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António Sérgio — Crimes perpetrados pela Editorial Labor...

Crimes perpetrados pela Editorial Labor na segunda edição da «História de Portugal» de António Sérgio

Editorial Inquérito Limitada, Lisboa. [S/d]. In-8º de 13 [aliás, 11], [1] págs. Br.

“A Editorial Labor empreendeu segunda edição da minha História de Portugal sem me prevenir, encarregando de a desfigurar um indivíduo destituído de senso moral e com ideias acentuadamente contrárias [sic] às minhas”,  que por exemplo resolveu introduzir no volume notas de louvor a Salazar e a Franco, ao Estado Novo e ao fascismo espanhol, com bastante descaro. Optando por este folheto de desagravo em vez de, supomos, a correspondente acção nos «tribunais» que, em Espanha como cá, talvez não lhe trouxesse grande sorte, Sérgio termina esta sua queixa com uma nota curiosa: a de que sempre recusou aos editores portugueses um compêndio de história pátria para não prejudicar (não se entende muito bem porquê, até porque houve versões em inglês e em alemão...) a editora espanhola.

Da edição original (1929) dessa História de Portugal nunca  em Portugal  publicada temos dois exemplares, um dos quais já apresentado nesta mesma página, aqui .

7€ (reservado)

António Sérgio — Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real

Editorial Inquérito Limitada, Lisboa. [S/d]. In-8º de 54, [2] págs. Br.

Esta segunda edição inclui a abrir uma «Nótula Preambular» de apresentação redigida pelo autor.

Bom exemplar, mas como de costume afectado por acidez nalgumas folhas.

7€  

Rocha Martins — Pimenta de Castro

Edição do Auctor ― Composto e Impresso nas Oficinas Gráficas do «ABC», Lisboa. [S/d]. In-8º gr. de [4], 319, [1] págs. Enc.
 
Ainda que de pouco valessem os apontamentos (tendenciosos q.b.) espalhados por centenas de páginas – sob os capítulos «O Movimento das Espadas», «Os Democraticos e o Novo Governo», «Em Volta do Parlamento Fechado», «A Agitação e suas Origens», «Na Atmosfera Conspiratória», «Duelos na Sombra e na Claridade», «Monarquicos e Republicanos», «Os Passos da Ditadura», «Deus Super Omnia», «Balanço de Duas Forças», «O Entrechoque», «O Fim do Entre-Choque», «A Politica do 14 de Maio» e «As Consequencias do 14 de Maio (epilogo) – acerca de um período bastante agitado da 1ª República (e tratando amiúde, em panorâmica, a história europeia do tempo), sempre valeria a publicação deste volume como documento iconográfico, pela reprodução em gravura de numerosas fotografias da época: muitas, de Joshua Benoliel, e muitas outras hoje difíceis de encontrar seja onde for.
Exemplar encadernado inteiramente em tela, gravada a ouro sobre a lombada; conservando a frente da capa original.

30€

Tomás da Fonseca — Águas Novas (peça em 4 actos)

Edição do Autor - Lisboa, 1950. (Composto e impresso na Tipografia Freitas Brito, Lda., Rua do Ferregial, 12). In-8º de 199, [1] págs. Br.

Dizia o autor do seu título, no prefácio, ser ele "pretencioso [sic] certamente. Mas, ou águas do Outono ou orvalhos de Maio, elas aí vão, na esperança de que possam servir de refrigério, tanto aos humildes que têm fome de pão, como aos vencidos com sede de justiça". Primeira edição, rara, proibida pela Censura pouco depois de publicada.

Exemplar valorizado por dedicatória manuscrita de Tomás da Fonseca, no anterrosto, “Ao seu velho amigo Antonio Lelo”, o conhecido «Irmão» da ainda mais conhecida firma «Lello & Irmão».

38€

Tomás da Fonseca — Na Cova dos Leões

Na Cova dos Leões (Para mostrar / Que a gente pela Verdade / Se deve deixar matar (João de Deus) // Edição destinada ao Brasil)

Lisboa – 1958. (Composto e impresso na: Emp. Téc. de Tipog., Lda. – Vila Franca de Xira). In-8º de 458, [6] págs. Br.

