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O Porto em Quarentena

Todos temos lido nestes dias muitas reportagens e foto-reportagens sobre um Porto em quarentena "como nunca esteve". Será que não? Em quarentena, já esteve, e bem mais severa. A diferença é que as pessoas podiam sair à rua...
 
Há cerca de 120 anos, no Verão de 1899, o burgo viu-se assolado por uma epidemia de peste bubónica (terceira vaga da velha conhecida «Peste Negra» também com origem, para não variar, na China). Começou no coração da Ribeira e rapidamente se foi espalhando sobretudo pelos bairros operários mais modestos. Chamado a auscultar, o nosso patrício Ricardo Jorge, director dos serviços municipais de saúde e já à época especialista máximo em todo o país, tomou as devidas anotações e medidas, das quais deu conta ao governo. Entre muitas hesitações, o progressista («mutatis mutandis» o correspondente ao socialista de agora) primeiro-ministro José Luciano de Castro acabou por decretar o isolamento forçado da cidade, com um cordão sanitário que começava em Matosinhos, seguia o rio Leça (São Mamede, Ermesinde, etc.) e dava a volta pelo Douro (Oliveira do Douro e Avintes) até chegar ao mar, mais ou menos entre as actuais praias da Madalena e de Valadares. Tropas auxiliares do Minho e do Douro (Viana, Guimarães, Chaves, Vila Real, etc.) asseguravam o confinamento por entre os protestos e manifestações - sim, manifestações !, os portuenses podiam adoecer, não podia é chegar ao resto do país... - locais; mas nessa altura, claro, já grande parte da população se tinha escapulido, o que ia dar ao mesmo. Ricardo Jorge passou a ter de andar sob escolta na sua cidade e entre os seus conterrâneos, talvez também por isso acabando por perder a paciência e se fixar em Lisboa, como Garrett e como Ramalho antes. Isto apesar de se ter sempre oposto (este ponto é importante) ao cordão sanitário. Em Lisboa, além de «patrocinar» o Instituto Nacional que depois lhe viria a tomar o nome, foi dirigir e reformar de alto a baixo a recém-fundada... Direcção-Geral de Saúde. Quanto à peste, se servir de termo de comparação, duraria cerca de três meses e pelas contas oficiais saldar-se-ia «apenas», salvo erro (desculpem o livreiro que leu sobre isto há muito tempo), em pouco mais de três centenas de infectados e pouco mais de uma centena de mortos. Muito à portuguesa, o isolamento terminava simbolicamente na véspera de Natal.

Em 1900 seriam pela primeira vez eleitos deputados republicanos às Côrtes, e os três pelo círculo do Porto - incluindo um jovem Afonso Costa que advogava e começava a conspirar politicamente na cidade. Supõe-se que a crise sanitária do ano anterior tenha sido um dos factores decisivos (além do velho republicanismo da Invicta) para a eleição.

Machado de Assis ― Historias sem Data

Historias sem Data (A Egreja do Diabo – O  Lapso – Ultimo Capitulo – Cantiga de Esponsaes – Uma Senhora – Singular Occurrencia – Fulano – Capitulo dos Chapéos – Galeria Posthuma – Conto Alexandrino – Primas de Sapucaia – Anecdota Pecuniaria – A Segunda Vida – Ex-Cathedra – Manuscripto de um Sacristão – As Academias de Sião – Noite de Almirante – A Senhora do Galvão) / Nova Edição Revista

Livraria Garnier. (Paris). [S/d - 1924?]. In-8º de [VIII], 224, [IV] págs. Enc.


Livro de contos sobre “coisas que não são especialmente do dia, ou de um certo dia”, conforme explicava o autor na sua advertência inicial («lamentando» porque “o melhor dos titulos é ainda aquelle que não precisa de explicação”).

Exemplar revestido de uma boa encadernação da época, em estilo meio-amador, com a lombada em pele gravada a ouro mas a pasta inferior infelizmente apresentando algumas marcas de corrosão; conserva ambas as faces da capa de brochura.
 
25€

Erico Verissimo ― Caminhos Cruzados

Edição da Livraria do Globo (Rio de Janeiro – Pôrto Alegre – São Paulo). (1947). In-8º de 334, [2] págs. Br.

