catálogo on-line

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Teixeira de Pascoaes ― Senhora da Noite

Porto: Magalhães & Moniz, L.da – Editores. 1909. In-8º de 54, [2] págs. Br.

Edição original, já consideravelmente rara.

Bom exemplar, sem defeitos significativos.

35€

Teixeira de Pascoaes ― Regresso ao Paraiso

Edição de A Renascença Portuguesa / Pôrto-1912. In-8º de [4], 218, [2] págs. Br.

Primeira edição de um dos mais procurados – e por isso relativamente raro – livros do poeta, o décimo da sua bibliografia.

Exemplar com alguma fragilidade exterior e esparsos vestígios de acidez ao longo do volume. Deverá ter pertencido a Augusto Cortês, de quem parece ter a assinatura no rosto.
 
60€ (reservado) 

Teixeira de Pascoaes ― Cantos Indecisos

Cantos Indecisos (Cantos Indecisos / A Elegia da Solidão / Elegia do Amor / Senhora da Noite / Doido e a Morte / Elegias)

1921 — Lumen, Empreza Internacional Editora. In-8º peq. de 184, [4] págs. Br.

Primeira edição, invulgar; acoplando a Cantos Indecisos títulos que conheciam já edição independente e outros que viriam a tê-la poucos anos depois.

Exemplar muito bem conservado no miolo, mas com algumas falhas na capa – onde Guilherme Allen apôs, à cabeça, a própria assinatura.
 
36€

Pascoaes, «the man of the eyes»


A senhora que não está na fotografia, porque dela nem  se conhece nenhuma, é Leonor Dagge, a inglesa que foi a musa de Pascoaes. Pouco dado a estas coisas, mais habituado às almas do outro mundo do que propriamente às deste, viu-a o poeta num mundaníssimo eléctrico (o famoso «americano») que saía da Foz para o Porto, então ainda povoações distintas. Viu-a e não teve senão ficar fulminado. "Foi numa tarde de outubro, numa dessas tardes de sobrenatural melancolia (...) Era Ela, em presença humana, aquele sonho que enevoou de luz a minha infância, e paira ainda nos longes do meu ser (...) É certo que o meu espanto a impressionou; e mal conteve, nos lábios, um sorriso. Tornou-se visível, para ela, como num súbito espelho idealizado, a sua imagem projectada nos meus olhos. A si mesma se viu como eu a via, e ficou naturalmente lisonjeada. Assim é que eu devia interpretar o seu sorriso, se o bom senso reinasse na cabeça de um poeta, como um rei de gelo num país tropical".
Não reina, e muito menos nestas alturas. O pouco que se sabe é que ainda se viram várias vezes nesse mesmo eléctrico, ela "branca e fina, de olhos pretos pousados num romance", ele fascinado e depois alheado "dos clientes, do meu sócio, de todas as coisas deste mundo. Quebrara-se-me o ritmo monótono em que vivia". Sabe-se também que, descoberta a morada da moça em Inglaterra, começou uma correspondência que chegou a meter a mãe dela e a irmã dele (!) e em que já se falava de casamentos (!), sem grandes modas. E sabe-se ainda que o lobo do Marão deixou as serranias e o Porto, onde por esse tempo advogava, para se meter num navio e ir a Londres atrás da criatura: "eu, que fugia dela para os pinhais de Nevogilde, resolvi persegui-la através do mar".
Do que lá se tenha passado ao certo, ninguém tem nem ideia, a não ser do desenlace: o regresso solteiríssimo de "the man of the eyes" (palavras da filha, segundo a mãe). Durante muitos anos deixou o dr.Joaquim o assunto na penumbra, «limitando-se» a escrever-lhe logo um livro, o Marânus, em que Leonor, sob a forma acrescentada Eleonor (melhor, ó poeta, teria sido Eleanor(e), nessas exactas 7/8 letras o mais belo nome jamais inventado), assume o demasiado ideal protagonismo: "Quem é não é a Leonor: é o Amor" (O Pobre Tolo). Só várias décadas passadas o abordaria ao de leve, embora sempre com muita (e boa) literatura, no livro O advogado e o poeta, livro de memórias mais tardio, (ainda) mais interessante e em todo o caso mais sinceramente memorial do que o literal Livro de Memórias. São dele as passagens citadas. O capítulo em questão, dedicado a Leonor, é o sexto e último, pormenor nada despiciendo.

