catálogo on-line

Livraria / Editora / Alfarrabista } { Porto bibliographias@gmail.com

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Pierre Loti ― As Desencantadas

As Desencantadas (Romance dos haréns turcos contemporâneos / Trad. de Manuel Ribeiro)

Livraria Editora Guimarães & C.ª. Lisboa. [S/d - 1938?]. In-8º de 268, [4] págs. Enc.
 
Esta versão do escritor alentejano deverá ter sido a primeira das muitas já publicadas por cá, e esta a segunda edição dela (a primeira saíra em 1912).
 
Exemplar revestido de modesta encadernação coeva, sem a capa original.

5€

Pierre Loti ― O Meu Irmão Yves

O Meu Irmão Yves / (Traducção revista por José de Freitas Bragança)

Casa Editorial Hispano-Americana. Paris. [S/d]. In-8º de 318, [2] págs. Enc.

Edição já muito invulgar, publicada na série «Auctores Escolhidos» de uma casa ainda hoje em actividade (embora, salvo erro, apenas como livraria).

Exemplar revestido de encadernação semelhante à que acima se refere.
 
10€

Feira do Livro de Valongo/Ermesinde

Começa amanhã à noite e decorre até domingo a feira do livro do município de Valongo, tendo por cenário, como é já costume, o Parque Urbano de Ermesinde, junto à estação da CP.

Haverá expositor de bibliographias

Uma biblioteca é uma biblioteca é uma biblioteca


É esta a nova biblioteca de Almere (cidade holandesa próxima de Amesterdão, toda ela moderníssima), cuja câmara a encomendou a uma sociedade de arquitectos sob condição expressa de que fosse concebida como livraria. A ideia parece, à primeira vista, muito engraçada, e justificar-se-á no caso pelo contexto, mas parte de premissa errada, desde há algum tempo constituída, garantem-nos a cada passo, em novo «paradigma»: o da «idade da informação», que se sobreporá a séculos da anterior, para este efeito nomeada «documental». No que aqui vem a propósito, devem as bibliotecas (mais clássicas e antigas incluídas, eis o ponto) perder a bem composta gravitas e tornar-se centros “dinâmicos”, com etéreos e permanentes “fluxos” de informação, em que, como numa livraria generalista, esteja o cliente/utente reverenciado no primeiro plano (convindo chamar-lhe a atenção seja de que modo for), e o documento - coitado - devolvido ao estatuto funcional, utilitário, que sempre deveria ter sido o dele. Um bom bocado como os nossos «planos nacionais» de leitura, por exemplo. Uma e outra coisa lembram, no desajeitado voluntarismo, aquelas anedotas em que o fundamental é ajudar a velhinha a atravessar a rua, mesmo quando ela não quer.
 
Há disto correspondência portuguesa, aliás bem conhecida e já espalhada de norte a sul do território. Toda uma visão festivaleira e folclórica do livro e da leitura que parece ter vindo para ficar, bastante promovida país - autarquias - bibliotecas municipais fora pela «gestão cultural» que pretende extremadamente contrastar com a apatia e a burocracia funcionárias à moda lusa que dirige. [Em comum, uns e outros e por regra, a falta mesmo no singular daquilo a que resolveram chamar, no plural, «hábitos de leitura». E de alguma sensatez, já agora]  

Past and Present Associations between Japan and Portugal

(Na capa: Souvenir Book relating to the Past and Present Associations between Japan and Portugal // compiled by F. X. da Silva e Souza, Kobe // for the Historical Exhibition to be held in Lisbon in 1940)

[Presumível nota de impressão em caracteres japoneses]. In-4º de 238, [1], 46, [2], 8, 9, 8, [1], 44, [1] págs. + [1] desd. Br.

