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Se o suicídio de Camilo, de que há pouco se tratava, foi o grande trauma activo, o homicídio de Inês de Castro foi o passivo, com consequências literárias propriamente ditas, e como nenhumas outras nas nossas letras. Nenhum outro motivo terá dado ensejo a tanta folha de papel impresso por bandas lusas. Garcia de Resende, Camões, António Ferreira e Francisco Manuel de Melo, já se sabe, entre muita mais gente quinhentista e seiscentista. Bocage, depois. Os principais românticos, estranhamente, passaram-lhe bastante ao lado, o que é tanto mais estranho quanto Garrett (chegou a esboçar um drama, depois de assegurar que "Inês de Castro, o mais belo e poético episódio do riquíssimo romance da história portuguesa, está por tratar ainda") e Camilo teriam feito do tema o que entendessem; também a Geração de 70, já sem estranheza nenhuma. Mas, de aí em diante, a coisa é quase omnipresente, sobretudo falando de indivíduos com alguma ligação, natural, afectiva ou académica, a Coimbra: Eugénio de Castro, António Patrício, Antero de Figueiredo, Lopes Vieira, Rocha Martins, etc. Até nos contemporâneos: Natália, Fiama e Agustina, pelas senhoras, e pelos senhores nem vale a pena começar uma lista que teria início alfabético e apropriado em Alegre, Manuel. Saliente-se só o original tratamento dado por Herberto (que poderia porém ter feito ainda muito melhor) no texto incluso n'Os Passos em Volta.
Desde já se pede desculpa aos nomes úteis, quase todos, pela mistura com inúteis porém famosos, flagrantemente dois.
 
Pouco menos (em certa época, mais) que as lusas, as castelhanas, depois espanholas: aqui ao lado así mismo se fartou de perorar, sobretudo em teatro, como por cá, acerca do drama desta galega criada em Castela com a castelhana Constança. O próprio Quevedo pegou no assunto, e ainda hoje se lhe pega.
Pasmai: até na China e no Japão continua a levar-se à boca de cena versões à moda do extremo oriente.
 
E tal as letras, as artes. De modo mais obsessivo, como costumam. Talvez falhe a memória, que se recorda de dois casos evidentes: o recente defunto Espiga Pinto, com milhentas variações à volta de Inês-loura-cósmica, e Lima de Freitas, com outras numerosas do Rei-Saudade e da Rainha-Morta, um fantasma vivo enlouquecendo do esqueleto do não-fantasma morto.
 
Tudo isto pode parecer um tanto doentio, mas entende-se lindamente. Quem entre desprevenido nesta história nunca mais dela sai.

Eugénio de Castro — Constança

Constança (poema)

Coimbra, na Livraria França Amado. M DCCCC. In-8º peq. de 80, [2] págs. Enc.

Primeira edição, impressa em bom papel de linho; uma das mais valorizadas peças inesianas.

O exemplar foi sobriamente encadernado, apenas com singelas gravações a ouro pontuando a lombada, preservando-se a capa primitiva. Em condição quase impecável, ostenta no rosto uma discreta assinatura de Artur de Almeida Ribeiro, a quem terá pertencido.

40€

Eugénio de Castro — Constança

Constança ∙ Depois da Ceifa ∙ A Sombra do Quadrante

Lumen. (1929). In-8º de 184, [8] págs. Enc.


Edição publicada na série das «Obras Poéticas de Eugénio de Castro» levada a cabo pela editora coimbrã; a segunda, salvo erro, de Constança. Transcreve, à laia de prefácio, o texto crítico que ao poeta dedicara Miguel de Unamuno (saído em La Nación e depois compilado no volume Por Tierras de Portugal y España).

Exemplar revestido de uma boa encadernação com cantos e lombada em pele gravada a ouro e as pastas em marmoreado de tons verdes, preservando ambas as faces da capa primitiva.


20€

Eugénio de Castro — Constança

 Constança / com um desenho de Giovannino de’ Grassi

(Janeiro / 1981, executado na Inova / Artes Gráficas – Porto). In-4º de 38, [2] págs. Br.

Volume publicado no figurino habitual desta série «o oiro do dia», com a capa em cartolina dobrada com rebordo lateral e a «plaquette» em folha solta de papel couché. Tiragem limitada de 250 exemplares, tendo a este – em muito bom estado global, mas ligeiramente esfolado sobre a base da capa inferior – cabido o n.º133.

15€

Excursões no Centro de Portugal

Excursões no Centro de Portugal / por / Dr. Vergílio Correia, Dr. A. de Amorim Girão, Dr. Torquato de Souza Soares, Professores da Faculdade de Letras

Publicação subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura. Coímbra / 1939. (Composição e impressão: Companhia Editora do Minho, Barcelos). In-8º de 160, [2] págs. + [1] desd. Br. 

