catálogo on-line

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António Aragão — Para a História do Funchal

Para a História do Funchal: pequenos passos da sua memória

Funchal 1979 // Secretaria Regional da Educação e Cultura / Direcção Regional dos Assuntos Culturais. (Composto e impresso: Empresa de Artes Gráficas da Madeira, Lda. Julho 1980). In-8º de 244, [II] págs. Br.

“Este pequeno trabalho sobre a cidade do Funchal apresenta-se como uma espécie de chamada antecipada a outros estudos mais alargados. De certo modo, impunha-se assim mesmo, reduzido e esparso, dedicado a determinados aspectos crescidos e ainda não revelados, os quais, a nosso ver, mereciam uma súbita comunicação”, aqui ampliados e reformulados nos capítulos «A Madeira e o espaço europeu no séc.XV», «O primitivo povoado de Santa Maria do Calhau em face da nova cidade do Funchal», «A cidade dos mercadores de açúcar», «O Funchal na orgânica do seu contexto urbano», «Desenvolvimento citadino e a gente de ofício», «Três construções da época manuelina: Sé Catedral, Alfândega Nova e «Casa de Colombo»», «Mais alguns mestres de obras, outros oficiais de construção e ainda a Igreja do Colégio», «Funchal, cidade fortificada».
Edição original.  

Bom exemplar, salvo leves marcas na capa.

25€

Boletim bibliográfico 1/2024

O primeiro boletim do ano tem em destaque todos os autores que esta casa tenciona publicar em 2024; a Madeira; dois livros que assinalam com três séculos de «antecipação» a passagem de ano 23/24; e sobretudo literatura de há cerca de um século.

Disponível para consulta

Obras de Manuel João Gomes - II

Companhia das Ilhas (Outubro de 2022). In-8º de 296 págs. Br.

Reedição de um livro originalmente publicado na Arcádia em 1976, Almanaque fantástico cómico científico: aberto a todos os ramos das artes, letras e saber actuais, com prosas dos melhores autores e notícia de tudo o que é medicina popular, comida racional, agricultura biológica e o mais que se verá.
Que é como quem diz "previsões, horóscopos e efemérides histórico-político-desportivas de toda a espécie, seguindo-se a cada mês desenvolvidas notícias das ciências filosóficas, teológicas, sociológicas, nucleares, eróticas, demoníacas, literárias, antigas & modernas, bem como registos dos mais desvairados inventos dos últimos séculos e até do ano passado, a darmos fé às agências noticiosas, com as quais invenções se deve o leitor rir, na mor parte dos casos, se acaso deste almanaque quiser tirar o devido lucro."

18€ (P.V..P.)

Obras de Manuel João Gomes - I

Companhia das Ilhas (Novembro de 2021). In-8º de 160 págs. Br.

Este primeiro volume reeditou os iconoclastas Almanaque dos Espelhos, Os Segredos da Jacinta e Brinquedo Electrónico Essencial.

Prólogo [“Um sátiro na cidade”] de Jorge Pereirinha Pires.

Nota biográfica e Obras de Manuel João Gomes pelo editor Carlos Alberto Machado.

Tiragem de 250 exemplares, dos quais 2 estão cá.

17€ (P.V.P.)

os bons velhos tempos da prostituição em portugal

os bons velhos tempos da prostituição em portugal // antologia de histórias e documentos colhidos na História da Prostituição em Portugal, de Alfredo Amorim Pessoa (1887) / realização e anotações de Manuel João Gomes (1976) / com as licenças neceffárias e privilégio d'el-rei

arcádia (1976). In-8º de 248 págs. Br.

O bastante disparatado volume de que aqui Manuel João Gomes faz a sua recolha e ao qual apõe notas jocosas tinha sido originalmente publicado como complemento aos 4 volumes de uma História da Prostituição de um tal Pedro Dufour.
Edição impressa sobre bom papel e constante de 3000 exemplares, que porém não aparecem assim tanto; este por estrear, apenas com ligeiros defeitos exteriores. 
Há reedição mais recente na Antígona, também já esgotada.

20€

André Chastel — Il sacco di Roma (1527)

Giulio Einaudi editore. (1983). In-8º gr. de XLI, [I], 274, [4] págs. Br.

Edição italiana, publicada decerto em simultâneo, ou quase, com a que saíra originalmente nos E.U.A. (Princeton). O estudo de Chastel - um dos principais especialistas em arte italiana e do Renascimento em particular - cruza, no tratamento do tema, a história da arte com a da cultura e a propriamente política do período em causa; estando o volume abundante e criteriosamente ilustrado em folhas centrais, destacadas e não incluídas na paginação.

Bom exemplar, tendo apenas ligeiras marcas na sobrecapa que, antes assim, conserva.  