Silva e Sousa, então o cônsul português em Kobe, explicava em nota preliminar ter optado pela língua inglesa por assim supor a edição acessível simultaneamente aos seus compatriotas e aos japoneses; lamentando-se do menor aprumo nesse idioma, que seria – e foi-o, de facto – mais do que compensado pela profusão de interessantes fotogravuras reproduzidas ao largo do volume. Afora os textos e apontamentos diversos sobre a história de cada um dos países e as descobertas lusíadas, com particular foco nas do oriente e nas sucessivas relações estabelecidas entre Portugal e o Nippon (delas constituindo o livro importantíssimo documento), desde as primeiras embaixadas e missões jesuítas, séculos fora, serão de destacar três dezenas de páginas dedicadas a Venceslau de Morais – a quem o autor sucedera no consulado e aqui dedicava notas várias, apresentando, entre outras coisas, alguns retratos e o longo texto do testamento, redigido dez anos antes da morte. Da riqueza e variedade das fotografias e geral ilustração talvez não valha a pena falar (porque seria isso quase outro testamento), cabendo apenas referir, no final do livro, um dossier dedicado à digressão do presidente Carmona pelas colónias africanas (perpassa, aqui e em mais alguns pontos, certa propaganda ao Estado Novo, como era então habitual), a que se seguem mapas estatísticos e publicidade.

O exemplar pertenceu ao polígrafo Neves Águas, de quem tem colado o ex-libris, e, ainda que em boa condição geral, está um tanto desdourado por algum desgaste da capa (cartonada): principalmente, da percalina que reveste o encaixe.
 
40€

Frazão de Faria ― Curso Popular de Inglês

1960. Edição do Autor. In-4º de 253, [3], 16 págs. Br.

Do prefácio: “O Curso Popular de Inglês foi preparado especialmente para todos aqueles que desejarem aprender a língua inglesa sem professor e como tal possui características próprias e bem diferentes das dos vários livros de ensino normalmente utilizados. Na elaboração deste compêndio houve a preocupação dominante de possibilitar o conhecimento do essencial da gramática inglesa e do vocabulário suficiente para compreender o inglês falado e manter uma conversação formal”.

Destaque, em cada uma das 30 lições, para a secção «Mecânica do Idioma», que, além do estritamente gramatical (vocabulário, ortografia, pronúncia, etc.), deixa abundantes notas de interesse sobre a evolução da língua e explica expressões habituais e termos de uso corrente.

Não deverão ter sido muitos os exemplares impressos, apresentando este algumas marcas na capa e ao alto das primeiras folhas; de resto, em bom estado no miolo, sem falhas relevantes a destacar. 
 
7€

O Livro na Arte (VII): Visão de S. Bernardo

Neste quadro de Fra Bartolomeo, composto, segundo se crê, entre 1504 e 1507, o fundador dos Templários tem um oitavo aberto para leitura e um quarto pousado, ao alto, no chão. Do mesmo formato deste último são os volumes que seguram o anjo (aberto) e o logicamente suposto São João Evangelista (fechado), parecendo, ambos, querer com eles chamar a atenção do homem - que, bem se vê, não está para leituras, e prefere a contemplação beatífica da Senhora e do Menino. É justo. Uma aparição - de qualquer género, sagrada ou profaníssima, como outras várias que ficaram também na lenda que atribui ao cisterciense preferência extrema pelas primeiras... - será das poucas coisas a justificar distracção, por momentos, de um livro.

Jean Thièry ― O Canto do Cuco

O Canto do Cuco (Romance) / Tradução de Florbela Espanca Lage

Porto – 1927/Livraria e Imprensa Civilização, Américo Fraga Lamares & C.ª L.da – Editores. In-8º de 278, [2], 7, [1] págs. Br.
 
São já relativamente invulgares os exemplares desta primeira edição da versão ensaiada por Florbela do romance de Thièry, uma das várias traduções feitas nessa época para editoras portuenses, seu principal ofício nos últimos anos de vida, passados em Matosinhos; mas estando este um tanto desvalorizado por algumas marcas, sobretudo, de acidez, na capa.

