catálogo on-line

Livraria / Editora / Alfarrabista } { Porto bibliographias@gmail.com

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Afonso Ribeiro ― Plano Inclinado (romance)

Depositária: Livraria Progredior (158, Rua de Passos Manuel, 162) - Pôrto. (1941). In-8º de 235, [1] págs. Br.

Foi o romance de estreia de Afonso Ribeiro, por ele publicado ainda em restrita edição de autor; até então, apenas dera a lume o livro de pequenas novelas e contos Ilusão na Morte, que será hoje o mais raro de toda a sua bibliografia (pelo menos, a saída cá).  

Exemplar em muito bom estado, sem qualquer falha a salientar, tendo só leve desgaste da capa.
 
20€

Afonso Ribeiro ― (Maria I) Escada de Serviço

Editorial Ibérica Porto. (1946). In-8º gr. de 479, [1] págs. Br.
 
Primeira edição do livro, mais do que simples "nova versão", tamanhas as alterações e a extensão (em dobro), de Plano Inclinado, o romance de estreia do autor – que apenas assim escrevia na sua nota introdutória "ao público e à crítica - pelo menos àquela parte da crítica que tem por hábito ler os livros sobre que se pronuncia". Como a de Povo, saído no ano seguinte, teve também a capa ilustrada por um então novíssimo Júlio Pomar em início de actividade. E muitos anos passaram até que a série, Maria, "Para todas as que na vida, à semelhança da personagem deste romance, trilham o caminho áspero e negro da servidão", conhecesse sequência, já durante a época moçambicana de Ribeiro.
Precisamente a propósito de Povo, que ontem apresentava no «Público» no que talvez tenha sido, até agora, o melhor dos textos introdutórios (fraquinhos quase sempre, aliás) da colecção «Livros Proibidos», Luís Andrade realçava o facto de a Censura ter permitido esta um ano antes e só interditar a segunda, ainda aumentada, que viria a sair nos anos 60; salientando esse aspecto que, por regra, se deixa passar em claro, camuflado pelas ideias  generalizadas (em grande parte, justíssimas) sobre a indigência intelectual dos censores: o de o Lápis Azul  ter amiúde funcionado com base num juízo  eminentemente político de oportunidade, a que a questão, chamemos-lhe, 'moral' não serviria senão de disfarce.  
 
Exemplar em bom estado, descontando alguns vestígios de acidez ao longo do volume e de traça no pé das folhas finais. Conserva todo o corte das folhas por aparar e foi valorizado por um autógrafo do próprio Afonso Ribeiro na folha de guarda.
 
28€ 

Ferdinand Alquié ― Philosophie du Surréalisme

Flammarion, Editeur / 26, rue Racine, Paris (VIe). (1955). In-8º de 234, [4] págs. Br.

Primeira edição do livro, partido nos capítulos «Le Projet Surréaliste», «La Révolte et la Révolution», «L’Attente et l’Interpretation des Signes» e «L’Imagination».

O exemplar pertenceu a um conhecido escritor português, nada surrealista, de quem tem manuscrita a assinatura sobre a folha de guarda.
 
25€

Vieira da Silva / Arpad Szenes

Vieira da Silva (1908-1992) / Arpad Szenes (1897-1985) // «Pinturas - Desenhos - Serigrafias»  

Galeria Alvarez, arte contemporânea. Porto. (2004). In-4º gr. de [48] págs. Enc.
 
Bom catálogo da exposição comemorativa do meio século da galeria, encadernado, impresso sobre papel couché, com tiragem limitada a 300 exemplares. O texto de apresentação («Evocação de Vieira da Silva e Arpad Szenes») é de Jaime Isidoro, que fôra o fundador da Alvarez, seguindo-se-lhe, em repescagem, um outro de Agustina Bessa-Luís, originalmente publicado em 1972.

Exemplar por estrear.
 
15€

Retratos de Vieira por Arpad Szenes

Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian. 1985. In-4º gr. de [30] págs. Br.

O pequeno catálogo inclui textos introdutórios de Sommer Ribeiro, Guy Weelen e Agustina Bessa Luís, uma tábua biográfica de Arpad e duas fotografias suas, uma delas com Maria Helena; a que se seguem a reprodução de alguns dos trabalhos seleccionados (da mão, que se diria mágica, do húngaro) e a ficha técnica de todos. Tiragem de 1500 exemplares, estando este por estrear, em óptima condição.
 
