catálogo on-line

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F. Scott Fitzgerald ― A Viagem da Velha Sucata

(Editorial Teorema). [S/d - D.L. 1992]. In-8º de 109, [III] págs. Br.

"Numa manhã de julho de 1920, um homem, Fitzgerald, a sua mulher, Zelda, e uma velha sucata, um Marmon de 1917, que vai ser o verdadeiro protagonista da história, partem de Westport para uma longa viagem até ao Alabama.

O relato desta viagem, originalmente publicado na revista americana Motor e praticamente desconhecido até hoje, é um feliz e divertido achado em que estão presentes todas as qualidades da escrita do autor de Terna é a Noite."
Assim é, de facto, e o resultado foi esta delícia de livro, pelo qual a fina ironia de Fitzgerald perpassa da primeira à última página - dificilmente havendo alguma em que o leitor não ria ou sorria, salvo quando a meio se sai com várias tiradas racistas que hoje nos soam bastante mal.

Tradução de Telma Costa.

Vários exemplares ainda disponíveis entre os nossos fundos da «velha», e propriamente dita, Teorema.

8€

F. Scott Fitzgerald ― O Grande Gatsby

O Grande Gatsby
(Romance) / Tradução e Prefácio de José Rodrigues Miguéis

Portugália Editora, Lisboa. [S/d]. In-8º de 263, [5] págs. Br.


"A notável introdução crítica e biográfica que José Rodrigues Miguéis especialmente escreveu para acompanhar a sua tradução de O Grande Gatsby vem revelar ao público português a estranha personalidade de um dos maiores escritores americanos deste século. Pràticamente desconhecido entre nós (apenas um filme, A Amada Infiel, nos veio lembrar a sua existência e por forma que nada testemunhava o seu génio literário), só agora dele se traduz um romance", assim começava o editor a sua nota de apresentação que terminava dando conta da intenção de traduzir em seguida Tender is the Night e This side of Paradise, conforme efectivamente veio a suceder .
Ninguém se querendo entretanto arriscar a fazer melhor do que um escritor português residente nos Estados-Unidos, tem sido esta tradução, aqui em primeira edição, a ser aproveitada até hoje mesmo noutras editoras.

12€

F. Scott Fitzgerald ― Belos e Malditos (romance)

Portugália Editora. [S/d]. In-8º de 483, [VII] págs. Br.

"O menino prodígio da sua geração, já foi considerado apenas como «porta-voz da Era do Jazz»: mas excede muito esta craveira, e nenhum dos seus coevos pintou com tintas tão humanamente amargas e sedutoras o drama do homem arrastado pela sede de viver e vencer, e a desilusão e o fracasso dela decorrentes."
(José Rodrigues Miguéis)

Exemplar com ligeiros vincos superficiais na capa.

12€

Liv Ullmann ― Mutações

Nova Nordica (1984). In-8º de 220, [VI] págs. Br.

Na face inferior da capa reproduziam-se apreciações da imprensa anglo-americana a este interessante livro, por exemplo do Washington Post (“Este livro pertence a uma classe à parte. Uma das coisas mais extraordinárias a respeito da autobiografia de Liv Ullmann é o pouquíssimo que a obra depende da celebridade da autora para demonstrar a sua força”) e da Harper’s Magazine (“Se Truman Capote pudesse actuar no palco tão bem como Liv Ullmann sabe escrever, ele estaria em condições de representar Hamlet diante de plateias apinhadas para o resto da vida”). Não é indicado o nome do tradutor para português, parecendo provável que se trate do aproveitamento – não indicado também – de uma qualquer edição brasileira a partir da tradução para inglês assegurada pela própria actriz.

10€

Ingmar Bergman ― Cenas da Vida Conjugal

editorial O Século (1975). In-8º de 190, [2] págs. Br.

Ao prefácio do próprio realizador sueco, datado de 1972 (a edição original é de 1973, ano em que o filme estreou nas salas), seguem-se os capítulos «Pureza e Pânico», «A arte de varrer para baixo do tapete», «Paula», «Vale de lágrimas», «Os analfabetos» e «A meio da noite numa casa escura em algum lugar do mundo». 
Primeira edição portuguesa, baseada na brasileira cuja tradução fôra de Jaime Bernardes da Silva. Salvo erro, este livro – do qual Bergman diria “Levei três meses a escrever estas cenas, mas levei uma vida inteira a vivê-las” (citado de memória) – não chegaria a integrar os títulos do realizador sueco publicados mais tarde pela Assírio & Alvim, apenas voltando a ser publicado no nosso país numa pequena edição do Teatro D. Maria II, já em 2012.
10€

Charles Chaplin ― Minha Vida

Minha Vida
/ Edição Comemorativa do Centenário de Nascimento (1889-1989) // Introdução: Sérgio Augusto, Prefácio: Octavio de Faria, Poesia: Carlos Drummond de Andrade // 7.ª edição

José Olympio Editora (1989). In-8º de 510, [2] págs. Br.

