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Ernesto Veiga de Oliveira — Instrumentos Musicais Populares Portugueses

Instrumentos Musicais Populares Portugueses (Análises e transcrições musicais de Domingos Morais, Carlos Guerreiro, Pedro Caiado, Pedro Caldeira Cabral e Rui Vaz)

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa / 1982. (Composto e impresso na Litografia Tejo). In-4º peq. de 526, [2] págs. Br.

Segunda edição, revista e aumentada, desta monumental recolha – cuja importância, por demais sabida, nem será necessário acentuar. O volume foi abundante e criteriosamente ilustrado por fotogravuras de todo o tipo e pelas pautas de temas e canções seleccionados.

Exemplar valorizado pela afectuosa dedicatória de oferta que Ernesto Veiga de Oliveira lhe apôs ao matemático Laureano Barros, senhor de uma das melhores bibliotecas do séc.XX português. Parece, apesar disso, ainda por estrear
 
40€
Tesouros da Literatura Popular Portuguesa: antologia organizada por António Manuel Couto Viana / ilustrações de Júlio Gil

Verbo. (1985). In-4º gr. de 385, [VII] págs. Enc.

A antologia foi dividida nas secções «Cancioneiro» («Quadras Soltas», «Quadras Musicadas» e «Anfiguris»), «Rimances», «Teatro» e «Contos».
Edição impressa sobre bom papel encorpado, sendo as ilustrações a p/b e a cores.

Encadernação editorial em tela, gravada a ouro na frente e na lombada.

20€

Pronúncia do Noroeste

Sentava-m'eu na ermida de São Simão
e cercaram-me as ondas que grandes são:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Estando na ermida ant' o altar,
cercaram-me as ondas grandes do mar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

E cercaram-me as ondas do mar maior;
não tenho barqueiro nem remador:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

E cercaram-me as ondas do alto mar;
não tenho barqueiro, nem sei remar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Não tenho barqueiro nem remador;
morrerei eu, formosa, no mar maior:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Não tenho barqueiro, nem sei remar;
morrerei eu, formosa, no alto mar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.


[Segundo Stephen Reckert, terá sido esta a única canção que nos chegou de um quase anónimo Meendinho. (Ria de Vigo, para variar). A maneira como dança, com toda a simplicidade e toda a graciosidade, entre um nível de significação mais imediato e um segundo mais simbólico e profundo, é espantosa.
As "ondas do mar maior" são só uma metáfora, mas das melhores que alguém alguma vez sacou: a moça apaixonada quereria «apenas» dizer que perdeu o pé.
"Não tenho barqueiro, nem sei remar / morrerei eu, formosa, no alto mar": é a pronúncia do Norte que vos coube em sorte, Meendinho, Reininho. É um prenúncio de morte. É a paixão.

Rock in Rio Douro ou Folk na Ria de Vigo, só varia o ímpeto, que o destino é o mesmo. Mar alto.

Ilustríssima, a antepassada (in)directa da canção dos GNR.]

Do Cancioneiro de Amigo

Do Cancioneiro de Amigo (Stephen Reckert e Helder Macedo, com um texto de Roman Jakobsen e 50 cantigas de amigo)

Documenta Poética 3 / assírio e alvim. [S/d]. In-8º de 247, [5] págs. Br.

Segunda das três edições já dadas a lume, corrigida e aumentada relativamente à original, com tiragem de 1800 exemplares. Os textos preliminares são «A variação subliminar na poética da cantiga», «A textura poética de Martim Codax» e «Uma cantiga de Dom Dinis».

Exemplar com ligeiríssimo desgaste da capa; em muito boa condição no miolo, provavelmente por estrear.
 
14€

Pedro Fernandes Tomás — Canções Populares da Beira

Canções Populares da Beira (acompanhadas de 58 melodias recolhidas directamente da tradição oral / com uma introdução por J. Leite de Vasconcellos)

Coimbra: Imprensa da Universidade, 1923. In-8º gr. de XXXIII, [I], 254 págs. Br.

