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António de Vasconcelos ― D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal

D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal (Ilustrações de Marques Abreu)

(Imprensa das Oficinas de Fotogravura de Marques Abreu / Avenida Rodrigues de Freitas, 310 – Pôrto. 1930). In-4º de 48 págs + [27] ff. de estampa + [1] planta desd. Enc. 

É bem conhecido este trabalho do professor coimbrão, remodelando os textos de duas conferências proferidas em Coimbra e em Aveiro, “em ordem a formarem um corpo homogéneo” que se debruçou, principalmente, sobre a actividade da Rainha Santa no apoio a Dinis na condução dos negócios do reino – e muito em particular o habitual afã conciliador e pacificador, tal o que decidiu em Lisboa a paz entre o marido e o filho (“cá se fazem, cá se pagam”, haveria a este último de acontecer o mesmo quando o então Infante Pedro, tendo bastante mais razão, fulo de raiva pela morte de Inês de Castro, contra ele levantou hostes tomando pouco mais ou menos as mesmíssimas povoações). Como sempre belas, as estampas de Marques Abreu reproduzem clichés contemporâneos de Coimbra, do Mondego, da Sé Velha e de Santa Clara; de Trancoso, Pombal e Leiria (todas estas, pouco a propósito); e, no final, dos túmulos do casal real e iconografia vária relacionada com o culto da aragonesa.

O exemplar foi enriquecido por uma boa encadernação em jeito meio-amador com os cantos e a lombada em pele gravada a ouro nos filetes, floretes e dizeres; conservando por inteiro a capa primitiva; e ainda mais valorizado por uma expressiva dedicatória de oferta manuscrita pelo artista, fotógrafo e tipógrafo portuense a Eleutério da Fonseca, poucos dias após a saída dos prelos. Único senão: vários vestígios antigos de humidade, embora sobretudo marginais e, por regra, não demasiado pronunciados. 

50€

António de Vasconcelos ― Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão

Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão / esposa do rei lavrador / Dom Dinis de Portugal (a Rainha Santa): Estudo de investigação historica / feito pelo doutor Antonio Garcia Ribeiro de Vasconcellos / lente cathedratico da faculdade de theologia da Universidade de Coimbra / e socio effectivo do Instituto da mesma cidade.

Anno de M. Dccc. xciv. Foi impressa esta obra em a antiga e mui nobre cidade de Coimbra / na Imprensa da Universidade. 2 vols. in-4º peq. de X, [II], 616, [2] e 634, [4] págs. Enc.

Trabalho de referência da bibliografia isabelina, já consideravelmente escasso nesta edição original, cuja nota de impressão indica terem saído dos prelos 1100 exemplares.
O primeiro volume é o estudo propriamente dito, ilustrado por um bom conjunto de estampas por fotogravura (o exemplar mantém todas, incluindo a da bela vista de Coimbra da fototipia de Emílio Biel que mais costuma faltar), sendo o segundo baseado na transcrição de documentos. Ambos foram bem encadernados com lombada em pele gravada a ouro e pastas em marmoreado, mantendo as duas faces das capas de brochura; corte das folhas aparado e carminado à cabeça e parcialmente aparado na margem lateral; as lombadas apresentando já alguns sinais de desgaste e de corrosão sobre o encaixe; e as folhas finais do segundo pequenos rasgões, apesar de sem prejuízo do texto. Ostentam um e outro o ex-libris (na versão maior) de Sebastião Centeno Fragoso. 

85€

Feira do Livro de Coimbra

Integrada na terceira edição da Feira Cultural, decorre de 3 a 12 de Junho a Feira do Livro de Coimbra, uma vez mais com a participação da bibliographias. 
Parque Verde do Mondego. 

«De Portugal, ni buen viento, ni buen casamiento»


Fala-se pouco nisto entre nós (só agora se falou qualquer coisinha), como de costume, mas tem-se por certo que a grande paixão de Cervantes foi uma portuguesa, e por quase certo que dela nasceu a única filha do escritor castelhano, que a levaria da capital portuguesa para a espanhola. Nada se sabe dela senão talvez o nome: Ana Franco, seja a tradição documental ou oral. Há quem diga que era actriz (já haveria teatro em Lisboa?  possivelmente), há quem diga que era uma simples doidivanas, há quem diga muita coisa. Ter-se-ão conhecido durante uma das estadias alfacinhas do homem - com morada no bairro de Alfama -, ou quando ia embarcar para os Açores sublevados, ou quando ia embarcar em missão de espionagem para o norte de África. Até nisso era o Camões espanhol...
Se interessar o subsídio, aqui fica: na edição francesa do «Quijote» que abaixo se apresenta, com cerca de século e meio de idade, já se alude ao assunto.