8€

Vasco Graça Moura (1942-2014)

Também a morte espera paciente
e já cresceu connosco e perde tempo,
mas só enquanto nós esbracejarmos.

A Poesia está na Rua (e no Cartaz)


Sob proposta de Sofia de Melo Breiner, que já para o 1.º de Maio de 74 escrevera o verso em composição dedicada aos militantes do P.S. (partido pelo qual integraria as listas à Assembleia Constituinte, vindo nela a ser deputada após essas primeiras eleições livres, a 25 de Abril de 1975), Maria Helena Vieira da Silva concebeu, pelo menos - quem isto assinala estava capaz de garantir já ter visto terceira versão -, dois cartazes ilustradores de «A Poesia está na Rua», saídos a público nesse primeiro aniversário e agora aproveitados para a exposição homónima que hoje, comemorando os exactos 40 anos da Revolução, vai a inaugurar na Galeria do Palácio de Cristal, no Porto. Dos dois, um, não menos genial, apresenta o típico traço que celebrou a pintora, a que certa escolástica artística chama abstracto. O outro, de belo efeito, que aqui se mostra, foi na sua figuração mais fácil e apropriado ao propósito que lhe deu azo, permanecendo por isso até aos nossos dias o propriamente icónico e em regra reproduzido. Dessa figuração terá um olhar atento, ou apenas insistente, muito a dizer.

Não sabendo se alguém o notou, nem se a pintora alguma vez o chegou a referir, parece indiscutível ser o primeiro rosto - fileira da frente, à esquerda - o de Pascoaes (que Maria Helena dizia apreciar): é, sem tirar nem pôr, o desenho de um dos seus, assumidamente toscos, auto-retratos. A custo se discutirá que à direita na segunda linha estejam os de Pessoa e Eça. E, em subida progressiva, quase se juraria ainda reparar nos de Régio, Cesariny, Aquilino e Ruben A. (primo da escritora), para não jurar que o (ainda mais) taciturno ao lado de Pascoaes seja o de Camilo, e que a mulher à porta do prédio fosse a própria Sophia, e a mais ao alto a própria Maria Helena - hipóteses, mesmo assim, nada de descurar. Escusado reforçar o ponto com alguns casos já de dúvida, entre gente nacional e estrangeira, sobretudo francesa (Proust e Char, por exemplo). O que temos como certo chega para perceber que o mote, A Poesia está na Rua, foi levado à letra e de maneira radical: não era só a poesia, era a palavra em sentido amplo. Dirão os neo-cépticos / neo-austeros / neo-liberais (paremos por aqui, para o novo parar de estragar o velho...) que a simples ideia disso não passa de literatura.

Tomás da Fonseca ― As Congregações e o Ensino

Lumen: Empresa Internacional Editora, 1924. In-8º de [8], 84, [4] págs. Br.
 
Primeira edição do célebre livro deste depois reincidente autor de Fátima, violento ataque de um ex-seminarista à Igreja e às congregações católicas (em particular, as de inspiração jesuítica, que pretendia extirpar de todo – considerando que a República ainda em relação a elas havia sido branda…), com dedicatória impressa a Teófilo Braga. Reproduz a longa exposição ao Senado e, a finalizar, inclui também a sátira «Deus contra Deus».
 
Exemplar por estrear, conservando os cadernos por abrir.
 
18€

Eça de Queirós ― A Cidade e as Serras

A Cidade e as Serras / quinta edição

Porto – 1917 / Livraria Chardron, de Lello & Irmão, editores / (Rua das Carmelitas, 144). In-8º de 385, [3] págs. Enc.

Vão escasseando os exemplares desta edição, sendo este um dos da série encadernada pelo editor em percalina com gravações a ouro (lombada e pasta frontal) e a seco desenhando ornamentos em relevo: a efígie do romancista à frente e o emblema da Lello atrás destacando-se. Série que, nesse modelo habitual, tem aqui uma apresentação preliminar de Eça, ilustrada por um retrato, que por regra não aparece.
 
