catálogo on-line

Livraria / Editora / Alfarrabista } { Porto bibliographias@gmail.com

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Herberto Helder ― Os Passos em Volta

Editorial Estampa (1970). In-8º de 165, [3] págs. Br.

Terceira das tantas edições que o livro continua a contar até hoje, impressa sobre bom papel levemente avergoado, com arranjo gráfico de Alda Rosa e a capa ilustrada em trabalho conjunto por José Brandão e Keith Trickett; publicada na série «Novas Direcções», de que foi o segundo título a sair. Em relação às predecessoras, de 1963 e 1964, acrescenta mais alguns textos (esta prosa contínua tem sido, como se sabe, work in progress): o famoso «Poeta Obscuro», por exemplo.

Pertenceu o exemplar ao bibliófilo José Sá de Frias, dele tendo aposta ligeiríssima assinatura sobre a primeira folha de texto.
 
18€  

Júlio Dantas ― Le Réveillon des Cardinaux

Le Réveillon des Cardinaux (traduction française de Celestino Soares)

Lisbonne: J. A. Rodrigues & C.ie, éditeurs. 1926. In-4º de 31, [1] págs. + [2] ff. ilust. Br.

Edição especial d'A Ceia com o texto em francês, dedicada pelos editores à memória dos actores Eduardo Brazão, João e Augusto Rosa. O volume inclui duas folhas destacadas de papel couché, uma delas reproduzindo um retrato do autor.

Exemplar sem defeitos de nota.

15€
“Por fim, encontrara o inimigo – o heroísmo hipócrita que envia os outros para a morte e para o sofrimento, o optimismo barato dos palradores políticos ou militares, que com o espantalho da vitória prolongam a catástrofe, aplaudidos pelo coro dos vendilhões que Werfel muito justamente, nas suas belas estrofes, apodou de Wortemacher des Krieges. Eram esses indignos vendilhões que logo acoimavam de pessimista quem tivesse a coragem de perturbar a sua digestão patrioteira, e acusavam de ignominiosa traição o estigmatizar a guerra, à qual de resto nunca iam.”

(Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu) 

Silva Tavares ― Trincheiras de Portugal

Lisboa, Domingos & Franco – Editores / Livraria Lisbonense. MCMXIX. In-8º de 82, [4] págs. Br. 

Livro escrito para cantar “os rasgos do nosso Povo e, nomeadamente, a sua expressão de alto sacrifício e heroicidade, na grande guerra, que assolou o mundo”, do escritor que mais tarde muito se celebraria pelas canções compostas para Amália e para Alfredo Marceneiro, entre outros. Primeira das várias edições, esmerada e de extraordinário apuro gráfico, impressa a duas cores sobre bom papel de linho; com tiragem limitada a 1000 exemplares, todos numerados e assinados pelo autor (se não se tratou, como julgo que não, de uma série especial por declarar).
 
Exemplar em muitíssimo bom estado, quase impecável.
 
23€
"A loucura tomava proporções cada vez mais assustadoras. Aqui era uma cozinheira, atarefada à volta do fogão, e que, apesar de nunca haver saído da sua terra e desde os tempos da escola nunca mais ter pegado numa geografia, acreditava que a Áustria não podia existir sem Sandschak - pequena região perdida em qualquer parte da fronteira da Bósnia. Mais além, apareciam cocheiros disputando acaloradamente em plena rua acerca da indemnização que se deveria impor à França,  Uns optavam por cinquenta biliões; outros exigiam cem; mas nenhum tinha uma ideia bastante clara acerca do que fosse realmente um bilião. Não havia excepções porque o histerismo do ódio penetrara em toda a parte. Chegara ao altar e até os próprios socialistas, que um mês antes declaravam o militarismo a maior de todas as monstruosidades, vozeavam mais que os outros para não se verem classificados de «homens sem Pátria»"

(Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu)

Aires de Ornelas ― O Ultramar Portuguez

O Ultramar Portuguez (O que foi e o que é perante o conflicto actual)

Porto: Companhia Portugueza Editora. 1918. In-4º de 117, [3] págs. Br.