Cervantes ― Dom Quixote

The History of Don Quixote de la Mancha: with an account of his Exploits and Adventures

London: Milner and Company, Paternoster Row. [S/d]. In-8º peq. de 448 págs. + [2] ff. de estampa. Enc.

Não estando datada, a edição parece da segunda metade do século passado, provavelmente do último quartel (talvez 1870/1880).

Bonita encadernação editorial com relevos a negro e a dourado; apresenta pequenos vestígios de traça (que felizmente não passaram ao volume) e a pasta inferior, principalmente, está um pouco puída.
 
24€

«Traduttore, traditore»: os reis também podem trair.

Supondo que Deus não seja estrangeiro, a Bíblia não conta, mas um dos candidatos a livro da literatura estrangeira mais variadamente traduzido por cá talvez seja o «Hamlet»: assim de memória, foram tradutores o rei Dom Luís, Santos Quintela, Domingos Ramos, Sofia de Melo Breiner e António Feijó, por exemplo.
Para quem não saiba, o nosso  monarca foi um dos mais denodados tradutores de Shakespeare, e um dos primeiros - ou mesmo o primeiro - a traduzi-lo sistematicamente a partir do original. Camilo, no afã de dar graxa para obter o tão solicitado título de Visconde, chegou mesmo a publicar um opúsculo a que chamou "esboço de crítica" acerca da tradução do «Othello». E Junqueiro diria que mais valia ter ensinado o filho a escrever antes de se preocupar com traduções. Quase todas em exposição na Biblioteca Nacional.
   

Charles & Mary Lamb ― Contos de Shakespeare

Contos de Shakespeare (traduzidos do inglês por Januário Leite)

Portugália Editora, Lisboa. (1946). 2 vols. in-8º de 221, [3] e 241, [7] págs. Br.

Edição portuguesa da versão adaptada, vulgata,  dos irmãos Lamb, originalmente publicada em Inglaterra no início de XIX. O primeiro volume recolhe, após o prefácio do tradutor, «A tempestade», «Sonho duma noite de S. João», «Conto de inverno», «Muito barulho para nada», «Como lhes aprouver», «Os dois veroneses», «O mercador de Veneza», «Cimbeline», «O rei Lear» e «Macbeth»; e o segundo, «Bem está o que bem acaba», «A megera domesticada», «A comédia dos erros», «Pena de Talião», «Noite de Reis ou o que quiserem», «Tímon de Atenas», «Romeu e Julieta», «Hamlet, príncipe da Dinamarca», «Otelo» e «Péricles, príncipe de Tyro». Não estando indicada, a ilustração da capa parece de Ribeiro de Pavia.
 
10€

Shakespeare ― Júlio César

A Tragédia de Júlio César (traduzida em verso e prosa, conforme o original, e anotada por Luis Cardim, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

Edição de A «Renascença Portuguesa» / Porto – 1925. In-8º de 283, [5] págs. Enc.

Dedicando-a a Ginestal Machado, dizia Cardim desta sua versão procurar “satisfazer, pelo seu texto e pelas suas notas, as duas maneiras de lèr Shakespeare: como diletante e como estudioso”; enquanto louvava no trabalho do escritor preferido “o maravilhoso verso sôlto, dádiva adaptada da antiguidade, as citações clássicas, certos elementos de Séneca, o estudo dos caracteres, as sublimidades do pensamento e, acima de tudo, o derramar de beleza, em profusão”. O prefácio termina lamentando, estranhamente, uma suposta falta contemporânea de traduções competentes do inglês – não sendo plausível que desconhecesse as que Domingos Ramos andava a publicar na Lello, é porque não gostaria muito delas, ou dele...

Exemplar revestido de boa encadernação em material sintético com dourados na lombada; preserva por inteiro a capa de brochura, mas aparada, como o foram todas as margens do papel.

15€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de F. dos Santos Quintella)

Escriptorio de Publicações (Rua de Santa Catarina, 231), Porto. [S/d]. In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Edição popular, hoje porém já de esporádico aparecimento, publicada no início do século passado.

Exemplar revestido de sóbria encadernação em material sintético; conservando por todo a capa primitiva.
 