Vão já rareando os exemplares desta interessantíssima publicação da Faculdade de Letras da UC, preparada como espécie de roteiro para os seus cursos de férias, impressa em papel couché com abundantes gravuras das oficinas de Marques Abreu a partir de fotografias do acervo do próprio e das casas também portuenses Alvão e Beleza. Os textos são sobretudo de Vergílio Correia (notas de arte, história da arte e arqueologia, na maior parte) e de Amorim Girão (notas geográficas), aparecendo mais esporádica a contribuição de Torquato de Sousa Soares, que quase só alinhou breves capítulos de apontamentos históricos. No final do volume, apresenta-se em folha desdobrável um mapa com o «itinerário das excursões», que este exemplar – em muito bom estado no miolo, porém já relativamente frágil em relação ao encaixe – conserva.

25€ 

Coimbra e António Nobre: Homenagem ao Poeta

Coimbra: Edição da Biblioteca Municipal. 1940. In-4º de 93, [5] págs. Br.

Álbum publicado por ocasião e para registo da homenagem que em 1939 fôra dedicada a Nobre, sob a iniciativa do escritor Alberto de Oliveira, seu condiscípulo e amigo principal (à época, influente diplomata, de fácil movimento por entre os círculos do poder político do Estado Novo). Impresso em bom papel nas Oficinas Gráficas da Coimbra Editora, com várias folhas à parte, de papel couché, reproduzindo por exemplo um retrato do poeta em traje académico, a sua «Torre de Anto» (num desenho de António Vitorino que ilustra também a capa), o busto no Penedo da Saudade e fotografias das cerimónias em questão, integra os textos – em verso e prosa – que nela foram lidos, escritos na maioria por contemporâneos na cidade, alguns deles então presentes na homenagem: Eugénio de Castro (apesar das primitivas desavenças, mas deixando em entrevista, ainda assim, pequenas «bicadas»), Afonso Lopes Vieira, Alberto Osório de Castro, António Correia de Oliveira, Pedro Homem de Melo e o próprio Alberto de Oliveira; os que saíram, antes e depois, na imprensa, da pena de Augusto de Castro, Júlio Dantas, João de Castro, Agostinho de Campos, Antero de Figueiredo, Júlio Brandão, Sousa Costa (quase todos igualmente conviventes com o poeta durante a estadia coimbrã); fornecendo o conjunto muitos apontamentos de interesse para a biografia do autor do .

Exemplar ainda em bom estado, só prejudicado por vestígios de acidez – mais pronunciados na capa, que apresenta também um pequeno rasgão – e picos ínfimos nas folhas finais. 

25€

Pedro Dias — Coimbra: Arte e História (os monumentos)

Paisagem Editora. Porto. 1983. In-8º gr. de 216, [4] págs. Br. 

Ampla monografia sobre a capital do Mondego, muito ilustrada ao longo do volume pela reprodução de gravuras, litografias e plantas antigas (sécs. XVIII e XIX) e de numerosas fotografias recentes dos monumentos e lugares tratados. Ao texto preliminar sobre «A evolução do espaço urbano» desde a Antiguidade até ao séc.XX sucede o longo «Roteiro de Coimbra», com passagens por todos os principais pontos da cidade (cuja história é sempre contada): Universidade, Sé Nova e Sé Velha, Museu Machado de Castro, Torre do Anto, Almedina, Praça Velha, Santa Cruz, Pátio da Inquisição, Jardim Botânico, Penedo da Saudade, Santa Teresa, Celas, Santa Clara, Portugal dos Pequenitos, etc.
 
Exemplar impoluto.
 
25€

Tomás de Noronha — De Capa e Batina

De Capa e Batina / O Pad-Zé, ditos e partidas do grande boémio / Historietas e tipos daquêles tempos de Coimbra. As mais eminentes figuras da monarquia e da república surpreendidas sob a capa de estudante
 
Lisboa: J. Rodrigues & C.ª (186, Rua do Ouro, 188), 1928. In-8º de 278, [2] págs. Enc.
 
Já dele gracioso q.b., o interesse principal do livro será decerto o vasto repositório de engraçadíssimas situações envolvendo o célebre Pad-Zé, figuraço de estúrdia e de irreverência. Alguns dos capítulos: «No Teatro Circo», «A Princêsa Ratazzi em Coimbra», «A ida ao Porto por ocasião do centenário de Almeida Garrett» (uma delícia), «A polícia de Coimbra e o Pad-Zé», «O Cisne do Mondêgo».
Exemplar encadernado à época com cantos e lombada em percalina e as pastas forradas a papel fantasia. Apresentando ligeiros defeitos superficiais, pertenceu ao tenente Pina Cabral, um dos oficiais do Corpo Expedicionário Português na Flandres, que lhe apôs a assinatura na folha de guarda preliminar.
 
15€

António Macedo — Da Academia do Meu Tempo

Da Academia do Meu Tempo aos Estudantes de Amanhã (Conferência lida em 16 de Maio de 1945, no Salão da Faculdade de Letras, a convite da Associação Académica de Coimbra)

1945 (depositária: Livraria Internacional, Pôrto). In-8º de 64 págs. Br.