Teixeira de Pascoaes ― O Empecido

O Empecido (novela)

Edição da «Gazeta do Bibliófilo» / Porto – 1950.

“Este livrinho inicia uma nova fase da minha obra literária. A novela é terreno que eu trilho pela primeira vez.” [Primeira e única...]
Primeira também esta edição, de tiragem limitada a 1000 exemplares com a chancela do autor; conservando-se este  por estrear, tendo os cadernos integralmente por abrir.
 
35€

Eis o poeta.

Eis o poeta. Phantasmas, sombras, vultos do Alem, espectros do Passado, toda a sua alma evoca-nos vividos silencios da sua aldeia, e o que era sombra torna-se realidade, o que era phantasma corporisa-se, e até as vagas chimeras que deambulam nas tristezas outoniças do Tamega, criam formas e são realisações.

(João Paulo Freire, «Terra Prohibida e Regresso ao Paraiso»)

António Nobre ― Primeiros Versos

Primeiros Versos / 1882-1889 (edição posthuma)

comp. e imp. na Tipografia A Tribuna (108, R. Duque de Loulé, 124-Porto), 1921. In-8º de 154, [2] págs. Br.

Edição preparada e organizada por Augusto Nobre, irmão do poeta, que dela fez tirar 1500 exemplares em papel de linho e lhe enfaixou da própria pena as notas que encerram o volume.

Capa com algum desgaste e pequenas falhas de papel no encaixe; miolo marcado por alguma acidez, mais pronunciada em duas das folhas.

35€

António Nobre ― Só

Pôrto, 1931. (Araujo & Sobrinho, Suc.res). In-8º de 235, [5] págs. Enc.

Quinta edição, ainda das mais apreciadas do poema, com boas ilustrações a partir de clichés da época e anteriores ao longo das folhas finais, de notas. Foi a tiragem de 3000 exemplares, estando este encadernado conservando ambas as faces da capa primitiva e aparado por todo.

30€

Do Prefácio

Sampaio Bruno, que morreu faz hoje cem anos, apresentava assim um livro: «Advertencia preambular, prefacio, prolegomeno, introito, ou como queiram chamar-lhe, manda a technica que aqui o escrevunhe» (Notas do Exilio, 1893). Da técnica sabia ele, bibliógrafo aturado que era - e que mais foi quando director da nossa cara Biblioteca Municipal do Porto, em São Lázaro, da qual quase só saía para recolher à Rua do Bonjardim. Aliás, por aqueles finais de dezanove, iniciar um livro com um prefácio, próprio ou alheio, parecia quase inevitável, muito mais ainda do que agora. O que nos leva a pensar. Por que razão, afinal, decide um autor (palavra incerta, mas "manda a technica que aqui a escrevunhe") dar as próprias palavras a público envoltas num embrulho em vez de nuas.

Como se determina o valor do livro antigo?


"Não sei. Fico-me com esta resposta que me deu ha um nadinha um ilustre livreiro: «isto não tem preço. Foi uma pechincha. Estes livros agora tanto valem dez como cem. E' conforme a cara do freguez».
Leitor: já sabes. Vê te ao espelho antes de entrares nos alfarrabistas..."
(João Paulo Freire, Curiosidades Bibliograficas, acabado de catalogar.)

João Paulo Freire ― Curiosidades Bibliográficas

1925, Livraria Editora Guimarães & C.ª (68, Rua do Mundo, 70), Lisboa. In-8º de 157, [3] págs. Br.

“O anno passado iniciei no jornal A Patria uma serie de chronicas sujeitas ao titulo geral Curiosidades Bibliographicas. Era uma secção muito a meu contento e que eu levaria longe se m’o tivessem deixado. (...) Muitas foram então as cartas que recebi pedindo me que continuasse ou que reunisse em volume os artigos já publicados”, por exemplo: «O retrato de Ricardina», «Terra Prohibida e Regresso ao Paraiso», «A queda d’um anjo», «Amor de Perdição», «Guerra Junqueiro», «Folhetos camilianos», etc. (estando neste etc. mais algumas camilianas coisas).

Exemplar com alguns defeitos superficiais, na capa, sobretudo. De resto, bem conservado.