15€

Ernesto de Sousa — Almada, um Nome de Guerra (1969-1972 / 1984)

Improvisações Colaborações / Serralves (2012). In-4º de iv, [ii], 98, [viii] págs. Br.

Além de uma sequência com dezenas de fotogramas do filme, o catálogo reproduz depois textos vários do próprio Ernesto de Sousa (a maioria), de José-Augusto França, de Artur Fino, de Rui Nunes e de Cesariny - numa polémica que terá começado pela não-autorização de inclusão de um poema seu num espectáculo que Ernesto de Sousa organizava; sendo transcritas na íntegra ambas as peças, a do poeta e a de resposta do autor. 

Exemplar novo, do nosso amplo acervo de livros de arte da fundação editora portuense.

14€

Gilles Plazy — Cézanne ou la peinture absolue

(1988, Liana Levi). In-4º de 189, [V] págs. Cart.

“Cézanne, à force d’acharnement et non sans détour, a tenu la gageure d’une peinture absolue capable d’unir l’homme et le monde, la terre et le ciel, le dessin et la couleur, le peintre et Dieu”.

Cartonado e Impresso em papel couché, o álbum foi o terceiro título saído na colecção «Art plus / Des images à lire». 

18€

Poemas do Negro e Fumo ou do Nada Intranquilo

Porto 1979 (Composto e impresso na Tipografia do Colégio dos Órfãos - Porto, Dezembro de 1979). In-8º de 76, [4] págs. Br.

Terá talvez sido este o livro de estreia do como nós portuense e bonfinense ultimamente apostado na literatura infantil, publicando sobretudo na Afrontamento, em habitual parelha com a ilustradora Manuela Bacelar; aqui era Maria Isabel Rocha a alternar com o próprio autor nos desenhos que ornam o volume a plena página. (Pelo menos, não encontrámos em nenhum catálogo registos de publicações anteriores).

Disponíveis vários exemplares ainda por estrear.

10€

Maria Velho da Costa — Casas Pardas

Moraes editores, 1977. In-8º de 394, [6] págs. Br.

Primeira edição de um dos títulos principais da escritora, publicada na conhecida série «círculo de prosa» onde saíram também vários títulos em destaque na literatura portuguesa da época – de Saramago a Nuno Bragança, passando por Sophia e pelo primo Ruben A.

Exemplar ainda em razoável condição, mas um quanto desdourado por uma assinatura de propriedade manuscrita em Maputo, cuja caligrafia é difícil desvendar, logo ao ano da publicação.

17€

Esther de Lemos — Companheiros

companheiros (2.ª edição)

Edições Ática (composto e impresso na Editorial Império, Ld.ª (...) no mês de Dezembro de 1952). In-8º de 763, [V] págs. Br.

Transcreva-se o primeiro parágrafo deste romance, vencedor do prémio Eça de Queirós e considerado por alguns dos melhores portugueses do séc.XX, ainda que hoje ele mesmo votado a este esquecimento: "Há seres destinados a passarem como sombras pela vida, sem ocuparem nunca lugar definido nem adquirirem vulto ou fisionomia que os distinga. Creio bem, sem amargura nem despeito, que este é o meu caso, e que o meu destino será diluir-me no tempo, deslizar silencioso ao longo das outras vidas, sem ao menos deixar vestígio da passagem". 

15€

Paul Claudel — Le Soulier de Satin (version intégrale)

Gallimard, Paris. (1956). In-8º de 444, [4] págs. Cart.

Este célebre romance está duplamente (pelo menos) ligado a Portugal: porque as duas epígrafes que apresenta de início são “Deus escreve direito por linhas tortas (Proverbe portugais)” e o Etiam peccata de Santo Agostinho; e porque o realizador Manoel de Oliveira o adaptou ao grande ecrã em 1985, naquele que muitos consideram o melhor filme da história do cinema português (o maior talvez seja – quase sete horas de duração...), e que nesse mesmo ano arrecadaria o Leão de Ouro em Veneza.  
[Note-se que à época de publicação já este livro tinha conhecido centena e meia de edições.] 

Exemplar coberto de cartonagem artesanal que conservou ambas as faces da capa de origem.

10€ (reservado)

Joaquim Pacheco Neves — Pechblenda e Outros Contos

Edições Ser, Vila do Conde (1957 / composto e impresso na Tip. e Enc. A Portuense (Rua Conde de Vizela, 80) Porto).   

Um dos vários lavores literários, quase sempre contos ou novelas, deste médico e autarca vilacondense que era nem mais nem menos que o editor destas Edições Ser onde pelo menos duas vezes publicou o amigo Régio - ambos integrantes, com Manoel de Oliveira e Agustina, entre outras personagens menos conhecidas, do famoso grupo que reunia habitualmente entre Vila do Conde e a vizinha Póvoa de Varzim.
O volume integra «Pechblenda», «Boa Noite, Meu Filho», «O Sino», «A Carta», «Memórias de Além Túmulo», «A Experiência», «Jorginho», «O Sermão», «O Monstro Sagrado» e «A Herança».