15€

Páscoa e escritores «pascoais»

De modos mais ou menos voluntário e crente, devem nome à Páscoa (palavra derivada da hebraica Pessach, passagem: se do Mar Vermelho, êxodo, ou num sentido ainda ultra-metafísico, anterior, é ponto discutido) escritores em número assinalável. Desde logo, por cá, um tão heterodoxo e pouco devoto Teixeira de Pascoaes, que foi buscar pseudónimo à casa paterna onde passara e continuaria a passar a maior parte dos dias: o solar de Pascoaes, em São João de Gatão, Amarante. Mas a principal via é também nisto naturalmente a francesa, profusa em baptizados com o nome Pascal, próprio ou comum. Ainda há poucos dias se mencionava aqui Pascal Quignard, esse grande escritor contemporâneo desta nossa época de que bastante desdenha. Sendo Blaise Pascal - ou Pascal, assim sem mais - o senhor de fama dominante até agora, por entre matemáticas, filosofias e teologias.

[William Blake]
Há, de resto, todo um conjunto dos seus Pensamentos dedicado pelo  auvernês  à  angústia (a consagrada agonia  pode ser  ambígua, ninguém sabe) premonitória de Cristo, agregados sob a menção «O Mistério de Jesus». A páginas tantas, lê-se uma máxima feliz, que por isso foi ganhando entretanto o favor da glória: "Jesus estará na Agonia até ao fim do mundo. É preciso não dormir durante esse tempo" (citado de cor).
Fica  evidente a alusão a essa agonia antecipada no  Monte das Oliveiras, anti-Éden frequentado pelo Cristo em consecutivas noites anteriores (di-no-lo Lucas, 21) e na noite/madrugada de quinta para sexta-feira santa. Dos mais inquietantes episódios narrados ou sugeridos no Novo Testamento, cuja estranheza terá sobrenadado narradores e narração (excepção notável: a de João, único dos quatro então presente, referem-no os outros três, e que pura e simplesmente se abstém, chegado aqui, de continuar a narrar), afirmam Mateus, Marcos e Lucas que o Mestre, ao início da madrugada, pedira a Pedro, Tiago e João que velassem, atentos, e não adormecessem, enquanto se afastava "a distância de uma pedrada" para rezar, queixando-se por vez única no texto bíblico - salvo erro, já o apontava o autor - de tristeza, "uma tristeza de morte", ele que foi dela, mas viva, a personificação neste mundo. Estaria Jesus só, e os discípulos, aqui de todo irrelevantes (tal o capítulo seguinte demonstra), seriam «mera» projecção como tudo o resto, humana ilusão de companhia, vago consolo futuro do novo credo vitorioso? Estaria de facto acompanhado e o pedido, simbólico, aconselhava apenas vigília genérica contra o Mal, que há-de durar enquanto Tempo houver (interpretação de Pascal, comummente aceite; e também aqui viria à colação Quignard, que desenvolve algures a ideia de o Tempo ter começado com a consciência da predação: a projecção da morte na presa)? Escusado elaborar hipóteses. Fosse ele Filho do Homem ou de Deus ou ambas, parece ultrapassar o nosso entendimento, mais a mais tão diferido, e não muito ajudado por uma quanta, típica e talvez forçosa confusão evangélica, de resto pobre nas pistas que deixa (o dogma da revelação divina das escrituras será, até para os fiéis, posto que as leiam, difícil, muito difícil de acreditar). Invejável a fé, que não aspira a entender ou se despista.

José Cardoso Pires — O Delfim

O Delfim (romance)

Moraes editores. (1968). In-8º de 362, [8] págs. Enc.

Primeira edição do livro, título princeps da bibliografia do autor, dedicado a Salgado Zenha e logo começado a reeditar nesse mesmo ano; revestido de encadernação editorial em tela com sobrecapa ilustrada de papel, que o exemplar conserva (ainda que com algumas pequenas marcas).
 
35€ (reservado)

O Livro na Arte (VI)

Não é de crer, se não há indicação do pintor em contrário, que Velázquez pretendesse algo mais do que isto: a aparente* desproporção de formas entre homem e livro, cujo efeito grotesco nos parecerá hoje  (mais de um século de modernismo e de figuração «deformadora», tendo esta até por cá  exemplo conhecido, Paula Rego)  relativamente banal, mas que não seria, à época, nada despiciendo.
 