Primeira edição, invulgar. Integra uma extensa nota introdutória (em que defendia o autor ser o ultramar a “razão de ser da nossa existencia como nação independente e razão de ser da nossa historica alliança” e, do mesmo passo, a própria justificação da entrada portuguesa no conflito mundial) e os capítulos «A Expansão», «Alcacer Kibir e a perda do poder naval», «A Restauração e o Brazil» e «A Africa e o problema actual».

Exemplar em muito bom estado no miolo – descontando pontuais e ligeiras marcas de acidez – mas prejudicado pelos rasgões (com uma significativa falha de papel à frente) na capa. A encadernação será, mais tarde ou mais cedo, aconselhável.

16€
"Analisando com serenidade quais as razões que lançaram a Europa de 1914 na voragem da guerra, verifica-se que não havia nenhuma suficientemente forte. Não existiam ideias em luta e quase nem sequer havia problemas de fronteiras a solucionar. Não encontro outra justificação para esse drama senão a de ter sido a própria força acumulada por aquele extraordinário dinamismo de quarenta anos de paz que teve necessidade de uma válvula de escape. De repente, um determinado país começou a observar que era forte, mas esquecia-se de que os outros também faziam semelhantes reflexões. E esboçou-se uma geral vontade de expansão, à custa dos vizinhos, naturalmente. O mais lamentável é que aquilo que constituía o nosso maior título de glória, o sentimento da nossa solidariedade colectiva, foi precisamente o que mais nos traiu." 

(Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu)

Guerra Junqueiro ― O Monstro Alemão (Atila e Joana d'Arc)

Porto, Edição da Junta Patriótica do Norte, 1918. In-8º de 20, [2] págs. Br.

Opúsculo publicado pela instituição sediada no Porto a assinalar o fim da 1ª Guerra Mundial – e cujo produto de venda se destinou precisamente, como de costume, à assistência aos órfãos de guerra. A pedido da Junta, Junqueiro enviou, desde Barca d’Alva, este seu artigo inédito escrito no ano anterior.
O texto, ao habitual estilo dele – verboso, proclamatório –, é um violento libelo contra a Alemanha de Bismarck (e, de caminho, contra Hegel, contra Nietzsche…) e o ideal de pan-germanismo que desembocou na Grande Guerra. Atacando uma certa psicologia alemã, contrapõe-lhe a cultura francesa que defende e a que dedica o ensaio: a “França heroica e redemptora”, a “mãe sublime de Joana d’Arc”, o “coração do mundo”, etc. 
 
10€ 

João Grave ― Os Sacrificados (Contos da Guerra)

Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, editores. R. das Carmelitas, 144. Porto. [S/d – 1917?]. In-8º peq. de [4], 197, [5] págs. Enc.

Saída dos prelos da Imprensa Moderna para integrar a conhecida «Colecção Lusitânia», da Lello, foi esta a primeira edição do livro, escrito (ou, pelo menos, acabado) em Miramar, praia que não terá contribuído assim tantas vezes para a literatura portuguesa: ao contrário, nesse tempo, da experimentadíssima Leça e até da quase já vizinha Espinho. Engloba os contos «Um sonho de epopeia», «Um drama na noite», «A maior dôr», «O amputado», «A morte da catedral», «Do terror ao heroísmo», «O cego», «Carta de longe», «Um drama da invasão», «A cidade assassinada», «Conciliados na morte», «Ressurreição duma alma», «Revelação», «O perdão», «A igualdade na dôr», «A carga de baioneta» e «O diálogo das estátuas».
 
Exemplar bem conservado, mas com leves marcas sobre a frente da capa – como quase sempre nesta série, a sobrecapa perdeu-se.
 
7€

O desenlace previsto da actual Conflagração Europeia

O desenlace previsto da actual Conflagração Europeia: Resposta ao ilustre publicista Bazilio Teles por Mello Freitas (Antigo colaborador de A Voz Publica)

Aveiro: Of. tip. do «Campeão das Provincias». 1916. In-8º peq. de 37, [3] págs. Br.

