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José Maria Viqueira ― Coimbra (impresiones y notas de un itinerario)

Coimbra Editora, Limitada / MCMLVII. In-8º de XV, [I], 386 págs. Br.

No seu curioso prefácio falava o autor dos turistas superficiais nas cidades com uma análise tão certeira que se aplica aos que visitam ainda hoje – cada vez mais... – Coimbra mas sobretudo Lisboa e Porto: “a única coisa que lhes enche a vacuidade de espírito é a frívola satisfação de conhecê-la, dando a conhecer o sentido de ter estado nela, de ter passeado pelas suas ruas percorrendo lojas – e não propriamente de livros – e gastando cadeiras e mesas de cafés”, assim os comparando com aqueles que segurando nas mãos a capa de um livro e folheando algumas breves páginas supõem ficar a conhecê-lo. [Faça-se, porém, a clássica ressalva: todos nos julgamos a nós próprios os «turistas bons» e os outros é que são uns labregos...]
Bastante completo (assinalavelmente completo para um estrangeiro, mesmo que lusitanista e apetrechadíssimo de bibliografia), dedica capítulos a quase tudo o que de relevo existia à época na Lusa Atenas, começando desde logo por «El Mondego», «El Embrujo nocturno de Coimbra desde el Mirador: Melodía lunar», «Santa Clara: Monasterio nuevo e iglesia del antiguo», «La Reina Santa, Patrona de Coimbra», «Portugal dos Pequenitos», «La «Quinta das Lágrimas»», etc. Refira-se que este encantamento em que o galego caiu à «Borda-Mondego» teria como consequência acabar a dar aulas de castelhano na Faculdade de Letras local.
 
Edição numerada pelos editores e rubricada pelo autor, pertencendo o exemplar à série que teve a capa ilustrada; sendo também bastante ilustrado o volume por gravuras a partir de desenhos e clichés fotográficos de panoramas e monumentos da cidade.
Salvo erro, o livro nunca foi publicado em português – aqui ficando à disposição de quem queira preencher essa bastante escandalosa lacuna. 
 
23€

Maria João Violante Branco Marques da Silva ― Aveiro Medieval

Edição da Câmara Municipal de Aveiro, 1991. (Tipografia «A Lusitânia»). In-8º gr. de 208 págs. Br.
 
“Constituiu um dos objectivos primaciais do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) lançar as bases de uma nova história das cidades de Portugal que fizesse jus ao avanço espectacular da historiografia portuguesa posterior à revolução de 25 de Abril. (...) A história medieval de Aveiro integra-se nesse conjunto”, assim apresentava Oliveira Marques este trabalho que orientou e que terá contado ainda, dizia a autora, com contribuições por exemplo de José Mattoso, Luís Miguel Duarte e Bernardo Sá Nogueira. O trabalho, entretanto já reeditado, foi dividido nos capítulos maiores «Introdução», «A Vila e sua População», «Senhorio e Administração», «Economia», «Os Grupos Sociais e suas Vivências Comunitárias».
 
14€

João Martins da Silva Marques ― Foral de Esgueira (1515)

Figueira da Foz: Tipografia Popular, MCMXXXV. In-4º de 19, [1] págs. Br.
 
Edição independente de um artigo inserto no volume inaugural do Arquivo do Distrito de Aveiro, num tempo em que as separatas eram menos habituais e amiúde impressas em maior formato e melhor papel – é o caso. O breve estudo do autor – indicando, por exemplo, que o mosteiro de Lorvão (na zona de Coimbra) era o donatário da vila de Esgueira, cujo concelho foi extinto na reforma administrativa liberal e incorporado no de Aveiro – antecede a reprodução do texto renascentista.

Tiragem de 250 exemplares destinados a ofertas, apresentando este uma dedicatória manuscrita pelo autor “Ao Prof. Doutor João da Silva Correia” (tratar-se-á portanto do académico e pedagogo, e não do escritor sanjoanense homónimo).
 
12€

António Dias Simões ― Ovar: Biografias (2.ª edição)

Edição da Câmara Municipal de Ovar, 1970. (Composto e impresso na Imprensa Pátria). In-8º de 255, [1] págs. Br.

