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Cortesia do professor Leonardo Coimbra...

E juro que, na minha vida de leitor, nunca senti maior choque, como naquela manhãzinha no parque de entrada para a aula do sétimo ano do Liceu de Gil Vicente, quando li, pela primeira vez, uma das edições do Sempre (Teixeira de Pascoaes emendava, emendava, emendava sem descanso), impresso com palavras fantasmáticas que me abriram as portas da manhã para outra visão do mundo e da Arte.
Mal acabei de lê-lo senti que nascia um deus novo não sei onde.

José Gomes Ferreira ― O Barbeiro de Má-Morte

Lisboa, nas Oficinas Gráficas da Editorial Dois Continentes. [S/d]. In-8º de 48 págs. Br.

Primeira edição autónoma de um escrito originalmente publicado na colectânea O Mundo dos Outros e aqui dado a lume na «Colecção Novela». Capa ilustrada por Paulo Guilherme.
 
Bom exemplar.
 
14€

José Gomes Ferreira ― A Memória das Palavras I

A Memória das Palavras, ou o gosto de falar de mim

Portugália Editora. (1965). In-8º de 318, [6] págs. Br.

A Memória das Palavras é um livro único na nossa literatura (...), um misto perturbador de memórias (neste caso uma aventura autobiográfica, lenta e emocionante descoberta de uma personalidade riquíssima de homem e de artista), de ensaio personalizado sobre grandes temas estéticos e humanos que solicitam e perseguem um escritor, misto ainda de roteiro crítico de uma consciência à procura dos seus rumos autênticos, de confissão, em suma, confissão de uma dignidade que não é contemplativa porque é militante, paradigma de franqueza em país de «génios» que se fabricam sem defeitos”. Nas «Glosas» finais são dedicados textos particulares a Florbela, Pascoaes (o conhecido «Quando Teixeira de Pascoaes vinha a Lisboa» deslumbrar a rapaziada), Raul Brandão (o também conhecido «O meu mestre secreto Raul Brandão»), Rodrigues Miguéis e Bernardo Marques.

Primeira edição.
 
20€

José Gomes Ferreira ― A Memória das Palavras II

Relatório de Sombras ou a Memória das Palavras II / 1980

Moraes editores. (1980). In-8º de 204, [8] págs. Br.

Mais variado, mas retomando o fio à meada do volume I, também aqui JGF falava principalmente de Pascoaes e de Raul Brandão – enfim, se há coisa que não se poderá arguir ao senhor é mau gosto literário.

O exemplar, parecendo por estrear, pertenceu também a José Neves Águas, de quem tem igualmente aposto o ex-libris.

15€

José Gomes Ferreira ― Coleccionador de Absurdos

Coleccionador de Absurdos / Com a biografia das duas ou três infâncias do coleccionador

Moraes editores. (1978). In-8º de 173, [3] págs. Br.

Edição original, publicada na série das «Obras Completas», com dedicatória impressa a Alexandre Pinheiro Torres.

Bom exemplar.
 
15€ 

Foi você que pediu uma chuva Ferreira?


Chove...
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
                                                                         ouvir um violino
                                                                         até na lama.

(José Gomes Ferreira)



Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.
Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente
do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião
de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.                                        
 

                                                                                         (Vergílio Ferreira)



[Claro que estas coisas - poemas, poetas, proclamações, aparências - podem iludir muito. Jurar-se-ia que José era muito mais dado a molhas do que Vergílio. Mas enfim...]

Vergílio Ferreira ― Aparição (romance / 2.ª edição)

Portugália Editora, Lisboa. (1960). In-8º de 269, [3] págs. Br.
 
Em vez da de Charrua, teve esta edição capa de Sebastião Rodrigues, com pelo menos duas variantes: uma com mais e outra com menos contraste nas cores (dispomos de um exemplar de cada uma). Sublinhando-lhe o existencialismo, aqui na dose máxima, escrevia Luís Mourão acerca do livro que “Toda a força de Aparição, aquela que ainda hoje encontramos quando levantamos o véu conceptual que recobre o romance, advém do reconhecimento, só possível através da mediação estética, de que estamos sempre em excesso perante nós próprios”. Ou não.
 