É extensa e como sempre proveitosa a introdução do ele mesmo beirão sábio Vasconcelos, com as notas comparativas e panorâmicas do costume, ao livro; que aqui conhecia a segunda forma, cuja nota de apresentação se reproduz:
“Estando ha muito esgotada a primeira edição desta colecção, que viu a luz da publicidade em 1896, na Figueira da Foz, sai ela agora em nova edição refundida e ampliada com mais algumas canções, recolhidas na mesma região. / Nesta edição suprimimos os acompanhamentos de piano, que figuravam na primeira, reproduzindo-se as melodias tais quais o povo as canta, em toda a sua simplicidade, a exemplo do que já fizemos nas nossas colecções Velhas Canções e Romances Populares, e Cantares do Povo”.

Exemplar com uma desconjunção total a meio do volume, aconselhando futura encadernação.

23€
 

Pedro Fernandes Tomás — Canções Portuguesas

Canções Portuguesas (do século XVIII à actualidade)

Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934. In-8º gr. de [4], 169, [3] págs. Enc.

Fernandes Tomás dividiu a sua recolha nas secções «Romances», «Canções religiosas», «Cantigas velhas» e «Danças de roda e descantes».

Exemplar n.º 70 da série especial de 120 impressos sobre bom papel de linho, assinados pelo editor Teixeira de Carvalho. Foi entretanto recoberto de uma cuidada encadernação mais recente, com pastas e guardas em marmoreado e a lombada em pele gravada a ouro; corte das folhas carminado à cabeça e intacto nas restantes margens; conservando na íntegra a capa de brochura (e até a própria tira do encaixe). Única e ligeiríssima pecha: leves e esporádicos vestígios de acidez.
 
50€

Carolina Michaëlis — O Cancioneiro Fernandes Tomás

O Cancioneiro Fernandes Tomás (índices, nótulas e textos inéditos)

Coimbra: Imprensa da Universidade, 1922. In-8º de 171, [3] págs. Br.

Explicava Carolina Michaëlis no prefácio ter este trabalho sido concebido para inclusão no In Memoriam preparado por Cardoso Marta em honra do amigo defunto Fernandes Tomás; ultrapassada em muito a extensão suposta para o efeito, acabou por ter aqui a sua primeira edição.

Exemplar em bom estado, mas com uma falha de papel e vários pequenos defeitos na capa. Pertenceu ao polígrafo (ligado à Seara Nova) Neves Águas, de quem tem o ex-libris no verso da folha de rosto.

20€

Teófilo Braga — Romanceiro Geral Portuguez

Lisboa: Manuel Gomes, Editor (Livreiro de Suas Majestades e Altezas). 1906-1907. 2 vols. in-8º de VIII-639-[1] e  [IV], 588 págs. Br.

O primeiro volume colige «Romances Heroicos, Novellescos e de Aventuras» e o segundo «Romances de Aventuras, Historicos, Lendarios e Sacros», numa recolha de indiscutível interesse (só não o terá a classificação absurda de Teófilo, pelas habituais tolices nas digressões em matérias etnográfica e antigo-histórica).
Segunda edição, ampliada.
 
O segundo volume está parcialmente desconjuntado a meio, no que é o principal defeito dos exemplares aqui apresentados.
 
23€

Alberto Pimentel — A Triste Canção do Sul

A triste canção do sul (subsídios para a história do fado)

Lisboa: Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor (158 – Rua da Prata – 160) – 1904. In-8º de 302, [4] págs. Enc.

Ainda hoje de referência, divide-se o estudo nos capítulos «Origens do Fado», «Fadistas», «Os assumptos do Fado», «A Severa e o Conde de Vimioso», «Fados de nomenclatura – Fados litterarios», «Bibliographia musical do fado». Primeira edição, a mais apreciada e valiosa.
 
Exemplar bem encadernado ao estilo meio-amador com a lombada de pele gravada a ouro em casas abertas, mas tendo já uma pequena fenda sob o título; aparado por inteiro, conservando apenas a frente da capa original. 
 
30€

Gil do Monte — Figuras Populares de Évora

Livraria Nazareth / Évora, 1984. In-8º gr. de [16], 95, [3] págs. Br.