A primeira edição em volume, hoje muito rara, fôra publicada em 1917 já nesta Imprensa Pátria; tendo cada uma das biografias sido publicada originalmente no correspondente periódico local A Patria em cujas oficinas esta reedição também se imprimiu. Como curiosidade, refira-se que a mãe do autor, Ana Barbosa, terá na opinião de gente da terra inspirado a Júlio Dinis a Margarida d’As Pupilas do Senhor Reitor; e o avô materno o próprio reitor.

Exemplar por estrear, conservando todos os cadernos por abrir.

15€ 

Santos Graça ― O Poveiro (Usos, Costumes, Tradições, Lendas)

Edição do Autor – Póvoa de Varzim, 1932. (Tipografia Minerva, Vila Nova de Famalicão). In-8º de 238, [2] págs. Enc.

No seu prefácio a este livro – que ocupa ainda hoje o lugar cimeiro no pódio das gentes da Póvoa –, explicava o autor ter ele resultado das notas que foi preparando a pedido de Rocha Peixoto, entretanto deixadas de lado após a morte do etnógrafo; do incentivo posterior de Leonardo Coimbra, que lhe franqueou as portas d'A Águia ; e da publicação de um volume sobre a terra, da autoria de um jornalista forasteiro, segundo ele cheio de disparates que importava corrigir. Ilustrações variadas e engraçadas em folhas à parte de papel couché.

Exemplar revestido de encadernação com cantos e lombada em pele e pastas em «pele-de-cobra» fragmentada, conservando a face superior da capa; lombada ligeiramente desbotada e fendida nas extremidades; e uma das gravuras, embora íntegra, solta. 

36€

Viriato Barbosa ― Póvoa do Mar

Póvoa do Mar (2.ª edição especial ampliada / desenhos originais de Orlando Barbosa)
 
1969. (Depositários: Fernando Machado & C.ª, L.da, Livreiros-Editores / (Rua das Carmelitas, 15) Porto). ([Na Tipografia] Costa Carregal). In-8º gr. de 178, [6] págs. Br.
 
Edição especial de 500 exemplares, sendo este o n.º469 assinado pelo autor” de “um livro de sentimento e de fé que fala ao coração poveiro”, “um livro de amor ao torrão nativo”; abundantemente ilustrada pelos desenhos mencionados no subtítulo e na capa pela reprodução do quadro «Na Hora do Banho», do pintor Marques de Oliveira. Capítulos dedicados a «A Minha Junqueira», «O Largo de São Roque», «A Rua Direita», «A Rua da Ponte», «A «Lição» do Mestre Quilôres», etc.
 
O exemplar conserva os cadernos por abrir e mantém-se em condição quase perfeita, descontando uma pequena marca de irrisão na face inferior da capa.
 
 
20€   

Hélder Pacheco ― Senhor de Matosinhos: Cartazes da Festa


1995 / Comisão de Festas do Senhor de Matosinhos. In-4º gr. de [56] págs. Cart.

Os três textos preliminares de Hélder Pacheco traçam um panorama da evolução da festa ao longo dos tempos e do uso do cartaz em geral, destacando e comentando depois alguns dos que para esta romaria se fizeram – e reproduzindo-os em seguida sobre folhas destacadas.

Tendo composição gráfica da Inova sob a direcção de Armando Alves, o álbum constou de 1500 exemplares impressos sobre encorpado papel mate; conservando-se este ainda por estrear.
 
30€ 

Hélder Pacheco ― Matosinhos: Memória e Coração da Feira da Louça

Comissão de Festas do Senhor de Matosinhos / Câmara Municipal de Matosinhos. (1994). In-8º quadrado de 153, [3] págs. Br.

“O escritor deixa perceber no correr da sua escrita, na busca da palavra de ontem, um olhar para trás de contemplação pela arte saída de mãos ingénuas, que deram valor aos tostões, essencialmente saídos dos bolsos dos mais pobres. Um retrato da Feira, de Matosinhos, da arte popular. Memória e Coração, numa argamassa do passado com o presente. Um foguetório de recordações. Um bom livro, uma festa.”

Impresso sobre papel couché com uma bela recolha iconográfica, teve o álbum tiragem de 2000 exemplares, este ainda bem conservado apesar de ligeiros defeitos exteriores.

