Decorre de 1 a 17 de Setembro a quarta edição da nova Feira do Livro do Porto, uma vez mais com a participação da bibliographias - pavilhão 99.catálogo on-line
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Feira do Livro do Porto
Decorre de 1 a 17 de Setembro a quarta edição da nova Feira do Livro do Porto, uma vez mais com a participação da bibliographias - pavilhão 99.Vida Devota (IV)
Uma pastora meio-selvagem das Ardenas, que nunca vira outro espectáculo mais grato ao seu coração do que as cabras que guardava, foi um dia trazida das suas serranias a Paris, quando no boulevard passava, com a tricolor ao vento, um regimento em marcha. A pobre donzela fez-se branca como a cera, e só pôde murmurar, numa beatitude suprema: - Jesus! tanto homem!
Eu sei que estou aqui fazendo o papel ridículo desta pastora, e balbuciando, com a boca aberta como se chegasse também das Ardenas:
Jesus! tanto livro!
Mas não é este grito, como o da pastora, natural?
O beduíno do deserto de Oeste, que, passando a Serrania Líbica, avista pela primeira vez, imenso, lento, enchendo um vale, o rio Nilo, exclama espantado:
- Alá! tanta água!
A água é a sua preocupação: todas as tristezas das areias que habita vêm da falta da água: mais que ninguém sente as maravilhas que a água produz; e no seu grito há uma tímida repreensão a Alá! "Tanta água aqui, e tão pouca lá de onde eu venho!..."
Assim eu venho... Mas o resto da comparação complete-a, antes, o leitor astuto.
(Eça de Queirós, Acerca de Livros, in Cartas de Inglaterra. Mas está bom de ver que tudo isto já foi mais assim.)
Eça de Queirós ― A Illustre Casa de Ramires (segunda edição)
São já bastante invulgares também os exemplares desta segunda edição; tendo este sido encadernado em tecido sintético imitando pele, sem as capas de publicação – e conservando-se bem cuidado, salvo uma assinatura de propriedade sobre a folha de rosto.
25€
Eça de Queirós ― Correspondência
Primeira edição, ilustrada pelo conhecido retrato do escritor desenhado por António Carneiro e prefaciada pelo seu filho, José Maria – que, na «Introducção», justificava a publicação em volume de uma série de cartas “escolhidas com paciencia e escrupulo, e que, pela elegancia da forma ou os assumptos que versam, (me) pareceram dignas de publicidade”. Dessas 84 missivas destacam-se, em número, as enviadas a Ramalho e, mais ainda, a Oliveira Martins, além das outras aos condes de Arnoso, Ficalho e Sabugosa e a Luís de Magalhães, Mariano Pina, Alberto de Oliveira, etc.; salientando-se uma, muito reverencial, a Camilo, em que lhe pedia colaboração para a projectada Revista de Portugal que depois viria a dirigir.
Exemplar da série encadernada pelo editor.
28€
28€
Eça de Queirós ― Correspondência
Exemplar revestido de uma encadernação da época com a lombada (levemente solta na metade inferior) em percalina gravada a ouro. Bom estado, sem falhas de maior: apenas alguns vincos e muito pontuais vestígios de acidez.
25€
Eça de Queirós ― Correspondência
Exemplar da série comum, em brochura, prejudicado por defeitos exteriores e frequentes manchas de acidez ao largo do volume.
15€
Eça de Queirós ― Cartas Inéditas de Fradique Mendes
Porto: Livraria Chardron, de Lello & Irmão, L.da / editores – (Rua das Carmelitas, 144) – 1929. In-8º de XLVII, [I], 298, [2] págs. Enc.
O volume abre com um In Memoriam de José Maria de Eça de Queirós (filho), cuja morte temporã os editores assim assinalavam em página preliminar; seguindo-se o longo prefácio que o primogénito do escritor ainda chegou a deixar pronto para publicação, e no qual, entre outras coisas, defendia Eça das acusações de plágio – sabemos hoje que em vão, por já ter sido suficientemente demonstrado.
São as «Paginas Esquecidas» a justificar e a ocupar a esmagadora maioria da edição, recolhendo textos e artigos dispersos como «Poetas do mal» (sobre Poe, Baudelaire e Flaubert), «Idealismo e realismo», «Os «Vencidos da Vida»», «El-rei D. Luiz», «A revolução do Brazil», «O ultimatum».
