catálogo on-line

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Túlio Espanca — Évora: Guia Histórico-Artístico

Comissão Municipal de Turismo de Évora, 1949. (Composição, impressão e gravuras de Bertrand (Irmãos), Lda. – Lisboa). In-8º de 116, [2] págs. + [1] desd. Br.

Ao contrário do que era regra com as publicações de impressão na casa lisboeta, terá aqui mais interesse o texto – bastante extenso, reproduzido em caracteres pequenos – descritivo de Túlio Espanca do que propriamente as gravuras, preparadas a partir de fotografias originais do MNAA e de, entre outros, Mário Novais, Mário Tavares Chicó e Abreu Nunes; dividindo-se pelos capítulos «Évora – Generalidades», «Nota Histórica», «Nota Notística», «Bibliografia Real [sic – geral?]» e «Itenerário [sic] e Descrição». O termo do volume guarda ainda uma planta da cidade, composta por Daniel Sanches, a cor, sobre folha óctupla desdobrável.
 
Bom exemplar.
 
18€ 

Frederic Marjay — Évora

Évora: – A Cidade Milenária – e seu Distrito, suas Belezas e seus Encantos (texto e realização artística de (...))

Livraria Bertrand, S. A. – Lisboa. In-4º gr. de 32, 80, [6] págs. Enc.

“Não é de admirar que numa cidade assim os arqueólogos e os historiadores, os escritores, os poetas e os artistas encontrem motivos de interesse inesgotáveis. Também os encontrarão, sem dúvida, todos aqueles que anseiem repousar num ambiente de beleza, longe da agressividade do mundo em que vivemos. Será sempre com uma sensação indelével de nostalgia que um dia se regressa, deixando Évora, com a sua poesia, a sua arte, e a sua rica história, esfumada nas distâncias das paisagens alentejanas”.
Para além do roteiro propriamente dito, interessarão sobremaneira, como de costume, as belas fotogravuras impressas com a qualidade então habitual da casa Bertrand; a partir de originais de, entre outros, Mário Novais, Nuno Ferrari e Manuel San Payo.
Álbum publicado na «Colecção Romântica».

O exemplar, sem defeitos significativos, conserva a sobrecapa ilustrada que recobre a encadernação em tela, mas com alguns rasgões e marcas.
 
25€

Urbano Tavares Rodrigues — O Alentejo

Alto e Baixo Alentejo (introdução, selecção e notas por Urbano Tavares Rodrigues)

Livraria Bertrand, Lisboa. [S/d]. In-8º peq. de 204 págs. Br.

Terceiro título publicado na colecção Antologia da Terra Portuguesa, no figurino habitual da série: recolha ilustrada do que na literatura portuguesa principalmente se escreveu sobre cada rincão do país – deste dizendo Urbano, logo ao começar a introdução, “o Alentejo é das províncias de Portugal aquela que na nossa literatura aparece como figura sobresselente e decisiva mesmo quando devera ser cenário”.

Bom exemplar, parecendo por inaugurar e apenas padecendo de muito ligeiras marcas na capa.
 
15€

Conde de Monsaraz — Musa Alemtejana

Lisboa – Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira & C.ta (Praça dos Restauradores, 20)– 1908. In-8º de 252, [4] págs. Enc.
 
Primeira edição, rara pela procura.
 
Exemplar revestido de boa encadernação com cantos e lombada (gravada a ouro) em pele; conservando por inteiro a capa primitiva; aparado e carminado à cabeça com um marcador em cetim, mantendo-se as restantes margens como saíram do prelo. 
 
45€

Conde de Monsaraz — Musa Alentejana / Lira de Outono

Lisboa: Livraria Ferin, 1954. In-4º de 240, [26] págs. Enc.
 