Primeira edição de um dos mais célebres livros dedicados às alegadas aparições de Fátima – nas quais Tomás da Fonseca obviamente não cria, fazendo um ataque cerrado ao seu aproveitamento pela hierarquia da Igreja Católica e, mais amplamente, pelo regime (louvando os “verdadeiros cristãos” que negam “o embuste de Fátima”). É ainda hoje considerado um dos documentos mais corajosos da oposição ao Estado Novo (que o proibiu), independentemente do estrito anti-clericalismo radical que mais tornou conhecido este velho republicano; e ainda há pouco foi uma vez mais reeditado.

Exemplar da tiragem destinada ao Brasil (mas que acabaria, em grande parte ou totalmente, por ficar por cá), que se distingue da outra por essa indicação.

33€

Tomás da Fonseca — O Diabo no Espaço e no Tempo

O Diabo no Espaço e no Tempo (Se o Diabo lê, muito se há-de rir com o que escrevem os teólogos (Michelet) / Edições destinadas ao Brasil)

Lisboa, 1958. (Acabou de imprimir-se em Fevereiro de 1959 na Sociedade Progresso Industrial – Lisboa). In-8º de 359, [1] págs. Br.

Embora a carta-prefácio a Lopes de oliveira date da década de 30, suponho esta a primeira edição – que talvez estivesse prevista antes sem ter chegado a sair (em todo o caso, não lhe encontro referência). O livro é um dos habituais libelos anti-clericais que distinguiram o autor, e foi também proibido pela Censura.
 
18€

Tomás da Fonseca — Sermões da Montanha

Sermões da Montanha (Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres (Evangelho, segundo João) // 2.ª edição brasileira – 1953 // Edição destinada ao Brasil)

1909 + 1959. (Composto e impresso na Gráfica do Areeiro). In-8º de 409, [7] págs. Br.
 
Além de reproduzir os prefácios da segunda edição portuguesa e das duas edições brasileiras autorizadas, reproduz igualmente o texto «Razões da Edição Brasileira» e transcreve uma entrevista mantida com o autor.
Como de costume, também este livro esteve proibido pela Censura.
 
15€

Tomás da Fonseca — Bancarrota

Bancarrota (Exame à Escrita das Agências Divinas / Edição destinada ao Brasil)

Edição do Autor – Lisboa 1962. (Comp. e Imp. na Gráfica do Areeiro). In-8º de 285, [3] págs. Br.

“A lenta mas persistente investida com que a Igreja Católica, durante e após a primeira Grande Guerra, procurou demolir a obra social que, em poucos anos de República, conseguimos erguer, impõe-me o dever de recordar, tanto aos novos agentes dessa Igreja, como à descuidosa geração que ela traz empenhada em ambiciosos devaneios – as razões que tivemos para falar e agir como adiante pode verificar-se”, assim começava o autor a sua introdução, «Palavras Necessárias», a esta recolha de textos que têm em comum o bem conhecido anti-clericalismo que sempre exibiu, e que ditou a sua proibição pelo Lápis Azul do Estado Novo.

20€ 

Aquilino Ribeiro & Ferreira de Mira — Brito Camacho

Livraria Bertrand * Lisboa (2.ª edição). [S/d – 1942?]. In-8º de 295, [5] págs. Cart.
 
No prefácio conjunto datado de 1942, diziam os autores que ainda então o nome de Brito Camacho suscitava alvoroço de partidários e detractores, mas que eles, apesar de amigos do visado, fugiriam o mais possível a julgá-lo – pretendendo apenas carrear «matéria» para crítica futura: “Fornecem-se alguns dados; é o mais capital do livro. A homenagem essa passa tão breve e escoteira que mal se vê.”

Exemplar artesanalmente cartonado aproveitando a frente da capa de publicação.

10€

Brito Camacho — Ao de Leve

1913 / Livraria Editora Guimarães & C.a, (68, R. do Mundo, 70) Lisboa. In-8º de 141, [3] págs. Br.