Exemplar por estrear, conservando os cadernos por abrir.

12€

Joaquim Pacheco Neves — Vila do Conde

Vila do Conde (II edição)

1991 / Edição da Secção Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde. (Execução Gráfica: Escola Profissional de Santa Clara). In-8º de 105, [VII] págs. Br.

A edição original deste trabalho de referência dedicado pelo autor à sua bela terra saíra salvo erro em 1987; sendo esta patrocinada pelo município vila-condense, a cujo presidente era agradecida em nota preliminar, e que mais tarde voltaria a reeditá-lo. (Além desta, Pacheco Neves compôs uma monografia especificamente dedicada ao mosteiro da mesma Santa Clara onde a edição foi impressa.) 

15€

Joaquim Pacheco Neves — Vila do Conde

 Vila do Conde (II edição)

1991 / Edição da Secção Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde. (Execução Gráfica: Escola Profissional de Santa Clara). In-8º de 105, [VII] págs.

Exemplar de uma série não declarada, encadernada em pele mosqueada com as armas do município gravadas sobre a pasta superior, e revestida de sobrecapa em papel ilustrada conforme a capa da série corrente, em brochura.

20€

Nuno Bermudes — Chão de Moçambique: da sua Paisagem e da sua Literatura

Chão de Moçambique: da sua Paisagem e da sua Literatura

Edições do Templo. (1978). In-8º de 78, [2] págs. Br.

Primeira edição, publicada na série «campo livre» e transcrevendo nas abas excertos de apreciações críticas ao autor por, entre outros, Urbano Tavares Rodrigues, Eugénio Lisboa, João Pedro de Andrade e Reinaldo Ferreira. Das duas secções indicadas no sub-título, de extensão semelhante, é a primeira um conjunto de impressões descritivas (que o autor ia «polvilhando» de apreciações subtilmente laudatórias do passado colonial português na antiga província ultramarina) sobre o país e seus principais regiões e recantos; e a segunda uma espécie de carta de apresentação dos então, ou já, nomes destacados da ficção e da poesia moçambicanas, sendo de alguns deles reproduzidos textos e retratos artísticos: Ascêncio de Freitas, Rui Knopfli, Joaquim Paço d’Arcos, Reinaldo Ferreira, José Craveirinha, etc. 

Exemplar desvalorizado por ligeira mancha de humidade no pé da capa, minimamente visível na imagem.

10€

Nuno Bermudes — Gandana e outros contos

Gandana e outros contos (capa e ilustrações de José Pádua, nota de apresentação de Fernando Couto)

Colecção Prosadores de Moçambique, Beira. (Executado nas Oficinas do «Notícias da Beira»). (1959). In-8º de 146, [6] págs. Br.

Volume inaugural desta colecção, foi o quarto título do autor, que antes publicara O Poeta e o Tempo (poemas), Gorongosa – no Reino dos Animais Bravios (reportagem) e Um Machangane Descobre o Rio (crónica de viagem). Integra os contos Gandana, Pedra de Fogo, Um Pedaço de Vida, Uma Gota de Chuva, Os Amantes Inocentes, A Visita, O Redactor de Serviço e Ciganos, “única mancha europeia numa paisagem africana”, recriando o que ouvira da boca de um velho cigano nos arredores de Sousel. 

Exemplar também com algum desgaste da capa.

20€

Fernando Namora — Casa da Malta (novela)

Coimbra Editora, limitada – 1945. (Composto e impresso nas oficinas de A Tipografia das Beiras). In-8º de [ii], [VI], 127, [27], [vi] págs. Br.

A crer na nota inicial, foi este o terceiro título em prosa publicado pelo autor, e o sexto da sua bibliografia geral. No final do volume há um extenso dossier reproduzindo excertos de apreciações aos volumes já saídos nesta mesa colecção «Novos Prosadores», que hoje dispensará apresentações.
Exemplar com carimbo de oferta de um produto farmacêutico do grupo Bial; presumivelmente, ao casal acabado de formar precisamente em Coimbra que lhe apôs o seu conjugal ex-libris: Matilde e António Sousa Franco. 

35€

John Burgess Wilson — English Literature: a survey for students

Longmans, Green and Co / London, New York, Toronto. (1958). In-8º de 340 págs. Enc.