Editado pelo próprio autor, foi este o segundo título que fez sair; tendo valorizado o exemplar com uma afectuosa dedicatória de oferta manuscrita a Pina Cabral. Consagrado a Mário Cal Brandão e Eduardo Ralha (ambos portuenses, ambos opositores do Estado Novo), por um lado, e a Salgado Zenha (também opositor, que dispensará apresentações), por outro, teve deste último um extensíssimo posfácio.

10€

António Vasconcelos — O sêlo medieval da Universidade portuguesa

Coimbra: Oficinas da Coimbra Editora, Limitada. M·DCCCC·XXXVIII. In-4º de 121, [3], XXXIV, [VIII] págs. Br.

Boa edição, valorizada em especial pela longa série de gravuras da responsabilidade de Marques Abreu, que as fez imprimir, no fim do volume, sobre folhas resguardadas por papel vegetal. O estudo do autor, além de naturalmente fértil em notas relativas a esfragística (inclusive, comparada, dando nota de usos e tipos de academias estrangeiras pelo tempo adiante), exibe ainda apontamentos de vária sorte acerca da história da Universidade de Coimbra.

Exemplar da série de 450 impressos em papel vergé – outra houve, mais restrita, de 50 em papel de linho. Bem conservado no miolo, mas prejudicado pelas manchas da capa.

25€

Teixeira de Carvalho — Cerâmica Coimbrã

A Cerâmica Coimbrã no século XVI / pelo Dr. J. M. Teixeira de Carvalho (Vogal do Conselho de Arte Nacional, Professor de Estética e História da Arte na Universidade de Coimbra)

Coimbra – Imprensa da Universidade, MCMXXI. In-8º de 247, [5] págs. + [15] ff. de estampa. Enc.


Primeira edição, já bastante invulgar; graficamente cuidada, ornada por elegantes vinhetas de frontão e letras capitais nas páginas capitulares, e enriquecida ainda pela série de gravuras distribuídas por folhas destacadas saídas dos ateliers de Marques Abreu, no Porto.

Aparado à cabeça, o exemplar foi revestido de uma sumptuosa encadernação completa em pele mosqueada, com gravações a ouro aplicadas sobre a lombada e a cercadura inteira sobre ambas as pastas; tendo o encadernador mantido a frente da capa original.  

38€

Portugal, país de suicidas

Foi o grande episódio de choque - quanto a personagens activas, e não a motes, bem entendido - da história da literatura portuguesa. A 1 de Junho de 1890, Camilo Castelo Branco encostava um revólver à própria cabeça e desfechava-lhe um tiro. Antero de Quental faria pouco depois o mesmo, num suicídio até mais «significativo» pelo que representava de posição pessoal, pessimista, não se esgotando, como o de Camilo, na doença (ainda que esta deva também ter sido determinante). Mas o do Torturado de Seide é o grande abalo, o grande tremor de terra, que só minimamente poderá compreender quem haja a vaga ideia da importância da pessoa de Camilo Castelo Branco na sociedade portuguesa - portuense, sobretudo - da época. Já com duas décadas de retiro minhoto (embora continuasse a vir ao Porto, por regra, todas as semanas), nem assim o homem perdera o carisma e o peso de figurão que lhe asseguraram, até hoje, o dificilmente discutível estatuto de mais importante cidadão da Invicta - nascido por engano em Lisboa, "como se Maomé nascesse na Gronelândia", segundo a certeira comparação invertida de Pascoaes. Conheceu a glória ainda em vida, e foi ainda em vida seguramente o mais lido (em Portugal) escritor português de todos os tempos. Espantava-se, por isso, Fialho, vindo de Lisboa de propósito para o funeral, ao dar com um cortejo fúnebre quase às moscas. Não conhecia uma das mais inveteradas características portuenses: o ressentimento. De fachada granítica, como o casario. Camilo, por várias e complexas razões que não vamos agora aqui tratar, teve sempre com o Porto (a cidade que o pôs a ferros, recorde-se) uma encarniçada relação de amor-ódio, típica de certas paixões fatais. E fartou-se de lhe vergastar, com a temível pena, a população, mesmo se logo a seguir, noutro romance ou noutra novela, a louvava e levava aos píncaros. É um portuense que escreve isto, e qualquer outro portuense o perceberá: o povo que o castigou com a ausência e o deixou ir a enterrar sozinho, enquanto repetia pelas ruas "Morreu? Já não era sem tempo", foi o mesmo que se há-de ter fechado em casa a chorá-lo noites a fio.

O que acontecera nesse primeiro de Junho para levar a São Miguel de Seide o draconiano demónio do suicídio foi, conforme se saberá, a aguardada visita de Edmundo Machado, médico aveirense então reputadíssimo e tido por milagreiro na oftalmologia. Perguntando-lhe o romancista pelo diagnóstico, respondeu o clínico que repousasse e fosse tomar uns ares ao Gerês, por exemplo. Camilo, que de parvo não tinha nada, tendo por outro lado os seus rudimentos de medicina, não precisou ouvir mais. Quando Ana Augusta encaminhava o visitante para a saída, ouviu um tiro, dado nesta fotografada sala.

