catálogo on-line

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Bodas de Ouro no Magisterio (1872-1922) / Teófilo Braga

Livraria Chardron de Lélo & Irmão, L.da (Rua das Carmelitas, 144) – Porto. (Composto e impresso nas Artes Gráficas). In-4º gr. de 72 págs. Enc.

“Passando no dia 22 de junho do ano corrente de 1922 o quinquagenário da entrada de Teófilo Braga para o magistério superior, um grupo de admiradores, discípulos e amigos, [sic] resolveram comemorar êsse facto que tão fecundo foi em conseqùências para a vida colectiva portuguesa”.
Textos de homenagem de, entre outros, Agostinho Fortes, Gabriel Séailles,  João Grave, Júlio Brandão, Philéas Lebesgue (um conjunto de quadras), Marques Braga, António do Prado Coelho (longuíssima exposição: «Teofilo Braga e a sua formação mental»), Tomás da Fonseca, Teresa Leitão de Barros, Serras Pereira (outra extensa exposição), Botto Machado, Mayer Garção (bastante encomiástico, dizia não haver ninguém mais republicano e mais português do que Teófilo, num texto - «O maior dos republicanos» - que terminava “Para se ser um republicano perfeito é necessário desprezar todas as vãs ostentações que tanto agradam às estéreis e mesquinhas vaidades. Andar coberto de penduricalhos é não ter a noção exacta da dignidade republicana. Pavonear-se com distinções de origem monárquica é ter em pouco aprêço a altivez do cidadão, cuja distinção máxima é ter sabido conquistar ou conservar a liberdade. A arrogância, o prazer da lisonja, as aparências despóticas, invalidam o carácter republicano, ou, pelo menos, desnaturam-no. Teófilo Braga é, nos tempos modernos, a imagem do Cincinatus romano que com tanta simplicidade guiava os destinos do seu país como a charrua dos seus campos”) e Magalhães Lima, organizador do volume. Em folhas destacadas reproduzem-se uma caricatura do homenageado composta por Eurico Valença e uma fotografia de conjunto com os seus alunos tirada justamente em 1922, completava ele 80 anos.

Exemplar revestido de encadernação em estilo semi-amador com cantos e lombada em pele debruados e demarcados a ouro. Ambas as faces da capa de brochura preservadas.
 
30€

Sampaio Bruno — Portugal e a Guerra das Nações

Porto: Livraria Chardron de Lello & Irmão, editores (R. das Carmelitas, 144) – 1906. In-8º de VII, [I], 508, 4 págs. Br.

Alguns dos temas anunciados na capa, sob as duas grandes secções «França, etc.» e «Inglaterra, etc.»: ««Portugal na Balança da Europa»», «A Paz Perpetua», «O nihilismo moscovita», «Portugal e a Russia», «A guerra russo-japonesa», «Formação da hegemonia britannica», «A questão de Cuba», «A guerra hispano-americana», «O Japão e Portugal», «Portugal e os Estados Unidos», «Portugal e a Catalunha», «O regime a e conservação colonial», «A alliança ingleza».

Exemplar valorizadíssimo por dedicatória de oferta manuscrita por Bruno ao nosso principal dramaturgo da primeira metade do século passado, João da Câmara.

35€

Amorim de Carvalho — O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno

O Positivismo Metafísico de Sampaio Bruno (As influências de Comte e Hartmann / Crítica e reflexões filosóficas)

Sociedade de Expansão Cultural / Lisboa – 1960. In-8º de 313, [7] págs. Br.

O ensaio foi dividido nas grandes secções de capítulos «Sampaio Bruno e Augusto Comte», «Sampaio Bruno e Eduardo de Hartmann» e «O Misticismo Verbal e Prelógico no Positivismo de Bruno».
 
10€ 

Amorim de Carvalho — Guerra Junqueiro e a sua Obra Poética

Guerra Junqueiro e a sua Obra Poética (análise crítica)

1945 / Livraria Figueirinhas – Pôrto. In-8º gr. de 325, [3] págs. Br.