Edição original deste interessante trabalho de panorâmica desde os tempos da velha literatura anglo-saxónica até à data de composição, «To the present day»; todo num tom very british, subtil e irónico, além da abordagem propriamente literária oferece também competentes apontamentos de contextualização histórica e cultural dos períodos em causa. Já agora e salvo erro: John Anthony Burgess Wilson era nem mais nem menos que o escritor e crítico literário Anthony Burgess, o autor do famoso Laranja Mecânica filmado por Stanley Kubrick. 
Encadernação própria, em tela, com um pequeno recorte para a replicação dos dizeres na pasta superior.

10€

«Diário da minha Viagem a Inglaterra», por Almeida Garrett

Em 2020 (mais rigorosamente, 1820) deixámos o jovem Garrett de cama, aqui no Porto e chegado de Coimbra, onde recuperando de uma maleita mas rejubilando de liberalismo escreveu aquele que viria a ser o seu primeiro livro publicado (1821), «O Dia 24 de Agosto».
Em 2024 (mais rigorosamente, 1823) vamos reencontrar o mesmo jovem mais velho e sobretudo amargurado, recém-casado mas só, à espera de um navio em Lisboa que o levaria ao exílio inglês após a «Vila-Francada», para não ir preso ou acabar espancado ou numa forca; e 26 de Janeiro de 1824, faz hoje 200 anos, é a data da última entrada que redigiu no seu «Diário da Minha Viagem a Inglaterra», em Birmingham. Teria sido o seu terceiro livro publicado, mas não chegou a sair do rascunho. Só após a morte de Garrett este «Diário» apareceria, primeiro na biografia tri-volumosa de Gomes de Amorim e depois em edição conjunta com outros escritos ainda hoje menos conhecidos.

Pois bem: exactamente dois séculos depois, vamos finalmente dar ao livro a sua primeira edição independente, embora completada com outro desses escritos que directamente se lhe relaciona, «O Inglês».
Mas não é «para inglês ver», é para português comprar.

Em pré-venda, para encomendas confirmadas e pagas até 28 de Fevereiro, há 20% de desconto e oferta dos portes de envio em todo o território nacional. A publicação está prevista para Março/Abril.  

Pedidos para bibliographias@gmail.com     

Manuel da Fonseca — Aldeia Nova

Aldeia Nova (2.ª edição)

Inquérito (acabou de se imprimir, aos 29 de Março de 1944, nas oficinas da Imprensa Libânio da Silva). In-8º de 232, [VIII] págs. Br.

A edição original deste terceiro título do autor tinha saído em 1942 - seguindo-se aos livros de poemas Rosa dos Ventos (1940) e Planície (também de 1942); e antecedendo o  célebre romance Cerromaior (1943).

Integra os contos «Campaniça», «O primeiro camarada que ficou no caminho», «O ódio das vilas», «Sete-estrêlo», «Névoa», «A Tôrre da Má Hora», «A visita», «Viagem», «Mestre Finezas», «Aldeia Nova», «Maria Altinha» e «Nortada», que conheceria edição independente numa colecção de novelas.

12€

Manuel da Fonseca — Seara de Vento

Seara de Vento / romance / 2.ª edição (8.º milhar)

Portugália Editora. (1962). In-8º de 245, [7] págs. Br.

“Eis um novo camponês alentejano, fechado em si, heróico na coragem, acossado por fomes cíclicas e que, històricamente, emerge da inércia secular, se liberta de um tempo onde não batem horas nem segundos, para, com as mãos ainda insuficientes do desespero, tentar moldar o seu destino. (...) Romance entre os maiores das letras portuguesas contemporâneas, aparece agora a sua segunda edição, há muito esperada”, com capa de Câmara Leme e apreendida pela PIDE sem grandes delongas. 

15€

Manuel da Fonseca — Seara de Vento

Colecção Atlântida. (Editora Ulisseia Limitada, 1958). In-8º de 171, [5] págs. Br. 

Primeira edição deste significativo romance recentemente adaptado para cinema, com uma bela sobrecapa do pintor Vespeira, que o exemplar conserva; não conservando porém a folha de anterrosto, que por alguma razão parece ter sido suprimida; mas estando, em contrapartida, valorizado pela  dedicatória manuscrita que o autor lhe apôs no rosto a Ramiro Teixeira, crítico com vários ensaios publicados na órbita do neo-realismo, que talvez arrancasse a dita folha em falta...: “A Ramiro Teixeira com «inveja» desta primeira edição que  não  tenho  /  Manuel  da  Fonseca  /  Porto  29-5-83”. [Já em relação a Aldeia Nova e a O Fogo e as Cinzas houve quem contasse histórias semelhantes: Manuel da Fonseca queixando-se de não ter guardado nenhum exemplar da edição original, os dedicandos a oferecerem-lho e ele a recusar, avançando para a dedicatória pedida ou oferecida]. 