Edição comemorativa de um livro originalmente publicado em 1964, sendo a versão brasileira assegurada por uma equipa de tradutores de respeito: a escritora Rachel de Queirós (capítulos iniciais), Magalhães Júnior (segundo quartel de capítulos) e Genolino Amado (metade do livro, terceiro e quarto quartéis). O volume é ilustrado por vários conjuntos de folhas couché à parte com fotogravuras variadas de diversas épocas – o actor, a família, colegas, filmes, etc.

14€

Henri Agel ― O Cinema (Tradução de António Couto Soares)

Livraria Civilização – Editora (Rua Alberto Aires de Gouveia, 27 – ) Porto. (1983). In-8º de 406 págs. Br.

Acerca deste seu ainda hoje trabalho de referência, dizia o autor no início do prefácio: "Não nos pareceu necessário, neste livro, tratar das origens, história e técnica do cinema, uma vez que já há muitas e excelentes obras sobre estes aspectos (...) procurámos antes fazer um estudo analítico dos meios de expressão característicos do cinema durante este meio século".

Capítulos: «Cinema e Sociedade», «A Linguagem do Filme: a Imagem», «A Linguagem do Filme: o Som», «A Linguagem do Filme: a Cor», «A Linguagem do Filme: Luz e Cenário», «A Linguagem do Filme: os Intérpretes», «A Linguagem do Filme: os Efeitos Especiais», «O Significado do Filme», «Quadro Esquemático da História do Cinema», «Iniciação ao Cinema», seguidos da conclusão «Cinema e Verdade».

Abundantemente ilustrado em dezenas de folhas à parte, não numeradas, de papel couché.


14€

Jorge Leitão Ramos ― Dicionário do Cinema Português 1962-1988

Caminho (1989). In-4º de 420, [6] págs. Enc

“Quando, adolescente, me comecei a interessar por cinema, o passo seguinte ao acto de ver muitos filmes foi o de querer saber mais coisas sobre eles e a gente que os faz. Das revistas à aquisição de obras de referência (dicionários, monografias sobre realizadores, actores, géneros histórias do cinema...) se fez um trajecto, aliás comum, vulgar e normal em qualquer pessoa que se interesse por qualquer assunto. Foi então que descobri que, sobre cinema português, não havia qualquer obra de referência, parcelar ou global”.

Tiragem de 3000 exemplares encadernados em tela com sobrecapa de papel, pertencendo este a uma série com defeito de impressão: um caderno saiu mal dobrado, havendo prejuízo da normal leitura entre as págs. 366 e 370 e da 375 à 378.


25€

Baptista Bastos ― O Filme e o Realismo

Lisboa, Editora Arcádia. 1962. In-8º de 204, [4] págs. Br.

Primeira edição, integrada na «Biblioteca Arcádia de Bolso», de um dos livros iniciais do autor, reunindo uma série de textos aparentemente inéditos – que entrecruzam os temas propriamente cinéfilos com referências filosóficas e literárias e, sobretudo, com permanentes remissões para a literatura portuguesa (em particular, contemporânea), desde Eça a Ferreira de Castro, passando pelo «núcleo duro» neo-realista (Soeiro, Namora, Redol, Manuel da Fonseca, o primeiro Carlos de Oliveira) e abarcando, entre outros, «compagnons de route» como Cardoso Pires e Vergílio Ferreira.


14€

Baptista Bastos ― O Secreto Adeus

Lisboa, Portugália Editora, 1963. In-8º de 160, [4] págs. Br.

Primeira edição do romance de estreia de Baptista-Bastos, publicada na série «Novos Romancistas», com capa de Câmara Leme.

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita do autor “e a lembrança de um bom diálogo/Porto, Nov.º 63”, sem indicação de destinatário. Em bom estado, sem defeitos de relevo – uma ou outra pequena marca, apenas.


22€


Baptista Bastos ― As Palavras dos Outros

Publicações Europa-América, 1968 (aliás, 1969). In-8º de 186, [6] págs. Br.

Primeira edição de um livro de reportagens e entrevistas a gente tão vária como Amália, Matateu, Paul McCartney, Aquilino, etc. Com uma nota preliminar, do próprio Baptista-Bastos, em que se lê “que o remorso de qualquer autor sério talvez consista em não ter sabido ir mais longe quando na posse de um material tão rico e tão vivo como este”.