Mais do que uma resposta aos célebres opúsculos de Basílio Teles sobre o conflito, é este um alardear de citações e informações que, apesar de um tanto gratuito, não deixa de apresentar alguns dados estatísticos com interesse (sobre as nações beligerantes e os seus contingentes); pronunciando-se declaradamente pela vitória da Entente, e criticando as dúvidas que dizia ver no texto do portuense.
Exemplar em bom estado, destacando-se só pequenos vincos e marcas na capa.

10€ 
“Certo dia, ouvi bater à porta da minha casa. Fui abrir e eis que se me deparou um soldado muito pouco marcial. Mas o meu espanto foi enorme quando notei que tinha Rilke na minha frente. Era verdade – Rainer Maria Rilke envergara o uniforme militar !  Adivinhava-se imediatamente que se sentia bem pouco à vontade dentro dele. Parecia que o colarinho lhe apertava o pescoço e estarrecia ante a perspectiva de ter de fazer soar os tacões das botas quando forçado a perfilar-se em frente de qualquer superior. O seu velho desejo de fazer tudo com esmero também então se manifestava, levando-o a cumprir impecavelmente todas as ninharias do regulamento militar. Mas esse desejo infundia-lhe uma constante inquietação. / «Não imagina como desde cadete detesto o uniforme militar. Julgava nunca mais o vestir e eis que, agora, aos quarenta anos, sou obrigado a fazê-lo!». O seu infortúnio durou, porém, pouco tempo, felizmente, pois houve quem o protegesse. Submetido a uma benevolente inspecção médica, foi a breve trecho dispensado”. 

(Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu) 

Scapa Flow, Túmulo da Esquadra Alemã

Scapa Flow, Túmulo da Esquadra Alemã (Traduzido e prefaciado pelo 1.º Tenente de Marinha Américo Cabral)

Depositários: J. Rodrigues & C.ª – Lisboa. (Composto e impresso no Centro Tip. Colonial. 1935). In-8º de XV, [I], 183, [5] págs. Br.

No seu extenso prefácio, que soa a tendencioso (pró-alemão), Américo Cabral resume a história que levou à ordem de afundamento da frota teutónica na baía de Scapa Flow, para que não fosse entregue sem luta ao inimigo. Ordem essa dada precisamente pelo autor, von Reuter, o comandante da esquadra.

Exemplar ainda bastante razoável, posto que prejudicado por ligeiras marcas e pequenos defeitos exteriores.
 
10€

Ernest Johannsen ― Quatro de Infantaria

Quatro de Infantaria: Frente Ocidental - 1918 (Tradução de Nogueira de Brito)

Livraria Renascença / Joaquim Cardoso, Editor – Lisboa. (1930). In-8º de 208, [6], X págs. Br.

Esta versão portuguesa do romance, que teve êxito apreciável, é acompanhada, no final do volume, por um sempre útil catálogo de publicações da época da Livraria Renascença (Ferreira de Castro, Manuel Ribeiro, Blasco Ibañez, etc.).

Belo exemplar, bem conservado e sem qualquer defeito significativo.


10€
“Vivia-se bem, facilmente e sem preocupações nessa Viena de então. Os germanos do norte olhavam para nós, seus vizinhos das margens do Danúbio, mal-humorados e um pouco desdenhosamente. Consideravam que não éramos suficientemente «inteligentes» e que em vez de mantermos rigorosa ordem na nossa maneira de ver, nos permitíamos uma vida de prazer: comíamos bem, divertíamo-nos melhor em festas e teatros e, além disso, tocávamos excelente música. Em vez da «inteligência» alemã, que afinal só tem perturbado e amargurado a existência dos outros povos, em vez da alucinante tendência alemã para suplantar todos os outros e para avançar continuamente, preferíamos nós a conversa agradável e amena e um tanto afável, deixando que, num espírito de bondosa tolerância que talvez tivesse um pouco de negligência, cada qual vivesse à sua maneira (...) Ricos e pobres, checos e alemães, judeus e cristãos todos viviam em paz, apesar de algumas e eventuais divergências. Na Áustria, até os próprios movimentos políticos e sociais estavam isentos daquele ódio brutal que só mais tarde, como resíduo venenoso da primeira grande guerra, haveria de penetrar nos hábitos e nos costumes da época”
 
(Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu)

Nos 100 anos da Grande Guerra


Não abonará muito o que segue em favor da ciência histórica, mas, via de regra, a melhor maneira de conhecer a panorâmica, o ambiente, de um qualquer período é a literatura. Por cá, bem se sabe que quem queira abarcar o nosso séc.XIX constitucional não tem melhor do que ler Camilo. Como para preparativos, implantação e sequelas logo consecutivas da República, dificilmente haverá melhor do que as Memórias de Raul Brandão. Quanto a uma visão geral, em espaço e tempo, da I Grande Guerra não nos ficou - o que é curioso - nenhum documento que de modo indiscutível sobreleve. A ter de escolher algum, seria talvez as Memórias da Grande Guerra, de Cortesão. Ainda esse, porém, visão parcial e pessoal, quase em registo diarístico, do conflito; além de mais especulativo e divagante, à maneira Renascença Portuguesa.
 
Da bibliografia estrangeira, sabe pouco quem isto escreve. Mas começaria por destacar um belo romance ainda recente de poucos anos, escrito naquele andante majestoso em cujas elegância e fluência a prosa francesa não tem igual: Des Âmes Grises (Almas Cinzentas), de Philippe Claudel. E, bem mais antigo, o livro de memórias que Stefan Zweig - prosa alemã, seca e sensaborona, apesar de adjectivadíssima, quase sempre fraca, mas que muito vai valendo pelas quantidade e riqueza de apontamentos - ensaiou pairando por toda a primeira metade do século passado. Foi o último que escreveu, antes de se suicidar no exílio brasileiro, em 1942, quando dava por certa a vitória nazi na II Grande Guerra. É a esta, ao período entre-guerras e à I que mais capítulos o volume consagra. Vai ser por isso, na parte que aqui interessa, uma espécie de livro-de-bordo em bibliographias durante as próximas semanas, inteiramente dedicadas ao centenário da contenda.

[A 28 de Julho, faz hoje cem anos, o ministro austríaco do exterior, Leopold von Berchtold, declarava guerra à Sérvia]

Jerónimo Corte-Real ― Sucesso do Segundo Cerco de Diu

Sucesso do Segundo Cerco de Diu (Códice Cadaval 31 - A N T T.) / Introdução de Martim de Albuquerque / (sob o patrocínio da Academia Portuguesa da História) 
 
Edições Inapa / Lisboa, 1991. In-4º gr. de 24, [6] págs. + [43] ff. de estampa. Enc. 
 
Uma das sempre primorosas edições Inapa, integrada na colecção «História da Cultura Portuguesa» dirigida pelo próprio Martim de Albuquerque sob a supervisão artística de João Paulo Abreu Lima. Impressa sobre bom papel encorpado, com execução da Litografia Nacional, apresenta na introdução, decorada com capitais da época e o brasão do autor, uma breve biografia de Jerónimo Corte-Real (entre alguns apontamentos literários e históricos) e depois, a toda a extensão do volume, o fac-simile das iluminuras que compôs. A encadernação, gravada a ouro, tem aposto na frente, em cliché colado, o desenho da portada.

Exemplar por estrear, em condição irrepreensível.

35€

Georges Lefebvre ― O Nascimento da Moderna Historiografia

Sá da Costa Editora. (1981). In-8º gr. de XIV, 370 págs. Br.

Presumível primeira edição portuguesa, baseada na que a Flammarion publicara dez anos antes, «resgatando», com alguns acrescentos e correcções, a original, que o Centre de Documentation Universitaire fizera sair logo à época da prelecção deste curso (ainda na década de 40).

Foi a tiragem de 3000 exemplares, conservando-se este, por estrear, em muito bom estado, apesar de prejudicado pelas manchas – pequenas e regulares – que pontuam a capa.
 