Um habitual leitor, porém, talvez prefira achar que sim e descortine logo a sugestão de pequenez do ser que lê face à leitura em que o ego parece adormecer. Ou, já agora, a ideia da própria leitura enquanto embalo, tão cara a um escritor como Quignard. Paradoxo: a leitura, linguagem, ecoa naquele que lê apelo semelhante ao da vaga música que de longe, de fora, chega ao feto intra-uterino, infante (infans: o que não tem fala, i.e. linguagem) em formação. É dizer, aquele que lê, linguagem, responde sobretudo, notando-o ou não, ao fundo indistinto em que ela se forma. (Também ela, assim tudo, fantasma). Paradoxo eventual: aquele que escreve é em simultâneo o que embala e o que é embalado.
 
* [Don Diego de Acedo, el primo, era um anão. E o volume que segura, um volumoso in-folio. O quadro, óleo de finais de 1630, integra o acervo do Prado] 

Rome: le Guide Complete

Rome: le Guide Complete pour la Visite de la Ville et de ses Environs / Notice Historique et Artistique par Eugenio Pucci / Traduit par Sylvaine Grünberg

Bonechi - Edizioni «Il Turismo» - Firenze. [S/d]. In-8º de 192 págs. Br.

Belo guia dado a lume na justamente conceituada colecção «Mercurio», de impressão integral sobre papel couché em useira profusão ilustradora: reproduzindo-se pelos vários itinerários propostos centenas de gravuras antigas e fotogravuras variadas que contemplam quase em exclusivo peças artísticas e monumentos e complexos arquitectónicos, seleccionados com critério. O volume, decerto um regalo para qualquer apreciador da Cidade Eterna, apresenta ainda dela, em grande folha desdobrável, uma «nuova pianta di roma con rete autofilotranviaria», mapa composto pela Geographica florentina que sobremaneira o valoriza; e estando o exemplar, aliás em boa condição, valorizado já de si pelo simples facto de o conservar.
Terá esta sido a edição destinada a França (e não apenas, é de crer, aos turistas franceses em Itália).

10€

A Literatura no Desemprego

é mais do que uma moda: quem apostar que o vencedor de qualquer chorudo prémio literário luso será apresentado como «desempregado» deve ter, no mínimo, 50% de probabilidades de acertar. Este sinal dos nossos tristonhos tempos mereceria talvez só um conformado encolher de ombros não fôra o irritante tom latente, entre a condescendência e o paternalismo, com que os patronos (palavra da mesma família de patrões) parecem louvar a coisa e lavar o que de consciência possa restar como veste de capital. No meio de todos os outros de um geral empobrecimento da população que se quer lento e insinuante (não anda a dormir, quem o promove), será este só mais um sinal, mas bem elucidativo do anunciado regresso ao tempo da caridade e da esmola cujo cheiro, não especialmente agradável, vai começando a pairar pelos ares.
(O que menos se entende é o aparente pouco incómodo com que muitos dos ditos vencedores se prestam ao papel. Ainda que haja nos concursos alguma cláusula que obrigue à indicação da profissão - informação de relevância literária quase tão funda quanto a de saber se a pessoa prefere peixe ou bife, praia ou campo, despir-se ou vestir-se -, não haverá decerto a proibição de dar resposta torta a quem no assunto insista.)
 
De Julien Gracq [1910-2007], escritor francês de fugaz ligação durante a juventude ao círculo surrealista, a que nunca se vinculou e de que nunca se desvinculou, ficou sobretudo famoso fora de França o breve ensaio A Literatura no Estômago, murro no estômago, precisamente, à instituição, ao sentido e à legitimidade dos prémios literários. (E às «carreiras» literárias, e aos cortejos, pompas e feiras de vaidades, longo etc.). Falava o do Loire, a páginas tantas, nos escritores recém-chegados com o "ar de sair de uma estufa", que "querem estar à altura do que deles se espera". "A «saída» dum novo escritor oferece-nos frequentemente o espectáculo penoso duma pileca esgalgada tentando lugubremente levantar a garupa no meio dum estralejar teatral de chicotes de circo - nada a fazer; uma volta à pista e basta, fareja o estábulo imediatamente e logo corre para a manjedoura". Palavras não muito mansas, mas talvez ainda mais actuais sessenta e tal anos depois.