14€

Hélder Pacheco ― Ver o Porto: 25 anos de escrita sobre a cidade

Edições Afrontamento (2008). In-4º quadrado de 216, [6] págs. Cart.
 
Álbum antológico, assinalando as «Bodas de Prata» da escrita de crónicas sobre o Porto e recolhendo, de entre 23 livros acerca da urbe e um ou outro disperso, 88 textos seleccionados para o efeito. Ilustram-no fotografias de colaboradores vários e sobretudo do próprio autor.
Prefácio de Miguel Veiga.

Exemplar novo, mas com ligeiros defeitos exteriores de armazenamento e já manuseado durante a Feira do Livro do... Porto, precisamente.
 
25€

Hélder Pacheco ― Intimidades Portuenses

Edições Afrontamento. (1997). In-4º de 286, [6] págs. Br.

Uma das típicas recolhas de textos do autor, principalmente ilustrada por fotografias do próprio e de Manuel Magalhães, além de fotogravuras variadas.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita por Hélder Pacheco ao nosso belo escritor de origem checa, recentemente saído do «número dos vivos», Jorge Listopad.
 
22€ 

Hélder Pacheco ― O Porto no tempo da guerra (1939-1945)

Edições Afrontamento. (1998). In-4º  de 199, [7] págs. Br.

Resultado desenvolvido de uma prévia conferência pronunciada pelo autor, o livro consta dos capítulos «Não sei se o tempo existe», ««O Passado é um país estrangeiro: lá fazem-se as coisas de maneira diferente»», «E, entretanto, o quotidiano...», «Do romance à realidade.», «Entre a realidade e o futuro.», «Memórias do tempo da guerra: I – Do outro lado da Circunvalação», «II – No Coração do Burgo».
 

15€

Júlio Resende: Ribeira Negra, Porto (Com um texto de Eugénio de Andrade)

Fundação Eng. António de Almeida (1988). In-8º gr. quadrado de 42, [52] págs. Enc.

“«Ribeira Negra», o Painel de azulejos em grés, com ap. 54 m de comprimento ocupando uma área total de ap. 200m2, foi o motivo da presente publicação. Realizado pelas mãos de RESENDE, em réplica a um que lhe [sic] antecedeu, na técnica de polivinil, foi concretizado em 1986. Em 21 de Junho de 1987 foi inaugurado pela Câmara Municipal do Porto. / O Porto surge-nos aqui pela fotografia, como um espaço geo-humano envolvente. Uma dúzia de desenhos preparatórios ocupam as páginas seguintes, tendo a rematá-las a documentação fotográfica do Painel, durante a sua execução, montagem, e sua conclusão.”
Além do de Eugénio, há um texto de apresentação, sobre o Porto, do próprio Resende – reproduzido ainda em inglês e francês; sendo de referir que as (boas) fotografias são também do pintor e de colegas como Francisco Laranjo, Manuel Aguiar e Zulmiro de Carvalho.
O álbum, impresso sobre bom papel couché mate, foi encadernado em tela e revestido de sobrecapa ilustrada.
 
Exemplar da série corrente.
 
20€

Porto: os Sulcos do Olhar

Porto: os Sulcos do Olhar (Textos: Eugénio de Andrade / Fotografias: Dario Gonçalves / Aguarelas: Júlio Resende / Direcção Gráfica: Armando Alves)

1988, o jornal. In-4º de 139, [5] págs. Enc.

De boa composição, impresso em papel Printomat, o álbum foi encadernado pelo editor em tela revestida de sobrecapa em papel. Dos textos de Eugénio que aqui se reúnem vários estavam já publicados – incluindo alguns bem conhecidos – e outros inéditos.

Exemplar cuidado, provavelmente por estrear, apresentando apenas ligeiras marcas na referida sobrecapa.
 
20€

Porto em Fralda: narrativas do Porto, por dois tripeiros

1.º milhar ——— 1926. (Composto e impresso na tip. da Casa de Obras de O PRIMEIRO DE  JANEIRO). In-8º de 94, [2] págs. Br.
 