“A crítica literária portuguesa quási se tem cingido, eruditamente, à investigação das fontes, à exegese e à biografia. Poucos ou breves são os juízos de avaliação estética, e êstes, ainda assim, mais pessoais e impressionistas do que objectivos e gerais”, assim apresentava o autor o seu propósito na nota de abertura. Num total de dezoito, foram alguns dos capítulos «O Romantismo e o Realismo de Junqueiro», «A formação poética de Junqueiro desde as influências de Soares de Passos», «A sátira e a caricatura na poesia de Junqueiro», «A versificação de Junqueiro», «O Simbolismo», «Guerra Junqueiro e António Nobre», etc.
 
15€      

Guerra Junqueiro — [Miscelânea]

O Seculo : I Baptismo de Amor / Oração á Luz / Oração ao Pão / O Crime (A propósito do assassinato do Alferes Brito)

Porto: Livraria Chardron, de Lello & Irmão. (Datas diversas). 4 vols. in-8º enc. em 1.

Miscelânea de vários títulos do poeta agregados numa encadernação conjunta, em boa percalina, da portuense casa Ribeiro; que não conservou as capas primitivas. De O Seculo/Baptismo de Amor, com a conhecida nota laudatória de Camilo Castelo Branco, o exemplar apresentado é da 3.ª edição; de Oração á Luz, da original; de Oração ao Pão, da 2.ª; e de O Crime, da 3.ª; nenhuma delas datada, mas todas, salvo erro, do princípio do século passado.

Todos os opúsculos de modo geral bem conservados, embora os anterrostos de Oração á Luz e Oração ao Pão apresentem a mesma assinatura de propriedade datada de Fevereiro de 1914.

35€

Guerra Junqueiro — Finis Patriae (– terceira edição)

Porto: Livraria Chardron, De Lello & Irmão, editores – 1903 (Todos os direitos reservados). In-4º de 62, [2] págs. Br.

Edição impressa a duas cores, variadamente ornada nos vários frontões e transcrevendo no início do volume uma série de excertos da Historia de Portugal de Oliveira Martins.

Exemplar ainda por estrear, conservando os cadernos por abrir.


14€


Guerra Junqueiro — Horas de Luta

Horas de Luta (com um prefácio de Mayer Garção) / Vitória de França – O Crime – Finis Patriae – Marcha do Ódio – Discursos e manifestos – Execução de uma quadrilha

Pôrto: Livraria Lello, Limitada – editora / Proprietária da Livraria Chardron. [S/d]. In-8º de XLIX, [I], 196, [2] págs. Br.

Nota do editor: “Depois de prévio entendimento com a ilustre família de Guerra Junqueiro, resolvemos reünir em dois volumes Vibrações Líricas, Horas de Luta – as composições poéticas e os trabalhos escritos em prosa do grande Poeta morto, dispersos em folhetos vários e que são propriedade da nossa casa. Por esta forma, quere-nos parecer que os admiradores do insigne autor dos Simples e de A Pátria terão alguma coisa a lucrar, pois encontrarão em dois únicos tomos uma vasta parte da sua obra excelsa”. Bastante extenso e com alguns apontamentos biográficos de interesse acerca de Junqueiro o prefácio do escritor seu discípulo hoje quase esquecido, como o «correspondente» portuense João Grave.


14€

Guerra Junqueiro — Vibrações Líricas

Porto, Lello & Irmão – Editores, 1950. In-8º de LX, 142, [VI] págs. Br.

Primeira edição conjunta dos vários títulos reunidos, especialmente apreciada pelo longo – mais de 50 páginas – prefácio sobre o poeta, preparado para este efeito por João Grave. Reproduz ainda os prefácios originais de O Caminho do Céu (também de João Grave) e de Prometeu Libertado (de Luís Magalhães), além de um retrato de Junqueiro gravado em folha destacada junto do frontispício.

12€

Guerra Junqueiro e Guilherme de Azevedo — Viagem à Roda da Parvónia

Viagem à Roda da Parvónia (relatório em 4 actos e 6 quadros) / (Ilustrado por Manuel de Macedo e anotado pelo autor e pelos Senhores: Alberto Braga, (…) Antero de Quental, (…) Coelho de Carvalho, (…) Gervásio Lobato, (…) J. Batalha Reis, (…) João de Deus, (…) José de Alpoim, J. César Machado, (…) Magalhães Lima, Oliveira Martins, Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão, (…) etc., etc.)