Exemplar da série encadernada pelos editores em percalina, mas padecendo já de alguns defeitos: assinatura de propriedade no anterrosto, pequeno rasgão no rosto, esparsas marcas de acidez, ligeiro amarelecimento do papel nas margens, etc.
20€
Eça de Queirós ― Cartas Inéditas de Fradique Mendes
Porto: Livraria Chardron, de Lello & Irmão, L.da / editores – (Rua das Carmelitas, 144) – 1929. In-8º de XLVII, [I], 298, [2] págs.
Exemplar da série comum em brochura, excepcionalmente bem conservado.
25€
Eça de Queirós ― Ultimas Paginas
Porto: Livraria Chardron, de Lélo & Irmão, editores – 1917. In-8º de VII, [I], 500, [4] págs. Enc.
Para além das biografias que viriam a dar origem ao volume independente «Lendas de Santos», o livro inclui ainda um longo artigo («O Francezismo», alegado mal do nosso país, “traduzido do francez em vernaculo”), uma das crónicas inglesas («Testamento de Mecenas»), uma «Ultima carta de Fradique Mendes» e, chamariz principal, uma extensa, curiosíssima e descaradamente hipócrita carta a Camilo – pretendendo, ou nem isso, convencê-lo de que a sátira publicada num artigo aos escritores ditos «românticos» que, vituperando o realismo, escreviam depois nas capas dos seus livros o apelativo «romance realista», para não dizer «romance obsceno», não era para ele (nem para «A Corja», nem para o «Eusebio Macario»…).
Exemplar da série encadernada pelo editor em percalina gravada a ouro (lombada e pasta superior) e a seco, tendo à frente a efígie de Eça.
17€
Eça de Queirós ― Ultimas Paginas
Porto: Livraria Chardron, de Lello & Irmão, editores – (Rua das Carmelitas, 144) – 1937. In-8º de VII, [I], 425, [3] págs. Enc.
Exemplar revestido de uma boa encadernação em material sintético a imitar pele. Conserva a bonita frente da capa de brochura (que parece aguarela de Alberto Sousa) e foi aparado por inteiro.
15€
Eça de Queirós ― O Conde d'Abranhos
1945 / Livraria Lello & Irmão – editores (144, Rua das Carmelitas) – Pôrto. In-8º de XXI, [I], 290, [2] págs. Enc.
Aproveita as edições anteriores, de que é praticamente decalcada – incluindo o conhecido retrato de Eça desenhado a sanguínea por António Carneiro e apresentado em folha destacada de papel couché na anteportada.
Exemplar bem encadernado em pele pontilhada com gravações a ouro na lombada. Conserva ambas as faces da capa original e foi aparado por inteiro.
10€
Eça de Queirós ― Contos
Colectânea de contos organizada postumamente e pela primeira vez publicada em 1903 – sendo dessa edição original aqui transcrito o prefácio. O livro começa com o mais conhecido “Singularidades de uma rapariga loura”, que aliás inspirou e deu título a um dos últimos filmes de Manoel de Oliveira; seguindo-se-lhe «Um poeta lírico», «No moinho», «Civilização», «O tesoiro», «Frei Genebro», «Adão e Eva no Paraíso», «A aia», «O defunto», «José Matias», «A perfeição» e, também badalado, «O suave milagre».
Exemplar revestido de boa encadernação em material sintético imitando pele, com a lombada gravada a dourado. Conserva a frente da capa de brochura.
15€
Eça de Queirós ― Contos
Exemplar revestido de sóbria encadernação com lombada em pele gravada a ouro. Conserva a frente da capa original e foi aparado por todo. Picos de acidez ao longo do volume e sobre o papel nas folhas iniciais.