“Esta obra foi editada por subscrição particular na província do Alentejo como justa homenagem de apreço e gratidão pelo criador da sua poesia regional”, de quem aqui se comemorava o centenário do nascimento, sob iniciativa de Mário Beirão – que em carta aberta publicada no Diário do Alentejo a isso instara os seus comprovincianos. Não tendo chegado a entrar no mercado, a edição é já, por isso, de pouco frequente aparecimento; dela se destacando a impressão em bom papel e a esmerada composição gráfica, enriquecida pelas ilustrações saídas da mão experiente de Alberto de Sousa. À re-publicação de Musa Alentejana junta-se aqui a primeira de Lira de Outono, conjunto de inéditos agrupados nas duas secções Poemas do Alentejo e Últimas Poesias. O prefácio, bastante longo, foi assinado por António Sardinha.
 
Exemplar de uma série não declarada, encadernada de origem em percalina com a capa de brochura sobreposta.
 
45€

Feira do Livro de Braga

Este ano, a bibliographias troca Viana (mas oh quantas saudades...) por Braga.
A Feira do Livro volta a decorrer na Avenida Central e tem como homenageado Manuel Alegre.
De 1 a 17, encerrando ora às 23h (domingo e dias da semana), ora à meia-noite (sexta e sábado).

Miguel Torga — Novos Contos da Montanha

Coimbra, 1944. (Nas oficinas gráficas da Coimbra Editora). In-8º de 197, [5] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada na capa por Victor Palla e inteiramente numerada pelo editor com a rubrica de Torga. Ao exemplar – tem no rosto uma assinatura que parece também de um Formigal, e conserva-se ainda de modo geral em bom estado, apesar de ligeiro desgaste da capa – coube o n.º 1068.
 
45€

Miguel Torga — Novos Contos da Montanha (2.ª edição)

Coimbra, 1945. (Nas oficinas gráficas da Coimbra Editora). In-8º de 201, [3] págs. Br.

Em tudo o resto igual à anterior, apenas distinguem esta segunda edição a carta-prefácio escrita pelo autor ao “Querido Leitor” e a nova capa de Palla.
O exemplar, com o n.º 496, pertenceu a Júlio Formigal, conhecido médico da geração anterior à de Torga; e tem aposto, na face inferior da capa e numa das páginas secundárias do miolo, o carimbo de oferta da Bial. Pequenos defeitos e ligeiro desgaste exteriores.
 
30€

Teixeira de Carvalho — Tempo Perdido

Tempo Perdido (contos e baladas) / prefaciado pelo Dr. João de Barros

Coimbra / Imprensa da Universidade, 1924. In-8º de XV, [I], 314, [2] págs. Br.

Depois de demonstrar por ele aquele embevecimento que, de modo geral, toda a sua geração em Coimbra partilhou, João de Barros sustentava no prefácio que “A originalidade de inspiração e de estilo, de emoção e de arte que se encontra nestas pequenas composições, fizeram de Teixeira de Carvalho um escritor de rara sedução, num género quási inédito na nossa literatura. E, depois, se outros livros seus nos revelam a cultura, a erudição, a curiosidade infatigável da sua inteligência – êste como nenhum outro, dá-nos a imagem exacta e fiel da sua sensibilidade excepcional”.
 
Belo exemplar.

25€

Teixeira de Carvalho — Notas de Arte e Crítica

Notas de Arte e Crítica (com um prefácio do Dr. Joaquim Costa)

Porto: Livraria Moreira – Editora (42 - Praça da Liberdade - 44) – 1926. In-8º de XI, [I], 474, [2] págs. Br.

Primeira edição desta recolha de dezenas de textos, dedicados a gente e temas tão vários como o cancioneiro beirão, a pesca em Portugal, o bilhete postal ilustrado, Mafra, Columbano, Fialho, Gonçalo Velho, Gil Vicente, etc. – e, no que toca a Coimbra, a Sé Velha, o ferro forjado e a escultura, as freiras de Lorvão, a Rainha Santa e as festas que lhe são consagradas, por exemplo. O prefácio de Joaquim Costa dedicava-se a explicar por que foi Teixeira de Carvalho, “o dr. Quim Martins”, o “generoso preceptor” da sua geração na capital do Mondego.

Bom exemplar, mantendo os cadernos por abrir ainda em mais de metade do volume.
 
35€

Sebastião Antunes Rodrigues — Rainha Santa

Rainha Santa: cartas inéditas e outros documentos

Coimbra Editora, Limitada / 1958. In-8º gr. de 189, [3] págs. Br. 
 