15€

Júlio Dinis ― Obras

Lisboa. (Composição e impressão na Typographia «A Editora».) [S/d]. 9 vols. em 7 tomos in-8º. Enc.
 
Colecção publicada por inícios do século passado, aqui na série encadernada em pele maleável com gravações a ouro sobre pasta superior e lombada de cada um dos tomos, todos também dourados à cabeça das folhas. Recolhe «As Pupillas do Senhor Reitor», «Uma Familia Ingleza», «Os Fidalgos da Casa Mourisca», «A Morgadinha dos Cannaviaes», «Serões da Provincia», «Ineditos» e «Poesias».
 
Boa condição geral.
 
75€

Júlio Dinis ― Obras

Porto, Lello & Irmão – Editores. [S/d]. 2 vols. In-8º de XXVII-1232 e 1388 págs. Enc.

Edição monumental da «opera omnia» de Júlio Dinis, em papel da índia e com finas ilustrações a cores em folhas destacadas. Reproduz, também hors-texte em papel mais encorpado e a abrir o primeiro volume, um conhecido retrato do escritor.
Encadernação dos editores inteira em pele, azul, com gravações a ouro.

Vol.1
- As Pupilas do Senhor Reitor ; - A Morgadinha dos Canaviais; - Uma Família Inglesa; - Os Fidalgos da Casa Mourisca

Vol.2
- Serões da Província; - Poesias; - Inéditos e Esparsos; - Teatro.

Ambos os volumes em bom estado, praticamente sem defeitos.
 
50€

Augusto Gomes: Exposição Retrospectiva (Janeiro/Fevereiro de 1978)

Centro de Arte Contemporânea/Porto. In-4º quadrado de [72] págs. Br.

Apresenta de entrada «Imagem e Louvor de Augusto Gomes», por Eugénio de Andrade, e um texto preliminar de Fernando Pernes, o comissário da exposição; sendo depois reproduzidas algumas dezenas de trabalhos do matosinhense, entre óleos (principalmente), desenhos e figurinos.
 
Exemplar com algum ligeiro desgaste da capa e pontuais vestígios de acidez no final do volume.
 
10€

M. R. Conceição ― Antiguidades Lusitanas (Igreja de Cedofeita)

Antiguidades Lusitanas ou O desabar dum Êrro Histórico (Origem e fundação da velha Igreja de Cedofeita e seu Mosteiro antiquíssimo) / Edição do Autor (1.º Milhar) 
 
1931 – Oficinas de “O Comercio do Porto” (Avenida das Nações Aliadas, 107), Porto. In-8º peq. de 98, [2] págs. Br.
 
Exemplar valorizado por longa dedicatória de oferta manuscrita pelo autor ao abade Alberto Cid, sob a qual apôs uma nota referindo que com ele se esgotava a edição.
 
25€

O Livro na Arte (XI)

Lindo que se farta, deverá ser este quadro a figurar na capa do próximo catálogo da bibliographias. Quem o não conheça, dirá logo que foi pintado por um inglês, mesmo sem precisar de saber: há uma atmosfera típica, quase etérea, que só um pintor britânico, e um britânico de oitocentos, captaria. Assim é. Compô-lo Llewellyn.
Deixemos os aspectos mais técnicos e formais, porque tudo aqui se concentra no triângulo formado pelos olhos espantosamente espiritualizados da rapariga, pelo livro (maravilhoso objecto que sobressai em qualquer contexto) e pelas mãos femininas, graciosas, expectantes. Sendo certo que deslumbram, num segundo plano, os belos cabelos ruivos iriados por reflexos de luz e de verde, casados em pura mestria com a folhagem e a cobertura do volume.
Estes olhos apanham-nos como se viessem do princípio do mundo ou do centro do terra. Não tendo, ainda assim, nem metade da força que outros, também femininos e também verdes, também cercados de ruivo, andam por estes dias a exibir na Feira do Livro do Porto, nos jardins do Palácio - que em 150 anos de acesso público nunca terão visto nada de sequer comparável. De uma espécie inteiramente diferente, fatal, feiticeira, poderosa e irresistível, não vêm esses do princípio. Vêm do fim do mundo.

Feira do Livro

Decorre de 4 a 20 de Setembro a Feira do Livro do Porto, novamente com um pavilhão de bibliographias, novamente na Alameda das Tílias do Palácio de Cristal, que em 2015 perfaz 150 anos redondos. É o mais belo lugar da cidade. É visitar.