Julgo, mas não garanto, ter sido esta a edição definitiva de um trabalho interessantíssimo à bibliografia eborense, pretendendo “evocar os tipos populares da nossa terra, tão dignos de comiseração do próximo, que em mudo cortejo perpassam pelo firmamento da Vida como meteoros desprovidos de qualquer cintilação”. Não menos interessantes as ilustrações que pontuam todo o volume, da pena de vários artistas, podendo salientar-se os Espanca (Apeles, irmão de Florbela, Demóstenes e João).

Exemplar com ligeiras marcas de corrosão na capa; de resto, impecável.
 
15€

Túlio Espanca — Évora: Guia Histórico-Artístico

Comissão Municipal de Turismo de Évora, 1949. (Composição, impressão e gravuras de Bertrand (Irmãos), Lda. – Lisboa). In-8º de 116, [2] págs. + [1] desd. Br.

Ao contrário do que era regra com as publicações de impressão na casa lisboeta, terá aqui mais interesse o texto – bastante extenso, reproduzido em caracteres pequenos – descritivo de Túlio Espanca do que propriamente as gravuras, preparadas a partir de fotografias originais do MNAA e de, entre outros, Mário Novais, Mário Tavares Chicó e Abreu Nunes; dividindo-se pelos capítulos «Évora – Generalidades», «Nota Histórica», «Nota Notística», «Bibliografia Real [sic – geral?]» e «Itenerário [sic] e Descrição». O termo do volume guarda ainda uma planta da cidade, composta por Daniel Sanches, a cor, sobre folha óctupla desdobrável.
 
Bom exemplar.
 
18€ 

Frederic Marjay — Évora

Évora: – A Cidade Milenária – e seu Distrito, suas Belezas e seus Encantos (texto e realização artística de (...))

Livraria Bertrand, S. A. – Lisboa. In-4º gr. de 32, 80, [6] págs. Enc.

“Não é de admirar que numa cidade assim os arqueólogos e os historiadores, os escritores, os poetas e os artistas encontrem motivos de interesse inesgotáveis. Também os encontrarão, sem dúvida, todos aqueles que anseiem repousar num ambiente de beleza, longe da agressividade do mundo em que vivemos. Será sempre com uma sensação indelével de nostalgia que um dia se regressa, deixando Évora, com a sua poesia, a sua arte, e a sua rica história, esfumada nas distâncias das paisagens alentejanas”.
Para além do roteiro propriamente dito, interessarão sobremaneira, como de costume, as belas fotogravuras impressas com a qualidade então habitual da casa Bertrand; a partir de originais de, entre outros, Mário Novais, Nuno Ferrari e Manuel San Payo.
Álbum publicado na «Colecção Romântica».

O exemplar, sem defeitos significativos, conserva a sobrecapa ilustrada que recobre a encadernação em tela, mas com alguns rasgões e marcas.
 
25€

Urbano Tavares Rodrigues — O Alentejo

Alto e Baixo Alentejo (introdução, selecção e notas por Urbano Tavares Rodrigues)

Livraria Bertrand, Lisboa. [S/d]. In-8º peq. de 204 págs. Br.

Terceiro título publicado na colecção Antologia da Terra Portuguesa, no figurino habitual da série: recolha ilustrada do que na literatura portuguesa principalmente se escreveu sobre cada rincão do país – deste dizendo Urbano, logo ao começar a introdução, “o Alentejo é das províncias de Portugal aquela que na nossa literatura aparece como figura sobresselente e decisiva mesmo quando devera ser cenário”.

Bom exemplar, parecendo por inaugurar e apenas padecendo de muito ligeiras marcas na capa.
 
15€

Conde de Monsaraz — Musa Alemtejana

Lisboa – Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira & C.ta (Praça dos Restauradores, 20)– 1908. In-8º de 252, [4] págs. Enc.
 
Primeira edição, rara pela procura.
 
Exemplar revestido de boa encadernação com cantos e lombada (gravada a ouro) em pele; conservando por inteiro a capa primitiva; aparado e carminado à cabeça com um marcador em cetim, mantendo-se as restantes margens como saíram do prelo. 
 