14€
Livro do Centenário de Eça de Queiroz
Com organização de Lúcia Miguel Pereira (parte brasileira) e Câmara Reis (parte portuguesa), o volume, conforme explicava a primeira no seu prefácio, resultou de um convite que lhe foi feito por Jaime Cortesão, reunindo “Homens de gerações e de tendências diversas” que aqui “trazem o seu depoïmento sobre Eça de Queiroz, com aquela sinceridade que é a melhor homenagem a um artista de seu porte, a quem não diminuem as divergências” – entre os brasileiros, Gilberto Freire, Álvaro Lins, Aurélio Buarque de Holanda, José Lins do Rego, Manuel Bandeira, Gilberto Amado, por exemplo; portugueses, Hernâni Cidade, Ferreira de Castro, António Sérgio, Jaime Brasil, Fidelino de Figueiredo, Adolfo Casais Monteiro, João de Barros, Sant’Anna Dionísio, João Gaspar Simões, Roberto Nobre, Manuel Mendes, Adriano de Gusmão, João Pedro de Andrade, etc.; e «internacionais» da craveira de Roberto Giusti, Roberto Ibañez, Raimundo Lazo, Antonio Espina, Aubrey Bell e Philèas Lebesgue. Do prefácio da ensaísta saliente-se também a ideia de uma influência de Eça nos escritores brasileiros superior à do próprio Machado de Assis, durante as décadas finais de XIX e as iniciais de XX. Como será de salientar o retrato, então inédito e ainda hoje pouco conhecido, de Eça composto por Abel Salazar e reproduzido em folha preliminar de papel couché (outras são apresentadas ao longo do volume com manuscritos, fotogravuras e ilustrações).
Bom exemplar.
35€
35€
Eça de Queirós ― Crónicas de Londres
Lisboa: Editorial Aviz, 1944. In-8º de XXXVIII, [II], 266, 6 págs. Br.
Primeira edição em volume, coligindo as crónicas escritas por Eça a partir de Inglaterra – mais de Newcastle, propriamente, do que de Londres – entre 1877 e 1878 para o jornal «Actualidade». Publicada no âmbito das comemorações do 1º Centenário do nascimento do escritor, inclui uma nota dos editores a explicar a sua oportunidade e o longo (e algo entediante) prefácio de Pinto da Cunha. O conjunto das crónicas é um panorâmico mosaico da vida inglesa do último quarto de oitocentos – na linha dos que já Garrett e, mais tarde e de passagem, Oliveira Martins escreveram também – mas, além disso, dá conta dos principais acontecimentos que à época se sucediam no mundo inteiro, pelo que constitui ainda um documento de interesse histórico (decerto até sobre o literário).
Exemplar em muito bom estado, sem qualquer defeito de importância; só vincos ligeiros no encaixe e algum leve escurecimento marginal das folhas, natural dado o tipo de papel usado na impressão.
20€
Eça de Queirós ― Cartas
1945. Editorial Aviz. In-8º gr. de XV, [I], 374, [2] págs. Br.
Primeira edição, dada a lume por ocasião das comemorações do centenário do nascimento do escritor. Com uma nota introdutória dos editores em que se defende a continuação da Correspondencia – repetida e erradamente assinalada com a data de 1928 (o livro é de 1925) – pela publicação deste conjunto de mais de 100 cartas “que encerra grande parte da sua correspondência dispersa em livros, publicações periódicas e arquivos particulares”. Entre os muitos destinatários salientam-se, em número e como seria de esperar, Ramalho e Oliveira Martins, além de outros habituais correspondentes como Luís de Magalhães, Alberto de Oliveira, João Penha, Mariano Pina, Silva Gaio e os condes de Sabugosa, Arnoso e Ficalho; incluindo-se ainda epístolas a Columbano, Rodrigues de Freitas, Teófilo Braga, Silva Pinto, etc.
Exemplar em muito bom estado, apenas com leve desgaste da capa (vestígios de acidez e, na lombada, ligeiros vincos).
20€
Eça de Queirós ― Cartas a Genelioux e Lugan
Cartas de Eça de Queiroz aos seus editores Genelioux e Lugan (1887 a 1894)//apresentadas por Marcello Caetano
Edições Panorama. Lisboa. 1961. In-8º gr. de 81, [3] págs. Br.
A edição, impressa em bom papel couché, foi inteiramente preparada e organizada por Marcelo Caetano, que, além das considerações iniciais e da conclusão, fez acompanhar de notas e comentários seus cada uma das cartas reproduzidas – de uma série de 24 enviadas por Eça, incluídas num conjunto de missivas a Genelioux e a Lugan (os sucessores de Chardron) escritas por autores vários que fora oferecido, em França, a Jorge Felner da Costa. São ainda reproduzidos excertos de alguma correspondência do romancista com sua mulher Emília, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Silva Gaio, etc.; de sugestões e interpretações críticas de autores diversos (Lopes de Oliveira e Gaspar Simões à cabeça); e o fac-simile de várias cartas e do frontispício de certas edições dos seus livros nelas referidas.