14€

Baptista Bastos ― As Palavras dos Outros

Editorial Futura / Carlos & Reis, Lda. (Av. 5 de Outubro, 317 – 1.º) Lisboa, 1975. In-8º de 212, [4] págs. Br.

Segunda edição do livro, que na face inferior da capa reproduzia a hiperbólica apreciação crítica de Urbano Tavares Rodrigues acerca dele: “Uma violenta, fogosa e sibilina originalidade. Um livro fascinante pelo que encerra de vivo, irónico, dramático e terrivelmente humano. A riqueza de um prosador de primeira linha: em cada frase está presente a vocação da palavra, que faz os escritores de raça”.

10€

Baptista Bastos ― Viagem de um Pai e de um Filho pelas Ruas da Amargura

forja (1981). In-8º de 150, [2] págs. Br.

Primeira edição de um livro já várias vezes reeditado (pelo menos por 4 editoras diferentes), com tiragem de 3000 exemplares; reproduzindo na capa um óleo de Elfriede Schade. Dele dizia Óscar Lopes, porventura usando de algum exagero, “Com este livro, Baptista-Bastos produziu o livro dos livros novelísticos da sua geração, senão de toda a literatura portuguesa de aquém 1950”.

12€

Baptista Bastos ― A Colina de Cristal

o jornal (1987). In-8º de 212 págs. Br.

Edição original d'"esse belíssimo romance que é Colina de Cristal, dorido, nostálgico percurso pelo espaço de Lisboa que o viu (ao autor] nascer" (crónica do director Domingos Lobo in A Voz do Operário).

Exemplar por estrear, com o selo da portuense o oiro do dia.

12€

José Cardoso Pires — O Burro-em-Pé (Contos / 2ª edição)

Publicações Dom Quixote. (Impressão e acabamento: Gráfica Manuel Barbosa & Filhos, Lda. / Fevereiro de 1999). In-8º de 258, [ii] págs. Br.

Esta primeira reedição do livro teve a seguinte nota do editor Nélson de Matos: “Esta obra foi publicada originalmente pela Moraes Editores, em Dezembro de 1979, ilustrada com pinturas de Júlio Pomar e capa de Sebastião Rodrigues. / Esta edição não voltou a ser reeditada, com ou sem ilustrações. / Nela está incluído o texto Dinossauro Excelentíssimo que, apesar de existir em edição original isolada, sofreu para esta edição de 1979, da parte do Autor, revisões e anotações que o distinguem dessa versão original”. 

Exemplar por estrear, mas com um ligeiro vinco ao alto das primeiras folhas preliminares.

9€

José Cardoso Pires — O Burro-em-pé (ilustrações de Júlio Pomar)

Moraes editores (1979). In-8º gr. de 175, [I] págs. Br.

Primeira edição, na variante propriamente princeps, com capa de Sebastião Rodrigues a partir de trabalho também de Pomar. O livro integra «Os Reis-Mandados», «O Conto dos Chineses», «Nós, aqui por entre o fumo», «Dinossauro Excelentíssimo» e «Por cima de toda a folha»; sendo as ilustrações reproduzidas sobre folhas destacadas.

Exemplar de resto bem conservado, mas com ligeira descoloração marginal da capa e ainda mais ligeiro amarelecimento, também marginal, das folhas no miolo.

20€

Fernando Assis Pacheco ― Walt ou o frio e o quente (noveleta)

Livraria Bertrand
(Acabou de imprimir-se [sic] em Outubro de 1978). In-8º de 120, [4] págs. Br.

"Eu queria apenas dizer «Gare Marítima de Alcântara», «Lisboa», num ano qualquer entre 1961 e 1974. Meto na prosa soldados, civis, incivis, chulos e putas, eu próprio estou lá, disfarçado de narrador-alferes, choro à bruta, gozo como um cabinda, narro, minto, finto o leitor, apetecia-me mandar o país Portugal ao tota, mas em segunda leitura sou um tipo basto moral e paro a meio palmo do traço proibido - ternuras!"

Primeira edição, publicada na colecção «Autores da Língua Portuguesa».

15€

Mário-Henrique Leiria ― Depoimentos Escritos

Depoimentos Escritos (contos, poemas e cartas de amor)

Editorial Estampa, Ficções 26. (1997). In-8º de 340, [IV] págs. Br.

O prefácio à edição ficou a cargo de Leonor Correia de Matos, amiga de MHL e da destinatária das cartas que ocupam a grande maioria do volume, Isabel Alves da Silva - advogada da mulher do escritor no processo de divórcio. Antes das cartas há duas dezenas de páginas de contos e pouco mais que isso de poemas.

