livraria on-line

bibliographias@gmail.com / 934476529

.

.

23 de dezembro de 2014

Um Natal português

Em Canelas, Vila Nova de Gaia, a população protesta há meses pela substituição do pároco - pretende o regresso do anterior e vitupera o actual, que vai insultando, entre outras razões, por ter cabelos e barbas compridos. Se não erro, todas as crónicas mais ou menos garantem que Cristo, precisamente, passou a vida nesse tipo de preparos (para além de não ter biblioteca nem perceber patavina de finanças, como sugeria o outro, também não consta que o Nazareno usasse cabelo rapado e brinquinho na orelha, como os gunas tugas - citadinos e aldeãos - contemporâneos). A Igreja esteve-se, desde o início, quase sempre nas tintas para o próprio fundador. Agora, estão até as populações, outrora o "rebanho", cada vez mais nas tintas para a Igreja e para o fundador. Querem rezar os seus próprios dogmas. "Creio em Jesus Cristo, filho unigénito de Deus, rapado e barbeado". Ou, tão-só, um CR derivado, de igual modo dado ao 7, 70x7, mas talvez algo menos à complicação metafísica: "Creio em Cristiano Ronaldo". Amen.
 
É Portugal/Carnaval, ninguém leva a mal. Bom Natal.