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Aurélio Buarque de Holanda ― Enriqueça o seu Vocabulário

Enriqueça o seu Vocabulário (segunda edição / Revista e muito aumentada: 1 750 palavras – 50 locuções)

Editôra Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro. (1965). In-8º peq. de 286, [2] págs. Br.

Proclamava o editor registar “esta edição, em relação à anterior, muito maior número de etimologias. Amplia também – e largamente – as abonações. A êsse respeito, basta observar que 95% das palavras consignadas vêm acompanhadas de passagens de escritores portugueses e brasileiros, desde Camões a autores dos nossos dias. Neste particular, nenhum dicionário do mundo o iguala”. É bastante interessante o prefácio de Paulo Rónai, «Útil inda brincando», explicando a origem anglo-saxónica deste tipo de dicionários (estilo quiz) e afirmando, bem ou mal, ser o primeiro no género publicado em língua portuguesa.
 
8€

Sérgio Buarque de Holanda ― Raízes do Brasil

Livraria José Olympio Editora / Rio – 1936. In-8º de IX, [I], 176, [6] págs. Enc.

Volume inaugural da colecção «Documentos Brasileiros», apresentado por Gilberto Freire, que a dirigia, e que gabava em Buarque “uma daquellas intelligencias brasileiras em que melhor se exprimem não só o desejo como a capacidade de analysar, o gosto de interpretar, a alegria intellectual de esclarecer”. Edição também inaugural de um dos dois livros principais de toda a bibliografia brasileira do séc.XX, com único par em Casa Grande & Senzala, justamente de Freire.


Exemplar bem encadernado com cantos e lombada em pele gravada a ouro e as pastas em bom papel marmoreado. A capa primitiva parece ter sido recoberta como guarda, não estando, por isso, visível.


85€

Gilberto Freire ― O mundo que o Português criou

O mundo que o Português criou (Aspectos das relações sociaes e de cultura do Brasil com Portugal e as colonias portuguesas / Prefacio de António Sérgio)

1940, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 164, [4] págs. Enc.

Embora esse leit-motiv de toda a sua bibliografia aflorasse já de forma bastante clara desde os seus primeiros trabalhos, apesar das nuances que pontuam por exemplo Casa Grande & Senzala, pode e deve considerar-se este o tratado propriamente fundador do lusotropicalismo – o tempora, o mores, com extenso prefácio de um dos mais encartados opositores ao Estado Novo, o qual de passagem se insurgia contra a “retórica histórico-patrioteira” a que hoje o pós-colonialismo reduz com alguma ignorância a coisa. Na introdução, Freire explicava que esta edição original (sob o título) se baseava em Conferencias na Europa, saída dois anos antes – mas acrescentando quer texto, quer apensos às quatro conferências em causa: «Aspectos da influencia da mestiçagem sobre as relações sociaes e de cultura entre portugueses e luso-descendentes»; «Importancia dos estudos de historia social e cultural para as relações entre portugueses e luso-descendentes»; «Suggestões para a cooperação luso-brasileira no estudo de problemas de historia de arte culta e popular»; «O Nordeste do Brasil e seus pontos de contacto com outras areas americanas especializadas na producção do açucar».

Outro exemplar da biblioteca brasiliana de Aurélio Pereira Martins, com uma boa encadernação mas infelizmente desprovida da capa de brochura.
 
28€

Gilberto Freire ― Região e tradição

Região e tradição (Prefácio de José Lins do Rego / Illustrações de Cícero Dias)

1941 / Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 264, [4] págs. Enc.

O prefácio do romancista brasileiro, que depois se debruçava sobre isso mesmo, começava por notar que “Este livro de Gilberto Freyre é bem a historia de sua vida intellectual no Brasil. Vae elle de seus 17 annos ao fim dos seus 30. E nenhum titulo diz melhor, com mais propriedade, de toda a sua luta interior, de todo o seu esforço de comprehender e de sentir a sua gente e a sua terra”. Com as ilustrações de Cícero a folha inteira, teve o livro, aqui em primeira edição, capítulos como «Algumas notas sobre a pintura no Nordeste do Brasil», «Região, tradição e cozinha», «Fidalgos pernambucanos», «Narcisismo gaúcho», «Regresso à provincia», etc.