Agostinho Gomes ― Um rio separa os homens

Coimbra, 1957. (Composto e impresso na Tip. da Atlântida). In-8º de 151, [1] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada por Lúcio na capa, que o exemplar tem já ligeiramente corroída; mal mais do que compensado pela dedicatória manuscrita que o autor nele apôs em 1971.

15€

Agostinho Gomes ― As Sombras dos Dias

As Sombras dos Dias (edições NAU)

Porto, 1967. In-8º de 78, [2] págs. Br.

Primeira edição, também já invulgar, e estando o exemplar – em cuidada condição – igualmente valorizado por uma dedicatória manuscrita de oferta assinada pelo próprio Agostinho Gomes.
 
15€

Ilse Losa ― Aqui Havia uma Casa

Aqui Havia uma Casa (contos e novelas)

Portugália Editora, Lisboa. (1955). In-8º de 189, [7] págs. Br.

Estas pequenas histórias – salvo «O Sr. Leopardo», não tão pequena quanto isso – foram no livro agrupadas sob duas secções, «Fantasmas» e «Variações sobre Temas Alheios», sendo cada uma delas ilustrada em frontão ao alto das páginas capitulares por desenhos, a pena e tinta, de Pitum Keil Amaral. Primeira edição, já razoavelmente invulgar.

Exemplar ainda em bom estado geral no miolo, mas acusando ligeiro desgaste da capa (sobretudo, dois pequenos furos e leves marcas de esboroamento).
 
18€

Ilse Losa ― Nós e a Criança

Nós e a Criança (Segunda edição corrigida e aumentada)

Porto Editora, Lda. (Rua da Fábrica, 84) – Porto. [S/d]. In-8º de 196 págs. Br.

“Ilse Losa, no seu estilo aberto, claro, escreveu um verdadeiro método de educação infantil. Escreveu-o, porém, sem prosápias pedagógicas, citações enfadonhas ou infalíveis (e escusados) conselhos. Escreveu-o com talento maternal e, sobretudo, com muita ternura”. Foram alguns dos textos aqui englobados «Como falar às crianças», ««Donde vêm os meninos?»», «Haverá crianças realmente cruéis?», «Nasce um irmão!», «Madrastas, padrastos e enteados», «Um problema a resolver: a literatura infantil», «O que lêem os nossos adolescentes?», ««Escrever bem»», «Arte infantil ao serviço da literatura?».
 
10€

Ex-Libris (III): Moreira da Costa

Não é só das comercialmente mais bem situadas, é ainda uma das mais castiças (e antigas, somando várias gerações consecutivas) livrarias do Porto, daquelas que nenhum livreiro se importaria de remoer, encantado pela sobreloja em dossel que ao alto o cercaria. O único defeito evidente a apontar-lhe será mesmo este, o ex-libris, cujo dístico reza assim: "mesmo velho, é um bom amigo". Ora, se tal advérbio já pareceria inapropriado no caso humano (lembro por exemplo, aliás com saudade, o meu amicíssimo avô, abraçando-me risonho de cada vez que lhe entrava pela casa dentro fosse a que hora fosse: e não há, podem crer, nenhuma amizade jovem que valha isto), mais impertinente parece tratando-se de livros, que só não substituem no nosso adágio o vinho do Porto porque a lusa raça sempre foi mais dada à bebida do que à leitura. Dos novos, poucos livros têm graça. Dos velhos - já para não falar dos antigos, propriamente ditos - quase todos a têm. É até possível que daqui por cem anos alguém folheie o lixo que hoje se edita com o condescendente sorriso que fazemos ao pegar naquelas altamente improváveis brochuras de 1915: não as da Grande Guerra, mas as que, entre outras maravilhas, ofereciam receitas para as mulheres perderem a barba (juro que não estou a inventar).

Ramalho Ortigão ― O Culto da Arte em Portugal

O Culto da Arte em Portugal / (Monumentos architectonicos – Restaurações – Desacatos – Pintura e esculptura – Artes industriaes – O genio e o trabalho do povo – Indifferença official – Decadencia – Anarchia esthetica – Desnacionalisação da arte – Dissolução dos sentimentos – Urgencia de uma reforma)

Lisboa: Antonio Maria Pereira, Livreiro-Editor (50 – Rua Augusta – 52) ― 1896. In-8º gr. de [8], 176 págs. Enc.

