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16 de setembro de 2015

O Livro na Arte (XI)

Lindo que se farta, deverá ser este quadro a figurar na capa do próximo catálogo da bibliographias. Quem o não conheça, dirá logo que foi pintado por um inglês, mesmo sem precisar de saber: há uma atmosfera típica, quase etérea, que só um pintor britânico, e um britânico de oitocentos, captaria. Assim é. Compô-lo Llewellyn.
Deixemos os aspectos mais técnicos e formais, porque tudo aqui se concentra no triângulo formado pelos olhos espantosamente espiritualizados da rapariga, pelo livro (maravilhoso objecto que sobressai em qualquer contexto) e pelas mãos femininas, graciosas, expectantes. Sendo certo que deslumbram, num segundo plano, os belos cabelos ruivos iriados por reflexos de luz e de verde, casados em pura mestria com a folhagem e a cobertura do volume.
Estes olhos apanham-nos como se viessem do princípio do mundo ou do centro do terra. Não tendo, ainda assim, nem metade da força que outros, também femininos e também verdes, também cercados de ruivo, andam por estes dias a exibir na Feira do Livro do Porto, nos jardins do Palácio - que em 150 anos de acesso público nunca terão visto nada de sequer comparável. De uma espécie inteiramente diferente, fatal, feiticeira, poderosa e irresistível, não vêm esses do princípio. Vêm do fim do mundo.