45€

Conde de Monsaraz — Musa Alentejana / Lira de Outono

Lisboa: Livraria Ferin, 1954. In-4º de 240, [26] págs. Enc.
 
“Esta obra foi editada por subscrição particular na província do Alentejo como justa homenagem de apreço e gratidão pelo criador da sua poesia regional”, de quem aqui se comemorava o centenário do nascimento, sob iniciativa de Mário Beirão – que em carta aberta publicada no Diário do Alentejo a isso instara os seus comprovincianos. Não tendo chegado a entrar no mercado, a edição é já, por isso, de pouco frequente aparecimento; dela se destacando a impressão em bom papel e a esmerada composição gráfica, enriquecida pelas ilustrações saídas da mão experiente de Alberto de Sousa. À re-publicação de Musa Alentejana junta-se aqui a primeira de Lira de Outono, conjunto de inéditos agrupados nas duas secções Poemas do Alentejo e Últimas Poesias. O prefácio, bastante longo, foi assinado por António Sardinha.
 
Exemplar de uma série não declarada, encadernada de origem em percalina com a capa de brochura sobreposta.
 
45€

Feira do Livro de Braga

Este ano, a bibliographias troca Viana (mas oh quantas saudades...) por Braga.
A Feira do Livro volta a decorrer na Avenida Central e tem como homenageado Manuel Alegre.
De 1 a 17, encerrando ora às 23h (domingo e dias da semana), ora à meia-noite (sexta e sábado).

Miguel Torga — Novos Contos da Montanha

Coimbra, 1944. (Nas oficinas gráficas da Coimbra Editora). In-8º de 197, [5] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada na capa por Victor Palla e inteiramente numerada pelo editor com a rubrica de Torga. Ao exemplar – tem no rosto uma assinatura que parece também de um Formigal, e conserva-se ainda de modo geral em bom estado, apesar de ligeiro desgaste da capa – coube o n.º 1068.
 
45€

Miguel Torga — Novos Contos da Montanha (2.ª edição)

Coimbra, 1945. (Nas oficinas gráficas da Coimbra Editora). In-8º de 201, [3] págs. Br.

Em tudo o resto igual à anterior, apenas distinguem esta segunda edição a carta-prefácio escrita pelo autor ao “Querido Leitor” e a nova capa de Palla.
O exemplar, com o n.º 496, pertenceu a Júlio Formigal, conhecido médico da geração anterior à de Torga; e tem aposto, na face inferior da capa e numa das páginas secundárias do miolo, o carimbo de oferta da Bial. Pequenos defeitos e ligeiro desgaste exteriores.
 
30€

Teixeira de Carvalho — Tempo Perdido

Tempo Perdido (contos e baladas) / prefaciado pelo Dr. João de Barros

Coimbra / Imprensa da Universidade, 1924. In-8º de XV, [I], 314, [2] págs. Br.

Depois de demonstrar por ele aquele embevecimento que, de modo geral, toda a sua geração em Coimbra partilhou, João de Barros sustentava no prefácio que “A originalidade de inspiração e de estilo, de emoção e de arte que se encontra nestas pequenas composições, fizeram de Teixeira de Carvalho um escritor de rara sedução, num género quási inédito na nossa literatura. E, depois, se outros livros seus nos revelam a cultura, a erudição, a curiosidade infatigável da sua inteligência – êste como nenhum outro, dá-nos a imagem exacta e fiel da sua sensibilidade excepcional”.
 
Belo exemplar.

25€

Teixeira de Carvalho — Notas de Arte e Crítica

Notas de Arte e Crítica (com um prefácio do Dr. Joaquim Costa)

Porto: Livraria Moreira – Editora (42 - Praça da Liberdade - 44) – 1926. In-8º de XI, [I], 474, [2] págs. Br.

Primeira edição desta recolha de dezenas de textos, dedicados a gente e temas tão vários como o cancioneiro beirão, a pesca em Portugal, o bilhete postal ilustrado, Mafra, Columbano, Fialho, Gonçalo Velho, Gil Vicente, etc. – e, no que toca a Coimbra, a Sé Velha, o ferro forjado e a escultura, as freiras de Lorvão, a Rainha Santa e as festas que lhe são consagradas, por exemplo. O prefácio de Joaquim Costa dedicava-se a explicar por que foi Teixeira de Carvalho, “o dr. Quim Martins”, o “generoso preceptor” da sua geração na capital do Mondego.