Uma das várias perversões intrínsecas e inevitáveis dos prémios literários é o reforço dessa velha falácia: a de que a literatura, como tudo no mundo, se compra e se vende, e o escritor, se não quiser ser «maldito», será mais ou menos domável pelo «meio». Estando desempregado, torna-se evidentemente mais fácil domá-lo. Eis o ponto.

Armando Coelho & Agostinho Santos ― e os meus mitos

vila nova de gaia 1988. (Rocha/Artes Gráficas). In-8º gr. quadrado de [48] págs. Br.    

Edição do(s) autor(es), que não deverá sequer ter entrado no mercado, constante de apenas 500 exemplares; e de previsível valorização futura, maxime pelas ilustrações de Agostinho Santos que acompanham esta incursão literária, versos em modo humorado, do arqueólogo.

O exemplar tem aposta – no caso, não o valoriza especialmente, porque a deverão ter muitos outros – uma dedicatória de oferta manuscrita pelo próprio Armando Coelho.

15€

Feira do Livro de Arte


Com organização conjunta de bibliographias e da própria FBAUP, terá lugar na Faculdade de Belas-Artes do Porto uma feira do livro de arte entre os dias 1 e 4 de Abril, terça a sexta-feira. O horário é das 12 às 18h e a entrada aberta ao público em geral. Participarão também a livraria antiquária Candelabro e a livraria-editora Imprensa Nacional - Casa da Moeda. Diversidade, portanto, quanto baste.
 
Da selecção de bibliographias destacar-se-á um bom conjunto de álbuns em tiragens especiais e correntes, edições raras dos sécs. XIX e XX, alguns «clássicos» de  História da Arte e monografias artísticas  variadas. Durante o período da feira, todos os títulos constantes nesta página sob a rubrica Arte terão um desconto de 10 a 25% sobre o preço de catálogo, aplicável também a encomendas por correio. É aproveitar. 

Encomendas, reservas, pedidos de esclarecimento, sugestões e protestos de qualquer sorte para bibliographias@gmail.com    

Glórias da Medicina Portuguesa

Tip. da «União Gráfica» / Rua de Santa Marta, 48, Lisboa // Desenhos de João Carlos. (1949). In-8º gr. de 379, [5] págs. Br.

Boa edição de autor, a original, valorizada pelas ilustrações em medalhão no início de cada capítulo com os retratos dos homenageados da pena de João Carlos/Celestino Gomes (ele mesmo, além de artista e escritor, médico), que seriam, em parte, aproveitadas na colecção de médicos escritores promovida pelo Instituto Pasteur de Lisboa. O estudo, ainda hoje importante, consagra capítulos a «Gil de Valadares (Frei Gil de Santarém)», «Pedro Julião (O Papa João XXI)» (Pedro Hispano), «Valesco de Taranta», «Garcia da Orta», «João Rodrigues de Castelo-Branco (Amato Lusitano)», «Rodrigo de Castro», «Zacuto Lusitano», «João Curvo Semedo», «Ribeiro Sanches», «Manuel Constâncio», «Francisco Sobral», «Sousa Martins», «Câmara Pestana», «José António Serrano» e «Miguel Bombarda». No prefácio, dizia Evaristo Franco querer mostrar «Aos Médicos Portugueses» colegas de ofício “a grandeza moral e científica desses imortais servidores da humanidade”, todos exemplo da “ânsia de atenuar sofrimentos ao verme expulso do paraíso”, demonstrando assim “aos clínicos mais novos, quando os espinhos da profissão lhes lacerarem as carnes, como sofreram os maiores vultos da nossa arte na luta contra a dor e contra o poder infinito da morte”.

Exemplar bem conservado, tendo mesmo todos os cadernos por abrir até cerca de meio do volume (o inaugurante só lhe tomou o gosto a partir de Ribeiro Sanches). Sem qualquer defeito de tomo, salvo uma ligeiríssima marca de esboroamento à face da capa.
 
35€  

Anjos em Lisboa

(D.L. 2008 – Offset Mais Artes Gráficas, S. A.). In-8º gr. quadrado de [2], 247, [3] págs. Enc.

Álbum publicado em edição fora do mercado, encadernado com sobrecapa em papel de ilustração comum. Consta de «Prefácio», «Breve Introdução Histórica», «Anjos na Escultura», «Anjos na Azulejaria», «Anjos no Bronze» e «Bibliografia», apresentando estas últimas quatro secções, as principais, uma resenha de cada um dos lugares e monumentos (no que será o maior interesse do trabalho de Maria João Marta) a que foram escolhidas as peças.
 