Aproveitando umas férias, percorremos os lugares por onde viveu, estivemos na alcova da Aljaferia de Saragoça onde se diz que nasceu, embora històricamente não esteja provado, estivemos em Santiago de Compostela à procura de algum dos muitos objectos que na sua piedosa romagem oferecera ao Apóstolo Santiago e detivemo-nos no Arquivo da Coroa de Aragão, em Barcelona. (...) Nada encontramos a esse respeito, mas em contrapartida apareceram cinquenta cartas inéditas da Rainha e outros documentos”. Primeira edição em volume independente, inteiramente numerada e rubricada pelo autor, recolhendo o que fôra publicando no Arquivo Coimbrão.
 
Bom exemplar.
 
23€

João de Castro — Raínha Santa (elegía)

Edições Lusitania / Lisboa, 1920. In-4º de 44, [4] págs. Br. 

Hoje francamente invulgar, foi esta a primeira edição do que suponho o primeiro livro do autor, apadrinhada por Albert Jourdain – que pouco antes se instalara em Portugal, e que compôs para este efeito um painel reproduzido em estampa hors-texte ao abrir o volume.

O exemplar, valorizado pela conservação dessa folha de estampa (que por vezes falta), foi revestido de uma cobertura em boa cartolina sobre a qual se colou um cliché com uma imagem de Isabel de Aragão.

32€

António de Vasconcelos ― D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal

D. Isabel de Aragão, Raínha de Portugal (Ilustrações de Marques Abreu)

(Imprensa das Oficinas de Fotogravura de Marques Abreu / Avenida Rodrigues de Freitas, 310 – Pôrto. 1930). In-4º de 48 págs + [27] ff. de estampa + [1] planta desd. Enc. 

É bem conhecido este trabalho do professor coimbrão, remodelando os textos de duas conferências proferidas em Coimbra e em Aveiro, “em ordem a formarem um corpo homogéneo” que se debruçou, principalmente, sobre a actividade da Rainha Santa no apoio a Dinis na condução dos negócios do reino – e muito em particular o habitual afã conciliador e pacificador, tal o que decidiu em Lisboa a paz entre o marido e o filho (“cá se fazem, cá se pagam”, haveria a este último de acontecer o mesmo quando o então Infante Pedro, tendo bastante mais razão, fulo de raiva pela morte de Inês de Castro, contra ele levantou hostes tomando pouco mais ou menos as mesmíssimas povoações). Como sempre belas, as estampas de Marques Abreu reproduzem clichés contemporâneos de Coimbra, do Mondego, da Sé Velha e de Santa Clara; de Trancoso, Pombal e Leiria (todas estas, pouco a propósito); e, no final, dos túmulos do casal real e iconografia vária relacionada com o culto da aragonesa.

O exemplar foi enriquecido por uma boa encadernação em jeito meio-amador com os cantos e a lombada em pele gravada a ouro nos filetes, floretes e dizeres; conservando por inteiro a capa primitiva; e ainda mais valorizado por uma expressiva dedicatória de oferta manuscrita pelo artista, fotógrafo e tipógrafo portuense a Eleutério da Fonseca, poucos dias após a saída dos prelos. Único senão: vários vestígios antigos de humidade, embora sobretudo marginais e, por regra, não demasiado pronunciados. 

50€

António de Vasconcelos ― Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão

Evolução do culto de Dona Isabel de Aragão / esposa do rei lavrador / Dom Dinis de Portugal (a Rainha Santa): Estudo de investigação historica / feito pelo doutor Antonio Garcia Ribeiro de Vasconcellos / lente cathedratico da faculdade de theologia da Universidade de Coimbra / e socio effectivo do Instituto da mesma cidade.

Anno de M. Dccc. xciv. Foi impressa esta obra em a antiga e mui nobre cidade de Coimbra / na Imprensa da Universidade. 2 vols. in-4º peq. de X, [II], 616, [2] e 634, [4] págs. Enc.