15€

Eduardo de Noronha ― Os Marechaes de D. Maria II

Os Marechaes de D. Maria II (Saldanha, Terceira e Santa Maria): A Historia e a Anedota

João Romano Torres & C.ª – Editores. Lisboa. [S/d]. In-8º de 297, [7] págs. Br.

Primeira edição deste conhecido estudo histórico, cujo interesse para a análise das primeiras décadas do constitucionalimo é indisputável. O volume era apresentado por uma «Explicação» prévia em que o autor, notando o menor interesse (até bibliográfico) que suscitavam, justificava a atenção acrescida por si dedicada ao Duque da Terceira – tomando como principal fonte escrita as Memorias do marquês de Fronteira – e ao Conde da Ponte de Santa Maria, António Vicente de Queirós (este, hoje pouco menos que esquecido); e lamentava não ter sido marechal do nosso primeiro constitucionalismo uma quarta figura, o marquês de Sá da Bandeira.

Exemplar bem conservado, sem defeitos a salientar.
 
18€

O poeta e os mestres: segundo acto


Herberto Helder, personagem pouco frequentadora de mestrados em geral, é um malandro. Vejam bem: publicar edições limitadíssimas de cinco-mil-exemplares de livros de poesia numa terra em que, manifestamente, eles se comem ao pequeno-almoço, como se fossem grande coisa, a “armar em autor de culto”. Estúpida extravagância. Como se, aliás, autor e editor se pudessem reservar, seja por que razão seja, qualquer espécie de direito de definir a tiragem de uma edição. Como se, aliás ainda, mais exemplares proporcionassem mais vendas, assim estando ambos a abdicar de receitas directas. Como se, em suma, isto fosse uma economia de mercado. 

Tão malandros quanto ele, os livreiros que açambarcam exemplares – há quem chegue a comprar 4 ou 5, imagine-se – para depois os venderem com lucro. Vejam bem: comprar livros ao preço editor e depois vendê-los mais caros quando esgotados, ou seja, quando a procura ultrapassa marginalmente a oferta. Bando de especuladores. Como se fosse legítimo vender livros raros dos quais depende a alimentação – ainda por cima, tão sazonal e tardia – do povo. Como se não fossem profissionais subsidiados a eito pelo Estado, lhe pagassem impostos e precisassem de qualquer espécie de mais-valia para ganhar a vida. Como se, outra vez, (sobre)vivessem numa economia de mercado. 

Só não são malandros, claro, os milhares (milhões? às tantas...) de leitores putativos que, de facto, só não compram o livro porque não podem. Não podem telefonar para as livrarias a reservá-lo, porque dá isso o considerável trabalho de marcar algumas teclas no telefone. Não podem lá ir depressa, porque esse esforço, o da propositada deslocação, ainda é mais significativo. E, de resto, o princípio estaria errado: não faltava mais nada do que um leitor ter de ir de propósito a uma livraria para comprar um livro que diz querer, como se este não devesse ficar disponível e inesgotável o tempo que preciso fosse. “Agora não, que é hora do almoço; agora não, que é hora do jantar...”. Portugal é sim o país de mais injustiçada gente que se conhece. Não somos campeões do mundo (e arredores) porque não nos deixam, não perseveramos porque não nos deixam, não parecemos educados nem nos comportamos com um módico sequer de civismo porque não nos deixam. Não lemos porque não nos deixam, pelos vistos. Se calhar, também só não raciocinamos porque não nos deixam.
 
Tudo julgado, todos justíssimos  os protestos que por aí fora lavram. No que toca ao poeta, restará expulsá-lo da República, antigo e platónico desiderato aqui inócuo: num país de tanto vate, nem se lhe vai notar a ausência.

Fialho de Almeida ― Estancias d'Arte e de Saüdade

Lisboa: Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira e C.ª (Filhos), 1924. In-8º de 324, [4] págs. Br.