Exemplar novo.


12€
Faria alguma vez algum sentido, fosse a que propósito fosse (e aqui não há nenhum: há apenas um infantil e gratuito despropósito), desfazer o Museu Romântico da cidade portuguesa do Romantismo? 
Muito em resumo: a cidade-natal, de infância e de juventude do nosso primeiro e romântico-mor, o grande Garrett, que morreu em Lisboa doente de uma mal resolvida paixão fatal; a cidade do genial Camilo e do seu «Amor de Perdição» descendo da Cadeia da Relação onde foi escrito à Calçada de Monchique onde termina o enredo; a cidade até do lisboeta Herculano, que nela viveu muitos anos, que a adorava e respeitava mais do que à sua, e a quem se devem os numerosos códices e manuscritos medievais do acervo da Biblioteca Municipal, «roubados» a variadíssimos mosteiros do norte do país durante os «saques» liberais; a cidade de ultra-românticos como Soares de Passos, autor do célebre «Noivado do Sepulcro» do então fundado cemitério do Prado (do Repouso), antiga quinta do Prado; a cidade do naturalista ainda romântico Júlio Dinis, este ano fingidamente celebrado pelo mesmo novel «Museu da Cidade» que parece apenas existir para fazer fitas; a cidade do neo-romântico António Nobre, que dizia mal dela mas no último passeio antes da morte, numa caleche "da Ribeira até à Foz", só dizia ao irmão "Augusto, isto é muito lindo, não é?"; a cidade do ultra-ultra-romântico tardio Pascoaes, que também fingia não gostar dela (era uma relação amor-ódio, como a de Nobre, como a de Camilo), mas que nela passou uma década e se apaixonou perdidamente por uma inglesa numa viagem de eléctrico ao sair da Foz que só terminou já em Londres, barco apanhado no Porto de Leixões...; a cidade dos salões e dos serões, de Fanny Owen, de Maria Felicidade do Couto Browne, de tantas outras portuguesas-inglesas e portuguesas só; a cidade dos estouvados e da boémia, incluindo Camilo e o filho da «Ferreirinha», António Bernardo Ferreira; a cidade onde os moços iam para debaixo das janelas dos casarões da rua de Santa Catarina, de onde às vezes raptavam as donzelas ou semi-donzelas descendo por uma corda directamente para as selas dos cavalos; a cidade onde outros moços assaltavam os muros do convento de São Bento, actual estação de caminhos de ferro, para namorarem as freiras e lhes comerem os doces (e outras coisas) em cenas que não estão nos azulejos...; etc. etc. etc. E, claro, a cidade que o complexo príncipe romântico Carlos Alberto escolheu para morrer, altamente enamorado dela. 

Sendo portuense, é preciso ser ignorante q.b. para nunca ter ouvido falar de nada disto. Parece portanto uma pena que a autarquia e este pseudo-«Museu da Cidade», aparentemente forjado apenas para conceder um cargo, estejam entregues a. Desfazer a memória do romantismo no Porto não é só um atentado de arte: é sobretudo um atentado à História da Literatura Portuguesa; e sobre-sobretudo um atentado à cidade. Mais um. Mas mais grave, porque deliberadamente cometido por um executivo municipal que já não tem desculpa. Isto só tem um nome, e chama-se ou deveria chamar-se «crime contra o património», perpetrado por quem mais obrigação tem de o proteger.

O Porto: de romântico, já nem o museu...