Foi como segue, actualizada na ortografia, a célebre carta de Camilo convocando Edmundo Machado: "Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa neste país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no «Comércio do Porto» o nome de V.Ex.ª. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança. Poderá V.Ex.ª salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procurá-lo. Não posso. Mas poderá V.Ex.ª dizer-me o que devo esperar desta irrupção sanguínea nuns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue? Digne-se V.Ex.ª perdoar à infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece."

O maior novelista português morreu há 125 anos e ninguém parece ter dado conta. Só a APE, embora discreta e também atrasada. E assinalando, de passagem, no seu comunicado que ele escreveu bastantinho, "ultrapassando, largamente, uma centena de títulos". Oh, senhores, ponham "largamente" nisso. Assim de repente, as centenas foram mais de três...
(Todas à luz da mera flâmula escarlate. Isto explica alguma coisa.)

Feira do Livro de Coimbra

Começa amanhã a «Feira Cultural de Coimbra», com pavilhão de bibliographias - cuja montra apresentará uma selecção de espécimes da bibliografia coimbrã, devidamente recenseada num boletim distribuído durante o certame. Até domingo, 7 de Junho.

Lisbon (Photos and Text: Manfred Hamm • Werner Radasewski)

Nicolaische Verlagsbuchhandlung Berlin. (1989). In-8º gr. quadrado de 136, [4] págs. Enc.

Segunda edição, revista, publicada em língua inglesa a partir da versão original, em língua alemã, dada a lume no ano anterior. Como habitualmente nesta série de monografias da editora berlinense, integra textos explicativos – aqui, demasiado superficiais, genéricos e assentes em lugares-comuns por vezes disparatados, mas cumprindo a função principal de divulgação – de Radasewsky em cada capítulo e, desta vez, as belíssimas e originais fotografias de Manfred Hamm, compreendendo a paisagem, monumentos, interiores e todo o género de elementos decorativos típicos. Do índice («Lisbon and its Surroundings»): «Viewpoints», «In the East and North», «In the West and South», «Outwards to the Atlantic (The Lisboan Coast and Nothern Surroundings)», «Outwards to the Península da Arrábida (Lisbon’s Southern Surroundings)».

Encadernação do editor, com sobrecapa ilustrada.

15€

Júlio Dantas — Lisboa dos Nossos Avós

Lisboa – 1966. (Composto e impresso nas oficinas da Gráfica Santelmo). In-4º de 280, [4] págs. Br.

Dada a lume na série «Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa», a edição inclui, de início, um retrato do autor (por Eloi) e a sua bibliografia. Alguns dos capítulos: «Tipos das ruas de Lisboa», «As velhas procissões», «Os cafés lisboetas», «As feiras», «Figuras pombalinas», A vida lisboeta no segundo quartel do século XIX», «Escândalos de bastidores do século XVIII», «Modas», «As meninas».
 
25€

Norberto de Araújo — Legendas de Lisboa

SPN. 1943. In-4º de 215, [7] págs. Br.

Primeira edição de um dos principais «clássicos» olisiponenses, impressa em grande formato, com desenhos de Martins Barata a ilustrar as amplas letras capitais. Capítulos divididos em duas partes: I – Trono de Santo António; II – Alma Cândida das Ruas.
Exemplar um tanto prejudicado na capa, com ligeiras manchas, pequenos rasgões e até, na lombada, algumas falhas de papel; tendo o miolo, pelo contrário, em muito bom estado, apenas com algum desgaste das folhas de guarda e conservando-se as outras, de um modo geral, bastante limpas.
 
25€

Lisboa e os seus encantos

Lisboa e os seus encantos / texto de: Vasconcelos e Sá; Fernanda de Castro; Matos Sequeira; Luiz Teixeira; Leitão de Barros; Durval Pires de Lima; Azinhal Abelho; Julieta Ferrão; Natércia Freire; Eduardo Freitas da Costa, e Ester Lemos / hors-texte de: Bernardo Marques; Carlos Botelho; Carlos Rafael; Costa Pinheiro; D. Tomaz de Mello (Tom); Leonilde Dias; Manuel Lapa; Manuel Rodrigues; Maria Keil, e Sebastião Rodrigues / Vinhetas de: Costa Pinheiro. / Na capa, pintura de Carlos Botelho

Orientação Gráfica de José Espinho / Composto e Impresso nas Oficinas Gráficas da C. M. L. (1959). In-8º de 124, [2] págs. Br.

Edição de bastante apuro, impressa sobre bom papel e valorizada pelas ilustrações por gravura, dos trabalhos artísticos originais dos pintores mencionados e de fotografias variadas com panoramas da cidade e dos arredores, que seguem, em proporção praticamente semelhante, os textos: «O carácter de Lisboa», «Jardins de Lisboa», «A velha cidade», «Lisboa moderna», «Festas populares de Lisboa», «Monumentos de Lisboa», «Ronda nocturna de Lisboa», «Os museus de Lisboa», «Lisboa, mirante do Tejo», «As realizações da Lisboa moderna» e «Moldura de Lisboa», cujos autores são, pela ordem apresentada, os referidos no complemento de título. A concluir o volume aparece um «Guia prático de Lisboa» com indicações úteis, ainda que hoje, em parte, forçosamente passadas pelo tempo.