Foi a edição original do livro, que integra os capítulos «Pela Galliza», «De Vigo a Cangas», «Em Braga», «Famalicão», «São Torcato», «O Rocio Historico», «Feira da Ladra», «Terra Alemtejana», «Em Evora» e «Em Alvito - O Castello».
Exemplar do 6.º milhar impresso.
 
17€

Santos Cravina ― Diálogos com Elmano

Lisboa, 1965. In-8º de 114, [10] págs. Br.

Edição do autor, primeira e única. Pouco vulgar.

Exemplar com ligeiro desgaste exterior; tirando isso, em bom estado de conservação e com as folhas praticamente limpas.
 
10€

Homenagem Nacional a Bocage

Homenagem Nacional a Bocage / II Centenário / Antologia

Edição da Junta Distrital de Setúbal, 1965. In-8º de 300, [4] págs. Br.

Antologia publicada no II centenário do nascimento do poeta, com selecção, prefácio (“Bocage: a história de uma vida”) e notas de Rogério Claro. Tiragem provavelmente restrita.

Exemplar um quanto manchado de acidez mas, de resto, em bom estado geral.
 
15€

Vida Devota (I)

Não sei como aprendi a ler; não recordo senão as minhas primeiras leituras e o efeito que tiveram sobre mim: é o tempo de que dato sem interrupção a consciência de mim próprio. Minha mãe havia deixado romances. Pusemo-nos a lê-los após o jantar, meu pai e eu. Não se tratava primeiro de outra coisa que não fosse exercitar-me na leitura por livros curiosos; mas depressa o interesse deveio tão vivo, que líamos à vez sem descanso, e passávamos a noite nesta ocupação. Não podíamos nunca abandonar o volume que não no fim. Às vezes, meu pai, percebendo de manhã as andorinhas, dizia todo envergonhado: "Vamos deitar-nos. Sou mais criança do que tu" 

Do determinismo literário, segundo Cesariny


A propósito de Cesariny, entrevista lida ainda há pouco, dada por ele a António Cândido Franco. A páginas tantas, sai-se com esta para explicar a superioridade (antes dele, quase nunca sublinhada) do amarantino face ao lisboeta: "Pessoa tinha uma mesa de café para escrever e a rua com os carros. Pascoaes tem um castelo e uma serra de bronze, mesmo em frente. O que é que você escolhe?". Pontos de vista, em suma.

Cesariny ― Um Auto para Jerusalém

Lisboa, Editorial Minotauro. S/d [1964]. In-8º de 74, [2] págs. Br.
 
Primeira edição do livro (adaptado de «Os Doutores a Salvação e o Menino», de Luís Pacheco), proibida pouco depois da publicação e hoje já bastante invulgar, tendo boa parte dos exemplares sido apreendida; integrada na colecção «Teatro» da Minotauro.
 
Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir e em condição praticamente impecável, descontando uma pequena marca na capa, sem grande importância.
 
30€

Rudolf von Jhering ― A Lucta pelo Direito

A Lucta pelo Direito (“Biblia da humanidade civilisada”. Laveleye./Traducção e prefacio de João de Vasconcellos, advogado)//3.ª edição

Aillaud, Alves & C.ª/Francisco Alves & C.ª. [S/d – 1909?]. In-8º de 155, [5] págs. Enc.

Afora o – divagante q.b. – do tradutor, reproduz o prefácio da 6ª edição alemã, em que Jhering explicava ter o livro resultado de um primeiro «esboço» composto para conferência na Sociedade Jurídica de Viena, em 1782, e salientava no seu propósito menos a “pura theoria juridica” e mais a “these de moral pratica”, dizendo: “Porque tive menos em vista generalisar o conhecimento scientifico do direito do que despertar nos espiritos essa disposição moral que deve constituir a força suprema do direito: a manifestação corajosa e firme do sentimento juridico”.