Mais um livro da colecção brasiliana de Aurélio P. Martins, encadernado como os abaixo e acima referidos, sem a capa de origem.
 
25€     

Gilberto Freire ― Problemas Brasileiros de Antropologia

Colecção Estudos Brasileiros da CEB / Rio de Janeiro, 1943. In-8º de 208, XII, [I] págs. Enc.

Correspondendo algumas a conferências proferidas pelo autor, o volume divide-se nas partições «A propósito de algumas tendências actuais da antropologia», «Antropologia social e antropologia cultural», «Áreas de cultura e outras áreas», «Complexidade da antropologia e complexidade do Brasil como problema antropológico», «A propósito de paulistas», «Sugestões para o estudo histórico-social do sobrado no Rio Grande do Sul», «Problemas de relações da personalidade com o meio», «A propósito da política cultural do Brasil na América» e «Antropologia e reforma do esnino». Edição da Casa do Estudante do Brasil, a original deste livro, ilustrada numa série de folhas à parte por fotogravuras de sobrados e respectivas janelas do Rio Grande do Sul e portas e janelas «mouriscas» de Olinda.

Exemplar forrado de encadernação semelhante às acima fotografadas; igualmente desprovido da capa de publicação e igualmente ostentando o ex-libris de Aurélio Pereira Martins, que além disso o assinou.
 
23€

Gilberto Freire ― Sociologia

Sociologia (1. Introdução ao Estudo dos seus Princípios / Primeira Parte: Limites e Posição da Sociologia // Segunda Parte: Sociologias e Sociologia)

1945, Livraria José Olympio Editora. 2 vols. in-8º de 775, [8] págs. nums. em conjunto. Enc.

Edição original de um dos trabalhos mais importantes do escritor, que previa a publicação de cinco mas se ficou por estes dois volumes aqui apresentados, como habitualmente cruzando os temas de sociologia, antropologia e história na sua interpretação do que seja a identidade brasileira – neste caso mais genericamente, cruzados e por vezes comparados com bases de estudo culturais e geográficas bastante diversas.

Os volumes pertenceram à brasiliana de Aurélio Martins e foram encadernados em estilo amador com a lombada em pele gravada a ouro sobre o encaixe; ambos conservando ambas as faces da capa de brochura.
 
45€

Gilberto Freire ― Casa Grande & Senzala

Casa Grande & Senzala (formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal)

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. [S/d – pref. 1957]. In-8º de 524, [4] págs. Br.

Primeira edição portuguesa do principal título do autor e de toda a bibliografia brasileira do séc.XX, porventura só com par em Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Entretanto reeditado salvo erro duas vezes por esta mesma casa editora, o livro conhecia já à época nove edições brasileiras e oito (!) francesas, além de argentinas, inglesas e norte-americanas, se não falha alguma mais. Além de um longo «Prefácio-Síntese para a edição portuguesa de Lisboa», estranhamente repetitivo e desinteressante, Freire contribuía ainda com dezenas (entre centenas) de novas ou actualizadas notas especificamente para esta publicação em Portugal, essas sim interessantes e relevantes.

Exemplar com algum desgaste da capa; miolo de um modo geral em bom estado. Conserva perfeita a planta desdobrável com a ilustração exemplificativa «Casa Grande do Eng.º Noruega antigo Eng.º dos Bois, Pernambuco». Selo da lisboeta Livraria Ferin. 

15€

Rocha Pombo ― História do Brasil (Nova edição ilustrada)

W. M. Jackson Inc., editores / 1942. 5 vols. in-8º. Enc.

«O descobrimento e a colonização», «O regime colonial», «A formação do espírito de pátria», «A independência» e «A república» são os cinco volumes deste importante trabalho do jornalista e historiador republicano – com ilustrações em folhas couché destacadas sobretudo a partir de quadros  de  pintores brasileiros e mapas e gravuras de época. Nas palavras de outro historiador do Brasil, Rodolfo Garcia, abaixo mencionado, “Se conferidas as estatísticas das bibliotecas, verifica-se que sua História do Brasil é, nessa classe, o livro mais consultado, o mais lido de todos, o que significa popularidade e vale pela mais legítima das consagrações. (...) No gênero, a História do Brasil é a mais vasta, a mais considerável de nossa literatura, pela superfície imensa que cobre, das origens do Brasil aos dias presentes.