25€

Augusto Vieira da Silva — As Freguesias de Lisboa (estudo historico)

Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa – 1943. In-4º gr. de 93, [3] págs. Br.

Primeira edição, impressa em grande formato. O longo estudo do autor divide-se nas duas partes principais «A Evolução Paroquial de Lisboa» (mais genérica, oferecendo de resto apontamentos significativos para a história do culto católico em Portugal) e «Notícias Históricas das Freguesias» (resenha das principais ocorrências em cada uma das 54 freguesias desde a data da fundação, normalmente a da igreja matriz respectiva); e tem, no final, como motivo maior de interesse uma útil selecção de bibliografia que inclui títulos vários, hoje quase desconhecidos, dos sécs. XVIII e XIX.


35€

Fialho de Almeida — Lisboa Monumental

Maio – 1957. Lisboa. (Composto e Impresso nas Oficinas Gráficas da Câmara Municipal). In-4º de 44, [4] págs. Br. 

Edição especial, publicada pela própria C.M.L. (e recentemente reeditada), comemorativa do centenário do nascimento de Fialho; reproduzindo, conforme se lê em nota prévia, o artigo saído inicialmente na Ilustração Portuguesa e mais tarde recolhido no volume Barbear, Pentear. Como ponto de maior interesse, apresenta no texto várias gravuras antigas tendo por motivo aspectos da paisagem e de monumentos lisboetas aludidos na prosa.

Bom exemplar.

20€

Arlindo de Sousa — O Nome Lisboa

Publicações da Camara Municipal de Lisboa, 1948. In-8º gr. de [4], 189, [3] págs. Br.

Capítulos: «O Velho Testamento e o nome Lisboa», «Os Gregos e o nome Lisboa», «Os Fenícios e o nome Lisboa», «De Olisipona a Lisboa», etc.; sendo a maior parte do volume depois ocupada com textos vários e transcrições de alguns antigos («Olisipo» nas literaturas latina e grega, na epigrafia romana e em documentos medievais portugueses, «As éguas das campinas do Tejo na literatura latina», «Ulisses e o nome Lisboa», etc.). Inclui ainda uma longa relação final de bibliografia.

Bom exemplar, sem falhas a referir.

23€

História do Futuro (V)


No fundo de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? — Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já deve andar orçado o número de almas que é preciso vender ao Diabo, o número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Robert Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro — seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Logo a nação mais feliz não é a mais rica. Logo o princípio utilitário é a
mamona da injustiça e da reprovação. Logo...


There are more things in heaven and earth, Horatio
Than are dreamt of in your philosophy

Joseph Gautier & Louis Chapelle — Traité de Composition Decorative

Traité de Composition Decorative /// 865 figures dans le texte, 53 planches hors texte dont I en couleurs / Joseph Gauthier, diplomé de l’État pour l’enseignement de la composition décorative, professeur a l’École des Beaux-Arts de Nantes | Louis Capelle, architecte diplomé par le Gouvernement, professeur a l’École des Beaux-Arts de Nantes

Librairie Plon. (1950). In-8º gr. de [IV], IV, [II], 397, [3] págs. Br.

 
É ainda a edição de origem deste monumental trabalho (que teve primeira impressão em 1910, com reimpressão de sucessivos milheiros ao longo dos anos, distinguíveis por pequenas variações nas cores e linhas da capa), cujo interesse para artistas de figuração mais decorativa e designers permanecerá, até agora, indiscutível. Por importante que o texto possa parecer, o que no volume bastante impressiona são as centenas de desenhos a tinta com que os próprios autores, mãos de mestre, o ilustraram, tornando-o, ele mesmo, um belo objecto artístico.

Compõe-se o tratado dos livros Les Sources décoratives («La Géométrie», «La Flore», «La Faune», «La Figure humaine», «Le Paysage décoratif», «L’Invention et les objects»), Les Lois de la composition décorative («Systèmes décoratifs», «La Répartition du décor», «Le Relief») e Les Applications décoratives («La Pierre, le Marbre», «Le Fer forgé», «Les Arts du Métal», «La Céramique», «La Verrerie, le Vitrail, la Mosaique», «Le Cuir», «Le Bois», «Le Papier peint et la peinture décorative», «Les Tissus», «Tapisserie, Dentelles, Broderies», «Incrustations, Nielles, Marqueterie», «La Couleur»). 

25€

José Gomes Ferreira — Intervenção Sonâmbula

Diabril. 1977. In-8º de 167, [1] págs. Br.