25€ 

Joaquim Namorado — Incomodidade

Incomodidade (Invenção do Poeta / Aviso à Navegação / Viagem ao País dos Nefelibatas / Agora)

Atlântida – Livraria Editora, L.da   Coimbra/1945. (Composto e impresso na Casa Minerva, Av. Navarro – Coimbra). In-8º de 219, [1] págs. Br.

"Quem fazia a Vértice a sério era um senhor chamado Joaquim Namorado com mais três ou quatro. Eu e os outros estudantes, o Manuel Alegre, o José Carlos Vasconcelos, éramos mais para compor o ramalhete. Não sei se estavam a fazer de nós a geração seguinte do Neo-Realismo. Se o tencionavam fazer comigo perderam a batalha. O Joaquim Namorado foi uma das pessoas mais leais que conheci, com um sentido de amizade como é raro haver. Era um homem mais velho vinte ou trinta anos, mas tinha esse raríssimo condão para interessar gente mais nova a leituras que de outra maneira não iam descobrir, e, sobretudo, para criar uma certa inquietação nos rapazinhos de vinte anos como eu" [Fernando Assis Pacheco].

Uma das mais conhecidas, e mais habitualmente reproduzidas em antologias do design gráfico editorial português, capas de Victor Palla.

Exemplar por estrear, ainda conservando os cadernos por abrir; em contrapartida, prejudicado por um vinco à cabeça de grande parte deles.  

25€  

Eduardo Lourenço — Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista

Publicações Dom Quixote / Lisboa, 1983. In-8º de 211, [1], [IV] págs. Br.

Foi a segunda edição, publicada na colecção «Estudos Portugueses», de um livro originalmente dado a lume em 1968. Colige os ensaios «João José Cochofel ou a Poesia da Imanência», «Joaquim Namorado ou a Epopeia Impossível» e «Carlos de Oliveira e o Trágico Neo-Realista».

10€ 

Mário Sacramento — Há uma Estética Neo-Realista?

Há uma Estética Neo-Realista? (2.ª edição)

vega (1985). (Execução gráfica: Artipol – Águeda). In-8º de 57, [VII] págs. Br.

(Por mais limitações que se possa pôr ao neo-realismo português, ninguém discutirá esta lúcida premissa, a págs. 20: “O neo-realismo foi colhido ou tolhido (…) por uma adversidade a que não conseguiu eximir-se: a de a literatura ser a única expressão viável de aspectos da vida social que, noutras circunstâncias, teriam cabido ao jornalismo, à política e ao livro doutrinário”).

A edição original deste ensaio fôra em 1968, inaugural da colecção «Cadernos de Literatura» da Dom Quixote.

Exemplar assinado na folha de guarda pelo colega ensaísta José Palla e Carmo (irmão de Victor Palla, autor de várias capas de livros do neo-realismo português), antepenúltimo e presumível primitivo proprietário.

10€

Mário Sacramento — Diário

limiar (Edição: 1.ª / Junho 1975). In-8º de 362, [VIII] págs. Enc.

“Este Diário foi anunciado por Mário Sacramento com o título de «Aqui Jaz Quem Me Matou», mas nos cadernos onde ele o escreveu figura sempre o título «Envelhecer»” (Jornal e Memórias) – com numerosos apontamentos e entradas relativos a vários dos escritores mais ou menos compagnons-de-route
Primeira edição, encadernada em tela com sobrecapa de papel – transcrevendo uma recensão de Óscar Lopes numa das abas – e ilustrada num corpo central de folhas de papel couché.

20€ (reservado)

Mário Dionísio — As Solicitações e Emboscadas (poemas)

Atlântida. (1945). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Outro exemplar, este revestido de boa encadernação com cantos e lombada em pele gravada a ouro e pastas recobertas de papel marmoreado; conservando por inteiro a capa de brochura, mesmo essa em bastante melhor condição que a do anterior.

30€ (reservado)

Mário Dionísio — As Solicitações e Emboscadas (poemas)

Atlântida. (1945). In-8º de 91, [5] págs. Br.

Quarto título do autor.

Exemplar com algumas marcas de acidez (sobretudo na capa, ilustrada por Teresa de Arriaga) e uma assinatura de propriedade.

15€

Mário Dionísio — O Dia Cinzento (contos)

Coimbra Editora, Limitada – 1944. In-8º de 215, [7] págs. Br.

Primeira edição, integrada na colecção «Novos Prosadores», com capa de Leandro Gil. O livro integra os contos «Nevoeiro na Cidade», «Véspera», «O Doloroso Corte das Raízes», «Morena-Vulcão», «Assobiando à Vontade», «Os Sapatos da Irmã», «A Lata de Sardinhas», «A Corrida», «Uma Principiante» e «Os Bonecreiros Vão de Terra em Terra».