Exemplar de uma série encadernada pelo editor com gravações a ouro na lombada e em ambas as pastas, sendo a da inferior o emblema da Aillaud e Bertrand.
 
8€

Miguel Torga ― Rua

Rua (Novelas e Contos)

Coimbra ― 1942. (nas oficinas da «Atlântida»). In-8º de 197, [3] págs. Br.

Foi a edição original deste volume de textos – a partir da segunda, Torga chamar-lhes-ia só «Contos» – em prosa, um dos quais, o pró-noctívago Pensão Central, viria a ter publicação independente.

Exemplar em boa condição geral, mas prejudicado por defeitos exteriores (pequenos rasgão e falha de papel na capa) e uma assinatura de propriedade na folha de guarda preliminar.  
 
35€

História do Futuro (II)

Durante a tirania de Dionísio em Siracusa, correria a certa altura que uma velha orava e ofertava diariamente pela saúde do odiado soberano e pela prosperidade do seu governo – que lhe fossem longos os anos. Intrigado, mandou-a ele chamar. Ao recebê-la, perguntou-lhe o porquê do estranho hábito, pois não soubera nunca de semelhante coisa. Respondeu-lhe a velha que  era já o terceiro governante que por aquelas bandas conhecia; como cada um que se seguia conseguia ser ainda pior do que o antecessor, rezava para não ter de conhecer um quarto.
 
[A história é contada por Tomás de Aquino, baseado decerto em Diodoro. Respirando fundo, evitaremos piadas e comparações fáceis com a situação política, «democrática», portuguesa destes últimos anos. Só por serem fáceis...]

Henrique Galvão ― Irreverência

Irreverência? (Notas à margem da política e dos costumes)

1946/Livraria Popular de Francisco Franco, Lisboa. In-8º de 245, [3] págs. Br.

Primeira edição conjunta de uma série de textos antes publicados na imprensa e aqui coligidos nas duas secções «Aquem...» e «...e Além-Mar».

Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir, apesar de prejudicadas no topo, ao longo do volume, por um certo engelhamento devido a humidade.
 
23€

Camena d'Almeida ― L'Europe

L’Europe par P. Camena d’Almeida (Agrégé de l’Université/Chargé d’un cours de géographie à la Faculté des lettres de Caen)

Paris: Armand Colin et Cie, Éditeurs. 1894. In-8º de VI, 526, [4] págs. Enc.

Depois de uma tábua introdutória de «Généralités sur l’Europe», desenvolvem-se os capítulos «L’Europe du Nord-Ouest», «Les États Scandinaves», «Europe Centrale», «Europe Méridionale» e «Europe Orientale»; sendo o volume ilustrado por uma série de mapas e de cartas. Parece ter sido esta a primeira das dezenas de edições já impressas até hoje.

Encadernação do editor em percalina.

Exemplar em condição ainda muito razoável, descontando só marcas de acidez e alguma folga da lombada face ao volume.

20€

Carlos de Oliveira ― Alcateia

Coimbra Editora, Limitada/1945. In-8º de 252 págs. Br.
 
Segunda edição, publicada pouco após a original com uma nova capa – também de Victor Palla – e, no fim do volume, excertos de recensões críticas assinadas por, entre outros, Gaspar Simões e António Ramos de Almeida.
 
Exemplar ainda em razoável/boa condição, apesar das marcas de acidez na capa inferior e do escurecimento de algumas folhas no miolo.
 
20€

Carlos de Oliveira ― Alcateia

Coimbra Editora, Limitada – 1944. In-8º de 254, [2] págs. Br.

Primeira edição do segundo romance do autor, integrada na colecção «Novos Prosadores» e ilustrada na capa por Victor Palla.
 
Exemplar em razoável condição geral, com algum gasto da capa.
 