25€

Le nouveau Cinéaste Amateur

Le nouveau Cinéaste Amateur (Technique * Pratique * Esthétique) / avec la collaboration de Suzanne Monier / 420 illustrations, tableaux et schémas)

Publications Photo-Cinéma PM  Paul Montel, Paris. (1956). In-8º de 330, [22] págs. Enc.

Hoje forçosamente desactualizado em vários pontos, guarda ainda assim este trabalho indiscutível interesse, por exemplo, enquanto repositório técnico e espécie de manual ilustrado de bons conselhos genéricos (quanto ao tratamento da cor e da luz, ao enquadramento, ao som, à montagem, à projecção, etc.) para uso prático; além da mais óbvia valia que nele verão coleccionadores (modelos antigos de câmaras aparecem reproduzidos, e descritos, às largas dezenas). São algumas das grandes secções de capítulos «Lorsque vous filmez en extérieur», «Pour obtenir de meilleures images», «La couleur et sa magie», «Comment composer des scènes attrayantes», «La caméra et ses particularités mécaniques», «Fantaisies & truquages», «La documentation par le cinéma», etc.
O volume foi bem encadernado pelo editor em tela com reforço.

15€    
 

Fernando Namora ― O Trigo e o Joio

Guimarães Editores, Lisboa. (1954). In-8º de 295, [5] págs. Br.

Primeira edição do romance, ilustrada ao longo do volume por alguns desenhos de Charrua e, na capa, por um outro de Cambraia.
 
Exemplar com ligeiro desgaste exterior.
 
30€

Scriptorium (VI)

Eleanor (como é belo este nome)  Fortescue-Brickdale foi artista da impropriamente chamada terceira geração pré-rafaelita, de que deverá ter parecido um dos casos de mais profusa actividade, sobretudo repartida entre pintura e ilustração. A imagem aqui reproduzida, figurando Heloísa e Abelardo, é  das que ilustram o seu Golden Book of Famous Woman, publicado pela Hodder and Stoughton em 1919 e até hoje várias vezes reeditado.

Florinhas de Santo António de Lisboa


Florinhas de Santo António (Tradução do «Liber Miracolorum»)

Edição do «Boletim Mensal» / Braga — 1947. In-8º peq. de 187, [1] págs. Enc.

Explicava na nota preliminar o padre Félix Lopes ter preparado esta tradução – houvera, pelos vistos, uma outra dez anos antes, da mão do  igualmente oficiante  Aloísio Gonçalves – do livro de Luigi Guidaldi por ocasião das comemorações do oitavo centenário da conquista de Lisboa, que em 1947, preciso, se cumpria.

Exemplar revestido de boa encadernação inteira em pele com gravações a ouro debruando as pastas a toda a cercadura e marcando, no título e nos ornamentos, também a lombada; e que tem ainda um marcador cosido em cetim azul. Conserva a capa primitiva, composta por Raquel Roque Gameiro, e a margem das folhas por aparar, salvo à cabeça (carminada). Único defeito: pequena dedicatória de oferta na folha preliminar de guarda (pela primeira comunhão, em 1953, dessa anterior proprietária).
 
15€



Diccionario de Psicologia

Diccionario de Psicologia (Howard C. Warren, Editor)

Fondo de Cultura Economica, México – Buenos Aires. (1960). In-4º de XVI, 383, [3] págs. Enc.

Trabalho monumental ainda agora de referência, publicado de origem nos E.U.A. (todos norte-americanos os especialistas académicos, mais de uma centena, que nele colaboraram) em 1934 e nesta versão em castelhano enriquecido pelas bio-bibliografias (sobretudo, de psicólogos célebres, mas não só) que lhe foram para o efeito acrescentadas. Volume encadernado pelo editor em tela gravada com dourados e revestida de sobrecapa em papel, que o exemplar – ainda em boa condição global – conserva.
 
 
25€

Campos Júnior ― A Senhora Infanta (var.I)

A Senhora Infanta (romance historico) / 2.ª Edição

João Romano Torres & C.ª – Editores. (1922). In-8º de 601, [3] págs. Enc.