Trabalho de referência da bibliografia isabelina, já consideravelmente escasso nesta edição original, cuja nota de impressão indica terem saído dos prelos 1100 exemplares.
O primeiro volume é o estudo propriamente dito, ilustrado por um bom conjunto de estampas por fotogravura (o exemplar mantém todas, incluindo a da bela vista de Coimbra da fototipia de Emílio Biel que mais costuma faltar), sendo o segundo baseado na transcrição de documentos. Ambos foram bem encadernados com lombada em pele gravada a ouro e pastas em marmoreado, mantendo as duas faces das capas de brochura; corte das folhas aparado e carminado à cabeça e parcialmente aparado na margem lateral; as lombadas apresentando já alguns sinais de desgaste e de corrosão sobre o encaixe; e as folhas finais do segundo pequenos rasgões, apesar de sem prejuízo do texto. Ostentam um e outro o ex-libris (na versão maior) de Sebastião Centeno Fragoso. 

85€

Feira do Livro de Coimbra

Integrada na terceira edição da Feira Cultural, decorre de 3 a 12 de Junho a Feira do Livro de Coimbra, uma vez mais com a participação da bibliographias. 
Parque Verde do Mondego. 

«De Portugal, ni buen viento, ni buen casamiento»


Fala-se pouco nisto entre nós (só agora se falou qualquer coisinha), como de costume, mas tem-se por certo que a grande paixão de Cervantes foi uma portuguesa, e por quase certo que dela nasceu a única filha do escritor castelhano, que a levaria da capital portuguesa para a espanhola. Nada se sabe dela senão talvez o nome: Ana Franco, seja a tradição documental ou oral. Há quem diga que era actriz (já haveria teatro em Lisboa?  possivelmente), há quem diga que era uma simples doidivanas, há quem diga muita coisa. Ter-se-ão conhecido durante uma das estadias alfacinhas do homem - com morada no bairro de Alfama -, ou quando ia embarcar para os Açores sublevados, ou quando ia embarcar em missão de espionagem para o norte de África. Até nisso era o Camões espanhol...
Se interessar o subsídio, aqui fica: na edição francesa do «Quijote» que abaixo se apresenta, com cerca de século e meio de idade, já se alude ao assunto.

Cervantes ― Dom Quixote

The History of Don Quixote de la Mancha: with an account of his Exploits and Adventures

London: Milner and Company, Paternoster Row. [S/d]. In-8º peq. de 448 págs. + [2] ff. de estampa. Enc.

Não estando datada, a edição parece da segunda metade do século passado, provavelmente do último quartel (talvez 1870/1880).

Bonita encadernação editorial com relevos a negro e a dourado; apresenta pequenos vestígios de traça (que felizmente não passaram ao volume) e a pasta inferior, principalmente, está um pouco puída.
 
24€

«Traduttore, traditore»: os reis também podem trair.

Supondo que Deus não seja estrangeiro, a Bíblia não conta, mas um dos candidatos a livro da literatura estrangeira mais variadamente traduzido por cá talvez seja o «Hamlet»: assim de memória, foram tradutores o rei Dom Luís, Santos Quintela, Domingos Ramos, Sofia de Melo Breiner e António Feijó, por exemplo.
Para quem não saiba, o nosso  monarca foi um dos mais denodados tradutores de Shakespeare, e um dos primeiros - ou mesmo o primeiro - a traduzi-lo sistematicamente a partir do original. Camilo, no afã de dar graxa para obter o tão solicitado título de Visconde, chegou mesmo a publicar um opúsculo a que chamou "esboço de crítica" acerca da tradução do «Othello». E Junqueiro diria que mais valia ter ensinado o filho a escrever antes de se preocupar com traduções. Quase todas em exposição na Biblioteca Nacional.
   

Charles & Mary Lamb ― Contos de Shakespeare

Contos de Shakespeare (traduzidos do inglês por Januário Leite)

Portugália Editora, Lisboa. (1946). 2 vols. in-8º de 221, [3] e 241, [7] págs. Br.