Primeira edição, já rara.

Exemplar revestido de uma boa encadernação recente com pastas em marmoreado e cantos e lombada em pele gravada a ouro, tendo a lombada ainda, entre duas das casas abertas, rótulos também em pele que a sobre-recobrem; não conservando a capa primeva. Aparado e carminado à cabeça, estando as restantes margens por aparar.
 
45€

Ramalho Ortigão ― Quatro grandes figuras literárias

Quatro grandes figuras literarias: Camões – Garrett – Camilo e Eça (2.ª Edição)

Emprêsa Literária Fluminense, L,da (125, Rua dos Retroseiros, 125) / Lisboa. In-8º de 185, [3] págs. Br.

Ocupa praticamente dois terços do volume o texto sobre Camões, nem mais nem menos o conhecido prefácio à edição do tri-centenário promovida pelo Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro; também ainda extenso o dedicado a Camilo, esse como prefácio da edição monumental do Amor de Perdição; sendo os outros dois meros discursos circunstanciais (pedido de transladação dos ossos de Garrett para o Panteão e leitura feita na inauguração do monumento a Eça em Lisboa), mais retórica que outra coisa.
Edição inaugural da série «Obras completas de Ramalho Ortigão».
 
12€

Ramalho Ortigão ― Em Paris

Emprêsa Literária Fluminense, L.da (125, Rua dos Retroseiros, 125) / Lisboa. In-8º de 263, [1] págs. Br.
 
“Hoje em dia um viajante que se não apeie d’um balão com notícias da lua, precisa de nos ser muito simpatico para o não termos por um semsaborão quando vier contar o que viu. Este mundo está visto e revisto.”, avisava Ramalho ainda a bordo, tendo depois já em terra firme composto os capítulos «No asfalto parisiense», «Uma visita a Ferdinand Denis», «O doutor Véron – O necrologio – Os cabeças de turco», «Jantares e jantantes», «A parisiense», «Ponson du Terrail», «O «petit crevé»» e «A mocidade».
 
10€

Hemetério Arantes ― Ramalho Ortigão

1915 – Livraria Ferreira, Ferreira L.da – Editores / Lisboa. In-8º gr. de 36, [2] págs. Enc.

Dedicado a Sabugosa e a António Cândido – ainda dois «Vencidos da Vida» –, o ensaio, palavrosamente monótono e bastante escusado, parece pretender uma qualquer coroa de glória na hipótese que alega de mesmo os que toma, em disparate, como mais encarniçados iconoclastas de uma época (o próprio Ramalho, Eça, Junqueiro, Oliveira Martins, Antero, Fialho, etc.; ficando por perceber como caberiam o terceiro e o quinto na tese...) se converterem, com a maturidade e a senescência, ao princípio conservador, quando não mesmo monárquico e católico; parecendo também ter sido escrito e publicado mais para fazer «currículo» do que outra coisa, qualquer que fosse. Posto tudo o dito, invulgar.

Exemplar encadernado em percalina gravada a ouro sobre a lombada, com a frente da capa original.
 
 
15€

Júlio de Sousa e Costa — Ramalho Ortigão: Memórias do seu Tempo

Edição Romano Torres ―― Lisboa. [S/d]. In-8º de 220, [4] págs. Br. 
  
 
Destas memórias, redigidas por alguém que dizia ter convivido de perto com o escritor entre 1895 e 1915, ano em que morreu, foram os capítulos «Os políticos do seu tempo», «Ramalho duelista», «O crítico», «Ramalho e o seu amigo Eça de Queiroz», «Ramalho e Camilo», O Conselheiro Pacheco», «O Rei, seu amigo», «Ramalho e João Franco», «Os «Vencidos da Vida»», «Guerra Junqueiro», «Após o «Cinco de Outubro»», «Os detractores», «A Juliana do «Primo Basílio»», «O «Padre Amaro» e as opiniões de Ramalho», «As «Farpas»» e «Nos últimos anos». Extra-texto, reproduz-se uma fotografia dos Vencidos da Vida (dada como completa, com os onze cavalheiros, menos conhecida do que aquela em que aparecem dez; uma e outra, sem Antero, que aparece na mais famosa de todas, com os cinco elementos mais célebres: ele mesmo, Eça, Oliveira Martins, Junqueiro e o próprio Ramalho).