Quando há mais de um século Marcel Duchamp inverteu um urinol e resolveu chamar-lhe «Fonte», assim dessacralizando a prática artística e inaugurando oficialmente a arte contemporânea, não estava a impor nada a ninguém: estava pelo contrário a sugerir que tudo depende do contexto e que se pode e deve tentar sempre olhar as coisas de uma perspectiva diferente, na arte como na vida. [Foi a teoria da relatividade a chegar à arte logo após Einstein a ter apresentado à física; e talvez haja também nisto uma dinâmica «gravitacional» relativa.]
Ele e tantos outros dadaístas e modernistas afins, como depois os surrealistas, entre muita gente altissimamente recomendável, entretiveram-se a partir daí a «épater le bourgeois» - incitar ao escândalo, fazer terrorismo sobre o meio artístico tradicional e académico, provocar pateadas e pancadaria em espectáculos culturais, deitar a língua de fora à senhora vizinha, pintar um bigode à Mona Lisa, pôr tudo em causa, em suma.
Isto, que foi importante, que foi aliás fundamental para toda a arte e toda a cultura do séc.XX, foi uma coisa.
Outra coisa é o enxame de pseudo-artistas contemporâneos e «agentes» culturais diversos que mais de um século atrasados, e sem pingo de génio ou graça, fazem de conta que descobriram a pólvora, imitando à exaustão um modelo já mais do que exaurido, monotonamente, repetitivamente, usando e abusando das mesmas fórmulas hoje canónicas e guindadas a posição de poder - tal qual a arte antes dita «académica», porque agora a mais académica das artes é esta contemporânea. Hoje, se um «artista» quiser pendurar um presunto num cabide e assim ocupar um salão, temos «instalação» e temos logo um «curador» disponibilizando um museu com imenso palavreado de discurso «meta-artístico», questionando-se metafisicamente sobre aquilo que o presunto estará ali a fazer, decerto algo de muito diferente do que faria no talho, e o profundo significado transcendente e respectivas implicações de estar mais encostado à parede ou à porta. 
Parece difícil estabelecer o que seja mais espantoso: se este engodo em si, se tão pouca gente parar para dar conta dos flagrantes paradoxos que ele ainda por cima encerra. 

Max Jacob ― O Copo dos Dados

Editorial Estampa (1974). In-8º de 223, [V] págs. Br.

Impresso sobre papel encorpado, o volume, 22.º título da muito recomendável colecção «novas direcções», teve a habitual tradução da francófila e muitíssimo recomendável Luísa Neto Jorge e capa de Soares Rocha; reunindo os dois volumes da edição francesa, o segundo de publicação já póstuma. A terminar há uma página resumindo a «Vida de Max Jacob», esse curioso e interessantíssimo picto-poeta companheiro de Apollinaire e Picasso, levado em 1944 (quase com setenta anos) pela Gestapo para um campo de extermínio e quase inteiramente por traduzir em Portugal até hoje: este livro sendo a primeira excepção.

12€

Julien Gracq ― A Literatura no Estômago

A Literatura no Estômago
(apresentação e tradução de Ernesto Sampaio)

Assírio & Alvim. 1987. In-8º peq. de 53, [3] págs. Br.

Segunda edição portuguesa do ensaio, acrescentada por Ernesto Sampaio da introdução «Uma rajada mais forte», que dele dizia “condenação sem apelo não só do exibicionismo e vedetariato do escritor, como dos costumes vigentes na república das letras (prémios literários!) e da incapacidade da crítica”.

Exemplar em bom estado, descontando pequenos vestígios de acidez.


8€ (reservado)

Julien Gracq ― A Costa das Sirtes (Tradução de Pedro Tamen)

Edições António Ramos, Lisboa (1979). In-8º de 325, [I] págs. Br.

"Julien Gracq, um grande romancista quase desconhecido em Portugal, revela-se agora ao público português com uma das suas obras essenciais, em que (...) o leitor é enfeitiçado e transportado «para um outro mundo, de horror e maravilhas, onde o herói experimenta a sua incapacidade de conduzir a sua própria vida»", anunciava o editor, que sublinhava a ironia de o autor de La Littérature à l'estomac (1950) ter no ano seguinte sido premiado pelo Goncourt com este livro - prémio que, muito naturalmente, recusou.


12€ (reserva)do)

Georges Darien ― O Ladrão

Livraria Editora Sotavento. [S/d]. In-8º gr. de 436, [4] págs. Br.

Apresenta, no final, um extenso – mas nada brilhante – texto de Júlio Carrapato sobre o escritor: «Georges Darien, breve esboço da sua vida e da sua obra».

Exemplar por estrear.

15€

Georges Darien ― Le Voleur (Préface d'André Breton)

collection littérature / Julliard, Paris. (1964). In-8º peq. de 470, [II] págs. Br.

Uma breve nota editorial explicava que quando este livro foi redescoberto e reeditado pelo editor-escritor Jean-Jacques Pauvert, quase dez anos antes, muitos artigos críticos saíram na imprensa - optando-se aqui por seleccionar o de André Breton («Darien le Maudit») para o prefácio que enriquece esta nova edição.

14€

André Breton ― O Amor Louco

Editorial Estampa (1971). In-8º de 158, [II] págs. Br.

Primeira e atrasadíssima edição portuguesa, com tradução de Luísa Neto Jorge e capa (a melhor que o livro entre nós até agora teve) de Carlos Ferreiro; nono título publicado na série «novas direcções».

14€

Aimé Césaire ― discurso sobre o colonialismo

2 / Cadernos para o diálogo / Porto - 1971 (Tradução de Carlos S. Pereira / Composto e impresso na Editora Poveira para o tradutor). In-8º peq. de 79, [i] págs. Br.