“Esta reedição de Caminhos Cruzados sai no momento preciso em que a reputação de Erico Verissimo, como romancista, firmemente estabelecida entre os povos de fala portuguêsa, estende-se ao inglês, francês, espanhol, sueco, holandês, húngaro e dinamarquês, com traduções já aparecidas ou em preparo”; a edição primitiva fôra em 1935.
 
Exemplar bem conservado, ainda que marcado por escurecimento nas margens da capa e uma assinatura de propriedade na folha de rosto.
 
14€

Erico Verissimo ― Fantoches

Fantoches / Edição fac-similada comemorativa dos quarenta anos de actividades literárias do Autor

Livros do Brasil / Lisboa, 1973. In-4º de XVI, 211, [5] págs. Br.

Edição em bom papel, apresentada por uma nota do editor português e por um prefácio do autor. O interesse específico são as sátiras do próprio Veríssimo, entre ilustrações e comentários, aos textos deste que foi o seu primeiro livro, reproduzidos a partir do exemplar da edição original em que as fez.
 
10€

Raquel de Queirós ― Lampião

Lampião (drama em cinco quadros « Capa de Santa Rosa « 2.ª edição)

Livraria José Olympio Editora / Rio de Janeiro – 1954. In-8º de 141, [5] págs. Br.

“A vida de Virgulino Ferreira, o famoso Lampião das catingas do Nordeste, cujos aspectos lendários e reais muitas vezes se interpenetram na tradição oral e escrita, eis o tema desta primeira experiência teatral de Rachel de Queiroz que agora se concretiza no livro e no palco”. A edição original da peça, da qual esta parece uma simples reimpressão, saíra em 1953.
 
10€ 

Afrânio Peixoto ― Sinházinha

Sinházinha (Romance / Primeira Edição, 10. 000 Exemplares)
 
1929. / Companhia Editora Nacional, São Paulo. In-8º de 304 págs. Enc.
 
Edição original de um dos principais romances do autor, com o sertão brasileiro, como de costume, em fundo.
 
Exemplar revestido de uma encadernação em pele pontilhada com gravações a ouro na lombada; conservando ambas as faces da capa de brochura e o papel, de um modo global, ainda limpo o bastante, mesmo se de quando a quando levemente marcado por acidez.
  
25€ 

José Lins do Rego ― Pedra Bonita

Pedra Bonita (Romance / [Capa de Santa Rosa] / 3.ª Edição, 6.º e 7.º milheiros


1943, Livraria Jose’ Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 369, [3] págs. Enc.

Indicada como terceira edição, deverá ter sido simplesmente uma reimpressão da primeira.

Exemplar revestido de  encadernação em pele pontilhada com gravações a ouro na lombada; ainda em muito bom estado e conservando por inteiro a capa primitiva.
 
14€

José Lins do Rego ― Usina (romance / 2.ª edição)

1940, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 347, [5] págs. Cart.

“Com “Usina” termina a serie de romances que chamei um tanto emphaticamente de Cyclo da Canna de Assucar. / A historia desses livros é bem simples: - comecei querendo apenas escrever umas memorias que fossem as de todos os meninos creados nas casas grandes dos engenhos nordestinos. Seria apenas um pedaço de vida o que eu queria contar. Succede, porém, que um romancista é muitas vezes o instrumento apenas de forças que se acham escondidas no seu interior”.

Exemplar cartonado de forma artesanal sem conservar, aparentemente, a capa de publicação.
 
5€

Joracy Camargo ― Deus lhe Pague...

Deus lhe Pague... (Comédia completa em 3 actos divididos em 9 quadros) / Prefácio de Procópio / (3.ª edição)

Livros do Brasil, Limitada – Lisboa. [S/d]. In-8º de 173, [3] págs. Br.

O prefácio do actor brasileiro, aunque bastante palavroso e sentencioso, louvava esta peça como “a grande obra cultural do teatro brasileiro” até então, marcando “o início da nossa arte cénica, na sua verdadeira expressão: - teatral, cultural e social”.

Não estando a edição datada, o exemplar apresenta uma assinatura de propriedade indicando o ano de 1951.