Embora não apareça indicado, nota-se bem que os textos aqui reproduzidos teriam conhecido publicação prévia, principalmente no jornal A Lucta – e na maior parte reportando-se ainda aos tempos da monarquia. O volume foi um dos títulos iniciais (salvo erro, o oitavo) da longa bibliografia do republicano alentejano.

10€

Brito Camacho — Por Ahi Fóra (Notas de Viagem)

1916 / Livraria Editora Guimarães & C.ª, Lisboa.

“Estamos em Paris. Não ha que perder tempo com a revisão da bagagem, impertinente formalidade que dispõe mal quem chega e que só deveria cumprir-se na fronteira, para evitar o contrabando. Chamo um trem, ao acaso, e só quando vou dizer o adresse ao cocheiro é que reparo que elle era... uma cocheira. Não ha duvida que o feminismo ganha terreno. Eu acho bem que as mulheres reclamem os direitos dos homens; mas que haja homens que reclamem os mesmos direitos, é que me parece indecente”. Primeira edição.

15€

Brito Camacho — Longe da Vista

1918 / Guimarães & C.a – Editores, (68, R. do Mundo, 70) Lisboa. In-8º de 226, [2] págs. Br.

Livro de viagens por terras espanholas, francesas e italianas, no habitual registo – impressivo e descritivo – do autor.

Algumas manchas e pequenos defeitos, de corte e exteriores.

12€

Brito Camacho — Pó da Estrada

Livraria Editora Guimarães & C.ª / (68, Rua do Mundo, 70) Lisboa. (1930). In-8º de 264 págs. Br.

No prefácio, Brito Camacho (apresentado na folha de rosto como “Sócio do Gremio Alentejano, da Universidade Popular, de A Voz do Operário, da Sociedade de Geografia, da Liga de Profilaxia Social, etc., etc.”) explicava terem estes textos procedido da Lucta, onde foram publicados entre 1906 e 1920, quase ou só na secção Echos – que assim conhecia edição autónoma.

O exemplar, em relativo bom estado, está assinado precisamente na folha de prefácio mas conserva ainda a maior parte dos cadernos por abrir.

10€ 

Oliveira Marques — Afonso Costa

Editora Arcádia (1972). In-8º de 429, [3] págs. Br.

“Há cem anos que nasceu Afonso Costa. Foi, porventura, entre 1910 e 1930, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses. O seu nome simbolizou toda uma política, mesmo um regime, até. Endeusaram-no como talvez ninguém neste país, desde D. Miguel e até Salazar. Como eles, tornou-se um mito, um Messias, depois de ter sido arauto de uma situação e o estadista que, acaso mais a radicou em sete anos apenas de acção intermitente, mas fecunda. Esteve sempre entre os dois mais votados candidatos republicanos ao Parlamento, onde quer que se propusesse jamais perdendo uma eleição desde 1906. Ninguém lhe levou a palma em popularidade real e persistente, em presença viva junto de todas as camadas populares, do Minho ao Algarve, nem sequer Bernardino Machado com seu chapéu pronto a cumprimentar ou António José de Almeida com sua honestidade proverbial e seus arroubos de alma mística. O seu retrato apareceu reproduzido milhares e milhares de vezes, em livros, em jornais, em cartazes, em panfletos, em azulejos, em pratos de barro e de latão, em bustos que se vendiam nas lojas de Lisboa e nas feiras de Trás-os-Montes (...) O ódio que lhe tiveram também não conheceu limites”, assim começava a introdução desta que é ainda hoje a principal biografia de referência sobre o porém fugaz (1910-1917) estadista, entre «velhas» e «novas» (das quais foi a primeira); integrada na colecção «a Obra e o Homem».
 
18€

Afonso Costa — Discursos Parlamentares 1900-1910

(Complilação, prefácio e notas de A. H. de Oliveira Marques)

Publicações Europa-América (1973). In-8º de 617, [7] págs. Br.

“Notabilíssima foi a sua acção como deputado, e a sua obra parlamentar revela a espantosa capacidade de Afonso Costa em lidar, profunda e subtilmente, com os mais diversos aspectos da coisa pública, desde o problema dos salários dos carteiros às grandes questões internacionais da intervenção na Primeira Grande Guerra”.
Primeiro de três volumes publicados.