Bom exemplar, mantendo os cadernos por abrir ainda em mais de metade do volume.
 
35€

Sebastião Antunes Rodrigues — Rainha Santa

Rainha Santa: cartas inéditas e outros documentos

Coimbra Editora, Limitada / 1958. In-8º gr. de 189, [3] págs. Br. 
 
Aproveitando umas férias, percorremos os lugares por onde viveu, estivemos na alcova da Aljaferia de Saragoça onde se diz que nasceu, embora històricamente não esteja provado, estivemos em Santiago de Compostela à procura de algum dos muitos objectos que na sua piedosa romagem oferecera ao Apóstolo Santiago e detivemo-nos no Arquivo da Coroa de Aragão, em Barcelona. (...) Nada encontramos a esse respeito, mas em contrapartida apareceram cinquenta cartas inéditas da Rainha e outros documentos”. Primeira edição em volume independente, inteiramente numerada e rubricada pelo autor, recolhendo o que fôra publicando no Arquivo Coimbrão.
 
Bom exemplar.
 
23€

João de Castro — Raínha Santa (elegía)

Edições Lusitania / Lisboa, 1920. In-4º de 44, [4] págs. Br. 

Hoje francamente invulgar, foi esta a primeira edição do que suponho o primeiro livro do autor, apadrinhada por Albert Jourdain – que pouco antes se instalara em Portugal, e que compôs para este efeito um painel reproduzido em estampa hors-texte ao abrir o volume.

O exemplar, valorizado pela conservação dessa folha de estampa (que por vezes falta), foi revestido de uma cobertura em boa cartolina sobre a qual se colou um cliché com uma imagem de Isabel de Aragão.

32€

António de Vasconcelos ― D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal

D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal (Ilustrações de Marques Abreu)

(Imprensa das Oficinas de Fotogravura de Marques Abreu / Avenida Rodrigues de Freitas, 310 – Pôrto. 1930). In-4º de 48 págs + [27] ff. de estampa + [1] planta desd. Enc. 

É bem conhecido este trabalho do professor coimbrão, remodelando os textos de duas conferências proferidas em Coimbra e em Aveiro, “em ordem a formarem um corpo homogéneo” que se debruçou, principalmente, sobre a actividade da Rainha Santa no apoio a Dinis na condução dos negócios do reino – e muito em particular o habitual afã conciliador e pacificador, tal o que decidiu em Lisboa a paz entre o marido e o filho (“cá se fazem, cá se pagam”, haveria a este último de acontecer o mesmo quando o então Infante Pedro, tendo bastante mais razão, fulo de raiva pela morte de Inês de Castro, contra ele levantou hostes tomando pouco mais ou menos as mesmíssimas povoações). Como sempre belas, as estampas de Marques Abreu reproduzem clichés contemporâneos de Coimbra, do Mondego, da Sé Velha e de Santa Clara; de Trancoso, Pombal e Leiria (todas estas, pouco a propósito); e, no final, dos túmulos do casal real e iconografia vária relacionada com o culto da aragonesa.

O exemplar foi enriquecido por uma boa encadernação em jeito meio-amador com os cantos e a lombada em pele gravada a ouro nos filetes, floretes e dizeres; conservando por inteiro a capa primitiva; e ainda mais valorizado por uma expressiva dedicatória de oferta manuscrita pelo artista, fotógrafo e tipógrafo portuense a Eleutério da Fonseca, poucos dias após a saída dos prelos. Único senão: vários vestígios antigos de humidade, embora sobretudo marginais e, por regra, não demasiado pronunciados. 

50€

António de Vasconcelos ― Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão

Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão / esposa do rei lavrador / Dom Dinis de Portugal (a Rainha Santa): Estudo de investigação historica / feito pelo doutor Antonio Garcia Ribeiro de Vasconcellos / lente cathedratico da faculdade de theologia da Universidade de Coimbra / e socio effectivo do Instituto da mesma cidade.