10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de Santos Quintella // 2.ª Edição)

1913 – Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos (Rua Formosa, 384 – ) Porto – (Portugal). In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Esta segunda tiragem, sim, aparece com mais frequência; distinguindo-se pelo diverso retrato de Shakespeare gravado em folha destacada couché de anteportada, por uma outra folha couché preliminar com algumas vinhetas provavelmente copiada de alguma edição inglesa (não é indicada a proveniência) e por uma nova capa, ilustrada – que a encadernação editorial (percalina gravada a ouro), a cuja série este exemplar pertence, manteve na íntegra.

10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, L.da, editores – Rua das Carmelitas, 144 – 1928. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Enc.

“Debaixo de todos os pontos de vista, o Hamlet é o drama mais extraordinário e o mais excêntrico que tôda a arte dramática tem dado à luz. (...) Não poderia haver, como efectivamente não há, nada de maior no mundo. OEdipo rei e Hamlet são os dramas que não sofrem comparação com outros dramas”.

Exemplar da típica série encadernada pelo editor em percalina com dourados e a efígie do autor na pasta frontal. Assinatura de propriedade no rosto e dedicatória (posto que curiosa) de oferta na primeira página preliminar. 
 
10€ 

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

1945 / Livraria Lello & Irmão, Editores (144, Rua das Carmelitas) – Pôrto / Aillaud e Lellos, Limitada (76, Rua do Carmo, 80 a 84) – Lisbôa. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Br.

A mesma edição, reimpressa.

Exemplar maioritariamente por estrear, ainda com os cadernos por abrir em três quartos do volume.
 
5€

Cem anos de solidão

Faz hoje cem anos que Mário de Sá Carneiro, para variar de Camilo, Antero e Laranjeira, se envenenou em Paris num final de tarde de Primavera, mais ou menos por esta hora. Uma pessoa matar-se em Paris e em plena Primavera parece duplamente inexplicável (apesar de Celan, que fez o mesmo em 1970), mas pode supor-se, querendo armar biografias, que as razões imediatas terão sido, fundamentalmente, duas: a paixão e consequente desatino por uma criatura não muito recomendável, maxime; e o prévio desânimo pela frustração dos planos de Orpheu 3, cuja fácil desistência talvez indiciasse desânimo, fundo, já anterior.
 
Fernando Pessoa, o amigo (por correspondência) dilecto, viria a editar-lhe grande parte dos poemas manuscritos e talvez a aproveitar, para conta própria, os fragmentos. Mas isto, que parecerá uma póstuma boa notícia, é de facto má. Pelo simples facto de que Sá-Carneiro era um poeta superior a - ou pelo menos globalmente mais interessante do que - Pessoa. Isto parecerá polémico, e poucos acompanharão o autor destas linhas, mas entre esses poucos há nomes de respeito: Régio e António Maria Lisboa à cabeça.
Vindo A. M. Lisboa muito a propósito, porque também prometia bastante e porque também morreu com a mesma temporã idade: 25 anos. Ficará sempre por saber quão alto voariam estes dois cavalheiros, se não tivessem seguido duas grandes tradições dos poetas portugueses: o suicídio (Antero, Laranjeira e menores) e a tuberculose (Nobre, Duro, Cesário, etc.).
 
Tese: um tipo como Sá-Carneiro nunca deixaria de se suicidar. Uns, ameaçam muito e nunca fazem. Outros, ameaçam porque mais cedo ou mais tarde vão mesmo fazê-lo.
"Ah, o mal dele foi mimo", "ah e tal, o mal dele foi nunca ter trabalhado". Não é nada líquido. "Sagra sinistro a alguns o astro baço", cantou o amigo Pessoa a propósito de Gomes Leal, e muito melhor o cantaria a propósito deste saturnino «Esfinge-Gorda».

João Pinto Figueiredo ― A Morte de Mário de Sá-Carneiro

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 241, [3] págs. Br.
 
“Apesar do seu título, é da vida de Mário de Sá-Carneiro que nos fala o presente livro. Efectivamente, para o autor de Céu em Fogo a vida não passou de uma morte prolongada, de uma morte «vivida». (...) Na escassa bibliografia sobre o grande poeta, A Morte de Mário de Sá-Carneiro constituirá doravante uma referência obrigatória.”
Primeira edição desta interessante (apesar de talvez demasiado especulativa) biografia sobre o “Lord de Escócias de outra vida”, assinada por alguém que já então se notabilizara como biógrafo de Cesário; publicada na série «Estudos Portugueses» e enriquecida por curiosas ilustrações a meio do volume, sobre folhas couché.
 
Exemplar sem defeitos dignos de registo.
 