15€

Afonso Costa — Discursos Parlamentares 1911-1914

(Compilação, prefácio e notas de A. H. de Oliveira Marques)

Livraria Bertrand (Apartado 37) – Amadora. (1976). In-8º de 679, [1] págs. Br.
 
O volume abrange os discursos proferidos na Assembleia Constituinte (1911) e durante a primeira legislatura da República (1911-1915); seguindo-se ao que fôra publicado em 1973, sob o título Obras de Afonso Costa, que acima apresentamos.

15€

Sarmento de Beires — De Portugal a Macau (A Viagem do «Pátria»)

Porto (na Imprensa Social da Cooperativa do Povo Portuense). 1968. In-4º de 237, [19] págs. Br.

Terceira edição, do autor, com dedicatória impressa a Brito Pais – o companheiro de viagem, entretanto falecido – e reprodução do texto de dedicatória da edição original «Ao Povo de Portugal», além do texto panegírico de Gago Coutinho. Inclui uma série de curiosas gravuras, em folhas destacadas, com mapas e fotografias dos aviadores, dos aviões (desta e de outras expedições), de locais de passagem, etc. A terminar, tem ainda um apêndice de «Recapitulação técnica da viagem» - uma tabela de várias páginas com todas as indicações técnicas de aeronáutica.

Exemplar em muito bom estado, sem defeitos de relevo.

12€

Sarmento de Beires — Asas que Naufragam

Asas que Naufragam (de como o avião Argos, ao fim de dezasseis mil quilómetros de voo, se perdeu ao largo das costas da Clevelândia e do mais que durante a viagem se passou) // (2.ª edição) / (3.º milhar)

1955 – Porto. (Acabou de imprimir-se esta segunda edição aos quatro de Novembro de mil novecentos e cinquenta e cinco, na Tipografia da Oficina de S. José, Rua Alexandre Herculano, 123-Porto. // As fotogravuras foram realizadas por Simão Guimarães, Filhos, Rua Miguel Bombarda, 465 – Porto). In-8º gr. de 364 págs. Br.

Impressa a duas cores sobre bom papel, “a presente edição compõe-se de seiscentos e vinte e cinco exemplares numerados e rubricados pelo autor”, que a este fez caber o n.º 093 e com efeito o assinou a tinta.

15€

Sarmento de Beires — Asas que Naufragam

Asas que Naufragam (de como o avião Argos, ao fim de dezasseis mil quilómetros de vôo, se perdeu ao largo das costas da Clevelândia e do mais que durante a viagem se passou)

Depositários: Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira & C.ª (filhos) – Lisboa, MCMXXVII. In-8º de 367, [1] págs. Br.

Primeira edição, ilustrada em folhas couché à parte, com tiragem indicada de 2000 exemplares; estando este bem conservado no miolo, mas com falhas de papel e vincos na capa.

20€

Norberto Lopes — Cruzeiro do Sul: crónicas da travessia aérea do Atlântico

Cruzeiro do Sul: crónicas da travessia aérea do Atlântico com um prefácio e autógrafo de Gago Coutinho

Editor: A Renascença Portuguesa – Porto. (1923). In-8º de 254, [2] págs. Br.
 
Dizia Gago Coutinho que Norberto Lopes conseguiu dar neste livro a impressão de que “se Pedro Álvares Cabral descobriu a terra do Brasil por mar, nós, portugueses do século XX, fomos pelo ar descobrir, no Brasil moderno, o coração e o sentimento”, chamando-lhe com exagero q.b. “um dos Caminhas de hoje, um dos nossos mais talentosos cronistas, ou jornalistas, como agora se diz”. Após numerosos capítulos dedicados às principais etapas e escalas percorridas durante a aventura, o volume termina com um interessante perfil de cada um dos aviadores, apresentando o autor Gago Coutinho como mais reservado e Sacadura Cabral mais satisfeito no papel de herói e «pinga-amor» do mulherio brasileiro. Primeira edição, ilustrada na capa por Stuart.
 
22€

Saudação aos Aviadores Portuguezes

Em Nome da Sociedade de Geographia de Lisboa (na Tip. Renascença – Rio [de Janeiro]). [S/d]. In-4º de [8] págs. Br. 
 