Primeira edição desta recolha de textos publicados por Gomes Ferreira na imprensa da época («O Primeiro de Janeiro», «Diário de Notícias», «Vida Mundial», «O Jornal» e alguma outra), com um prefácio da sua pena em que, depois de fazer o elogio de Vasco Gonçalves (a quem dedica a colectânea), termina pretendendo a revolução “uma Aljubarrota fabulosa em que o povo português ganhasse o Futuro com armas de cristal – as únicas dignas das batalhas límpidas do Socialismo e da Democracia”; do maior interesse para a recriação dos primeiros tempos da vida e da sociedade portuguesa após o 25 de Abril. Inclui, logo a abrir, o curiosíssimo «Decálogo do Verdadeiro Revolucionário (ou que finge que o é)» - “(…) 4º Não contribuas para o saneamento de quem entrou para a Legião, etc., só para arranjar emprego. 5º Perdoa aos baladistas o grande pecado de te impedirem de ouvir boa música (…)”.
 
18€

José Gomes Ferreira — Gaveta de Nuvens

diabril. (1975). In-8º de 238, [2] págs. Br.

Reuniu o autor neste volume textos diversíssimos que foram de 1949 a 1974, e dos quais se poderá destacar alguns prefácios e considerações preliminares hoje mais conhecidos: como os de Folhas Caídas e A Filha do Arcediago e a de Lisboa na Moderna Pintura Portuguesa (intitulada «Lisboa: Talvez o Último Tema dos Figurativos Portugueses»).

Exemplar duplamente valorizado: pela dedicatória “esta gaveta de que espero não ter perdido a chave” manuscrita de oferta a Neves Águas, que lhe apôs o ex-libris, e por conservar o boletim editorial, de Abril de 75, em que o livro era, entre outros mas com destaque, apresentado.

25€

José Gomes Ferreira — Lisboa na moderna pintura portuguesa

artis. (1971). In-8º gr. de 15, [1], V, [III] págs. + [42] ff. de estampa. Enc.

O texto de apresentação de Gomes Ferreira é (mais) uma bela declaração de amor à cidade adoptiva, oferecendo de passagem apontamentos acerca da convivência que teve, na primeira metade do séc. XX, com vários dos principais artistas do tempo. Das estampas, impressas em heliogravura pela Neogravura lisboeta, destacam-se em quantidade trabalhos de Francisco Smith, Abel Manta e sobretudo Carlos Botelho (dito aqui o “pintor oficial de Lisboa”), sendo reproduzidos dois de António Soares, Bernardo Marques e Vieira da Silva e apenas um de gente para o efeito também bastante recomendável: Almada, Barradas, Dourdil, Pomar, Lima de Freitas e Skapinakis, por exemplo. O álbum foi encadernado pela editora em pele e apresenta em cliché, colado na pasta superior, uma reprodução do conhecido óleo de Botelho «Costa do Castelo».

35€

(A ilimitada edição da estupidez)



Ser português e querer evitar ruído, circo e geral histeria: semelhante conjunção parecerá talvez a quadratura do círculo, mas foi o que Herberto Helder (HH) passou a vida a tentar. Em vão. Chegado a velho, quando já quase o conseguira, viu a multidão ocupar-lhe à porta a tenda das “edições limitadas” montada pela imprensa e explorada pelas redes sociais. Depois de morto, antes mesmo do funeral, voltaram a montar-lha, um pouco mais discreta, agora no cemitério. “Mas isto não era dispensável, em nome do bom gosto?”, pergunta aqui o pio leitor. Com certeza que era. A falta de gosto, porém, é o menos nesta história. Comparada à estupidez, mal se nota. Tudo é nisto tão fundamentalmente estúpido que até se torna difícil escolher por onde começar. Experimentemos pelo início.
 

Em 2008, catorze anos passados de naturalíssima retirada, que se chegou a supor definitiva, após Do Mundo, etapa final da obra fixada, HH publica A Faca não Corta o Fogo, ainda sob chancela da Assírio & Alvim – que, no entanto, fôra já apanhada nas malhas da Porto Editora. A tiragem, como era hábito, constou de 3000 exemplares, depressa esgotados. Regressado, este nada pródigo mas prodigioso poeta chegava enfim a uma tão tardia quão duvidosa consagração geral, e estava de repente na moda, mesmo entre quem nunca lhe lera até então um único livro. Começavam aqui os equívocos. E, depois, os protestos, mas ainda muito vagos: a Assírio era uma vaca justissimamente sagrada, a ninguém tão logo ocorrendo arguir-lhe “edições limitadas” em “estratégia comercial”. Pelo que a neófita lamentação se limitou à não reedição do volume, desconhecendo, porque neófita, que o poeta nunca reeditara nenhum de poesia própria (só os da traduzida, e os de prosa). Nada de novo debaixo do céu. São costume estes mal-entendidos entre os convertidos súbitos e a normal cronologia do mundo.