40€

Feira do Livro de Coimbra


Começa na próxima sexta-feira a Feira Cultural de Coimbra, que integra, em programação mais ampla, a tradicional Feira do Livro e estará no Parque Manuel Braga (margem do Mondego, face a Santa Clara) até 1 de Junho. O período de abertura ao público será das 14 às 24h durante a semana, alargado de manhã aos sábados e domingos. Haverá expositor de bibliographias
 

Camilo e Vieira de Castro ― Correspondencia Epistolar

Correspondencia Epistolar entre José Cardoso Vieira de Castro e Camillo Castello Branco (escripta durante os dous ultimos annos da vida do illustre orador)

Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira – Livraria Editora, 1903. 2 vols. in-8º de 231, [1] e  232, [2] págs. Enc.

Anunciada como a segunda, trata-se já, salvo erro, da terceira edição publicada, na série popular inaugural (mais apurada do que as seguintes, a maioria a partir da década de 1920) editada pela Parceria, que frequentemente se esquecia (ou não...) de contabilizar, por exemplo, as edições de Pedro Correia durante a década de 1890. O longo texto de apresentação pelo próprio Camilo, espraiando-se por essa funesta história conjugal que culminou, como se saberá, no uxoricídio executado pelo amigo  durante o sono da mulher, por a suspeitar infiel (com um sobrinho de Garrett), e na sequente condenação ao degredo africano, em que, como era corrente, morreria de doença pouco tempo depois, vem reproduzido até págs.114. 

Ambos os volumes revestidos de uma boa encadernação em estilo meio-amador com a lombada em pele (apesar de um tanto puída em toda a extensão central) e as pastas em marmoreado, não conservando as capas primitivas; no miolo, em estado praticamente impoluto, salvo o ligeiro e habitual escurecimento das margens do papel.

20€

Eckermann ― Conversações com Goethe

Conversações de Goethe com Eckermann (Traduzidas do alemão, prefaciadas e escolhidas por Luís Silveira)

1947 / Livraria Tavares Martins – Porto. In-8º de XVI, 330, [6] págs. Br.

Primeira, posto que tardia, edição portuguesa, com capa de Manuel Lapa, de quem são ainda os dois desenhos em retrato de Goethe (aos 25 e 40 anos, a partir de representações da própria época bastante conhecidas) impressos sobre uma folha preliminar. Outras folhas também extra-texto de papel couché  foram destinadas à reprodução de gravuras antigas, com, por exemplo, retratos de Goethe e gente relacionada, alguns desenhos dele e várias figurações artísticas de personagens da sua literatura compostas para edições ilustradas. O prefácio de Luís Silveira concluía sublinhando o entusiasmo do director (António Ferro) desta colecção «Contemporâneos» no sentido de “dar a conhecer ao público português as páginas que Nietzsche considerava como as do melhor livro escrito em língua alemã”.

Exemplar com pequenos rasgões e falhas marginais de papel na capa. De resto, em boa condição, sem defeitos a relevar.
 
15€ 

Ricordo di Pompei

(Na capa: Ricordo di Pompei: 32 Vedute). [S.l.n.d.].
Depois de ontem aqui trazido Raul Brandão, em quem a visita às ruínas deixara funda impressão (fala delas, pelo menos, noutro dos prefácios às Memórias e de passagem nesse estonteante período inicial do Húmus: "Na verdade, isto é como Pompeia um vasto sepulcro", cito de cor), não virá totalmente a despropósito este pequeno álbum de belas fotogravuras em formato postal, apresentando  panoramas de Pompeia e aspectos das suas edificações, com destaque para conhecidas Villas como a dos Mistérios. Cada uma das «vistas» tem no verso um breve texto descritivo em italiano, francês, inglês e alemão. A capa, cartonada e ilustrada a cores pela reprodução de frescos, foi aproveitada no reverso para a aposição de uma planta da cidade, destruída, como várias outras próximas, em pleno apogeu do Império Romano durante uma erupção do Vesúvio e descoberta só no séc.XVIII.
10€   




Scriptorium (VII)

Nas caladas noites de inverno, quando despego o olhar dos papéis, encontro sempre os teus olhos que me envolvem de ternura. Isto é quási nada - e revolve o mundo. 
 