Exemplar em muito bom estado, tirando um ligeiro vinco na capa (e nas folhas iniciais e finais) e uma mínima assinatura de propriedade na primeira página de texto.
17€
Eça de Queirós ― A Emigração como Força Civilizadora
p&r, perspectivas & realidades (1979). In-8º de 149, [3] págs. Br.
“Este Relatório sobre a Emigração que hoje publicamos constitui obra inteiramente desconhecida até dos queirozianistas mais informados. (...) Porque não se publicaram até agora os relatórios de Eça de Queiroz como cônsul, tanto na Havana como em New Castle, em Bristol ou em Paris? Embora o que deles conhecemos nos dê o interesse profundo que Eça de Queiroz tomou na defesa dos emigrantes e o conhecimento que conseguiu do fenómeno social e económico da emigração, parece-nos que bom seria desenterrar dos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros quanto se lá contém para que não seja apenas o romancista grande a ser apreciado mas também o homem que não fica indiferente à sorte dos seus semelhantes. (...) O relatório que hoje publicamos tem a sua história, simples aliás. Talvez só tenha estado horas no Ministério dos Negócios Estrangeiros e de lá passaria a casa do ministro que, para o estudar, o teria levado consigo. O facto é que na família de Andrade Corvo, segundo cremos, se conservou até há pouco tempo. Adquirimo-lo num leilão do livreiro-antiquário e nosso amigo Arnaldo Henriques de Oliveira.” (Do prefácio).
Exemplar da série corrente, em brochura; por estrear, sem qualquer defeito significativo.
12€
Eça de Queirós — A Tragédia da Rua das Flores (edição ilustrada)
Aproveitando as graciosas ilustrações oitocentistas de desenhadores e gravadores franceses, não naturalmente para este romance mas que de algum modo pudessem figurativamente aludir ao enredo, a edição apresenta ainda o apêndice final «A Lisboa Queirosiana em 1980 (ou o que resta do cenário da «Tragédia»)»: com três dezenas de fotografias da Lisboa ao tempo desta publicação, precedidas de um texto em que os editores já se lamentavam - que faria agora... - da profusão automóvel, com ruas "cobertas da lata das carroçarias e lambuzadas do óleo negro dos motores; por toda a parte há tabuletas, apitos, obstáculos, incómodos de trânsito, ruídos enervantes de travões e atroantes de claxons. E, sobretudo, a terrível, a venenosa, a omnipotente poluição dos gases tóxicos que saem de milhares de tubos de escape".
Exemplar da série corrente; bem conservado, mas já com uma pequena folga do volume em relação ao encaixe, que acontece com bastante frequência.
17€
Eça de Queirós — A Tragédia da Rua das Flores
A Tragédia da Rua das Flores (Prefácio e notas de José Valle de Figueiredo) [na capa: "Versão Integral"]
Edições FP / Fernando Pereira, Editor - Lisboa. (Composto e impresso na Tipografia Guerra – Viseu e concluiu-se em Julho de 1980). In-8º de 345, [7] págs. Enc.
Edição de aparecimento menos frequente, com uma tiragem decerto muito inferior à da Moraes e até à recenseada acima; dizendo o prefaciador ser esta uma terceira versão em relação às duas já conhecidas.
Exemplar bem encadernado, conservando ambas as faces da capa de publicação.
15€
Eça de Queirós — A Tragédia da Rua das Flores
Primeira edição do romance de Eça que mais tempo permaneceu inédito, com um amplo trabalho de fixação do texto a cargo de João Medina e de Campos Matos. João Medina assina também o longo prefácio – estende-se até à pág.41 – em que, para além da sinopse do livro, da sua «história» e da exegese crítica, se explicam precisamente as opções tomadas na reprodução do texto manuscrito.
Eça de Queirós — A Tragédia da Rua das Flores
Foi a edição original do romance queirosiano que mais tempo permaneceu inédito, com um amplo trabalho de fixação do texto a cargo de João Medina e de Campos Matos. João Medina assina também o longo prefácio – estende-se até à pág.41 – em que, para além da sinopse do livro, da sua «história» e do aparato crítico, se explicam precisamente as opções tomadas na reprodução do texto manuscrito.