10€

Sérénade Portugaise

Sérénade Portugaise (Créée et enregistrée sur disque Columbia par Tino Rossi — / Créée au Concert et enregistrée sur disque Gramophone par Léo Marjane / Paroles et Musique de Charles Trenet)

Éditions Vianelly, en dépôt aux Éditions Raoul Breton. 3, Rue Rossini, Paris (9.e). (MCMXXXVIII). Folha única in-4º. Br.

Deverão ser já pouco comuns – em Portugal, serão mesmo raros – os exemplares do folheto, que apresenta no interior a pauta com a música e a letra e, no reverso, a lista de títulos de “Quelques Succès de Charles Trenet”. Existe uma variante (adquirida na mesma fonte, e também à disposição em bibliographias) em tudo igual, mas impressa a azul e não a rosa.
 
10€  

Fiama Hasse Pais Brandão ― Âmago I

 Âmago I - Nova Arte

Porto, Editora Limiar. 1985. In-8º de 72, [8] págs. Br.

Primeira edição de um dos livros principais da autora (cujo título foi recentemente aproveitado na antologia dada a lume pela Assírio&Alvim), integrada na colecção «Os Olhos e a Memória»; com capa e direcção gráfica de Armando Alves. Inclui na aba a transcrição de um excerto de um texto crítico de Luís de Miranda Rocha sobre Fiama e a sua posição na poesia portuguesa contemporânea.

Exemplar novo, em estado quase impecável – descontando pequenas marcas, sem particular importância, na capa.
 
15€

Feira do Livro de Viana do Castelo


A partir de  sábado, com expositor de bibliographias : dele se destacando um conjunto de monografias e títulos vários da bibliografia minhota e, já é hábito, amplo acervo de literatura portuguesa.

O horário corre das 17 às 24 h (uma da
manhã, nos fins de semana) . Da programação complementar constam a apresentação de livros e encontros com escritores, às 18h, no próprio recinto, e «painéis» vários de debate, às 22h, na Biblioteca Municipal; além de animação infantil, exposições diversas, música, teatro, etc.

De 19 de Julho a 3 de Agosto, no jardim da Marginal. Entrada livre.

Lloyd C. Douglas ― A Túnica

Lisboa, Editorial Minerva. MCMXLVIII. In-8º gr. de 607, [1] págs. Enc.

Primeira das muitas edições portuguesas deste famoso romance histórico, com tradução de Caio Jardim.

Exemplar revestido de uma bela encadernação com a lombada em pele gravada a ouro e demarcada por casas fechadas no encaixe; conservando a capa de brochura.

20€

Pierre Loti ― As Desencantadas

As Desencantadas (Romance dos haréns turcos contemporâneos / Trad. de Manuel Ribeiro)

Livraria Editora Guimarães & C.ª. Lisboa. [S/d - 1938?]. In-8º de 268, [4] págs. Enc.
 
Esta versão do escritor alentejano deverá ter sido a primeira das muitas já publicadas por cá, e esta a segunda edição dela (a primeira saíra em 1912).
 
Exemplar revestido de modesta encadernação coeva, sem a capa original.

5€

Pierre Loti ― O Meu Irmão Yves

O Meu Irmão Yves / (Traducção revista por José de Freitas Bragança)

Casa Editorial Hispano-Americana. Paris. [S/d]. In-8º de 318, [2] págs. Enc.

Edição já muito invulgar, publicada na série «Auctores Escolhidos» de uma casa ainda hoje em actividade (embora, salvo erro, apenas como livraria).

Exemplar revestido de encadernação semelhante à que acima se refere.
 
10€

Feira do Livro de Valongo/Ermesinde

Começa amanhã à noite e decorre até domingo a feira do livro do município de Valongo, tendo por cenário, como é já costume, o Parque Urbano de Ermesinde, junto à estação da CP.