Foi o título porventura mais conhecido e também mais publicado cá do poeta de Corps Perdu, «compagnon-de-route» do círculo surrealista de Breton; libelo acusador do «mito» da superioridade moral do Ocidente, às vezes com razão e outras sem: "não é segredo que penso que hoje em dia a Europa Ocidental é uma enorme barbárie, ultrapassada, muito de longe, é certo, mas só por uma outra, a americana" (exageros – rigorosamente disparates - destes deram lugar a um mito inverso, muito na moda hoje em dia: o pós-colonialista da culpa ocidental).

10€

Aimé Césaire ― Discurso sobre o colonialismo

Discurso sobre o colonialismo (Prefácio de Mário de Andrade)

Livraria Sá da Costa Editora Lisboa. (1978). In-8º de 69, [III] págs. Br.

A edição original do livro do poeta francês fôra em 1955; sendo a tradução para esta edição portuguesa assegurada por Noémia de Sousa. Composição e impressão na viseense Tipografia Guerra, com tiragem declarada de 3000 exemplares.


8€

Voznessenski ― Antimundos

publicações dom quixote (1970). In-8º de 77, [III] págs. Br.

Armando Silva Carvalho assinava um extenso prefácio a esta recolha de poemas, propositadamente feita pelo poeta russo para a colecção Cadernos de Poesia. Entre nós menos conhecido e mais surrealizante do que os seus compatriotas mais célebres, a verdade é que, segundo aqui aparece indicado, o autor «chamava» 14.000 pessoas a ouvi-lo num estádio; e teria, à época, 100.000 leitores a esgotarem rapidamente as suas primeiras tiragens nas livrarias.  

7€

Alexandre O'Neill ― Poesias Completas

Poesias Completas (introdução Miguel Tamen)

Assírio & Alvim (2000). In-8º gr. de 541, [3] págs. Br. 

Publicado nas «Obras de Alexandre O’Neill», o volume recolhe Tempo de Fantasmas, No Reino da Dinamarca, Abandono Vigiado, Poemas com Endereço, Feira Cabisbaixa, De Ombro na Ombreira, Entre a Cortina e a Vidraça, A Saca de Orelhas, As Horas já de Números Vestidas, Dezanove Poemas e O Princípio de Utopia, O Princípio de Realidade seguidos de Ana Brites, Balada tão ao Gosto Popular Português & Vários outros Poemas, sendo rematado ainda por três poemas finais «Dispersos».

Primeira de várias edições entretanto publicadas.

25€

Al Berto ― O Medo

Assírio & Alvim (1997). In-8º gr. de 640, [II] págs. Br.

Dispensará decerto apresentações esta conhecida recolha da produção do poeta de Sines, aqui na terceira das cinco edições dadas a lume até hoje - a primeira na Assírio e a primeira póstuma, publicada no próprio ano da morte do autor; sendo as duas anteriores da Contexto, cuja capa homoerótica, aproveitando um retrato do poeta em pose de «diva» por Paulo Nozolino, era aqui substituída (mas recentemente recuperada) por uma mais sóbria em fundo negro com o corte das folhas tintado, numa solução graficamente discutível, a roxo. Das cinco, há-de ter sido de longe esta a mais lida, consultada e requisitada pelo luso público ledor de poesia, pelo que também ela dispensará minuciosas descrições.


38

O Dia 24 de Agosto


Já temos uma pátria, que nos havia roubado o despotismo: a timidez, a covardia e a ignorância que o tinham criado, que se prostravam com vil idolatria ante a obra das suas mãos, acabaram. A última hora da tirania soou; o fanatismo, que ocupava a face da terra, desapareceu; o sol da liberdade brilhou no nosso horizonte, e as derra­deiras trevas do despotismo foram, dissipadas por seus raios, sepultar-se no inferno.

(Almeida Garrett, in O Dia 24 de Agosto, edição nossa. PVP: 10€) 

Carlos de Oliveira ― Poesias (1945-1960)

Portugália Editora. Lisboa. (1962). In-8º gr. de [8], 174, [6] págs. Br.

Colectânea publicada na série «Poetas de Hoje», reunindo toda a produção do poeta até à data (salvo o livro de estreia, «Turismo», que foi excluído): «Mãe Pobre» (1945), «Colheita Perdida» (1948), «Descida aos Infernos» (1949), «Terra de Harmonia» (1950) e «Cantata» (1960). Primeira edição.

Exemplar em muito bom estado, ainda praticamente como novo e sem qualquer defeito significativo.
 