23€

Vergílio Ferreira ― Alegria Breve (romance)

Portugália Editora. (1965). In-8º de 275, [5] págs. Br.

Primeira edição de um dos títulos mais celebrados de Vergílio Ferreira, que “dir-se-ia apontar a um balanço de toda a obra do escritor ou ao que poderíamos chamar o seu «romance-suma»” (da nota editorial).

Exemplar globalmente bem cuidado, mas com algum desgaste da capa e uma assinatura de propriedade na folha preliminar.
 
20€  

Vergílio Ferreira — Alegria Breve

Alegria Breve (romance / com o prefácio da edição francesa por Robert Bréchon)

Arcádia (1973). In-8º de 334, [4] págs. Enc.

No seu altamente encomiástico prefácio dizia Bréchon deste livro “em que todos os recursos da técnica romanesca, a mais apurada e a mais ousada, se harmonizam admiravelmente com a grandeza trágica do assunto e dos temas, e para o qual eu não conheço um equivalente exacto em qualquer literatura” estar ainda acima de Aparição, constituindo o ponto alto da carreira do escritor beirão.

Exemplar da série encadernada pelo editor em tela com sobrecapa em papel.
(Defeito: assinatura de propriedade na folha de rosto)
 
12€

Vergílio Ferreira ― Apenas Homens (e outros contos)

Editorial Inova Limitada. (1972). In-8º de 97, [7] págs. Br.
 
Primeira edição, publicada na série «duas horas de leitura» e ilustrada na capa por um retrato mais antigo do autor, de quem é reproduzida a bibliografia numa das abas.
 
Bom exemplar.
 
15€

Vergílio Ferreira — signo sinal (romance)

Livraria Bertrand. (1979). In-8º de 241, [3] págs. Br.

Signo sinal  alimenta-se de uma fascinação: a fascinação pela ordem imemorial que rege a vida da aldeia, essa ‘harmonia obscura e profunda dos seres e das coisas’. As mais belas páginas deste romance são aquelas onde vem repousar a imagem intemporal dessa existência perdida: ‘Procuram no sítio das casas a memória do que lá ficou, dos deuses e da sua ordem com que se organizava a vida e ela tinha sentido e era verdade, da tranquilidade do sono à noite quando o dia se cumprira.’ (Eduardo Prado Coelho)

Primeira edição.

Exemplar em muito bom estado, sem defeitos significativos a apontar.

15€

Vergílio Ferreira: uma semana de colóquios e de cinema

Vergílio Ferreira: uma semana de colóquios e de cinema, com exposição de primeiras edições, manuscritos, documentação bibliográfica, iconografia & recensões críticas // com a colaboração de: Eduardo Lourenço / Eduardo Prado Coelho / Fernando Pernes / Hélder Godinho / Ilídio Sardoeira / Joel Serrão / Lauro António / Liberto Cruz / Lúcia Lepecki / Maria Alzira Seixo / Maria da Glória Padrão / Óscar Lopes / Vasco Graça Moura / Yvette Centeno // de 28 de Maio a 4 de Junho de 1977 // Uma realização da Editorial Inova e do Ateneu Comercial do Porto

(Composto e impresso na «Gráfica Maiadouro»/Vila da Maia. Porto, Primavera de 1977). In-4º gr. de [32] págs. + desd. Br.

O catálogo, de boa composição gráfica dirigida por Armando Alves, reproduz excertos de textos diversos do escritor (e o fac-simile de um manuscrito seu), seguidos no final de um quadro sobre «Vergílio Ferreira e a crítica» (apreciações de Pinheiro Torres, Alfredo Margarido, Mourão-Ferreira, Eduardo Lourenço, Namora, Jacinto do Prado Coelho, João Gaspar Simões, Nelson de Matos, Óscar Lopes, etc.) e um outro de elenco dos «Principais elementos cronológicos» de sua vida. Como ilustrações, além das muitas fotogravuras – em que aparecem o autor de Aparição, familiares e conhecidos companheiros de letras e de artes –, são de destacar os trabalhos artísticos aqui avocados, da mão de, por exemplo, Bernardo Marques, Dórdio Gomes, Lima de Freitas e Júlio Resende.
 