Livrinho consideravelmente raro, consideravelmente desconhecido e consideravelmente interessante, gracioso roteiro narrativo pelas ruas e instituições da cidade, composto pelos irmãos Diogo e Eduardo de Sousa Lima; e ilustrado na capa por ainda mais um Lima, João:
Porto em Fralda, escrito ao correr da pena e sem pretensão a litteratura ou humorismo, tem por fim, caros leitores e presadíssimas leitoras, demonstrar, em linhas rápidas e sem obsecação de bairrismo  o que é a Invicta e Sempre Leal Cidade da Virgem, áqueles que simplesmente a conhecem de nome... Por isso, os seus autores, tripeiros de gema, procurando enaltecer o que de bom existe neste querido Pôrto, de tradições as mais belas, não deixarão, no entretanto, de condenar, pondo a claro, a hedionda podridão que ao transeunte se depara a cada passo, por essas ruas fora, graças à inércia dos dirigentes da C. M. P., que lançaram ao abandono esta laboriosa Cidade, donde brotaram os principais rasgos de heroismo e os primeiros gritos de liberdade (...)
 
Exemplar bem conservado, descontando quando muito as ligeiras manchas da capa.

20€

«Estado de Emergência»

O problema de alguns cidadãos com os estados de emergência é antigo. Tão antigo que já vem da Roma Antiga onde bem vistas as coisas começaram.
Durante a República, entendeu-se até bastante tarde - ainda na guerra púnica com Aníbal aconteceu várias vezes, especialmente quando este, saído daqui da Península Ibérica, atravessou Pirenéus e Alpes gelados a pé com elefantes e um exército dos que sobreviveram ao frio, chegou à metrópole indefesa pelas legiões afastadas noutras frentes e por um acaso até hoje inexplicável não a desfez, preferindo passar-lhe ao largo: "Hannibal ad portas!" - que seria proveitoso suspender a normal vigência das leis e o habitual funcionamento das instituições durante fases de crise, excepção, emergência; conferindo poderes alargadíssimos e quase ilimitados aos dois cônsules que então estivessem em funções e/ou ao dictator que nomeassem. Cunhou-se aí o conceito de «ditadura» como hoje o conhecemos, tal como até certo ponto, pelo menos em sentido institucional, também o de «República» poderemos reconduzir aos romanos (apesar de Cartago funcionar igualmente enquanto república, já para não falar em algumas das anteriores cidades-Estado gregas; os celtas, num paraíso perdido propriamente colectivista, estavam muito à frente). Mais tarde, primeiro Sula e depois sobretudo Júlio César tentaria normalizar esse estado de excepção para se ir alongando no poder, por isso acabando assassinado assim nuns "Idos de Março" mas em vão: depois do segundo triunvirato, e após a terceira guerra civil em menos de um século (com Marco António), Octávio imporia o imperium como regime, super-ditadura que duraria, mais ou menos dinasticamente, quatro séculos e pico, não sendo este "pico" nenhum trocadilho.
Digamos portanto que isso dos estados de emergência, e das ditaduras, e pior ainda o facto de serem aceites em República, foi uma mais de tantas coisas más que os romanos nos deixaram, desde a autoridade à burocracia administrativo/fiscal, desde a escravatura enquanto base da economia até ao pão e circo para alienar a plebe.
 
[Na imagem: a capa de Astérix e os Louros de César, desenhada por Albert Uderzo]

Albert Uderzo [1927-2020]

Nestes tempos em que quase nada circula, sobretudo notícias, passou relativamente despercebida a morte de um dos co-criadores de Astérix, Albert Uderzo, a quem o céu caiu por cima da cabeça * na passada semana (René Goscinny finara-se em 1977).
Por vontade do ilustrador que até no facto de ter nascido com seis dedos em cada mão era excepcional, a série deveria terminar quando ele lhe terminasse a derradeira prancha, mas entretanto não resistiu à tentação de vender os direitos à Hachette, que naturalmente (mas infelizmente) lhe quis dar continuidade e mais lucro, não se limitando aos títulos já publicados e pretendendo continuá-la. Para o efeito contratou há alguns anos um novo argumentista e um novo desenhador, cujos nomes nem fixámos nem vamos fixar, e é claro que não só o traço como o texto (talvez este mais ainda) ficaram muito a perder. 
 
Aqui fica a homenagem de um dos tantos leitores infanto-juvenis que quando começavam qualquer dos livros da colecção só o largavam no fim, a eito, mesmo que pelo meio estivesse por exemplo uma viagem de carro e tivessem de enjoar pelo caminho.
Quem padecer de dúvidas sobre que tipo de livros incluir em Planos Nacionais de Leitura e quejandos, não tem muito que saber. Não devia ter.
 