Exemplar da tiragem impressa em papel de 90 grs. da série corrente; conservado em muito boa condição, sem defeitos a destacar.
20€
Eça de Queirós ― Cartas Inéditas
Lisboa, Edições «O Jornal». 1987. In-4º de 71, [1] págs. Br.
Primeira edição de um conjunto epistolar integrado no espólio de Jaime Batalha Reis que a Biblioteca Nacional adquirira pouco antes. Inclui vinte cartas enviadas pelo escritor ao próprio Batalha Reis desde a mocidade (no que estará porventura o principal interesse da edição, não sendo muitas as missivas conhecidas dessa época) até perto da sua morte (a última é de Setembro de 1899); e, em apêndice, outras de Ramalho ao mesmo Batalha Reis e, sobretudo, deste a Eça. Capa ilustrada na frente pelo retrato do romancista com a mulher, Emília, e atrás pela reprodução aumentada da sua caligrafia.
Exemplar por estrear, em condição praticamente impecável – descontando uma pequeníssima marca de esboroamento na capa.
7€
Episódios da Vida Romântica
Antes que me esqueça: annuncia, peço-te, a apparição dos Maias, que se devem pôr á venda a 15 ou 20. Lugan & Genelioux nem habilidade têm, na lançagem d'um livro, para fazer imprimir annuncios! É necessario que esses annuncios eu proprio os pedinche! Estes industriaes portuguezes!... Eu vou-lhes escrever para que te remettam um dos primeiros exemplares brochados. E se fôr a tempo, podes transcrever um pedaço no Reporter. Os Maias sahiram uma coisa extensa e sobrecarregada, em dois grossos volumes! Mas ha episodios bastante toleraveis. Folheia-os por que os dois tomos são volumosos de mais para lêr. Recommendo-te as cem primeiras paginas; certa ida a Cintra; as corridas; o desafio; a scena no jornal A Tarde; e, sobretudo, o sarau litterario. Basta lêr isso, e já não é pouco. Indico-te, para não andares a procurar através d'aquelle immenso maço de prosa.
[Eça de Queirós, carta a Oliveira Martins - Bristol, 12 de Junho de 1888]
Oliveira Martins ― Os Filhos de D. João I
“É minha idéa que a arte de escrever historia está atravessando um periodo de transformação. Reagindo contra as theorias abstractas dos racionalistas antigos, os escriptores do nosso tempo, absorvidos pelo cuidado indispensavel da veracidade crítica, esqueceram os modelos eternamente classicos. A historia ha de sempre ser uma resurreição; e o processo artistico ou synthetico ser-lhe-ha sempre o adequado. As analyses eruditas e as controversias críticas, bem como as theses doutrinarias dos systematicos, serão tambem sempre materiaes indispensaveis do artista; mas nunca poderão crear obras que tanto agradem ao sabio como ao ignorante, deliciando e educando quem quer que tenha ouvidos para ouvir, olhos para ver e coração para sentir”, palavras preliminares e proclamatórias do autor a este trabalho, que dividiu nos seguintes capítulos: «A côrte e o conselho»; «Ceuta»; «A villa do Infante»; «As viagens do Infante D. Pedro»; «Um estadista do XV seculo»; «O «Leal Conselheiro»»; «As Ordenações e os judeus»; «Tanger»; «Os tratos da Guiné»; «O regente»; «Alfarrobeira»; «A descendencia do condemnado». O final do volume apresenta ainda em apêndice a reprodução de uma série de documentos de época.
Primeira e formosíssima edição, impressa a duas cores, ela sim altamente artística, com capitais e belas vinhetas desenhadas decorando o livro.
Exemplar da tiragem encadernada pela Parceria A. M. Pereira com largos cantos e lombada em pele e pastas em percalina, ornamentalmente gravada a ouro no encaixe e na frente, tendo também sido dourado à cabeça o corte das folhas; e conservando por inteiro a capa de brochura.
80€
Oliveira Martins ― A Vida de Nun'Alvares
Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira – editor (50, 52 – Rua Augusta – 52, 54). MDCCCXCIII. In-4º de 469, [3] págs. Enc.