15€

Gomes Leal — O Anti-Cristo

O Anti-Cristo: Segunda edição do poema refundido e completo, e acrescentado com As Téses Selvagens

Aillaud & C.ª, Casa Editora e de Commissão (96: Boulevard Montparnasse – Paris / Filial, 247, Rua Aurea, 1.º – Lisboa) – 1907. In-8º de XVIII, 497, [1] págs. Enc.

Edição impressa a duas cores em bom papel couché cortado esguio – semelhante à 2.ª edição do , de António Nobre, publicada pela mesma casa, mas neste caso sem ilustrações. Bastante alterada e «amaciada» em relação à primeira, como que prenunciando a reconversão católica, integra também uma longa «Carta Aberta» do poeta à própria mãe, cuja morte três anos depois seria o mote imediato dessa pública reconversão.

Exemplar muito bem encadernado com cantos e lombada em boa pele, nesta última gravada a ouro. Conserva por inteiro a capa primitiva e foi carminado à cabeça.
 
40€

Gomes Leal — O Anti-Cristo

O Anti-Cristo: terceira edição do poema refundido e completo, e acrescentado com As Teses Selvagens

Livraria Popular de Francisco Franco (14, Rua Barros Queiroz, 18), Lisboa. [S/d]. In-8º de XIX, [1], 443, [1] págs. Br.

Edição já consideravelmente mais frequente; não datada, deverá ter saído no início da década de 30.

O exemplar conserva-se como saiu dos prelos, em brochura, com o corte por aparar; mas acusando algum desgaste da capa, sobretudo no encaixe e nas extremidades.
 
20€ 

Gomes Leal — Serenadas de Hylario no Ceo: Phantasia Mystica em Um Acto

Imprensa Economica (Rua do Caes, 56 a 58) –=– Villa Franca de Xira. [S/d - 1900?]. In-8º de 56, VIII págs. Enc.

Primeira edição, já bastante rara, desta engraçadíssima peça em que Gomes Leal consegue transpor para humor, em forma de teatro, o seu indiscutível génio – de rir, de uma ponta à outra. Alternando trechos em prosa e em verso, alguns destes últimos com publicação adiantada, salvo erro, em periódicos da imprensa, e depois musicados várias vezes ao longo do séc.XX (Paulo de Carvalho, por exemplo), a «Phantasia» é a entrada no Paraíso do célebre boémio, fadista e guitarrista, coimbrão Hilário; sob o protesto de São Pedro mas deliciando à passagem toda a gente, desde Santa Cecília e São Jerónimo até às Marias, a Madalena e a Virgem. Uma pérola.

Exemplar bem encadernado com cantos e lombada em pele gravada a ouro; conservando a capa de brochura, carminado à cabeça e mantendo as restantes margens intactas.
 
33€

Gomes Leal — O Senhor dos Passos da Graça

O Senhor dos Passos da Graça: Memorias de um Revoltado, por (...)

Lisboa: Empreza da Historia de Portugal, Sociedade editora / 1904. In-8º de 338, [2] págs. Br.

Após um prefácio de apresentação do livro, «Preludios de Orgão», divide-se este atípico e algo desajeitado «romance» (um génio do verso já pede demais em querer sê-lo da prosa...) na «Introdução: Em que se encontra um personagem nada vulgar» e nas quatro partes «O Sofá de velúdo preto», «A Guerra das Procissões», «O Senhor dos Passos no Tribunal» e «O caso da alucinação mistica. O Inesperádo».


Exemplar médio/bom, sem defeitos a destacar.
 
33€ 

Gomes Leal — A Mulher de Luto

A Mulher de Luto: Processo ruidoso e singular

Lisboa: Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor. 1902. In-8º de 202, [6] págs. Enc.