(14€)

Mário Sá Carneiro ― A Confissão de Lúcio (narrativa)

1945/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 158, [2] págs. Br.

Segunda edição, a primeira das muitas que a Ática viria a publicar - quer deste livro, quer, em geral, de Mário Sá-Carneiro, de quem se iniciavam aqui as «Obras Completas» -, com um prefácio de Luís de Montalvor, que, bastante palavroso, logo fazia notar o tardio da empresa e destacava depois o “apêlo ao domínio do inconsciente” e o “móbil de se furtar à realidade, à sua realidade humana, à sua vivência quotidiana” nesta novela, “das mais insistentemente originais da moderna literatura portuguesa”.

Exemplar nº46 da tiragem especial de 100 em papel vergé nacional.


35€  

Mário Sá Carneiro ― Poesias

Poesias de Mário de Sá-Carneiro (Com um estudo crítico de João Gaspar Simões)

1946/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 190, [6] págs. Br.

Segundo volume das Obras Completas de Mário de Sá-Carneiro, primeira edição conjunta de Dispersão e de Indícios de Oiro, a que se acoplou no final uma série de últimos poemas conhecidos («Caranguejola», «Manucure» e «Apoteose», entre outros cinco) e a nota biográfica que Fernando Pessoa publicara na Presença sobre o suicidado amigo.


Exemplar da série corrente.
 
20€

amadeo de souza cardoso

maio · 1959 / secretariado nacional da informação. (Composto e impresso (...) com arranjo gráfico, legendas e notas (biográficas, bibliográficas e outras) de Paulo Ferreira / fots. Mário Novais e Traphot). In-4º de [34] págs. + [14] ff. de estampa. Br.

Com um texto introdutório altamente elogioso de Jean Cassou (então conservador-chefe do Museu de Arte Moderna parisiense) e um outro, hoje muito conhecido porque entretanto várias vezes repescado, de Almada. Edição ainda hoje fundamental sobre o grande cometa do nosso modernismo, particularmente interessante pelas estampas em folhas destacadas de papel couché  e pela transcrição de duas dezenas de excertos de textos críticos sobre Amadeo – todos saídos em França, salvo os de Almada, Diogo de Macedo e Jeanne Modigliani –, que dão bem uma ideia do prestígio que o maior génio da nossa pintura adquiriu, apesar da carreira tão demasiado breve, em terras gaulesas.
 
Exemplar mediano, com marcas de desgaste na capa e algum engelhamento (por humidade) também ao largo do volume.
 
16€

Exposição Retrospectiva da Obra do Pintor Eduardo Viana

S. N. I.  Palácio Foz / Lisboa, Abril de 1968. (Execução gráfica da Neogravura, Lda. e Oficinas Gráficas do S. N. I.). In-8º quadrado de [182] págs. Br.

Preparada com a colaboração de Sebastião Rodrigues e Chambers Ramos, a edição, impressa em bom papel encorpado, integra um extenso texto introdutório do segundo e também um quadro de notas biográficas; a que se segue, ocupando a grande maioria do volume, a reprodução (principalmente a p/b) dos trabalhos expostos.

Exemplar quase perfeito, salvo ligeiras marcas na sobrecapa ilustrada. 
 
23€

Encontro Internacional do Centenário de Fernando Pessoa

Fundação Calouste Gulbenkian / Lisboa, 5-7 de Dezembro de 1988. (Pref. 1989; D.L. 1990). In-4º peq. de 401, [5] págs. Br.

Edição monumental, preparada por Isabel Tamen, passando a letra de forma o colóquio organizado por Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura, Arnaldo Saraiva, Eduardo Prado Coelho, Teresa Rita Lopes, Manuel Gusmão, Fernando B. Martinho e Silvina Rodrigues Lopes (faziam além disso parte da Comissão Executiva Henriqueta Madalena, irmã do poeta, Azeredo Perdigão, Sophia e António Ramos Rosa). O grosso do volume reproduz as comunicações apresentadas, distribuídas pelos temas principais «Linguística e Crítica Textual em Fernando Pessoa», «A Prosa de Ficção em Fernando Pessoa», «O Pensamento de Fernando Pessoa (Filosófico, Estético, Ético e Político», «Religião e Esoterismo de Fernando Pessoa» e o sub-dividido e maior «Fernando Pessoa e a Cultura Contemporânea»; da autoria de, só por exemplo, Cleonice Berardinelli, Ivo Castro, Óscar Lopes, Luciana Stegagno Picchio, Giuseppe Tavani, Teresa Rita Lopes, Carlos Felipe Moisés, Maria Alzira Seixo, Robert Bréchon, Nelly Novaes, Vergílio Ferreira, José Gil, Agustina, Alfredo Margarido, José Augusto Seabra, Onésimo Teotónio de Almeida, Ángel Crespo, José Carlos Seabra Pereira, António Quadros, Fernando Guimarães, Georg Rudolf Lind, José Sasportes, Michel Chandeigne, Dalila Pereira da Costa, Silvina Rodrigues Lopes, Fernando Martinho, E. M. de Melo e Castro, Almeida Faria, Eugénio Lisboa e Eduardo Lourenço. No final, há ainda um apêndice com a ampla recensão do que fôra saindo na imprensa.
   