Haverá expositor de bibliographias

Uma biblioteca é uma biblioteca é uma biblioteca


É esta a nova biblioteca de Almere (cidade holandesa próxima de Amesterdão, toda ela moderníssima), cuja câmara a encomendou a uma sociedade de arquitectos sob condição expressa de que fosse concebida como livraria. A ideia parece, à primeira vista, muito engraçada, e justificar-se-á no caso pelo contexto, mas parte de premissa errada, desde há algum tempo constituída, garantem-nos a cada passo, em novo «paradigma»: o da «idade da informação», que se sobreporá a séculos da anterior, para este efeito nomeada «documental». No que aqui vem a propósito, devem as bibliotecas (mais clássicas e antigas incluídas, eis o ponto) perder a bem composta gravitas e tornar-se centros “dinâmicos”, com etéreos e permanentes “fluxos” de informação, em que, como numa livraria generalista, esteja o cliente/utente reverenciado no primeiro plano (convindo chamar-lhe a atenção seja de que modo for), e o documento - coitado - devolvido ao estatuto funcional, utilitário, que sempre deveria ter sido o dele. Um bom bocado como os nossos «planos nacionais» de leitura, por exemplo. Uma e outra coisa lembram, no desajeitado voluntarismo, aquelas anedotas em que o fundamental é ajudar a velhinha a atravessar a rua, mesmo quando ela não quer.
 
Há disto correspondência portuguesa, aliás bem conhecida e já espalhada de norte a sul do território. Toda uma visão festivaleira e folclórica do livro e da leitura que parece ter vindo para ficar, bastante promovida país - autarquias - bibliotecas municipais fora pela «gestão cultural» que pretende extremadamente contrastar com a apatia e a burocracia funcionárias à moda lusa que dirige. [Em comum, uns e outros e por regra, a falta mesmo no singular daquilo a que resolveram chamar, no plural, «hábitos de leitura». E de alguma sensatez, já agora]  

Past and Present Associations between Japan and Portugal

(Na capa: Souvenir Book relating to the Past and Present Associations between Japan and Portugal // compiled by F. X. da Silva e Souza, Kobe // for the Historical Exhibition to be held in Lisbon in 1940)

[Presumível nota de impressão em caracteres japoneses]. In-4º de 238, [1], 46, [2], 8, 9, 8, [1], 44, [1] págs. + [1] desd. Br.

Silva e Sousa, então o cônsul português em Kobe, explicava em nota preliminar ter optado pela língua inglesa por assim supor a edição acessível simultaneamente aos seus compatriotas e aos japoneses; lamentando-se do menor aprumo nesse idioma, que seria – e foi-o, de facto – mais do que compensado pela profusão de interessantes fotogravuras reproduzidas ao largo do volume. Afora os textos e apontamentos diversos sobre a história de cada um dos países e as descobertas lusíadas, com particular foco nas do oriente e nas sucessivas relações estabelecidas entre Portugal e o Nippon (delas constituindo o livro importantíssimo documento), desde as primeiras embaixadas e missões jesuítas, séculos fora, serão de destacar três dezenas de páginas dedicadas a Venceslau de Morais – a quem o autor sucedera no consulado e aqui dedicava notas várias, apresentando, entre outras coisas, alguns retratos e o longo texto do testamento, redigido dez anos antes da morte. Da riqueza e variedade das fotografias e geral ilustração talvez não valha a pena falar (porque seria isso quase outro testamento), cabendo apenas referir, no final do livro, um dossier dedicado à digressão do presidente Carmona pelas colónias africanas (perpassa, aqui e em mais alguns pontos, certa propaganda ao Estado Novo, como era então habitual), a que se seguem mapas estatísticos e publicidade.

O exemplar pertenceu ao polígrafo Neves Águas, de quem tem colado o ex-libris, e, ainda que em boa condição geral, está um tanto desdourado por algum desgaste da capa (cartonada): principalmente, da percalina que reveste o encaixe.
 
40€

Frazão de Faria ― Curso Popular de Inglês

1960. Edição do Autor. In-4º de 253, [3], 16 págs. Br.

Do prefácio: “O Curso Popular de Inglês foi preparado especialmente para todos aqueles que desejarem aprender a língua inglesa sem professor e como tal possui características próprias e bem diferentes das dos vários livros de ensino normalmente utilizados. Na elaboração deste compêndio houve a preocupação dominante de possibilitar o conhecimento do essencial da gramática inglesa e do vocabulário suficiente para compreender o inglês falado e manter uma conversação formal”.