O volume apresenta, a terminar, uma «Nota Ortográfica» em que o poeta bradava pela simplificação da língua e clamava contra os académicos, que dizia deverem remeter-se ao seu papel subalterno (só registar a influência, essa, sim, decisiva, de povo, poetas e escritores) em vez de sobre ela legislarem; defendendo várias das medidas que se viriam a impor durante a década de 1920, como a supressão dos «y» e dos «ph». Primeira edição.

Exemplar da série encadernada pela Lello em percalina com gravações a ouro na lombada e na pasta superior; em muito bom estado.
 
35€ (indisponível)

Gomes Leal — A Mulher de Luto

A Mulher de Luto: processo ruidoso e singular/Polyanthéa/Prefacios de Boavida Portugal, Fernando Reis e Luis Cebola//2.ª edição, ilustrada
 
Lisboa: Livraria Central, Editora, de H. E. G. de Carvalho. 1924. In-4º de XXXII, 192 págs. Br.

Edição de homenagem ao poeta, impressa em maior formato e bastante aumentada em relação à original, a que acrescentou os textos da introdução («Duas palavras», com vários apontamentos biográficos, «Analise psicologica da obra de Gomes Leal» e «Gomes Leal e a sua obra», respectivamente), a longa série de dispersos aqui reunidos sob o título de Polyanthéa (quase todos publicados na imprensa, mas alguns também em volume, como O Tributo de Sangue, que tivera mesmo já edições independentes – pelo menos, duas – no séc.XIX) e as ilustrações, em folhas destacadas de papel couché, com retratos, desenhos, caricaturas e fotografias de Gomes Leal no leito de morte e do funeral. No fim, o volume expõe ainda uma nota justificativa do editor.
 
25€

Gomes Leal — A Senhora da Melancolia: Avatares de um Ateu

Livraria Moderna, Editora. Lisboa – 1910. In-8º de 23, [1] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada por desenhos alusivos na capa e ao longo do volume (que tem também frontões decorativos); apresenta, no final, uma «Nota ácerca dos Avatares de um Ateu» em que o reconvertido – ao cristianismo – autor defende a teoria, como de costume algo heterodoxa, das sucessivas encarnações de Jesus.

Exemplar recoberto por uma sobrecapa de papel transparente para protecção. Pertenceu a Ribeiro dos Santos, de quem está aposto o ex-libris, composto por Abel Salazar.

22€

Gomes Leal — A Duqueza de Brabante

A Duqueza de Brabante / versos / traducção franceza de Henry Faure

1902. Livraria Editora Guimaraes, Libanio & C.ª. Lisboa. In-8º peq. de 9, [3] págs. Br.

Primeira e rara edição independente do poema originalmente publicado pelo autor nas «Claridades do Sul». O texto é reproduzido em português e em francês, segundo a versão aqui acompanhante.

Exemplar com algum desgaste exterior (pequenos rasgões marginais na capa e no miolo), ainda que conservando o papel quase limpo - salvo uma discreta assinatura antiga de propriedade.
 
17€

Gomes Leal — A Senhora Duquesa de Brabante

Plaquette comemorativa da inauguração do mausoléu do poeta Gomes Leal / XVII de Dezembro de MCMXXV. (Tipografia Torres – Lisboa). In-8º gr. de 19, [1] págs. Br.

“Desta edição, que se destina a socorrer a publicação da Antologia de Gomes Leal, fez-se uma tiragem de mil exemplares, dos quais o presente é o N.º 176, rubricados pela Comissão Organizadora do mausoléu” – mais precisamente, pelo seu impulsionador, Humberto Pelágio, que também manuscreveu esse número atribuído ao exemplar. O volume começa por uma nota de apresentação («Algumas Palavras») do próprio Pelágio, transcreve depois uma longa passagem das Memórias de Raul Brandão relativas ao poeta e, por fim, este conhecido excerto d’As Claridades do Sul, que mesmo antes conhecera já edição independente.
 