25€

Carlos de Oliveira ― O Aprendiz de Feiticeiro

Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1971. In-8º de 289, [5] págs. Br.

Primeira edição de um livro que, entre apontamentos literários e pequenas notas de recorte auto-biográfico (viagens; memórias; diário), resulta na melhor aproximação possível ao próprio trabalho do autor – o curto capítulo dedicado a «Micropaisagem», por exemplo, é, a esse título, bem elucidativo; e que, se não falha a memória, será talvez o mais interessante caderno de notas alguma vez publicado por um escritor português.

Com fotografias «hors-texte» de Augusto Cabrita e capa do pintor Lima de Freitas (que teve, como Carlos de Oliveira, uma passagem inicial mais ou menos demorada pelo neo-realismo).

18€

Carlos de Oliveira ― Uma abelha na chuva (romance)

Livraria Sá da Costa Editora (1984). In-8º de 180, [VI] págs. Br.

Mais uma de tantas edições do romance, que como praticamente todos os trabalhos do autor foi sendo sucessivamente remodelado, neste caso de modo muito substancial.

Capa de Sebastião Rodrigues.

10€

Carlos de Oliveira ― Pequenos Burgueses (romance)

Coimbra Editora, L.da – 1948. In-8º de 228, [4] págs. Br.

Primeira edição de um dos livros principais do autor e do (nele um caso à parte) neo-realismo português, cujos ressaibos e influências na prosa cá da terra duraram até bem mais tarde do que se possa supor: parece espantoso nunca o termos lido em lado nenhum, mas o início de Nenhum Olhar, primeiro e melhor livro de José Luís Peixoto, é decalcadíssimo – topa-se à evidência – deste terceiro e último romance (propriamente dito) de Carlos de Oliveira.

O exemplar tem o carimbo e a assinatura de José Campeão, que em Coimbra o terá comprado logo em 1948, e que mais tarde o terá vendido (ou um proprietário posterior) à livraria portuense de Manuel Ferreira, cujo ex-libris pequeno ostenta. Com algum amarelecimento da margem lateral exterior da capa.
 
35€ (reservado)

Carlos de Oliveira, 1º centenário do nascimento

Comemora-se hoje - pouquíssimo, como se o lê pouquíssimo... - o primeiro centenário do nascimento de um dos grandes poetas da história da literatura portuguesa, nascido a 10 de Agosto de 1921 no Brasil; de onde viria aos 2 anos com os regressados pais para Portugal.

Cresceu na região da Gândara (Cantanhede), fez os estudos em Coimbra, onde começou a ingressar nas fileiras neo-realistas, e foi depois para Lisboa, passando à beira-Tejo o resto dos seus dias até 1981.
Desde cedo, quer em verso quer em prosa, o seu trabalho revelaria uma preocupação e uma qualidade formal nada comuns no neo-realismo, avançando progressivamente a poética para um apuro e uma contenção que já só muito ao longe deixariam ver a toada social mais nítida desses primeiros tempos. Cantata (1960), um dos mais belos livros da poesia portuguesa, marcaria uma espécie de fronteira entre essas duas fases tão diversas - após 10 anos de «silêncio», que Alexandre O'Neill «censurava», ainda sem saber o que aí vinha, na dedicatória de oferta aqui reproduzida. 

Ricardo Jorge ― De Ceca e Meca (Impressões e Estudos de Viagem)

Lisboa (Edição do centenário sob o patrocínio do Instituto de Alta Cultura. Composto e impresso nas oficinas gráficas da Editorial Minerva). In-8º de 292, [2] págs. Br.

Com este volume póstumo de Ricardo Jorge termina a série das suas Impressões e Estudos de Viagem. Ao que ficou dito pelo Autor no começo do Canhenho dum vagamundo e das Passadas de erradio – os dois volumes precedentes da mesma série –, nada há que ajuntar a respeito do teor genérico, que se mantém sem alteração. Como neles, os artigos enfeixados circularam na imprensa periódica, publicados na sua quase totalidade no Diário de Notícias”, juntando-se-lhes alguma prosa que por uma razão ou outra não tivesse chegado a sair. Os ditos artigos foram encaixados pelo editor nas secções «A Caminho do Próximo Oriente», «Terra Santa e Terras de Mafoma», «De Paris» (meia centena de páginas), «Paris-Genebra» (“Lusos além e aquém”: pelos vistos, já na altura havia emigração portuguesa naquelas bandas), «De Berlim», «De Lião», «De Zagreb», «Para o Brasil», «Portugal na Holanda», «De Dresde», «À Volta de Bucareste», «Imagens do Marroco Português» e «Além-Mar em África».