Edição original deste segundo trabalho de fôlego consagrado aos primórdios da dinastia de Avis, que consta dos capítulos «O prior do Hospital», «O fim da dynastia», «O Messias de Lisboa», «A guerra», «O throno de Aviz», «Aljubarrota», «Valverde», «Os inglezes», «A sociedade nova», «O Santo Condestavel», «Fr. Nuno de Santa-Maria»; aos quais se seguem, em apêndice, «Chronologia», »Bibliographia» e «A canonisação do Condestavel».
Exemplar da série encadernada pelo editor: encadernação em estilo amador, com larga lombada e cantos em pele e pastas revestidas a tela, tudo gravado a ouro. A pele dos cantos inferiores está porém corroída (no de trás, demasiado), e a da face inferior em geral apresenta pequenas marcas de sujidade - o que o desvaloriza um quanto.
50€
Oliveira Martins ― A Vida de Nun'Alvares
Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira – livraria-editora (Rua Augusta, 50, 52 e 54) ― MDCCCCII. In-4º de 469, [5] págs. Enc.
Exemplar da mesma série encadernada pelo editor (que, neste caso, fez conservar por inteiro a capa de brochura); padecendo da mesma (mas aqui mais grave) marca de corrosão da pele nos cantos, a aconselhar pequeno restauro.
25€
Exemplar da mesma série encadernada pelo editor (que, neste caso, fez conservar por inteiro a capa de brochura); padecendo da mesma (mas aqui mais grave) marca de corrosão da pele nos cantos, a aconselhar pequeno restauro.
25€
Oliveira Martins ― O principe perfeito
1923 – Parceria Antonio Maria Pereira, livraria editora (Rua Augusta – 44 a 54), Lisboa. In-4º de 297, [3] págs. Enc.
Exemplar da série encadernada pelo editor com largos cantos e lombada em pele e as pastas em tela, tendo ornamentais gravações a ouro na frente e sobre o encaixe; sendo o corte das folhas carminado à cabeça e conservando por inteiro a capa de brochura. Em bom estado global, apresenta porém dois defeitos significativos: ligeiras marcas de corrosão na pele e um pequeno furo de traça ao longo de todo o volume, encadernação incluída.
20€
Oliveira Martins ― O principe perfeito
Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira - editor (50, 52 - Rua Augusta - 52, 54) / 1896. In-4º de VI, 268, XXV, [I] págs. Br.
Seria este o primeiro de uma série de três estudos históricos consagrados a D. João II, Afonso de Albuquerque e D. Sebastião – mas a morte por doença de Oliveira Martins apenas lhe permitiu terminar o primeiro capítulo, «Toro», sendo as outras duas centenas de páginas ocupadas pela tentativa de exegese do amigo Barros Gomes a partir do plano geral que o autor já esboçara e das impressões que com ele trocara em Setúbal e em Lisboa; começando logo por louvar “O pensador pujante, que possuia faculdades de abstracção tão raras em homens da nossa raça, que, primeiro entre nós, avistára, rasgando-os mais tarde para a nação inteira, horisontes novos, os quaes n’ella deviam modificar as concepções philosophicas, os principios do direito publico e da economia nacional em que assentára a sua historia durante mais de meio seculo; o historiador que, recorrendo a processos menos severamente scientificos, é certo, com faculdades fundamentalmente diversas das de Herculano, veio talvez em mais alto grau do que este, popularisar entre nós a historia patria, engrandecendo-a de facto (...)”.
Seria este o primeiro de uma série de três estudos históricos consagrados a D. João II, Afonso de Albuquerque e D. Sebastião – mas a morte por doença de Oliveira Martins apenas lhe permitiu terminar o primeiro capítulo, «Toro», sendo as outras duas centenas de páginas ocupadas pela tentativa de exegese do amigo Barros Gomes a partir do plano geral que o autor já esboçara e das impressões que com ele trocara em Setúbal e em Lisboa; começando logo por louvar “O pensador pujante, que possuia faculdades de abstracção tão raras em homens da nossa raça, que, primeiro entre nós, avistára, rasgando-os mais tarde para a nação inteira, horisontes novos, os quaes n’ella deviam modificar as concepções philosophicas, os principios do direito publico e da economia nacional em que assentára a sua historia durante mais de meio seculo; o historiador que, recorrendo a processos menos severamente scientificos, é certo, com faculdades fundamentalmente diversas das de Herculano, veio talvez em mais alto grau do que este, popularisar entre nós a historia patria, engrandecendo-a de facto (...)”.