Boa encadernação dos editores em percalina com gravações artísticas a dourado.

75€

Varnhagen ― Historia Geral do Brasil

Historia Geral do Brasil (Antes da sua Separação e Independencia de Portugal) / (3.ª edição integral)

Editora-Proprietaria Companhia Melhoramentos de São Paulo (Weizflog Irmãos incorporada). [S/d - >1926]. 5 vols. in-8º. Enc.

O primeiro volume ainda chegou a ser revisto por Capistrano de Abreu (já antes preparara uma edição baldada e literalmente ardida...), sendo os seguintes da responsabilidade exclusiva de Rodolfo Garcia, que lhe dedica um texto em necrológio; todos eles enriquecidos por ilustrações em folhas destacadas, incluindo algumas desdobráveis com mapas e gravuras. É também o primeiro o mais interessante, aqui ficando para exemplo algumas das secções que o compõem: «Descripção Geral do Brasil», «Dos Índios do Brasil em Geral», «Língua, Usos, Armas e Indústria dos Tupis», «Ideias Religiosas e Organização Social dos Tupis: sua Procedência», «Descobrimento da America e do Brasil», «Explorações Primitivas da Costa Brasilica», duas sobre a expedição de Martim Afonso, «Direitos dos Donatarios e Colonos. Portugal nesta Epocha», «Chronica Primitiva das Seis Capitanias, cuja Colonização Vingou», «Vida dos Primeiros Colonos e suas Relações com os Indios», «Escravidão d’Africanos. Perigos Ameaçadores», «Estabelecimento de um Governo Central na Bahia», expulsão dos franceses, fundação do Rio de Janeiro, etc.

Encadernações em percalina com gravações a dourado.
 
100€  

Memórias para servir à História do Reino do Brasil

Memórias para servir à História do Reino do Brasil (Prefácio e Anotações de Noronha Santos) / [No vol.II:] (Em Apendice: Documentos e notas bio-bibliográficas, índices completos da obra, tanto do anotador como do autor)
 
Livraria Editora Zelio Valverde, Rio – 1943. 2 vols. in-8º gr. de 860, [IV] págs. nums. em conjunto. Enc.


Documento imprescindível para o estudo do início do séc.XIX no Brasil antes da proclamação da independência, constituindo o mais importante repositório de informação conhecido relativamente a essas duas primeiras décadas – em particular após 1808, com a chegada da côrte portuguesa ao Rio, e em particular no que respeita precisamente ao Rio de Janeiro. Esta edição, bastante ilustrada em folhas destacadas, incluindo mapas e plantas desdobráveis, integra ainda um total de 130 (!) páginas de úteis notas explicativas de Noronha Santos respeitantes apenas à introdução e, no final, as breves de biografia e bibliografia do autor – Luis Gonçalves dos Santos, o padre Pereréca, filho de um ourives portuense e de uma carioca.
Ambos os volumes encadernados com lombada em pele gravada e demarcada a ouro, mantendo a frente da capa primitiva; pertenceram à biblioteca de Aurélio P. Martins, de quem exibem o ex-libris.

45€

Victor Viana ― Historico da Formação Economica do Brasil

Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1922. In-4º de 244, [II] págs. Enc.

Edição em «Commemoração do 1º Centenario da Independencia do Brasil», impressa a duas cores com frisos decorativos nas páginas capitulares. Bastante incipiente e simplista, quando não mesmo disparatado, nem por isso este estudo deixa de apresentar profusos apontamentos de interesse acerca da evolução do país e até dos vizinhos sul-americanos, confrontando a colonização portuguesa com a espanhola e a inglesa. Capítulos: «Como e porque os homens da Europa vieram para a America», «A transplantação dos inglezes», «A transplantação dos hespanhoes», «Fundamentos da sociologia brasileira», «O meio geographico e o meio economico», «Transplantação dos portuguezes, principios da colonização portugueza», «Progresso economico e financeiro do Brasil no periodo da formação nacional», «Factores economicos e financeiros da independencia», «A transformação economica e financeira», «Evolução economica e financeira. As finanças da independencia» e «A organização do meio favoravel. Os problemas da circulação e do commercio».

