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23 de agosto de 2016

Pronúncia do Noroeste

Sentava-m'eu na ermida de São Simão
e cercaram-me as ondas que grandes são:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Estando na ermida ant' o altar,
cercaram-me as ondas grandes do mar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

E cercaram-me as ondas do mar maior;
não tenho barqueiro nem remador:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

E cercaram-me as ondas do alto mar;
não tenho barqueiro, nem sei remar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Não tenho barqueiro nem remador;
morrerei eu, formosa, no mar maior:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.

Não tenho barqueiro, nem sei remar;
morrerei eu, formosa, no alto mar:
eu atendendo meu amigo,
eu atendendo meu amigo.


[Segundo Stephen Reckert, terá sido esta a única canção que nos chegou de um quase anónimo Meendinho. (Ria de Vigo, para variar). A maneira como dança, com toda a simplicidade e toda a graciosidade, entre um nível de significação mais imediato e um segundo mais simbólico e profundo, é espantosa.
As "ondas do mar maior" são só uma metáfora, mas das melhores que alguém alguma vez sacou: a moça apaixonada quereria «apenas» dizer que perdeu o pé.
"Não tenho barqueiro, nem sei remar / morrerei eu, formosa, no alto mar": é a pronúncia do Norte que vos coube em sorte, Meendinho, Reininho. É um prenúncio de morte. É a paixão.

Rock in Rio Douro ou Folk na Ria de Vigo, só varia o ímpeto, que o destino é o mesmo. Mar alto.

Ilustríssima, a antepassada (in)directa da canção dos GNR.]