Herberto

Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar


Uma maneira de começar este texto seria lamentar a morte do maior poeta português de sempre, mas o desfasamento de tantos séculos em relação a Camões, fundador do nosso idioma, desaconselha, por vários motivos, comparações ambiciosas de que não tenhamos a justa medida. Uma outra, única outra, seria dizer só que morreu o maior poeta português desde Camões; mas essa, ainda soando a mais a muitos, soar-me-ia a menos. Entre estes dois nomes/números inteiros, não há hipóteses de permeio: vigora entre nós, até hoje, uma espécie lacunar do princípio do terceiro excluído. Pelo que não teremos adequado panegírico para início de prosa. O que se pode é adiantar o que ninguém discutirá: morreu o poeta português de maior fôlego e mergulho mais fundo. Morreu, em suma, o maior nadador da literatura em língua portuguesa até hoje conhecida. Se não foi este o «Super-Camões», não foi nenhum. 

Herberto Helder [1930-2015]


E a morte passa de boca em boca com a leve saliva
com o terror que há sempre no fundo informulado de uma vida


Mário Gonçalves Viana — Garrett

Porto, Editora Educação Nacional, 1937. In-8º de 142 págs. Br.

Primeira edição, integrada na colecção «Figuras Nacionais».

Exemplar com a capa um tanto manchada; salvo isso, em bom estado.
 
10€

Obras de Almeida Garrett

1963 / Lello & Irmão - Editores, Porto. 2 vols. in-8º de 1968 e 2122 págs. Enc.

Uma das típicas edições monumentais da Lello em papel-da-índia (a.k.a. bíblia), com encadernação dos volumes integralmente em pele gravada a ouro; estando ambos em muito boa condição exterior, embora apresentando no miolo vestígios de manuseio e até, por vezes, acidez. 
 
Vol. I
Viagens na Minha Terra - O Arco de Sant'Ana - Helena - Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa - Ensaio sobre a História da Pintura - Escritos Diversos - Da Educação - Portugal na Balança da Europa - Memórias Biográficas - Política - Discursos Parlamentares - Cartas Íntimas - Lírica de João Mínimo - Fábulas e Contos - Sonetos - Odes Anacreônticas - Adosinda - Romances Reconstruídos - Fragmentos de Poemas Inéditos


Vol. II
Flores sem Fruto - Folhas Caídas - Camões - D. Branca - Retrato de Vénus - Romanceiro - Frei Luís de Sousa - Alfageme de Santarém - A Sobrinha do Marquês - Um Auto de Gil Vicente - Filipa de Vilhena - Tio Simplício - Falar Verdade a Mentir - As Profecias do Bandarra - O Noivado no Dafundo - Camões do Rossio - Catão - Mérope - Impronto de Sintra - Corcunda por Amor - Obras Póstumas

50€

Almeida Garrett — Romanceiro

Lisboa: Empreza da Historia de Portugal, Sociedade editora (Livraria Moderna). 1900-1901. 3 vols. in-8º de XXVI, 276, [2]; XLIX, [I], 312, [2]; e 309, [3] págs. Enc.

São os três volumes do Romanceiro da edição das «Obras Completas do Visconde de Almeida Garrett», compilando o primeiro «Romances da Renascença» e os dois outros «Romances Cavalheirescos Antigos». A edição, quinta, transcreve o curto prefácio da terceira, pela pena dos editores, e o longo da segunda, pela pena do próprio Garrett; além dos vários prefácios e introduções parcelares, como os que o escritor compusera para apresentar Adozinda e Bernal-Francez, as duas recolhas originalmente publicadas, em Inglaterra, ainda na década de 1820.

Encadernações da época, modestas, sem guarda das capas originais. Todos os volumes porém muito bem conservados.

25€

Arqueologia Literária (VIII)

Ninguém saberá ao certo, nem talvez ninguém tenha nunca sabido, da complexidade das relações que ligaram os dois nomes fundadores, e principais, do nosso Romantismo: Garrett e Herculano. De feitios tão distantes como a cigarra e a formiga da fábula (escusado dizer qual deles fosse cada uma delas), um o cúmulo da diletância e o outro o cúmulo da profundidade, sabe-se só que combateram juntos, embora em distintos batalhões, enquanto voluntários do exército liberal durante o Cerco, que depois alinharam por partidos diferentes, e que viriam até a protagonizar um tremendo despique sobre a questão da propriedade literária. Sabe-se também que sempre se admiraram reciprocamente q.b.: Garrett respeitou Herculano, apesar de ter nascido dez anos antes, porque o Lobo do Vale impunha respeito a quem quer que fosse; e Herculano também respeitou Garrett, não por ser mais velho mas por o entender o maior poeta de Portugal, só comparável a Camões (quando lhe deram a ler os textos de Folhas Caídas, na Bertrand do Chiado, adivinhou-lhes o autor por em terra lusa "mais ninguém poder compor versos assim"). No meio disto tudo, sabe-se menos do episódio que aí vai, contado pelo autor do Eurico a Gomes de Amorim, pau-de-cabeleira, confidente e biógrafo de Garrett, em carta que ele lhe pedira para as Memórias que escreveu deste último. Passa-se em 1849. Garrett, após uma das zangas amorosas com a Viscondessa da Luz, Rosa Montufar, requer asilo a Herculano no seu semi-eremitério da Ajuda, onde então preparava a Historia de Portugal. Pelo menos algumas das Folhas Cahidas, as mais róseas,  também hão-de ter estado aos pés  daquelas árvores, que por isso duplamente merecem geográfico destaque na bibliografia portuguesa.
 