1980 / Lello & Irmão – Editores, Porto. In-8º de 260 págs. Br.

“A estreia da Viagem à roda da Parvónia na noite de 17 de Janeiro de 1879 foi muito provavelmente a mais tumultuosa da história lisbonense do teatro declamado no último quartel de Oitocentos. A representação chegou ao fim, mas tão ponteada de acidentes, com tanta pateada (a única na carreira do velho actor Taborda), tanto espatifar de cadeiras, que a proibição policial, se não viesse logo, justificar-se-ia ao segundo ou ao terceiro espectáculos, por afrontamentos mais graves”, assinalava Pedro da Silveira, o amigo e biógrafo de Guilherme de Azevedo, no prefácio a esta peça que continua até hoje a ser encenada.


Exceptuando o primeiro, o exemplar conserva os cadernos por abrir.

12€

Lopes de Oliveira — Memórias: Guerra Junqueiro

Editorial Cosmos, Lisboa. (1938). In-8º de 275, [3] págs. Br.

Escritas com um fervor quase religioso pela figura do amigo mais velho – dele garantia o autor, na introdução, ser o único grande continuador de Camões, acima de Bocage, Garrett e Antero –, as «Memórias» interessam principalmente pelo que contam dos anos próximos, antecedentes e sequentes, da implantação da República, sendo a esse período dedicada a maior parte do volume (que inclui, em folhas destacadas, vários retratos de Junqueiro).

18€

Lopes de Oliveira ― História da República Portuguesa

História da República Portuguesa: a Propaganda na Monarquia Constitucional

Editorial Inquérito Limitada, Lisboa. (1947). In-8º gr. de 384, [4] págs. Enc.
 
O período em análise começa na conspiração de 1817 e na revolução de 1820 – espécie de prêt-a-porter que alastrou “imediatamente a todo o país” sem grandes complicações, não se mencionando sequer, coisa notável, o posterior cerco do Porto; estes historiadores lisboetas... – e termina na fase revolucionária de inícios do séc.XX.

Exemplar revestido de muito boa encadernação que conserva ambas as faces da capa primitiva.
 
25€

Carlos Ferrão – Em defesa da República

Inquérito, Lisboa. [S/d – pref. 1963]. In-8º de 275, [5] págs. Br.

“Neste volume se reuniram artigos, crónicas e outros escritos do autor publicados no «Diário de Lisboa». O título, «Em defesa da República», exprime o pensamento que os ditou e o fim que a sua publicação visou. A matéria que contém foi repartida por seis capítulos, cada um dos quais se ocupa de um aspecto da tarefa que nos propusemos realizar.” Foram esses «A propaganda da República», «O 5 de Outubro», «A Obra da República», «Monsanto», «Homens e Datas» (sobre Aquilino, Basílio Teles, Brito Camacho, Carvalho Araújo, José Relvas, Marques Guedes, etc.) e «Depoimento Valioso»; que formam no conjunto um volume importante da bibliografia republicana.

14€

As Constituintes de 1911 e os seus Deputados

As Constituintes de 1911 e os seus Deputados (Obra compilada e dirigida por um antigo official da Secretaria do Parlamento)

1911 – Livraria Ferreira (Ferreira, L.da, Editores / 132, R. Aurea, 138), Lisboa. In-8º gr. de 541, [3] págs. Enc.

“Nos principais paizes e em cada legislatura são publicadas, official ou particularmente, e sob diversos titulos obras no genero da que, pela primeira vez, agora apparece em Portugal contendo os retratos e notas biographicas dos membros do Parlamento. (...) Aproveitando a circumstancia de ser a actual Camara muito numerosa e de importancia historica pela missão que lhe esteve confiada, damos n’esta obra, sob o titulo de As Constituintes de 1911 e os seus Deputados, não só os retratos de todos os membros das Constituintes, que hoje compõem o primeiro Senado e a primeira camara dos deputados da Republica, como tambem varias notas interessantes e uma resenha dos principais factos occorridos na Asssembleia Nacional, desde a sua abertura, em 19 de Junho de 1911, até ás eleições do Presidente da Republica e do Senado, com as quaes, nos ultimos dias de agosto do mesmo anno, findaram os seus trabalhos”. (Da introdução «Ao Leitor»).