Bom exemplar, sem defeitos significativos, só a capa estando ligeiramente marcada por acidez. 


15€

História do Futuro (VI)

A doença da escrita, o mal d'écrire, como lhe chamam em França, ataca indistintamente toda a gente, sem diferença de idade, nem de sexo, nem de caligrafia, nem de coisa nenhuma, - pessoas vacinadas e por vacinar, livres do recrutamento ou ainda sujeitas ao tributo de sangue, com folha corrida ou sem haverem corrido essa folha, sãos como sãos, doentes como doentes, em maca, ou pelo seu pé. É a grande epidemia cerebral do nosso fim de século, caracterizada pelas hemoptises da tinta, pelo vómito negro da prosa. E o grande horror deste contágio, é que o contaminado engorda na mesma peçonha que destila, e, maçando em tão prodigiosa maneira os outros, nem morre, como tanto seria para desejar, nem sequer sofre nada ele mesmo; antes se tem notado, com estupefacção, que quem pior escreve melhor passa!
 
Ramalho Ortigão, «Carta a D. Guiomar Torrezão», 1892 (Almanach das Senhoras para 1893). A prosa é de há 123 anos. Não viu o homem da missa a metade. A bem dizer, não viu nem um décimo.

António Cruz ― Vélho Burgo

Vélho Burgo (alguns aspectos, figuras e casos do Porto Antigo)
 
Livraria Simões Lopes, Porto. (1953). In-8º gr. de XXIII, [I], 143, [3] págs. Br.
 
“Um roteiro do vélho Porto há-de ser um desfiar continuado e vivo dos muitos feitos da gente da terra, qual deles o mais nobre e cada um evocado no sítio próprio. De modo que um roteiro assim não será mais que uma evocação constante, ungida toda ela de graça e beleza. Há-de ser o palco animado e alacre da vida de muitos séculos, – daquela vida singular que se desenrolou e foi vivida para lá da cerca das muralhas construídas em épocas diversas”. Alguns dos capítulos: «Quando o Porto socorreu Lisboa (1384)», «O Infante da Ribeira», «Pero Vaz de Caminha, cidadão do Porto», «Evocação do Poeta Dirceu», «Touradas no Porto em 1793», «Das barcas-de-passagem à ponte pênsil», «Memórias do Porto setecentista»; sendo os quatro finais dedicados a Roquemont, Ramalho, Junqueiro e Agostinho de Campos.
 
Embora de resto bem conservado, prejudica o exemplar uma praticamente omnipresente marca de humidade à cabeça das folhas.
 
15€

António Cruz — Tomás António Gonzaga

Tomás António Gonzaga: algumas notas biográficas e outras páginas, por António Cruz

MCMXLIV - Livraria Fernando Machado. In-8º de 71, [1] págs. Br.

Edição original de um dos poucos estudos que em Portugal se votaram ao autor de «Marília», aqui dedicado a António Ferro e inaugurando a série «Figuras Literárias do Pôrto». Ilustrado em folhas extra-texto de papel couché por gravuras com a reprodução de estampas várias (um retrato de Gonzaga e duas vistas de Miragaia nos sécs. XVIII e XIX), do assento de baptismo e da casa de nascimento do biografado, o livro, à parte o lado mais propriamente biográfico, interessa muito pela evocação histórica do Porto dessa época - explicava António Cruz no prefácio que as notas aqui deixadas resultaram justamente de apontamentos avulsos tomados nas suas investigações acerca da história da cidade.
 
Exemplar valorizado por uma dedicatória manuscrita de oferta de Cruz "Ao António Brochado, com um abraço de bôa amizade e com a mta. admiração pelo seu belo espírito".
 
23€

Artur de Magalhães Basto — Silva de Historia e Arte (Notícias Portucalenses)

Silva de Historia e Arte (Notícias Portucalenses) / Mestres de pedraria, carpintaria, escultura e ensamblagem. Pintores. A Sé do Pôrto e seus anexos. Mosteiros. Igrejas e Capelas. A Tôrre de Pero Sem. Calmels e o monumento a D. Pedro IV. O Pôrto como meio musical.

Editora – Livraria Progredior de Manuel Pereira & C.ª. Pôrto. In-8º gr. de VI, [II], 359, [1] págs. Br.