Exemplar cuidado, mas com assinatura de propriedade em folha preliminar. 

25€ (reservado)

Eduarda Dionísio — Comente o Seguinte Texto:

Plátano Editora (1972). In-8º peq. de 209, [3] págs. Br.

Começava assim a nota de Augusto Abelaira a este livro: “Quarenta jovens (mas de só uma dúzia – mais? menos? – ouvimos a voz) prestam as suas provas, comentando um texto, sob a vigilância do professor, também jovem, de resto. Não só. Porque, tanto para os alunos como para o professor, o mundo não deixou de existir (aquele exame é um simples parêntesis), e esse mundo que ficou lá fora vem ter com eles através das janelas, transforma-se ele próprio num texto (o tal livro da natureza de que falava Galileo), exige também um comentário. Então, indiferenciadamente, os dois textos a comentar (o do exame e o do mundo) interpenetram-se. E certas personagens, não todas, passam pela crise de concluir que ambos os textos são incompreensíveis, e mais: que até o texto que elas estão a escrever é incompreensível”. 
Note-se apenas que a recentemente falecida autora (filha de Mário Dionísio) era ela própria à época, claro, professora.
Segundo título publicado na colecção Poliedro, que teria continuação.

12€

Manuel Seabra — Terra de Ninguém

Lisboa 1959. (Este livro, que é uma edição do autor dirigida gràficamente por António de Macedo, foi composto e impresso na Scarpa, Lda. (...) e é distribuído pelo Clube Bibliográfico Editex, Lda. (...) A capa é da autoria de Victor Palla). In-8º peq. de 156, [ii] págs. Br.

"Apesar da sua já longa carreira literária, pode dizer-se que Manuel de Seabra se estreia agora (...) na literatura de ficção. No entanto, já em 1950 publicara uma novela e em 1954 um livro de poesia e desde há anos desenvolve uma intensa actividade como tradutor e articulista. Agora, porém, (...) vai começar a apresentar o fruto da sua experiência, dos anos de agitação e angústia em que, expatriado, vagabundeou sem rumo pela Europa", escolhendo o tempo e o espaço da Guerra Civil espanhola - onde sobretudo na Catalunha é até hoje mais valorizado do que neste seu país natal.   

15€

Manuel Seabra — Os Exércitos de Paluzie

Círculo de Leitores (1982). In-8º de 191, [1], [ii] págs. Enc.

"Escrito directamente em catalão - pois Manuel de Seabra é o primeiro escritor português que faz obra de criação noutra língua - Os Exércitos de Paluzie retrata quatro gerações de uma família de Barcelona que atravessam mais de meio século de história da Catalunha, contra o pano de fundo das imaginárias guerras do neto Edmond, que brinca com soldados de cartolina no chão da Casa Velha. / Desde uma manhã soalheira de 1893, em que o avô Edmond conhece a futura avó Eduvigis a apanhar hortaliças caídas, passando pela revolta popular de 1909, conhecida como "Semana Trágica", em que o proletariado ocupou Barcelona, até à Guerra Civil de 1936-39, esta saga familiar apresenta uma visão irónica do mundo e dos homens (...)"

Mas esta de Seabra ter sido o primeiro escritor luso a escrever directamente em idioma alheio... assim de repente, só no período filipino apontaríamos, de memória, uma ou duas dezenas deles.

9€

Teresa Veiga ― Jacobo e outras histórias

Círculo de Leitores (1981). In-8º de 171, [V] págs. Enc.

Encadernada pelo editor em tela com sobrecapa ilustrada, depois da composição na Fototexto e da impressão na Printer Portuguesa, foi esta a primeira edição do primeiro livro da contista - incluindo, entre outros, «Aristocracia» (tríptico), «Correio Sentimental», «A Noviça», «Culinária» (tríptico), «Conselhos às mães sobre a educação das raparigas», «Porto Fundo».

15€  (reservado)

Hélia Correia ― O Separar das Águas

Imagem do Corpo n.º 28 (Ulmeiro / Janeiro de 1986). In-8º de 103, [2], [iii] págs. Br.

“Aquele foi o ano em que os santos tremeram e cravaram em Deus os seus olhares perplexos. As forças do demónio, que a espada e a fogueira por tanto e tanto século haviam sepultado, ganhavam para o Mal um terço do planeta: os Bolcheviques tinham triunfado. / Foi o ano em que Deus, envelhecido, e já um tudo‑nada cauteloso, mandou a sua mãe que abalasse em recado a terras portuguesas que, apesar da República, pareciam ser ainda as de melhor ouvido para admoestações", assim começava este livro, o primeiro da autora, aqui em segunda edição (a original em 1981 n'«A Regra do Jogo»). 
10€

Silvina Rodrigues Lopes ― E Se-Pára

(Hiena Editora / Lisboa, Janeiro de 1988). (Execução gráfica da Tipografia Lousanense, Lda. / Lousã — Março/88). In-8º de 56, [2], [ii] págs. Br.