Anno de M. Dccc. xciv. Foi impressa esta obra em a antiga e mui nobre cidade de Coimbra / na Imprensa da Universidade. 2 vols. in-4º peq. de X, [II], 616, [2] e 634, [4] págs. Enc.

Trabalho de referência da bibliografia isabelina, já consideravelmente escasso nesta edição original, cuja nota de impressão indica terem saído dos prelos 1100 exemplares.
O primeiro volume é o estudo propriamente dito, ilustrado por um bom conjunto de estampas por fotogravura (o exemplar mantém todas, incluindo a da bela vista de Coimbra da fototipia de Emílio Biel que mais costuma faltar), sendo o segundo baseado na transcrição de documentos. Ambos foram bem encadernados com lombada em pele gravada a ouro e pastas em marmoreado, mantendo as duas faces das capas de brochura; corte das folhas aparado e carminado à cabeça e parcialmente aparado na margem lateral; as lombadas apresentando já alguns sinais de desgaste e de corrosão sobre o encaixe; e as folhas finais do segundo pequenos rasgões, apesar de sem prejuízo do texto. Ostentam um e outro o ex-libris (na versão maior) de Sebastião Centeno Fragoso. 

85€

Feira do Livro de Coimbra

Integrada na terceira edição da Feira Cultural, decorre de 3 a 12 de Junho a Feira do Livro de Coimbra, uma vez mais com a participação da bibliographias. 
Parque Verde do Mondego. 

«De Portugal, ni buen viento, ni buen casamiento»


Fala-se pouco nisto entre nós (só agora se falou qualquer coisinha), como de costume, mas tem-se por certo que a grande paixão de Cervantes foi uma portuguesa, e por quase certo que dela nasceu a única filha do escritor castelhano, que a levaria da capital portuguesa para a espanhola. Nada se sabe dela senão talvez o nome: Ana Franco, seja a tradição documental ou oral. Há quem diga que era actriz (já haveria teatro em Lisboa?  possivelmente), há quem diga que era uma simples doidivanas, há quem diga muita coisa. Ter-se-ão conhecido durante uma das estadias alfacinhas do homem - com morada no bairro de Alfama -, ou quando ia embarcar para os Açores sublevados, ou quando ia embarcar em missão de espionagem para o norte de África. Até nisso era o Camões espanhol...
Se interessar o subsídio, aqui fica: na edição francesa do «Quijote» que abaixo se apresenta, com cerca de século e meio de idade, já se alude ao assunto.

Cervantes ― Dom Quixote

The History of Don Quixote de la Mancha: with an account of his Exploits and Adventures

London: Milner and Company, Paternoster Row. [S/d]. In-8º peq. de 448 págs. + [2] ff. de estampa. Enc.

Não estando datada, a edição parece da segunda metade do século passado, provavelmente do último quartel (talvez 1870/1880).

Bonita encadernação editorial com relevos a negro e a dourado; apresenta pequenos vestígios de traça (que felizmente não passaram ao volume) e a pasta inferior, principalmente, está um pouco puída.
 
24€

«Traduttore, traditore»: os reis também podem trair.

Supondo que Deus não seja estrangeiro, a Bíblia não conta, mas um dos candidatos a livro da literatura estrangeira mais variadamente traduzido por cá talvez seja o «Hamlet»: assim de memória, foram tradutores o rei Dom Luís, Santos Quintela, Domingos Ramos, Sofia de Melo Breiner e António Feijó, por exemplo.
Para quem não saiba, o nosso  monarca foi um dos mais denodados tradutores de Shakespeare, e um dos primeiros - ou mesmo o primeiro - a traduzi-lo sistematicamente a partir do original. Camilo, no afã de dar graxa para obter o tão solicitado título de Visconde, chegou mesmo a publicar um opúsculo a que chamou "esboço de crítica" acerca da tradução do «Othello». E Junqueiro diria que mais valia ter ensinado o filho a escrever antes de se preocupar com traduções. Quase todas em exposição na Biblioteca Nacional.
   