Não estando atribuída no volume a autoria, corre que o "antigo official" em causa foi o escritor Alberto Pimentel.

45€ (reservado)

Catálogo - Primeira República

Nos 110 anos da Senhora, actualizámos o nosso catálogo da Primeira República. 
Pode consultar-se



Almeida Garrett, «O Dia 24 de Agosto»

Quando há 200 anos estalou a Revolução do Porto que daria a liberdade a todo o país, um jovem liberal estudante de Leis chamado João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett abandonou Coimbra assim que soube da notícia para vir por aí acima até à Cidade-Natal. A viagem a cavalo, sem paragem, teve como efeito a recaída de uma doença que havia algum tempo o molestava e a cabeça aberta. Posto a «quarentena», com aquele voluntarismo que lhe era peculiar resolveu logo esboçar um pequeno tratado de teoria/filosofia política, eivado de apontamentos históricos e jurídicos, para justificar o levantamento militar. 
Boas razões nos levam a dar por certo que este O Dia VinteQuatro d'Agosto de 1820 fosse o primeiro livro publicado por Garrett (algumas composições em verso, peças de teatro e traduções redigidas antes, também durante a formatura coimbrã, não chegaram a entrar nos prelos). Embora o muito mais conhecido O Retrato de Vénus apresente igualmente data de 1821, e apareça amiúde indicado como título de estreia, a autoridade máxima de Gomes de Amorim não deixa dúvida: o poema entra a imprimir em Novembro de 1821 mas só fica pronto já em 1822; ao passo que o opúsculo político é impresso na Rollandiana, em Lisboa, a meio de 1821, após a recusa dos editores de Coimbra e a alegada inoportunidade de publicação no Porto. Tendo em conta que ao biógrafo se junta no mesmo sentido o nosso principal bibliógrafo, o quase infalível «papa» Inocêncio, quaisquer dúvidas sobre a prioridade temporal parecem desfeitas.   
Em todo o caso, se aquele primeiro poema impresso de modo autónomo foi reeditado várias vezes, esta primeira prosa impressa (que começou a celebrizar o bacharel entre as hostes liberais) quedou-se numa espécie de limbo a que o recentemente falecido Zafón chamou «O Cemitério dos Livros Esquecidos»: recolhida apenas numa colectânea de Escritos Políticos já após a morte do autor, nunca mais - salvo erro - conheceu edição independente. É essa lacuna de dois séculos que nos propomos remediar, no ano em que esses mesmos dois séculos se comemoram.

 
Actualizou-se a ortografia para português moderno (pré-AO). Quanto à sintaxe, embora trôpega, soluçante, muito ao estilo do nosso séc.XIX e ainda longe da pureza cristalina da maravilhosa fluência do escritor das Viagens na Minha Terra - que representou em Portugal, precisamente, uma «revolução» sintáctica... -, optou-se por só lhe mexer quando parecesse necessário para a escorreita leitura contemporânea do texto; pouco mais se fez, no fundo, do que pôr vírgulas no sítio, e mesmo isso com alguma parcimónia. Corrigir um génio, ainda que jovem, soa sempre a sacrilégio.

 
Preço de lançamento: 10€
Preço na Feira do Livro do Porto (28 de Agosto a 13 de Setembro): 8€

Boletim bibliográfico 5/2020

Está pronto o nosso boletim de novidades de Julho, tendo em destaque a cidade de Paris (literatura, arte, história, etc.), mais aqui perto as nossas Beiras, muita literatura em geral (mais contos e novelas do que costume), alguma arte em geral, alguma história em geral, alguma música, algum cinema e curiosidades várias.

Pode consultar-se
aqui

O Muro (inspirado nas “Aventuras de João sem Medo” de Gomes Ferreira)

José Gomes Ferreira – [na capa:] O Muro (inspirado nas “Aventuras de João sem Medo” de Gomes Ferreira)

Comuna teatro de pesquisa. [S/d]. In-8º de [12] págs. Br.