Edição portuguesa da versão adaptada, vulgata,  dos irmãos Lamb, originalmente publicada em Inglaterra no início de XIX. O primeiro volume recolhe, após o prefácio do tradutor, «A tempestade», «Sonho duma noite de S. João», «Conto de inverno», «Muito barulho para nada», «Como lhes aprouver», «Os dois veroneses», «O mercador de Veneza», «Cimbeline», «O rei Lear» e «Macbeth»; e o segundo, «Bem está o que bem acaba», «A megera domesticada», «A comédia dos erros», «Pena de Talião», «Noite de Reis ou o que quiserem», «Tímon de Atenas», «Romeu e Julieta», «Hamlet, príncipe da Dinamarca», «Otelo» e «Péricles, príncipe de Tyro». Não estando indicada, a ilustração da capa parece de Ribeiro de Pavia.
 
10€

Shakespeare ― Júlio César

A Tragédia de Júlio César (traduzida em verso e prosa, conforme o original, e anotada por Luis Cardim, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

Edição de A «Renascença Portuguesa» / Porto – 1925. In-8º de 283, [5] págs. Enc.

Dedicando-a a Ginestal Machado, dizia Cardim desta sua versão procurar “satisfazer, pelo seu texto e pelas suas notas, as duas maneiras de lèr Shakespeare: como diletante e como estudioso”; enquanto louvava no trabalho do escritor preferido “o maravilhoso verso sôlto, dádiva adaptada da antiguidade, as citações clássicas, certos elementos de Séneca, o estudo dos caracteres, as sublimidades do pensamento e, acima de tudo, o derramar de beleza, em profusão”. O prefácio termina lamentando, estranhamente, uma suposta falta contemporânea de traduções competentes do inglês – não sendo plausível que desconhecesse as que Domingos Ramos andava a publicar na Lello, é porque não gostaria muito delas, ou dele...

Exemplar revestido de boa encadernação em material sintético com dourados na lombada; preserva por inteiro a capa de brochura, mas aparada, como o foram todas as margens do papel.

15€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de F. dos Santos Quintella)

Escriptorio de Publicações (Rua de Santa Catarina, 231), Porto. [S/d]. In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Edição popular, hoje porém já de esporádico aparecimento, publicada no início do século passado.

Exemplar revestido de sóbria encadernação em material sintético; conservando por todo a capa primitiva.
 
10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Tragedia em 5 Actos / Versão de Santos Quintella // 2.ª Edição)

1913 – Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos (Rua Formosa, 384 – ) Porto – (Portugal). In-8º de 223, [1] págs. Enc.

Esta segunda tiragem, sim, aparece com mais frequência; distinguindo-se pelo diverso retrato de Shakespeare gravado em folha destacada couché de anteportada, por uma outra folha couché preliminar com algumas vinhetas provavelmente copiada de alguma edição inglesa (não é indicada a proveniência) e por uma nova capa, ilustrada – que a encadernação editorial (percalina gravada a ouro), a cuja série este exemplar pertence, manteve na íntegra.

10€

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, L.da, editores – Rua das Carmelitas, 144 – 1928. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Enc.

“Debaixo de todos os pontos de vista, o Hamlet é o drama mais extraordinário e o mais excêntrico que tôda a arte dramática tem dado à luz. (...) Não poderia haver, como efectivamente não há, nada de maior no mundo. OEdipo rei e Hamlet são os dramas que não sofrem comparação com outros dramas”.

Exemplar da típica série encadernada pelo editor em percalina com dourados e a efígie do autor na pasta frontal. Assinatura de propriedade no rosto e dedicatória (posto que curiosa) de oferta na primeira página preliminar. 
 
10€ 

Shakespeare ― Hamlet

Hamlet (Publicado pela primeira vez em 1603 e definitivamente em 1604 / A data da representação é incerta) // Tradução do Dr. Domingos Ramos

1945 / Livraria Lello & Irmão, Editores (144, Rua das Carmelitas) – Pôrto / Aillaud e Lellos, Limitada (76, Rua do Carmo, 80 a 84) – Lisbôa. In-8º de XXXIII, [I], 306 págs. Br.

A mesma edição, reimpressa.

Exemplar maioritariamente por estrear, ainda com os cadernos por abrir em três quartos do volume.
 