O exemplar, em bom estado (salvo uma pequena mancha na capa), conserva ainda os cadernos por abrir; ostentando na folha inicial de anterrosto o carimbo da lisboeta Livraria Profissional (Rua Anchieta, 5 a 7).
 
15€

Homenagem Poética a Gomes Leal

Homenagem Poética a Gomes Leal no primeiro centenário do seu nascimento (…)

Coimbra, 1948. (Composto e impresso na Casa Minerva). In-8º de 126, [2] págs. Br.

O volume, organizado por João José Cochofel e Armindo Rodrigues, integra composições de, entre outros, Carlos de Oliveira («A Gomes Leal», que viria depois a ser recolhido em Trabalho Poético), Edmundo de Bettencourt, Eugénio de Andrade, João de Barros, o próprio Cochofel, Joaquim Namorado, Jorge de Sena, José Gomes Ferreira, Torga e Raul de Carvalho; por suponível falha tipográfica, onde deveriam estar as de Afonso Duarte, Alfredo Guisado e António de Navarro foram outras repetidas.
 
22€

Gomes Leal — Poesias Escolhidas

Poesias Escolhidas (Introdução: destino de Gomes Leal por Vitorino Nemésio)
 
Depositária: Livraria Bertrand. (Composto e impresso na Imprensa Portugal-Brasil). Lisboa. [S/d]. In-8º de CXVI, 199, [5] págs. Br.
 
A edição, inteiramente preparada e organizada por Nemésio – cujo longo aparato crítico se espraia pelas mais de cem páginas preliminares, integrando os estudos «Destino de Gomes Leal» e «Nota sôbre a Poesia de Gomes Leal» (a que se seguem uma «Advertência», uma «Cronologia de Gomes Leal» e as «Bibliografia de Gomes Leal» e «Bibliografia sôbre Gomes Leal») – é ainda hoje tida por muita gente como a mais importante alguma vez consagrada ao poeta das Claridades do Sul; de que são naturalmente recolhidas composições, tal como de «A Fome de Camões», «Fim de um Mundo», «O Anti-Cristo», «A Mulher de Luto», «História de Jesus» e «Senhora da Melancolia», além de alguns folhetos secundários e de uma selecção de dispersos.
 
19€

Cesário Verde — Obra Completa

Obra Completa de Cesário Verde (Organizada, prefaciada e anotada por Joel Serrão)

Portugália Editora, Lisboa. (1964). In-8º de 264, [VI] págs. Br.

Além de «O Livro de Cesário Verde», engloba «Poesias não incluídas em «O Livro de Cesário Verde»», «Cartas» e um «Apêndice» com a composição «O Desastre», uma tábua biobiliográfica e bibliografia propriamente dita. É importante o texto preliminar de Serrão, «Fundamentos e critérios da edição da Obra Completa de Cesário Verde», perorando sobre o velho problema da efectiva intervenção de Silva Pinto na preparação do livro original.
Primeira das várias edições entretanto publicadas.

Exemplar impecável no miolo, apenas a capa acusando ligeiros desgaste e distensão.

23€  

João Pinto Figueiredo — A Vida de Cesário Verde

A Vida de Cesário Verde (Prefácio e Selecção de Poemas De David Mourão-Ferreira)

Editorial Presença (1986). In-8º de 251, [5] págs. Br.

Segunda edição, publicada na colecção Poetas, de um estudo originalmente publicado na colecção A Obra e o Homem, da Arcádia. No prefácio («Algumas Palavras sobre João Pinto de Figueiredo») que para ela compôs, Mourão-Ferreira louvava o homem e falava das três unicas peças que chegou a publicar: este livro, uma plaquette anterior também relativa a Cesário e a biografia de Sá-Carneiro, dada a lume pela Dom Quixote, que já se recenseou aqui.

O exemplar, ainda por estrear, conserva a etiqueta editorial.
 
10€ 

António Nobre — Cartas Inéditas

Cartas Inéditas de António Nobre (Editadas com uma introdução e notas por Adolfo Casais Monteiro)

Edições “Presença” / Coimbra   MCMXXXIV. In-8º de XXXIX, [3], 191, [9] págs. Br.