 
Bom exemplar, só com superficiais defeitos exteriores.
 
25€

Silva Bélkior ― Carmina Pessoana

Carmina Pessoana: 35 poemas de Fernando Pessoa em latim (edição bilingue)

Lisboa – 1985. (Composto e impresso Tip. Macarlo). In-8º de 79, [1] págs. Br.

“A selecção dos poemas ora traduzidos, ou aproximadamente vertidos para o latim, atendeu ao gosto pessoal e à afinidade formal entre mãe e filha, aqui de mãos dadas. Haverá de notar que não heteronimizam...”. Num total de 35, estão entre eles «O Menino de sua Mãe», «Dá a surpresa de ser», «Autopsicografia», «Eros e Psique», «Sou um guardador de rebanhos», «Para ser grande, sê inteiro».

Edição do autor (um devoto pessoano brasileiro), impressa em bom papel.

Exemplar impoluto.

10€

Sub-Camões sobre Camões

Já ouvi doze vezes dar a hora
No relógio que diz que é meio-dia
A toda a gente que aqui perto mora.
(O comentário é do Camões agora:)
«Tanto que espera! Tanto que confia!»
Como o nosso Camões, qualquer podia
Ter dito aquilo, até outrora.
 
E ainda é uma grande coisa a ironia.
 
 
 
(Fernando Pessoa)

Fernando Pessoa ― Poesias Inéditas (1919-1930)

Edições Ática, Lisboa. (1956). In-8º de 202, [6] págs. Br.

Este segundo volume publicado integra um novo prefácio de Jorge Nemésio e uma folha couché ilustrada pelo famoso retrato de Pessoa na Brasileira do Chiado, por Almada. Primeira edição.

O exemplar pertenceu igualmente a Monteiro de Frias e tem igualmente o selo da figueirense Casa Havanesa.

15€

Fernando Pessoa ― Poesias Inéditas (1930-1935)

Edições Ática, Lisboa. (1955). In-8º de 199, [1] págs. Br.

Primeira edição desta recolha do espólio manuscrito e dactilografado do poeta, preparada por Jorge Nemésio (que assina a advertência preliminar) sob auxílio do pai Vitorino Nemésio (de quem é o prefácio). Algumas destas composições viriam entretanto a ser repescadas nas diversas monumentais pessoanas.

O exemplar tem a discreta assinatura do crítico e ensaísta José Monteiro de Frias, que o terá comprado na Casa Havanesa.

15€

Fernando Pessoa ― Mensagem

1950 / Ática, Limitada / Lisboa. In-8º de 103, [1] págs. Br.

Esta quarta edição – impressa sobre papel avergoado – do poema foi a segunda publicada pela Ática (a anterior era de 1945), que já neste mesmo 1950 as começaria a fazer sair em barda até hoje.
Alguns ligeiros vestígios de acidez na capa;  no miolo, raros e ínfimos.
 
15€ 

Fernando Pessoa ― A Nova Poesia Portuguesa

A Nova Poesia Portuguesa / por (...) / com um prefácio de Álvaro Ribeiro

Editorial «Inquérito» Limitada, Lisboa. (1944). In-8º de 92, [6] págs. Br.
 
O volume reúne os conhecidos artigos, dados a lume pelo poeta n’A Águia, sobre a então nova poesia portuguesa, a qual, de acordo com a sua tese, abriria alas ao «Super-Camões» que ele próprio se pretendia (há delírios para tudo); acrescentados no final da também badalada réplica a Adolfo Coelho que seria recenseada por Boavida Portugal no livro do seu Inquérito Literário. Quanto ao prefácio, nada delirante, de Álvaro Ribeiro («Fernando Pessoa, poeta e filósofo»: apesar do optimismo da segunda, explica bem por que não diz antes «poeta-filósofo»...), apontava várias linhas temporãs de análise que o tempo viria a confirmar. Edição saída na série «Cadernos Culturais».
 