Volume publicado na mui recomendável colecção «Ideias e Atitudes» em que pontuavam outras mui recomendáveis personagens tais Herberto, António José Forte, Ernesto Sampaio, Fernando Assis Pacheco, etc.; com tiragem declarada de 1000 exemplares, este ainda por estrear e apenas levemente marcado na capa.  

10€ (reservado)

Graça Pina de Morais — A Mulher do Chapéu de Palha

A Mulher do Chapéu de Palha (conto inédito)

Edições Antígona / Lisboa 2000. In-8º de 45, [2], [i] págs. Br.

"Quando a política estava na ordem do dia, uma mulher nem nova nem velha sai de casa para ir à praia. À luz clara da manhã, rememora a
sua vida. «O que poderá ter para mim ainda um sentido?», interroga-se na viagem de eléctrico que a leva de Leça ao mercado de Matosinhos. Aí, um vendedor apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males. No regresso, a nortada da tarde vai desagregando a seus olhos a limpidez que a manhã revelara no mar nas ruas e nas gentes. Outras impressões e devaneios infrutíferos a acompanham."
"A Mulher do Chapéu de Palha, conto inédito, foi escrito por Graça Pina de Morais, no início de 1986, durante umas férias no Rio de Janeiro". 

8€

Maria Gabriela Llansol — Depois de Os Pregos na Erva

Depois de Os Pregos na Erva / (E Que Não Escrevia / Um Texto Decadadente / O Estorvo)

(Edição da Autora. Acabou de imprimir-se [sic] em 10 de Agosto de 1973 na Tipografia Nunes, Lda. Porto). In-8º gr. de 244, [8] págs. Br.

Segundo título da escritora, que começava já a marcar a transição de uma prosa ainda relativamente «linear» (a de Os Pregos na Erva) para aquela espécie de meta-linguagem/território único que a viria a distinguir; mesmo o «caderno» final, O Estorvo, é um conjunto de textos curtos a que já dificilmente se poderá chamar «contos».

Exemplar com ligeiro desgaste exterior, impecável no miolo.

24€

Maria Gabriela Llansol — Geografia de Rebeldes (3 vols.)

Colecção completa da trilogia nas edições originais, agregando:

- O Livro das Comunidades
Afrontamento / Porto (1977). In-8º de 87, [5] págs. Br.

- A Restante Vida
Edições Afrontamento, 1982. In-8º de 103, [9] págs. Br. 

- Na Casa de Julho e Agosto
Edições Afrontamento, 1984. In-8º de 141, [3] págs. Br.

Com capas de João Botelho, estes três volumes seguiram-se a Depois de os Pregos na Erva, já publicado nesta mesma colecção da Afrontamento; e vale a pena sublinhar os encómios ao primeiro que o segundo e o terceiro apresentavam na badana: de Isabel da Nóbrega ("cada pessoa que o lê seja mesmo arrebatada para 'Outro Lugar'. Não apócrifo. Juro, passam-se coisas. Fenómenos. Nunca, como aqui, o eu, o tu, o ele, o dentro, o fora, se confundiram, se confundem"), Eduardo Lourenço ("nesta obra para que não é fácil encontrar antecedentes nem parentesco, entre nós. Que Cultura corresponde a um tal Texto não é fácil dizê-lo. Ou melhor: é impossível"), João Gaspar Simões ("ordem de valores secretamente lógicos, absurdos verosímeis"), Jorge Listopad ("fascinante, a leitura") e Jacinto do Prado Coelho ("obra de espanto e alheamento, poesia do humano e do divino, entre o sono, o sonho e a vigília"). Não admira: foi já a partir de O Livro das Comunidades que a escritora encontrou esse inclassificável «tom» para o qual, ainda mais amplamente do que pretendia Lourenço, é impossível encontrar parentesco seja onde for.

Todos os exemplares por estrear, embora o do primeiro volume, mais antigo, com pequenos defeitos exteriores de armazenamento.  

40€

Maria Gabriela Llansol — Hölder, de Hölderlin

Hölder, de Hölderlin (ilustração fotográfica Loy Rolim)

colares editora. [S/d - 1985?]. In-8º esguio de págs. inums. Br.

Graciosa edição em pequeno formato, impressa sobre papel avergoado e enriquecida pelas bem conseguidas ilustrações a que o complemento de título alude. Se não falha a memória, este texto seria reaproveitado e integrado num título posterior.

Exemplares por estrear e completos, conservando o envelope (a colecção chamava-se «Livro Carta»), o marcador e o revestimento plástico de invólucro.