Mais um exemplar da biblioteca de Aurélio Pereira Martins, que indica tê-lo comprado no Rio em 28.4.44 e o terá mandado encadernar depois em Lisboa na oficina de Jaime Alves, cujo selo aparece na folha de guarda; encadernação com cantos e lombada em pele e pastas em marmoreado, infelizmente não provida da capa de brochura e já um tanto carcomida nas bordas do encaixe.
 
30€

Caio Prado Júnior ― Formação do Brasil Contemporâneo (Colônia)

Livraria Martins Editora – São Paulo, 1942. In-8º gr. de 388, [6] págs. + [1] mapa desd. Enc.

Embora se trate apenas da primeira parte de um estudo mais amplo que, salvo erro, não chegaria a ser concluído, apenas sendo reescrita e desenvolvida depois num dos pontos, pode bem dizer-se este um dos mais competentes trabalhos alguma vez publicados entre a longuíssima bibliografia dedicada à colonização do Brasil, da qual é com justiça um dos «clássicos» e dos pioneiros na história social; constando das grandes secções de capítulos «Povoamento», «Vida Material» e «Vida Social», após a introdução e o texto preliminar sobre o «Sentido da Colonização». Merece ainda destaque a bela selecção de gravuras antigas reproduzidas no volume em folhas à parte, extraídas da enciclopédia de Diderot e Alembert. 

Exemplar encadernado com lombada em pele gravada a dourado; não aproveitando (pelo menos de modo visível) a capa de brochura; ex-libris da brasiliana de Aurélio P. Martins.

35€

Oliveira Lima ― Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira

Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira (Prefácios: Gilberto Freyre, M. E. Martinenche, José Veríssimo / Tradução de Aurélio Domingues)

 
Cia. Editora Leitura, 1944. In-8º gr. de [II], XXXI, [I], 259, [IX] págs. Enc.
 
O volume reproduz o texto de uma série de conferências proferidas pelo autor na Sorbonne em 1911, resultando segundo Gilberto Freire um dos dois melhores livros que deixou: este pelo poder de síntese e Dom João VI no Brasil pelo de análise. Começando na descoberta e primeiros tempos de colonização e terminando na época então contemporânea, as doze palestras são variadíssimas, mas há que referir que três delas são dedicadas a monarcas sucessivos da Casa de Bragança: uma à deslocação de João VI e respectiva corte para o Brasil, outra ao filho Pedro IV (lá o I) e ainda outra ao neto também Pedro (II).
Apesar de tão tardia, foi mesmo esta a edição original, só havendo notícia de novas edições já em finais do século passado.

Exemplar da brasiliana de Aurélio Martins, de quem ostenta o ex-libris; encadernado sem a capa original.
 
25€

Max Schmidt ― Estudos de Etnologia Brasileira

Estudos de Etnologia Brasileira (Peripécias de uma viagem entre 1900 e 1901. Seus resultados etnológicos. / Tradução direta do alemão de Catharina Baratz Cannabrava)

Companhia Editora Nacional, 1942. In-8º gr. de XVIII, [II], 393, [I] págs. Enc.

Diário de uma expedição de que havia já precursoras alemãs mais ou menos sobre os mesmos territórios, em que ao texto se junta a abundância de ilustrações a partir de fotografias e desenhos.

O exemplar, n.º441 de uma tiragem não indicada, foi bem encadernado com cantos e lombada em pele gravada a ouro, conservando visível a face superior da capa de brochura.
 
35€

Armando Ledent ― L’Organisation Agricole au Brésil

L’Organisation Agricole au Brésil (avec un avant-propos de Aff. Bandeira de Mello, délégué du gouvernement brésilien au congrès international d’agriculture de Gand)

1913. Imprimeurs & Éditeurs Laporte & Dosse, Anvers. In-4º de 136 págs. Cart.

“Notice relative aux institutions créées par le gouvernement fédéral en faveur de l’agriculture, de l’élevage et des industries rurales” por encomenda do então ministro Pedro de Toledo, de quem se apresenta o retrato em folha à parte, esta peça de propaganda interessará sobretudo pelas abundantes ilustrações da época – na grande maioria, fotogravuras com aspectos de colónias, escolas, espécies e plantações agrícolas de todo o país; além da reprodução a cores, em folhas propriamente destacadas, de trabalhos artísticos de Castro Silva desenhando as plantas do café, do cacau, do tabaco, da cana-de-açúcar, etc. Quanto ao texto, versa em boa parte as instituições de ensino, do profissional ao superior, jardins e principais museus botânicos brasileiros. 
O volume foi cartonado com revestimento em percalina gravada a ouro.

