (Ilustrado por Manuel de Macedo e anotado pelo autor e pelos Senhores: Alberto Braga, (…) Antero de Quental, (…) Coelho de Carvalho, (…) Gervásio Lobato, (…) J. Batalha Reis, (…) João de Deus, (…) José de Alpoim, J. César Machado, (…) Magalhães Lima, Oliveira Martins, Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão, (…) etc., etc.)

1980 / Lello & Irmão – Editores, Porto. In-8º de 260 págs. Br.

“A estreia da Viagem à roda da Parvónia na noite de 17 de Janeiro de 1879 foi muito provavelmente a mais tumultuosa da história lisbonense do teatro declamado no último quartel de Oitocentos. A representação chegou ao fim, mas tão ponteada de acidentes, com tanta pateada (a única na carreira do velho actor Taborda), tanto espatifar de cadeiras, que a proibição policial, se não viesse logo, justificar-se-ia ao segundo ou ao terceiro espectáculos, por afrontamentos mais graves”, assinalava Pedro da Silveira, o amigo e biógrafo de Guilherme de Azevedo, no prefácio a esta peça que continua até hoje a ser encenada.


Exceptuando o primeiro, o exemplar conserva os cadernos por abrir.

12€

Lopes de Oliveira — Memórias: Guerra Junqueiro

Editorial Cosmos, Lisboa. (1938). In-8º de 275, [3] págs. Br.

Escritas com um fervor quase religioso pela figura do amigo mais velho – dele garantia o autor, na introdução, ser o único grande continuador de Camões, acima de Bocage, Garrett e Antero –, as «Memórias» interessam principalmente pelo que contam dos anos próximos, antecedentes e sequentes, da implantação da República, sendo a esse período dedicada a maior parte do volume (que inclui, em folhas destacadas, vários retratos de Junqueiro).

18€

Leonardo Coimbra — Guerra Junqueiro

Guerra Junqueiro (Nota prévia, organização e fixação do texto: Paulo Samuel)

Lello Editores / Universidade Católica Portuguesa (Centro Regional do Porto). (1996). In-8º de 163, [5] págs. Br.

Assinalava Paulo Samuel no prefácio que “o relacionamento entre Leonardo Coimbra e Guerra Junqueiro foi bastante estreito, tanto ao nível da convivência e estima pessoais como no plano cívico e político, nesses tempos primiciais da República”. Em folha extratexto preliminar o volume apresenta, tal como na edição original, um conhecido retrato de Junqueiro da autoria do comum amigo António Carneiro.
Exemplar por estrear.

10€

Saudação aos Aviadores Portuguezes

Em Nome da Sociedade de Geographia de Lisboa (na Tip. Renascença – Rio [de Janeiro]). [S/d]. In-4º de [8] págs. Br. 
 
Opúsculo hoje raro, preparado por Rui Chianca e integrando, a abrir, um texto inédito de Junqueiro em homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral – “ A gloria eterna das nossas descobertas, que unificaram e deslumbraram o mundo, evocada por vós, levanta-se da Historia e vem saudar-vos (…) Voltamos a viver, numa hora infinita, o passado augusto, e o grandioso coral das duas patrias abraza-se de amor e desenrola-se em livro ardente do futuro. E então o vosso acto heroico nimba-se por milagre dum esplendor sagrado e religioso. É que nas azas da vossa caravella harmonicamente iam voando a bandeira da patria e a cruz de Christo.”
 
Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir. 
 
20€

Guerra Junqueiro ― O Monstro Alemão (Atila e Joana d'Arc)

Porto, Edição da Junta Patriótica do Norte, 1918. In-8º de 20, [2] págs. Br.

Opúsculo publicado pela instituição sediada no Porto a assinalar o fim da 1ª Guerra Mundial – e cujo produto de venda se destinou precisamente, como de costume, à assistência aos órfãos de guerra. A pedido da Junta, Junqueiro enviou, desde Barca d’Alva, este seu artigo inédito escrito no ano anterior.
O texto, ao habitual estilo dele – verboso, proclamatório –, é um violento libelo contra a Alemanha de Bismarck (e, de caminho, contra Hegel, contra Nietzsche…) e o ideal de pan-germanismo que desembocou na Grande Guerra. Atacando uma certa psicologia alemã, contrapõe-lhe a cultura francesa que defende e a que dedica o ensaio: a “França heroica e redemptora”, a “mãe sublime de Joana d’Arc”, o “coração do mundo”, etc. 
 
10€ 

Guerra Junqueiro - Pátria

Porto, Lello Editores, 1996. In-8º de 221, [3] págs. Enc.
 
Edição comemorativa do centenário da primeira do livro que, alegoria apenas, mais terá talvez ainda assim servido a propaganda republicana; publicada pela Lello sob o patrocínio do extinto Governo Civil do Porto e considerável apuro gráfico, apresenta hors-texte, antes da folha de rosto, uma gravura em reprodução de um conhecido retrato do poeta. Salvo nota editorial assinada por Paulo Samuel, a disposição é exactamente a da referida edição de 1896, começando pela dedicatória impressa à memória de José Falcão e a Basílio Teles e Sampaio Bruno  e terminando com as devastadoras e amiúde repescadas «Anotações», em prosa, do punho do próprio Junqueiro – que castigam, mesmo devendo à ambivalência sobrada da simpatia, o tipo português: “(…) apático e fatalista, ajusta-se pela maleabilidade da indolência a qualquer estado ou condição. Capaz de heroísmo, capaz de cobardia, toiro ou burro, leão ou porco, segundo o governante. Ruge com Passos Manuel, grunhe com D.João VI. É de raça, é de natureza. Foi sempre o mesmo.”, e arrasam, sem grandes preocupações de tom ou elegância, a monarquia de D.Carlos, “mediocridade palúrdia, já aos 25 anos atascado no cebo dinástico, nas banhas brigantinas.”
 
Encadernação dos editores, cuidada, toda em pele (gravada a ouro na pasta superior e na lombada).

Exemplar por estrear.
 
14€