5€

Cem anos de solidão

Faz hoje cem anos que Mário de Sá Carneiro, para variar de Camilo, Antero e Laranjeira, se envenenou em Paris num final de tarde de Primavera, mais ou menos por esta hora. Uma pessoa matar-se em Paris e em plena Primavera parece duplamente inexplicável (apesar de Celan, que fez o mesmo em 1970), mas pode supor-se, querendo armar biografias, que as razões imediatas terão sido, fundamentalmente, duas: a paixão e consequente desatino por uma criatura não muito recomendável, maxime; e o prévio desânimo pela frustração dos planos de Orpheu 3, cuja fácil desistência talvez indiciasse desânimo, fundo, já anterior.
 
Fernando Pessoa, o amigo (por correspondência) dilecto, viria a editar-lhe grande parte dos poemas manuscritos e talvez a aproveitar, para conta própria, os fragmentos. Mas isto, que parecerá uma póstuma boa notícia, é de facto má. Pelo simples facto de que Sá-Carneiro era um poeta superior a - ou pelo menos globalmente mais interessante do que - Pessoa. Isto parecerá polémico, e poucos acompanharão o autor destas linhas, mas entre esses poucos há nomes de respeito: Régio e António Maria Lisboa à cabeça.
Vindo A. M. Lisboa muito a propósito, porque também prometia bastante e porque também morreu com a mesma temporã idade: 25 anos. Ficará sempre por saber quão alto voariam estes dois cavalheiros, se não tivessem seguido duas grandes tradições dos poetas portugueses: o suicídio (Antero, Laranjeira e menores) e a tuberculose (Nobre, Duro, Cesário, etc.).
 
Tese: um tipo como Sá-Carneiro nunca deixaria de se suicidar. Uns, ameaçam muito e nunca fazem. Outros, ameaçam porque mais cedo ou mais tarde vão mesmo fazê-lo.
"Ah, o mal dele foi mimo", "ah e tal, o mal dele foi nunca ter trabalhado". Não é nada líquido. "Sagra sinistro a alguns o astro baço", cantou o amigo Pessoa a propósito de Gomes Leal, e muito melhor o cantaria a propósito deste saturnino «Esfinge-Gorda».

João Pinto Figueiredo ― A Morte de Mário de Sá-Carneiro

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 241, [3] págs. Br.
 
“Apesar do seu título, é da vida de Mário de Sá-Carneiro que nos fala o presente livro. Efectivamente, para o autor de Céu em Fogo a vida não passou de uma morte prolongada, de uma morte «vivida». (...) Na escassa bibliografia sobre o grande poeta, A Morte de Mário de Sá-Carneiro constituirá doravante uma referência obrigatória.”
Primeira edição desta interessante (apesar de talvez demasiado especulativa) biografia sobre o “Lord de Escócias de outra vida”, assinada por alguém que já então se notabilizara como biógrafo de Cesário; publicada na série «Estudos Portugueses» e enriquecida por curiosas ilustrações a meio do volume, sobre folhas couché.
 
Exemplar sem defeitos dignos de registo.
 
(14€)

Mário Sá Carneiro ― A Confissão de Lúcio (narrativa)

1945/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 158, [2] págs. Br.

Segunda edição, a primeira das muitas que a Ática viria a publicar - quer deste livro, quer, em geral, de Mário Sá-Carneiro, de quem se iniciavam aqui as «Obras Completas» -, com um prefácio de Luís de Montalvor, que, bastante palavroso, logo fazia notar o tardio da empresa e destacava depois o “apêlo ao domínio do inconsciente” e o “móbil de se furtar à realidade, à sua realidade humana, à sua vivência quotidiana” nesta novela, “das mais insistentemente originais da moderna literatura portuguesa”.

Exemplar nº46 da tiragem especial de 100 em papel vergé nacional.


35€  

Mário Sá Carneiro ― Poesias

Poesias de Mário de Sá-Carneiro (Com um estudo crítico de João Gaspar Simões)

1946/Editorial Ática, Lisboa. In-8º de 190, [6] págs. Br.