Primeira edição, já consideravelmente invulgar, de um livro fundamental para a bibliografia do Porto. Além de todos os muitos capítulos incluídos nas secções indicadas no complemento de título, apresenta ainda mais três num apêndice final: I – Documentos quatrocentistas a respeito da Capela de João Gordo; II – A Foz do Douro, couto do Mosteiro de Santo Tirso; III – A «Tôrre de Pero Sem». Numerosas estampas alusivas foram gravadas em folhas destacadas de papel couché.
 
Bom exemplar, sem defeitos dignos de realce.
 
30€

Bernardo Xavier Coutinho — Sousa Viterbo

F. M. de Sousa Viterbo: O Homem - A Obra - A sua Lição

Círculo Dr. José de Figueiredo (Palácio dos Carrancas - Rua de D. Manuel II), Porto. (1947). In-4º peq. de 34, [2] págs. Br.

O opúsculo reproduz o texto da conferência em homenagem ao polígrafo portuense, tendo na capa colada uma gravura com o retrato que dele foi composto por Agostinho Salgado. Tiragem de 500 exemplares numerados - coube a este o nº 87 - e, se assim todos, assinados pelo autor, com indicação de oferta sem o nome do destinatário.

17€
Se o suicídio de Camilo, de que há pouco se tratava, foi o grande trauma activo, o homicídio de Inês de Castro foi o passivo, com consequências literárias propriamente ditas, e como nenhumas outras nas nossas letras. Nenhum outro motivo terá dado ensejo a tanta folha de papel impresso por bandas lusas. Garcia de Resende, Camões, António Ferreira e Francisco Manuel de Melo, já se sabe, entre muita mais gente quinhentista e seiscentista. Bocage, depois. Os principais românticos, estranhamente, passaram-lhe bastante ao lado, o que é tanto mais estranho quanto Garrett (chegou a esboçar um drama, depois de assegurar que "Inês de Castro, o mais belo e poético episódio do riquíssimo romance da história portuguesa, está por tratar ainda") e Camilo teriam feito do tema o que entendessem; também a Geração de 70, já sem estranheza nenhuma. Mas, de aí em diante, a coisa é quase omnipresente, sobretudo falando de indivíduos com alguma ligação, natural, afectiva ou académica, a Coimbra: Eugénio de Castro, António Patrício, Antero de Figueiredo, Lopes Vieira, Rocha Martins, etc. Até nos contemporâneos: Natália, Fiama e Agustina, pelas senhoras, e pelos senhores nem vale a pena começar uma lista que teria início alfabético e apropriado em Alegre, Manuel. Saliente-se só o original tratamento dado por Herberto (que poderia porém ter feito ainda muito melhor) no texto incluso n'Os Passos em Volta.
Desde já se pede desculpa aos nomes úteis, quase todos, pela mistura com inúteis porém famosos, flagrantemente dois.
 
Pouco menos (em certa época, mais) que as lusas, as castelhanas, depois espanholas: aqui ao lado así mismo se fartou de perorar, sobretudo em teatro, como por cá, acerca do drama desta galega criada em Castela com a castelhana Constança. O próprio Quevedo pegou no assunto, e ainda hoje se lhe pega.
Pasmai: até na China e no Japão continua a levar-se à boca de cena versões à moda do extremo oriente.
 
E tal as letras, as artes. De modo mais obsessivo, como costumam. Talvez falhe a memória, que se recorda de dois casos evidentes: o recente defunto Espiga Pinto, com milhentas variações à volta de Inês-loura-cósmica, e Lima de Freitas, com outras numerosas do Rei-Saudade e da Rainha-Morta, um fantasma vivo enlouquecendo do esqueleto do não-fantasma morto.
 
Tudo isto pode parecer um tanto doentio, mas entende-se lindamente. Quem entre desprevenido nesta história nunca mais dela sai.

Eugénio de Castro — Constança

Constança (poema)

Coimbra, na Livraria França Amado. M DCCCC. In-8º peq. de 80, [2] págs. Enc.

Primeira edição, impressa em bom papel de linho; uma das mais valorizadas peças inesianas.

O exemplar foi sobriamente encadernado, apenas com singelas gravações a ouro pontuando a lombada, preservando-se a capa primitiva. Em condição quase impecável, ostenta no rosto uma discreta assinatura de Artur de Almeida Ribeiro, a quem terá pertencido.