Exemplar, na maior parte, ainda por estrear, conservando a maioria dos cadernos por abrir.
 
20€

Fernando Pessoa ― Poesia (introdução e selecção de Adolfo Casais Monteiro)

Editorial Confluência. (1945). In-8º de 218, [6] págs. Br.
 
Segunda edição, acrescentando alguns poemas entretanto recolhidos nas «Obras Completas» e ilustrada na capa por um desenho de Dacosta. O longo estudo introdutório de Casais Monteiro debruça-se, depois de situar Pessoa no panorama da poesia portuguesa (um dos quatro pontos constitutivos de um “sistema orográfico” que a representaria, com Camões, Antero e Pascoaes), sobre o problema dos heterónimos e a questão da personalidade literária; transcrevendo passagens de algumas cartas por ele recebidas do poeta. Reproduzidos numa folha destacada em papel couché são dois retratos do antologiado, o de Victoriano Braga e o de Ferreira Gomes.
Salvo erro, foi esta a primeira grande antologia pessoana, que nesta segunda série, aumentada, serve de base ainda hoje a reedições várias, em Portugal (Editorial Presença, por exemplo) e no Brasil.
 
25€

Adolfo Casais Monteiro ― Estudos sôbre a Poesia de Fernando Pessoa

Estudos sôbre a Poesia de Fernando Pessoa (capa de Fernando Gerardo)

1958 / Livraria Agir Editôra, Rio de Janeiro. In-8º de 258, [2] págs. Br.

“O grande mérito dêstes Estudos sôbre a poesia de Fernando Pessoa consiste em evitar a confusão dos problemas psicológicos com os da própria poesia. O método crítico de Adolfo Casais Monteiro, que se afasta igualmente do biografismo, da análise puramente formal e da explicação por meio das causas exteriores, permite-lhe abordar a obra de Fernando Pessoa sob os mais variados aspectos, sem perder de vista a sua unidade fundamental, deixando bem claro o elemento inapreensível e inexplicável que, em todo grande poeta, constitui o próprio âmago da sua criação”.
Primeira edição, rara por cá, de um conjunto de ensaios como «A Geração do Orpheu. Situação do Modernismo», «Verdade e Ficção: os Heterónimos de Fernando Pessoa», «O Insincero Verídico» e «Fernando Pessoa e a Crítica» (estes dois últimos conheciam já edição independente).
 
Exemplar mediano.
 
25€

Mário Cesariny ― Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos

(Edições Contraponto, Lisboa). [S/d]. In-4º de [8] págs. Br.
 
“Parece que houve Natal e Ano Novo e eu resolvo retribuir assim algumas das boas festas em que amigos e parentes tiveram a bondade de envolver-me: a impressão do presente fragmento do meu poema «Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos», para vender aos amigos, e aos parentes, por vinte e cinco tostões” é como começava a conhecida, por várias vezes recuperada, «Nota do Autor» que inicia o folheto (termina nesta versão reimpressa com uma recensão de António Ramos Rosa para o Ler). Preparado em parelha por Luís Pacheco e pelo próprio Cesariny, é hoje das peças mais valorizadas do poeta, em qualquer das duas tiragens que teve.
[Muito mais tarde, já em 1997, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes comporiam música para o começo deste texto, sobreposta à leitura dele pelo autor, no álbum, cujo título também lhe é devido, Entre Nós e as Palavras].

Bom exemplar.

80€

Georges Güntert ― Fernando Pessoa: O Eu Estranho

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1982. In-8º de 230, [2] págs. Br.
 
Fernando Pessoa: o Eu Estranho constituiu, em 1970, a tese de doutoramento [Das fremde Ich] do Prof. Georges Güntert, actualmente catedrático de literaturas românicas na Universidade de Zurique. A sua publicação em tradução portuguesa [Maria Fernanda Cidrais] coloca agora ao dispor dos estudiosos de Pessoa e do público em geral um trabalho que, como acentuou o Prof. Georg Rudolf Lind, abunda em análises subtis e originais”. Entre outros, foram consagrados capítulos individuais a Caeiro, a Álvaro de Campos, a Ricardo Reis e à Mensagem.
Edição patrocinada pelo Instituto Português do Livro.

Exemplar por estrear.
 
15€

David Mourão-Ferreira ― Nos Passos de Pessoa (Ensaios)

Editorial Presença. (1988). In-8º de 177, [3] págs. Br.