A edição constou de mil exemplares numerados e rubricados pelo editor (Gaspar Simões), tendo a este, inteiramente por estrear – como saiu dos prelos, com os cadernos por abrir –, cabido o n.º 530. Na sua longa introdução, Casais Monteiro opinava que “As cartas à família valem pelo seu interêsse biográfico, as cartas aos amigos principalmente como índices de estados de alma.
 
25€

Moledo do Minho e do Modernismo

Curiosa a quantidade de gente dos nossos vários «modernismos» que assentou arraiais em Moledo do Minho Alto: começando em Almada (relembre-se que Sara Afonso, sortuda, passara a juventude em Viana) e nos Delaunay, por exemplo; e continuando em António Pedro (que lá teria casa) e no fugaz compagnon-de-route Cesariny, rapidamente desavindo em feroz profissão de fé surrealista-mesmo, que deixou a pequena povoação balnear gravada em poema.
E já agora, sobre o nosso modernismo stricto sensu, estas palavras de Almada, escritas justamente em Moledo:


"Mário de Sá-Carneiro suicidou-se em Paris ao peso de todas as suas razões pessoais. Guilherme de Santa-Rita, o espírito mais brilhante que conheci, alma veemente de iluminado traído por uma natureza ingrata que o acabou por fim antes de quase começar a sua vida. Pintor em essência mais do que de oficina, alguém seu íntimo cumpriu com a sua última disposição de aniquilar as suas produções. Amadeu de Sousa-Cardoso, o pintor por excelência, o autêntico génio do grupo, o exemplo mais formidável de artista português de hoje em qualquer parte do mundo, é levado em plena vida em meia dúzia de horas por uma epidemia, no instante mesmo em que o seu espírito exuberante produzia inúmeras das suas telas mais vigorosas. Vive ainda Fernando Pessoa na serenidade da sua imaginação literária, e sempre pronto para tudo o que seja elevado, superior, de élite, isto é, tudo o que não sejam actualidades forçadas e sem longo efeito perene.
Pelo grupo passaram uma infinidade de flutuantes, o mais díspares possível, mas não era dos seus destinos elevarem em Arte os seus nomes à altura destes."


(1934. Pessoa morreria em 35. Almada por cá ficaria até 70. A fotografia, com Sara grávida, é desse 1934 nessa praia de Moledo).   

Armando Côrtes-Rodrigues — Em Louvor da Humildade

Em Louvor da Humildade (poemas da terra e dos pobres)

Artes Gráficas – Editora / Ponta Delgada / Ilha de S. Miguel – Açores/ 1924. In-8º de 194, [2] págs. Br.

Um dos três primeiros livros publicados pelo autor (se descontarmos a pequena e quase desconhecida opereta de 1910 Em Férias), já muito depois da aventura de Orpheu – os outros foram Ode a Minerva e As Festas do Espírito Santo na Ilha de S. Miguel (estudo folclórico), ambos em 1923, data que também aparece neste, cujo frontispício indica porém 1924; em edição de tiragem restrita que reproduz extra-texto um seu retrato; sendo este exemplar valorizado por uma dedicatória manuscrita de oferta, quatro anos mais tarde, “Ao grande actor Joaquim d’Oliveira / Com muita admiração e muita amizade”.

25€

Eduardo Lourenço — Fernando Pessoa Revisitado

Fernando Pessoa Revisitado: leitura estruturante do drama em gente

Moraes editores (1981). In-4º peq. de 196, [4] págs. Br.

Segunda edição (a original saíra na Inova), com capa de Vitorino Martins a partir de um trabalho do pintor Costa Pinheiro. Capítulos: «Considerações pouco ou nada intempestivas», «A curiosa singularidade de «Mestre Caeiro», «Ricardo Reis ou o inacessível paganismo», «O Mistério-Caeiro na luz de Campos e vice-versa», «Álvaro de Campos I ou as audácias fictícias de Eros», «Dois interlúdios sem muita ficção», «Álvaro de Campos II ou a agonia eróstrato-Pessoa», «A existência mítica ou a porta aberta». 