Exemplar um tanto descuidado, tendo o papel frequentemente manchado e não apenas (embora também bastante...) por defeito de impressão.
 
25€

Deux Mémoires Sur l’Evolution de Rio de Janeiro.

- 1909 – Publie par la Mission d’Expansion Economique du Brésil a Anvers. (Imprimerie Cl. Thibaut). In-4º de 42, [II] págs. + [2] mapas desdobráveis. Enc.
 
Os dois livrinhos aqui reunidos sob a égide da Missão em causa foram «Sur L’Evolution d’une Ville du Nouveau-Monde», de M. de Oliveira Lima (apresentado na qualidade de Ministro do Brasil na Bélgica), e «La Metamorphose d’une Ville du Brésil», de M. F. A. Georlette (Vice-Cônsul dos Estados Unidos do Brasil). Ambas as monografias ilustradas por belas fotogravuras, no primeiro caso a partir de duas estampas da primeira metade do séc.XIX e três já contemporâneas, a que se somam na segunda ainda mais duas da época. Merecem também destaque os dois mapas inclusos, um da «Bahia do Rio de Janeiro» e o outro com as «Obras de Melhoramento do Porto do Rio de Janeiro». Interessante e obviamente invulgar, decerto até mesmo em França.

Exemplar encadernado com cantos e lombada em pele e filetes de demarcação a ouro, tendo as pastas sido revestidas de «pele-de-cobra» (ligeiro esboroamento da lombada sobre o encaixe); conservando a face superior da capa de publicação; dezenas de folhas em branco acrescentadas no final do volume para notas, como era então frequente; ex-libris de Aurélio P. Martins («Lumen et Libertas») na folha de guarda.
 
25€

O Rio de Janeiro como é: 1824-1826

O Rio de Janeiro como é: 1824-1826 (Huma Vez e Nunca Mais) // Contribuições dum diário para a história atual, os costumes e especialmente a situação da tropa estrangeira na capital do Brasil. // Tradução de Emmy Dodt e Gustavo Barroso, apresentada, anotada e comentada por êste.

Editora Getúlio Costa, Rio de Janeiro. [S/d]. In-8º gr. de 300, [4] págs. Enc.

Primeira edição em língua portuguesa de um volume originalmente publicado na Alemanha, em alemão, 1829, com tiragem restrita e por isso até então quase desconhecido – um dos vários testemunhos de mercenários estrangeiros alistados por D. Pedro IV (no Brasil Pedro I) e depois pelo filho sobretudo para as guerras com Argentina e pontualmente Uruguai; descrevendo este o nosso primeiro monarca constitucional em vários passos, começando assim: “D. Pedro é um belo homem, de estatura mediana e rosto marcado pela varíola, com esplêndida barba negra. Porte naturalmente altivo. Fala depressa e decidido. Os olhos pretos e brilhantes não se fixam muito tempo em um lugar. Percebe tudo o que se passa em volta dêle e gosta de intercalar uma piada num assunto sério. Ri frequentemente, mostrando dentes alvíssimos”.
Interessantes gravuras com aspectos da cidade quer à época da composição, quer à desta publicação, entremeiam em folhas destacadas o texto.
 
Mais um exemplar da rica brasiliana de Aurélio P. Martins, que o mandou encadernar com cantos e lombada em pele gravada a ouro (incluindo as suas iniciais A. P. M.), preservando ambas as faces da capa de brochura; e lhe apôs o seu ex-libris.
 
25€

Palácio e Fortaleza da Conceição

Secção de Relações Públicas da DSG, 1959. In-4º gr. de 14, [12] págs. Br.
 