Primeira edição de um livro que agrega os textos «Pessoa antes de Orpheu e em Orpheu 1», «Sá de Miranda, a écloga e Fernando Pessoa», «Camões à luz de Pessoa», «Antero, Larbaud, Pessoa: a ode como forma de modernidade», «Ícaro e Dédalo: Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa», «Do auto-apagamento de Pessoa a certas tácticas de publicação», «Sobre as «Cartas de Amor» de Fernando Pessoa», «Algumas mulheres na poesia de Fernando Pessoa», «Uma dissertação modelar sobre Fernando Pessoa» e «Notas sobre Fernando Pessoa: O «Caso» de Alberto Caeiro»; antes publicados em revistas literárias e volumes colectivos ou lidos em conferências e outros contextos mais ou menos académicos. Capa ilustrada por uma pintura do escultor Francisco Simões representando o poeta.

Exemplar por estrear, apenas ligeiramente desdourado por uma pequena marca de sujidade no corte inferior das folhas (junto à margem exterior), que não chega a afectar nenhuma das páginas.
 
12€    

Fernando Pessoa e a Europa do Século XX

Fundação de Serralves. (1991). In-4º gr. de 308, [2] págs. Enc.

Edição monumental, organizada por Maria João Fernandes (à época, a directora de Serralves, ainda pré-museu de arte contemporânea) e Maria de Fátima Lambert, sob o patrocínio da Bial e a tutela do Comissariado Português para a Europália e do Instituto Português do Livro. As ilustrações são abundantes e variadas, e os textos, para o efeito e recolhidos de comunicações, da autoria de António Ramos Rosa, Maria da Glória Padrão, Arnaldo Saraiva, Eduardo Lourenço, Teresa Rita Lopes, Gilbert Durand, Lima de Freitas, Nunes dos Santos, José Augusto Seabra, José Saramago, Fernando de Azevedo, Maria João Fernandes e Miguel Yeco; no final do volume traduzidos para francês.

O volume foi encadernado pelo editor em tela e revestido de uma sobrecapa ilustrada de papel que o exemplar conserva, embora com alguns vincos na face inferior.
 
33€      

Remiscências sobre Fernando Pessoa

Reminiscências sobre Fernando Pessoa (Uma celebração da Ode Marítima de Álvaro de Campos – Gravuras de Bartolomeu dos Santos) / Coração de Ninguém (Teresa Rita Lopes)

1998. In-8º de 48 págs. Br.

Edição conjunta do Instituto de Arte Contemporânea e do IPLB, sob o patrocínio do Ministério da Cultura e do seu programa «Rotas», reproduzindo peças da exposição de fotogravuras sobre metal e água tinta de Bartolomeu dos Santos e da mostra iconográfica sobre Pessoa intitulada «Coração de Ninguém». A «Apresentação» destaca que “O interesse de Bartolomeu pela obra de Fernando Pessoa era quase inevitável, uma vez que os temas de ambos se cruzam tão obviamente”, tendo o artista composto “um trabalho sistemático sobre o poeta e o seu mundo próprio e heterónimo, ultrapassando claramente o âmbito de mera ilustração e afirmando-se antes como uma posição estética de pleno cruzamento criativo”; e o texto de Teresa Rita Lopes oferece apontamentos sobre a infância do poeta, a heteronímia e a relação com Ofélia Queirós.

Exemplar ainda novo, em condição impecável.
 
5€

Prémios literários: uma romaria sem grande mensagem...

O argumento mais usado e mais decisivo para arrasar a pertinência dos prémios literários do Estado Novo (embora pudéssemos arrasar a de todos...) é o de no primeiro ano da sua atribuição o Prémio Antero de Quental ter sido concedido ex-aequo a Fernando Pessoa e ao Padre Vasco Reis, mas com este a ficar de facto com o primeiro lugar. Durante toda a vida, parece que o próprio padre desdenharia da sua produção e juraria o absurdo da vitória da sua Romaria em detrimento da Mensagem pessoana, aliás ideologicamente também tão a contento do novo regime. Quanto ao patrono do concurso, só não deu voltas no túmulo porque não iria muito à bola com o nacionalismo fernandino. A paz do cemitério açoriano de São Joaquim, onde está sepultado o Santo Antero, agradece.
 
Foi esta a primeira edição da dita Romaria, que até teve direito a reedição. Não uma por ano, mas teve.
[Fotografia do exemplar da Casa Fernando Pessoa]

António Ferro ― Prémios Literários (1934-1947)

Edições SNI, Lisboa. 1950. In-8º de 217, [7] págs. Br.
 