(in O Silêncio e o Lume - Memórias, Vol. II)

Barroco Brasileiro

Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. 1973. In-4º quadrado de [104] págs. Br.

Catálogo da exposição organizada pela Secretaria da Cultura, Esportes e Turismo e pelo Museu de Arte Sacra de S. Paulo, apresentada na Gulbenkian, sob o patrocínio da Embaixada do Brasil. Com um prefácio escrito pelo director do museu paulista e um extenso e muito interessante artigo («Arte religiosa colonial no Brasil»), cheio de notas e apontamentos históricos de relevo sobre a presença e a colonização portuguesa no país, da autoria de Ribeiro Neto. Edição impressa em papel couché, ilustrada por dezenas de boas reproduções, a cores e p/b, das peças expostas, e dividida nas secções «ourivesaria», «escultura», «mobiliário» e «vária».

Exemplar em bom estado (salvo ligeiríssimo desgaste da capa). Tem, em anexo, o folheto – aparentemente, da mesma série – «Aspectos da arte barroca brasileira: Exposição de documentação fotográfica».
 
10€

Aquilino Ribeiro ― Quando os Lobos Uivam

Lisboa, Livraria Bertrand. 1958. In-8º gr. de 411, [1] págs. Br.

Primeira edição do decerto mais célebre romance de Aquilino, proibido pelo lápis azul do Estado Novo pouco após a publicação, iniciando o processo que haveria mesmo de levar o escritor à barra dos tribunais; parecendo hoje relativamente invulgar (mais do que seria de esperar, até pelo confronto com os outros volumes desta série, «Obras de Aquilino Ribeiro»), supõe-se que boa parte dos exemplares tenham sido logo retirados do mercado. Com uma extensa dedicatória ao médico – opositor também da ditadura – Francisco Pulido Valente, em que se lia, a propósito da vida de escritor exilado, “Numa fauna exaustiva tive de desatender à vida de relações, não cultivar como devia a amizade, remeter os meus à vis própria quando poderia com um pouco de arte, salamaleque, e o quantum satis da desvergonha cívica nacional, consagrada e triunfante, guindá-los a ministros ou banqueiros.” (uma nota curiosa, a respeito disto, é que o filho mais velho viria a ser eleito o primeiro presidente da Câmara de Lisboa sobrevindo o 25 de Abril, mais de uma década depois da morte do pai). Transcreve, nas abas, um conjunto de apreciações feitas por personalidades várias – o próprio Salazar (como ele beirão, e que nele reconhecia o grande escritor), Cecília Meireles, Cortesão, Régio, Nemésio, Júlio Dantas, Raul Rego, etc. – acerca do romancista.

Exemplar em bom estado geral, salvo ligeiras marcas de acidez. 
 
25€ 

Aquilino Ribeiro ― Jardim das Tormentas

Jardim das Tormentas: Contos, por Aquilino Ribeiro
 
Livraria Bertrand * Lisboa. [S/d]. In-8º de 327, [1] págs. Br.
 
Não a datando, indicava a editora tratar-se da quarta edição - talvez publicada entre a década de 30 e a de 40 -, que reproduz o longo e conhecido prefácio de Carlos Malheiro Dias para a primitiva (começava por louvar que um empedernido republicano se tivesse lembrado de um empedernido monárquico, adversário político, para a coisa, e terminava dizendo não duvidar, após a leitura deste livro de estreia de Aquilino, que "As letras portuguesas possuem hoje mais um admirável artista, que se incorpora na dinastia dos grandes escritores").
 