Segundo volume das Obras Completas de Mário de Sá-Carneiro, primeira edição conjunta de Dispersão e de Indícios de Oiro, a que se acoplou no final uma série de últimos poemas conhecidos («Caranguejola», «Manucure» e «Apoteose», entre outros cinco) e a nota biográfica que Fernando Pessoa publicara na Presença sobre o suicidado amigo.


Exemplar da série corrente.
 
20€

amadeo de souza cardoso

maio · 1959 / secretariado nacional da informação. (Composto e impresso (...) com arranjo gráfico, legendas e notas (biográficas, bibliográficas e outras) de Paulo Ferreira / fots. Mário Novais e Traphot). In-4º de [34] págs. + [14] ff. de estampa. Br.

Com um texto introdutório altamente elogioso de Jean Cassou (então conservador-chefe do Museu de Arte Moderna parisiense) e um outro, hoje muito conhecido porque entretanto várias vezes repescado, de Almada. Edição ainda hoje fundamental sobre o grande cometa do nosso modernismo, particularmente interessante pelas estampas em folhas destacadas de papel couché  e pela transcrição de duas dezenas de excertos de textos críticos sobre Amadeo – todos saídos em França, salvo os de Almada, Diogo de Macedo e Jeanne Modigliani –, que dão bem uma ideia do prestígio que o maior génio da nossa pintura adquiriu, apesar da carreira tão demasiado breve, em terras gaulesas.
 
Exemplar mediano, com marcas de desgaste na capa e algum engelhamento (por humidade) também ao largo do volume.
 
16€

Exposição Retrospectiva da Obra do Pintor Eduardo Viana

S. N. I.  Palácio Foz / Lisboa, Abril de 1968. (Execução gráfica da Neogravura, Lda. e Oficinas Gráficas do S. N. I.). In-8º quadrado de [182] págs. Br.

Preparada com a colaboração de Sebastião Rodrigues e Chambers Ramos, a edição, impressa em bom papel encorpado, integra um extenso texto introdutório do segundo e também um quadro de notas biográficas; a que se segue, ocupando a grande maioria do volume, a reprodução (principalmente a p/b) dos trabalhos expostos.

Exemplar quase perfeito, salvo ligeiras marcas na sobrecapa ilustrada. 
 
23€

Encontro Internacional do Centenário de Fernando Pessoa

Fundação Calouste Gulbenkian / Lisboa, 5-7 de Dezembro de 1988. (Pref. 1989; D.L. 1990). In-4º peq. de 401, [5] págs. Br.

Edição monumental, preparada por Isabel Tamen, passando a letra de forma o colóquio organizado por Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura, Arnaldo Saraiva, Eduardo Prado Coelho, Teresa Rita Lopes, Manuel Gusmão, Fernando B. Martinho e Silvina Rodrigues Lopes (faziam além disso parte da Comissão Executiva Henriqueta Madalena, irmã do poeta, Azeredo Perdigão, Sophia e António Ramos Rosa). O grosso do volume reproduz as comunicações apresentadas, distribuídas pelos temas principais «Linguística e Crítica Textual em Fernando Pessoa», «A Prosa de Ficção em Fernando Pessoa», «O Pensamento de Fernando Pessoa (Filosófico, Estético, Ético e Político», «Religião e Esoterismo de Fernando Pessoa» e o sub-dividido e maior «Fernando Pessoa e a Cultura Contemporânea»; da autoria de, só por exemplo, Cleonice Berardinelli, Ivo Castro, Óscar Lopes, Luciana Stegagno Picchio, Giuseppe Tavani, Teresa Rita Lopes, Carlos Felipe Moisés, Maria Alzira Seixo, Robert Bréchon, Nelly Novaes, Vergílio Ferreira, José Gil, Agustina, Alfredo Margarido, José Augusto Seabra, Onésimo Teotónio de Almeida, Ángel Crespo, José Carlos Seabra Pereira, António Quadros, Fernando Guimarães, Georg Rudolf Lind, José Sasportes, Michel Chandeigne, Dalila Pereira da Costa, Silvina Rodrigues Lopes, Fernando Martinho, E. M. de Melo e Castro, Almeida Faria, Eugénio Lisboa e Eduardo Lourenço. No final, há ainda um apêndice com a ampla recensão do que fôra saindo na imprensa.
   