"Queria vir preparar-se aqui para a solidão; queria ir viver no campo, dizer vale a Lisboa; mas sobretudo desabafar comigo. Veio. Fui tão asno que andei com ele a procurar uma vivenda rústica. E o desabafo? Nunca me disse uma palavra sobre as causas daquele excesso. Começou a sair à tarde e a vir alta noite, a ficar em Lisboa e a reaparecer inesperadamente; depois, a obrigar-me a ir com ele passear, o que me incomodava soberanamente, porque eu trabalhava então muito (prova real de que era um chapado asno, como acima disse). Nos nossos passeios (por via de regra sobre a estrada de Pedrouços) tínhamos sempre a fortuna de encontrarmos [a dita cuja]. O carrinho parava, o nosso eremita em projecto punha o pé no estribo do carro, e eu fartava-me de passear sozinho, até que o meu Santo Antão futuro acabasse o colóquio. No fim de três ou quatro meses, voltou para Lisboa sem me dizer nunca nem porque tinha vindo nem porque se ia".
 
Garrett tinha cinquenta e Herculano quarenta anos quando faziam estas figuras. Para o primeiro, seriam a coisa mais natural do mundo. Para o segundo, deviam ser pesada pena, que dificilmente imaginaremos. Naquela austeridade toda, o homem era quase um santo.

Alexandre Herculano — Historia de Portugal

Historia de Portugal desde o começo da monarchia até o fim do reinado de Affonso III, por A. Herculano / Setima edição definitiva conforme com as edições da vida do auctor, dirigida por David Lopes (Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) / Edição ornada de gravuras e mappas historicos executados sobre documentos authenticos debaixo da direcção de Pedro de Azevedo (Conservador do Archivo Nacional)

Livrarias Aillaud & Bertrand – 1914. 8 vols. in-8º. Enc.

O interesse principal da edição é de facto o conjunto de gravuras que ilustram o texto, seleccionadas com bom critério por Pedro de Azevedo.

Colecção completa, com todos os volumes da série encadernada pelo editor em percalina gravada a ouro. 
 
65€

Alexandre Herculano — Eurico o Presbytero

Lisboa: Typographia Mattos Moreira & Pinheiro, 1890. In-8º de IX, [I], 308, [2] págs. Enc.

A edição, décima a sair, foi inteiramente numerada e rubricada pela editora (Tavares Cardoso & Irmão), tendo a este exemplar – bem conservado e encadernado em pele  mosqueada com efeito flamejante, gravada a ouro sobre a lombada, que tem aposta uma antiga etiqueta de disposição na biblioteca do proprietário – cabido o n.º 744.
 
20€

Alexandre Herculano — Eurico o Presbítero

Eurico o Presbítero por A. Herculano (Edição crítica dirijida [sic] e prefaciada por Vitorino Nemésio. Notas e apêndices estabelecidos por Maria Helena Lucas. Glossário arábico de David Lopes, revisto por Joaquim de Abreu Figanier)

Livraria Bertrand, Lisboa.  In-8º de XXXIX, [I], VII, [I], 340, [2] págs. Enc.

O importante prefácio de Nemésio, «Eurico: história de um livro», estende-se por três dezenas de páginas.
 
Exemplar revestido também de encadernação inteira em pele, esta encomendada pela Livraria Moraes, gravada a ouro em ornatos sobre a lombada e em filete sobre as pastas, que apresentam (sobretudo, a inferior) algumas marcas de corrosão; tendo o encadernador conservado ambas as faces da capa primitiva e carminado o volume à cabeça.
 
20€

Alexandre Herculano — Estudos sobre o Casamento Civil

Estudos sobre o Casamento Civil (Por occasião do Opusculo do sr. Visconde de Seabra sobre este assumpto) por Alexandre Herculano

Antiga Casa Bertrand – José Bastos & C.ª – Editores. Lisboa. (1907). In-8º de 277, [3] págs. Br.

O amplo estudo do historiador, peça magna da polémica em geral travada com Seabra (acerca da admissibilidade do matrimónio civil, hipótese prevista pela comissão revisora do projecto de código civil – por sugestão de Herculano, dela precisamente uma das figuras de proa), integra as séries «Das tradições antigas da igreja e da nação portuguesa ácerca dos consorcios extranhos ao sacramento do matrimonio», «O casamento civil perante o concilio de Trento e perante a theologia» e «O casamento civil nas leis e costumes de Portugal depois do concilio de Trento»; acrescendo, em «Appendice» final, uma carta ao director do Jornal do Commercio. Na capa, com a chancela editorial de Francisco Alves, indicava-se ser esta a primeira edição brasileira, que no frontispício é apresentada como a terceira da ordem global; ambas as asserções (sobretudo, aquela) parecem pouco rigorosas, por vários motivos.
 
Muito bom exemplar.
 
20€