5€

Odylo Costa (filho) ― a faca e o rio (mais) a invenção da ilha da madeira

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. [S/d]. In-8º de 199, [9] págs. Br.

Primeira edição portuguesa (segunda geral) do romance e primeira propriamente da pequena novela, ou “conto alongado”, com direito a frontispício próprio, que o então adido cultural do Brasil em Portugal aproveitava para deixar – um «diálogo» lá em cima no Paraíso entre Jesus e São Pedro, que o/O pretendia convencer a permitir que os portugueses descobrissem a Madeira: “Senhor, deixa que os homens cheguem à minha ilha. O que resta do Paraíso terreal ali resta”. Por sua vez, pedia o autor ao leitor que nestas duas histórias “entre a leitura de uma e outra ponha o mesmo intervalo oceânico que separa o Vale do Parnaíba da Baía do Funchal”.
Foi com este livro que Odylo se deu cá a conhecer, sobretudo no meio que então frequentava, havendo por exemplo um capítulo que lhe é dedicado in as (e)vocações literárias, de A. M. Couto Viana. 
Não estando a edição datada, uma assinatura de propriedade no primeiro frontispício marca o ano de 1967.
 
7€

Lígia Fagundes Teles ― Antes do Baile Verde

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. [S/d]. In-8º de 229, [3] págs. Br.

“Uma história de carnaval brasileiro, Avant le Bal Vert, valeu a Lygia Fagundes Telles o Grande Prémio Internacional Feminino para Estrangeiros em Língua Francesa, num concurso efectuado em Cannes, em 1969. Vinha essa vitória juntar-se às numerosas colhidas no Brasil por essa autora. Ao conto vencedor ela acrescentou outros, novos, e alguns de fases anteriores, especialmente reescritos para a presente edição”, não parecendo evidente se a nota se refere a esta, primeira portuguesa, ou à original brasileira que saíra talvez pouco antes (1970).
 
Exemplar por estrear.
 
10€

João Neves da Fontoura ― Orações Dispersas

Dois Mundos, editora lda. (Distribuidores: Livros do Brasil – Lisboa / Livros de Portugal – Rio). [S/d]. In-8º de 214, [2] págs. Br.

Constitui este livro do jornalista e político brasileiro uma colectânea de discursos pronunciados entre 1936 e 1942, com capa de Manuel Lapa. Das conferências aqui acopladas, a mais conhecida será «A Mocidade do Sr. Getúlio Vargas», de quem foi embaixador em Portugal (salvo erro logo nos anos seguintes ao desta publicação) e ministro. A ligação ao nosso país não será de estranhar tratando-se de um descendente de transmontanos pela via paterna. 

Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir e em muito bom estado, descontando pequenas manchas que afectam muito levemente a base das margens e, sobretudo, a face inferior da capa.
 
12€

Massaud Moisés ― A Literatura Portuguêsa (5.ª edição)

Editôra Cultrix, São Paulo. (1967). In-8º de 413, [3] págs. Cart.

Dividindo o plano nos períodos «Trovadorismo», «Humanismo», «Classicismo», «Barroco», «Arcadismo», «Romantismo», «Realismo», «Simbolismo» e «Modernismo», foi esta a quinta edição de um livro originalmente publicado em 1960, e que neste da Graça de 2020 terá já ascendido, salvo erro, a mais de meia centena de reedições – salvo erro também, mais do que qualquer história da literatura portuguesa publicada por portugueses, incluindo a de António José Saraiva e Óscar Lopes.

Exemplar artesanalmente cartonado, faltando-lhe pelo menos a face inferior da capa primitiva.
 
10€

Homenagem ao Prof. Dr. Leodegário A. de Azevedo Filho

Estudos Universitários de Língua e Literatura (Homenagem ao Prof. Dr. Leodegário A. de Azevedo Filho)

Tempo Brasileiro / Rio de Janeiro – RJ – 1993. In-8º gr. de 665, [III] págs. Br.