10€

Maria Gabriela Llansol — um beijo dado mais tarde

Edições Rolim. 1991. In-4º de 117, [3] págs. Br.

Segunda edição do livro vencedor do Grande Prémio APE em 1990, com capa de João Pedro Cochofel e reproduzindo nas abas apontamentos críticos inevitavelmente deslumbrados de Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão, António Guerreiro, Fernando Dacosta, Helena Buescu e Fernanda Abreu.

(A págs. 48, a escritora descrevendo o seu «processo» originalíssimo de encadeamento de imagens:)
"Numa história, há (ou não há) um momento de desvendamento a que se chama sublime. Normalmente breve. Como penso que um leitor treinado já conhece todos os enredos, quase só esse momento interessa à escrita.
Esse momento, tornado longa sequência sustentadora da vibração explícita, é o nome de escrita. É a face escondida - mas que me importa desvendar - das técnicas narrativas já tradicionais" 

12€

Maria Gabriela Llansol (& Julião Sarmento) — O raio sobre o lápis

Livro de Artistas (Comissariado para a Europália 91  Portugal). (Capa, layout e supervisão gráfica de Paulo da Costa Domingos / Desenhos a grafite e têmpera sobre papel, 1990 / Composição, impressão e acabamento de Eurolitho-Impressores Gráficos, Ld.ª).  In-4º de 45, [2], [i] págs. Br.

Parece bastante provável ter sido este o álbum mais interessante da colecção, com a escrita sempre surpreendente - sempre fulgor, para usar um termo que lhe era caro - da mais inclassificável escritora portuguesa.

Exemplar com uma pequena marca de acidez no corte lateral e ligeiros vestígios de manuseio no pé das folhas finais. 

20€ (reservado)

Al Berto (& José Pedro Croft) — Canto do amigo morto

Livro de Artistas (Comissariado para a Europália 91  Portugal). (Capa, layout e supervisão gráfica de Paulo da Costa Domingos / Desenhos a grafite e têmpera sobre papel, 1990 / Composição, impressão e acabamento de Eurolitho-Impressores Gráficos, Ld.ª). In-4º gr. de 38, [ii] págs. Br.

Título inaugural de uma colecção que juntava sempre, a par, escritor/poeta e artista plástico; e que ao texto em português, impresso em folhas de papel couché, fazia seguir a tradução para francês, esse em tipo mais pequeno e sobre papel ligeiramente avergoado.
Teve o apoio espalhafatoso do Banco Comercial Português e da Portugal Telecom, «pormenor» a que o supervisor, sempre pródigo em arengas anti-capitalistas (o mal não está obviamente no anti-capitalismo, e sim no despropósito moralista, sentencioso-infrene, das arengas), parece ter fechado os olhos. "Bem prega Frei" etc.

20€ (reservado)

desfocados pelo vento (A Poesia dos Anos 80 Agora, Antologia)

desfocados pelo vento (A Poesia dos Anos 80 Agora, Antologia) / Selecção e organização de valter hugo mãe

edições quasi (Maio de 2004). In-8º gr. de 298, [8], [vi] págs. Br.

Na sua explanação inicial de propósitos, o organizador do volume, que se iniciaria na década seguinte, justifica o «resgate» desta «geração de 80» por não existir “um qualquer efeito aglutinador, por não existirem vanguardas de qualquer espécie, é certo, mas também por, num contexto em que essa realidade está perfeitamente assumida e assimilada, não existirem sequer grupos mais ou menos persistentes, editoras ou colecções particularmente promotoras do que surge na década e tudo quanto tenha representado estrear nesse período. Qualquer convergência só se poderá realizar agora, por meios extrínsecos, através da convocação dos poetas numa recolha antológica, sobretudo como método privilegiado de os assinalar e colocar em diálogo”.
Com duas ligeiríssimas excepções, o critério foi o de incluir quem se tivesse estreado a publicar durante a década de 80; abrangendo a recolha Adília Lopes, Amadeu Baptista, Carlos Poças Falcão, Daniel Maia-Pinto Rodrigues (a quem se deve o título da antologia, um dos seus versos), Fernando Luís Sampaio, Francisco José Viegas, Francisco Duarte Mangas, Gil de Carvalho, Helga Moreira, Inês Lourenço, Isabel de Sá, João Luís Barreto Guimarães, Jorge de Sousa Braga, José Emílio-Nelson, Luís Adriano Carlos, Luís Filipe Castro Mendes, Manuel Cintra, Paulo Teixeira, Rosa Alice Branco e Rui Duarte Mangas; boa parte deles editados nesta mesma Quasi.

Exemplar com alguns picos de acidez, bastante habituais nesta edição. 

23€