12€

Fernando Pessoa — Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho)

Edições Ática, Lisboa. [S/d – 1966?]. In-8º de XL, 445, [VII] págs. Br.

Cada um dos dois organizadores apresenta um texto introdutório: «O relativismo criador de Fernando Pessoa» o do professor alemão e «Fernando Pessoa, pensador múltiplo» o do português, que assim começava – “Este livro de inéditos (quase todos desencantados pelo Dr. Georg Rudolf Lind na arca inexaurível) vai deliciar os apreciadores de Fernando Pessoa. Compõem-no documentos, uns escritos pelo autor para si próprio, para sua autognose, outros em função de projectos literários que não viriam a realizar-se ou que se apresentariam depois sob outra forma. De qualquer modo, documentos reveladores da sua intimidade, do que pensava de si próprio, de como se geravam no seu espírito, por vezes obsessivamente, motivos poéticos, ideias, ensaios. E textos que, não raro, patenteiam a grandeza e o sentido das suas ambições culturais, a par da espantosa argúcia da sua inteligência crítica”.
O volume integra seis extratextos, quase todos de horóscopos feitos pelo lisboeta.
Primeira edição.
  
24€

Fernando Pessoa — Obra Poética e em Prosa

Obra Poética e em Prosa (Introduções, organização, biobibliografia e notas de António Quadros e Dalila Pereira da Costa)
1986 / Lello & Irmão – Editores, Porto. 3 vols. in-8º de 1212; 1352; e 1502 págs. Enc.

Edição monumental, daquelas típicas da Lello em papel-bíblia (a.k.a. papel-da-índia), com encadernação em pele profusamente gravada a ouro na lombada e na pasta superior – complementando, por via da prosa, as que no mesmo género Maria Aliete Galhoz preparara para a brasileira Aguilar na década de 60. A introdução de António Quadros, «Introdução Cronológico-Biográfica», uma espécie de biografia (demasiado psicologizante mas rica de apontamentos com interesse) do poeta, é extensíssima, espraiando-se pela primeira centena de páginas; seguindo-se a da escritora portuense, «Uma Demanda», com três dezenas. O resto do primeiro volume foi ocupado pela antologia poética, sendo o segundo e o terceiro dedicados à prosaica: «Páginas Íntimas», «Cartas», «Ficção», «Textos de Intervenção na Vida Cultural e Literária Portuguesa» (vol.II); «Estética, Teoria e História da Literatura», «Páginas de Reflexão Filosófica», «A Realidade Transcendente», «Sobre Portugal e o homem português», «Pensamento Político (Páginas Polémicas e Doutrinárias)», «Teoria Económica», «Poemas Traduzidos do Inglês», «Biobibliografia», «Apêndice» (vol.III). 

Bom conjunto, globalmente por estrear, apesar de ligeiros vestígios de manuseio no início do vol.I.     
 
75€

A leitura: máscaras e abismos

Dizem que é a única figura leitora de um quadro de Amadeu de Sousa Cardoso; e foi justamente a tela que abriu no Porto a famosa exposição de 1916, no Jardim de Passos Manuel, agora dentro do possível recriada no Museu Soares dos Reis. Quem a quiser visitar, tem até ao final de 2016. É melhor começar a pensar nisso, que vale bem a pena.
 
Duas notas:

- O público portuense sempre cultivou, nos jardins e fora deles, o hábito de dizer alto e bom som o que pensa (e às vezes o que não pensa). De vez em quando, engana-se. Foi o caso. Cuspiu-se, vociferou-se, insultou-se a arte do homem e o próprio homem, «só» o maior clarão de génio - goste-se mais ou menos - da pintura portuguesa. Columbano e Helena Vieira da Silva que perdoem isto, porque não parece sequer discutível, mesmo que os prefiramos.