Charles & Mary Lamb ― Contos de Shakespeare

Contos de Shakespeare (traduzidos do inglês por Januário Leite)

Portugália Editora, Lisboa. (1946). 2 vols. in-8º de 221, [3] e 241, [7] págs. Br.

Edição portuguesa da versão adaptada, vulgata,  dos irmãos Lamb, originalmente publicada em Inglaterra no início de XIX. O primeiro volume recolhe, após o prefácio do tradutor, «A tempestade», «Sonho duma noite de S. João», «Conto de inverno», «Muito barulho para nada», «Como lhes aprouver», «Os dois veroneses», «O mercador de Veneza», «Cimbeline», «O rei Lear» e «Macbeth»; e o segundo, «Bem está o que bem acaba», «A megera domesticada», «A comédia dos erros», «Pena de Talião», «Noite de Reis ou o que quiserem», «Tímon de Atenas», «Romeu e Julieta», «Hamlet, príncipe da Dinamarca», «Otelo» e «Péricles, príncipe de Tyro». Não estando indicada, a ilustração da capa parece de Ribeiro de Pavia.
 
10€

Shakespeare ― Júlio César

A Tragédia de Júlio César (traduzida em verso e prosa, conforme o original, e anotada por Luis Cardim, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

Edição de A «Renascença Portuguesa» / Porto – 1925. In-8º de 283, [5] págs. Enc.

Dedicando-a a Ginestal Machado, dizia Cardim desta sua versão procurar “satisfazer, pelo seu texto e pelas suas notas, as duas maneiras de lèr Shakespeare: como diletante e como estudioso”; enquanto louvava no trabalho do escritor preferido “o maravilhoso verso sôlto, dádiva adaptada da antiguidade, as citações clássicas, certos elementos de Séneca, o estudo dos caracteres, as sublimidades do pensamento e, acima de tudo, o derramar de beleza, em profusão”. O prefácio termina lamentando, estranhamente, uma suposta falta contemporânea de traduções competentes do inglês – não sendo plausível que desconhecesse as que Domingos Ramos andava a publicar na Lello, é porque não gostaria muito delas, ou dele...

Exemplar revestido de boa encadernação em material sintético com dourados na lombada; preserva por inteiro a capa de brochura, mas aparada, como o foram todas as margens do papel.

15€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de F. dos Santos Quintella)

Escriptorio de Publicações (Rua de Santa Catarina, 231), Porto. [S/d]. In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Edição popular, hoje porém já de esporádico aparecimento, publicada no início do século passado.

Exemplar revestido de sóbria encadernação em material sintético; conservando por todo a capa primitiva.
 
10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de Santos Quintella // 2.ª Edição)

1913 – Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos (Rua Formosa, 384 – ) Porto – (Portugal). In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Esta segunda tiragem, sim, aparece com mais frequência; distinguindo-se pelo diverso retrato de Shakespeare gravado em folha destacada couché de anteportada, por uma outra folha couché preliminar com algumas vinhetas provavelmente copiada de alguma edição inglesa (não é indicada a proveniência) e por uma nova capa, ilustrada – que a encadernação editorial (percalina gravada a ouro), a cuja série este exemplar pertence, manteve na íntegra.

10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, L.da, editores – Rua das Carmelitas, 144 – 1928. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Enc.

“Debaixo de todos os pontos de vista, o Hamlet é o drama mais extraordinário e o mais excêntrico que tôda a arte dramática tem dado à luz. (...) Não poderia haver, como efectivamente não há, nada de maior no mundo. OEdipo rei e Hamlet são os dramas que não sofrem comparação com outros dramas”.

Exemplar da típica série encadernada pelo editor em percalina com dourados e a efígie do autor na pasta frontal. Assinatura de propriedade no rosto e dedicatória (posto que curiosa) de oferta na primeira página preliminar. 
 
10€ 

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

1945 / Livraria Lello & Irmão, Editores (144, Rua das Carmelitas) – Pôrto / Aillaud e Lellos, Limitada (76, Rua do Carmo, 80 a 84) – Lisbôa. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Br.

A mesma edição, reimpressa.

Exemplar maioritariamente por estrear, ainda com os cadernos por abrir em três quartos do volume.
 
5€