“O então Tenente Coronel Armando de Carvalho Dias, foi encarregado em 1 946 pelo Diretor do Serviço Geográfico, para apurar a situação das construções particulares existentes na área de domínio útil da antiga Fortaleza da Conceição. Realizou êle ampla devassa, examinando tôda a documentação existente da Divisão do Património do Exército, nos Arquivos do Exército e Nacional. / Como resultado de suas pesquisas, apresentou circunstanciado relatório, onde não só abordou a matéria para que fôra designado, como fez um ótimo estudo sôbre o Histórico do Palácio e Fortaleza da Conceição”.
Promovida pela referida Diretoria do Serviço Geográfico do Estado-Maior do Exército brasileiro, é uma edição de tipo policópia – se a praxe for no Brasil como cá, a tiragem terá sido presumivelmente reduzida e os exemplares serão portanto raríssimos.
 
14€

Alcântara Machado ― Vida e Morte do Bandeirante

Vida e Morte do Bandeirante (introdução de Sérgio Milliet « desenhos de J. Wasth Rodrigues) 

Livraria Martins Editora, São Paulo. (1943). In-8º gr. de 236, [8] págs. Enc.

No prefácio, Milliet sublinhava neste um título pioneiro na história social do Brasil, precursor directo (a publicação original fôra em 1929) de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire. Dedicado aos familiares e antepassados paulistas “desde Antônio de Oliveira chegado a S. Vicente em 1532”, o estudo conta capítulos como «O que dizem os inventários», «As fortunas coloniais», «O sítio da roça», «Educação e cultura», «Médicos, doenças e remédios», «Índios e tapanhunos», «As devoções dos bandeirantes», «Em face da morte», «O sertão».

Exemplar encadernado na casa carioca Vallelle ao estilo amador; não apresentando a capa de brochura, aparentemente aproveitada para as guardas; pertenceu à brasiliana de Aurélio P. Martins, de quem ostenta o ex-libris e as iniciais gravadas a ouro na lombada.

23€    

Viana Moog ― Bandeirantes e Pioneiros (Paralelo entre duas culturas)

Editôra Globo (Rio de Janeiro – Pôrto Alegre – São Paulo). (1954). In-8º gr. de 413, [3] págs. Br.

“Depois de prolongada ausência nas montras das Livrarias, brinda Vianna Moog os seus leitores com Bandeirantes e Pioneiros, a grande obra de sua maturidade. Livro corajosamente polêmico, nêle estuda o autor as características étnicas, geográficas, religiosas, econômicas e sociais que mais respondem pela diferença entre a civilização brasileira e norte-americana. (...) De Bandeirantes e Pioneiros o mínimo que se pode dizer é que é o melhor livro de Vianna Moog, uma vez que aqui o ensaísta de Heróis da Decadência e Uma Interpretação da Literatura Brasileira, o biógrafo e o crítico de Eça de Queirós e o Século XIX, o analista e o pensador político de O Ciclo do Ouro Negro e Novas Cartas Persas, bem como o romancista e o historiador social de Um Rio imita o Reno, encontram-se admiràvelmente amalgamados”. A mesma nota de apresentação inscrita nas dobras citava a opinião exageradamente encomiástica de Erico Veríssimo: “Penetrante, revelador, corajoso, êste livro provocará discussões apaixonadas e ficará na nossa história literária ombro a ombro com Casa Grande & Sanzala, de Gilberto Freyre”.

Exemplar com algum desgaste e manchas na capa; pertenceu à brasiliana de Aurélio Martins, de quem ostenta o habitual ex-libris na folha de guarda.
 
17€  

Plínio Salgado ― Como Nasceram as Cidades do Brasil

Edições Ática, Lisboa / MCMXLVI. In-8º gr. de 166, [2] págs. Br.

Escrito todo no habitual tom de excessivo apreço pelo colonialismo dos portugueses, que fez deste um dos autores a que se opuseram com sucesso os igualmente excessivos anti-lusitanistas como Buarque de Holanda, e na habitual toada conservadora que o actual governo brasileiro subscreveria por inteiro 3/4 de século depois (“Agora, mais do que nunca, é preciso amar o Brasil. Engrandecê-lo sem artifícios; livrá-lo de todo o veneno da decadência; salvá-lo de toda a desfiguração que o cosmopolitismo opera deprimindo-nos”), e palavroso como habitual – mesmo assim não deixa o livro de ter bastante interesse e de apresentar apontamentos desconhecidos até de um conhecedor razoável da história da nossa principal ex-colónia. Com ilustrações também interessantes no texto e em encorpadas folhas à parte, apresenta por capítulos «Panorama da terra e da gente do Brasil», «Muros de fortes e perfis de igrejas», «Piratininga», «Matrimónio das raças», «Mistérios da toponímia brasileira», «São Sebastião do Rio de Janeiro», «No tempo do açúcar», «As águias partem do planalto», «As cidades nasceram no sertão», «O ouro da montanha», «Domínio da Grande Terra» e «As cidades brasileiras no século XIX».