Sem qualquer indicação tipográfica adicional, o opúsculo é uma pequena versão em banda desenhada da genial obra-prima de José Gomes Ferreira – com desenho, parece, de Nuno Miguel. A peça, segundo informações em bases de dados online, terá subido à cena em 1976, o que significa que deverá ter sido uma das primeiras no espaço estreado em 1975.

10€

José Gomes Ferreira — Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo (romance)

Portugália Editora. (1963). In-8º de 254, [8] págs. Br.

Primeira edição de um livro deveras maravilhoso, que deveria ser dado a ler por todos os portugueses pais a todos os portugueses filhos; e que, conforme se indicava em nota final, resultou do rearranjo de uma narrativa publicada trinta anos antes pelo mesmo JGF, sob o pseudónimo O Avô do Cachimbo, com ilustrações de Ofélia Marques, num periódico lisboeta. Se não falha a memória, foi por cá a introdução daquela literatura infanto-juvenil non-sense, em que mais tarde um Manuel António Pina seria useiro e vezeiro, que vai beber q.b. à fonte original de Carroll (mais do que ao mote dos irmãos Grimm) – mas aqui algo menos cínica e algo mais, digamos à falta de melhor termo, «pedagógica». De resto, além das literárias, as sonâncias e ressonâncias cinematográficas são tantas que nem vale a pena começar a lista: desde o maravilhoso The Village ao menos-mas-ainda-maravilhoso The Lord of The Rings e ao imaginário de Tolkien, desaguando em Tim Burton, elencá-las daria toda uma interessantíssima tese de estudos literários.

30€

José Gomes Ferreira — Aventuras de João Sem Medo

Aventuras de João Sem Medo: Panfleto Mágico em Forma de Romance (13.ª edição)

Moraes editores (Composição: Gris Impressores SARL). In-8º de 171, [iv], [I] págs. Br.

Reproduz no final o longo posfácio da segunda edição em que o autor discorria mais sobre os tempos das primeiras versões (a dos anos 30 e a dos 60) do que propriamente as respectivas diferenças – depois dessa de 1963 na Portugália, o livro apenas seria reeditado após 1974, e a partir de então abundantemente.

Exemplar com o carimbo da madeirense Livraria Esperança, que já visitámos. 

8€

José Gomes Ferreira — Aventuras de João Sem Medo

Aventuras de João Sem Medo: Panfleto Mágico em Forma de Romance (17.ª edição)

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1991. (Impressão e acabamento: Gráfica Manuel Barbosa & Filhos). In-8º de 210, [ii] págs. Br.

Edição praticamente decalcada das anteriores na Moraes, sem mais nada a destacar.

Bom exemplar, com uma nota manuscrita de “Oferta da biblioteca de turma” na folha preliminar.

8€

José Gomes Ferreira ― Tempo Escandinavo (contos)

Diabril (1976). In-8º de 225, [3] págs. Br.

Da longa estação norueguesa de JGF ficaram aqui as peças (por mais que o autor as jurasse apenas, logo de antemão, «contos» do que “não é um livro autobiográfico”, ninguém nisso acreditará muito) «Quase um Relatório», «A Cidade Despida», «A Mulher dos Caminhos», «O Mundo Desabitado», «O Outro Lado», «Silêncio Triangular», «Baile na Névoa», «As Mulheres não Entram pelas Paredes» e «A Ilha do Capitão».

Segunda edição (o livro saíra originalmente na Portugália, em 1969).

10€


José Gomes Ferreira ― Revolução Necessária

Diabril (1975). In-8º de 243, [9] págs. Br.

Extensa recolha de peças antes publicadas na imprensa («O Primeiro de Janeiro», «Vida Mundial», «Diário de Notícias», «Diário Popular» e «Seara Nova»), infelizmente sem data assinalada, aqui agrupadas nas secções «Construção do Presente» (25 de Abril), «Intervalo, para recordar alguns amigos mortos», «O Passado, Memórias da 1.ª República», «Outro Intervalo, para meditações jornalísticas», «Tirania Ilúcida» e «Regresso à Luta Presente». Algumas das crónicas: «O meu 25 de Abril», «Reportagem do Rossio em 1974», «Memórias do M.U.D.», «O M.U.D. Juvenil», «A minha proposta de Constituição», etc.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita pelo próprio JGF logo nesse Junho de 1975.