Exemplar globalmente bom no miolo, mas com a capa ligeiramente desgastada e uma ligeira quebra à cabeça das folhas finais provavelmente decorrente de queda. Pertenceu ao médico e bibliófilo coimbrão Júlio Formigal, de quem tem a discreta assinatura.

15€

Abel Salazar ― Um Estio na Alemanha

Coimbra, Editorial Nobel. 1944. In-8º de 291, [1] págs. Br.

Primeira edição deste livro de impressões de viagem, cujo título muito dificilmente se compreenderá – dado que a uma primeira parte dedicada a Berlim se segue uma outra, ainda mais extensa, respeitante a Madrid, que termina (a compreensão continua complicada) com um capítulo sobre a Bélgica e a Holanda. Destaque, no que toca propriamente à capital espanhola, para as impressões de arte a partir de uma visita ao Prado, em particular o longo – de 75 páginas – ensaio consagrado a El Greco; que, por si só, praticamente justifica o volume.

15€

Abel Salazar ― Uma Primavera em Itália

Nunes de Carvalho, Editor 1934 Lisboa. In-8º de 195, [5] págs. Br.

Volume inaugural de «Contemporânea: Biblioteca de Autores Nacionais e Estrangeiros», com uma longa e panegírica bio-bibliografia do autor até à época (assinada A.L. – provavelmente, Almerindo Lessa), precedida de uma sua caricatura por Luís de Pina. O livro, a meio-termo entre impressões de viagem e abstracções mais genéricas sobre arte, integra os capítulos «A loucura das païsagens», «Turim», «Milão e a sua catedral», «A Primavera do Lago de Como», «Florença», «Roma», «Nápoles», «Pisa – Génova – Turim», «Veneza», «Entêrro em Veneza», «Melancolia do Lido» e «A Morte de Veneza».


15€

Abel Salazar ― Pousão

Modo de Ler
In-4º de 141, [17] págs. Br. [Livro]
In-4º gr. de [10] estampas litográficas polícromas. [Estojo com as ilustrações]
In-4º gr. [Estojo exterior cartonado]

Reedição do interessante estudo de Abel Salazar acerca da obra do fugaz pintor alentejano e portuense de quem foi entre nós o primeiro defensor acérrimo, acompanhado nesta edição de luxo por 10 reproduções a cores de conhecidos trabalhos seus, estando todo o conjunto acoplado dentro de um belo estojo com abertura lateral; sumptuosidade que contou com o patrocínio do Casino da Póvoa.

O livro propriamente dito é igualmente um 3 em 1: ao texto primitivo somam-se aqui dois inéditos, o da historiadora de arte Laura Castro em comentário e o conto do romancista Mário Cláudio, «A Morte de Tibério», uma ficção de um trecho da última estada do pintor em Capri e dos seus derradeiros dias de vida já moribundo no Alentejo - traçada também ela com mão de mestre.


100€

8 reproduções de trabalhos de Abel Salazar

8 reproduções de trabalhos de Abel Salazar / com um estudo crítico de Diogo de Macedo

(Obra editada pela Fundação Abel Salazar, Porto / Capa e direcção gráfica de Alberto Cardoso, fotografias de Álvaro C. Azevedo (Alvão) e de Horácio Novais // Reproduções em heliogravura executadas pela Neogravura, lda.; páginas de texto compostas e impressas pela Casa Portuguesa; capa composta e impressa pela Nova Lisboa Gráfica, lda.; Lisboa – Dezembro de 1955). In-4º gr. de [8] págs. [caderno] + [8] ff. de estampa.

Envoltos juntamente com o estudo de Diogo de Macedo numa espécie de estojo de cartolina que lhes serve de capa, os trabalhos aqui reproduzidos por heliogravura são exclusivamente retratos: além do conhecido auto-retrato de Abel Salazar, os de Camilo, Eça, Junqueiro, Maximiliano Lemos, Marck Athias, Duarte Leite e Einstein.

Ligeiro desgaste da capa, com uma pequena marca a tinta.


40€

Agostinho da Silva ― Parábola da Mulher de Loth

Parábola da Mulher de Loth
// seguida de Policlés e de um Apólogo de Pródigo de Céos

(Composto e impresso nas Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» de Gaspar Pinto de Sousa, Suc.es, Ld.a – V. N. de Famalicão, 1944. In-8º peq. de 89, [3] págs. Br.

Tríptico publicado por Agostinho da Silva em edição de autor, estando este exemplar valorizado por uma dedicatória de oferta com que brindou um destinatário (letra intraduzível, como de costume) que nem sequer o chegou a abrir – todos os cadernos se conservam fechados, conforme saíram do prelo.


15€