Opúsculo hoje raro, preparado por Rui Chianca e integrando, a abrir, um texto inédito de Junqueiro em homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral – “ A gloria eterna das nossas descobertas, que unificaram e deslumbraram o mundo, evocada por vós, levanta-se da Historia e vem saudar-vos (…) Voltamos a viver, numa hora infinita, o passado augusto, e o grandioso coral das duas patrias abraza-se de amor e desenrola-se em livro ardente do futuro. E então o vosso acto heroico nimba-se por milagre dum esplendor sagrado e religioso. É que nas azas da vossa caravella harmonicamente iam voando a bandeira da patria e a cruz de Christo.”
 
Exemplar por estrear, com as folhas ainda por abrir. 
 
20€

João Chagas — As minhas razões

Lisboa: Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor (158, Rua da Prata, 160) – MCMVI. (Na capa: A’ venda na Livraria Chardron, de Lello & Irmão, Rua das Carmelitas, 144 – Porto). In-8º de 462, [8] págs. Enc.

Recolhe as crónicas que este jornalista republicano publicara n’O Primeiro de Janeiro entre Janeiro e Junho de 1906.
Exemplar com assinatura de propriedade (quase um século atrasada) sobre a folha de rosto.
 
23€

João Chagas — Bom Humor

Lisboa: Ferreira & Oliveira, L.da – Editores (Rua do Ouro, 132 a 138) – 1905.

“O mundo christão celebra mais uma vez o nascimento do Christo, ou seu salvador, com abundantes ingestões de alimentos solidos e liquidos; e esta pratica é por tal fórma a unica que accusa no meio das idéas e dos costumes humanos a existencia do christianismo, que, reflectindo bem, perguntámos a nós proprios se a doutrina christã é com effeito uma velha religião, ou apenas uma velha receita para assar perús”, assim começava uma das típicas crónicas, esta a 25 de Dezembro e pouco católica, que o volume agrupa.
 
23€

João Paulo Freire — O Aldrabão Pimenta e a sua «História»

O Aldrabão Pimenta e a sua «História» (Análise contundente às parvoíces insanáveis dum – magalómano mental –)   

Edição do Autor. (Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª – Lisboa). 3 vols. in-4º de 60; 75, [1]; e 86, [2] págs. Br.

“Cá o temos! Aos saltos, às upas, em cabriolas de palhaço, é vê-lo a espolinhar-se como javardo nas 568 páginas duns pseudo Elementos de História de Portugal.
Que elementos! Que História! Nemo dat quod non habeo, ninguém dá o que não possui, e é bem certo. Há de tudo, neste calhamaço, menos probidade e vergonha”, assim começava o jornalista a sua apresentação a este exercício que faz o Manifesto Anti-Dantas, de Almada, quase parecer meigo, e que por alguma razão publicou em edição de autor: ou para poupar editores, ou porque eles próprios se quiseram precaver contra consequências como processos penais...
Embora seja o único por inaugurar, conservando ainda os cadernos por abrir, o primeiro volume é o que se apresenta em pior estado, com a frente da capa manchada (exposição à luz solar) e pequenos rasgões junto ao encaixe, mal de que também padece o terceiro.
 
25€

João Paulo Freire — Alcácer-Kivir !

Alcacer-Kivir !  (Apontamentos historicos sobre a acção da Hespanha antes do dominio dos Filippes)

1928 – Parceria Antonio Maria Pereira, livraria editora (Rua Augusta – 44 a 54), Lisboa. In-8º de 128, [2] págs. Enc.

Livro de “apenas ligeiros apontamentos, cuidadosamente rebuscados nos escriptores coévos d’esse tremendo desastre nacional, e que se colligem hoje para os que por estas coisas se interessam, sem tempo para grandes estudos”.
Exemplar recoberto de uma boa encadernação recente com lombada gravada a ouro e pastas marmoreadas; conservando ambas as faces da capa de publicação.
 
22€

João Paulo Freire — Fogos-Fátuos

Edição de «A Renascença Portuguesa», Pôrto – 1925. In-8º de 173, [3] págs. Br.