Entre os portugueses, contam-se estudos e ensaios de Albano Martins, Alfredo Margarido, Ana Hatherly, António Quadros, Arnaldo Saraiva, Eduardo Lourenço, Emanuel Paulo Ramos, E. M. de Melo e Castro, José Pedro Machado, Manuel Ferreira, Vasco Graça Moura; também os houve de Itália (Giulia Lanciani e Giuseppe Tavani), França, E.U.A., Espanha e (ex-)Checoslováquia; dos brasileiros, naturalmente em maioria, Afrânio Coutinho e Segismundo Spina, entre muitos outros amiúde sobre temas e autores Portugueses: Fernão Lopes, Fernão de Oliveira, Bocage, Garrett, Camilo, Antero, Alberto Caeiro, o neo-realismo, etc.

Exemplar quase óptimo, salvo ligeiríssimo vinco na face inferior da capa.
 
15€

Leodegário A. de Azevedo (Filho) ― As Cantigas de Pero Meogo

As Cantigas de Pero Meogo / 2.ª edição, revista. (Estabelecimento crítico dos textos, análise literária, glossário e reprodução fac-similar dos manuscritos).

Edições Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro / em convênio com o Instituto Nacional do Livro / Ministério da Educação e Cultura / Brasília, 1981. In-8º de 178, [2] págs. Br.

Este minucioso estudo, dividido nas três secções principais de capítulos «O estabelecimento dos textos», «As nove cantigas de Pero Meogo seguidas de aparato crítico» e «Da narrativa e da interpretação simbólica», é acompanhado no final da reprodução por fac-simile dos manuscritos da Vaticana e da Biblioteca Nacional.

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita pelo autor a uma sua conhecida colega portuguesa do Porto.
 
12€

Fernando Correia Dias ― O Movimento Modernista em Minas

O Movimento Modernista em Minas: Uma interpretação sociológica

ebrasa Editôra de Brasília S. A. / 1971. In-8º de 181, [3] págs. Br.

Importante estudo acerca da actividade do grupo de Carlos Drummond de Andrade (no qual também se distinguiriam nomes como João Alphonsus e Henriqueta Lisboa) durante o segundo quartel do século passado.

Exemplar praticamente irrepreensível, apesar de ser esta pelo menos a terceira vez que é posto à venda: apresenta os selos das também portuenses livrarias Manuel Ferreira e Modo de Ler.
 
10€    

Grandes Poetas Românticos do Brasil

Grandes Poetas Românticos do Brasil (Esparsos Completos de Porto Alegre e Maciel Monteiro / Poesias Completas de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Castro Alves // organização, revisão e notas de Frederico José da Silva Ramos)

Edições LEP ltda. (Impresso em São Paulo no ano de MCMLIV. IV Centenário de fundação da cidade). In-4º gr. de XVI, 751, [I] págs. Enc.

Álbum graficamente apuradíssimo, impresso a cores - na folha de rosto e nas de início e fim de capítulo, um por cada poeta - sobre bom papel. Há uma curta nota bio-bibliográfica relativa a cada um dos nomes escolhidos, transcrevendo-se também algumas recensões críticas: por exemplo, um artigo de Alexandre Herculano acerca de Gonçalves Dias publicado na Revista Universal Lisbonense.
Salvo erro, foi esta a primeira de várias edições já publicadas.

Exemplar da série encadernada pelo editor com gravações a ouro na lombada e na pasta superior; praticamente irrepreensível, sem qualquer defeito a salientar - nessa circunstância, peça de colecção.
 
60€

F. Topa ― edição crítica da obra do árcade brasileiro Silva Alvarenga

Para uma edição crítica da obra do árcade brasileiro Silva Alvarenga – Inventário sistemático dos seus textos e publicação de novas versões, dispersos e inéditos

Edição do Autor / Porto – 1998. (Execução gráfica – Helvética - Artes Gráficas, Lda.). In-8º gr. de 207, [1] págs. Br.

Tiragem de apenas 250 exemplares, este valorizado por uma dedicatória de oferta manuscrita pelo autor a uma entre cinco colegas académicos a quem o livro é dedicado.
 
10€

Roteiro Literário do Brasil e de Portugal (Antologia da Língua Portuguêsa)

Livraria José Olympio Editora. (1956). 2 vols. in-8º de  XX + XIV, 882 [aliás, 884] págs. nums. em conjunto. Enc. em 1.
 