* Um dos leit-motivs de força da série, baseou-se com certeza numa célebre tirada do guerreiro gaulês Breno, que numa expedição pelos inícios do séc.IV a.C. invadiu e saqueou Roma como se nada fosse, algo que só Aníbal poderia ter repetido e só oito séculos depois várias tribos germânicas viriam a repetir. Algum dos habitantes de uma cidade assustada ter-lhe-á perguntado se não havia nada de que ele tivesse medo. Breno ter-se-á rido e respondido qualquer coisa como "Medo? Só se for de que o céu me caia em cima da cabeça..."
Chama-se a atenção para um aspecto que cá passou sempre despercebido, se é que não passou também em França: é que a própria figura de Astérix parece basear-se num quadro artístico do saque de Roma pelo comandante gaulês.

Artur Magalhães Basto ― Fons Vitae

«Fons Vitae»: o misterioso quadro existente na Misericórdia do Porto

Pôrto: Tipografia do Hospital do Conde de Ferreira (Da Misericórdia do Pôrto). 1933. In-4º de 59, [1] págs. Br.

Primeira edição, já invulgar, impressa em bom papel e ilustrada em folhas destacadas de papel couché pela reprodução do quadro e de dois pormenores. O estudo dá nota das principais hipóteses aventadas até à data relativamente à autoria do quadro – Van Eyck, Van der Weyden, o nosso Grão-Vasco, etc. – e  das vicissitudes pelas quais teria passado até então.

Exemplar em boa condição, só pontuado em poucas folhas por algumas marcas de acidez.

20€

Artur Magalhães Basto ― Fernão Lopes

Fernão Lopes (suas «Crónicas Perdidas» e a Crónica Geral do Reino – a propósito duma Crónica Quatrocentista Inédita dos Cinco Primeiros Reis de Portugal // em apêndice, largos trechos da crónica inédita em confronto com os trechos correspondentes de Galvão, Pina, Acenheiro :: e Crónica da Conquista do Algarve)

Editora – Livraria Progredior – Pôrto, 1943. In-4º de VIII, 131, [1] págs. Br.

Verifiquei recentemente que um dos Códices da riquíssima colecção de manuscritos da Biblioteca Pública Municipal do Porto contém, além de outras peças de grande interesse histórico-literário, uma crónica dos cinco primeiros reis de Portugal, a qual, embora mui parecida com as crónicas afonsinas de Duarte Galvão e Rui de Pina, considero anterior às dêstes autores. (...) Se se provar que a Crónica do Códice a que me referi é, efectivamente, anterior e serviu de base às correspondentes daqueles autores, ocorre naturalmente a pregunta: será essa Crónica dos Cinco Reis uma parte da obra histórica «perdida» de Fernão Lopes?

Edição graficamente cuidada, ornada por capitulares e outros elementos decorativos e impressa a duas cores na capa, na folha de rosto e no frontão de abertura.

20€

Magalhães Basto ― Um Episódio na Praça da Liberdade às 4 Horas da Manhã

Um Episódio na Praça da Liberdade às 4 Horas da Manhã (Palestra radiofónica pronunciada em 1939 pelo A. (Pôsto da Invicta Rádio) e promovida pela Comissão Organizadora da Feira do Livro

Editora – Livraria Progredior / Pôrto – 1943. In-12º de 21, [3] págs. Br.

Livrinho composto pelo autor num seu certo registo típico, descaradamente fantasioso e bem-humorado, inventando uma conversa imaginária de madrugada “Para os que me não conhecem, devo advertir que não é meu hábito passear na Praça Nova às 4 da manhã. Fi-lo (ou se preferem físe-o) uma noite destas, porque não podia dormir de preocupado que andava com o que havia de dizer hoje aqui” com os fantasmas dos escritores portugueses arrumados nas prateleiras das estantes dos pavilhões da Feira do Livro, alinhavados em torno da estátua de D. Pedro (há desse tempo uma ou outra deliciosa fotografia do pavilhão da alfarrabista portuense Moreira da Costa, ainda hoje com actividade aberta ali bem perto, na Rua de Avis, de onde um hoteleiro recém-arrivista não a conseguiu tirar – coisa talvez tão rara nos tempos que correm como os exemplares que vão aparecendo deste pequeno opúsculo.) Para quem não saiba – e parece haver ainda muita gente... – a Feira do Livro tem ultimamente decorrido nos jardins encantados do Palácio de Cristal, onde marcamos presença ano após ano, saindo de lá por vezes quase às 4 da manhã.
 