Publicado na série «Política do Espírito», graficamente bem apurada e impressa em bom papel, o volume reproduz os 14 discursos - na prosa costumeira, redundante e soporífera q.b., de Ferro - pronunciados pelo autor, enquanto dirigente do S.P.N. (depois S.N.I.), nos anos em questão; incluindo, a terminar, o regulamento dos prémios literários e a lista dos premiados nas várias categorias ao longo desse período, e de início a transcrição do proémio de Salazar na primeira festa de distribuição de prémios (o ano em que foi distinguido - pela Mensagem - Fernando Pessoa, que, estranhamente, aparece na referida lista na parte superior da chaveta com os dois premiados ex-aequo, apesar de ter ficado em segundo, e não em primeiro lugar - atribuído a alguém que só por isso é hoje minimamente conhecido, o padre Vasco Reis, por Romaria).
 
Bom exemplar, não tendo senão ligeiríssimos vestígios de acidez.
 
15€

António Ferro ―Teatro e Cinema (1936-1949)

Edições SNI, Lisboa. 1950. In-8º de 140, [8] págs. Br.

Agrupa, sob a secção «Teatro», os textos «O sonho vosso de cada noite», «O Teatro do Povo no alto da Serra» e «Teatro Ligeiro, teatro sério»; e, em «Cinema», «Cinemas ambulantes, caravanas de imagens», «Grandeza e miséria do Cinema Português», «O Estado e o Cinema» e «O Cinema e o Teatro».

Bom exemplar, apenas fugazmente marcado por acidez nas folhas finais.

10€ (reservado)

José Régio ― A Salvação do Mundo

A Salvação do Mundo: peça em três actos de (...)

Lisboa, Teatro Municipal de São Luiz. 1971. In-8º gr. de XLVII, [V], 191, [1] págs. Br.

Edição especial publicada por ocasião da abertura do teatro lisboeta – inaugurado precisamente com a peça de Régio, encenada por Costa Ferreira e tendo como intérpretes, entre outros, Eunice Muñoz, João Lourenço, Vítor de Sousa, Maria de Jesus Aranda, Fernanda Figueiredo e Ernesto Gonçalves –, em colaboração com a Brasília Editora. Inclui textos introdutórios de Luís Francisco Rebelo, Costa Ferreira e Fernando Midões, além da reprodução de três textos de Régio sobre teatro e de uma selecção de textos críticos sobre a sua produção dramática (de Álvaro Ribeiro, Duarte Ivo Cruz, Eugénio Lisboa, Jorge de Sena, Luciana Stegagno Picchio, Luís Francisco Rebelo, Tomás Ribas, etc.). Inclui ainda cronologia das edições e representações das peças do escritor (com fotografias de várias) e a reprodução de dois desenhos dele.

Bom exemplar.
 
15€

Poesia 71 (Selecção de Fiama Hasse Pais Brandão e Egito Gonçalves)

Editorial Inova Limitada. (1972). In-8º de 252, [4] págs. Br.

Concebida graficamente por Armando Alves e integrando um desenho de outro «vinte», Ângelo de Sousa, a recolha contempla, entre muitos outros, Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Almada, Ramos Rosa, Carlos de Oliveira, Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade, Fernando Echevarria, a própria Fiama, Hélder Macedo, Hélia Correia, Herberto, Irene Lisboa, Ary dos Santos, Régio, Maria Teresa Horta, Cesariny, Nuno Guimarães, Pedro Tamen, Ruy Belo, Ruy Cinatti, Sophia e Nemésio.
 
Exemplar impoluto e conservando o folheto de promoção editorial.
 
24€

Novíssimo Teatro Português (coligido por Ilídio Ribeiro)

Lisboa. Edição dos Autores. [S/d - 1962?]. In-8º esguio de 130, [2] págs. Br.
 
Edição colectiva das peças de Artur Portela Filho («O General»), Augusto Sobral («O Borrão»), Fiama («O Museu»), José Sasportes («Funerais: Fantasia macabra em duas partes») e Maria Teresa Horta («O Delator») – todas, salvo erro, inéditas. Apresenta, a abrir, um «Apelo» de Bernardo Santareno e, a fechar, os depoimentos de Portela Filho e de José Sasportes.
A este livro têm sido dedicados ao longo do tempo diversos artigos e recensões, quer na perspectiva dos caminhos do teatro português, quer na da censura que o proibiu após a publicação.

Bom exemplar, sem defeitos significativos.
 
18€