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João de Barros (II) — Espelho de Casados

Espelho de Casados, pelo Doctor (...) / 2.ª edição, conforme a de 1540 / publicada por Tito de Noronha e Antonio Cabral

Porto: Imprensa Portugueza (Rua do Bomjardim, 181) – MDCCCLXXIV. (Vende-se na livraria de J. E. da Cruz Coutinho, Rua do Almada, 15 e 17). In-8º gr. de 8, IV, LXI, [III] ff. Br.

A introdução da pena do bibliógrafo-escritor e do conselheiro-escritor esclarecia aspectos do livro, do autor e desta edição – limitada a 210 exemplares impressos sobre encorpado papel de linho –, começando pela velha advertência de não confundir este portuense João de Barros com o mais ou menos contemporâneo e compatriota das famosas Decadas da Ásia.
Quanto ao tratado, apologético predecessor do hoje talvez mais famoso de Francisco Manuel de Melo (abaixo neste boletim), não se pode dizer que não fosse prático: uma das razões avançadas para pensar duas vezes antes de contrair matrimónio era a de evitar o adultério feminino, que em circunstância alguma deveria ser perdoado, aconselhando-se ao marido surpreendido que pusesse a mulher a correr – o que até parecerá brando, comparado por exemplo com a jurisprudência de um certo juiz do Tribunal da Pedra Lascada, perdão, da Relação do Porto.

“Espelho de Casados / Em o qual se disputa copiosamente quam excelente proveitoso e necessario seja o casamento e se metem muitas Sentenças. Exemplos. Avisos. e doctrinas. e duvidas necessarias para os casados. e finalmente os Requisitos que hade ter o casamento para ser em perfeição e a serviço de Deos”.

Exemplar nº32, em brochura, conservando a capa respectiva mas com um rasgão e algumas marcas. Pertenceu à célebre biblioteca alto-minhota do matemático portuense Laureano Barros, que lhe apôs esta nota a lápis no frontispício: “Muito rara / Custou 250$00 (Junho de 1970)  mas acho que vale muito mais.”.  O preço abaixo indicado não leva muito a peito – mas não por desrespeito – essa indicação do anterior proprietário do livro.

30€

Annuario da Sociedade Nacional Camoneana

Annuario da Sociedade Nacional Camoneana — 1.º anno – 1881.

Porto: Sociedade Nacional Camoneana, editora – 1881. In-8º gr. de 317, [3] págs. Enc.

Publica-se hoje o primeiro Annuario d’esta sociedade, que foi inaugurada em 10 de Junho de 1880, anniversario do fallecimento de Luiz de Camões, quando tres seculos eram passados desde que o grande Epico deixára a terra, tendo cumprido a sua gloriosa missão. (...) A celebração do tri-centenario do passamento do poeta despertou a idéa de constituir-se uma sociedade litteraria e de instrucção, cujo objecto principal fosse continuar o culto, que no mundo litterario se estabeleceu, á memoria de Luiz de Camões, ao estudo das suas obras, á litteratura contemporanea das suas producções. / Este assumpto foi proposto á discussão em uma das sessões da commissão litteraria da grande reunião, que se fez no Palacio de Crystal Portuense, para organisar os festejos que nos dias 10, 11, 12 e 13 de Junho de 1880 se prepararam para commemorar condignamente o centenario. O iniciador da idéa foi o sr. Joaquim de Vasconcelos”, convidando-se de seguida a Câmara Municipal, que se associou oferecendo para a Sociedade uma das salas da Biblioteca Municipal, em São Lázaro, que passaria a ser a sede desta tão efémera associação – no final do volume convidavam-se os sócios a participar no segundo anuário, mas o certo é que já não saiu mais nenhum, sendo este o primeiro e único publicado, em bom papel de linho; com contribuições de, entre outros, A. M. Cabral, Tito de Noronha, Conde de Samodães, Oliveira Martins («A marinha portugueza na era das conquistas»), Fernando Palha («Bibliographia Camoneana», catálogo da sua própria biblioteca) e João Franco Barreto.

Exemplar bem encadernado com lombada em pele gravada a ouro, acrescentada com dois rótulos. Não conserva a capa primitiva, supondo que tenha existido.


45€