Volume dedicado “à memória sagrada de António Granjo, ao mais infeliz dos homens honrados desta terra e ao mais leal dos amigos” (de quem aliás faz a reportagem do funeral com milhares de pessoas, em Chaves, após «A Noite Sangrenta», e no qual entre outros Leonardo Coimbra improvisou um discurso que também «Mário» diz ter sido impressionante); e justamente a Leonardo, “ao mais extraordinário e mais brilhante talento da minha geração”. Recolhe os textos publicados no jornal lisboeta A Imprensa da Manhã, dividindo-os aqui pelas duas secções «Alguns problemas nacionais à margem... da política» e «Documentos para a história do movimento revolucionário do «19 de Outubro»».
O exemplar tem no rosto o carimbo da livraria de Pedro Dias, de Lagos.

15€

António Cabral — Homens e Episódios Inolvidáveis

Homens e Episódios Inolvidáveis (Cartas Inéditas de Camilo/O Berço de Eça/Páginas de Memórias Políticas)

Livraria Bertrand. Lisboa. (1947). In-8º de 218 págs. Br.

O volume inclui os capítulos «Camilo e Eça de Queirós», «Algumas páginas de Memórias Políticas», «Cartas régias», «Páginas tristes», «Páginas alegres» e «Quatro prefácios».

Exemplar em muito bom estado, talvez por estrear, conservando ainda o papel praticamente limpo.

17€

António Cabral — Homens e Episódios Inolvidáveis

Homens e Episódios Inolvidáveis (Cartas Inéditas de Camilo/O Berço de Eça/Páginas de Memórias Políticas)

Livraria Bertrand. Lisboa. (1947). In-8º de 218 págs. Enc.

Outro exemplar, este revestido de muito boa encadernação, conservando ambas as faces da capa de brochura (um tanto manchada na frente) 


25€

António Cabral — Cartas d’El-Rei D. Manuel II

Cartas d’El-Rei D. Manuel II (O Homem, o Rei, o Portuguez / - Notícias e revelações / - Memorias Politicas)

Livraria Popular de Francisco Franco —  Lisboa – 1933. In-8º de 378, [6] págs. Br.

Uma primeira parte do volume cumpre-lhe o subtítulo, compondo-se de apontamentos do próprio António Cabral; seguindo-se o repositório das várias cartas do bibliófilo e melancólico monarca a uma dezena de destinatários, entre eles José Luciano de Castro, José Maria Rodrigues, o organizador do volume e o seu pai, Alexandre Cabral.
 
15€

Carlos Malheiro Dias — Pensadores Brasileiros (pequena antologia)

Lisboa: Livraria Bertrand (73, Rua Garrett, 75). [S/d – Pref. 1934]. In-8º de 154, [2] págs. Br.

Depois de um longo prefácio do próprio Malheiro Dias, o livro dedica capítulos a Gilberto Amado, Ronald de Carvalho (a quem o volume é dedicado), Baptista Pereira, Azevedo Amaral, Gilberto Freire (de quem temos várias edições originais), Tristão de Ataíde e Plínio Salgado (idem aspas).
Bom exemplar, ainda por estrear – conserva a totalidade dos cadernos por abrir. Ligeiro desgaste exterior; selo da «Livraria Universitária (Livros de todo o mundo)» no Campo Grande em Lisboa; discreta assinatura de propriedade na primeira folha (de anterrosto), datada de 1963.
 
14€ 

Carlos Malheiro Dias — O «Piedoso» e O «Desejado»

Lisboa: Portugal-Brasil (sociedade editora / Arthur Brandão & C.ª) – 1925. In-8º de [VI], 178, [VI] págs. Br.

Edição impressa a duas cores e castiçamente ilustrada em letras capitais, vinhetas e ornamentos gráficos vários. Conforme o título insinua, um dos ensaios é dedicado a um menos popular D. João III e o outro a um bastante mais batido D. Sebastião – que, para os monárquicos portugueses como o autor, é duplamente simbólico: tal como a monarquia, desapareceu.

Belo exemplar, tendo como único defeito significativo pequenas manchas no pé da capa, na frente.