20€

José Gomes Ferreira ― O Sabor das Trevas

O Sabor das Trevas (Romance-alegoria dos tempos amargos)

Diabril. (1976). In-8º de 171, [5] págs. Br.

Edição original do livro, expressivamente dedicado a Carlos de Oliveira, ficando-se nessa dedicatória a saber que, entre outras coisas, se deve ao poeta de Cantata a ideia de recuperação para publicação de João Sem Medo, primitivamente saído sob pseudónimo num jornal lisboeta ainda nos anos 30. Entre louvores vários ao “grande poeta, romancista e camarada”, JGF contava só ter pena de não ter conseguido terminar o livro antes do 25 de Abril (faltavam dois capítulos), para melhor ressaltar a “Resistência aos 50 anos de tirania, começada – ri-te, ri-te, Futuro! - em nome do equilíbrio do Orçamento”.

Capa de Gil Perdigão, como habitualmente nesta série.

15€

José Gomes Ferreira ― O Sabor das Trevas

O Sabor das Trevas (Romance-alegoria dos tempos amargos) / 2.ª edição

Moraes editores (1978). In-8º de 125, [3] págs. Br.

Edição publicada na série pouco rigorosamente chamada «obras completas».

Exemplar aparentemente por estrear, embora com algumas marcas do tempo.

10€


José Gomes Ferreira ― 5 Caprichos Teatrais

5 Caprichos Teatrais inspirados na Revolução Portuguesa de 1974 e escritos em 1977-78
Moraes (1978). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Conjunto de pequenas peças que em nota final o autor sugeria pudessem ser reunidas numa única encenação: «Manhã Morta», «O Subterrâneo», «O Patamar», «O Comício» e «Os Novos e os Velhos». Dedicatória inicial “À Memória de Manuela Porto cujo milagre de criar poesia diante do público ninguém até hoje conseguiu repetir com tanta pureza. À amiga que quando me encontrava sempre me pedia como quem ordena, súplice: - Zé Gomes: escreva-me uma peça” (contado com maior desenvoltura no «diário» Imitação dos Dias). O final da dedicatória lamentava uma Revolução que “por infelicidade dos Portugueses, já nasceu abortada” – excesso retórico marxista que se compreende pela data, 1978, e que talvez o próprio autor temperasse mais tarde.
 
10€ 

José Gomes Ferreira ― Calçada do Sol

Calçada do Sol: Diário desgrenhado de um homem qualquer nascido no princípio do século XX

Moraes editores. (1983). In-8º de 95, [1] págs. Br.

O livro apresenta os textos - dedicados a diferentes idades da vida deste homem nascido exactamente em 1900 - «Calçada do Sol», «Liceu», «Papéis soltos» e «O Faminto Astral». Os dois primeiros ocupam a grande maioria do volume e são naturalmente ricos em apontamentos sobre a República, implantada tinha o autor 10 anos, deste género: “No dia em que percebi que os republicanos iam mudar as cores da bandeira portuguesa. Em vez de azul e branca passaria a ser encarnada e verde. // Meu pai viu-me aflito com o problema no meio daquela confusão de toda a gente ter mil projectos de bandeiras e expô-los nas montras das lojas da Baixa. / – Compreendo a tua preocupação. Também eu estou confuso. É uma grande audácia que devia ser aplicada noutra coisa mais necessária. Na modernização da legislação do trabalho, por exemplo. Ou iniciar o socialismo. Mas se querem mudar o azul e branco para encarnado e verde, não hesitem! / Esfumados alguns dias, sossegou-me: - A bandeira vai ser desenhada pelo Columbano. / Fiquei mais tranquilo.”

Primeira edição, publicada nas «obras completas» com tiragem de 3000 exemplares – tendo este pertencido ao polígrafo seareiro Neves Águas, de quem ostenta o egípcio ex-libris.

14€

José Gomes Ferreira ― Eléctrico

Eléctrico (poemas. 2.ª edição / Desenho de Bernardo Marques)

Iniciativas Editoriais (1957). In-8º peq. de 38, [2] págs. Br.