Trabalho de recolha efectuado por Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Holanda – dividido em dois volumes, o primeiro dedicado à literatura portuguesa e o segundo à brasileira (ou luso-brasileira). Bastante competente e razoavelmente criterioso (há opções e omissões discutíveis q.b.), fiquem para exemplo os prosadores e poetas portugueses «do séc.XX» seleccionados, entre dezenas de nomes desde a Idade Média: Nobre, Brandão, Pessanha, Eugénio de Castro, Augusto Gil, Pascoaes, Pessoa, Sá-Carneiro, Florbela e Carlos Queirós.
 
Boa encadernação conjunta dos dois volumes, com cantos e lombada – gravada a ouro – em pele e pastas em «pele-de-cobra». Conserva ambas as faces das capas de ambos; carminados à cabeça.
 
50€

Aurélio Buarque de Holanda ― Enriqueça o seu Vocabulário

Enriqueça o seu Vocabulário (segunda edição / Revista e muito aumentada: 1 750 palavras – 50 locuções)

Editôra Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro. (1965). In-8º peq. de 286, [2] págs. Br.

Proclamava o editor registar “esta edição, em relação à anterior, muito maior número de etimologias. Amplia também – e largamente – as abonações. A êsse respeito, basta observar que 95% das palavras consignadas vêm acompanhadas de passagens de escritores portugueses e brasileiros, desde Camões a autores dos nossos dias. Neste particular, nenhum dicionário do mundo o iguala”. É bastante interessante o prefácio de Paulo Rónai, «Útil inda brincando», explicando a origem anglo-saxónica deste tipo de dicionários (estilo quiz) e afirmando, bem ou mal, ser o primeiro no género publicado em língua portuguesa.
 
8€

Sérgio Buarque de Holanda ― Raízes do Brasil

Livraria José Olympio Editora / Rio – 1936. In-8º de IX, [I], 176, [6] págs. Enc.

Volume inaugural da colecção «Documentos Brasileiros», apresentado por Gilberto Freire, que a dirigia, e que gabava em Buarque “uma daquellas intelligencias brasileiras em que melhor se exprimem não só o desejo como a capacidade de analysar, o gosto de interpretar, a alegria intellectual de esclarecer”. Edição também inaugural de um dos dois livros principais de toda a bibliografia brasileira do séc.XX, com único par em Casa Grande & Senzala, justamente de Freire.


Exemplar bem encadernado com cantos e lombada em pele gravada a ouro e as pastas em bom papel marmoreado. A capa primitiva parece ter sido recoberta como guarda, não estando, por isso, visível.


85€

Gilberto Freire ― O mundo que o Português criou

O mundo que o Português criou (Aspectos das relações sociaes e de cultura do Brasil com Portugal e as colonias portuguesas / Prefacio de António Sérgio)

1940, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 164, [4] págs. Enc.

Embora esse leit-motiv de toda a sua bibliografia aflorasse já de forma bastante clara desde os seus primeiros trabalhos, apesar das nuances que pontuam por exemplo Casa Grande & Senzala, pode e deve considerar-se este o tratado propriamente fundador do lusotropicalismo – o tempora, o mores, com extenso prefácio de um dos mais encartados opositores ao Estado Novo, o qual de passagem se insurgia contra a “retórica histórico-patrioteira” a que hoje o pós-colonialismo reduz com alguma ignorância a coisa. Na introdução, Freire explicava que esta edição original (sob o título) se baseava em Conferencias na Europa, saída dois anos antes – mas acrescentando quer texto, quer apensos às quatro conferências em causa: «Aspectos da influencia da mestiçagem sobre as relações sociaes e de cultura entre portugueses e luso-descendentes»; «Importancia dos estudos de historia social e cultural para as relações entre portugueses e luso-descendentes»; «Suggestões para a cooperação luso-brasileira no estudo de problemas de historia de arte culta e popular»; «O Nordeste do Brasil e seus pontos de contacto com outras areas americanas especializadas na producção do açucar».

Outro exemplar da biblioteca brasiliana de Aurélio Pereira Martins, com uma boa encadernação mas infelizmente desprovida da capa de brochura.
 