40€

Eugénio de Castro — Constança

Constança ∙ Depois da Ceifa ∙ A Sombra do Quadrante

Lumen. (1929). In-8º de 184, [8] págs. Enc.


Edição publicada na série das «Obras Poéticas de Eugénio de Castro» levada a cabo pela editora coimbrã; a segunda, salvo erro, de Constança. Transcreve, à laia de prefácio, o texto crítico que ao poeta dedicara Miguel de Unamuno (saído em La Nación e depois compilado no volume Por Tierras de Portugal y España).

Exemplar revestido de uma boa encadernação com cantos e lombada em pele gravada a ouro e as pastas em marmoreado de tons verdes, preservando ambas as faces da capa primitiva.


20€

Eugénio de Castro — Constança

 Constança / com um desenho de Giovannino de’ Grassi

(Janeiro / 1981, executado na Inova / Artes Gráficas – Porto). In-4º de 38, [2] págs. Br.

Volume publicado no figurino habitual desta série «o oiro do dia», com a capa em cartolina dobrada com rebordo lateral e a «plaquette» em folha solta de papel couché. Tiragem limitada de 250 exemplares, tendo a este – em muito bom estado global, mas ligeiramente esfolado sobre a base da capa inferior – cabido o n.º133.

15€

Excursões no Centro de Portugal

Excursões no Centro de Portugal / por / Dr. Vergílio Correia, Dr. A. de Amorim Girão, Dr. Torquato de Souza Soares, Professores da Faculdade de Letras

Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura. Coímbra / 1939. (Composição e impressão: Companhia Editora do Minho, Barcelos). In-8º de 160, [2] págs. + [1] desd. Br. 

Vão já rareando os exemplares desta interessantíssima publicação da Faculdade de Letras da UC, preparada como espécie de roteiro para os seus cursos de férias, impressa em papel couché com abundantes gravuras das oficinas de Marques Abreu a partir de fotografias do acervo do próprio e das casas também portuenses Alvão e Beleza. Os textos são sobretudo de Vergílio Correia (notas de arte, história da arte e arqueologia, na maior parte) e de Amorim Girão (notas geográficas), aparecendo mais esporádica a contribuição de Torquato de Sousa Soares, que quase só alinhou breves capítulos de apontamentos históricos. No final do volume, apresenta-se em folha desdobrável um mapa com o «itinerário das excursões», que este exemplar – em muito bom estado no miolo, porém já relativamente frágil em relação ao encaixe – conserva.

25€ 

Coimbra e António Nobre: Homenagem ao Poeta

Coimbra: Edição da Biblioteca Municipal. 1940. In-4º de 93, [5] págs. Br.

Álbum publicado por ocasião e para registo da homenagem que em 1939 fôra dedicada a Nobre, sob a iniciativa do escritor Alberto de Oliveira, seu condiscípulo e amigo principal (à época, influente diplomata, de fácil movimento por entre os círculos do poder político do Estado Novo). Impresso em bom papel nas Oficinas Gráficas da Coimbra Editora, com várias folhas à parte, de papel couché, reproduzindo por exemplo um retrato do poeta em traje académico, a sua «Torre de Anto» (num desenho de António Vitorino que ilustra também a capa), o busto no Penedo da Saudade e fotografias das cerimónias em questão, integra os textos – em verso e prosa – que nela foram lidos, escritos na maioria por contemporâneos na cidade, alguns deles então presentes na homenagem: Eugénio de Castro (apesar das primitivas desavenças, mas deixando em entrevista, ainda assim, pequenas «bicadas»), Afonso Lopes Vieira, Alberto Osório de Castro, António Correia de Oliveira, Pedro Homem de Melo e o próprio Alberto de Oliveira; os que saíram, antes e depois, na imprensa, da pena de Augusto de Castro, Júlio Dantas, João de Castro, Agostinho de Campos, Antero de Figueiredo, Júlio Brandão, Sousa Costa (quase todos igualmente conviventes com o poeta durante a estadia coimbrã); fornecendo o conjunto muitos apontamentos de interesse para a biografia do autor do Só.

Exemplar ainda em bom estado, só prejudicado por vestígios de acidez – mais pronunciados na capa, que apresenta também um pequeno rasgão – e picos ínfimos nas folhas finais. 

25€