“As poesias de Eléctrico (primeira parte do livro inédito Poesia III) foram improvisadas e compostas nos carros eléctricos de Lisboa nos anos de 1943, 1944 e 1945”.

Bom exemplar, descontando ligeiras manchas na capa e na folha de rosto.

8€

José Gomes Ferreira ― Poeta Militante: Viagem do Século Vinte em mim

Círculo de Poesia – Moraes Editores, Lisboa /1977. 3 vols. in-8º de XXII, 217, [3]; 283, [3]; e 316, [4] págs.

“Poeta militante é a viagem do século vinte em mim. Ou melhor: o testemunho poético – a princípio involuntário – da aventura da sombra de um anti-herói que perdido nos meandros dos caminhos exíguos do tempo, atravessou em bicos de pés os segundos, os minutos, as horas, as semanas, os anos de quase todo um século, mais preocupado com as coisas vulgares do quotidiano nos cafés, nas ruas, nas praias, nos campos, do que com os acontecimentos merecedores no futuro de longos tratados de estudo volumosos que me inspiraram muitas vezes apenas poema e meio.
De quando em quando, grito. Grito muito. Berro. Apaixono-me. Calo-me. (Que outro protesto poderia fazer senão com o silêncio, quando rebentou a primeira infame bomba atómica?) Amo. Odeio, torço pescoços de fantasmas. E sobretudo denuncio. E espanto-me. Do que afinal sempre espantou os poetas dos séculos de sempre. De haver injustiças e estrelas.  
Enfim, quando os homens pisaram a lua, dormi profundamente toda a noite como um anjo sem insónias.”

O primeiro volume, que tivera edição prévia no ano anterior, é apresentado por um longo prefácio de Mário Dionísio. O segundo e o terceiro são neste conjunto da tiragem especial, encadernada pelos editores em tela e impressa sobre melhor papel, limitada a 500 exemplares numerados e assinados pelo próprio José Gomes Ferreira; integrando o segundo em extra-texto a reprodução de um retrato a óleo do autor por Ofélia Marques e o terceiro a de um outro por Nikias  Skapinakis.

60€ (reservado)

Soeiro Pereira Gomes ― Esteiros

Edições «Sirius». 1942. In-8º de 297, [7] págs. Br.
 
Primeira edição, já relativamente invulgar, ilustrada ao longo do volume por desenhos de Álvaro Cunhal; incluída na série «Romance» da Sirius. Com uma pequena nota inicial do autor em que, depois de dedicar o livro “Para os filhos dos homens que nunca foram meninos”, falava dos “Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais, que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama, que só o rio afaga”.
 
Exemplar com algum desgaste, particularmente na capa.

30€

Soeiro Pereira Gomes ― Refúgio Perdido: inéditos e esparsos

Porto, Edições SEN, 1950. In-8º de 107, [5] págs. Br.

Primeira edição, póstuma, desta recolha de contos e crónicas de publicação vária ou, nalguns casos, inéditos. Com um retrato do autor em folha destacada a abrir o volume, uma «Nota Prévia» assinada por Manuel de Azevedo e a transcrição de uma entrevista telefónica concedida por Soeiro em 1943 ao matutino portuense O Primeiro de Janeiro. São hoje pouco vulgares os exemplares do livro, cuja tiragem, confinada a dois mil, foi na prática consideravelmente diminuída por apreensões da PIDE, que o censurou.
 
27€

Soeiro Pereira Gomes ― Contos Vermelhos

Edições do M.J.T. [Movimento da Juventude Trabalhadora]. 1974. In-8º gr. de 15, [1] págs. Br.

Reedição do raríssimo folheto clandestino de 1957, publicada pelo M.J.T. no âmbito do «Primeiro grande encontro nacional da juventude trabalhadora», em Lisboa. Integra os mesmos contos «Refúgio Perdido» (já tinha dado o título à recolha de inéditos e esparsos editada em 1950 e acima apresentada), «O Pio dos Mochos» e «Mais um Herói».

Exemplar em muito bom estado, sem qualquer defeito de relevo (apenas um pequeníssimo vinco no pé direito).