28€

Gilberto Freire ― Região e tradição

Região e tradição (Prefácio de José Lins do Rego / Illustrações de Cícero Dias)

1941 / Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro. In-8º de 264, [4] págs. Enc.

O prefácio do romancista brasileiro, que depois se debruçava sobre isso mesmo, começava por notar que “Este livro de Gilberto Freyre é bem a historia de sua vida intellectual no Brasil. Vae elle de seus 17 annos ao fim dos seus 30. E nenhum titulo diz melhor, com mais propriedade, de toda a sua luta interior, de todo o seu esforço de comprehender e de sentir a sua gente e a sua terra”. Com as ilustrações de Cícero a folha inteira, teve o livro, aqui em primeira edição, capítulos como «Algumas notas sobre a pintura no Nordeste do Brasil», «Região, tradição e cozinha», «Fidalgos pernambucanos», «Narcisismo gaúcho», «Regresso à provincia», etc.

Mais um livro da colecção brasiliana de Aurélio P. Martins, encadernado como os abaixo e acima referidos, sem a capa de origem.
 
25€     

Gilberto Freire ― Problemas Brasileiros de Antropologia

Colecção Estudos Brasileiros da CEB / Rio de Janeiro, 1943. In-8º de 208, XII, [I] págs. Enc.

Correspondendo algumas a conferências proferidas pelo autor, o volume divide-se nas partições «A propósito de algumas tendências actuais da antropologia», «Antropologia social e antropologia cultural», «Áreas de cultura e outras áreas», «Complexidade da antropologia e complexidade do Brasil como problema antropológico», «A propósito de paulistas», «Sugestões para o estudo histórico-social do sobrado no Rio Grande do Sul», «Problemas de relações da personalidade com o meio», «A propósito da política cultural do Brasil na América» e «Antropologia e reforma do esnino». Edição da Casa do Estudante do Brasil, a original deste livro, ilustrada numa série de folhas à parte por fotogravuras de sobrados e respectivas janelas do Rio Grande do Sul e portas e janelas «mouriscas» de Olinda.

Exemplar forrado de encadernação semelhante às acima fotografadas; igualmente desprovido da capa de publicação e igualmente ostentando o ex-libris de Aurélio Pereira Martins, que além disso o assinou.
 
23€

Gilberto Freire ― Sociologia

Sociologia (1. Introdução ao Estudo dos seus Princípios / Primeira Parte: Limites e Posição da Sociologia // Segunda Parte: Sociologias e Sociologia)

1945, Livraria José Olympio Editora. 2 vols. in-8º de 775, [8] págs. nums. em conjunto. Enc.

Edição original de um dos trabalhos mais importantes do escritor, que previa a publicação de cinco mas se ficou por estes dois volumes aqui apresentados, como habitualmente cruzando os temas de sociologia, antropologia e história na sua interpretação do que seja a identidade brasileira – neste caso mais genericamente, cruzados e por vezes comparados com bases de estudo culturais e geográficas bastante diversas.

Os volumes pertenceram à brasiliana de Aurélio Martins e foram encadernados em estilo amador com a lombada em pele gravada a ouro sobre o encaixe; ambos conservando ambas as faces da capa de brochura.
 
45€

Gilberto Freire ― Casa Grande & Senzala

Casa Grande & Senzala (formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal)

Edição «Livros do Brasil» Lisboa. [S/d – pref. 1957]. In-8º de 524, [4] págs. Br.

Primeira edição portuguesa do principal título do autor e de toda a bibliografia brasileira do séc.XX, porventura só com par em Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Entretanto reeditado salvo erro duas vezes por esta mesma casa editora, o livro conhecia já à época nove edições brasileiras e oito (!) francesas, além de argentinas, inglesas e norte-americanas, se não falha alguma mais. Além de um longo «Prefácio-Síntese para a edição portuguesa de Lisboa», estranhamente repetitivo e desinteressante, Freire contribuía ainda com dezenas (entre centenas) de novas ou actualizadas notas especificamente para esta publicação em Portugal, essas sim interessantes e relevantes.

Exemplar com algum desgaste da capa; miolo de um modo geral em bom estado. Conserva perfeita a planta desdobrável com a ilustração exemplificativa «Casa Grande do Eng.º Noruega antigo Eng.º dos Bois, Pernambuco». Selo da lisboeta Livraria Ferin. 