10€

Artur Magalhães Basto ― “Vereaçoens”

“Vereaçoens” (Anos de 1390-1395 // O mais antigo dos Livros de Vereações do Município do Pôrto existentes no seu Arquivo / Com / Comentário e notas de A. de Magalhães Basto, Chefe de Serviços da Secção de Manuscritos da Biblioteca Pública Municipal do Pôrto)

Publicações da Câmara Municipal do Pôrto / Gabinete de História da Cidade. (Execução de Gráficos Reunidos, Lda. Porto). In-4º de 498, [II] págs. Br.

Além das escrituras propriamente ditas, interessam em grande medida, como de costume, os comentários e longas notas finais de Magalhães Basto. Salvo erro, sairia mais tarde um segundo volume dedicado já ao início do séc.XV.

Exemplar dificilmente superável, muitíssimo bem cuidado e conservando ainda todos os cadernos por abrir, exceptuando uma mancha de escurecimento marginal na capa.
 
30€

Artur Magalhães Basto ― Os 75 anos do Ateneu

Edição do Ateneu Comercial do Pôrto (acabou de se imprimir aos 10 de Maio de 1945, nas Oficinas Gráficas da Sociedade de Papelaria, Lda.). In-8º gr. de 44, [4] págs. Br.

“Conferência pronunciada pelo autor em a noite de 11 de Dezembro de 1944, no salão nobre do Ateneu Comercial do Pôrto”, engraçadíssima no seu registo coloquial, contando sob a forma de imaginário diálogo a história da instituição portuense desde os primórdios ainda na Rua da Porta do Sol, à Batalha – fornecendo curiosos dados acerca da compra do terreno e da construção do edifício da Rua Passos Manuel e, sobretudo, da biblioteca: cujo inaugural «Gabinete de Leitura» ainda na localização primitiva era uma estante de pinho com trezentos e poucos títulos, em 1945 já 50.000 (incluindo o exemplar comprado da 1.ª edição d’Os Luziadas), e hoje sabe-se lá quantos. Aos 75 anos então contados há hoje que somar outros tantos cumpridos em 2019, 150 no total.
Edição ilustrada na capa e num desenho por Laura Costa, artista neta de Alves Costa, um dos pioneiros do Ateneu – família que bem se pode considerar das mais ilustres do séc.XX na cidade.

O exemplar aqui apresentado ostenta o ex-libris pequeno da Livraria Manuel Ferreira, da autoria de José Rodrigues, outro portuense ilustre; e tem debaixo um carimbo de oferta como “Homenagem do Ateneu aos «Amigos da Biblioteca»”.

20€     

Álbum de Memórias do Ateneu Comercial do Porto (1869-1994)

Porto 1995 (concepção gráfica e paginação: Edições Afrontamento / impressão e acabamento: Rainho & Neves, Santa Maria da Feira). In-4º gr. de 327, [9] págs. Enc.

Se não falha a memória, é o mais importante repositório histó rico, documental e  iconográfico sobre a velha instituição onde tiveram lugar, por exemplo, as conferências promovidas pela Liga Patriótica do Norte presididas pelo socialista Antero de Quental (ou, segundo o ultra-neo-liberal e cultíssimo Observador, “Linha Patriótica do Norte”).
Trabalho de uma vasta equipa à volta da Faculdade de Letras, integrando professores e alunos, teve coordenação de Gaspar Martins Pereira e Luciano Vilhena, que assinam textos – tal como Luís Miguel Duarte, Alfredo Ribeiro dos Santos, Maria do Carmo Serén, Mário Cláudio, Dulce Magalhães, Luís Grosso, etc. Riquíssimo em apontamentos não só sobre a história do Ateneu mas também a da cidade, pode bem considerar-se importante para qualquer coleccionador portuense.