 
Bom exemplar, só com superficiais defeitos exteriores.
 
25€

Silva Bélkior ― Carmina Pessoana

Carmina Pessoana: 35 poemas de Fernando Pessoa em latim (edição bilingue)

Lisboa – 1985. (Composto e impresso Tip. Macarlo). In-8º de 79, [1] págs. Br.

“A selecção dos poemas ora traduzidos, ou aproximadamente vertidos para o latim, atendeu ao gosto pessoal e à afinidade formal entre mãe e filha, aqui de mãos dadas. Haverá de notar que não heteronimizam...”. Num total de 35, estão entre eles «O Menino de sua Mãe», «Dá a surpresa de ser», «Autopsicografia», «Eros e Psique», «Sou um guardador de rebanhos», «Para ser grande, sê inteiro».

Edição do autor (um devoto pessoano brasileiro), impressa em bom papel.

Exemplar impoluto.

10€

Sub-Camões sobre Camões

Já ouvi doze vezes dar a hora
No relógio que diz que é meio-dia
A toda a gente que aqui perto mora.
(O comentário é do Camões agora:)
«Tanto que espera! Tanto que confia!»
Como o nosso Camões, qualquer podia
Ter dito aquilo, até outrora.
 
E ainda é uma grande coisa a ironia.
 
 
 
(Fernando Pessoa)

Fernando Pessoa ― Poesias Inéditas (1919-1930)

Edições Ática, Lisboa. (1956). In-8º de 202, [6] págs. Br.

Este segundo volume publicado integra um novo prefácio de Jorge Nemésio e uma folha couché ilustrada pelo famoso retrato de Pessoa na Brasileira do Chiado, por Almada. Primeira edição.

O exemplar pertenceu igualmente a Monteiro de Frias e tem igualmente o selo da figueirense Casa Havanesa.

15€

Fernando Pessoa ― Poesias Inéditas (1930-1935)

Edições Ática, Lisboa. (1955). In-8º de 199, [1] págs. Br.

Primeira edição desta recolha do espólio manuscrito e dactilografado do poeta, preparada por Jorge Nemésio (que assina a advertência preliminar) sob auxílio do pai Vitorino Nemésio (de quem é o prefácio). Algumas destas composições viriam entretanto a ser repescadas nas diversas monumentais pessoanas.

O exemplar tem a discreta assinatura do crítico e ensaísta José Monteiro de Frias, que o terá comprado na Casa Havanesa.

15€

Fernando Pessoa ― Mensagem

1950 / Ática, Limitada / Lisboa. In-8º de 103, [1] págs. Br.

Esta quarta edição – impressa sobre papel avergoado – do poema foi a segunda publicada pela Ática (a anterior era de 1945), que já neste mesmo 1950 as começaria a fazer sair em barda até hoje.
Alguns ligeiros vestígios de acidez na capa;  no miolo, raros e ínfimos.
 
15€ 

Fernando Pessoa ― A Nova Poesia Portuguesa

A Nova Poesia Portuguesa / por (...) / com um prefácio de Álvaro Ribeiro

Editorial «Inquérito» Limitada, Lisboa. (1944). In-8º de 92, [6] págs. Br.
 
O volume reúne os conhecidos artigos, dados a lume pelo poeta n’A Águia, sobre a então nova poesia portuguesa, a qual, de acordo com a sua tese, abriria alas ao «Super-Camões» que ele próprio se pretendia (há delírios para tudo); acrescentados no final da também badalada réplica a Adolfo Coelho que seria recenseada por Boavida Portugal no livro do seu Inquérito Literário. Quanto ao prefácio, nada delirante, de Álvaro Ribeiro («Fernando Pessoa, poeta e filósofo»: apesar do optimismo da segunda, explica bem por que não diz antes «poeta-filósofo»...), apontava várias linhas temporãs de análise que o tempo viria a confirmar. Edição saída na série «Cadernos Culturais».
 
Exemplar, na maior parte, ainda por estrear, conservando a maioria dos cadernos por abrir.
 
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