O exemplar, bem conservado no miolo, acusa porém  desvalor por algum desgaste da capa, ligeiramente manchada e com marcas de corrosão que chegam a prejudicar nela a parte impressa.
 
10€

Afonso Ribeiro e o Neo-Realismo em Portugal


Parece discutível, e vai aqui tentar-se brevemente demonstrá-lo, um velho apontamento que confere a Afonso Ribeiro lugar destacado, ainda que de rodapé, na história da literatura portuguesa, enquanto precursor do nosso neo-realismo (do qual o autor destas linhas está, em todo o caso, longe de ser especialista).
Do ponto de vista geracional, nem há debate: o escritor nasceu em 1911, ano de nascimento de Redol e Manuel da Fonseca; Soeiro Pereira Gomes, antes, em 1909; para não chamar agora José Gomes Ferreira. E a actividade de editor e colaborador da revista portuense Sol Nascente, durante os anos das polémicas com os presencistas que serviram de incubação ao movimento, não se pode dizer antecessora (nessa, n'O Diabo e em Altitude, como em muitas outras revistas literárias não tão vinculadas, escreviam pela mesma altura Álvaro Cunhal, Álvaro Salema, Alves Redol, Joaquim Namorado, José Rodrigues Miguéis, Mário Dionísio, exemplos). Pelo que o mote só poderia ser a data de edição - 1938 - de Ilusão na Morte, seu primeiro livro, de pequenas novelas e contos, publicado.

Afonso Ribeiro ― Plano Inclinado (romance)

Depositária: Livraria Progredior (158, Rua de Passos Manuel, 162) - Pôrto. (1941). In-8º de 235, [1] págs. Br.

Foi o romance de estreia de Afonso Ribeiro, por ele publicado ainda em restrita edição de autor; até então, apenas dera a lume o livro de pequenas novelas e contos Ilusão na Morte, que será hoje o mais raro de toda a sua bibliografia (pelo menos, a saída cá).  

Exemplar em muito bom estado, sem qualquer falha a salientar, tendo só leve desgaste da capa.
 
20€

Afonso Ribeiro ― (Maria I) Escada de Serviço

Editorial Ibérica Porto. (1946). In-8º gr. de 479, [1] págs. Br.
 
Primeira edição do livro, mais do que simples "nova versão", tamanhas as alterações e a extensão (em dobro), de Plano Inclinado, o romance de estreia do autor – que apenas assim escrevia na sua nota introdutória "ao público e à crítica - pelo menos àquela parte da crítica que tem por hábito ler os livros sobre que se pronuncia". Como a de Povo, saído no ano seguinte, teve também a capa ilustrada por um então novíssimo Júlio Pomar em início de actividade. E muitos anos passaram até que a série, Maria, "Para todas as que na vida, à semelhança da personagem deste romance, trilham o caminho áspero e negro da servidão", conhecesse sequência, já durante a época moçambicana de Ribeiro.
Precisamente a propósito de Povo, que ontem apresentava no «Público» no que talvez tenha sido, até agora, o melhor dos textos introdutórios (fraquinhos quase sempre, aliás) da colecção «Livros Proibidos», Luís Andrade realçava o facto de a Censura ter permitido esta um ano antes e só interditar a segunda, ainda aumentada, que viria a sair nos anos 60; salientando esse aspecto que, por regra, se deixa passar em claro, camuflado pelas ideias  generalizadas (em grande parte, justíssimas) sobre a indigência intelectual dos censores: o de o Lápis Azul  ter amiúde funcionado com base num juízo  eminentemente político de oportunidade, a que a questão, chamemos-lhe, 'moral' não serviria senão de disfarce.  
 
Exemplar em bom estado, descontando alguns vestígios de acidez ao longo do volume e de traça no pé das folhas finais. Conserva todo o corte das folhas por aparar e foi valorizado por um autógrafo do próprio Afonso Ribeiro na folha de guarda.
 
28€