15€

Rocha Pombo ― História do Brasil (Nova edição ilustrada)

W. M. Jackson Inc., editores / 1942. 5 vols. in-8º. Enc.

«O descobrimento e a colonização», «O regime colonial», «A formação do espírito de pátria», «A independência» e «A república» são os cinco volumes deste importante trabalho do jornalista e historiador republicano – com ilustrações em folhas couché destacadas sobretudo a partir de quadros  de  pintores brasileiros e mapas e gravuras de época. Nas palavras de outro historiador do Brasil, Rodolfo Garcia, abaixo mencionado, “Se conferidas as estatísticas das bibliotecas, verifica-se que sua História do Brasil é, nessa classe, o livro mais consultado, o mais lido de todos, o que significa popularidade e vale pela mais legítima das consagrações. (...) No gênero, a História do Brasil é a mais vasta, a mais considerável de nossa literatura, pela superfície imensa que cobre, das origens do Brasil aos dias presentes.

Boa encadernação dos editores em percalina com gravações artísticas a dourado.

75€

Varnhagen ― Historia Geral do Brasil

Historia Geral do Brasil (Antes da sua Separação e Independencia de Portugal) / (3.ª edição integral)

Editora-Proprietaria Companhia Melhoramentos de São Paulo (Weizflog Irmãos incorporada). [S/d - >1926]. 5 vols. in-8º. Enc.

O primeiro volume ainda chegou a ser revisto por Capistrano de Abreu (já antes preparara uma edição baldada e literalmente ardida...), sendo os seguintes da responsabilidade exclusiva de Rodolfo Garcia, que lhe dedica um texto em necrológio; todos eles enriquecidos por ilustrações em folhas destacadas, incluindo algumas desdobráveis com mapas e gravuras. É também o primeiro o mais interessante, aqui ficando para exemplo algumas das secções que o compõem: «Descripção Geral do Brasil», «Dos Índios do Brasil em Geral», «Língua, Usos, Armas e Indústria dos Tupis», «Ideias Religiosas e Organização Social dos Tupis: sua Procedência», «Descobrimento da America e do Brasil», «Explorações Primitivas da Costa Brasilica», duas sobre a expedição de Martim Afonso, «Direitos dos Donatarios e Colonos. Portugal nesta Epocha», «Chronica Primitiva das Seis Capitanias, cuja Colonização Vingou», «Vida dos Primeiros Colonos e suas Relações com os Indios», «Escravidão d’Africanos. Perigos Ameaçadores», «Estabelecimento de um Governo Central na Bahia», expulsão dos franceses, fundação do Rio de Janeiro, etc.

Encadernações em percalina com gravações a dourado.
 
100€  

Memórias para servir à História do Reino do Brasil

Memórias para servir à História do Reino do Brasil (Prefácio e Anotações de Noronha Santos) / [No vol.II:] (Em Apendice: Documentos e notas bio-bibliográficas, índices completos da obra, tanto do anotador como do autor)
 
Livraria Editora Zelio Valverde, Rio – 1943. 2 vols. in-8º gr. de 860, [IV] págs. nums. em conjunto. Enc.


Documento imprescindível para o estudo do início do séc.XIX no Brasil antes da proclamação da independência, constituindo o mais importante repositório de informação conhecido relativamente a essas duas primeiras décadas – em particular após 1808, com a chegada da côrte portuguesa ao Rio, e em particular no que respeita precisamente ao Rio de Janeiro. Esta edição, bastante ilustrada em folhas destacadas, incluindo mapas e plantas desdobráveis, integra ainda um total de 130 (!) páginas de úteis notas explicativas de Noronha Santos respeitantes apenas à introdução e, no final, as breves de biografia e bibliografia do autor – Luis Gonçalves dos Santos, o padre Pereréca, filho de um ourives portuense e de uma carioca.
Ambos os volumes encadernados com lombada em pele gravada e demarcada a ouro, mantendo a frente da capa primitiva; pertenceram à biblioteca de Aurélio P. Martins, de quem exibem o ex-libris.

45€