Edição adornada por frontões e letras capitais no início de cada uma das duas secções que compõem o volume, além de algumas das típicas aguarelas de Alfredo Morais (cujo contributo era habitual nos livros do autor) a página inteira. O tema do romance  são aqui, de modo  bastante  ficcionado, os pretensos amores de Bernardim Ribeiro pela Infanta D.Maria.
 
Exemplar revestido de uma das boas e sempre  características encadernações do encadernador lisboeta Paulino, logo à época; conservando a frente da capa de brochura, ilustrada também por uma aguarela de Morais.
 
18€

Campos Júnior ― A Senhora Infanta (var.II)

A Senhora Infanta (romance historico) / 2.ª Edição

João Romano Torres & C.ª – Editores. (1922). In-8º de 601, [3] págs. Enc.

Exemplar da série bem encadernada pelo próprio editor em percalina relevada com gravações a ouro sobre lombada e pasta superior e a seco (emblema da editora) sobre a inferior, que tem duas ou três ligeiríssimas marcas, no que se poderia dizer o único «defeito» de uma peça ainda bem conservada por todo.

18€

Pascoaes, cem anos de Verbo Escuro

A 15 de Março de 1914 - corre hoje um século preciso - ultimava Teixeira de Pascoaes  nos  prelos da Renascença Portuguesa a primeira edição de Verbo Escuro. 

O livro, consagrando "a seriedade escura da palavra", o verbo das "palavras indecisas, nevoentas do sonho que as gerou",  ensaia logo de início  uma peregrina programática, invectivando os gerais poetas a fazerem o que fez e faria  este toda a vida, cantar os fantasmas ("Cantae o que não existe... O resto é cinza."). E peregrino, mas nada devoto, é ele todo, facilitando no grau máximo o simpático apodo de «poeta tolinho» que, por exemplo, uma certa ortodoxia católica sempre lhe dedicou. Não admira: "Crear: eis o mal da creatura, o erro fatal que a diminue. Ela definha na sua obra. / O Universo é a obra, a pessoa de Deus e o unico argumento contra a sua existencia"; ""Amae a Deus sobre todas as cousas. Decerto. É proprio do creador amar a creatura"; "O homem não é o peccador: é o Peccado"; "A Arte eleva-nos ao Homem, mas afasta-nos dos homens. Na Natureza ha o ritmo e não a rima. É uma obra em versiculos, como a Biblia"; e dizer de Deus ser a "alegria creadora, infernal", à que sucedeu a "tristeza que redime" de Cristo; e empreender solitárias excursões nocturnas a cemitérios como mote de dissertação; etc.
(Quem diz o clero, diz a burguesia. Também não pasmando. "Em sociedade só depois de morto e com os mortos", evitando na idade maior, já por isso retirado no Marão, "o crepusculo, a esposa e a livre critica", entre o anjo da infância e o cidadão, "especie de fossil animado". Entre uma e outra  banda da ponte de São Gonçalo, Pobre Tolo. Entre  as  faces  ilusórias  do  tempo, "O futuro é o passado que amanhece". Entre a vida e a morte, mas sempre olhando para esta, do modo desta: "Para os olhos da caveira tudo o que existe - é osso.". O Verbo Escuro, a própria saudade em negativo)  

Novo Almanach Luso-Brazileiro 1893

Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o Anno de 1893 / Ornado de gravuras, enriquecido com muitas materias de utilidade publica, e com o retrato e elogio critico-biografico do distincto escriptor e poeta Francisco Gomes d’Amorim por Antonio Xavier Rodrigues Cordeiro, bacharel formado em direito / 43.º anno da collecção

Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira – 1892. In-12º de 496 págs. Enc.

Ocupa as duas dezenas e meia iniciais de páginas o panegírico do discípulo e biógrafo de Garrett, seguindo-se a habitual miscelânea da praxe: relação de publicações recebidas, tabelas de itinerários e tarifas, descrição de serviços de correio, apontamentos geográficos, notas (pseudo, por regra) científicas, colaborações literárias e, em maioria, as anedotas e curiosidades típicas.

Exemplar  valorizado  por uma muito boa encadernação mais recente, com a lombada em pele gravada a ouro e ainda revestida de rótulos em percalina sobre casas fechadas; conservando a face superior da capa original.

20€