Destaque, em cada uma das 30 lições, para a secção «Mecânica do Idioma», que, além do estritamente gramatical (vocabulário, ortografia, pronúncia, etc.), deixa abundantes notas de interesse sobre a evolução da língua e explica expressões habituais e termos de uso corrente.

Não deverão ter sido muitos os exemplares impressos, apresentando este algumas marcas na capa e ao alto das primeiras folhas; de resto, em bom estado no miolo, sem falhas relevantes a destacar. 
 
7€

O Livro na Arte (VII): Visão de S. Bernardo

Neste quadro de Fra Bartolomeo, composto, segundo se crê, entre 1504 e 1507, o fundador dos Templários tem um oitavo aberto para leitura e um quarto pousado, ao alto, no chão. Do mesmo formato deste último são os volumes que seguram o anjo (aberto) e o logicamente suposto São João Evangelista (fechado), parecendo, ambos, querer com eles chamar a atenção do homem - que, bem se vê, não está para leituras, e prefere a contemplação beatífica da Senhora e do Menino. É justo. Uma aparição - de qualquer género, sagrada ou profaníssima, como outras várias que ficaram também na lenda que atribui ao cisterciense preferência extrema pelas primeiras... - será das poucas coisas a justificar distracção, por momentos, de um livro.

Jean Thièry ― O Canto do Cuco

O Canto do Cuco (Romance) / Tradução de Florbela Espanca Lage

Porto – 1927/Livraria e Imprensa Civilização, Américo Fraga Lamares & C.ª L.da – Editores. In-8º de 278, [2], 7, [1] págs. Br.
 
São já relativamente invulgares os exemplares desta primeira edição da versão ensaiada por Florbela do romance de Thièry, uma das várias traduções feitas nessa época para editoras portuenses, seu principal ofício nos últimos anos de vida, passados em Matosinhos; mas estando este um tanto desvalorizado por algumas marcas, sobretudo, de acidez, na capa.

15€

Eduardo de Noronha ― Os Marechaes de D. Maria II

Os Marechaes de D. Maria II (Saldanha, Terceira e Santa Maria): A Historia e a Anedota

João Romano Torres & C.ª – Editores. Lisboa. [S/d]. In-8º de 297, [7] págs. Br.

Primeira edição deste conhecido estudo histórico, cujo interesse para a análise das primeiras décadas do constitucionalimo é indisputável. O volume era apresentado por uma «Explicação» prévia em que o autor, notando o menor interesse (até bibliográfico) que suscitavam, justificava a atenção acrescida por si dedicada ao Duque da Terceira – tomando como principal fonte escrita as Memorias do marquês de Fronteira – e ao Conde da Ponte de Santa Maria, António Vicente de Queirós (este, hoje pouco menos que esquecido); e lamentava não ter sido marechal do nosso primeiro constitucionalismo uma quarta figura, o marquês de Sá da Bandeira.

Exemplar bem conservado, sem defeitos a salientar.
 
18€

O poeta e os mestres: segundo acto


Herberto Helder, personagem pouco frequentadora de mestrados em geral, é um malandro. Vejam bem: publicar edições limitadíssimas de cinco-mil-exemplares de livros de poesia numa terra em que, manifestamente, eles se comem ao pequeno-almoço, como se fossem grande coisa, a “armar em autor de culto”. Estúpida extravagância. Como se, aliás, autor e editor se pudessem reservar, seja por que razão seja, qualquer espécie de direito de definir a tiragem de uma edição. Como se, aliás ainda, mais exemplares proporcionassem mais vendas, assim estando ambos a abdicar de receitas directas. Como se, em suma, isto fosse uma economia de mercado. 

Tão malandros quanto ele, os livreiros que açambarcam exemplares – há quem chegue a comprar 4 ou 5, imagine-se – para depois os venderem com lucro. Vejam bem: comprar livros ao preço editor e depois vendê-los mais caros quando esgotados, ou seja, quando a procura ultrapassa marginalmente a oferta. Bando de especuladores. Como se fosse legítimo vender livros raros dos quais depende a alimentação – ainda por cima, tão sazonal e tardia – do povo. Como se não fossem profissionais subsidiados a eito pelo Estado, lhe pagassem impostos e precisassem de qualquer espécie de mais-valia para ganhar a vida. Como se, outra vez, (sobre)vivessem numa economia de mercado. 