Exemplar da série em brochura, conforme saiu dos prelos.
40€ (indisponível)
Oliveira Martins ― História de Portugal
1942 / Parceria António Maria Pereira, Livraria Editora (Rua Augusta, 44 a 54) – Lisboa. 2 tomos in-8º de 332 e 348 págs. Enc.
São sete as cartas referidas, apresentadas em apêndice final: quatro de Camilo Castelo Branco (como sempre, interessantes, e com reparos quanto a matérias propriamente históricas e bibliográficas), uma de Bulhão Pato (elogiando de modo encomiástico este livro, mas censurando o trato desrespeitador que nele via ao adorado Herculano – a cuja memória, de “Mestre e Amigo”, foi porém dedicado), outra de Sousa Monteiro e outra de Lobo de Moura. Transcreva-se o início da primeira de Camilo: “Conclui a leitura da História de Portugal, e venho agradecer-lhe estas 20 horas boas que me deu. O seu livro há-de causar estranhesa pela novidade do processo; tem um destaque de escola que V. Ex.ª inicia entre nós, um modo de ver para o interior das coisas que violentará os míopes a aumentarem o grau dos vidros. Uns hão-de aprender, outros beliscados nas suas convicções históricas adquiridas com o Doria e o Mota Veiga, dirão que V. Exª é um visionário”.
Ambos os tomos revestidos de encadernação relativamente modesta com lombada (gravada a dourado) e cantos em percalina; que conserva por inteiro as capas originais.
20€
20€
Oliveira Martins ― Historia da Republica Romana
Por estranho que pareça, é até hoje a única história de Roma minimamente monumental ensaiada por historiador português, e o mais que temos – apesar da tipicamente deficiente cientificidade, também tipicamente compensada pelo fantasioso, ambicioso e largo de vistas poder de síntese do autor – para responder aos empreendimentos de um Mommsen, por exemplo (que O.M. leu e cita). O estudo foi com bom critério dividido nas grandes secções «A cidade romana», «Unificação da Italia», «As guerras punicas», «Conquista do mundo», «Socialismo e capitalismo» (postas assim as coisas, soam um tanto forçadas, mas reportam-se obviamente ao período das reformas sociais) , «Os tyrannos» e «O Cesarismo».
Primeira edição.
Exemplares da série em brochura que se crê mais rara e propriamente a princeps, depois bem encadernados com cantos e lombadas em pele, estas últimas copiosamente gravadas a ouro; mantendo ambas as faces da capa original.
Oliveira Martins ― Historia da Republica Romana
Exemplares da série encadernada pelo editor em percalina gravada a ouro e a seco, com a efígie do autor na pasta frontal, para integrar a conhecida colecção «Obras de Oliveira Martins»; e que apenas diverge da anterior pelas folha de anterrosto e rosto, com o tipo ligeiramente diferente, um travessão no lugar da vírgula na linha de descrição da editora e referência à data de publicação. A percalina apresenta-se já um tanto corroída nas lombadas.
30€
Oliveira Martins ― Correspondencia
1926 – Parceria Antonio Maria Pereira, Livraria (Rua Augusta, 44 a 54) Lisboa. In-8º de 290 págs. Enc.
Destacam-se em quantidade neste útil repositório as missivas enviadas a Eça e a Luís de Magalhães; havendo várias também a Bulhão Pato, Juan de Valera, António Cândido, Henrique Barros Gomes, Magalhães Lima, Ramalho, Anselmo Braancamp, José Luciano de Castro, Menendez Pelayo e Martins Sarmento; e esparsas a Camilo, a Carolina Michaelis, a Emídio Navarro, ao editor António Maria Pereira, ao rei D. Carlos, etc. Lacunas principais, reconhecia-as o próprio organizador, as que Oliveira Martins expedira ao dilecto amigo Antero e ao mestre Herculano.
Edição primitiva.
Exemplar da série com encadernação editorial em percalina gravada a dourado na lombada e em ambas as pastas, apresentando a da frente um retrato colado em cliché do ministro no seu gabinete; que conserva ambas as faces da semelhante capa de brochura. Quer a pasta inferior, quer o referido cliché têm já discretas manchas e escoriações. De resto, sem defeitos significativos a assinalar.
20€
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