18€

Carlos Malheiro Dias — Zona de Tufões

Zona de Tufões, por (...) / (Da Academia de Sciencias de Lisboa e da Academia Brasileira de Lettras)

Aillaud, Alves & Cia | Francisco Alves & Cia – 1912. In-8º de 591, [7] págs. Br.

Numa nota preliminar, anunciava este monárquico (em comparação) reconhecidamente civilizado e tolerante, mas que como quase todos nunca chegou a conseguir aceitar a República, constituir o volume um “índice, embora prolixo [pôr prolixo nisso, sobretudo na prosa...], dos successos politicos incluidos no periodo que decorre desde a incursão monarchica de Outubro (1911) até a catastrophe sinistra de Miragaya, que consideramos como o corolario do desvario nacional n’estas sombrias paginas narrado”.
O exemplar conserva a curiosa e penitente tarja aposta sobre o anterrosto “Este livro deveria ter sahido em Outubro de 1912, mas um desarranjo de machina tendo inutilisado grande parte da composição, os editores tiveram de recomeçar todo o trabalho, motivo pelo qual esse é posto em venda com quatro mezes de atrazo”.

18€

Carlos Malheiro Dias — Entre Precipicios...

Entre Precipicios... (Na capa: Chronicas politicas dos ultimos tempos)

Lisboa: Empresa Lusitana Editora (Calçada do Ferregial 23). In-8º de 335, [1] págs. Enc.

Conjunto de XXIV capítulos todos no mesmo género, bastando para ter uma ideia o elenco do primeiro e do último: «A hora que passa – O erro republicano – Suas causas e suas consequencias – A anarchia portugueza – Vulcão em actividade»; «A cella de uma prisioneira – A neta de Vasco da Gama no Aljube – Uma santa do seculo XX – A mãe de setecentas creanças pobres». Não estando datada, a capa indica tratar-se da segunda edição, sendo de crer que só ela e a folha de rosto divirjam da original (1913).
Exemplar encadernado em percalina conservando a referida capa de brochura.
 
12€

As Constituintes de 1911 e os seus Deputados

As Constituintes de 1911 e os seus Deputados (Obra compilada e dirigida por um antigo official da Secretaria do Parlamento)

1911 – Livraria Ferreira (Ferreira, L.da, Editores / 132, R. Aurea, 138), Lisboa. In-8º de 541, [3] págs. Br.
 
“Nos principais paizes e em cada legislatura são publicadas, official ou particularmente, e sob diversos titulos obras no genero da que, pela primeira vez, agora apparece em Portugal contendo os retratos e notas biographicas dos membros do Parlamento. (...) Aproveitando a circumstancia de ser a actual Camara muito numerosa e de importancia historica pela missão que lhe esteve confiada, damos n’esta obra, sob o titulo de As Constituintes de 1911 e os seus Deputados, não só os retratos de todos os membros das Constituintes, que hoje compõem o primeiro Senado e a primeira camara dos deputados da Republica, como tambem varias notas interessantes e uma resenha dos principais factos occorridos na Assembleia Nacional, desde a sua abertura, em 19 de Junho de 1911, até ás eleições do Presidente da Republica e do Senado, com as quaes, nos ultimos dias de agosto do mesmo anno, findaram os seus trabalhos”. (Da introdução «Ao Leitor»).
Não estando atribuída no volume a autoria, corre que o "antigo official" em causa foi o escritor Alberto Pimentel.
 
45€ (reservado)

Alberto Pimentel ― A Princeza de Boivão

A Princeza de Boivão: Romance original

Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora. 1897. In-8º de 322 págs. Enc.

Primeira edição, já consideravelmente invulgar, publicada com uma dedicatória impressa «Aos Portuguezes no Brazil/Testemunho de reconhecimento da Mala da Europa». O romance, dos mais conseguidos de Pimentel, tem como pano de fundo as terras de Alto-Minho, em particular a bonita e verdejante zona de Boivão, Valença.

Exemplar protegido por uma razoável encadernação com lombada em pele – já um tanto descorada – gravada a ouro; não conservando a capa de brochura. Em bom estado no miolo, mantendo-se ainda as folhas de modo geral limpas, só algumas pontuadas por marcas de acidez.
 
23€