Só não são malandros, claro, os milhares (milhões? às tantas...) de leitores putativos que, de facto, só não compram o livro porque não podem. Não podem telefonar para as livrarias a reservá-lo, porque dá isso o considerável trabalho de marcar algumas teclas no telefone. Não podem lá ir depressa, porque esse esforço, o da propositada deslocação, ainda é mais significativo. E, de resto, o princípio estaria errado: não faltava mais nada do que um leitor ter de ir de propósito a uma livraria para comprar um livro que diz querer, como se este não devesse ficar disponível e inesgotável o tempo que preciso fosse. “Agora não, que é hora do almoço; agora não, que é hora do jantar...”. Portugal é sim o país de mais injustiçada gente que se conhece. Não somos campeões do mundo (e arredores) porque não nos deixam, não perseveramos porque não nos deixam, não parecemos educados nem nos comportamos com um módico sequer de civismo porque não nos deixam. Não lemos porque não nos deixam, pelos vistos. Se calhar, também só não raciocinamos porque não nos deixam.
 
Tudo julgado, todos justíssimos  os protestos que por aí fora lavram. No que toca ao poeta, restará expulsá-lo da República, antigo e platónico desiderato aqui inócuo: num país de tanto vate, nem se lhe vai notar a ausência.

Fialho de Almeida ― Estancias d'Arte e de Saüdade

Lisboa: Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira e C.ª (Filhos), 1924. In-8º de 324, [4] págs. Br.

Foi a edição original do livro, que integra os capítulos «Pela Galliza», «De Vigo a Cangas», «Em Braga», «Famalicão», «São Torcato», «O Rocio Historico», «Feira da Ladra», «Terra Alemtejana», «Em Evora» e «Em Alvito - O Castello».
Exemplar do 6.º milhar impresso.
 
17€

Santos Cravina ― Diálogos com Elmano

Lisboa, 1965. In-8º de 114, [10] págs. Br.

Edição do autor, primeira e única. Pouco vulgar.

Exemplar com ligeiro desgaste exterior; tirando isso, em bom estado de conservação e com as folhas praticamente limpas.
 
10€

Homenagem Nacional a Bocage

Homenagem Nacional a Bocage / II Centenário / Antologia

Edição da Junta Distrital de Setúbal, 1965. In-8º de 300, [4] págs. Br.

Antologia publicada no II centenário do nascimento do poeta, com selecção, prefácio (“Bocage: a história de uma vida”) e notas de Rogério Claro. Tiragem provavelmente restrita.

Exemplar um quanto manchado de acidez mas, de resto, em bom estado geral.
 
15€

Vida Devota (I)

Não sei como aprendi a ler; não recordo senão as minhas primeiras leituras e o efeito que tiveram sobre mim: é o tempo de que dato sem interrupção a consciência de mim próprio. Minha mãe havia deixado romances. Pusemo-nos a lê-los após o jantar, meu pai e eu. Não se tratava primeiro de outra coisa que não fosse exercitar-me na leitura por livros curiosos; mas depressa o interesse deveio tão vivo, que líamos à vez sem descanso, e passávamos a noite nesta ocupação. Não podíamos nunca abandonar o volume que não no fim. Às vezes, meu pai, percebendo de manhã as andorinhas, dizia todo envergonhado: "Vamos deitar-nos. Sou mais criança do que tu" 

Do determinismo literário, segundo Cesariny


A propósito de Cesariny, entrevista lida ainda há pouco, dada por ele a António Cândido Franco. A páginas tantas, sai-se com esta para explicar a superioridade (antes dele, quase nunca sublinhada) do amarantino face ao lisboeta: "Pessoa tinha uma mesa de café para escrever e a rua com os carros. Pascoaes tem um castelo e uma serra de bronze, mesmo em frente. O que é que você escolhe?". Pontos de vista, em suma.