- Chama-se a este quadro «Máscara de Aço». «Máscara de Aço contra Abismo Azul» foi como o realizador portuense Paulo Rocha chamou ao seu filme sobre Amadeo e o modernismo português. Está ainda por cá um livro-manuscrito em que o realizador esboçou planos do filme: https://bibliographias.blogspot.pt/2016/04/correspondance-de-quatre-artistes.html

Diogo de Macedo — 14 Cité Falguière

14 Cité Falguière: nova edição acrescentada com uma nota de abertura pelo autor e um desenho inédito de Modigliani

Jornal do Foro, 1960. In-8º peq. de 86, [2] págs. Br.

Publicada 30 anos após a primitiva, uma restrita separata da Seara Nova, constou esta edição de 880 exemplares, compostos na Gráfica Santelmo com arranjo gráfico de Fernando Ferrão e a gravura impressa pela casa Arméis & Moreno – das boas (mas infelizmente poucas) publicações do Jornal do Foro quando saía do domínio jurídico e se metia pela literatura e pela arte. O livro dá conta dos tempos passados por Diogo de Macedo na residência em questão e do convívio que lá, e em Paris no geral, manteve com os principais vultos daquela época, mas reporta-se em particular à convivência com Amedeo Modigliani, um dos habitantes da peculiar villa – de quem acaba por ser uma interessante mini-biografia.

Exemplar n.º 274, da série corrente de 800.
 
20€

J. L. da Conceição Silva — Os Painéis do Museu das Janelas Verdes

1981 / Guimarães & C.ª Editores, Lisboa. In-8º de 190, [2] págs. + [1] desd. Br.

Destacava Álvaro Ribeiro na sua «Carta Prefacial» “um opúsculo valioso e nobre (...) para decifrar uma obra-prima de estilização do ritual de cavalaria e de cleresia”, constante de dez capítulos principais acrescidos de seis em apêndice que tratam, como amiúde nos trabalhos sobre o tema, mais de matérias históricas genéricas do que especificamente artísticas.

O exemplar tem aposto o ex-libris de Ribeiro dos Santos, composto por Abel Salazar.

15€ 

Situação da Arte (inquérito junto de artistas e intelectuais portugueses)

Situação da Arte (Volume organizado por Eduarda Dionísio, Almeida Faria e Luís Salgado de Matos).

Publicações Europa-América. (1968). In-8º de 422, [10] págs. Br.

Às quase duas dezenas de perguntas responderam inquiridos como Álvaro Lapa, António Gedeão, António Ramos Rosa, Bernardo Santareno, Carlos Botelho, Dórdio Gomes, Eduardo Batarda, Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, Ernesto de Sousa, Espiga Pinto, Eugénio de Andrade, Eunice Muñoz, Fernando Lopes Graça, Fernando Namora, Ferreira de Castro, Hein Semke, Ilse Losa, Jacinto do Prado Coelho, João César Monteiro, João de Freitas Branco, Joel Serrão, Jorge Barradas, Jorge de Sena, José-Augusto França, José Gomes Ferreira, José Palla e Carmo, José Régio, Júlio Resende, Luís Francisco Rebelo, Manoel de Oliveira, Maria Barroso, Maria Keil, Maria Teresa Horta, Mário Dionísio, Nelson de Matos, Nikias Skapinakis, Ruben A., Sophia, Urbano Tavares Rodrigues, Vergílio Ferreira, etc.
Volume publicado na série «Estudos e Documentos».

Exemplar por estrear.

25€

Pierre du Colombier — Poussin

Les Éditions G. Crès & Cie – Paris VI. (1931). In-8º de 23, [3], págs. + [32] ff. ilust. Br.

No seu estudo sobre o pintor, começava Colombier, sempre dado a boutades, por dizer que ele não era, em regra, apreciado pelos mais jovens nem pelas mulheres, por a “voluptuosidade grave” da sua pintura não se comunicar senão aos “que sabem o que custa a vida”; e terminava sublinhando nele um génio novo, inassemelhável aos que o precederam.

O volume inclui a reprodução, por heliogravura, de vários trabalhos de Poussin.
Primeira edição, publicada na colecção «Le Musée Ancien».
 
14€