O álbum foi encadernado pelo editor em tela, revestida de sobrecapa em papel – já neste caso ligeiramente desgastada – que reproduz uma conhecida escultura da casa.

35€ 

Ricardo Jorge ― Camillo e Antonio Ayres

Camillo e Antonio Ayres (Seguido do poema “As Commendas”) / (Com um retrato de Camillo e outro de Antonio Ayres) / 1.º Milhar

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. (Tip. da Sociedade de Papelaria, L.da ● Pôrto ● 1925). In-8º de CCLVII, [I], [8], 84, III, [III] págs. Br.

O longo e hoje pouco interessante comentário da polémica, de que algumas peças são aqui transcritas, é frequentemente acompanhado de notas acerca da vida portuense na época a que respeita (grosso modo, a de infância e juventude do autor).

Exemplar ainda por estrear, conservando a totalidade dos cadernos por abrir; com uma etiqueta de biblioteca colada pelo respectivo anterior proprietário no pé.
 
15€

Ricardo Jorge ― Sermões dum Leigo

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. [S/d - 1925?]. In-8º de [8], 327, [3] págs. Br. 

Edição primeira destas “emissões oratorias, soadas ao sabor vario dos tempos e dos auditorios, (…) umas por imposição de dever, outras por condescendencia indeclinavel”, a saber: «Sousa Martins», «João Semana», «O Medico Penitente», «A Guerra e o Pensamento Medico», «A Intercultura de Portugal e Espanha no Passado e no Futuro», «Maximiano de Lemos» e «A Proposito de Pasteur».
Exemplar do primeiro milhar impresso.

15€

Ricardo Jorge ― Passadas de Erradio

Passadas de Erradio (Impressões e estudos de viagem ) / (1.º milhar)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da / Lisboa. (1924). In-8º de 318, [2] págs. Br.

Segundo volume de um díptico de literatura de viagem, publicado como sequência de Canhenho dum Vagamundo. Apresenta os textos «Il Duce – Impressões de Florença» (o autor estava na belíssima cidade italiana quando Mussolini, subindo após a tomada de Roma, lá foi recebido em apoteose – aproveitando para assistir, e demasiado bem impressionado por Il Capo, deixava aqui dessa manifestação a reportagem), «A Cortina de Pedra de S. Marcos – De Coimbra a Veneza», «Pela Puerta del Sol», «Na Côrte das Nações», «No Centenário Pastoriano», «Aspectos de Paris» e o longuíssimo e anterior «Em Quarentena de Guerra» (em Paris no desenlace do primeiro conflito mundial).

Exemplar aparentemente já lido, e com ligeiro desgaste da capa, mas não apresentando defeitos de importância.
 
14€  

Ricardo Jorge ― Canhenho dum vagamundo (Impressões de Viagem)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da/Lisboa. (1923). In-8º de IX, [I], 296 págs. Enc.

Edição original deste repositório de apontamentos de viagem (por Londres, Paris, Suíça, Mónaco e Catalunha), cada uma “projectada na taboa raza dum espirito, facil de adivinhar por inteiro, porque nos seus refêgos mesmo se retrata ao trasladar das impressões que o animaram”; dedicada à memória da mulher (morrera em 1922), Leonor Maria dos Santos, e ilustrada em folha destacada preliminar pela reprodução de uma caricatura do autor tirada precisamente durante a estadia londrina.
Recorde-se que o livro foi recentemente publicado em fac-simile pelo jornal Público, sendo o escolhido de Ricardo Jorge na colecção Médicos Escritores.

Exemplar do primeiro milhar impresso.
 
18€

Ricardo Jorge ― Canhenho dum vagamundo (Impressões de Viagem)

Emprêsa Literária Fluminense, L.da/Lisboa. (1923). In-8º de IX, [I], 296 págs. Enc.

Outro exemplar da mesma edição primitiva, este da série encadernada pelo editor – em percalina gravada a ouro – do primeiro milhar.

22€   


Ricardo Jorge ― I – H – S

I – H – S (Discurso pronunciado na sessão academica consagrada a S. S. Pio XI e celebrada na Sala Portugal da Sociedade de Geografia a 6-2-29 / Com um Postfacio)

Lisboa – 1929. (Composto e impresso na Imprensa Lucas & C.ª). In-4º de 29, [3] págs. Br.