12€

Obras Completas de Soeiro Pereira Gomes

edições Avante! (1979). In-4º de 409, [7] págs. Br.

“Está ainda por fazer a história do neo-realismo em Portugal. Será necessário um dia que os nossos estudiosos da literatura se debrucem sobre o rico material existente, o elaborem e o forneçam aprofundado à cultura nacional. / Ver-se-á então que esse grande movimento renovador da literatura portuguesa, com todas as suas insuficiências e lacunas, está indissoluvelmente ligado a um outro movimento que crescia nas fábricas e nos campos, na acção e nas consciências e no qual desabrochava e tomava corpo o ideal libertador que iria florescer nos dias gloriosos do Abril dos Capitães.” (Da introdução de Dias Lourenço, amigo de Soeiro).

A edição, ilustrada por belos desenhos de Rogério Ribeiro e reproduzindo os de Álvaro Cunhal para a edição primitiva de Esteiros, agrega precisamente «Esteiros», «Engrenagem», «Contos Vermelhos», «Outros Contos», «Crónicas» e «Esparsos».

Exemplar da série corrente de 4000 em brochura (houve uma outra de 1000 encadernados); em muito bom estado.
 
20€

Álvaro Salema ― Alves Redol

arcádia. (1980). In-8º de 223, [3] págs. Br.

 “A obra de Alves Redol, para além do transcorrer do tempo em que se subvertem correntes literárias e memória de tantas figuras que as representaram, conserva uma  perenidade que se afirma na permanência de um vasto e sempre renovado público leitor. Quis ser a voz do seu povo, do mais humilde e desamparado povo português, e testemunha actuante duma época de sombras e de esperanças que teve no movimento Neo-Realista – de que ele foi o iniciador novelístico incontestado – um eco inapagável.  Mais do que um ensaio personalizado, este livro é um documentário em que se conjuga a trajectória biográfica do escritor com a génese e desenvolvimento da sua obra e com as interpretações que ela foi motivando, completado por uma antologia, cronologia e bibliografias”.
Volume publicado na  série de biografias literárias da arcádia, «a obra e o homem».

12€

Alves Redol ― Gaibéus / Marés / Avieiros

Os Romances de Alves Redol: / 1: Gaibéus / 2: Marés / 3: Avieiros
 
Inquérito. (Lisboa). [S/d - 1945]. In-4º de 550, [10] págs. Br.
 
Edição monumental, impressa em grande formato, reunindo os três primeiros romances publicados pelo autor e apresentando no início de cada um, em gravura polícroma sobre folhas destacadas, as três alegorias correspondentes compostas por Manuel Ribeiro de Pavia (de quem é também a ilustração da capa).

Exemplar por estrear, conservando os cadernos por abrir e tendo como único senão ligeiros defeitos exteriores à superfície da dita capa.

35€

Alves Redol ― Fanga

Lisboa, Portugália Editora. 1943. In-8º de 397, [3] págs. Br.

Primeira edição de um dos primeiros e principais títulos do autor, “Fanga – sombra da Idade Média projectada nos nossos dias. Senhores vivendo da terra sem nada lhe darem. Servos fecundando a terra sem nada receberem”, ilustrada na capa por Fred Kradolfer. Com a seguinte nota introdutória: “Para vocês, fangueiros dos campos da Golegã, escrevi êste livro. Que algum dia o possam ler e rectificar – porque o romance da vossa vida só vocês o saberão escrever”.

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita de Redol “Para José Águas com muita simpatia” na folha de guarda (em cujo verso foi aposto o ex-libris do dedicando). Tendo o miolo em condição regular, acusa porém algum desgaste na capa.
 
35€

Alves Redol ― Anúncio (novela)

Editorial Inquérito. 1945. In-8º de 302, [2] págs. Br.

Primeira edição, com dedicatória impressa a Luís Kol. Ilustrada na capa por um original de Manuel Ribeiro (de Pavia).

Exemplar valorizado pela mesma dedicatória manuscrita de oferta de Alves Redol, igualmente ostentando o ex-libris do dedicando no verso da folha de guarda. Em estado regular, sem defeitos de monta – leve desgaste da capa e algumas marcas de acidez no miolo.  

 35€