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Mário Sá Carneiro — Juvenília Dramática

Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda. 1995. In-8º peq. quadrado de 100, [4] págs. Br.

Primeira edição de três peças inéditas do poeta, escritas entre 1907 e 1908 e só em 1992 descobertas num envelope perdido na famosa «arca» de Pessoa. Inclui uma «Introdução» da sobrinha deste último, Manuela Nogueira, que encontrou os manuscritos, e uma «Nota à Juvenília Dramática de Mário de Sá-Carneiro» da autoria de Maria Aliete Galhoz. 

Tiragem de 1300 exemplares, encadernados pelos editores em tela com sobrecapa ilustrada.


10€

Mário Sá Carneiro — Poemas Juvenis (1903-1908): inéditos

Porto, Centro de Estudos Pessoanos, 1986. In-8º de 129, [7] págs. Br.

Primeira edição de um conjunto de inéditos do poeta, a partir de um caderno manuscrito, tardiamente descoberto, com tentativas poéticas da juventude e versões do alemão (Goethe, Schiller, Heine, etc.) e do francês. Preparada pelo investigador François Castex, que na sua longa – estende-se até à pág.40 – introdução, e após contar da descoberta e aquisição do caderno ao alfarrabista lisboeta Óscar Rodrigues, trata do aparato crítico a cada um dos textos que, segundo diz, fornecerão “a todos os que se interessam por Sá-Carneiro elementos novos e inéditos que permitirão melhor apreciar a sua caminhada para o génio.” Inclui, ainda a abrir, uma extensa tábua de bibliografia passiva sobre o «Esfinge-Gorda».


12€

Poetas Novos de Portugal (selecção e prefácio de Cecília Meireles)

Edições Dois Mundos Editora Ltda. Rio de Janeiro. (1944). In-8º de 315, [5] págs. Enc.

Do longo – estende-se por quase cinquenta páginas – texto introdutório da escritora brasileira, como de costume, nestas circunstâncias, proclamador de intenções e explicador de critérios, poder-se-ia, entre outras coisas, reportar: a indicação habitual de Cesário, Nobre e Antero como as raízes desta «nova» poesia portuguesa, atribuindo-lhes depois como «caules» Pessanha e, até certo ponto, Afonso Duarte, o que hoje parecerá quase uma extravagância (salvo o caso de alguns nomes do Novo Cancioneiro, Carlos de Oliveira – que aqui nem aparece –, confessado tributário do poeta da Ereira, à cabeça), para não dizer um contra-senso, mesmo cronológico (Sá-Carneiro, por exemplo, era mais velho, pelo que ainda aí não se entende que influência haveria o Orpheu de lhe ir beber...); a inclusão, aliás com algum destaque, de Irene Lisboa (João Falco) e Fernanda de Castro neste contexto, talvez explicável por simpatia feminina, ou nem isso (se por aí fôssemos, antes a lamurienta Florbela); a colação larguíssima de um Fernando Pessoa então quase inédito, mas já credor do maior – de longe – destaque e assinalado “o caso mais extraordinário das letras portuguesas”, o que as amizades portuguesas de Cecília explicariam; e a atribuição à Presença de mais méritos dos que comummente, e com bom juízo, por estes dias se lhe reconhecerá. Cronologia, gostos, tendências, compadrios e presumível «mão» lusa (de Casais Monteiro, de Cortes-Rodrigues, ou ambas; não a de Cortesão, director desta «Coleção Clássicos e Contemporâneos» e também a viver no Brasil, que decerto ditaria outras escolhas) a esmo: tudo certamente cheio de boas intenções, mas demasiado confuso, atabalhoado, desequilibrado e falho de critério.
São os principais representados Pessanha, Sá-Carneiro, Pessoa, João Falco, Régio, Nemésio, Botto, Alberto de Serpa, Carlos Queirós, Casais Monteiro, Saul Dias e J. J. Cochofel.

Primeira edição; rara em Portugal (e mesmo no Brasil pouco frequente). Este exemplar, da série encadernada pelo editor, pertenceu também a Laureano Barros, que nos típicos apontamentos a lápis sobre a guarda indicou isso mesmo - a série e a raridade. A encadernação apresenta-se porém um tanto manchada e escurecida junto às margens.
 