Palestra em defesa do cristianismo por um assumido católico nada praticante, que para o efeito invocava e comentava os casos de mais inveterados predecessores ilustres, alguns deles – os do Porto – ainda por ele conhecidos: Antero, Gomes Leal, Junqueiro, Basílio Teles, Sampaio Bruno. “A cruzada hoje é outra: não há que estremar dissidências entre fieis nem pelejar contra infieis. A Igreja não enrista nem afia espadas, quer que elas se abaixem e se embotem. Ha sim que implantar a paz do mundo, estandardizada pelos braços abertos do crucifixo: a paz que com a glória a Deus nas alturas seja a paz na terra aos homens de bôa vontade, que não são muitos, e aos de má vontade, que são legião”.

Exemplar com alguns picos de acidez na capa. 

12€  

Ricardo Jorge ― Demographia e Hygiene da cidade do Porto

Demographia e Hygiene da cidade do Porto ― I: Clima-População-Mortalidade (illustrado com quadros estatisticos, tabellares e graphicos, referentes ao Porto, Lisboa e Reino, e confrontos internacionaes / por / Ricardo Jorge (Medico municipal, lente de hygiene e medicina legal na Escola Medico-Cirurgica do Porto, socio correspondente da Academia Real das Sciencias, do Instituto de Coimbra, e da Sociedade das Sciencias Medicas.))

Editado pela Repartição de Saude e Hygiene da Camara do Porto, 1899. In-4º de 444, [4] págs. Cart.
 
 
Tomo inaugural de um projectado «Annuario do Serviço Municipal de Saude e Hygiene da Cidade do Porto» que, salvo erro, não teria continuação, foi este um dos primeiros livros do higienista e é hoje raro – e bastante desconhecido mesmo entre os coleccionadores de bibliografia portuense, à qual interessa e não pouco.

“Quando em fins de 1892 se installou a Repartição municipal de Saude e hygiene, um dos serviços que a ex.ma camara nos auctorisou logo a crear, foi o da estatistica demographica da cidade. Era litteralmente uma vergonha que uma grande cidade como o Porto não tivesse um registro seu do movimento da sua gente. (...) O Porto vive no esquecimento d’essas cifras; se a semana foi boa ou ruim no mercado dos generos ou nas operações bancarias, ha muito quem escrupulise em sabe-lo; mas se os cemiterios enguliram mais cadaveres, se a tisica ou a febre typhoide diminuem o rebanho, a quem se lhe dá isso?! (...) Tentou-nos, como preliminar, a historia populacional do Porto, as causas e a marcha do seu desenvolvimento, rastreadas principalmente atravez dos documentos archivados no cartorio municipal. E’ um ensaio de demogenia local e estatistica historica, e ao mesmo tempo um esboceto da evolução social d’esta cidade que a historia tam ingratamente tem despercebido, esta cidade do Porto tam digna de rememoração como «velha burgueza, mãe do Portugal, que ella criou, vestiu de ferro, e fez nação, robusta e destemida, entre os seus braços e sobre a amurada das suas naus (Camillo)”, assim apresentava o autor num longo prefácio este seu trabalho, que dizia pioneiro na estatística e no qual destacava “a construcção dumas taboas de vida, mortalidade e sobrevivencia, raro tentada lá fóra em grupo urbano, e pela primeira vez ensaiada para um grupo social portuguez”.

Antes do tratado propriamente dito, também a longa exposição inicial acerca da história da cidade merece atenção, apesar de padecer um tanto dos mesmos defeitos e insuficiências que R.J. criticava a outros – v.g. a confusão entre Cale e Gaia, porém desculpável numa altura em que ainda se começava a desfazer esse e outros equívocos sobre a origem do burgo que ainda hoje confundem tanta gente...

Compõe-se das secções «Meteorologia – Clima», «Demographia – População» (com os capítulos «Origens e Desenvolvimento», «Composição censuaria» e «Movimento da população») e «Mortalidade» («Mortalidade geral», «Mortalidade especial», «Taboas de mortalidade e sobrevivencia» e «Mortalidade local»); apresentando, no texto e em folhas destacadas, toda uma profusão de gráficos, mapas, quadros e tabelas com diversíssimos dados geográficos e higiénico-sanitários relativos, sobretudo, ao último quartel do séc.XIX.

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