Alguma acidez na capa; miolo em bom estado.
 
20€

J. Capistrano de Abreu ― Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil

Edição da Sociedade Capistrano de Abreu / Livraria Briguiet, 1930. In-4º de 269, [3] págs. Enc.

«Solís e primeiras explorações», «Os Guaianazes de Piratininga», «Atribulações de um Donatario», «Os caminhos antigos e o povoamento do Brasil», «Os primeiros descobridores de Minas», «Schema das bandeiras», «A bandeira de Francisco de Mello Palheta ao Madeira», «Sobre uma historia do Ceará», «Tricentenario do Ceará» e «Fragmento de um prologo» são os capítulos deste famoso «clássico» já tantas vezes reeditado, numa edição original de 2175 exemplares – pertencendo este à série corrente e encadernado à época com lombada em pele gravada a ouro e pastas em marmoreado, conservando ambas as faces da capa de publicação; as margens apresentam-se ligeiramente escurecidas.
 
38€

Elaine Sanceau ― Captains of Brazil

Livraria Civilização – Editora (Rua Alberto Aires de Gouveia, 27 –) Porto. (1965). In-8º gr. de 380, [4] págs. Br.

“This book covers the period between the official discovery of Brazil in 1500 and the death in 1572 of the great governor Mem de Sá. By this date the young brazilian nation, having survived the first troublous years of its existence, had already acquired the vital force necessary to react against the Dutch invasion in the following century”; contendo, entre um total de 24, capítulos dedicados à fundação e aos primeiros tempos das cidades da Baía, de São Paulo e do Rio de Janeiro. Edição graficamente cumpridora, com ilustrações de bastante bom efeito a cor e algumas outras a p/b, em folhas inteiras à parte. Salvo erro, foi esta a primeira de língua inglesa, em cujo texto ainda inédito se baseara a portuguesa original, na mesma editora, em 1956.
Recorde-se que no início do século passado a escritora franco-inglesa vivera durante alguns anos no Brasil, antes de se fixar no Porto durante a década de 30.

Exemplar valorizado por dedicatória de oferta manuscrita pela autora “For Marguerite, with deep gratitude for able assistance, and love”, assinada Elaine em Leça do Balio com data August 1965. Aparado à cabeça, conserva íntegras as restantes margens.
 
22€

Os Sete Únicos Documentos de 1500

Os Sete Únicos Documentos de 1500, Conservados em Lisboa, Referentes à Viagem de Pedro Álvares Cabral

Agência Geral das Colónias / Lisboa, MCMXL. In-4º gr. de 110, [6] págs. Enc.

Edição comemorativa do duplo centenário (Fundação e Restauração), cuja esmerada composição, em bom papel (à parte as fotogravuras impressas em couché), coube à Ática. Os documentos apresentados são: «Carta régia da nomeação de Pedro Álvares de Gouveia para capitão-mor da armada (Lisboa, 15 de Fevereiro de 1500)»; «Borrão original da primeira fôlha das instruções de Vasco da Gama para a viagem de Cabral (sem local nem data)»; «Borrão original de algumas fôlhas das instruções régias (regimento real), dadas a Cabral para a sua viagem (sem local, nem data)»; «Borrão original das instruções régias adicionais, sob a forma de carta, dadas a Cabral para a sua viagem (sem local, nem data)»; «Carta de D. Manuel ao rei de Calecute (Enviada por Cabral. – Lisboa, 1 de Março de 1500)»; «Carta do achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha, dirigida a D. Manuel (Pôrto Seguro, da Ilha de Vera Cruz, 1 de Maio de 1500)»; «Carta de Mestre João, dirigida a D. Manuel (Vera Cruz, 1 de Maio de 1500)».

Exemplar revestido de boa encadernação em tela, mantendo a frente da capa de brochura - que apresenta algumas marcas, único «defeito» a merecer destaque.
 
40€