35€

Cem anos de solidão

Faz hoje cem anos que Mário de Sá Carneiro, para variar de Camilo, Antero e Laranjeira, se envenenou em Paris num final de tarde de Primavera, mais ou menos por esta hora. Uma pessoa matar-se em Paris e em plena Primavera parece duplamente inexplicável (apesar de Celan, que fez o mesmo em 1970), mas pode supor-se, querendo armar biografias, que as razões imediatas terão sido, fundamentalmente, duas: a paixão e consequente desatino por uma criatura não muito recomendável, maxime; e o prévio desânimo pela frustração dos planos de Orpheu 3, cuja fácil desistência talvez indiciasse desânimo, fundo, já anterior.
 
Fernando Pessoa, o amigo (por correspondência) dilecto, viria a editar-lhe grande parte dos poemas manuscritos e talvez a aproveitar, para conta própria, os fragmentos. Mas isto, que parecerá uma póstuma boa notícia, é de facto má. Pelo simples facto de que Sá-Carneiro era um poeta superior a - ou pelo menos globalmente mais interessante do que - Pessoa. Isto parecerá polémico, e poucos acompanharão o autor destas linhas, mas entre esses poucos há nomes de respeito: Régio e António Maria Lisboa à cabeça.
Vindo A. M. Lisboa muito a propósito, porque também prometia bastante e porque também morreu com a mesma temporã idade: 25 anos. Ficará sempre por saber quão alto voariam estes dois cavalheiros, se não tivessem seguido duas grandes tradições dos poetas portugueses: o suicídio (Antero, Laranjeira e menores) e a tuberculose (Nobre, Duro, Cesário, etc.).
 
Tese: um tipo como Sá-Carneiro nunca deixaria de se suicidar. Uns, ameaçam muito e nunca fazem. Outros, ameaçam porque mais cedo ou mais tarde vão mesmo fazê-lo.
"Ah, o mal dele foi mimo", "ah e tal, o mal dele foi nunca ter trabalhado". Não é nada líquido. "Sagra sinistro a alguns o astro baço", cantou o amigo Pessoa a propósito de Gomes Leal, e muito melhor o cantaria a propósito deste saturnino «Esfinge-Gorda».

João Pinto Figueiredo ― A Morte de Mário de Sá-Carneiro

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 241, [3] págs. Br.
 
“Apesar do seu título, é da vida de Mário de Sá-Carneiro que nos fala o presente livro. Efectivamente, para o autor de Céu em Fogo a vida não passou de uma morte prolongada, de uma morte «vivida». (...) Na escassa bibliografia sobre o grande poeta, A Morte de Mário de Sá-Carneiro constituirá doravante uma referência obrigatória.”
Primeira edição desta interessante (apesar de talvez demasiado especulativa) biografia sobre o “Lord de Escócias de outra vida”, assinada por alguém que já então se notabilizara como biógrafo de Cesário; publicada na série «Estudos Portugueses» e enriquecida por curiosas ilustrações a meio do volume, sobre folhas couché.
 
Exemplar sem defeitos dignos de registo.
 
(14€)

Mário Sá Carneiro ― A Confissão de Lúcio (narrativa)

1945/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 158, [2] págs. Br.

Segunda edição, a primeira das muitas que a Ática viria a publicar - quer deste livro, quer, em geral, de Mário Sá-Carneiro, de quem se iniciavam aqui as «Obras Completas» -, com um prefácio de Luís de Montalvor, que, bastante palavroso, logo fazia notar o tardio da empresa e destacava depois o “apêlo ao domínio do inconsciente” e o “móbil de se furtar à realidade, à sua realidade humana, à sua vivência quotidiana” nesta novela, “das mais insistentemente originais da moderna literatura portuguesa”.

Exemplar nº46 da tiragem especial de 100 em papel vergé nacional.


35€  

Mário Sá Carneiro ― Poesias

Poesias de Mário de Sá-Carneiro (Com um estudo crítico de João Gaspar Simões)

1946/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 190, [6] págs. Br.

Segundo volume das Obras Completas de Mário de Sá-Carneiro, primeira edição conjunta de Dispersão e de Indícios de Oiro, a que se acoplou no final uma série de últimos poemas conhecidos («Caranguejola», «Manucure» e «Apoteose», entre outros cinco) e a nota biográfica que Fernando Pessoa publicara na Presença sobre o suicidado amigo.


Exemplar da série corrente.
 
20€